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Já não percebo nada...

por t2para4, em 16.07.16

...ou anda tudo doido ou há prioridades que, honestamente, ainda ninguém me apontou como lógicas?

 



Pensava eu que Pokemons era a cena com o Pikatchu e que eram peluches, desenhos animados, cromos e, quando muito, jogos de consola ou cenas assim. Agora, anda tudo de nariz enfiado num écrã a "apanhar pokemons" no meio da vida real e acham normal? Será possível que a evolução tenha chegado a este ponto?

De manhã, enquanto nos divirtíamos dentro de água, perguntava um fulano, que já tem mais que idade para ter juízo, "também se apanham pokemons aqui?"; num grupo de vendas vejo alguém - que também já deveria ter idade para ter juízo - a vender o seu iphone para comprar um android porque precisava - reforce-se o "precisava" - de apanhar pokemons; há videos de autênticas manadas de gente (sim, manadas!!!) a apanhar sei lá o quê em posições muito pouco humanas.



A sério? O mundo rebenta-se por todo o lado e esta gente fala-me em pokemons? Se eu disser que há um pokemon edição ultra rara super treinado no meio dentro do poço enlameado no meio de um terreno perdido com cobertura duvidosa de GPS o pessoal vai para lá? A sério? E se um tolinho qualquer decidir armar uma emboscada à séria, com o engodo dos pokemons super treinados, e matar meia dúzia, aproveitar orgãos para o mercado negro e coiso e tal, acham normal?

 

Não estou contra o jogo, até porque quem o criou foi um individuo com autismo, tem o meu respeito e admiração. O que me choca é esta febre, esta obsessão, este sujeitar-se a um perigo ridículo por causa de um jogo. Um jogo!!!! 

 

E, antes que me perguntem: não há cá pokemons para ninguém, lamento. Não estou para andar mais ocupada do que já ando atrás das minhas filhas, não estou para que se enfiem debaixo de um carro à procura de uma cena em realidade aumentada quando a realidade real é bem mais complicada de viver e de lidar. Há um tempo para tudo. Podem jogar, depois da febre passar e com reservas, com conta peso e medida, como tem acontecido até agora, com outros jogos; andarem a viver de jogos, com o pescoço curvado num tablet ou telemóvel por causa de obsessões, não obrigada. Já dei para o peditório das obsessões há muito tempo. 

Que me perdoem os mais sensiveis e saudosistas, mas, para mim, pokemons era lá nos inícios do ano 2000, não assim, às cegas e à tola.

 

 

 

 

 

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publicado às 23:25

(ou Behcet, já vi com as duas grafias).

 

Após 3 anos de crises intermitentes e de diagnósticos errados, depois de uma grave crise que durou 2 meses a passar, um médico muito conceituado de Coimbra, professor nos HUC e a exercer não só lá mas também no privado, foi quem diagnosticou Doença de Behçet (ou Síndroma de Behçet) à minha mãe (no privado, pois...). 

Os sintomas já sabemos e, uma pesquisa rápida no google, por exemplo aqui e aqui , mostra tudo e mais alguma coisa, incluindo os riscos aliados. Infelizmente, o que não mostra - para variar - são testemunhos na 1ª pessoa ou até na 3ª pessoa de quem tem que lidar com esta doença - não importa o grau.

Neste momento, o médico de família está a ter alguns problemas em aceitar o diagnóstico - embora eu nem perceba porquê - e, para ele, tudo se resume a aftas que passam em cerca de 3 a 4 semanas... A medicação receitada é um problema porque interfere com outra medicação para outros males e acertar nisto é uma dor de cabeça. Portanto, à falta de melhores tratamentos, ala para as urgências dos HUC. Uma médica estomatologista disse-nos que era muito comum este tipo de reação por parte dos colegas de clínica geral - e eu sem entender o porquê mas tudo bem - e que estes sintomas, por serem tão comuns, costumam ser desvalorizados e isso é que não pode ser pois pode levar a problemas extremos graves como a queda da dentição e até cegueira. Felizmente, apesar das dores e dos sintomas, o grau é considerado ligeiro e controlável, no entanto, quando há crises não sabemos (ainda) o que fazer, além da medicação diária para o efeito.

