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Anjos da guarda

por t2para4, em 18.10.17

Temos mesmo alguém que olha por nós. Já não é a primeira vez que o sinto, por muitas coisas que, inexplicavelmente acabam por se resolver da melhor maneira mas, no fatídico dia 15 de outubro, tivemos mesmo a confirmação de que algo ou alguém olha por nós.


Meio país está a arder e a nossa localidade é um verdadeiro anel de fogo. Estamos cercados por todos os lados, todas as localidades vizinhas ardem, os fogos propagaram-se e uniram-se num inferno dantesco. O marido - que trabalha a 35 km, no distrito vizinho - sai de casa com a ideia de ir por Coimbra para seguir para Viseu. Não tinham passado sequer 5 minutos da sua saída quando ele telefona a pedir-me que, sem pânicos, preparasse tudo que iríamos para casa dos meus pais que estava em perigo. Os acessos estavam já todos cortados e não saía ninguém.
Com calma, lá meti num saco reutilizável - quem é que se lembra de malas e troleis numa altura destas - umas quantas peças de roupa, medicamentos, tablets para as piolhas ocuparem o tempo no caso de faltar a luz e evitar o pânico e carregadores de telemóvel. Lá seguimos para casa dos avós. Explicámos às piolhas que o fogo estava perto mas que iria correr tudo bem porque o vento estava contra o fogo e nós estaríamos em segurança. Em casa, fechámos todos os estoros (de alumínio), espalhámos as mangueiras e deixámos pás e enxadas à mão. Preparámos também velas e isqueiros e lanternas para o caso de corte de eletricidade. Repetimos vezes sem conta que todos os nossos terrenos estavam limpos e seguros. Metemos as piolhas dentro de casa com a avó, na segurança e no conforto da casa e viemos para a rua vigiar, aguardar e tentar perceber de que lado soprava o vento, para que lado se dirigia o fogo e viamos labaredas e bolas de fogo da altura de prédios a poucos km e não tínhamos forças nem palavras para descrever.

Entretanto, pelas redes sociais, íamos sabendo como estavam as correr as coisas nas aldeias e vilas vizinhas e estava tudo muito muito mau... Amigos a viver longe em total pânico e ansiedade porque havia fogo nos quintais das casas dos pais, familiares que passaram a noite em abrigos improvisados por não conseguirem regressar a casa, colegas que perderam casas e familaires ou conhecidos, pessoas com quem convivemos diariamente a perder toda uma vida de trabalho e em perigo... É indescritível... E a sensação de impotência é assombrosa.

 

Tentámos manter as rotinas mas era quase impossível. Ninguém jantou nada de jeito, as piolhas deitaram-se mais tarde e foi dificil adormecer porque estavam excitadíssimas e acabei por ter de avisar a diretora de turma da situação pois havia teste no dia seguinte. Até os gatos sabiam que algo estava errado e mantiveram-se sempre por perto, sem irem passear como habitualmente fazem. Quando elas conseguiram adormecer, as labaredas e as nuvens de fumo eram imensas e pareciam mais próximas. Não dormimos. Dormitámos no sofá e nas cadeiras da cozinha, vestidos e calçados, alerta a qualquer som. A aguardada chuva estava longe de cair. Pela madrugada, deu-nos a sensação de que o fogo recuara e subira para outras encostas. E foi assim mesmo, foi consumir por inteiro localidades vizinhas.

 

No meio de tanta espera angustiante, soubemos, nos intermeios dos cortes de rede de telecomunicações que o posto de trabalho do marido ardera. Não se sabia nada dos funcionários. Foi um pânico e uma aflição, por todos os motivos. Entre tentar ligar para as chefias - que estavam a caminho mas presas nas estradas entretanto cortadas - e para os colegas, não se conseguia saber de nada pois a rede ia e vinha e rede fixa já nem havia - e ainda não há. Poucas horas depois lá soubemos que todos os trabalhadores se tinham abrigado no local onde o marido trabalha e que essa estrutura resistira ao fogo, que estavam todos bem. Não há palavras para o alívio mas vem logo a apreensão e as perguntas "e agora?"... Mas, no entanto, havia algo que ainda nos dizia que, ainda assim grave, não seria tão grave como pensado. E não. Felizmente aquele local dá para reconstruir e todos esses postos de trabalho serão mantidos.


