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Viagens

por t2para4, em 09.12.12

Quando éramos solteiros de filhos viajávamos muito. Conhecemos algumas cidades e regiões de Portugal, fomos a Espanha algumas vezes e íamos à praia ver o mar sempre que nos apetecia. Por regra, levantávamo-nos de madrugada, estávamos todo o dia fora e regressávamos a casa já de noite. 

Quando engravidei, o mais longe que pude ir foi até à praia e até isso foi depois alteradao para "o mais longe que pude ir foi até à maternidade". Quando nasceram as piolhas, o mais longe que podíamos ir era até Coimbra - em dias bons.

Já se passaram mais de 5 anos e a diferença não é assim tanta: o mais longe que fomos com elas foi até ao Porto e parecia que tínhamos um disco riscado no carro ("é noite, vamos para casa, é noite, vamos para casa, estou cansada, não vejo nada..."). Continua a ser extremamente complicado sair com elas. Agora já não se coloca a questão da logística (sacos, carrinhos, mudas de roupa, etc.) mas coloca-se a questão comportamental que está longe de ser controlada e regulada. As piolhas até pedem para passear e até reagem bem à viagem mas não páram um segundo, fartam-se muito rapidamente do local onde estão, querem obedecer às suas próprias rotinas inventadas, puxam-nos como se estivéssemos a passear cães. Não há uma única fotografia que tenhamos tirado que não implique movimento. É do mais frustrante que há.

 

Planeávamos ir passar um fim de semana à Figueira da Foz, qualquer dia, para vermos o pôr-do-sol e o nascer do sol na praia, passearmos na calçada sem a preocupação de refeições ou regressos a casa. Mas fartam-se rapidamente e querem esgravar na areia como os cães e querem correr e molhar-se mesmo que estejam 5 graus negativos e e e e e e.....

 

Planeávamos ir à Disney, qualquer dia, para lhes mostrar a magia do reino das princesas, ver a Minnie e o Mickey, ir de avião, mas quem toleraria uma viagem dessas? E se houvesse uma birra porque os ouvidos não estalam ou porque o avião é um espaço fechado onde teriam que passar cerca de 2h?

 

Planeávamos ir a Paris, qualquer dia, visitar museus, passear nas avenidas, colecionar as moedas que se vendem em museus e provar crepes das roulottes de rua. Mas como se só aquele movimento todo vai pô-las endoidecidas, se ao verem a Torre Eiffel o mais certo é dizeerem que têm medo e não quererem subir e teríamos que andar com cerca de mil olhos em cima delas para que não nos fugissem e mais do diabo a sete.

 

Planeávamos ir a Londres. God, como eu desejava ir a Londres... Mas... não me preciso de me repetir pois não? Com a agravante de Londres ser uma cidade cinzenta e o mais certo era estar a chover...

 

Planeávamos ir aos Açores e à Irlanda, conhecer aquelas ilhas fantásticas, comer aquelas iguarias fenomenais, passear pelos campos e montes, sair de manhã e só chegar à noite, estoirados de tanto ver. Avião? Certo... 

 

Planeamos ir ao supermercado a 5 minutos de nossa casa e, na maioria das vezes, nem conseguimos sair do carro. Não digo que corrra sempre mal pois, na semana passada, até conseguimos ir comprar as nossas prendas de Natal e, no Dolce Vita, elas andaram no combóio do Pai Natal  mas temos que estar sempre de sobressalto em relação aos seus humores e se vai haver ou não uma crise ou um episódio de descontrolo, passamos a vida em negociações do género "vamos a esta loja e depois vais ao parque" e temos que seguir esta ordem senão dá-nos já um fadanico. Isto é extremamente cansativo. E frustrante. E doloroso. 

 

As nossas viagens planeadas estão previstas para lá de 2015 e começam por coisas simples como ir à Figueira da Foz para o tal fim de semana... A Disney e Londres só para 2018... Para além de estar desempregada agora e haver prioridades, as piolhas não estão preparadas para isso e temos que ter essa noção. Não há essa abertura. O máximo que podemos fazer é queimar um quarto de tanque de combustível e ir à Figueira da Foz ver o mar e voltar e tudo isto durar 2h... Frustrante q.b.? E se disser que foi para atender à vontade de uma  das piolhas "para a fazer feliz", como ela diz? 

 

Cada vez apetece sair menos de casa, essa é a realidade. E para isto não há risperidonas, nem terapias, nem apoios, nem psisologias, nem negociações que nos valham. Nem paciência.

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publicado às 16:23

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3 comentários

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De Rainbow Mum a 09.12.2012 às 22:09

Ela ter dito para a fazer feliz e delicioso :) o meu ratito não tem ainda essa capacidade de argumentacao :) as coisas vao melhorar, tenho a certeza. Ir comecando aos poucos, por sitios perto e daqui a uns tempos aventurarem-se numa viagem curta de aviao, talvez a Madrid que e menos de 1 hora. O meu por exemplo tao cedo não penso levar a Disney pois ele tem medo de andar de carrosel quanto mais o resto... Mas passear pelas cidades, talvez por adorar os transportes, corre normalmente bem. Este fds fomos para o Caramulo e correu outra vez bem sendo que fomos ao museu do automovel la e isso deixou-o logo nas nuvens :)

Beijinhos para as princesas
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De Sandra a 10.12.2012 às 18:46