Quem nos lê: há alguém que possa partilhar connosco alguma coisa (pode ser por mensagem privada ou email)? Há alguma forma de aliviar as dores durante uma crise (sem ser com ibuprofeno)? Há alguma forma (ainda que falível) de evitar que uma crise possa surgir?

 

Agradeço desde já.

 

 

 

 

 

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publicado às 17:19

O momento ahhhhhh das piolhas #11

por t2para4, em 11.07.16

Hoje fomos visitar grutas: começámos na Gruta da Moeda e acabámos nas Grutas de Mira d'Aire. Como sabíamos que existem lagos e/ou pequenas poças para onde podemos atirar moedas, demos algumas moedas de centimos às piolhas para poderem atirá-las. Lá iam felizes com trocos nos bolsos.

Nas grutas de Mira d'Aire, decidiram atirar umas moedas logo no primeiro lago e guardar as restantes para os lagos finais. Apesar de ser uma visita guiada, havia alguma liberdade para nos adiantarmos ou atrasarmos no percurso para ver melhor o local e tirar fotos (desde que não demorássemos porque as luzes apagavam depois da passagem do grupo). Avançámos um pouco e pouco depois das primeiras grandes galerias, parámos para fotos e atirar moedas. Podemos ter muitos defeitos e falhas mas alguma coisa deveremos estar a fazer bem porque uma das piolhas pega na sua moedinha de cêntimo e, antes de a atirar para a água, diz:

"Que ajude todas as pessoas que precisam de ajuda." e ouviu-se o plop. Não será grande ajuda uma mísera moeda de 2 centimos mas só este desejo derreteu-me o coração...

Pouco depois, diz-nos o guia que o lago é artificial e é a nossa pequena e humilde Fonte de Trevi onde se diz que qualquer desejo, ainda que feito com uma moeda de insignificante valor, se concretiza sempre...

Vamos acreditar que sim...

 

 

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publicado às 20:36

Até um dia...

por t2para4, em 08.07.16

Foste embora sem marcarmos o nosso almoço e a nossa tarde de conversa, aquelas horas em que falaríamos dos nossos filhos e descascaríamos nas nossas sogras. Foste embora e não tivemos tempo para falar sequer.

Ainda não caiu a ficha, sabes? Parece que estou em loopings de "não acredito, deve ser um vírus no facebook, toda aquela gente a dizer disparates" com um "e agora? O que há agora?". 

Custa-me que, para a semana, não estejas cá para mais um aniversário de casamento. Nem para mais um aniversário do teu piolho, para o mês que vem. Nem para mais um ano letivo, para setembro. Mas, torcida como és e com o mau feitio que tens, acho que deves seguir-te pelas mesmas linhas que eu e arranjarás maneira de voltar para terminar tudo - afinal, tens dois filhos para criar! Eu bem sei que há muita coisa na agenda para terminar ainda. E entradas para a escolinha e novos anos letivos e apresentações de ginástica e até marchas populares! Perder tudo isso, está fora de questão!

 

O mundo, às vezes, é um bocadinho cruel... Soube esta manhã. Não consegui voltar a dormir, na esperança de que tivesse sido um mal.entendido. Depois, as horas passaram e tivemos que seguir com as nossas rotinas mas não parece natural, sabes? Tive que preencher códigos de escolas e, de cada vez que passava na tua localidade, pensava em ti e nos tempos idos e em tanto que ainda te faltava fazer e viver. E não é justo. Não percebo quem faz estas leis ou quem escolhe quem vai ou fica, que requisitos segue, não entendo... E o mundo nem sequer parou um bocadinho para que chorássemos e limpássemos as lágrimas, acreditas? Não parou um segundo...

Estamos todos muito tristes, até o marido que se finge forte e se recorre de máximas da vida, talvez porque doi. 

Estamos, apesar desta nova distância, contigo e com os teus. A torcer por ti e pelos teus. Com todo o amor e carinho que possas imaginar. 

