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"Feliz dia da Liberdade"

por t2para4, em 25.04.15

As piolhas queriam cravos vermelhos.

Começam a conhecer e a compreender os contornos históricos recentes de um Portugal que também é o delas.

Ouvem canções, outrora proibidas, e já conseguem perceber que falam de liberdade e de direitos individuais.

Percebem que "ser livre de sonhar e de voar" não o era permitido no tempo dos seus avós, bem jovens na altura e que viveram uma infância votada ao racionamento, ao trabalho, à divisão sexista e classista.

Começam a entender que, quando o "povo é quem mais ordena", significa que as coisas funcionam de maneira diferente e não há absolutismos como em tempos de reis e imperadores.

Sabem que hoje, 25 de Abril, é dia de se dizer "feliz dia da liberdade", ainda que, esse conceito, por si só e acompanhado com toda a carga histórica que se lhe acresce, seja muito muito mais complexo do que aparenta.

As piolhas, mesmo no meio de toda a dificuldade sensorial e comportamental que viveram esta semana, captaram o essencial da história "O Tesouro" e das músicas que ouviram, desenvolveram uma nova consciência, perceberam que há proibições sem sentido e liberdades abusadas.

E, se as minhas filhas foram capazes de perceber tudo isso, eu ainda pergunto porque não se percebe o que está a acontecer ao nosso Portugal livre, ao nosso Portugal sem as canções proibidas mas que, todos os dias, se acorrenta um bocadinho seja porque alguém quer calar a imprensa, seja porque acham que coberturas eleitorais não deveriam ser permitidas, seja porque os próprios cidadões se esqueceram de se respeitar mutuamente, seja porque o próprio governo se esquece de fazer respeitar um dos nossos maiores e mais importantes documentos, a Constituição.

Lamento - e contra mim falo - não termos a coragem, a bravura, a sensatez e a valentia que tiveram os nossos egrégios avós.

 

 

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publicado às 15:31

O autismo personificou-se nas nossas duas filhas, gémeas monozigóticas. Com o passar do tempo, com o meu (e delas) amadurecimento, o autismo está apenas personificado q.b.


Para nós, (con)viver com o autismo é não o aceitar de todo, não permitir que ele roube às minhas filhas - a nós família - mais do que já roubou, não abdicar de lhes proporcionar a felicidade que merecem. E, contrapartida, é como ver o mundo através de uma lente alternativa, é um processo constante e infinito de aprendizagem. Tivemos (e ainda temos) que aprender a ver o que nos rodeia de forma diferente - não errada, não estranha, não especial, apenas e somente diferente - e a não tomar tudo como dado adquirido ou como garantido. Nada nos é garantido. O mais pequeno esforço na conquista de uma vitória (que pode ser tão simplesmente a vocalização de um som) é um excelente motivo de comemoração. Passámos, assim, a comemorar todas as pequenas coisas que são absurdas e garantidas aos olhos dos outros.


Como pais, tornámos experts em imensas áreas. De repente, num curto espaço de tempo, tornámo-nos entendidos em legislação e burocracia escolar, dominamos os acrónimos/siglas/abreviaturas da medicina relativas ao autismo, identificamos questões comportamentais em segundos, tratamos as coisas pelos nomes corretos (handflapping, parassónias, estereotipias, risperidona, etc. é só dizer!), lemos quantidades absurdas de estudos/ensaios/textos/pareceres/etc sobre o autismo em si mas também sobre fármacos/terapias/apoios/etc., aprendemos a reproduzir os exercícios de terapia da fala e adquirimos a capacidade de transformar a nossa casa num gigantesco ginásio de terapia ocupacional (até certa idade), fazemos uma gestão financeira digna de um corretor de Wall Street, adiamos carreiras por um hoje mais certo e presente em tudo (todos os momentos, todas as terapias, todas as consultas, todos os despistes, todos os exames e avaliações), lemos mais um pouco e ficamos peritos em processamento auditivo/linguístico/exercícios oro-motores/consciência fonológica.

Quando saímos todo um processo de aprendizagem implícita é colocado em marcha: treino de competências sociais, autorregulação comportamental e sensorial, jogo simbólico, alternância de turnos em diálogos, interpretação de expressões faciais de terceiros, decisão e escolha, etc etc etc. "Never a dull moment", como dizemos entre nós, mães e pais de crianças com autismo.

