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Momento ahhhhhh das piolhas #12

por t2para4, em 17.01.17

Estar na piscina, cumprir as regras sem problemas nem birras, mergulhar sem medos nem proximidades do cais e.... Nadar de costas sem braçadeiras ou algo flutuante!!!!! 

Estou nas minhas 7 quintas! É uma evolução tremenda para quem, apesar de adorar água, no início, se recusava a molhar a cara.

E é uma evolução para mim que já não entro em colapso cardíaco por as ver sem braçadeiras numa área sem pé.

Yay para nós!!!

 

 

 

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publicado às 20:16

A inclusão, ai , a inclusão.

por t2para4, em 16.01.17

É a panaceia que se quer atribuir aos atuais sistemas, sejam eles de saúde, educativo ou até social. Promover a inclusão, falar de inclusão, proporcionar meios de inclusão é muito discutido e fica bem em qualquer documento - principalmente em relatórios ou atas de reuniões escolares. É, assim, tipo, chique, sei lá.

 

Mas, vamos começar do início, sim?

Comecemos pela definição mais básica, aquela que qualquer dicionário conteria:

 

a.jpg

b.jpg

 

 (gosto particularmente, da origem "encerramento" - leia-se a ironia

 

Portanto, é basicamente aceitar, abranger, incorporar como se de uma receita se tratasse, do género, "agora inclua os ovos e mexa. Ta-da! É só levar a massa ao forno, et voilà, l'inclusion parfaite". 

 

 

Avancemos, agora, para um conceito do que é inclusão. Também é algo que fica bem num trabalho de secundário quando os alunos precisam de falar de algo muito abstrato e complicado e saem coisas assim:

http://conceitos.com/inclusao/

 

(inclusão por oposição a exclusão, nunca teria pensado nisso... Ironia, again)

 

Agora vejamos este artigo, na minha opinião, muito bem escrito e que mostra o lado perverso da inclusão tal como nos parece imposta nos dias que correm.

https://www.publico.pt/2014/03/17/sociedade/noticia/o-que-e-a-inclusao-1628577

 

 

E, agora, as minhas considerações:

De vez em quando, vou espreitar as piolhas à escola, nas horas do intervalo. E o que vejo são duas crianças perfeitamente incluídas na rede escolar e na turma. O que também vejo são duas crianças a passear sozinhas pelo recinto escolar porque não se sentem incluídas nas brincadeiras ou nas atividades dos colegas, embora estes as aceitem como são, ainda que com dificuldade em entender o patamar de desenvolvimento em que estão - uns e outros. A realidade é que, se, na sala de aula, as piolhas até podem estar mais à frente na compreensão imediata e direta dos conteúdos - esta é outra coisa que o nosso sistema gosta de perverter, como se o escolasticamente adquirido fosse alguma vez aplicável e aplicado no contexto da vida real sem sermos professores -, naqueles momentos de amostra real do que é a vida social, elas estão bem atrás dos colegas. Ainda não estão na fase parvinha mas normal das meninas apaixonadas pelos coleguinhas ou com conversas tolinhas mas normais sobre a família, as roupas, o drama que é ser-se criança nesta idade. E, honestamente, por muito que me doa vê-las sozinhas naquela escola enorme - e que seria o mesmo numa escola pequena -, até prefiro que assim seja pois não sofrem com a pressão do ter que estarem incluídas à força num grupo onde todos os sinais sociais são difíceis de interpretar e para os quais não possuem filtros, maturidade, leitores e lhes causaria uma ansiedade incontrolável. 

Neste momento, na minha ótica, a verdadeira inclusão passa por uma coisa tão simples quanto básica e fundamental: a aceitação. A aceitação de que não podemos nem devemos ser todos iguais, de que há determinados apoios - nomeadamente terapias - que são necessários como de pão para a boca e não deveriam ser alvo de cortes cegos, de que a escola deveria ser bem mais do que apenas um poço de despejo de conteúdos e conteúdos onde não há tempo para mais nada a não ser livros e papéis e folhas e programas e metas e reuniões. Não há espaço nem aceitação pela diferença no criar, pela diferença do que é estar alheado daquele lugar mas ainda assim capaz de perceber o que se pretende aprender, pela diferença que é sermos quem somos, por estarmos mais atentos hoje do que alguma vez estivemos a direitos básicos .