 

Por isso, marca lá na tua agenda o tal almoço e a tal conversa maldizente de sogras para um dia. Nessa altura, colocaremos a conversa em dia e falaremos dos nossos filhos - e quiçá netos - e diremos mal de nós, que já seremos sogras. 

Até um dia, minha querida.

 

 

 

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publicado às 13:50

A respeito disto:

 

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/paracetamol-na-gravidez-aumenta-autismo-e-hiperatividade-diz-estudo.html

 

Tenho a dizer:

- existem demasiados outros estudos que atestam que o paracetamol é dos poucos medicamentos que quase (atente-se aqui, porque nunca há 100% de nada) não tem efeitos secundários e quase é seguro que a maioria das pessoas tome.

- a menos que vivamos uma tribo qualquer, há por aí algum xamã que me poss recomendar algo não químico e realmente eficaz que me baixe a febre das piolhas? Uma delas faz febres galopantes e nem sempre só o paracetamol a faz descer.

- que outras alternativas existem para, por exemplo, um bebé de 4 meses tome quando está com 40 º de febre?

- passei grande parte da gravidez internada ou de cama. A 1ª grande razão de um internamento foram as dores de cabeça, tão grandes e tão fortes e tão delibilantes que me punham a vomitar e a ter que usar óculos escuros dentro de casa. Eram dores tão fortes que, a certa altura, eu só desejava que a cabeça rebentasse de vez mas se descobrisse uma forma de salvar as minhas bebés. Foi assim desde as 10 semanas de gravidez. Só podia tomar... paracetamol e pouco mais. Tomei tantos que pensei que brincava dizendo que a 1ª palavra das minhas filhas iria ser "paracetamol", assim à séria. Mas, quer eu quer as piolhas, estamos aqui, vivas e saudáveis. Ainda bem que levei com o paracetamol.

- quase toda a gente toma paracetamol, homem ou mulher, adulto ou criança ou idoso, grávida ou não. A maioria das pessoas que toma não tem autismo. 

- há algum - unzinho apenas - medicamento/remédio/poção/mezinha 100% seguro e eficaz e natural e saudável e sem contraindicações? Até a água que bebemos tem contraindicações. Lá está.

 

Poderia continuar a desfiar motivos e razões mas honestamente isto... cansa-me. Eu até entendo que se procure uma causa e até percebo que haja uma relação entre causa-cura (ou seja, descobre-se a causa para se tentar descobrir a cura) mas incutir culpas a ABCDEFG e, com isso, influir uma culpabilidade absurda na cabeça dos pais deveria ser considerado criminoso. Até ao momento, ainda não li nenhum pseudo estudo que se preocupasse em realmente tentar chegar a uma causa sem culpabilizar ninguém. 

Em resposta a estudos anteriores: 

- tomei ácido fólico tarde, ás 7 semanas - quando descobri a gravidez

- não tomei ácido fólico a gravidez toda -parei às 20 semanas por indicação médica

- não há antecedentes genéticos marcados por a+b+c+d

- não sou prima do meu marido

- sou alta para o tipo de altura média da população portuguesa

- sou magra - magra!!!! - e nunca fui obesa nem estive jamais acima do peso

- não tomei antidepressivos nos anos anteriores, durante e posteriores à gravidez

- os meus níveis de vitaminas estiveram sempre ok e não sou fumadora - nunca fui

- vivo numa das zonas mais puras do país e não estou exposta a fatores de poluição ambiental

- o marido não é obeso nem magro demais nem tem diabetes nem hipertensão

- a velha temática - vacinas não causam autismo. E não levei nenhuma nem antes nem durante e só muito depois.

- e os laticinios também não... nem de legumes ou de frutas

 

 

Portanto, a menos que se descubra que a causa do autismo é mandar uma bem mandada, numa posição 3 para as 4 OU algo relacionado com sexo (já se sabe que o sexo é o pai de todos os males) OU voltamos ao mesmo, sexo (e aí, causa autismo, corrupção, quedas de governos, epilepsia, olhos azuis e até poluição marítima) lamento mas, para mim e para já, é tudo um monte de tretas. Poupem-me.

 

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publicado às 17:13

“104 dias que duram as férias”

por t2para4, em 30.06.16

 Ou o que fazemos durante este tempo todo que... são as férias grandes.