Apesar de nem sempre nos apercebermos, fomos e somos capazes de uma força imensa que nos impele para lutar sempre e mais pelas nossas filhas. São, sem dúvida alguma, a maior razão e a maior prova de que é possível seguir em frente e acreditar num amanhã melhor. Mesmo que isso implique uma montanha-russa de sentimentos, emoções, incertezas.

Temos medo do futuro, da sociedade atual, nem sempre cremos que seja justo retirá-las do mundo estruturado e isolado delas para se imiscuírem no nosso caos, mas sabemos que, por muito mínimas que sejam, as suas evoluções mostram que é possível viver entre dois mundos.

E até nisso nos tornámos peritos.

Vezes dois, sempre vezes dois.

 

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publicado às 22:53

E, há uma semana, estávamos assim...

por t2para4, em 17.04.15

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... à volta de uma mesa, numa sala fantástica, com pessoas fantásticas. E muitas crianças a ser aquilo que são: crianças.

Numa sala que apela à imaginação e às viagens no tempo ao domínio dos faraós, com todas aquelas cores douradas e quentes, cerca de 12 crianças e respetivos pais mostraram que "O Autismo não é um bicho", numa manhã passada entre histórias e mistura de materiais, brincadeiras e aprendizagens, conversas e atividades. 12 crianças à volta de uma mesa cheia de purpurinas, rolhas de cortiça, bocadinhos de tecido, cartolinas, canetas de feltro, lápis de cor, colas, rolos de papel e mais uma dezena de outros materiais com que criaram coisas: gatos, borboletas, aranhas, música, coisas, caça sonhos, purpurinas, ervilhas no comboio super rápido, póneis, princesa. E ainda levar uma miscelânea de cores - um espectro de cores! - para casa (derreter lápis de cera de todas as cores é tãooooo fixe!!!!!!!!!!)

Obviamente que jamais poderia deixar de parte os desenhos fantásticos que me têm acompanhado nestes últimos anos: os desenhos de crianças e adolescentes com autismo que impressionam qualquer pessoa e que mostram cor, formas, sentimentos - o que qualquer desenho de qualquer criança feliz e amada mostra.

 

Creio que é seguro dizer que os objetivos que tinha em mente foram alvançados, pelo menos, naqueles momentos que sei que ficarão na memória. Conseguimos sensibilizar para a temática do Autismo enquanto perturbação neurológica e de desenvolvimento e não enquanto doença; alertar para uma correta avaliação do desenvolvimento da criança e, assim, auxiliá-la e à família no seu percurso; promover o conhecimento do autismo, evitando assim discriminação, comentários de terceiros, olhares de esguelha, uso de chavões; mostrar que o desenho e o sonho são transversais a todas as crianças de idades, credos, raças, estados de saúde, etc.; promover uma integração saudável e eficaz de crianças com autismo; incluir a comunidade educativa no contexto escolar das necessidades educativas especiais; dar a conhecer outras formas de comunicação; proporcionar a hipótese de troca de ideias, experiências, conversas, etc.

E conseguimos apoiar a AME!

 

A sessão terminou com o testemunho de vários pais sobre o que é (con)viver com o autismo, com o intuito de passar uma mensagem mais positiva, porque "tudo é diferente de nós e por isso é que tudo existe" (Alberto Caeiro - ninguém mais indicado para passar uma mensagem assim senão um dos heterónimos do nosso grande Pessoa).

E, todos nós, na nossa diferença e diversidade, fomos mais do que público numa qualquer palestra ou num qualquer workshop: fomos parte integrante do caos criativo, fomos mais voz a juntar-se ao burburinho alegre dos nossos filhos, fomos um pouco crianças ao criar com e como eles, fomos implacáveis com o Ruca (eu confesso que me faz espécie um ser assim tão perfeito. Come on! Algum problema ele tem, caramba!) e rimos. É tão bom, por breves instantes, podermos ser mais uma mãe com e entre as outras e ver os nossos filhos com e entre os outros a serem aquilo que, antes de tudo são: crianças.

 

Acho que a mensagem passou. E eu agradeço de coração a quem me aturou as ansiedades e desabafos, as horas de seca, a quem veio de longe (de muito longe) para co-participar (Obrigada Pais com P grande, foi um prazer!), as ajudas na divulgação, a participação, o interesse.