Pela maneira como apresentas a coisa, um avião tem, de facto, um imenso potencial para poder dar bronca (a questão de não haver hipótese de fuga a meio da viagem e os problemas que os ouvidos a estalar podem fazer despertar...).
Mas já te lembraste de tentar uma viagem (curtinha!) de comboio, tipo uma ida a Aveiro no Intercidades? É que, se as piolhas nunca tiverem lá andado, podem achar "super-uau" a novidade imensa de um meio de transporte diferente, a correr montes de depressa em que tudo pode ser mais ou menos previsto (daí, tu poderes prepará-las para a chegada do senhor que vem picar os bilhetes, para a leitura do painel que dá indicações sobre a temperatura no exterior e sobre a velocidade, para a voz que indica algo do género "Senhores passageiros, aproximamo-nos da estação de xxxxxx") e onde existe a hipótese de, a meio do caminho, caso as coisas comecem a correr mal, desistir (penso que os Intercidades param todos na Pampilhosa).
A vantagem dos comboios em relação aos aviões é que, além da possibilidade de interromper a viagem antes da chegada ao destino, têm montes de coisas diferentes para ver e explorar sem as restrições do "Por favor, sente-se e aperte o cinto; sente-se, que agora vamos servir um snack; por favor, sente-se que o corredor está assim um bocado para o super-lotado" (ex. - comparar a 1ª classe com a 2ª classe, espreitar pela janela da última carruagem e ver o mundo "a ficar para trás", visitar o bar, descobrir quanto o autoclismo, a água, o sabonete e todas as outras tralhas do WC são tão diferentes do que há lá em casa, espreitar o depósito das bagagens na ponta de cada carruagem, curtir à brava a tremideira do espaço de ligação entre as carruagens, ...). Se a viagem for marcada com alguma antecedência, até dá para escolher aqueles lugares a meio da carruagem em que muda a orientação dos bancos, fazendo com que as quatro pessoas desses lugares fiquem à volta de uma mesinha (duas viajam de frente, duas viajam de costas) e possam sacar de um qualquer jogo (a bela da sueca é um dos populares em famílias de graúdos, sobretudo durante o verão). A aventura pode até começar pela entrada no comboio ("Olhem, nós temos de ir para a carruagem vinte e não-sei-quantas; vamos procurá-la") e continuar lá dentro (estilo "Uma Aventura À Procura dos Nossos Lugares").
Relativamente aos carros, os comboios ganham na medida em que há (literalmente) montes de espaço para correr (ou vá, para caminhar um bocado), há coisas diferentes para fazer e os adultos não vão presos lá à frente a prestar atenção à estrada, podem vir brincar. Na perspetiva do adulto, o comboio pode ter outras vantagens - estaciona-se sozinho, não lhe roubam a antena, se aparecer riscado, azar! (E aqui vou fazer de conta que não conheço as desvantagens do comboio, tipo, preço dos bilhetes, tipo ficarem só na estação e não chegarem aos sítios mais giros que às vezes queremos visitar, tipo não terem uma bagageira onde possamos deixar a mala ou o casaco que afinal não fazem a falta que havíamos previsto, tipo...)
Se a coisa aqui correr bem, podes depois tentar alargar a extensão da viagem para novas aventuras; se correr mal, bem, ao menos não foi muito tempo e ficas prevenida de que poderá ainda ser cedo demais para meios de transporte não controláveis absolutamente a 100% pelos pais...
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De Silvia Pereira a 11.12.2012 às 15:19

Olá,


Eu sei que pode ser difícil  a alguns meses atrás a minha pequena estava no auge das birras e nunca era fácil, mas mesmo assim eu levei-a sempre e o certo é que agora uma saída com a pequena é muito simples, é decidir e ir.
Este é a minha experiência, não é muita mas foi algo que fiz e mesmo tendo sido complicado no inicio agora não estou nada arrependida.
 Ela acabou por perceber que não ia a lado nenhum com aquelas birras e tem sido óptimo  apesar de ela não lidar muito bem com a frustração ( desde que seja contrariada irritasse e atira tudo o que tiver à beira para o chão), mas agora passado uns segundos já acaba por se acalmar sozinha.
Eu comecei aos poucos, ir um bocado ali e depois mais um bocado e agora é o tempo que quiser que a pequena vai a tudo, e o comportamento também está muito melhor( às vezes ainda quer só correr e saltar, mas já começa a dar a mão e ir sossegada há minha beira) e isso inclui avião( eu estava para morrer por o meu marido ter tratado da viagem e só disse quando já tinha os bilhetes, eu estava mesmo a morrer de medo pela piolhita, mas ela surpreendeu e aliás até quis ir no lugar da janela, fiquei parva e lá foi de viagem para Barcelona( 1 hora de avião para lá e outra para cá), por isso começa aos poucos com passeios e depois vai aumentando. A minha pequena neste Verão já foi para o Algarve de carro e portou-se lindamente.
Não foi fácil de inicio mas vai tentando os passeios, pode não correr logo bem mas aos poucos elas vão gostando, não te prendas em casa, a minha estava tão habituada a ficar em casa que sair era o que lhe provocava birras, mas depois que eu insisti e passei todos os fins de semana a fazer um passeio com ela,é ela agora que estranha se ficarmos em casa e temos tido bons momentos em família, olha que ela até já foi acampar.
O meu concelho é não te prendas em casa, aos poucos vai fazendo pequenos passeios e aproveita o tempo em família  nem que seja por pouco tempo depois vai melhorando e no fim vai saber bem cada bocadinho, para ti, para o teu marido e para as pequenas.


Bjinhos

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