E, depois dos ânimos acalmarem, depois de um dia, uma noite e uma manhã de vigilância e alerta, caímos em nós e nem queremos acreditar que possa ser coincidência a estrada estar cortada naquele momento e obrigar o marido a regressar a casa, as labaredas que se viam nunca terem lançado projeções sobre os nossos pertences e a sala de trabalho do marido, a 35 km de distância, ter sido a única estrutura que resistiu ao fogo sem partir um único vidro ou derreter uma única parte, rodeada por fogo como esteve. Temos a certeza de que algo ou alguém olha por nós e nos protege, nos une e nos impele a estarmos juntos nestas adversidades e sobreviver às dificuldades.

 

Quanto às piolhas, a quem foi, desta vez, impossível de esconder as notícias e as imagens, não sabemos como explicar-lhes o que se passa porque nem nós sabemos. Não percebemos se elas terão entendido o alcance de tudo isto mas vêm os sinais: a devastação, o cheiro horrível a queimado por todo o lado, a bandeira a meia haste, as conversas de todos com todos, os telefonemas ansiosos que vamos fazendo (e recebendo) para amigos e conhecidos para saber como estão, os pais em casa porque os acessos para irem trabalhar estão cortados ou fechados. E elas perguntam se foi como em junho, igual a junho...
Os avós têm 63. Já passaram por incêndios de grandes dimensões e guardam memórias disso mas nunca viram algo da dimensao deste, nunca foi necessário ter tudo a postos para qualquer eventualidade, nunca rezaram por coisas simples como não haver corte de água ou luz e nunca nenhum de nós viu tamanha devastação.

 

Hoje regressamos ao trabalho e ainda não há comunicações. O caminho é todo feito em silêncio. Ainda se vê fumegar e, alguns postes de telefone, ainda ardem. São km e km a perder de vista em tons de castanho e preto. As copas das árvores assaram e secaram não do fogo em si mas do calor avassalador. O cheiro entranha-se em todo o lado. É triste e doloroso. Perdemos a nossa floresta, parte da nossa serra, os nossos paraísos.

 

Foi Pedrogão 4 meses depois, repetido e aumentado de forma exponencial. Não há explicação. Só devastação e dor.

 

 

 

 

 

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publicado às 11:03

Um marco, um cargo, uma responsabilidade

por t2para4, em 04.10.17

Uma das piolhas concorreu para delegada de turma; a outra não quis saber de "politiquices" e pôs-se ao fresco. durante dias, lá em casa, ouviu-se muitas vezes a expressão "eleições" e "delegado de turma".

Antecipando-me, talvez erradamente, ao que são os miúdos numa sala de aula e às suas preferências eleitorais - leia-se, o melhor amigo ou o amigo mais fixe ou aquele mais cool da turma -, fui avisando a piolha que, se não ganhasse, para não ficar triste nem desiludida, que ser delegado de turma era uma grande responsabilidade e uma carga de trabalhos, que eu já tinha tido essa experiência e tive muitas coisas para fazer, etc. Na verdade, o que eu queria mesmo era que, saídos os resultados da votação, ela não estranhasse se algo não corresse tão bem.

Não sabia que havia "campanha" para fazerem. As piolhas não disseram nada e a diretora de turma também não. Foi um choque para mim - juro que até me tirou o sono - quando a piolha disse que tinha feito um discurso... Imaginei logo uma coisa à Sheldon ou à Raj da "Teoria do Big Bang" - ou seja, algo descontextualizado, muito no seu universo de entendimento, com todos os interlocutores de boca aberta a tentar perceber dali o sentido, vá, vejam dois ou três episódios da série e perceberão o que quero dizer. Ela estava tão otimista e contente e interessada e lisonjeada com a sua forma de chegar aos colegas que não me atrevi a dizer nada, apenas um "podíamos ter preparado um powerpoint ou um cartaz, com os teus colegas". Não faço ideia do teor do discurso.