 

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 (fotos tiradas pela Sofia)

 

E as apresentações ppt., com mais umas histórias e algum humor, escritas por mim, com testemunhos de mães guerreiras (um especial obrigada à Daniela).

 

http://www.t2para4.com/ervilhas/aservilhascomboio.pdf

 

http://www.t2para4.com/ervilhas/adiferenca.pdf

 

E o nosso testemunho fica para um outro post, já a seguir.

 

 

 

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publicado às 22:09

Informam-se todos os interessados que ainda há vagas disponíveis para a sessão das 14h30. Há a possibilidade de poderem comparecer e fazer o donativo no ato de entrada para a sessão (fator eliminatório).

 

Nota muito importante: as entradas para esta sessão - excluindo inscritos (a quem peço pontualidade, por favor) - far-se-ão por ordem de chegada, dadas as dimensões da sala, até atingirmos os 10 lugares. Sugiro que se procedam às incrições como anunciado em posts anteriores, através do site www.paiscompgrande.com, no entanto, para assegurar o lugar.

Podem trazer os filhotes, vizinhos ou amigos! É muito mais giro trabalharmos com crianças!

 

 

 

Mais informo que, em caso de impossibilidade de assistir ao presente workshop e caso se manifeste interesse, poderei agendar uma nova sessão para data a combinar posteriormente, nos mesmos moldes que este. Os detalhes serão publicados, única e exclusivamente, após o dia de amanhã e caso eu obtenha número suficiente de interessados que não possam comparecer a esta 1ª vaga.  Potenciais interessados deverão entrar depois em contacto comigo via email (t2para4@sapo.pt) ou facebook do blog , somente a partir do dia 13 de abril. Terei todo o gosto em poder proporcionar novas sessões!

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publicado às 16:23

É já este sábado! Como o tempo passa depressa...

 

Por favor, peço a todos os que querem estar presentes no nosso workshop, o favor de confirmarem as vossas inscrições. Precisamos de saber quem está para a sessão da amanhã e quem está para a sessão da tarde. Por isso, quer para mim ou para o Pais, mandem uma mensagem ou um email a informar.

 

Toda a informação no blog e facebook! Espreitem!

Até sábado!

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publicado às 09:10

Páscoa Feliz!

por t2para4, em 03.04.15

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créditos: a mesinha de entrada do t2para4 com uns galhos roubados a um pessegueiro seco, no passado outono, no quintal dos meus pais, e um coelho de cheiro a alfazema que caiu do puxador da porta do quarto das piolhas. Deu um exelente arranjo de Páscoa, em menos de 10 segundos!

 

 

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publicado às 22:41

Consciencializar em/com consciência

por t2para4, em 01.04.15

Com o passar dos anos, as bofetadas recebidas pela vida (e não só), o trabalho que se tem (muitas vezes, sozinhos), a luta que nunca dá tréguas, acabei por deixar de fazer apelos e pedidos. A minha consciência dita-me que, enquanto houver pessoas que não saibam o que é uma PEA e façam parte da nossa sociedade mais próxima, eu esteja presente para sensibilizar, consciencializar, fazer respeitar, levar e passar a mensagem de que as minhas filhas, tal como outras crianças, são isso mesmo: crianças. E, tal como todas as outras crianças, não precisam de um rótulo para as definir, mas sim de compreensão e respeito. O autismo não as define mas faz parte delas, quer queiramos quer não. Muitos dos seus comportamentos são como são por causa do autismo e, por milhentas terapias e exercícios que façam, haverá sempre resquícios deles por lá, nem que seja num abanar de dedos em momentos de maior tensão.

 

Por isso, este ano não vou pedir a ninguém para vestir azul ou iluminar algo de azul ou explicar aos filhos/sobrinhos/alunos o que é o autismo através das histórias que disponibilizo. Pura e simplesmente, cansei-me. Cansei-me de ver pessoas próximas a não ligar pevas ao que é importante para nós, durante todo o ano.

Cansei-me de ouvir pessoas próximas a dizer-me que se esqueceram de datas e acontecimentos importantes para as piolhas, "oh, lamento...". Logo, por muito inútil que pareça embora com significado subjacente, obviamente não vestirão azul.

Cansei-me de pessoas próximas que nunca estão disponíveis para nós - verdadeiramente disponíveis para nós.

