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Terapia da fala

por t2para4, em 28.02.11

Partilho o que fazemos, semanalmente, nas sessões de terapia da fala. Tivemos a sorte (MUITA!!!) de ter um profissional extremamente competente e muito bom no que faz, isso tem-se manifestado a olhos vistos na evolução das piolhas. Elas que tinham a sua linguagem própria (criptofasia, a linguagem que, geralmente, muitos gémeos idênticos desenvolvem entre si) e que, apesar de captarem, não ligavam nenhuma à linguagem externa, preferindo agir e desenvolverem-se sozinhas do que pedir ajuda e interagir ou tomar inciativa, agora nota-se uma verdadeira diferença, abismal mesmo.

 

Começaram por ser sessões de 30m, mais ou menos, cada menina, mas agora são se 1h, as duas juntas. Eu estou sempre presente (o pai quando está de folga também). Apesar de o terapeuta ser jovem, experiência não lhe falta e faz imensas formações e cursos cá e no estrangeiro. Está ao corrente de todos os programas de tratamento do autismo e suas variantes. Ele costuma ir às escolas mas o JI das piolhas não está contemplado. Para não ficarmos a perder tempo precioso à  espera, ele arranjou um horário pela via privada. Assim, uma vez por semana, ao final do dia, lá estamos nós. 

 

Costumamos estar na sala de snoezelen, uma sala com imensos colchões e onde andamos descalços. De costas para a porta, à esquerda temos a piscina de bolas, em frente há uma casinha, ao lado da porta há um espelho de luzes também em relevo. À direita, em frente, há um escorrega e por baixo um túnel fluorescente com fitas penduradas, ao lado há outro espelho (tipo luz de raio-x) e um piano que acciona luzes na parede conforme saltamos em cima dele; em frente a isto tudo, são as escadas para o escorrega. Todo o espaço restante está coberto de colchões, maiores ou menores. A sala é insonorizada e torna-se quente, agradável de lá estar. Dá para fazer imensos jogos de luzes com as várias etapas.

 

A nossa rotina inicial é a de que elas tenham sempre a iniciativa de pedir ou nos dar sinais de que querem a porta aberta. Lá dentro, no espaço que existe, vamos deixando as piolhas fazerem as brincadeiras que querem como tomada de iniciativa e vamos nós imitá-las. Assim que tenhamos a sua atenção e interesse captado, começamos a trazê-las para o trabalho que queremos fazer com elas. O terapeuta, às vezes, leva uns brinquedos e livros para ir promovendo a interacção e trabalho de atenção conjunta (3 pessoas ou 2 pessoas e um objecto – a criança deve incluir-nos a todos e ir fazendo turnos na brincadeira/jogo/conversa como se se tratasse de uma situação real). Inicialmente, uma estava muito bem: conseguimos estar imenso tempo na piscina de bolas a fazer jogos onde ela toma a iniciativa e espera que nós a imitemos, o que é bom, porque ela já se apercebeu que é preciso interacção e envolver outras pessoas numa comunicação; a outra tinha demasiadas coisas que a estimulavam e acaba por correr (literalmente) tudo sem fazer quase nada de jeito. Os seus tempos de interacção são muito curtos. Esta semana decidimos que vamos experimentar outros objectos e que ela terá a sessão noutra sala. Falei-lhe de coisas que lhe prendem o interesse em casa e ele pediu-me para as levar: lanterna, livros, cubos de encaixe.

Agora, estão ambas um pouco ao mesmo nível e acabam por saber estar e fazer melhor as mesmas actividades e outras. O grau de exigência está a aumentar cada vez mais e o nosso próximo objectivo a atingir é o relato de acontecimentos recentes.

 

Tenho aprendido muito com ele e ele tem-me ensinado pequenas coisas que tenho utilizado com casa, quase já sem me aperceber. Tenho transmitido estas pequenas coisas ao marido e avós para fazerem igual e irmos todos trabalhando no mesmo sentido. Basicamente, acabam por ser coisas tão simples como dizer “eu acho que devíamos abrir a porta” em vez de fazer a pergunta “E agora? Vamos abrir?”

A educadora do PIIP, de vez em quando, também está presente.

Notamos que as piolhas verbalizam mais e melhor, surpreendem com as coisas que aprendem e recitam, aprenderam a esperar pela sua vez e a fazer turnos, quer nas brincadeiras quer nas conversas.

 

Estamos sempre em constante contacto: educadora do PIIP, Jardim de Infância, terapeuta da fala e pais. É uma via que funciona muito bem e que nos apoia realmente. É aqui que notamos que estamos todos a trabalhar no mesmo sentido.

 

Fica uma imagem e definição do que é uma sala de snoezelen.

A sala de Snozelen é uma sala multi-sensorial que tem como objectivo a estimulação sensorial e/ou a diminuição dos níveis de ansiedade e de tensão.  O Conceito da sala de Snoezelen proporciona conforto, através do uso de estímulos controlados, e oferece uma grande quantidade de estímulos sensoriais, que podem ser usados de forma individual ou combinada dos efeitos da música, notas, sons, luz, estimulação táctil e aromas.

O ambiente, que a sala de Snoezelen proporciona, é seguro e não ameaçador, promovendo o auto-controlo, autonomia, descoberta e exploração, bem como efeitos terapêuticos e pedagógicos positivos.

O ambiente multisensorial permite estimular os sentidos primários tais como o toque, o paladar, a visão, o som, o cheiro, sem existir necessidade de recorrer às capacidades intelectuais mas sim às capacidades sensoriais dos indivíduos. A confiança e o relaxamento são incentivados através de terapias não directivas.

O uso de um ambiente multisensorial permite que as terapias sejam únicas para cada utente.

 

Benefícios da Sala de Snoezelen

Promove o relaxamento, lazer e diversão;
Estimula os sentidos primários;
Permite a exploração, descoberta, escolha e a oportunidade de controlar o ambiente;
Aumenta a compreensão do utente em relação ao gosta/não gosta;
Permite a estimulação esfincteriana;
A variedade de actividades permite explorar as necessidades bem como as preferências;
Permite o trabalho individual ou em grupo, servindo para o controlo da ansiedade;
Incentiva o movimento e a motivação;
Motiva para a aprendizagem;
Facilita a libertação de stress;
Promove a consciência da equipa técnica sobre a importância dos sentidos primários;
O uso de equipamento sensorial pode ser benéfico para todas as idades e diagnósticos;
Estimula o surgir de emoções positivas tais como o bem-estar, relaxamento, satisfação e alegria.

O equipamento que constitui a sala estimula a interacção do indivíduo com o que o rodeia, bem como, a construção e estruturação de imagens do seu mundo.

 

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publicado às 13:33

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