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Pequenos grandes gestos

por t2para4, em 15.02.17

No dia em que se diz celebrar o amor, por excelência, há apenas a constatação do que se vem vivendo nos restantes dias do ano, sem festividade associada. Não saímos, não jantámos fora, não fomos passear. Estivemos - os 4 - a trabalhar. E o dia começou bem cedo, ainda antes das 7h, com as piolhas bem despertas pelos seus próprios relógios biológicos tão ajustados aos seus desejos quanto elas querem (sim, se decidirem acordar às 6h30, elas conseguem. Sem qualquer tipo de despertador. Aí está algo que poderão ensinar-me, um dia destes...). Começou com passinhos miúdos no chão, com vozes murmuradas de "hoje é dia de São Valentim" e "o pai está cá?" (às vezes, o pai faz o turno da noite e só chega de manhã) e ainda "o pai e a mãe têm de estar juntinhos para desejar feliz dia de São Valentim". E nós a distribuirmos milhentas bejocas matinais, tão boas, os 4 no miminho bom. 

 

E, de tanta coisa que fiz e falei - e ainda estou em fase de realização - com os alunos acerca dos afetos, continuo a fazer notar - a nós e aos outros - a importância das pequenas coisas que, todas juntas, fazem muito. E quando digo pequenas coisas, são mesmo pequenas coisas, que, independentemente dos dias, podemos fazer sempre que nos apeteça. Em casa, além de um postalinho pindérico todo meloso que adore no computador (deu nas vistas pois o portátil estava fechado e eu nunca o deixo fechado), tinha a casa arrumada e o marido estava a passar a ferro - um alívio de trabalho acrescido para o resto da semana em que estou cheia de aulas e consultas. A minha retribuição melosa foram umas garrafinhas de Sumersby e um arrozinho malandro com moelas. As piolhas não receberam prendinhas da escola ou assim (receberam um caderno de desenho da nossa parte) e estavam, todas airosas, a descansar na sala - gazetando, mais uma vez, a ida à piscina -, depois de dois dias de fichas de avaliação e muitas horas de estudo e trabalho. E o melhor de tudo é, à medida que vamos conversando e que vamos passando o dia, haver ainda mais pequeninas coisas que nos deixam de sorriso bom. Afetos, carinho, amizade, cumplicidade, amor, sim. Também mas não só.

 

Uma piolha decidiu escrever um bilhetinho de carinho ao avô. E até pediu ajuda à tarefeira para fazer um envelope e poder guardá-lo em segurança, sem se amassar. Quando nos contou que iria aguardar até setembro para oferecer o bilhete ao avô (altura em que regressa a Portugal), perguntei o que ela achava de lhe enviar amanhã, por correio. Fez-lhe um pouco de confusão ter que escrever uma morada em língua estrangeira - que não o inglês - mas já temos correio para despachar amanhã e, certamente, um sorriso muito feliz na cara do avô quando o receber.

 

O dia acabou um pouco mais tarde do que eu previra, depois de nos termos enroscado no sofá a ver "A Bela e o Monstro" (e eu a estranhar pois sou do tempo do lançamento em VHS, em versão brasileira; posteriormente, já com piolhas bebés, a versão originbal em inglês, pelo que, a versão portuguesa é, para mim, uma novidade. E, para que conste, não há nada de errado com a minha noção temporal, os anos 90 foram mesmo há 10 anos, ok? Sim, porque eu lembro-me que foi no ano em que abriu o CoimbraShopping e o Continente, local onde comprei a cassete. Portanto, dizia eu, há pouco mais de 10 anos.).

 

A felicidade está mesmo nas coisas simples, no bem que podemos fazer uns aos outros, no que sentimos quando estamos felizes. E, ainda que em dias negros, amaldiçoemos o termos que nos contentar com as "pequenas coisas", a verdade é que, ninguém as valoriza como nós - nós e alguém como nós.

 

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publicado às 23:39

Hoje precisei de rever os meus arquivos de conteúdos e matérias dadas em anos letivos anteriores para usar um material específico que tinha em mente. Uma das coisas de se ser professor é que, em muitos casos, pegamos num qualquer material e lembramos uma turma ou um aluno ou um momento.