 

Tenho muitas coisas preparadas para este mês que já estão em preparação quase desde o ano anterior. Algumas coisas são públicas, como o workshop já dia 11; outras saber-se-ão no momento oportuno. Dão imenso trabalho a organizar, a gerir, a conciliar, a agrupar. Ninguém vê isso. Ninguém vê que o importante de qualquer ação é incluir aqueles de quem falamos a terceiros. Mas eu vejo e, portanto, continuarei a fazer o que me dita a consciência.

 

 

Por isso, este ano, consciencializem, sensibilizem como vos mandar a vossa consciência e como o sentirem no coração. Eu continuarei a fazer o que sempre fiz, em abril, em maio, em outubro, em novembro, durante todo o ano. E vestirei azul sempre e quando me apetecer, usarei peças simbólicas porque sim e sempre que me apetecer. E serei sempre a mais acérrima defensora das minhas filhas.  E, como eu, há outras mães. E os pequenos gestos dos outros são importantes para nós, não duvidem. 

 

 

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publicado às 21:02

Pedi uma 2ª opinião...

por t2para4, em 31.03.15

... e ainda bem que o fiz.

Não sei se se lembram, há uns meses, de ter referido um "empastamento" no mama direita que me causa um grande desconforto e que o médico que fez a ecografia mamária desvalorizou, sempre com o empirismo do "parece-me qu enão é nada".

Ora bem, chegou a altura de repetir o exame. Odiei. Coimbra é a cidade dos doutores e há zonas nobres onde eles se juntam todos mas há doutores e "doutores" e, para mim, chega. Não gostei do atendimento, nem do tratamento, nem da realização do exame e, muito menos, da (falta de) resposta(s). E, quando se trata de saúde e/ou ciência, não quero cá "parece-me". Portanto, de acordo com aquele senhor, que acha que abanar mamas e carregar com a sonda do ecógrafo até às lágrimas é ser-se profissional, o que eu tenho "parece-lhe" não ser nada de grave, é fruto de que "não estou a caminhar para nova" e não me explicou o que era/deixava de ser.

Depois de emborcar um benuron para as dores, marquei logo novo exame, noutro local. Que, por sinal, tinha o relatório pronto no mesmo dia (no local anterior, demorou uma semana).

 

Ora, foi uma diferença como da noite para o dia. Fui super bem recebida, quer as auxiliares quer a médica foram extremamente simpáticas e, acima de tudo, obtive respostas e um exame minucioso. Então, "empastamento" é o nome que se dá a áreas negras presentes na ecografia e que oodem ser tudo (benignas e malignas). O meu é, na realidade, um aglomerado de quistos que tendem a crescer em alturas de maior calor/pressão e pode ser necessário aliviar (através de esvaziamento... Deduzo que há de ser extremamente doloroso mas não vou pensar nisso agora) mas que é benigno. É normal que doa, pois são muitos muito próximos com cerca de 7cm. Na mama esquerda também tenho alguns mas menos aglomerados, logo, não doi tanto. É uma questão hormonal e de tipo de tecido mamário: quanto mais fibroso, maior tendência para o surgimento de pequenos quistos ou nódulos (benignos, na grande maioria das vezes). Pela 1ª vez, as axilas foram minuciosamente verificadas para despiste de mais nódulos.

Saí do consultório muito mais aliviada e grata por saber ao certo o que se passa comigo e o que pode vir a acontecer.

 

E eu pergunto: custa muito fazer as coisas como deve ser logo à primeira? Custa? Será que custa assim tanto engolir o raio das palavras à thesaurus medicinal e explicar às pessoas o que se passa?

 

E, posto isto, porque não tenho nem vida nem pachorra para isto, àquele local não voltarei, aquele médico não me volta a ver (e, muito menos, às minhas mamas) e eu vou onde fui bem tratada e de onde saí com respostas coerentes e não uns vagos "parece-me."

 

Portanto, memo to myself, para a próxima ouvir a minha intuição e nunca deixar de lutar por respostas concretas.

 

 

 

 

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publicado às 12:37

O nosso workshop aos olhos de outra mãe

por t2para4, em 28.03.15

É tão bom quando temos pessoas fantásticas que nos dão força para avançarmos com pequenos projetos e ideias, nos apioam com palavras sentidas (faladas e escritas), acreditam em nós e nos nossos filhotes. E isso enche-me o coração de uma sensação boa ao sentir todo um carinho e uma ternura partilhada.