Eu não quero crianças formatadas, zombificadas, incluídas sei lá em quê só porque há uma suposta norma do que é socialmente aceita fazer agora; eu quero crianças felizes e tolerantes, capazes de perceber que todos somos humanos, que todos temos direitos, capazes de respeitar e tolerar, de compreender o ser-se ou não parte integrante e incluída de um grupo, de um contexto, do que quer que seja.

De forma simplista, é esta a minha versão de inclusão. Não pretendo panaceias nem desdéns nem coitadinhices. Só pretendo que nos aceitem como somos. Simples, assim.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:47

O velho ano trouxe um final de aprendizagens e de resoluções, de erros que não quero repetir, de medos que não posso voltar a sentir. O novo ano entrou e eu estou ainda em fase de aprendizagem a um novo e (bem) mais calmo ritmo, a adaptar-me a um novo "eu", a testar as minhas limitações, a ver até onde posso ir sem dores e sem recaídas.

 

O novo ano traz também velhas rotinas que nos ajudam e das quais necessitamos. Consulta de autismo para muito breve. Estaria a mentir se dissesse que, à luz deste meu novo "eu" zenificado, não estu ansiosa nem aprensiva nem insegura. Estou, como estou sempre. Mas sei que as piolhas evoluíram tremendamente, vejo e quase que se sente essa evolução de forma palpável. Se está tudo bem? Longe disso. Temos ainda um longo longo caminho a percorrer mas já dá para perceber que algumas etapas serão bem menos árduas, que há "áreas de serviço" para descansar pelo caminho, que há surpresas boas depois de uma curva perigosa.

 

O autismo está lá, não vai desaparecer nunca, elas nunca serão neurotípicas, a vida será sempre vista por elas com um filtro diferente do nosso, precisarão de apoios durante mais tempo do que qualquer outra pessoas e não, não nos enganámos, o diagnóstico é mesmo esse, não é nenhuma perturbação noutra qualquer área. Sim, custa-me horrores vê-las completamente sozinhas nos intervalos, a passear pela escola mas, depois, penso que, serão sempre as duas, nunca estarão sozinhas. Temos a gemelaridade a nosso favor.

 

Por isso, para já, esses meus já conhecidos medos vão começando a assombrar, à medida que o tempo escorre mas vamos e vamos assim mesmo com medos e tudo.

 

 

450xN.jpg

 

 

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publicado às 20:53

E começar o ano com recordações boas?

por t2para4, em 01.01.17

Por que não? Recordar é viver, já dizia o outro, certo? Recordar traz-nos sorrisos e faz-nos reviver memórias e momentos felizes não é?

Pois eu, quero hoje, aproximadamente há 10 anos certinhos, recordar que descobri que estava grávida. Que ia ser mãe. MÃE!!!!! O que eu chorei... (sorriso). Chorei de medo, de dúvidas, de admiração, de espanto (foi tão fácil engravidar... nós que pensámos que teríamos que fazer tratamentos por causa de um problema do marido na sua adolescência), de terror, de alegria, de drama, sei lá...

Há 10 anos vimos uma linha extra bem marcada no teste de gravidez, o mais barato da farmácia. Sem sombra para dúvidas. 