Hoje contou-me, toda feliz - e a irmã também, já que lhe tinha garantido o voto - que não ganhara a eleição de delegada de turma mas ficara com o cargo de sub-delegada. Depois de a parabenizar, lá lhe disse que teria agora mais responsabilidades e que seria uma espécie de assistente da delegada de turma. O seu discurso algum efeito provocou na turma e alguma confiança inspirou. 

 

A minha partilha deste momento só tem a ver com o nível de desenvolvimento que ela conseguiu alcançar com este feito: não teve qualquer vergonha em improvisar um discurso em frente a uma audiência - ainda que aposte que não tenha feito contacto ocular ou mantido fiel a uma linha condutora de pensamento -, lutou por algo que gostaria de conseguir ter, reagiu bem à derrota e assumiu uma nova responsabilidade. Como será depois, logo se verá e se organizará. Este é um marco  - milestone, em inglês - que nunca pensei que alcançassem e vale o que vale mas, pela primeira vez, vejo uma das piolhas a ser escolhida em relação a outros pares e a ser encarada como uma semelhante - ainda que continue a manifestar falhas nas suas competências sociais, ainda que, por vezes, se alheie e se manifeste de forma "estranha" aos olhos de terceiros, ainda que as suas competências linguísticas e a sua compreensão da linguagem sejam um problema. Ela ousou e conseguiu.

E isto é priceless.

 

 

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publicado às 14:28

Dos meus direitos...

por t2para4, em 01.10.17

... aos meus deveres.

 

Vou votar e não farei parte dos números da abstenção. O meu voto só a mim me diz respeito. Faço-o, mais do que para escolher um representante, para exercer o meu direito ao voto e mostrá-lo às piolhas. Foi muito difícil para as mulheres - e tardio - conseguirem o direito de voto. E, à luz de novas ideologias e campanhas que considero perigosas, hoje autocarros com secções para mulheres e homens, amanhã a proibição de votar - porque, afinal, é para nosso bem. 

Não concordo e jamais poderia deixar de transmitir essa noção e esse valor às minhas filhas. Vou exercer o meu direito e aplicar o meu dever. E, assim, mostrar às minhas filhas que, apesra das ideias retrógradas de algumas pessoas, estamos num país democrático, onde há direitos básicos que são cumpridos e deveres que não nos custa nada cumprir. 

Hoje voto por elas. 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:58

Das aulas de bateria...

por t2para4, em 27.09.17

... à nossa noção de música, quase ali a roçar a musicoterapia mas sem entrar nesse ramo.

 

Vamos por partes. Musicoterapia é muito muito mais do que o uso da música por um professor de música. É algo muito para além disso. Não vou dissertar com definições da minha parte porque prefiro deixar isso para os profissionais. Vamos do geral ao particular, pelas palavras de Benzenon e Nordoff Robbins, que, além de musicoterapeutas, dão o nome a centros de musicoterapia, cujos domínios me foram apresentados pelo musicoterapeuta Tozé Novais, de quem ja falei anteriormente e com quem estive na palestra sobre o autismo em abril de 2016.

 

De acordo com a World Federation of Music Therapy, a Musicoterapia é a utilização da música e/ou de seus elementos constituintes como o ritmo, melodia e harmonia, por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento.” (Portugal Místico, 2016)

 

A musicoterapia é uma psicoterapia que utiliza o som, a música e os instrumentos corporo-sonoro-musicais para estabelecer uma relação entre musicoterapeuta e paciente ou grupos de pacientes, permitindo através dela melhorar a qualidade de vida, recuperando e reabilitando o paciente para a sociedade
(Benenzon, 2011)

 

"We all have experiences of being engaged in music – even if it is only by tapping our foot to a song on the radio, or singing in the shower. Most of us don’t need any help to access the opportunities music offers for socialising, communication, expression or just plain joy. But people who have the most need for these experiences often need skilled help in accessing musical opportunities moment-by-moment and in being able to make use of them. That’s what Nordoff Robbins music therapists are there to do: they are skilled musicians who have a thorough understanding of the challenges faced by the people they work with and work hard to make music's opportunities available in ways which are accessible but also impact on people's lives more generally. This happens via engagement in shared music making, whether this is done improvisationally, making use of music people already know, creating new music together, or working towards some kind of performance."
(nordoff robbins centre)