 

Para ler http://avidaa4d.blogspot.pt/2015/03/a-mara-o-autismo-e-uma-grande-ideia.html pelas mãos e coração da mãe Sofia.

 

E, para quem nos lê, por que não estar um pouco connosco no dia 11? Todas as informações em:

http://t2para4.blogs.sapo.pt/sobre-as-acoes-de-sensibilizacao-284097

 

http://t2para4.blogs.sapo.pt/workshop-o-autismo-nao-e-um-bicho-279964http://t2para4.blogs.sapo.pt/workshop-o-autismo-nao-e-um-bicho-279964

 

 

 

 

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publicado às 20:26

Tagarelice #43

por t2para4, em 28.03.15

Conversa descontraída em família, à hora do almoço (sem TV na cozinha, é uma maravilha ter momentos assim. Abençoada decisão!), onde as piolha sfalavam dos colegas e de crafts que foram fazendo para as várias festividades, incluindo o S. Valentim.

E dizia o pai:

- Então, e a quem deste o teu cartão?

- Nós comprámos a Barbie e o Rainbow Dash como presente de São Valentim.

- Não é isso, quem é o teu namorado?

- Ó pai, eu não tenho namorado! Só vou ter quando eu for alta, agora ainda não pode ser.

Eu já com uma vontade terrível de rir, cheguei-me à festa:

- Mas o R. da vossa turma parece que gosta muito de ti... Ele não é o teu namorado?

- (faz um ruído com os lábios, coo que diz não) Eu só posso ter namorado aos 12 anos.

- Porquê?

- Porque só nessa altura vou ser alta e aí já posso ter namorado.

- Ah, muito bem, então... E tu (viradno-me para a outra piolha, calada até então)?

- A mana já explicou muito bem uma vez. Só quando tivermos 12 anos.

- Mas o que o têm os 12 anos de especial?

- Só temos idade para namorar nessa altura, mãe e pai!

- E cada uma vai ter um namorado ou partilham o mesmo?

- Partilhamos o mesmo!!! Nós somos gémeas, mãe!

 

Foi um fartote de rir. Lá lhes expliquei que há coisas que não se partilham, nem mesmo entre gémeos idênticos. Concordaram em arranjar um namorado para cada uma...

Bem, aos 12 anos, já sei o que me espera. Ainda tenho uns 4 anos e meio de descanso pela frente.

 

 

 

 

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publicado às 20:17

Mais uma etapa conseguida!

por t2para4, em 24.03.15

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Ainda temos que treinar muito e alargar o conceito do "fazer o laço" sem dar um nó a outros prismas, porque, afinal, não atamos apenas os atacadores, não é? Mas, o principal, já está. Graças ao empenho do pai que se dedicou a estar com elas, pacientemente, durante umas horinhas a torcer atacadores.

You go girls!!!

 

 

 

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publicado às 20:19

Sobre as ações de sensibilização

por t2para4, em 21.03.15

Muita gente me pergunta por que razão continuo a insistir em sensibilizações, ações de consciencialização ou pequenos workshops, por que tenho eu tanto trabalho com isto de forma gratuita, por que me empenho tanto em fazer passar uma mensagem quando, afinal, as minhas filhas “parece que não têm nada”.

Não vou discutir o “parece que não têm nada” (aliás, o que quer isto dizer? O Autismo vê-se?). Mas vou explicar o porquê de não desistir da sensibilização.

 

 

Citando Alberto Caeiro, de que gosto muito, “Tudo é diferente de nós, e por isso é que tudo existe.”

Até há muito poucos anos não se falava em Autismo quanto mais em Perturbação do Espectro do Autismo. Nem se sabia bem o que isso era, associava-se a condição a uma grave doença mental e culpabilizava-se a mãe. Por incrível que pareça, nos dias de hoje, apesar de estarmos no boom da tecnologia, ainda persistem resquícios desta mentalidadezinha. E é isto mesmo que eu pretendo combater!