Eu mandei imprimir aquele material e não consegui evitar que um certo 1º ano me viesse à memória: o J. tão inteligente e tão fluente no inglês que me ajudava tanto nas aulas mas que não conseguia evitar algumas das suas esterotipias... O J. que tem autismo e que deve estar tão crescido hoje... A A. também me veio à memória, com a sua vozinha estridente e certeira, a colocar as coleguinhas mais matreiras no lugar que àquela ninguém come as papas na cabeça. E, por associação de ideias, veio à memória a sua mãe... que faleceu em julho e me parece tão irreal, não parece ter acontecido... Que ainda tinha tanto mas t-a-n-t-o para viver e fazer por cá... 

Não sei se existe isso de "ter chegado a sua hora" - afinal, quem decide essa hora? -, sei, apenas que hoje ela esteve presente nos meus pensamentos. E o facebook não ajudou muito pois, ao lembrar-me de uma memória, vejo a sua cara sorridente e tão feliz, caramba... Há 2 anos atrás. Como é que é possível que em tão pouco tempo ela seja apenas e somente agora uma memória?

 

Bah, não sei lidar com isto. Nem com recordações antigas de alunos que me são queridos e de quem nunca mais sei, nem com a morte de alguns alunos (e já lidei por 2 vezes com isso, é de uma sensação de impotência atroz), nem como lidar com estas memórias que surgem e que me deixam triste por terem partido. Estão cá. Não sei se por alguma razão, em particular, apenas estão.

 

Talvez ajude usar esses mesmos materiais que me levaram, por associação de ideias a estas memórias, criar novas memórias com outras crianças, outras realidades. O que se mantém é o mesmo entusiasmo. Este material que eu procurava hoje, em particular, é daqueles que cativa e que consegue por uns olhinhos a brilhar ao transformá-lo. Afinal, não é todos os dias que podemos fazer um livrinho, numa sala de aula, e com a ajuda da teacher :) 

 

 

 

 

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publicado às 21:36

Da consulta da especialidade

por t2para4, em 23.01.17

A noite passa-se entre voltas e reviravoltas (e a minha teimosia em não tomar nada para dormir). A manhã começa com o toque do telemóvel a avisar da hora de começar a preparar nem sei bem o quê, pois já tudo estava pronto de véspera. Engole-se algo parecido com um pequeno-almoço e ala de viagem. Tudo enerva, desde o apressadinho que ultrapassa tudo e todos sem noção do que vai a fazer ao trânsito que se sente até na circular externa, sem grande razão para isso (daí se chamar circular externa...), ao estacionamento caótico que não interessa resolver nas traseiras dos HUC a caminho do HPC.

E eis-nos naquele piso de estacionamento, naquele elevador (o do meio, sei lá porquê, mas sempre o do meio), no corredor da máquina de bilhetes a caminho da máquina do café e exibição de trabalhos, vira à direita, volta a virar à direita e chegámos. Mais uma consulta de autismo, no departamento de Neurodesenvolvimento e Autismo.

 

Se o presente ainda me incomoda, olhar para o passado parece tão irreal quanto arduamente vivido. Agora tudo é bem mais tranquilo, familiar, presente; antes era o caos, as birras, a gritaria, a agitação motora, a hiperatividade, mais uma sessão de birras e meltdowns e saímos de lá pequeninos, impotentes e sem vislumbrar nada melhor.

As piolhas estão muito trabalhadas. Em algumas situações, um olho treinado e habituado a estas patologias, notará logo um comportamento artificialmente adequado mas funcional (um pouco como quando o Sheldon é obrigado a falar com os chefes, por exemplo). Nós notamos mudanças extremas. A sala fica intacta, a mesa sossegada, as cadeiras no lugar e as piolhas sentadas e colaborantes! São capazes de ter uma pequena conversa apropriada e contextualizada com a situação, colaboram nas medições (peso, altura, perímetro encefálico) e já não há explosões de caos quando é necessário verificar a tensão arterial. A enfermeira, que as conhece desde 2010, estava estupefacta com o comportamento, a maturidade e a boa disposição delas. Claro que havia ali uma pequena esterotipia verbal de uma e uns movimentos motores incontroláveis de outra a querer espreitar mas nada que mostrasse uma estranheza atroz, aos olhos de um leigo.

Fomos parabenizados, elas igual, e saímos de lá orgulhosos, orgulhosos, agraciados com a benção notória de um trabalho diário, constante, onde exigimos 10 para atingir 5 ou 6, em alturas boas.

 

No consultório médico, acabámos por receber as mesmas graças verbais e que nos enchem o coração de orgulho, esperança e nos deixam vislumbrar um caminho mais iluminado e uma estrada menos acidentada do que aquilo que víamos há uns anos. Claro que, há umas curvas manhosas no caminho que não nos deixam ver a sua totalidade mas, se já passamos por tanto, seguramente, aguentaremos o restante, certo?

