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Feliz Natal, by piolhas

por t2para4, em 20.12.14

“Desejamos a todos um Feliz Natal com amor, paz, saúde e algumas prendas”

 

Votos sinceros da família t2para4, nas palavras sábias das piolhas.

 

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publicado às 14:02

Postal de Natal 2014

por t2para4, em 15.12.14

Como já vem sendo hábito, todos os anos,desde que as piolhas nasceram que fazemos os nossos postais de boas festas (exemplos aqui e aqui). Ainda que quem os receba, impressos ou por email, nem o note, a verdade é que há muito mais por trás dos desenhos e purpurinas.

Inicialmente, trabalhávamos a motricidade fina, a imaginação e o jogo simbólico, os diálogos do género pergunta/resposta com tempos, a atenção conjunta. As piolhas não se apercebiam que estavam a trabalhar e, convenhamos que, usar purpurinas ajudava imenso a manter o interesse na tarefa.

Este ano, a elaboração do postal coincidiu com o ataque de varicela a uma das piolhas (até a Angelina Jolie quis imitá-la) pelo que optei por utilizar outro tipo de materiais e concepção diferente.

Este ano trabalhámos a motricidade, atenção conjunta, troca de turnos à mesma mas de forma mais simplista.

 

Para o nosso postal precisamos de:

- sobras de cartolinas coloridas

- lápis de carvão

- cola

- cola glitter

 

Então , mãos à obra! Uma piolha fez e recortou a árvore de natal, a outra contornou e recortou os anjos e eu ajudei nos dizeres e uso do glitter (antes que se tornasse um abuso). Depois foi deixar secar et voilà, o nosso bonito e brilhante postal de boas festas. Está lindo na nossa lareira.

 

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A nossa lareira no Natal fica assim, cheia!  Postais, meias, presépios, músicas de Natal. Faz tudo parte!

 

E quem nos lê, também enviam postais de boas festas? Compram ou fazem ou tiram da net? Partilhem!

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publicado às 20:51

Update das maleitas infantis

por t2para4, em 13.12.14

A piolha tem sido uma valente, até o pai reconhece isso.

Os últimos dois dias foram os mais complicads, pois, além da febre, houve muitas bolhas novas a rebentar e muita muita comichão. Mas ela lá se manteve impenetrável, a dar leves palmadinhas nas zonas de comichão para evitar coçar. Tomou dois banhos tépidos e bezuntei-a de óleo d'Aveia umas três vezes. Melhorou. À noite, depois do segundo banho, cansada e martirizada, chorava enraivecida e resmungava "eu faço assim e assim e elas não passam, as comichões estão sempre cá, todos os dias" (ela é bocado drama queen, por isso, relevemos algum exagero).

 

Hoje temos piolha nova. Pouca coceira, mais sinais de melhoras, pequenas crostas a formarem-se e pomada cicalfate em ação.

Como ainda precisei de ir dar uma aula, as piolhas foram a casa da avó, todas contentes (principalmente a vítima da varicela) por sair de casa - ainda que seja para se enfiarem noutra. E conseguimos fazer muita coisa!

- vimos as luzes de Natal da localidade, pela janela do carro (não convém apanhar frio ainda!)

- elaborámos o nosso postal de "Boas Festas"

- pensámos numa ementa fixolé para o jantar (rolinhos de salsicha, rolinhos mistos e pasteis de delícias do mar + sopa de aletria)

- vimos filmes giríssimos na TV

- brincámos imenso!

 

O que segue é o básico: banho + óleo + cicalfate + lavar dentes + mimo + cama. E depois, depois o comando é todo meu, o sofá é todo meu, a almofada é toda minha, a manta é toda minha. E vou permitir-me a fazer stand-by aos neurónios durante um pouco.

 

Agora um pedido básico e simples: sra d. varicela, faça o favor de contagiar já a mana da piolhas. Posso deixar alguns bons argumentos: ainda tenho a escala de serviço ativa, queremos passar as festas sem preocupações com a febre nem banhos nem óleos nem coceiras, um intervalo de 10 a 15 dias é demasiado e coincide com o regresso às aulas o que implica depois mais TPC para ela fazer em casa e ficar sem a irmã - o que só tem a sua piada no 1º dia, depois começa a tornar-se confuso e complicado porque as piolhas sentem-se incompletas uma sem a outra e só falam em saudades todo o dia -, elas só falam em querer voltar para a escola e eu também preciso de descansar e ter noites sossegadas. Grata pela atenção.

 

 

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publicado às 21:08

Um cartão de melhoras especial

por t2para4, em 10.12.14

Confirmado o diagnóstico de varicela - não era difícil lá chegar - e aviada a receita na farmácia mais próxima, foi altura de colocar o telemóvel ao serviço e avisar a escola (professora, tarefeira, unidade de autismo) de que a piolha irá ficar em casa, de férias antecipadas, e já não regressará às aulas.

À tarde, terminadas as aulas, vinha eu com a irmã - que ainda não parece estar afetada - e um dos seus colegas diz-me que fez um cartão de melhoras para a B.. Fquei com o coração todo derretido... Os colegas de turma, apesar de nem sempre conseguirem acompanhar os seus passos/imaginação/(des)venturas/etc, gostam delas de verdade e isso vê-se nestas pequenas coisas.

 

Chegadas a casa, quis ver o tal cartão. Que coisa mais deliciosa de se ver!!! O colega até se esforçou para desenhar poneis com as cutie marks (as cenas nos flancos) e tudo!! Atentou nos detalhes e cores, é indescritível!