 

Primeiro de tudo, o Autismo não é uma doença. É uma perturbação neurológica que afeta 3 grandes áreas de desenvolvimento: comunicação/linguagem, interação, comportamento. Não é contagioso, não se “apanha” nem se “ganha” autismo, não tem cura (até ao momento), não é confirmado com um simples exame de sangue nem sequer (ainda) através de testes genéticos, não é culpa de ninguém, não resulta de nenhum tipo de negligência, não impede que um indivíduo com este diagnóstico possa ter uma vida o mais natural possível com os devidos acompanhamentos. Às vezes, parece que é o fim do mundo, mas, na verdade, se olharmos com olhos clínicos e estatísticos para o desenvolvimento global das evoluções ao longo do tempo e do trabalho todo que tivemos, não é. É uma forma de o encararmos alternativamente. Por que razão achamos que é melhor ver o todo em vez da parte? Eu acho muito mais interessante o olho clínico que as minhas filhas têm para o detalhe, a atenção pormenorizada que deitam ao que as rodeia, a capacidade de memória quase eidética que têm (e, confesso, daí serem o meu calendário pessoal/particular), o facto de tentarem estabelecer estruturas no caos que nos rodeia. Será isso assim tão mau? Tão antinatural? Tão anormal?

 

Somos todos diferentes e é na diferença que está a beleza da diversidade. E a diferença do belo é um desvio! Sabiam que os olhos azuis são um desvio genético? E, no entanto, imensa gente tem uma predileção especial por olhos azuis! Importa saber ver para além disso e ter em mente um único objetivo: inclusão. Não é uma palavra nova, não é sequer uma palavra de “sete e quinhentos”. É aquilo a que todos temos direito: acesso à saúde, acesso à educação, oportunidades de trabalho, comprar uma casa, pedir um empréstimo.

 

Pretendo tornar o mundo das minhas filhas um pouco menos caótico e, ao mesmo tempo, poder mostrar aos que nos querem ouvir, que, há mais para além do Autismo (ou de qualquer outro diagnóstico) e mostrar que todos podemos aprender as mesmas coisas de forma alternativa e chegar a um mesmo fim. Daí acreditar que, enquanto houver quem queira assistir a pequenos workshops, ouvir histórias especiais com recursos diferentes e alternativos, aprender mais, eu acabo por ter um papel a desempenhar. E isso basta-me.

 

Posto isto, deixo dois assuntos para pensar:

1 - atentem nas séries de TV mais vistas e analisem bem as personagens: há quase sempre uma que é geek/freak/autista/esquizofrénica/literal/brilhantemente inteligente/antissocial mas que está bem integrada, tem um emprego, sente-se útil mesmo numa sociedade que não compreende na totalidade, que acaba por estar incluída

 

2 - e por que não participar no nosso workshop já no dia 11 de abril, sábado? Toda a informação em http://t2para4.blogs.sapo.pt/workshop-o-autismo-nao-e-um-bicho-279964  Apareçam!

 

 

 

 

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publicado às 16:06

Cosmos? Qual cosmos?

por t2para4, em 20.03.15

Vejamos:

- equinócio da primavera

- lua cheia

- eclipse solar

- mudança meterológica

- dia do pai coincidente com terapia ocupacional onde descobrimos que, afinal, até poderíamos ter começado mais cedo, que as piolhas têm muitas dificuldades motoras e de coordenação e dissociação (uma mais que a outra) e que temos tanto trabalho pela frente que eu e o pai saimos doidinhos do hospital...

- concurso de professores (mais o concurso dentro do concurso dentro do concurso e a certificação e o diabo a sete)

- asma do pai e consequente mudança de ambiente dos nossos gatos para casa dos avós

- noites mal dormidas ou dormidas à pressa

- preocupação com a chegada do verão e consequente términus de contrato de trabalho

- preocupação em arranjar trabalho (e quase quase a querer desistir do ensino porque, vejamos, farei 35 anos este ano, logo, estou velha para o mercado de trabalho)

- estereotipias das piolhas super visíveis em situações de nervosismo e ansiedade e medo

 

Posto isto, se é suposto o cosmos se reorganizar hoje ou sei lá o quê, que o faça de modo a nos ajudar porque, honestamente, já dei para este peditório e estou farta fartinha de tanto esforço, tanto trabalho em troca de um ordenado miserável e incerto; farta fartinha de tanto trabalho que nunca tem fim com as piolhas e já começam a falatr-me as ideias para tornar exercicios físicos semelhantes a yoga divertidos sem parecerem exercícios físicos semelhantes a yoga.