Como é expectável – e tendo em conta que ando o ano letivo inteiro a suspirar e a ansiar pelas férias grandes (se bem que, depois passo agosto e setembro a suspirar e a ansiar por uma colocação mas isso são outros quinhentos) -, nas nossas férias grandes fazemos tudo e não fazemos nada. Sim, temos momentos de seca e de monotonia mas ainda bem que os temos pois as piolhas têm de se aperceber que, muitas vezes, não há nada programado nem planeado e que apanhar umas secas faz parte da vida. Tal como deveriam fazer parte da vida momentos de nada, em que não há nada para fazer. Nos tempos em que tanto se apregoam “mindfulnesses”, não fazer nada só porque surja, não me parece mal.

 

Nas férias grandes, as piolhas têm desses momentos e momentos de agenda. Porque, apesar de férias, esses momentos de agenda são mesmo necessários.

No Verão, não há terapias. Pelo que, em casa, entre nós, temos que tentar colmatar – não substituir! – essa falha. O que nos impele em treino. Pode parecer muito animalesco falar deste modo mas, a verdade é que, há coisas que só se adquirem com treino (o que é o ABBA, senão treino?). Nesta fase, estamos em processamento de aquisição e consolidação de determinados conteúdos e até comportamentos. A conjugar com este processamento, temos também outras questões em mente.

E são eles:

- atravessar passadeiras sem ser pela nossa mão. Ainda temos muito trabalho a fazer aqui mas já conseguimos, em ruas de pouco movimento, que sejam elas a liderar o caminho, sem andarem pela nossa mão, nem sermos apenas nós a monitorizar a passadeira.

- andar pela rua sem ser de mão dada connosco – a menos que esteja muita gente ou muita confusão. Pouco a pouco, elas já começam a ir juntas sem precisarem de andar pela mão com um de nós. Obviamente que, por exemplo, quando subimos às muralhas de Óbidos ou fomos à feira afonsina em Guimarães, andaram connosco pela mão, quer por segurança quer porque sim (muita gente, muita confusão).

- autonomia às refeições/higiene. Outra batalha quase diária que se resume ao uso correto e adequado da faca. Ainda é uma complicação porque não seguram bem ou o garfo não está a picar corretamente ou ou ou ou... é um filme. 

O vestir/despir é feito com total autonomia e raramente há enganos mas o saber tomar banho sozinhas - ahahhahahahhahahah, tomara eu que lavem os dentes bem sozinhas - ainda não existe. Quer a questão do lavar os dentes sozinhas em condições quer o ensaboar o corpo sozinhas vai ser uma constante a treinar estes meses.

- saídas. Vão onde nós formos e ponto final. O maior problema é só sair de casa porque, uma vez dentro do carro, o humor e disposição delas muda e elas vão de boa vontade e com um sorriso. É só uma questão de preparação e de... ir.

- andar a pé. Ai que batalha mais inglória e injusta esta... Detestam andar a pé, inventam todas as desculpas e mais alguma para evitar andar a pé, perguntam sempre se podem levar o carro, enfim, um figurão. Para juntar a este gosto peculiar pela deslocação pedestre, as piolhas têm pouca resistência e fraco tónus muscular (o que se traduziu numa passagem muito tardia após um longo tempo entre piscinas...). O que fazem semanalmente nas sessões de motricidade ajudou um muitos aspetos mas não chega. Por isso, o que temos feito é sair, sempre que possível, a pé para uma voltinha de cerca de 2 ou 3 km, e, nas nossas saídas para mais longe, caminhar mesmo, fazer percursos, visitar áreas a pé. Porque, ao mesmo tempo que praticamos este aspeto, estamos, igualmente, a praticar o andar na rua, o atravessar passadeiras, etc. Ou seja, há uma série de atividades que vão complementar-se.