E, no fim de tudo, ainda conseguiu arrancar gargalhadas genuinas porque disse - reproduzido pela piolha - que desenhou também a "Senhora da Liberdade".

 

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 Está ou não está fabuloso? Os amiguinhos das piolhas são como elas: especiais. Adoro.

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publicado às 20:45

Coming up next: varicela, de novo?!

por t2para4, em 09.12.14

Ora pensava eu, na minha ignorância clínica, que a varicela já era ou teria sido. Acontece que, uma das piolhas tem bolhas, borbulhas, erupções, congestionamento e corrimento nasal, mau-estar. E, dado que um coleguinha teve varicela, parece-me que o diagnóstico é simples de se tirar.

 

As borbulhas têm aparecido e evoluído muito rapidamente. Há pouco, depois de falar com uma amiga já mais experiente nestas lides, segui os seus conselhos e já dei banho, desinfetei as borbulhas já rebentadas com betadine, passei com creme hidratante no corpo para evitar que sequem e dêem ainda mais comichão, dei benuron e meti-a na cama.

 

To do list das próximas 24h:

 

- vigiar a piolha durante a noite (dorme comigo para eu controlar febres, respiração e coceira)

- ir ao médico, logo de mnhã, depois de deixar a irmã na escola, para confirmação de diagnóstico

- passar na farmácia, deixar lá uma fortuna e trazer a medicação necessária

- elaborar uma escala de serviço para evitar que eu falte ao trabalho e seja penalizada na baixa médica (que será miserável dado o salário miserável que tenho) e que fique com a piolha enquanto eu estou fora

- hidratar, hidratar, hidratar e evitar que se coce

 

Posto isto, vou ali e já volto. Avizinham-se duras e longas noites...

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publicado às 22:01

Tagarelice #40

por t2para4, em 09.12.14

Lanche da manhã habitual das piolhas: iogurte líquido ou de colher (de aromas ou grego natural) + cereais ou pão ou fatia de bolo caseiro ou bolacha maria.

Hoje não havia iogurtes de aromas nem gregos (iogurtes, entenda-se) no frigorífico, a não ser uns de pedaços de que não gostam muito. Mas, disse-lhes para comerem a parte de cima e deixarem a fruta no fundo. Ensaquei e coloquei na lancheira.

Ao que soube, houve alta fita para comerem o raio dos iogurtes. E, a certa altura, dizia uma delas:

"Mas eu não quero iogurte grego de morango! Eu não gosto desta textura!"

 

Oi? Textura? Ora, gostei. Gente fina é outra coisa, reclama-se mas com classe, eheheheh

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publicado às 21:55

Calendário do Advento by t2para4

por t2para4, em 07.12.14

Pela 1ª vez, este ano decidi criar um calendário do advento. Achei que seria muito mais giro fazê-lo com as piolhas do que ir comendo chocolates todos os dias até ao Natal...

 

Assim, coisas de que precisei:

- cartolina

- tinta e pinceis

- cola e cola com brilhantes

- modelo de carta ao pai natal (by google)

- folhas vermelhas

- números retirados da net

- furador floco de neve

- tesoura

- elásticos e molas

- cabide

 

Como fizemos:

Desenhei o contorno de uma árvore de Natal, sem tronco, numa cartolina e as piolhas pintaram. Depois de seca, recortei e fui colando os círculos coloridos com os números colados. Para dar um toque natalício e invernal, colei um floco de neve por cima de cada círculo e decorei com cola brilhante de várias cores.

No final, foi só pendurar num cabide, com a ajuda de um elástico na porta da sala. Por baixo da árvore, estão as tarefas a executar para cada dia de dezembro até ao natal.

 

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Sinceramente, nunca pensei que as piolhas fossem dar importância a mais uma manualidade espalhada pela casa mas, a verdade é que, estão a adorar e todos os dias querems aber que tarefa há a fazer e se lhes toca especialmente a elas! Avisei-as que as atividades podem ser flexíveis e serem feitas noutras datas (como as ações de solidariedade, elas têm estado a contribuir numa coleta de materiais para entregar no Hospital Pediátrico de Coimbra) e que até podemos fazer mais do que uma por dia, consoante a vontade delas.

 

 

O melhor de tudo é terem sido elas a fazer a própria árvore para o calendário e estarem tão entusiasmadas. E, pouco a pouco, à nossa maneira estranha e muito pouco convencional, lá vamos redescobrindo a magia de Natal. E isso é muito bom.

Haverá prendas, claro. Mas comedidamente. 2014 foi um anao financeiramente complicado e com a minha situação profissional muito desajustada, optámos por sermos mais nós e continuarmos a dar lembranças de Natal, úteis e simbólicas. Crianças na 1ª prioridade, claro. As piolhas receberão o que pediram, algo que dividimos entre nós. Nós receberemos o que pedimos, ainda que não venha pelo Natal :) O melhor de tudo é que a maioria foi escolhida pelas piolhas e isso, para mim, é importante. Começam a ter a noção do que oferecer aos outros e de que as coisas custam dinheiro e podem ser  caras ou baratas ou que para comprar isto não se pode comprar aquilo. E se o Natal contribuiu para esse entendimento, para mim, já são ganhos e prendas.

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publicado às 18:08

Porque a merda do telemóvel passa a vida a tocar por causa das piolhas. Ou é da febre ou é da tosse ou é das birras ou é dos gritos ou é do cu ou é das calças...

E toca sempre que estou fora de casa, distante de casa. E geralmente nos poucos momentos que tenho para mim ou para estar com o marido. E, por regra, implica a minha presença. Tipo, já ou para ontem.