 

 

As piolhas não frequentam um centro de musicoterapia nem nunca fizeram ou tiveram alguma sessão. Mas as piolhas estão ligadas à música de forma quase terapeutica na aprendizagem do instrumento que escolheram. As piolhas escolheram aprender bateria. Ambas fizeram-nos o pedido em novembro de 2016 e quer eu quer o pai achámos que seria por imitação da Pinkie Pie, a equestria girl baterista que lança confetis de um dos tambores... Pedimos a um dos nossos amigos, professor de música, que tocasse para elas, sem poupar nos efeitos sonoros e elas, de olhos fechados, ouviram tudo até ao final e voltaram a repetir que queriam aprender a tocar bateria. Nós, incrédulos e a achar tudo muito rápido, deixámos passar uns meses e o desejo manteve-se. Tratámos da inscrição, então, e a primeira aula foi logo um sucesso retumbante.

 

Para quem não sabe, uma bateria é composta por pratos, tambores e pedais (sim, pedais...). E podem ser assim distribuídos:

 

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 via 

 

Este é o modelo que as piolhas tocam.

 

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Por regra, não assistimos às aulas delas mas conseguimos ouvi-las tocar enquanto esperamos. Vai uma de cada vez e, às vezes, podemos assistir a pequenos bocadinhos da aula. A minha surpresa veio logo nas primeiras aulas ao aprender que tocam de braços cruzados, ou seja, com as baquetas (comprámos umas profissionais, tamanho 7, na Fnac) em cruz e que o tal pedal que me supreendeu ainda mais também é parte constituinte do instrumento e é para ser usado. Pensei que seria uma grande confusão mas não é. Elas adoram aprender bateria, têm imenso jeito, são habilidosas e deram-se rapidamente com a minha confusão do baquetas cruzadas-pé no pedal.

Agora pensemos fora da caixa: para que serve, para além de aprender música? Faço já uma lista: aprender a comunicar, trabalhar a sensibilidade musical e o ouvido, apurar o distinção de sons, trabalhar a motricidade, trabalhar a coordenação motora, aprender a ler uma pauta, improvisar, trabalhar o ritmo, expressarem-se melhor e com mais naturalidade.... São tantas tantas as vantagens que poderia alongar-me mais um pouco mas já deu para perceber a ideia, certo?

 

O que fazemos não é musicoterapia mas funciona como uma terapia. Temos notado pequenas melhorias a nível da coordenação motora e a nível da expressão. E temos visto o quão felizes estão no dia em que têm aula de bateria. Enquanto uma piolha espera pela sua vez, porque a mana já está na aula, só se ouve dizer que o tempo passa muito devagar e ela quer ir logo para a aula. E tocam as covers das músicas das suas bandas favoritas, felizes da vida, nos momentos de relax e improviso. Um dia destes tenho de enviar uma gravação aos Maroon 5 :D    Por 90 minutos (45 + 45), esquecemos o autismo e apercebemo-nos que temos ali duas crianças que estão a aprender música, como tantas outras daquele instituto, sem que precisem de perceber e sem que nós precisemos de relembrar que trabalhamos todo um outro leque de competências.

 

E quanto ao facto de serem meninas a aprender bateria acho que a piada está aí mesmo. Se é para sermos diferentes, vamos ser diferentes. Apesar de vermos cada vez mais meninas a optar por este instrumento, ainda não se veem muitas. É pena pois há aqui um potencial fantástico e uma boa bateria faz toda a diferença numa música, em qualquer estilo.

 

Só lamento que o ensino de música no 2º ciclo seja a flauta. Duvido que alguma vez venham a aprender a tocar o Hino da Alegria, de forma afinada e com os dedos a tapar os buraquinhos todos... Se fosse em bateria... ;)

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:54

E, eis que começa...

por t2para4, em 25.09.17

... back to school and all hell breaks loose...