 

Hoje, temos uma casa cheia. Não trocaria nada. Sou tão mais completa do que alguma vez pude imaginar. Certo que descobri medos incomensuráveis mas não é isso que nos torna alerta? Sou mãe... Tão bom - mesmo nas fases piores, mesmo com noites sem dormir, mesmo com respostas tortas, mesmo com tudo isso. Porque passa tão rápido. 10 anos passaram a voar. Já não tenho riscos em pauzinhos de farmácia, nem bebés fofinhos com penugens em vez de cabelo, nem crianças com cheirinho doce no cocuruto, mas continuo a ter filhos e a ser mãe e a aperceber-me desse facto :D (exemplo curto e simples: conhecemos todos os desenhos animados e séries infantis/juvenis. Pior: sabemos os nomes das personagens e queremos saber como acaba o episódio da KC ou do "Manual do Jogador para quase tudo". E não somos os únicos... )

 

A espreitar:

http://findingjoy.net/sixty-you-might-be-mom-facts/#.WGlUWhug_Dc

 

 

 

 

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publicado às 18:59

Isso.

por t2para4, em 30.12.16

Acho que se disser apenas "2016" dá para perceber. Senão, vejamos:

- crise dos refugiados

- atentados com fartura em quase todos os locais do mundo

- Aleppo

- Mediterrâneo

- Trump

- Brexit

- morte (e não falo só de celebridades, mas de anónimos, de amigos, de nascimentos que não aconteceram...)

- precaridade laboral (só o final de agosto é que trouxe alguma luz)

- um susto dos diabos que me impediu de trabalhar quase um mês

- redução de horas de terapia

 

E fico-me por aqui. Faço minhas estas belas palavras:

 

 

 

 

 

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publicado às 09:39

Boas Festas!

por t2para4, em 23.12.16

Como já vai sendo habitual, ao longo destes últimos quatro anos, aqui vai o nosso postal de Natal, feito pelas piolhas com a ajuda da mãe. Apesar de um pouco em cima da hora, ficam os nossos desejos sinceros de umas excelentes festas, com um Natal verdadeiramente sincero e um Ano Novo cheio de resoluções positivas e alcançáveis.

Sejamos felizes!!!

 

 

postal de natal 2016- blog.jpg

 

 

 

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publicado às 09:32

A história da girafa (e do abutre)

por t2para4, em 19.12.16

Estamos de "férias" e fomos trabalhar em terapia da fala. Entre outras questões, a certa altura, trabalhámos a interpretação e compreensão de contextos com uma história - noutra língua que não inglês ou francês, porque as piolhas leem logo e perde-se o objetivo da nossa abordagem - sobre uma girafa. O objetivo era tratar a história cruamente: personagens, cenário, problema, ações, resolução. Não era interpretar nem encontrar outros sentidos nem era esse o objetivo, repito.

 

"Era uma vez uma girafa tão alta tão alta tão alta que nem cabia no livro... Os outros animais da selva, como o leão e os seus compinchas macaco, zebra e crocodilo, riam e gozavam com ela por ser assim, tão alta e tão grande. E a girafa sentia-se triste, deslocada e humilhada. Resolveu encontrar novos amigos que a aceitassem como ela é. E encontrou animais raros e especiais como ela: o porco-espinho, o papa-formigas, a lebre-do-cabo. Inicialmente tudo correu bem pois tinham a particularidade de serem especiais mas não sabiam lidar uns com os outros e a girafa, tão alta que era, era muito desastrada para as brincadeiras dos outros animais e acabava por se afastar e ficar apenas a ver. Até que um dia, a jogar a bola, esta foi parar ao cimo de uma árvore e a girafa percebeu logo que poderia ajudar. Encontrou algo em que era boa! Devolveu a bola aos amigos e foram todos jogar e ver o pôr-do-sol. Fim"

 

Sou de Letras. Tive alguns dos melhores professores de Literatura do país. Tive de marrar textos e textos sem conta, de várias línguas e origens, alguns até de orige indo-americana ou criola. Chumbei a Psicologia Educacional 3 vezes com 9 e acabei depois a cadeira com 15. Eu tenho uma interpretação muito própria deste texto, independentemente do seu objetivo.

Dado o meu humor hoje - que até começou muito bem, a sério! - o que eu vi neste texto foi uma ingenuidade atroz que eu não vejo em lado nenhum e basicamente a minha adolescência - de forma literal: a gaja muito alta e desastrada que só era boa para ir ao ressalto em basket nas aulas de educação física, as piolhas na forma de animais especiais gozados e afastados pelos outros animais da selva, que se sentem um pouco com isso mas nem entendem bem o que isso é; o final a que nos prestamos: aparentemente eu só sou boa a tirar coisas de coisas altas, as piolhas só são boas a serem especiais - seja lá o que essa "designação" queira dizer.