 

E agora pergunto eu: para que raio me serve a escola, a unidade de autismo da escola, todo o acompanhamento que é suposto elas terem, se acabo por trazer sempre uma ou outra para casa? Claro que não sou uma heartless bitch e recuso-me a deixar que as minhas filhas fiquem na escola aos gritos e berros sem fazer nada. A única opção é mesmo trazê-las, acalmá-las, deixá-las descansar e quando se sentem melhor, levá-las de volta à escola. Mas como faz a escola com as outras crianças? Como faria a escola se eu não fosse uma parva semi-desempregada? Como faria a escola se eu trabalhasse numa fábrica/por turnos/como segurnça/polícia/etc.?

 

Neste momento, está uma piolha no sofá, deitada e com um benuron no bucho (por via das dúvidas) porque se queixava de dor de cabeça/barriga. Em cima da mesinha de centro, aguardam-na as fichas de matemátca que era suposto ter feito de manhã...

 

Portato, resumindo, concluindo e baralhando:

- se as deixo na escola ou ignoro o telemóvel, shame on you, porque o teu papel de mãe está logo posto em causa;

- se as trago comigo, shame on you, porque és demasiado protetora e como fazem com os miúdos normais que se portam mal e que fariam se tu trabalhasses numa fábrica ou num continente.

 

Posto isto, só me apetece é pegar nas garotas, enfiá-las no carro, conduzir até ao pico da serra e gritar "Foda-se!!!!!!" para isto tudo. Se a escola é assim, cada vez me convenço mais que a escola não está NADA preparada para lidar com qualquer tipo de diferença. Pró diabo.

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publicado às 11:35

"I've got a hangover" poderia ser a banda sonora do meu atual momento, não fosse a causa da minha ressaca ser outra que não alcoólica... Uma ressaca é sempre a ausência ou excesso de algo, que, neste caso, é a ausência de antidepressivos.

 

 

A minha relação com estes químicos é ambígua e complicada. Preciso deles e não preciso deles... Mas, deixem-me contar o início da nossa vida conjunta.


Comecei em 1999, após o diagnóstico de esgotamento/depressão/crises de ansiedade/burnout. Fui parar ao hospital com mega dores de cabeça, sonos irregulares e, perante a hipótese de uma cura do sono (tão em voga naquela altura), a minha mãe optou por me trazer para casa, altamente medicada, e sujeitar-me a uma (ainda mais) estreita vigilância e dieta alimentar do género "tens de comer para ficares forte porque estás muito magrinha". E estava... Coincidiu com o diagnóstico de cancro, definhar e morte do meu avô materno, que acompanhava às consultas - nesta altura, vestia o mesmo tamanho de roupa da minha irmã, que é 3 anos mais nova que eu... ela tinha 16 anos e eu 19; demasiada pressão na faculdade (bullying - hoje tão na berra, com um nome pomposo, mas, já existente na altura. Não me metia nos copos, não apanhava bebedeiras de caixão à cova, não me baldava às aulas, atrevia-me a passar de ano sem negativas nem cadeiras penduradas, não participava em praxes, não entrava em coma alcoólico nas Queimas ou Latadas. Digamos que, socialmente, não era uma pessoa muito popular... Mas isso nem me afetava muito; afetava-me mais o facto de troçarem de mim por ser estudiosa e gostar de estudar); demasiadas e rápidas mudanças na minha vida até então mais ou menos controlada; surgimento de dificuldades com que não contava; aprender a conduzir numa das cidades mais populosas e enruadas do país...


Anyway, comecei com os antidepressivos e ansiolíticos de 1ª geração, aqueles que são sertralina e que nos zombificam. Eu só dormia. Todo o dia. E continuava com sono. Pouco a pouco, durante muito mais tempo do que eu desejava e esperava, lá me fui desabituando do Zoloft (este desgraçado até ficou referido na minha caricatura por um colega em pé de igualdade) até ficar com um quarto de comprimido e cerca de 2 ansiolíticos por dia. E, sempre fiel às consultas de neurologia onde me viam como cobaia devido as minhas horríveis e lancinantes dores de cabeça e lá me prescreviam medicamentos que nada resolviam - até descobrirem que eram enxaquecas e me receitarem um medicamento milagroso em 2010, nas Urgências dos HUC -, lá acabei a licenciatura e fiz estágio profissional, namorei e casei, estive desempregada e depois dei aulas num colégio além de ter um centro de explicações aberto.


Um dia, no início de 2006, creio, aconteceu-me algo de muito estranho, quase paranormal. Não me recordo nada, mesmo nada nada, de uma parte do caminho que habitualmente fazia de carro. A minha dedução lógica é: adormeci ao volante. No entanto, foram ainda cerca de 2 km sem me recordar de nada. Seja como for, pregou-me um susto de morte e, nesse mesmo dia, decidi acabar de vez com antidepressivos e ansiolíticos. Andei cerca de 2 semanas a sofrer os sintomas da abstinência (nome horrível e pejorativo mas é assim que se chama) mas mantive-me firme. Foi horrível. Dormia pouquíssimo mas andava elétrica, arranjava quinhentas desculpas para não ter que ir dormir à noite, tremia imenso nas mãos, tinha alguma dor de cabeça e pouca tolerância à claridade. Mas evitei ter que regressar aos comprimidos apenas para não ter que andar assim. Foi uma vitória fantástica da qual me orgulho imenso. Sozinha, sem qualquer ajuda, consegui limpar aquelas influências do meu organismo. E ainda bem porque, no final desse ano, descubro que estou grávida.