 

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publicado às 20:55

Entrada para o 2º ciclo

por t2para4, em 25.09.17

Volvidas duas semanas depois deste enorme marco, já dá para ter uma ideia do como foi e fazer um pequeno balanço.

A nossa preparação foi menor do que a que tivemos com a entrada no 1º ciclo, em grande parte porque toda a documentação já estava tratada, e em pequena parte porque as piolhas estão mais crescidas e não iriam mudar de escola. Eis o que tivemos em conta:

 

- Manuais e materiais

Todo o processo de encomenda de manuais, receção dos mesmos, escolha e compra de mochilas novas, compra dos materiais necessários para as disciplinas em geral e Educação Visual em particular, foi feito com as piolhas. Escolhemos mochilas de alças que estão bem ajustadas às costas (dei um nó na fita, na base onde se regula o tamanho das alças) porque os troleis não eram nada de jeito e porque elas assim pediram. As mochilas são largas, ou seja, com o volume dos livros e lanches, ela "estica" para a frente em vez de descair e obrigara a que forcemos os fechos para a fechar. Para as aulas de Ed. Física, levam as mochilas que costumam levar para a piscina, com o equipamento e guardam no cacifo.

Em vez de dossier com folhas soltas e argolas, optei por cadernos pretos que forrei com etiquetas de bookscrapping. Já imaginava o caos de folhas soltas e argolas estragadas e nem pensar passar por isso. Portanto, cadernos simples, dos agrafados e não dos de espiral, e um por disciplina.

Para arrumar o cartão, o telemóvel (fica para outro post), toalhetes íntimos e lenços de papel, horário e chave do cacifo, comprámos, à escolha delas, umas bolsas a tiracolo, giras e baratas, na Primark. 

 

- Cartão

As piolhas já estão numa escola que usa cartão desde sempre, por isso, desde que a frequentam que sabem utilizar o cartão e eu sou super fã. Só peca por não ter uma referência de carregamento online que me permita carregar com dinheiro também à distância. Através da plataforma https://www.giae.pt/cgi-bin/WebGiae.exe/mapa?codDistrito=11 , conseguimos, com código e password, ter acesso a todos - todos mesmo - os movimentos do cartão bem como consultar outro tipo de informações como refeições, ementas, gastos no bar e em quê, horas de entrada e saída, etc.

Claro que, ao longo destes 4 anos, já tive que comprar 2 segundas vias e pagar 5 euros por cada e pagar os devidos 0, 50 cêntimos pela utilização de um cartão provisõrio. Mas é um descanso não haver dinheiros envolvidos na forma física.

Por serem meninas, temos a vida facilitada pois trazem o cartão numa carteirinha a tira-colo.

 

- Cacifo

Por cá, a reserva de cacifos funciona muito bem. Uma das funcionárias faz o levantamento de todos os alunos daquele cuclo e atribui um por cada aluno, com a possibilidade de irmãos ou amigos poderem partilhar o mesmo cacifo. Não há custos envolvidos. O cacifo atribuído às piolhas fica no mesmo bloco onde têm aulas, pelo que, é muito prático. O único senão é o tamanho incrivelmente reduzido da chave. A primeira coisa que fiz foi mandar fazer 2 cópias e manter a chave original (temos, portanto, 3 chaves) e comprar um porta-chaves que se encontre com facilidade na carteirinha que usam.

 

- Documentação

O PEI (PLano Educativo Individual) já está na escola desde a sua realização e só carece de atualização que pode acontecer em junho do ano a terminar ou em setembro do ano a iniciar.

 

- Ação Social

Funciona de acordo com os escalões do abono e compreende oferta de manuais, transportes, refeições e material escolar em poroprção com que o for atribuído. Por exemplo, o 3º escalão do abono, o mais comum, receber apoio para compra de manuais apenas. Deve entregar-se a fatura dos manuais na secretaria da sede de agrupamento.

 

E como foram estas duas semanas?