- consolidar conteúdos. A escola acabou mas não pode ter pausa total até setembro senão ninguém se lembrará de escrever palavras complicadas sem erros nem fazer uma mera conta de somar. Depois de 10 dias de absoluto nada relacionado com a escola e matéria, começámos a fazer pequenos trabalhos quase diários, que demorem no máximo 15 minutos a realizar. Começámos com uma fichinha de português, depois uma cópia, depois um ditado, depois umas perguntas de estudo do meio, três tabuadas escritas das duas maneiras, ler um livrinho. Algo rápido e que seja só com o intuito de rever e consolidar. 

- auxiliar nas tarefas domésticas. Fez migalhas? Varre para a pá. Já jantámos? Levantam a mesa e limpam os pratos. Pequenas tarefas deste género não são trabalho infantil nem escravatura (pior é pôr os putos a cozinhar e a mexer em fornos e fogões e chamarem-lhes de "chefes" de um qualquer programa de TV, serem criticados como adultos porque o arroz ficou empapado e acharem que enfardar pasteis de nata atrás uns dos outros não é compatível com a obesidade mas adiante que já estou a desviar-me do foco). Arrumar o quarto - e isso implica colocar os brinquedos nas devida scaixas e gavetas nas categorias a que pertencem -, preparar a roupa para vestir depois do banho, pôr ou levantar a mesa, arrumar a louça no lavaloiças, varrer migalhas para uma pá, limpar marcas de copos ou nódoas com um toalhete, fazer pequenos recados aos pais não matam ninguém. Se conseguem utilizar tecnologia de ponta sem ninguém as ensinar, também conseguirão perfeitamente pôr uma toalha na mesa ou arrumar as sapatilhas na sapateira que não requer arte nenhuma. Até porque, cá em casa, não há criados.

- experimentar coisas novas. No ano passado, experimentámos caracóis e foi um espetáculo vê-las a tirar o bicharoco com o palito e a comer. Gostámos muito e, este ano, vamos repetir. Hoje experimentaram comer salteado de pimentos. Não correu mal de todo. Temos arriscado viagens cada vez mais longas, que implicam sairmos de casa ao amanhecer e tem corrido bem. Ainda não arriscámos dormir fora ou passar uns dias sem vir a casa - num ambiente não familiar. Lá chegará a altura.

- proporcionar as melhores férias. Mesmo que isso implique apanhar secas. As melhores férias são, para mim, aquelas em que há momentos tão simples e tão bons que darão memórias fantásticas: picnics no chão da sala em dias de chuva, idas matinais ao rio com uma praia imensa só para nós, melgar a mãe de 5 em 5 minutos para ver se o verniz térmico mudou de cor para poderem ir à agua, lanches saborosos nos intervalos de banhos, pools parties (festas na banheira eehehheh) quando temos uma saída excecionalmente fantástica a nível de comportamento, marcas do bikini apesar das litradas de protetor solar que coloco. Acho que, olhando para trás, estas seriam memórias felizes... E isso inclui as secas que são impostas nos horários tecnológicos! Só se utilizam tablets ou computador cerca de 2h por dia (ou em viagem) e nem mais um minuto. Há muito mais para fazer nas férias do que ter o nariz enfiado num écrã.

 

 

O Verão, as férias grandes, os tais "104 dias que fazem as férias" são os nossos tempos de catarse, os nossos tempos de compensação. São os dias azuis do céu e do fundo da piscina, os dias esverdeados dos campos dos picnics e das água do mar ou do rio, são os dias tão luminosos que até nos obrigam a fechar os olhos, são as unhas pintadas de cores alegres e pindéricas - unhas das mãos e dos pés, num total de 60 unhas coloridas -, são calções e t-shirts e vestidos de tecidos confortáveis e esvoaçantes, são sestas e preguiças no sofá ou na areia, são programas de tv vazios de conteúdo e outros repletos de História, são comidas rápidas e saudáveis e leves, são amaciadores especiais para proteger o cabelo, são mimos do tempo, são coisas boas, são o recuperar de semanas e semanas de tanto tanto trabalho, são o estar em familia mais tempo... 

Precisamos destes momentos - ainda que isso implique "treinos" e outros trabalhos - para nós, para recuperar. E até me podem dizer que é muito tempo e e assim e assado. Nós fazemos esta gestão da melhor forma que podemos e conseguimos, por opção nossa. Mas, a par com as minhas filhas, também eu quero memórias boas e tempos felizes.