 

 

Mantive-me forte, firme, teimosa e segura de mim mesma até 2012. Foi imenso tempo, vendo bem. Em 2012, não aguentei mais e o que eu mais evitara e temera aconteceu: regressei aos drunfos. Teve que ser, reconheço. Passei por uma gravidez complicadíssima, por uma licença de maternidade curtíssima, pela negação do período de aleitamento, um despedimento ilegal no dia do parto das minhas filhas, um processo em tribunal contra o colégio onde trabalhara, pela procura de emprego, pelo trabalhar a recibo verde em 5 locais diferentes em horários laborais e pós-laborais, pelo notar que as piolhas não eram como as outras crianças, pelo diagnóstico de autismo e tudo o que se seguiu em catadupa: terapias, papelada, burocracias, apoios, referenciações, exercícios, mais terapias, mais tudo. Não tinha tempo sequer para chorar as minhas dores, o meu sufoco, o meu luto durante o tempo que eu queria; foi arregaçar as mangas e seguir em frente, ir à luta porque não concebia sequer outra forma.


Desisti de fazer o mestrado que escolhera no verão de 2010 e, apesar de tudo preenchido, não submeti a candidatura porque dia 17 de agosto tudo mudou. Optei por abdicar de fazer uma carreira e sujeitei-me a continuar a dar aulas mas por aqui bem perto, sempre contactável e sem (muito grandes) penalizações em caso de saída à pressa a qualquer hora, o que implicava recusar colocações em outras escolas, pelas listas do MEC. Desisti de estudar. Dediquei-me às minhas filhas o melhor que soube e o máximo que pude. Tentei dar sempre mais do que era preciso, estar presente em tudo o que envolvesse o desenvolvimentos das piolhas, ser mãe-terapeuta-professora-tarefeira-auxiliar-enfermeira-médica-motorista-nutricionista-guia-técnica-amiga-colega-educadora-empregada doméstica-intérprete-tradutora-cozinheira-estudante-etc.


Um dia, estacionada em frente à escola, desempregada mas numa modalidade emprego-inserção (aquela coisa que não é carne nem é peixe no desemprego mas obrigatória sob medidas sancionatórias em caso de recusa), não consegui sair do carro. Chorava compulsivamente, andava elétrica, birrenta, deprimida, triste, amargurada, explodia por tudo e por nada. E chorava e chorava e chorava. Pedi ajuda química porque palavras leva-as o vento e se um psicólogo tentasse compreender a minha vida acabava ele a autoprescrever-se drunfos. E eis-me de volta aos antidepressivos. Mas com o mesmo espírito rebelde.

O médico receitou escitalopran, um antidepressivo de 2ª geração, que já contém uma combinação de ansiolítico e não nos zombifica. Receitou também um ansiolítico que me lembrou logo a minha sogra (yuk). O que fiz? Tomei metade do antidepressivo, apenas. E, ao fim de umas 2 ou 3 semanas, juroq ue me sentia outra. Estava tudo muito muito melhor, eu conseguia estar mais controlada, não chorava que nem uma madalena arrependida, dormia melhor, as minhas crises de ansiedade diminuiram drasticamente.
O tempo foi passando e, de cada vez que me perguntavam, à laia de troça "mas por que toma antidepressivos?" como se eu vivesse uma vida cor de rosa cheia de frufrus, a verdade, é que, no fundo, eu ficava a remoer na mesma questão. E, de cada vez que decidia "é hoje que começo a fazer o desmame do drunfo", nunca conseguia levar a cabo o meu intento.


Até que, algo mudou. De novo. Apanhei um susto brutal do qual ainda não sei se estou livre e se me refiz. Fiz uma mamografia e ecografia mamária que revelaram um "empastamento" (aka massa) na mama direita , perto da axila, que é sentido na palpação mas demasiado incerto para se medir ou identificar com exatidão. Recomenda-se vigilância... E, a juntar a isto, o meu hemograma mostrou coisas que nem sabia serem possíveis: leucopenia (glóbulos brancos - leucócitos - abaixo do valor normal, bem abaixo) e plaquetas em baixo. Justifica todo o meu cansaço, sonolência, arrastamento, vonatde zero de fazer algo, energia esgotada,  mas sem causa aparente. Tudo o que me mandam fazer é aguardar. E eu gosto pouco de aguardar. Porque, a bem dizer, aguardei 3 anos para que me dissessem o que as piolhas tinham quando eu já sabia que algo de errado se passava, por isso, "aguardar" é algo que não me assiste.
Repeti hemograma à minha custa. Os valores continuam baixos mas os leucócitos subiram um pouquinho. Mas continuo cheia de nódoas negras na zona do soutien ou do cinto das calças, nos braços e joelhos e até no local onde aperto as botas...
And then it occorred me: e se for do raio dos drunfos? Está na altura de sair deste filme. De vez. Sem desmames nem agora metade e depois um quarto. Não, à séria. De vez.

Estou a passar de novo pelo síndroma da abstinência e está aser 10 vezes pior do que em 2006. Ando tonta, nauseada, esfomeada, com os intestinos descontrolados, fico doente só de pensar em andar de carro, doi-me estar na cama mas durmo maravilhosamente no sofá da sala, mal consigo abrir os olhos por causa do excesso de claridade e a minha cabeça parece desapegada. Estou uma walking dead quase literal. Tenho que me esforçar bem na maquilhagem para não revelar essa minha faceta assustadora. Mas ando bem, calma (estranhamente calma, até quando os miúdos parecem possuídos e só fazem asneiras) e com o objetivo bem focado: livrar-me de vez destes drunfos e resistir à tentação de voltar a tomá-los só para evitar a ressaca. Quero repetir as análises e saber por que continuo com valores em baixo, quero sentir-me livre de químicos, quero ser eu de novo.