Bem, não foram nada más. As piolhas adaptaram-se melhor e mais depressa do que eu à ideia (e do que eu com a idade delas no meu 5º ano) e estão sempre muito bem-dispostas. Sabem o que fazer em caso de furo (falta de um professor) e aproveitam as horas de Apoio ao Estudo para realmente estudar e fazer TPC. Usam e abusam do cacifo com a finalidade que lhe é devida e não têm qualquer problema nas aulas de ED. Física, embora, às vezes, quando as vou buscar as encontre com as sapatilhas do pavilhão nos pés ou as calças que não foram trocadas mas, de resto, já perceberam a questão prática da coisa. Algo que não mudou em 30 anos foi o sistema de aquecimento da água... As piolhas tomam duche se houver água quente ou limpam-se com a toalha se só houver água fria. Não lavam o cabelo na escola. Por vários motivos: ainda estamos a treinar isso, não as quero encharcadas todo o dia, não quero cabeça molhada com cabelos e roupa a pingar durante horas... Não deve trazer saúde nenhuma. 

Os primeiros testes já foram marcados e até temos uma folha-calendário no frigorífico. O contacto com a Diretora de Turma tem sido adequado e todas as minhas dúvidas acerca do apoio de Ed. Especial e da tarefeira respondidas. Ainda estamos em fase de adaptação e conhecimento das pessoas e das capacidades das piolhas pelo que ainda parece tudo um pouco etéreo. Mas o mais importante é elas estarem a gostar e estarem a adaptar-se muito bem.

 

O "problema" das horas de saída e tardes livres resolveu-se com coordenação entre nós pais e a minha irmã, já quem no 2º ciclo, naquela escola, não há serviço de ATL. Consigo ter horário para quase todos os dias as poder ir buscar e levar sem que fiquem tempo extra na escola à espera, sem fazer nada. Claro que tive aqui o meu anjinho da guarda a ajudar-me com o meu horário oficial e os meus miolos a elaborar o meu horário da minha atividade paralela, sempre com o das piolhas por base.

 

All in all, tudo está bem e espero que assim se mantenha. Estamos felizes e é o que interessa.

 

 

 

 

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publicado às 09:46

Tagarelice #55

por t2para4, em 14.09.17

Ainda agora começou a escola, só agora começaram o 2º ciclo com o inglês como língua principal e uma das piolhas já dizia, ao subir as escadas para casa:

"Tenho de começar a ver a Candice Renoir (e parece o polícia do Alô Alô a dizer o "rr") para aprender a falar francês para o 7º ano"

 

Haja gosto pela escola :) e motivação! Acho que ainda nos vamos divertir imenso com a aprendizagem do francês (que virá a seu tempo, quando elas quiserem).

 

 

 

 

 

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publicado às 23:42

Vacinas - como nos preparámos

por t2para4, em 29.08.17

Aqui pelo T2 todos nos vacinamos, até os gatos. O que pretendo com este post não é nenhuma discussão pró ou anti vacinação, mas sim, o que nós fizemos até ao dia de hoje, dia em que as piolhas levaram a vacina anti-tétano, que preparação foi feita para que tudo corresse bem ou com o menor imprevisto possível. Assim sendo, comentários extremistas ou fundamentalistas sobre vacinas e insultos não são bem-vindos e serão apagados.

Relembro: este post não é sobre a minha opinião acerca das vacinas

 

Os nossos gatos, Quico e Silvestre, são vacinados todos os anos. E foi por aí que comecei: marquei a consulta + vacinação dos gatos com as piolhas e, no dia marcado, foram elas que os levaram ao veterinário, à vacina. Viram todo o processo, viram que o Quico não se queixou mas o Silvestre já fez um miau sofrido e aproveitei para lhes dizer, logo ali, que este verão, também elas, na consulta dos 10 anos, teriam de levar uma vacina. E que, tal comos gatos, pode doer um bocadinho mas nem se queixarem...

Em casa, aproveitei e expliquei que a vacinação é um processo que faz parte do nosso crescimento e desenvolvimento, desde o nascimento e que a grande marca qe têm nos braços esquerdos são provenientes de uma vacina que levaram com pouquíssimos dias de vida. As vacinas contêm substâncias que ajudam o nosso corpo a precaver-se, a combater ou até a imunizar-se contra determinadas doenças que sem a ajuda da vacina podem ser mortais. Posto isto e que elas entenderam, fomos juntas marcar a consulta. A consulta ficou agendada para daí a um mês e meio. Deu tempo mais do que suficiente para se mentalizarem.