 

 

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publicado às 20:37

Cerca de 2 meses antes, o convite, onde a fotografia sorridente da mana do amigo Z. nos dizia: "Agora vou ser batizada e convido-vos para a minha festa". Duas palavras ressoaram na minha mente: me-do.

Aceitámos, claro, com a ressalva de que, caso não se sentissem bem ou começassem a ficar muito agitadas, poderíamos sair mais cedo. Não foi preciso.

Não planeei nada nem fiz sessões de preparação nem pedi ajuda a terapeutas; apenas segui a minha intuição e tentei usar um pouco o bom senso. E eis o que fiz:

- O 1º passo foi envolvê-las logo no assunto e mostrar-lhes o convite, avisá-las de que iríamos à cerimónia e à boda e que, depois seguiríamos para o restaurante. Expliquei que, por regra, depois de uma cerimónia do género, costumamos ir almoçar (muuuuuuito tarde) a um restaurante.

- Tentei explicar sucintamente o que é um batizado mas não correu bem... Uma piolha ainda perguntou qual foi a data do batizado delas mas elas não são batizadas. Como é tudo demasiado abstrato e baseado numa fé que não conhecemos como os outros - muito menos as piolhas -, optei por deixar em aberto e dar-lhes espaço para verem tudo em condições no próprio dia. Deixei assente a importância desta festa para os pais da C. e que a nossa amizade para com eles é importante a o ponto de, mesmo sem compreendermos, podermos partilhar esse momento de felicidade.

-  Envolvi as piolhas na escolha das roupas e calçado que iriam levar (porque o vestido em que pensei levarem ainda é demasiado grande e o estado do tempo não ajudou): não foi fácil encontrar algo prático e elegante ao mesmo tempo, que fique bem numa criança mas sem a infantilizar. Os vestidos eram demasiado caros e já não gosto assim tanto de as ver com vestidos frufrus e coisas desse género pois estão muito altas e fica estranho. T-shirts também me pareciam demasiado banais... Entre Primark, H&M, C&A e Lefties, foi nesta última que encontrei uns tops brancos em camadas, esvoaçantes, lindíssimos, a um bom preço e de que elas gostaram imenso. Combinaria os tops com umas calças de tecido que passaram este ano a corsários et voilà, fatiota completa.

O calçado foi escolhido por elas: são umas sabrinas douradas, com base elevada que acompanha todo o sapato. Faz lembrar o conforto de uma sapatilha com a elegância eo sentido prático de uma sabrina.

Acessórios: uma bandelete e um laço que já por cá andavam.

- As prendas para a amiguinha foram compradas tendo em conta a opinião delas. Escolhemos coisas lindas e práticas e as piolhas andavam felizes da vida com os sacos das prendinhas na mão.

- À medida que a data se aproximava e, tendo em conta que eu iria sozinha com elas porque o marido estava a trabalhar, formos reforçando a importância de ajustarem os seus comportamentos aos locais onde estavam. Mostrei-lhes igualmente os locais onde decorreriam a cerimónia e boda.

 - Na véspera, informei-as de que levaria os tablets um livrinho de mandalas e um caderno branco com canetas numa bolsa para uso único e exclusivo no restaurante entre tempos de espera dos pratos, ou seja, enquanto se comia não havia "tecnologias" nem papeis na mesa. Dei autorização para levarem 1 brinquedo pequeno cada uma (escolheram um ponei) com a mesma ressalva: enquanto se come, não há brinquedos na mesa.

- Usei a ameaça de que, em último caso, se o comportamento delas fosse o de um bebé, seria assim que seriam tratadas e, posto isto, o carrinho de gémeos bengala estaria pronto a ser usado (sim, elas ainda cabem lá dentro e não, não têm a força nem a destreza necessária para abrir os fechos de segurança para soltarem os cintos. E sim, eu seria maluca o suficiente para as levar num carrinho).

- Haveria um bónus, uma pool party na banheira com brinquedos à escolha, durante muito tempo, se tudo corresse bem, no mesmo dia da festa, mal chegássemos a casa.