Pouco me importam os tons acusatórios do "ah mas tens de falar com o médico!", "não podes desmedicar-te!", "não és médica, quanto mais ansiosa andares, mais problemas tens". Hello??? Os problemas estão sempre lá, muda apenas a nossa maneira de os encarar. E, agora, quero encará-los sem ajudas químicas, sem estar dopada, ainda que implique algumas lágrimas. Apesar das alegações de que estes novos medicamentos não causam habituação, a verdade é que largá-los tem os seus efeitos secundários e é mais fácil não o fazer. Mas eu encaro isto como o tabaco. Não fumo mas acredito que reduzir até deixar não iria ser uma solução para mim: ou largava de vez e arcava com a abstinência ou continuaria a fumar mesmo que fosse só um ou 2 por dia...


Fui forte sem ajuda durante muito tempo, fui forte com ajuda durante algum tempo. Agora quero apenas ser eu. Sem sustos de saúde, sem más notícias, sem ter que repensar a minha vida, sem ter que fazer opções complicadas. Agora, como diz a tal história da máscara de oxigénio durante a despressurização do avião, sou eu quem tem que pôr a máscara de oxigénio antes de colocar a máscara nas minhas filhas e nos filhos que me são emprestados (os meus alunos).

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publicado às 19:53

Paixão ou tortura?

por t2para4, em 01.12.14

Às vezes, nem sei porque aceito fazer o que faço nem porque me entrego tanto e porque raio penso eu tanto nas coisas...

Sou uma professora multiflexível, multitasking, multifuncional, multitudo. E, de momento, dou aulas de Inglês desde os 12 meses até aos 30 anos.  Adoro o que faço, perco-me em pesquisas e na preparação de materiais, adoro compilar tudo e criar os meus próprios manuais, adoro testar metodologias diferentes e fazer do ensino do Inglês (ou do Francês) algo útil, divertido e apenas seca quando tem mesmo que ser.

 

No entanto, apesar de amar verdadeiramente o ensino, há pequenas coisas que me fazem doer o coração, sem querer... Hoje trabalhei com crianças dos 12 meses aos 24 meses. Falam tão bem, estão quase todas desfraldadas, vão à casa de banho sozinhas, limpam-se sem ajuda, conseguem puxar as roupinhas para cima, ficam sossegados durante imenso tempo e já disse que falam tão bem? Impossível não visualizar as minhas filhas na mesma idade... E custa-me tanto pensar que só desfraldaram aos quase 5 anos de idade, que aos 6 ainda era eu que lhes limpava o rabo, que só ljhes faltava andarem penduradas no teto, que ainda há tanta coisa para dominar na linguagem... Tenho mesmo que deixar estas coisas lá atrás, no passado, naqueles tempos em que eu dizia que algo se passava e ninguém me dava ouvidos, ninguém me estendia a mão...

Fico feliz por hoje ter duas filhas bem acompanhadas e com a capacidade de adquirir - ainda que mais tarde - o mesmo que outras crianças, mesmo que a linguagem delas ainda seja estranha (as piolhas, quando fazem queixinhas uma da outra, não dizem "a mana está-me a chatear!!!" mas sim "A B. está a importunar-me"... Erudito q.b.?) - apesar de eu gostar da forma como falam! - e extremamente felizes.

 

Foi só um desabafo... Apesar de me fazer doer o coração ao pensar nas minhas piolhas, fico muito feliz por ver aqueles meninos todos de olhinhos brilhantes a repetir palavras em inglês e a saberem fazer tanta coisa, serem tão autónomos! É uma doçura receber abracinhos de braços pequeninos e ouvir "pr'á semana tu voltasss, poishé?" Tão bom...

 

Acho que é por isso que faço o que faço, com a dedicação e paixão do costume.

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publicado às 12:54

Baby steps - mais uma conquista

por t2para4, em 28.11.14

Sabemos que é uma conquista gigantesca e tão valorizada quanto mais insignificante ela for aos olhos dos outros. Apesar de tudo, hoje, estou muito orgulhosa das piolhas e dos seus pequenos grandes passos:

 

1 - comprar as refeições sozinhas, no quiosque, para toda a semana, sem se enganarem;

2 - carregar os cartões com o dinheiro que lhes dei, sem o perderem e guardarem o recibo.

 

E mai nada. You go, girls!

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publicado às 21:33

Texto adaptado do original em http://lifestyle.sapo.pt/familia/pais-e-filhos/artigos/20-sinais-de-que-e-mae-de-meninas, à realidade do t2para4

 

 

Apesar de terem momentos simplesmente arrapazados e se tornarem em marias-rapazes em casa da avó durante o tempo quente, trazerem leggings completamente rasgadas nos joelhos de cada vez que as vestem e vão para a escola, tenho duas pindéricas vaidosas em casa. E gosto! Gosto das duas versões! Uma não impede a outra!

 

 

Portanto:

1. O cesto da roupa suja é uma mina de brilhantes soltos, ganchos e puxos de cabelo e uma ou outra peça de roupa das Polly Pockets (go figure...).

2. Conhece cada palavra de cada canção alguma vez interpretada nas séries e filmes "My Little Pony", "Frozen", "Princesa Sofia".