 

O meu querido terapeuta do coração já não faz parte da equipa... faltam técnicos com experiência e aquele empenho que faz brilhar os olhos, aquela vontade única de querer ajudar quem (cor)responde... falta-me tempo para poder ensinar - sim, é mesmo esse o termo, "ensinar" - todas as particularidades de uma língua e de uma linguagem que a todos os outros é inata, subdesenvolvida, desvalorizada e desperdiçada... doi-me ter que trabalhar todos os dias, sempre, qualquer coisa, seja de que conteúdo ou currículo for e não poder dar-me ao luxo de parar de treinar porque há retrocessos e ainda me chaparem à cara que "estamos de férias e não fazemos nada"... enoja-me (sim, também esse o termo) a escola (de forma geral) não ter tempo (ou não querer) para usar estas abordagens novas que fazemos nas sessões de terapia e que tão bem fazem às piolhas e ao seu entendimento linguístico (seja em que forma for: escrito, oral)... está para além da minha compreensão, por questões ridículas e burocráticas, estas novas abordagens não poderem ser mais do que um determinado nº de horas por determinado nº de tempo... 

 

Sinto-me a girafa alta demais para caber no livro, a ser gozada pelo resto dos animais (leia-se "sociedade, comunidade, whatever"), a tentar arranjar um grupo "especial" que aceite as minhas particularidades e as dos meus. E chateia-me ser a girafa. Não posso ser a chita mas, de repente, honestamente, a minha vontade é mesmo ser o abutre. E, lá do alto, voar em círculos e ver a decadência e o moribundo e, depois, calmamente e com os meus, atacar. Chama-se a isso "karma". Há quem lhe chame cabra, eu prefiro chamar-lhe abutre. Sabem porquê? Por isto : https://pt.wikipedia.org/wiki/Abutre , porque eles não atacam à toa, porque não desperdiçam energia com o que não conseguem ganhar, porque eles não são os maus da selva, porque eles não voam sozinhos e porque, acima de tudo, são pacientes. Muito pacientes. E no Livro da Selva, até eles salvam o Mogli. De quem? Do tigre... Interessante, não?

 

 

fear-the-vulture-and-the-vulture-will-come-suzy-ka

 

 

 

 

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publicado às 19:31

Pensei que iria ser O ano, AQUELE ano... Consegui sobreviver a um ano letivo tão complicado e, em agosto, fui colocada logo em contratação inicial, pertinho de casa, a conjugar o meu horário incompleto (mas anual) com a minha atividade freelance (da qual não abdico) e pensei, honestamente, que conseguiria fazer tudo. 

Mas, depois, olhando para trás, só em jeito de tentar perceber o que se passou e por que razão 2016 não O ano esperado, começamos a pensar que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita... E que, infelizmente, anula as pequenas felicidades.

 

A minha saúde esteve em cheque umas poucas de vezes este ano. Talvez por andar sempre a correr de um lado para o outro, de ser uma control freak e ter horários controlados ao minuto (a sério, tinha mesmo), de tentar malabarismos estranhos com trabalho e família, não notei uma série de sinais que o meu corpo foi dando.

De repente, 3 pares de calças tinham deixado de servir mas eu perdera peso, tinha tido um natal de comes e bebes à doida e não fazia sentido; o cansaço era muito mas tinha acabado de sair de férias e, bem, andava sempre cansada; a minha menstruação, pela 1ª vez, foi das coisas mais dolorosas, intensas e estranhas de sempre. Percebi depois, que tinha abortado espontanemante, estava grávida sem saber... Doeu bastante - ainda hoje doi - e, se, na altura até pensei que saberia lidar com isso, acho que nunca soube nem saberei. Como, por cá, não temos por hábito esconder conversas das nossas filhas, talvez o desejo de uma das piolhas de ter mais irmãos e de estar sempre a falar do assunto venha daí... Sentimos um misto de tristeza que ainda hoje nos custa com alívio - pois se houve um aborto numa fase tão inicial é porque algo estava naturalmente mal e a natureza encarregou-se de tratar do assunto. E talvez já não esteja previsto voltarmos a ser pais. Há um -ismo que paira nas nossas vidas...