 

 

Então, vamos aos resultados:

- a cerimónia foi curtinha mas as piolhas não entenderam os rituais nem o senta-levanta nem acharam piada nenhuma à benção com óleos (lá lhes disse que isso é só para quem vai ser batizado) e não perceberam o porquê de se dar tanta importância a um banho na cabeça. E disseram que não queriam ser batizadas porque podem tomar banho com champô em casa (obviamente que, quando estas noções mais abstratas forem mais fáceis de entender, lhes explicarei devidamente em que consiste o batismo e o porquê da sua ritualização). Estiveram perto da pia batismal e não perderam pitada mas não conseguem perceber o porquê de alguém querer fazer isto (expliquei muito brevemente que tem a ver com aquilo em que as pessoas acreditam e que é o que chamamos de "religião", o acreditar num deus ou em Jesus, por exemplo. Again, demasiado complexo). Estiveram com o padre no final mas não perceberam nada do que ele lhes disse, apesar da sua boa vontade (tentou meter-se com elas com uma piada entre choca de "choca aqui", choca de galinhas e choca sem travões. Elas estavam a olhar para o vazio...) mas foram muito cordiais e educadas. Conseguiram perfeitamente adequar o comportamento ao local - ao contrário de outras crianças que corriam pela igreja como se estivessem numa pista de atletismo - e até evitaram conversinhas.

- Adoraram a parte das fotografias no jardim e até tiveram direito a 5 minutos de photoshooting só para elas.

- como tínhamos comido uma sopa antes de sair de casa, no restaurante, aguentaram a espera à entrada sem grandes ansiedades, apesar de já terem os tablets na bolsa. Mas, como tinham à sua responsabilidade a entrega das prendas, estavam com o foco de atenção devido. Quando entrámos, escolhi um local na ponta da mesa, de modo a ficar no meio das duas, mais afastada dos naturais grupos de familiares e, após pestiscarmos algo (fiquei logo pasma pois comeram camarão, algo que costumam recusar), lá fomos intercalando momentos de tablet/pintura/desenho com refeições. Entre pratos principais, ainda brincaram um pouquinho com o seu amigo Z. e, quando voltaram para a mesa, fizeram uma nova amiga, a C. que veio pintar com elas e a quem uma das piolhas até ensinou a fazer a data.

Estiveram super reguladas, muito serenas e tranquilas, sem ansiedades - ao contrário de mim, que estava apavorada -, muito educadas, comeram tudo o que lhes pus no prato e nem sequer houve cenas loucas com águas e sumos (como há em casa, tipo, encher a barriga de água antes de comer) - e eu até descobri que gosto muito de vinho verde. Não quiseram sobremesas doces mas sim salada de fruta (!!!) e adoraram faer desenhos e pintar, pois logo se fartaram dos tablets.

Tive medo de esticar a corda pois acabara-se o tempo do "come" e chegara a hora das bebidas, pelo que, viemos embora. Despedimo-nos de todos e, muitas pessoas que as conhecem, deram-lhes os parabéns por terem estado tão bem. Eu própria mal acreditei. Juro que se não tivesse lá estado e visto, se fosse alguém a contar-me, eu acharia que me estavam a pregar uma white lie, uma mentira caridosa.

E o prometido é devido, mal chegámos a casa, toca a encher a banheira :)

 

 

Estou - ainda - extremamente orgulhosa do quanto alcançaram nesse dia, do quão fantásticas foram e estiveram e do imenso que mostraram. Tão orgulhosa, mesmo! Acho que todos merecemos palmadinhas nas costas, hey, go us!!!

 

 

 

 

 

(Depois disto, descompensaram logo no dia seguinte - já o esperava - mas, no dia a seguir, arrisquei mais um bocadinho - por necessidade - e ainda estiveram comigo numa reunião cerca de uns 40 minutos (amen to tablets and mandalas!!!) e andaram comigo a tratar de papeis e burocracias escolares. Um dia de cada vez e valorizemos o que corre bem!)

 

 

 

 

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publicado às 16:53

E o Óscar de melhor atriz vai para...

por t2para4, em 02.06.16

... mim!!