3. Já teve de justificar a sua manicure aos alunos, quando tem unhas brilhantes ou uma de cada cor.

4. Sabe todos os nomes, enredos e príncipes, para cada uma das princesas da Disney. E, vamos ser honestas, também está secretamente muito animada para visitar a Disney. O momento em que ela vê pela primeira vez o castelo da Cinderela ou cumprimenta a Bela? É incrível! É favor incluir aqui "My Little Pony". Ainda hoje (re)vi pela enésima vez "Equestria Girls Rianbow Rocks" e fartei-me de cantar com elas.

5. Consegue perceber todas as piadas de pisar em Lego se estes forem substituídos por Polly Pockets ou Littlest Pet Shop.

6. Procura caminhos alternativos nos centros comerciais para evitar passar à porta de uma H&M (porque vendem lá roupa My Little Pony).

7. Já presenciou um colapso nervoso épico sobre… roupa. E sapatos.

8. Já viu a sua filha a pestanejar para conseguir o que quer (na maioria das vezes com o pai).

9. Ri-se todas as vezes que a sua filha calça os seus sapatos, agarra na «mala» e nas «chaves do carro» e diz «Estou pindérica?».

10. Já cedeu e deixou a sua filha ir ao supermercado vestida com um tutu e uma coroa de feltro porque simplesmente não quis ouvi-la aos gritos.

11. Já raspou autocolantes de todas as superfícies imagináveis.

12. Pode tornar-se profissional das coreografias das músicas "Equestria Girls - My Little Pony".

13. Justificou a presença de poneis em sua casa com um "mas elas aprendem tanto em inglês com os poneis" (o que é verdade. Hoje, ao (re)ver o filme, com legendas em inglês, notei que perceberam melhor que eu algumas falas e que leem aquilo na boinha).

14. Já subornou a sua filha para que ela vestisse algo incrivelmente bonito.

15. Já fantasiou sobre a sua filha se tornar um ás em algo decididamente não-feminino – carros ao estilo "Velocidade Furiosa" e "Overhauling".

16. À hora do jantar, tem que ordenar ao estilo militar que não quer poneis nem sofias nem ambers nem littlest petshop em cima da mesa..

17. Já foi a bruxa má, o príncipe, o bebé, uma princesa/sereia amiga e, sim, o gato, mais vezes do que consegue contar pelos dedos das duas mãos.

18. Já procurou online por mais do que uma vez torrents para sacar os últimos episódios do "My Little Pony" ou "Princesa Sofia".

19. Já viu as suas filhas realizar um movimento de dança sexy e quase caiu da cadeira (na realidade ia tendo um AVC).

20. Adora sair com as suas filhas para um «tempo de meninas», mesmo que não seja realmente uma mulher ultrafeminina.

 

 

Adaptado por Maria João Pratt e readaptado por moi

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publicado às 23:53

Tagarelice #39

por t2para4, em 20.11.14

Há já muito que não vinha postar as conversas das piolhas!

 

Todos os dias, ao acordar e enquanto bebem o leitinho, gostam de ir ao google pesquisar o que se celebra nesse dia. Hoje, uma das piolhas veio ter comigo e pergunta-me:

 "O que é 'consciência negra'?"

E pensei eu "Holly shit, como vou explicar os princípios da moral humana, de que somos todos iguais independentemente da cor da pele e das diferenças e que isto tem a ver com a luta contra o racismo?" Acabei por lhe responder, de forma demasiado simplística, que "consciência negra" era gostar e respeitar pessoas com um tom de pele de cor diferente, como alguns dos seus coleguinhas de turma, pelo que eles são e não porque têm uma cor diferente. E que, além disso, os coleguinhas delas eram muito giros e um deles tem um cebelo lindíssimo! E são bons meninos. E é isso que interessa.

 

Silêncio.

 

Resposta dela: "Então, hoje é o dia de sermos todos castanhos como os nossos colegas?"

Bato na cabeça à Homer Simpson mentalmente e digo "Não é sermos todos de cor de pele igual, é respeitarmo-nos por igual".

"Mas já fazemos isso!", exclama ela admirada.

 

E nada me enche mais de orgulho do que saber que as minhas filhas, apesar da complexidade dos temas com que a sociedade nos presenteia e da sua própria dificuldade em entendê-los (obrigadinha, autismo - ironia), são crianças que não vêm a diferença antes de ver a pessoa (aqui sim, sem ironia, obrigada autismo). E têm valores universais como o respeito e amor ao próximo.

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publicado às 12:57

Novembro - mês da prematuridade

por t2para4, em 16.11.14

E dia 17, o dia escolhido para assinalar a consciencialização e sensibilização para a prematuridade.

Toda a informação sobre o que é a prematuridade, o que é ser-se prematuro, que condições especiais um bebé prematuro requer, que tipo de prematuro pode um bebé ser, etc, uma verdadeira fonte de informação fidedigna em http://www.xxs-prematuros.com

 

As piolhas seriam consideradas prematuras pré-termo limiar, visto que nasceram às 35 semanas + 5 dias e com peso de 2,430kg. Seriam consideradas mas eu nunca as considerei prematuras por razões que explicarei à frente.