 

Acordei bastantes vezes dormente, com a sensação de que me faltavam dedos, as minhas unhas - mesmo rentes - escamavam e desapareciam. Achei que era dos nervos (afinal estava a trabalhar tanto e tinha um contrato a terminar em poucos meses, um verão de desemprego, o susbsídio de desemprego a terminar de vez em setembro). Comcei a dormir cada vez menos e com pior qualidade, a acordar imenso durante a noite. Piorou consideralvelmente nos últimos meses. Mas não dei importância.

 

Tive crises de coluna bastante graves que quase me impediam de andar, durante todo o verão. Mas como já tinha marcado mentalmente que iria lavar todas as carpetes de casa (e uma delas é simplesmente gigante e tem estantes por todo o corredor, em cima), sozinha tratei de tudo isso e mais alguma coisa; haja força muscular e vontade e tudo se arrranja. Asneira mas adiante. A casa ficou impecável, todos os tapetes, carpetes e afins lavados e cheirosos e eu podre.

 

Pelo meio, ainda tivemos que lidar com a "doença súbita", por duas vezes, do nosso carro principal, gastar uma fortuna na oficina e até ter que comprar outro, à pressa, pois o que eu estava a usar emprestado da minha mãe, teve de ser devolvido porque a minha irmã, pelos mesmos motivos, também precisou dele. Ora, despesas imprevistas que me fizeram, literalmente, perder (mais) noites de sono. E, por parte das piolhas, apesar do seu boost de desenvolvimento, a certa altura, a melatonina teve que intervir e ajudar durante uns tempos pois andava tudo sem conseguir adormecer em condições e a horas decentes.

E como apanhámos parte do 3º ano letivo, com menos 4 semanas de aulas, juro que pensei que dávamos todos em doidos. Mas o que diabo se passou pela cabeça de quem decide as metas curriculares para introduzir aquele tipo de conteúdos no currículo de miúdos de 7 e 8 anos? Mas anda tudo doido?! Até para mim era complicado atingir determinadas conclusões! E os exercícios eram, na sua maioria, absurdos sem aplicação absolutamente nenhuma na vida real (exemplo do bolo que se corta em 3 vezes na horizontal, transversal e vertical. A sério? É assim que se corta um bolo de aniversário para crianças de 8 anos? Nem o Sheldon!!!!!). Acabámos o ano letivo, literalmente, exaustas. E, por causa de tudo isso e mais um pouco, desleixei-me com as questões da terapia da fala que treinamos sempe no verão. E o resultado foi um retrocesso e uma maior dificuldade na produção de linguagem como aprendizagem e utilização prática, ou seja, a certa altura, falava-se porque os humanos falam e não miam... E a culpa e o ter que encontrar uma solução extra...

Ainda tivemos que lidar com a morte (de amigos, vizinhos e até de um aluno...) - ainda hoje me custa imenso pensar na B., não aceito nem compreendo - e explicar isso tudo às piolhas... E com o corte que os avós paternos decidiram fazer às netas, desde o seu aniversário até ao momento (ontem elas só queriam dar-lhes as prendas de natal - e já com algum protesto "estamos atrasadas para a motricidade, não sabemos onde eles estão", porque eles nunca lhes abrem a porta - e foi isso mesmo que aconteceu. Começa a haver um entendimento muito maior sobre quem realmente gosta delas e está com elas:). Também foi preciso explicar-lhes que a saúde da avó materna não está no seu melhor (uma doença auto-imune e uma tromboflebite, felizmente sem sequelas).