É sempre bom conversar com alguém que nos respeita como pais e que, em certos aspetos, nos fala de igual para igual. O nosso médico sabe que somos uns bibliografos do pior e lemos muito, estudamos muito e ponderamos muito, antes de tomar qualquer decisão. Somos respeitados por recusar o metilfenidato e não nos crucificam por assumirmos que as piolhas tomam café todos os dias (café, tipo bica, do de máquina, intensidade máquina mesmo). Estamos numa fase boa de desenvolvimento das piolhas que permitiu algum progresso a nível de medicação, maturidade e até comportamental. Não nos iludimos: não estão ao nível dos seus pares. Lá chegarão mas não estão lá, ainda. Ainda a palavra chave.

A consulta demorou pois conversamos muito e aproveitamos para tirar dúvidas e falar até de outras coisas (acabei por descobrir pelo pediatra que a minha lesão muscular pode ter sido causada por um vírus!). As piolhas, que foram desprovidas de materiais de entretém, acabariam por começar a falar sozinhas e a imaginar... Tem sido algo muito recorrente, ultimamente. Traduzindo: regulam-se sozinhas, acabando por inventar historietas e narrar em voz baixa para elas mesmas, como forma de se ocuparem e conseguirem ter um comportamento regulado e adequado. Surgiu ali e ainda bem pois, assim, sabemos do que s etrata e poderemos explicar esse comportamento na escola ou até com técnicos, quando ele surgir.

 

Ainda rimos a bom rir ao imaginar as piolhas numa junta médica (ainda para mais com a doutora que temos na nossa pacata localidade, leia-se o sarcasmo) que, sem entenderem que estavamos numa de role-play, diziam o nome e queriam falá-lo também em inglês, punham o dedo no ar para falar. Dada a inteligência que assola estes profissisonais na nossa zona de residência, eu até imagino a cena... Não iria haver relatório médico nenhum, nem que fosse validado pelo Vaticano, aceite (been there, done that. Há uns anos, tentei uma junta médica e a suposta doutora pôs as piolhas na rua porque ela não conseguia trabalhar. É que ainda há pessoas que não fizeram nenhum upgrade aos seus conhecimentos e não devem ter descoberto ainda que existem deficiências neurológias, tipo, autismo, por exemplo... E são pessoas destas que declaram os mortos como estando mortos e atestam licenças para assar leitões - já agora, foi esta mesma pessoa que perguntou pelas habilitações superiores do proprietário para lhe poder validar a licença, a tal para assar leitões, mas anyhow. Escusado será dizer que a senhora doutora nunca mais me viu os dentes e eu duvi-dê-o-dó da sua capacidade de discernimento, pelo que, para já, não conta com a minha simpática presença no seu gabinete).

Bom, não faz parte dos nossos planos imediatos sujeitar as piolhas a uma junta médica. 

 

 

Estas consultas não nos trazem reforço de terapias nem devolvem horas retiradas aos centros de recursos para terapias nem, por muito que eu tente acalmar o meu lado inconsciente e patético, têm uma cura escondida num qualquer ficheiro. Mas trazem-nos algumas respostas e indicações de que estamos ou não no caminho certo - ou, pelo menos, mais adequado.

Ainda assim, ficamos sempre com a aquela sensação do copo meio cheio - porque as coisas estão mais ou menos compostas - ou meio vazio - porque ainda são crianças que não têm nenhuma facilidade em conseguir comunicar com os outros, quenão leem nas entrelinhas, que não possuem grandes filtros sociais, que não se enquadram com os seus pares, que... e que ... e que... e que...

Resta-nos olhar para trás e ver o tanto que já alcançamos, e, se calhar manter a mesma receita, já que, até ao momento, alguns resultados está a dar... O caminho ainda é longo mas, hey, já percorremos trilhos bem complicados, hein?

Talvez tenhamos, apenas, que ver o copo de outra perspetiva e continuar a (re)enchê-lo de esperança, dedicação, amor, paciência e mais um pouco de trabalho...

 

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publicado às 19:27

Momento ahhhhhh das piolhas #12

por t2para4, em 17.01.17

Estar na piscina, cumprir as regras sem problemas nem birras, mergulhar sem medos nem proximidades do cais e.... Nadar de costas sem braçadeiras ou algo flutuante!!!!! 