Não menti nunca acerca do processo de vacinação. Disse-lhes que doía mas que, por exemplo, as urtigas com que se picaram na serra ou uma afta na ponta da língua doem mais. Disse-lhes também que, depois de levarem a vacina, iríamos fazer gelos por várias vezes para atuar como anti-inflamatório e que era normal terem uma sensação de dorido. E, disse-lhes ainda que para ajudar a minimizar a dor, tomariam um paracetamol antes de sairmos de casa - que, depois, percebi que deve ser feito depois... Vá-se lá entender... É como o deitar os recém-nascidos, mudam as posições todos os anos.

Juntas, na véspera, fomos ao centro de saúde e pedi para falar com a enfermeira de família e explicar que, uma vez que têm autismo e não faço ideia do que nos espera - o mais certo seria um meltdown ou um grito dos de partir vidros -, o ideal será chegar e vacinar sem grandes explicações nem preâmbulos nem prolongamentos de ansiedades. E que queria apenas, hoje, vacinar contra o tetano e deixar a do cancro do colo do útero para mais tarde - exatamente por não saber qual a reação. Combinadíssimo.

 

Então, hoje, em casa, a minha piolha mais sensorial a nível visual-estomacal (que é como diz, mais sensível de sabores e de vómito fácil), conseguiu, pela 1ª vez tomar um benorun (cápsula pois não se desfaz em grânulos e não tem sabor)! Foi uma festa cá em casa!!!! 1ª conquista!

E, depois de um passeio pela localidade e de um lanchinho na pastelaria, lá estávamos nós à espera da consulta. As piolhas ainda encontraram uma monitora do ATL e ajudou a quebrar a tensão. Chamadas para a enfermagem, a consulta foi igual à do Hospital Pediátrico: pesagem (30kg) e medição (1,38m), medição da tensão arterial (uma novidade das excelentes pois já não há gritos nem fugas  nem pânicos - valores baixinhos mas a sentirem-se bem, 9/5), verificação da dentição, as habituais perguntas acerca da alimentação e desenvolvimento. E as piolhas - nervosas e ansiosas - não se calaram um segundo que fosse, a falar de tudo e de nada, a falar a falar a falar a falar e deu-se a vacina e elas a falar a falar a falar a falar a falar e coloca-se o penso (uma das piolhas ficou feliz até à pontinha do nariz pois adora colar pensos até nas nódoas negras) e elas a falar a falar a falar. Esperámos um pouco para verificar se não havia reações adversas enquanto se preenchiam os caderninhos e a informação no sistema e elas a falar a falar a falar a falar...

E foi assim. Se a alta tolerância à dor - cortesia do nosso amigo autismo - foi aquilo que fez com que isto funcionasse tão bem, agradeço pois eu recordo-me bem do quanto aquilo dói...

 

Dali para a consulta onde falaram e falaram e falaram e falaram e viram o calendário da mesa do médico como se nunca tivessem visto um calendário na vida e falaram e falaram e falarm e fizemos a avaliação clínica e falaram mais um pouco e nós todos maravilhados. 

 

Hoje estou em mim de contente, a rebentar de orgulho, só me apetece falar disto e do bem que correu e do espetáculo de comportamento delas. Tão bom que deixámos a próxima vacina já marcada para as férias do Natal. 

No entretanto, já fizemos gelo e correu maravilhosamente, nem querem a minha ajuda. Relembram quando precisam de colocar gelo e vão dando feedback. Uma queixou-se que doía um pouco e pediu gelo, a outra está na boa.

 

Acho que, depois de termos viajado ao estrangeiro (algo que eu nunca pensei que viesse a acontecer e que foi o grande marco de desenvolvimento que atingimos - fica para outro post), o dia de hoje e o alcançado hoje está no TOP 3, empatado, no mesmo lugar.

Uma pequena dança da vitória para terminar :D

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:29

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