 

As piolhas sempre foram muito apressadinhas para nascer e cresciam demasiado depressa para o ritmo do meu útero. A certa altura, fiquei proibida de fazer festinhas na barriga ou de estar com a mão pousada (o que me custou imenso....) e até a sonda do ecógrafo fazia saltar o gráfico das contrações... Foi a muito custo pessoal e com muito empenho da parte da minha família e da equipa médica que me/nos acompanhou que as piolhas se aguentaram tão bem e tanto tempo, surpreendendo toda a gente com um peso excecional. O risco de super prematuridade surgiu logo às 24 semanas, altura das ordens de repouso absoluto. E o risco não era só para as bebés nem para mim, era para todos nós... O incrível é que a maternidade onde fiquei e onde fomos bem tratadas (exceto nas consultas de desenvolvimento mas isso são outros quinhentos), não estava preparada para receber mais bebés prematuros abaixo do peso considerado habitual. Quase todas as incubadoras estavam ocupadas e só havia uma de reserva no sótão + a do INEM em caso de necessidade. Esta hipótese esteve sempre pendente sobre as nossas cabeças até ao dia do parto. Lembro-me perfeitamente da angústia, do medo que senti e do quanto chorei quando a equipa médica se reuniu no quarto onde eu estava e falava como se eu não estivesse presente, ponderando uma transferência para os únicos locais do país preparados para bebés com tão baixo peso: ou Porto (no São João) ou Lisboa (na Estefânia). Mas ninguém se chegava à frente pois a viagem era um risco, quer de helicóptero quer de ambulância. Foi às 33 semanas e as ecografias mostravam bebés saudáveis (embora também pairasse sobre nós a ameaça de ter apanhado varíola, o que nunca se confirmou) mas com baixíssimo peso para o tempo de gestação. Acabámos por vencer essa batalha, à custa de imensa medicação e corpo deitado... Quando me punha de pé e precisava de andar, parecia que tinha as pernas descoordenadas e não aguentava o peso da barriga.
Entrei em trabalho de parto sem o saber. A equipa foi surpreendida e não dava para esperar mais. Lá veio a incubadora de reserva e o INEM foi alertado. Escusadamente porque as piolhas surpreenderam tudo e todos ao nascerem com quase 2,5kg!!!! Tudo impecável, capacidade respiratória perfeita, indíce de apgar normalíssimo, tudo fantástico e até mamaram na primeira meia-hora! O mecónio de uma foi feito mal nasceu, o da outra pouco depois. Portanto, órgãos a funcionar perfeitamente.

 

Apesar de não terem ido à incubadora, acompanhei de perto a luta das nossas amigas trigémeas e relembrava os gémeos da vizinha dos meus pais que cresceram lá em casa, todos prematuros. Uma das trigémeas nasceu com 650 gramas. Eu olhava para 1kg de arroz em casa e doía-me o coração... Estávamos as duas grávidas do mesmo tempo e, enquanto eu lutava para manter as piolhas na barriga, uma das gémeas dela começou a mostrar problemas com a placenta por estar a partilhá-la... Nasceram todas de 29 semanas: duas gémeas idênticas e uma fraterna. Foram meses infernais e de uma angústia horrível que aqueles pais passaram na maternidade, entre as minhas entradas e saídas e depois saída final, ao todo, cerca de 3 meses na maternidade e mais 1 mês no hospital da localidade dela... Ela foi a 1ª a ver as minhas filhas, acompanhada pelo meu marido e mãe. Uma amiga para sempre, umas meninas quase minhas também. Lembro-me tão bem, bem demais!, do aspeto que elas tinham quando começaram a livrar-se dos fios e das terapias e ainda tão vermelhinhas, tão cabeçudas, tão carequinhas, com os olhos tão salientes... E pensava que não era justo começar a vida numa luta tão grande e tão desigual. E sem saber se elas poderiam fazer o que todos os outros bebés fazem, sem dificuldades... Ninguém dava certezas de nada...
As sequelas, felizmente, foram mínimas, apesar de ter havido "buracos" na cabeça que demoraram a desaparecer. A que tinha menos peso sofre de paralesia cerebral a nível motor e precisa de fisioterapia regular e de injeções de botox no braço e perna esquerdos. Mas monta a cavalo melhor do que muitos adultos que conheço. Sozinha!
Hoje com quase 8 anos, estas meninas são lindas, inteligentíssimas, fluentes em 2 línguas, crescidonas e ninguém NINGUÉM diria que passaram por um calvário à nascença. Quantas vezes se me parava o coração quando via a mãe delas surgir na porta do meu quarto no internamento, lavada em lágrimas? Felizmente, essa má notícia nunca veio.

 

Para mim, as piolhas nunca apresentaram nenhum sinal de prematuridade exceto o tempo de gestação com que nasceram. E, tenho para mim, que essa ausência poderia ser, desde logo, um dos muitos sinais de autismo. Nunca quis e sempre objetei a sugestão da idade corrigida porque o que elas faziam/não faziam não batia nem coincidia com nenhuma das check lists que os pediatras por lá tinham. Aliás, sempre lhes fiz tudo, baseando-me na idade de nascimento. E, continuo a fazê-lo, apesar de saber que a idade comportamental deve agora rondar os 5 anos e a idade congnitiva há de andar algures perto dos 8 anos. Demasiadas idades dentro de uma idade cronológica de 7 anos e 4 meses.

 

Não tenho palavras para descrever a força com que estes bebés se agarram à vida, a luta que travam todos os minutos, as angústias e medos e sorrisos e dores e felicidade dos pais, o sabor de cada vitória mínima - aquilo que valorizamos quando aos outros é dado como facto adquirido. O pavor das sequelas, o ter que lidar com elas - quando existem - para o resto da vida, em família, desgasta relações, os pais e até os filhos. E é neste mundo cruel e injusto que vive uma mãe trabalhadora que tem lidar com tudo isto, acabando por perder o emprego ou meter uma licença interminável sem vencimento porque, durante os primeiros anos, tudo será um teste às imunidades que são diminutas, as ausências ao trabalho serão imensas, a impossibilidade de colocar os filhos numa creche uma realidade. E poucos, muito poucos, percebem que a prematuridade não é só no nascimento mas também durante muitos anos...