Estou nas minhas 7 quintas! É uma evolução tremenda para quem, apesar de adorar água, no início, se recusava a molhar a cara.

E é uma evolução para mim que já não entro em colapso cardíaco por as ver sem braçadeiras numa área sem pé.

Yay para nós!!!

 

 

 

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publicado às 20:16

A inclusão, ai , a inclusão.

por t2para4, em 16.01.17

É a panaceia que se quer atribuir aos atuais sistemas, sejam eles de saúde, educativo ou até social. Promover a inclusão, falar de inclusão, proporcionar meios de inclusão é muito discutido e fica bem em qualquer documento - principalmente em relatórios ou atas de reuniões escolares. É, assim, tipo, chique, sei lá.

 

Mas, vamos começar do início, sim?

Comecemos pela definição mais básica, aquela que qualquer dicionário conteria:

 

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 (gosto particularmente, da origem "encerramento" - leia-se a ironia

 

Portanto, é basicamente aceitar, abranger, incorporar como se de uma receita se tratasse, do género, "agora inclua os ovos e mexa. Ta-da! É só levar a massa ao forno, et voilà, l'inclusion parfaite". 

 

 

Avancemos, agora, para um conceito do que é inclusão. Também é algo que fica bem num trabalho de secundário quando os alunos precisam de falar de algo muito abstrato e complicado e saem coisas assim:

http://conceitos.com/inclusao/

 

(inclusão por oposição a exclusão, nunca teria pensado nisso... Ironia, again)

 

Agora vejamos este artigo, na minha opinião, muito bem escrito e que mostra o lado perverso da inclusão tal como nos parece imposta nos dias que correm.

https://www.publico.pt/2014/03/17/sociedade/noticia/o-que-e-a-inclusao-1628577

 

 

E, agora, as minhas considerações:

De vez em quando, vou espreitar as piolhas à escola, nas horas do intervalo. E o que vejo são duas crianças perfeitamente incluídas na rede escolar e na turma. O que também vejo são duas crianças a passear sozinhas pelo recinto escolar porque não se sentem incluídas nas brincadeiras ou nas atividades dos colegas, embora estes as aceitem como são, ainda que com dificuldade em entender o patamar de desenvolvimento em que estão - uns e outros. A realidade é que, se, na sala de aula, as piolhas até podem estar mais à frente na compreensão imediata e direta dos conteúdos - esta é outra coisa que o nosso sistema gosta de perverter, como se o escolasticamente adquirido fosse alguma vez aplicável e aplicado no contexto da vida real sem sermos professores -, naqueles momentos de amostra real do que é a vida social, elas estão bem atrás dos colegas. Ainda não estão na fase parvinha mas normal das meninas apaixonadas pelos coleguinhas ou com conversas tolinhas mas normais sobre a família, as roupas, o drama que é ser-se criança nesta idade. E, honestamente, por muito que me doa vê-las sozinhas naquela escola enorme - e que seria o mesmo numa escola pequena -, até prefiro que assim seja pois não sofrem com a pressão do ter que estarem incluídas à força num grupo onde todos os sinais sociais são difíceis de interpretar e para os quais não possuem filtros, maturidade, leitores e lhes causaria uma ansiedade incontrolável. 

Neste momento, na minha ótica, a verdadeira inclusão passa por uma coisa tão simples quanto básica e fundamental: a aceitação. A aceitação de que não podemos nem devemos ser todos iguais, de que há determinados apoios - nomeadamente terapias - que são necessários como de pão para a boca e não deveriam ser alvo de cortes cegos, de que a escola deveria ser bem mais do que apenas um poço de despejo de conteúdos e conteúdos onde não há tempo para mais nada a não ser livros e papéis e folhas e programas e metas e reuniões. Não há espaço nem aceitação pela diferença no criar, pela diferença do que é estar alheado daquele lugar mas ainda assim capaz de perceber o que se pretende aprender, pela diferença que é sermos quem somos, por estarmos mais atentos hoje do que alguma vez estivemos a direitos básicos .

Eu não quero crianças formatadas, zombificadas, incluídas sei lá em quê só porque há uma suposta norma do que é socialmente aceita fazer agora; eu quero crianças felizes e tolerantes, capazes de perceber que todos somos humanos, que todos temos direitos, capazes de respeitar e tolerar, de compreender o ser-se ou não parte integrante e incluída de um grupo, de um contexto, do que quer que seja.