Por uma vez na vida, gostava mesmo mesmo de ter uma vida. Normal. Regular. Comum.

 

Já volto. Tenho muito para organizar, workshops para preparar, histórias para escrever. E preciso de dormir.

 

 

 

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publicado às 08:42

Os meus desportos nas últimas 24h

por t2para4, em 12.03.15

- Atletismo e corrida dos 100 m: record batido ao chegar à piolha 2 segundos depois de ela ter caído;

- Carregamento do peso e corrida de obstáculos: sair da escola, deixar metade das tralhas pelo caminho sempre com a piolha e os seus quase 30 Kg ao colo

- Fórmula 1 e NASCAR : sim, as duas ao mesmo tempo, eu acho. Creio que o meu carro tem agora todos os injetores bem limpinhos, o tubo de escape sem qualquer vestígio de carvão, as mudanças bem lubrificadas. Além disso consegui descobrir que mais de 30 km sinuosos podem ser feitos em pouco menos de 20 minutos (só espero que não me chegue nenhuma multa...)

- Xadrez: pensar extremamente bem na p´roxima jogada médica, quando/onde/com quem usar a estratégia certa para chegar a um xeque-mate, que é como quem diz "alta médica"

- Levantamento de pesos: piolha mole + pressa + sonolência e possibilidade de traumatismo craniano e nariz partido = carrega-mãe-que-foi-para-isso-que-tiveste-filhos

- Ténis ou Futebol mental: tratar de uma piolha presencialmente e gerir tudo o que envolvia a outra piolha que ficou com o pai.

- Rally urbano/street racing individual: evitar a hora de ponta e zigzaguear pelo trânsito para demorar o menor tempo possível a chegar ao hospital

- Kickboxing mental: quando a radiologista ameaçou a piolha de que me punha na rua se ela não se acalmasse. ahahahahahhaha eu até queria ver isso, ahahahhahahahha

 

 

 

Posto isto, para que raio preciso eu de yoga?! E de caminhadas?! Doem-me músculos que nem sabia que existiam, a minha antiga tendinite no ombro ameaça voltar ao fim de quase 20 anos, a minha concentração bate records sem necessidade de cafeína (juro que ontem e hoje, no total, só tomei 3 cafés) e consigo aguentar quase 15h seguidas sem comer. Posto isto, vou ali esticar-me no sofá a digerir tudo... Amanhã, mais um dia de vigilância em casa...

 

 

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publicado às 21:37

Cafeína para que te quero

por t2para4, em 11.03.15

Por aqui estuda-se, pesquisa-se, lê-se atentamente quase tudo o que se possa encontrar sobre cafeína e a sua relação/efeitos em pessoas com autismo.

Estamos cientes das dosagens em gramas que uma pessoa deve tomar por dia, quais os beneficios, quais os potenciais riscos.

Continuamos a ler muito sobre o assunto, a ter dúvidas mas a querer seguir a intuição. Não tomámos ainda uma decisão concreta mas estamos inclinados para a substituição do descafeinado que as piolhas tomam por café. Obviamente que não vamos já dar-lhes bicas ou cafés de intensidade 10 para cima! Mas, ou de manhã ou no final de almoço, estamos seriamente a ponderar em começar com um carioca de café (caso estejamos de passeio ou estejam na escola) ou com um café de intensidade 3 ou 4. E ver no que dá...

 

Estes últimos dias têm sido extremamente complicados para elas e para nós. Mudanças drásticas no ambiente que nos rodeia causam descontrolo: o tempo mudou radicalmente em altura de lua cheia, elas deram um pulo de crescimento e devem andar aflitas com dores de crescimento sem notarem ou se queixarem e, como se não bastasse, ainda temos as acácias (malvada praga) a causar alergias parvas. Tem sido muito complicado.

 

Encontrei alguns artigos, que me convenceram um pouco, e vários testemunhos. Entre dar-lhes metilfenidato (vulgo, ritalina/concentra/rubifen/etc.) e sei lá que consequências isso terá nos seus cérebros, prefiro ativar as mesmas áreas cerebrais com algo mais "natural": cafeina.

Bom, a ver vamos.

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3529135/

 

http://www.mamapedia.com/article/why-would-a-9-year-old-be-given-coffee-regularly

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8169187?dopt=Citation

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20722962

 

The relationship between neuromodulator adenosine and autism

 

 

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publicado às 09:25

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