Por isso, hoje, haverá uma peça roxa no meu vestuário em honra das minhas lindas guerreiras trigémeas mas também de todos aqueles que lutaram desde o 1º minuto de vida, quando essa fase deveria ser de tudo menos de luta.

 

prematuridade dia 17-nov.jpg

 

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publicado às 21:55

Estivemos em mais um evento

por t2para4, em 16.11.14

No 4D&Friends, como tinha referido anteriormente. E os motivos prendem-se com questões pessoais, profissionais, de lazer e porque sim.

Raramente vamos a eventos e, na definição da palavra, poderemos incluir concertos, festas populares, algumas festas de aniversário, casamentos/batizados, festas de aldeia, mercados centrais. E as razões são as do costume: muita gente, muita confusão, ambientes barulhentos e com muitos estímulos (cheiros, sons, imagens, luzes), imprevistos impossíveis de antever, ausência de locais onde possamos refugiar-nos na iminência de um meltdown. Por isso, todos os locais onde vamos em passeio ou festas a que levamos as piolhas são bem ponderadas para que não seja estranho nem para elas, nem para nós, nem para os outros, em caso de crise.

 

As piolhas têm ido a algumas festas de aniversário e eventos públicos que seguem alguns dos trâmites mentalmente impostos por mim ou pelo pai: espaços amplos, pessoas conhecidas, mínimo de confusão, som controlável.

O evento do passado dia 2 de novembro encheu-nos as medidas. A Quinta da Pousada de São Pedro é um local fantástico, com um salão completamente amplo e sem pilares a meio; ida direta ao bar sem termos que fazer um percurso de obstáculos; disposição dos expositores das marcas muito bem pensado e organizado de forma a não nos baralhar nem forçar a passar pelos mesmos locais duas ou três vezes; espaços privados para mamãs que amamentam/aleitam e muda-fraldas, separados dos habituais wc; um espaço exterior maravilhoso perfeitamente adaptado e adequado a carrinhos de bebé, cadeiras de rodas ou andarilhos; piscina vedada com a proibição de utilização durante eventos (adorei a medida); estímulos exteriores saudáveis de forma a minimizar o aglomerado de pessoas no interior. E o insuflável fez as primeiras delícias das piolhas.

Passei a valorizar muito muito mais pessoas que têm em consideração o acesso a espaços que tenham determinadas condições para receber todas as pessoas. E enche-se-me o coração de alegria quando verifico que um evento preparado para uma escala bem maior do que o esperado, tem tudo aquilo que me/nos permite usufruir de tudo: compras, espaço, serviços, brincadeiras, sem esquecer áreas dedicadas às crianças como individuos com vontades próprias e não apenas os acompanhantes dos pais.

As más-línguas podem acahar snobismo ou esquisitice da minha parte pois quem vai a shoppings vai a todo o lado. Errado. As nossas idas ao shopping foram treinos e seguem rotinas que não podem ser quebradas (visitas por aquela ordem àquelas lojas para ver aqueles produtos e comer aquelas comidas, única e exclusivamente) mas que servem de preparação para a confusão facial, de vozes, sons, luzes, que incomodam muito quem tem autismo. Ir ao um congresso ou evento num salão sem acesso ao exterior - um exterior seguro - não é a mesma coisa e implica uma preparação prévia exaustiva da nossa parte. Não vale a pena o esforço. E, em caso de crise/meltdown, onde poderemos refugiar-nos? Num wc do género balneário?

Continuaremos com as nossas opções que, até ao momento, não têm sido más de todo.

 

As piolhas maravilharam-se com a mousse de chocolate do bar e com a conversa fiada da Concha e do Afonso, que, sem as conhecerem de lado nenhum, se meteram logo com elas por causa dos brinquedos e dos blogs. E a pobre da minha mãe sem perceber nada da conversa mas encantada com o à-vontade deles e delas!

Eu confesso-me maravilhada com o expositor da Catavento e, ao passar por ele umas poucas de vezes, pois estava mesmo ao lado da zona infantil onde as piolhas pintavam as caras e se divertiam com balões e jogos da macaca, namorisquei uns quantos jogos. Como já vem sendo hábito no t2, a maioria dos jogos didáticos que se aplicam às piolhas nesta fase já os temos (story cubes, puzzles em histórias, livros sociais, etc.) mas, ainda assim, acabei por comprar um puzzle de 200 peças com um mapamundo onde nos continentes estão desenhados os animais característicos de cada zona do globo, com poster incluído. Fiquei fã.

No espaço exterior, as maravilhas de um insuflável dão uns bons minutos de sossego aos pais. Pude sentar-me e conversar com a minha mãe enquanto as piolhas saltavam e atacavam com pulos a vaca e as latas do leite. E até havia um ponei!!!!! A única grande desilusão é que, além de cheirar mal (a ponei, pois...), não era colorido nem tinha cabelos compridos nem a magia da amizade para espalhar. Mas fizeram-lhe muitas festinhas e visitaram o cavalo ao lado que também recebeu miminhos.

 

E, depois de mais uma voltinha no relvado e umas fotos, beijinhos dados à Sofia e mais uns quantos enviados para a família e lá fomos nós de regresso a casa.

Este tipo de saídas costuma correr bem devido à variedade de hipoteses em caso de "indisposição" das piolhas. E, à medida que elas vão crescendo e adquirindo mais capacidades e competências sociais, mais fácil se torna para nós também. Para já, só tenho a agradecer a pessoas como a Sofia que, mesmo sem se aperceberem, têm aquela sensibilidade especial para criar algo a que posso chamar inclusivo.

 

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publicado às 18:09

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