De forma simplista, é esta a minha versão de inclusão. Não pretendo panaceias nem desdéns nem coitadinhices. Só pretendo que nos aceitem como somos. Simples, assim.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:47

O velho ano trouxe um final de aprendizagens e de resoluções, de erros que não quero repetir, de medos que não posso voltar a sentir. O novo ano entrou e eu estou ainda em fase de aprendizagem a um novo e (bem) mais calmo ritmo, a adaptar-me a um novo "eu", a testar as minhas limitações, a ver até onde posso ir sem dores e sem recaídas.

 

O novo ano traz também velhas rotinas que nos ajudam e das quais necessitamos. Consulta de autismo para muito breve. Estaria a mentir se dissesse que, à luz deste meu novo "eu" zenificado, não estu ansiosa nem aprensiva nem insegura. Estou, como estou sempre. Mas sei que as piolhas evoluíram tremendamente, vejo e quase que se sente essa evolução de forma palpável. Se está tudo bem? Longe disso. Temos ainda um longo longo caminho a percorrer mas já dá para perceber que algumas etapas serão bem menos árduas, que há "áreas de serviço" para descansar pelo caminho, que há surpresas boas depois de uma curva perigosa.

 

O autismo está lá, não vai desaparecer nunca, elas nunca serão neurotípicas, a vida será sempre vista por elas com um filtro diferente do nosso, precisarão de apoios durante mais tempo do que qualquer outra pessoas e não, não nos enganámos, o diagnóstico é mesmo esse, não é nenhuma perturbação noutra qualquer área. Sim, custa-me horrores vê-las completamente sozinhas nos intervalos, a passear pela escola mas, depois, penso que, serão sempre as duas, nunca estarão sozinhas. Temos a gemelaridade a nosso favor.

 

Por isso, para já, esses meus já conhecidos medos vão começando a assombrar, à medida que o tempo escorre mas vamos e vamos assim mesmo com medos e tudo.

 

 

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publicado às 20:53

E começar o ano com recordações boas?

por t2para4, em 01.01.17

Por que não? Recordar é viver, já dizia o outro, certo? Recordar traz-nos sorrisos e faz-nos reviver memórias e momentos felizes não é?

Pois eu, quero hoje, aproximadamente há 10 anos certinhos, recordar que descobri que estava grávida. Que ia ser mãe. MÃE!!!!! O que eu chorei... (sorriso). Chorei de medo, de dúvidas, de admiração, de espanto (foi tão fácil engravidar... nós que pensámos que teríamos que fazer tratamentos por causa de um problema do marido na sua adolescência), de terror, de alegria, de drama, sei lá...

Há 10 anos vimos uma linha extra bem marcada no teste de gravidez, o mais barato da farmácia. Sem sombra para dúvidas. 

 

Hoje, temos uma casa cheia. Não trocaria nada. Sou tão mais completa do que alguma vez pude imaginar. Certo que descobri medos incomensuráveis mas não é isso que nos torna alerta? Sou mãe... Tão bom - mesmo nas fases piores, mesmo com noites sem dormir, mesmo com respostas tortas, mesmo com tudo isso. Porque passa tão rápido. 10 anos passaram a voar. Já não tenho riscos em pauzinhos de farmácia, nem bebés fofinhos com penugens em vez de cabelo, nem crianças com cheirinho doce no cocuruto, mas continuo a ter filhos e a ser mãe e a aperceber-me desse facto :D (exemplo curto e simples: conhecemos todos os desenhos animados e séries infantis/juvenis. Pior: sabemos os nomes das personagens e queremos saber como acaba o episódio da KC ou do "Manual do Jogador para quase tudo". E não somos os únicos... )

 

A espreitar:

http://findingjoy.net/sixty-you-might-be-mom-facts/#.WGlUWhug_Dc

 

 

 

 

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publicado às 18:59

Isso.

por t2para4, em 30.12.16

Acho que se disser apenas "2016" dá para perceber. Senão, vejamos:

- crise dos refugiados

- atentados com fartura em quase todos os locais do mundo

- Aleppo

- Mediterrâneo

- Trump

- Brexit

- morte (e não falo só de celebridades, mas de anónimos, de amigos, de nascimentos que não aconteceram...)

- precaridade laboral (só o final de agosto é que trouxe alguma luz)

- um susto dos diabos que me impediu de trabalhar quase um mês

- redução de horas de terapia

 

E fico-me por aqui. Faço minhas estas belas palavras:

 

 

 

 

 

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publicado às 09:39

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