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Escarlatina

por t2para4, em 13.01.12

Como foi o meu dia hoje? You tell me:

 

As piolhas até acordam bem dispostas mas noto logo que uma delas está com a cara às manchas e os olhos inchados. Não bebe o leite e faz uns trejeitos estranhos como se estivesse com dores de garganta mas diz que não lhe doi. Decidi levar a irmã ao infantário e aquela piolha o médico. Choramingou a dizer que queria ir à escola... Assim foi.

Antes de ir ao médico, visto estar em jejum porque já tinha marcado para ir fazer colheita de sangue para análises, lá fui tratar disso e levei-a comigo, claro. Percebeu logo o que estava para acontecer e, lembrando-se da recolha para os testes genéticos, chorou e resmungou e chorou e chorou e chorou enquanto me tiravam sangue. Uma das rececionistas ainda sugeriu que ficasse na sala de espera mas aí juntar-se-iam o pânico de estar sem a mãe com o fugir. Esteve ao colo de uma técnica a receber mimos de imensa gente. E em 5 minutos estavamos de saída. 

Fomos ao médico e, mais uma vez, aquele senhor parecia que estava a fazer alguma videoconferência. A piolha não gosta dele (nem eu!) e, como habitualmente, mal o viu, desata numa gritaria. Ora, o senhor, como bom profissional que é faz o quê? Dá a consulta a 10 metros de distância e nem se dá ao trabalho de verificar febre, ver a garganta, fazer exame físico, tocar-lhe. Faz isto desde que lhe disse que eram autistas. Alguém deveria dizer àquele senhor que o autismo não se pega... Saí de lá com um diagnóstico mal amanhado de "alergia virosal", sem saber se se pegava, se podia ir à escola, etc. Receitou um antihistamínico e saí capaz de o matar. Fui à farmácia e pedi uma opinião. O farmacêutico recomendou seguir as indicações mas, caso houvesse febre ou os sintomas não desaparecessem, ir logo para Coimbra. Ok, dei-lhe logo uma colher do xarope e deixei-a no infantário.

 

Motivação para trabalhar? Zero. Vontade? Menos de zero. Ânimo? Números negativos. Mas lá fui, com o meu sorriso postiço número 3. Coloquei um colega de sobreaviso para o caso de ter que me substituir bem como a educadora de infância com quem iria trabalhar. E, eu sabia!!!, o telemovel tocou e a educadora das piolhas diz-me que a piolha está com febre. Indiquei que medicasse, fui buscá-la e ala para o Hospital Pediátrico de Coimbra.

Esperei cerca de 1h30, depois da triagem, onde expliquei o que se passara hoje de manhã, deixei a indicação da medicação tomada (incluindo risperidona) e a correção de que não era hiperativa mas sim desvio do espectro autista. A enfermeira tomou notas no documento de entrada, quis medir o nível de oxigénio no sangue mas a piolha gritou tanto que ia mandando a sala abaixo, decidiu que quem grita assim não tem dificuldade em respirar e mandou-nos aguardar.

Quando a pediatra chamou, a piolha dormia. Chegámos ao gabinete e recomeçou a gritaria e eu, com as minhas calmas, já habituada a estas reações, lá tentava convencê-la a deixar que se aproximassem. Com tanta gritaria acaba por vomitar (sujou-se, sujou-me, sujou o chão...) e a pediatra diz "Ela é sempre assim quando vai ao médico?", com um ar muito do género "se fosse minha filha...". E eu, já a vê-la através de um buraco preto, lá lhe respondo "sim, sabe?, ela é autista." Silêncio e uma mudança de atitude como da noite para o dia. Parou logo com a má vontade e lá colaborou comigo para lhe puder ver a garganta. E se ela se tivesse dado ao trabalho de ler a merd@ da folha que a enfermeira escreveu????

O diagnóstico, desta vez, estava correto: escarlatina. Vai tomar antibiótico durante uma semana, não poderá sair de casa durante 2 dias devido ao risco de contágio (abençoado fim de semana!) e dar paracetamol para a febre. Devo notar melhorias já a partir de amanhã.

 

Enquanto tratava da minha filha, ainda tive que reagendar o trabalho que não faria hoje, alertar o meu colega que iria faltar, avisar quem de dirieto sobre a minha ausência ao serviço, lidar com uma situação muito desagradável num dos meus locais de trabalho, decidir se mandava uma colega à merd@ por causa de uma situação que ela própria criou e da qual não teve coragem de me falar cara a cara (acabei por atribuir-lhe desprez; isso doi-lhe mais do que responder-lhe) de que se queixa agora querendo arrastar toda a gente com ela e descortinar como diabo iria eu comparecer a uma reunião com a minha entidade de trabalho. Acabei por resolver ir ao local mas sem sair do carro, visto não poder andar a "passear" com a piolha. 

Dali fui buscar a outra piolha ao infantário, já com a ida à farmácia resolvida e antibiótico dado. Mal me vi em casa, nem queria acreditar... 

A piolha já está na cama, a outra piolha vai agora a banhos e cama e eu prevejo uma noite terrível entre acordar para dar medicação e vigiar febre...

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publicado às 20:41

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3 comentários

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De Daniela Santos a 14.01.2012 às 18:26

Tenho duas palavras para ti: CHI-ÇA!!!!! Que dia! Espero que a piolha esteja melhor.

Quanto ao resto: há muita gentinha BURRA no mundo! A quem servir a carapuça, força. Autismo não se pega, mas a estupidez pelos visto é contagiosa na Faculdade de Medicina... Já encontrei alguns desses espécimens e garanto que se não fosse a boa educação que os meus pais me deram, não sei não... Colegas e chefes, nem comento (lembro-me de uma num conselho de turma: "Esse é deficiente, nem vale o esforço. É autista!").
Respira fundo. Outra vez. Agora recita a seguinte oração:
"Meu Deus, dá-me sabedoria para suportar esta gente, porque se me dás força, parto-lhes o focinho!"

Beijinhos
Bom fim de semana.
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De t2para4 a 15.01.2012 às 18:47

Olá!


A piolha está a recuperar bem e pronta para fazer os disparates do costume :) mas continua a antibiótico.


Para um país onde a entrada no curso de medicina é tão exigente e tão rígida, admiro-me com a ignorância com que alguns "doutores" terminam a licenciatura mas tudo bem. Já é a 2ª vez que aquele senhor me atende à distância. Não vai voltar a acontecer, garanto. 
Em conselhos de turma não perdoo. É pá, não gostam, mudam de profissão, porra. Ou, então, acabam com o ensino integrado. Como isso nem sequer é uma hipótese, azar, temos que aceitar. Concordo com o que diz um colega meu: toda a gente, principalmente professores, deveria trabalhar com crianças portadoras de deficiências. Eu tenho tido algumas experiências e não é fácil mas lido com isso com naturalidade. Ou, pelo menos, tento...


Obrigada pela oração :) 


beijos
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De t2para4 a 15.01.2012 às 18:50

Só para esclarecer porque acho que me expressei mal: sou totalmente a favor do ensino integrado. Acredito (e vejo) que traz muitas vantagens para todos: crianças com e sem necessidades especiais. E viver em sociedade significa saber conviver e aceitar a diferença, não isolá-la e ostracizá-la. Concordo com um ensino integrado.

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