 

Sem guião nem peça nem ensaio nem ajuda cénica nem cenário fixo, por mero improviso, consegui - precisei... - de pegar no carro e conduzir pelo meio de um trânsito maluco, ir à farmácia aviar uma receita eletrónica (gosto, sem ironia), ir às compras e encontrar meio mundo que me conhece e decide meter conversa (eu percebo que não é por mal mas há dias que...), voltar para casa e almoçar, sair para ir buscar as piolhas, ir trabalhar, receber encarregados de educação, gerir papelada, ir buscar o jantar e encontrar o restante meio mundo e ter que entabular e conversar e regressar a casa, jantar, estudar para a ficha de amanhã por mais de uma hora e tratar das piolhas para uma noite de sono. Sorriso nº 0790946896, faixa nº 86876 da playlist "Bons costumes, boas maneiras e conversa em piloto automático" enquanto o cérebro grita "ahhhhhhhhh!!!!!".

Depois de ter lido os resultados da avaliação da escala de Ruth Griffiths.

E de continuar a odiar números e a perceber por que sou, sem dúvida, uma gaja de Letras.

 

ya ya blá blá blá mi mi mi whiskas saquetas é só uma avaliação e os números e coiso e bah e tal e a evolução e o trabalho e não se parece nada e os normais e assim e coiso e não é um cancro e não é uma deficiência física e assim.

Eu sei isso tudo, eu já li e ouvi isso tudo, eu até aceito isso tudo e sei que quem nos tenta animar é querido e carinhoso e não é por mal mas... aquele choque nunca passa. Mesmo quando penso "ah e tal, ca cena fixe, se eu pensar nisto tipo 'tenho 35 anos mas todos me dão 28, é fantástico ter um desfasamento etário! Eu até me sinto uma jovem de 20 e tais!'". Acho que, infelizmente, não deve funcionar bem assim quando tratamos da área neurosomething something dos nossos filhos... Por isso, a menos que um desfasamento de desenvolvimento de cerca de 2 anos (a contar pela altura da realização da avaliação) me possa dar borlas em entradas em monumentos, piscinas, parques e afins, sorrisos genuínos lá fora e boa disposição a potes não será coisa que a que se assista brevemente - exceto se e quando entrar em piloto automático e começar a representar para o mundo. E, como honestamente, em 11 anos de casamento já comprei serviços de copos e pratos que davam para 5 famílias e não me apetece gastar mais dinheiro nessa área doméstica, só me ocorre que, por muito que nos esforcemos, aquele -ismo, está sempre um bocado mais à frente do que nós e continua a provar que nos consegue roubar os filhos. Obrigadinha, pá. Um querido, portanto. É o ator frustrado que quer o papel principal numa peça que não foi escrita nem para si, nem sobre si, nem conta consigo; é o ator que não nos manda à merda antes da estreia porque espera substitui-nos na peça - como personagem principal.

 

E a escola, pá? A escola espera. Esse palco de atuação verá a adenda e errata ao guião ligeiramente mais tarde. Porque primeiro estou eu e os meus. E eu e os meus precisamos de tempo para nós, de (di)gerir as coisas, de reforçar apoios - em casa -, analisar onde há mais dificuldades para que posamos combatê-las. Quando isto já estiver sedimentado (tipo, rocha), a escola e restante equipa - o que nos inclui a nós - teremos mais do que tempo para retificar estratégias, atualizar documentação, agilizar processos. Preciso de 48h. É tempo suficiente para deixar a coisa kick in.

 

Posto isso, venha de lá o Óscar porque, aqui para nós, duvi-dê-ó que alguém tenha percebido o tumulto que para aqui vai. E que pode rebentar se mais alguém me diz que tenho um aspeto cansado... Sim, eu sei até porque tenho espelhos em casa. E maquilhagem.

Além disso, apesar das boas intenções, duvi-dê-ó que alguém imagine o que se sente - a menos que passe por isso.

 

Por esta ordem, sim? Cafeína - óscar- cafeína - um pouco mais de cafeína - tempo livre - ocupar a cabeça (palavras cruzadas ou ler ajuda). Cafeína. E a porra de umas aulas de representação ao estúpido do -ismo.

 

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