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Conversa com uma profissional da educação que estava a fazer um calendário diário em velcro (adorei a ideia) (ver aqui) para a criança com quem trabalha: 

 

t2para4 - que  boa ideia!

ela - conhece?

t2para4 - sim, as minhas filhas têm um igual e funciona muito bem porque as estrutura.

ela - mas porquê? De onde conhece?

t2para4 - elas são autistas, com PEA, mais especificamente.

ela - as duas? (ar de qualquer coisa estranha, com sobranclha arqueada)

t2para4 - sim, são gémeas monozigóticas, daí o duplo diagnóstico.

ela -ah que engraçado!

 

(ah que engraçado! QUE ENGRAÇADO?! Onde está a graça???? Realmente é de rebolar a rir...)

 

ela - sabe, adoro trabalhar com crianças autistas. Principalmente as de alto funcionamento. As suas são assim? Temos aqui um autista mas de baixo funcionamento. Não faz nada e agora até está muito melhor mas é complicado... 

 

(e continuou a falar dele mas nem me dava a oportunidade de retorquir. Agora percebi o porquê de nunca me deixarem trabalhar com este menino e ele nunca estar na minha sala. Mas isso vai mudar. Isso é descriminação. Lamento muito mas isso incomoda-me mais que piolhos)

 

t2para4 - não gosto do termo alto/baixo funcionamento ou funcionalismo.

 

A conversa ficou por ali e, na altura, nem liguei muito a isto a não ser ao "ah que engraçado" que me ficou encravado. Mas o que é isto? Surreal no mínimo. Nem sei o que dizer. Não há sensibilidade no que se diz nem como se diz, fala-se abertamente da má-integração de uma criança como se fosse uma coisa natural e fazem-me surgir monstros na cabeça. 

Para já, vou averiguar discretamente o que se passa e por que razão aquela criança não está comigo. Se isso passar pela estruturação da sua rotina, entendo e aceito; se não está porque dá trabalho, não aceito e deem-me a oportunidade de também trabalhar com ela.

 

As escolhas que fazemos em nome dos nossos filhos passam por aqui. Só agradeço ter feito, até ao moemnto, as corretas e as minhas piolhas terem quem as ame incondicionalmente em casa e na escola, estarem integradas e haver quem faça por isso. Porque, meus amigos, comprar uma guerra comigo ou com o marido (principalmente com ele) não é uma coisa inteligente de se fazer. Não quando somos pais de crianças com necessidades educativas de caráter permanente nem quando eu sei como funcionam os meandros do sistema de educação. Não brinquem com as minhas filhas.

 

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Talking with an education professional who was doing a daily calendar with velcro (loved the idea) (see it here) to the child she works with:
t2para4 - what a good idea!
she - Are you familiar with it?
t2para4 - yes, my daughters have one alike and it works really well because it structures them.
she - but why) From where do you know it?
t2para4 - they are autistic, with ASD.
she - both of them? (looks of anything weird is going on and arched eyebrow)
t2para4 - yes, they are monozygotic twins, hence the double diagnosis.
she - ah, so funny!
(ah so funny! SO FUNNY?! Where is the fun? It really feels like rolling over and laugh...)
she - you know, I love to work with autistic children. Specially high fonctional. Are yours like this? We have an autistic boy here but he is low fonctinalism. He doesn't do anything and now he is much better but it is still complicated...
(and kept talking but without the chance to answer back. Now I realised why I never got the chance to work with that boy and he is never allowed into my room. But that's about to change. That is descrimination. I'm sorry but that bothers me more than lices)
t2para4 - I don't like the terms high/low fonctionalism.
We stopped talking and, at the time, I didn't pay much attention to the rest except the "ah so funny" that got stuck in my head. But what is this? At least, surreal. I don''t even know what to say. There is no sensivity on what is said nor how it is said, one talks openly about the bad integration of a child as if this is a natural thing and monsters in my head pop up.
For now, I will quietly verify what is going on and why that boy is not with me. If it has anything to do with structuring his routine, I understand it and accept it; if not because he implies a lot of work, I don't accept it and I want the opportunity to work with that child too.
The choices we make in behalf of our children go through this. I can only thank the fact, until now, I did the right choices and my little girls have people around them who love them incondicionaly at home and at school, they are integrated and there are people who work for it. Because, my friends, buying a war with me or my husband (specially my husband) is not a clever thing to do. Not when we are parents of children with permanent special needs nor when I know how the insides of our educational system work. Don't mess with my daughters.

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publicado às 19:38

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