E, tivemos, também que lidar com a percepção - ainda que não bem explicada - das piolhas a dizer-nos "eu tenho autismo mas eu sou diferente do Gui e do Diogo e do A e do G.... Ter autismo é bom ou mau? O G. nunca falou mas eu falo muito e estou na minha sala de aula. Mas eles são meninos como nós e nós brincamos todos juntos. O A. está no 1º ano e sabe escrever no computador como nós fazíamos no 1º ano"... Ainda não aprofundámos isto. Lá chegaremos.

 

Mas, as coisas pareciam bem encaminhadas: o marido passou muitas folgas connosco e até arriscou fazer piscina pela 1ª vez e gostou, passeámos muito pelo nosso país e as piolhas descobriram que adoram História, as férias que o marido não teve em 3 anos vieram, fiquei colocada, as piolhas regressaram à escola e - àparte as terapias que tardaram mais de 6 meses -, tudo correu bem e conseguimos feitos incríveis na sua responsabilidade e autonomia. 

 

E... surgiu um aviso bem sério e doloroso que foi, basicamente, o somatório de um ano louco e de mais outros tantos assim. Tive uma lesão muscular grave entre as costelas, na área do coração, de nome nevrite intercostal (e mais uns pozinhos técnicos, com suspeita de sei lá o quê e palavras como "burnout" e "exaustão emocional" lá pelo meio), e foram feitos imensos exames para despiste de problemas cardíacos, fui parar às urgências dos HUC por 3 vezes onde passei um total de quase 24h entre tratamentos e esperas, tive que tomar medicamentos muito fortes (anti-inflamatórios esteróides e opiáceos) e, como mesmo isso, não ajudou na totalidade, ainda andei mais de uma semana a fazer injeções. E passei quase 5 dias a dormir como os bebés, propositadamente, por causa da medicação. Fiquei impedida de conduzir e de trabalhar. Pensei que iria perder o (pouco) gosto pelo inglês que ainda sobrava dos meus meninos na escola e clientes na minha outra atividade. Quando me senti melhor, decidi regressar ao trabalho com muitas novas regras e muitas novas mudanças: não posso carregar pesos e passei a usar um trolei; no 1º dia de trabalho, decidi usar as Doc do marido porque são muito pesadas para abrandar o passo  e não ter dores nem me faltar o ar; uso elevador porque me custa e demoro imenso a subir escadas; passei a conduzir dentro dos limites de velocidade sem esticar mudanças ou andar sempre a fazer macacadas fast and furious com a caixa de velocidades; diminui o número de cafés e a quantidade de cafeína/teína ingerida; apostei numa alimentação mais proteica e calórica (o que inclui cerelac e papas de fruta); não carrego nada - nem sequer uma carteira - no lado esquerdo; vou ter consultas para osteopatia e fisioterapia; mantenho medicação para as dores e diazepan para me obrigar a dormir - nesta fase, pelo menos - e magnésio para o cansaço que ainda sinto; diminuí o ritmo de trabalho e fiz escolhas e opções nessa área; prolongo prazos quando é logicamente impossível de os cumprir com calma e qualidade. E mantenho sempre em mente, quando me esqueço deste novo "eu" que o coração também é um músculo e os sinais para um AVC estão lá, quase em red alert. Tive medo de morrer. Tenho duas filhas para criar que ainda precisam muito de mim. E eu serei um fantasma terrível, por isso, vale mais ter juízo agora.

Fui muito bem recebida no meu regresso ao(s) trabalho(s) e não perdi clientes (fiquei muito feliz!) e todos notaram que teve que haver uma mudança. Gostei de voltar. Apesar de ainda doer, de vez em quando. Aprendi a minha lição. Atempadamente, espero...

 

Àparte a decoração em casa e o calendário do advento, não me soa a Natal nem a Ano Novo... Acho que nunca tínhamos tido um ano assim, tão complicado em tantos níveis e tão mau para a saúde. Foi um ano doloroso, em todos os sentidos. Queremos que acabe e recomece um novo ciclo. Estamos a trabalhar para isso.

 

 

2016-12-18_102118.jpg

 

 

 

 

 

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publicado às 09:24

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