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Pedir ajuda

por t2para4, em 26.01.13

 

Há mais de 7 anos atrás, tive um episódio estranho enquanto conduzia e ainda hoje não me recordo de como guiei durante aqueles 500m. talvez tenha adormecido ao volante. Nesse mesmo dia, deixei de tomar ansiolíticos e antidepressivos, sem qualquer desmame. Andei 15 dias com uma espécie de síndroma de abstinência mas sobrevivi e nunca mais quis voltar atrás. Fui forte o suficiente para ter enfrentado tudo e todos sem qualquer ajuda química.

Até esta semana.

 

Sinto que ando há mais de 3 anos a empurrar algo para debaixo do tapete. Começaram as crises de ansiedade e o descontrolo total, a falta de coragem para sair do carro para ir trabalhar, o querer entregar-me à apatia e ao "não me apetece sair da cama", aos picos de energia súbita intercalados com dias de choro fácil e de irritação espontânea, etc. Tentei empurrar tudo sozinha, lá bem para debaixo do tapete mas o monte está tão alto que começou a sair pelos lados...

Assim, vale mais assumir e reconhecer que não estou bem e pedir ajuda. Sem medos e sem vergonhas. Assumo que preciso do apoio do meu marido, mais que tudo, acima de tudo, para me ajudar a controlar e a encontrar alternativas às minhas reações  mais negativas. Ainda só se passaram 2 dias mas já noto algumas ténues diferenças. Não sou a supermulher nem posso comportar-me como tal. Preciso de estar bem para que as minhas piolhas estejam bem. E sabem que mais? Tomei decisões que pensei que seriam terríveis mas que afinal se tornaram boas decisões. Tudo esta semana...

 

As piolhas saíram da piscina. Não vou alongar-me em razões nem em motivos nem em justificações. O que era um stress para mim, era um stress para elas e problema das birras e descontrolo colou-se à hora do banho. Isto sim é motivo de preocupação. Além disso, como as piolhas já não fazem sesta na escola, o final do dia tornava-se infernalmente desgastante para todos. Não vale a pena. Ninguém tira proveito de situações assim. 

Os nossos fins de tarde passaram a ser de brincadeira, de leitura, de momentos em família ao quente e sem as correrias da mãe a preparar jantares e mochilas. Há tranquilidade e tempo, acabaram os gritos e birras na banheira, dorme-se melhor. E eu sinto-me melhor com elas assim mais tranquilas. E sabem que mais? Há mais de uma semana que me esqueço de dar os 0,25 de risperidona à tarde, ou melhor, lembro-me de dar mas já é hora de dormir e aí não vale a pena. E sabem que mais? Não tem feito falta!! As piolhas estão simplesmente bem, com comportamentso normalíssimos, fitas próprias da idade. Sem contar, é uma excelente notícia!

 

Posto isto, e tendo sempre em vista o melhor para as minhas filhas, não escondo que preciso de algo mais. Estou a tomar um pequeno drumf (a.k.a. antidepressivo), na metade da dosagem recomendada pelo médico mas recuso-me a tomar o ansiolítico. É uma situação temporária, só até eu restabelecer as minhas forças e energia, organizar os meus pensamentos, aprender a aceitar o que me foi imposto, perder a revolta, ver as coisas sob outra perspetiva. Preciso de acalmar sem me desnortear.

Não acredito minimamente que a realidade do que me rodeia, de pessoas que passam pelo que nós passamos, seja o encarar tudo com naturalidade e sem qualquer tipo de ajuda - seja ela de que tipo for: química, farmacológica, terapeutica, de grupos de ajuda, etc. - e viver num mundo cor de rosa. O mundo tem todas as cores e, às vezes, as suas tonalidades ficam mais escuras.

Não é vergonha reconhecer que se precisa de ajuda ou de parar um pouco; mau é não querer reconhecer isso e arrastar tudo e todos nessa enxorrada.

A minha família primeiro. O resto pode esperar.

 

(o que não pode esperar muito é um fim de semana na praia :) estou mortinha para ir laurear a pevide :) Pela primeira vez em, vá 6 anos, estamos a ganhar coragem para ir passar um fim de semana fora. Fora, tipo fora de casas familiares, tipo para longe de nossa casa... )

 

 

 

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publicado às 21:04

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14 comentários

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De silvia Pereira a 26.01.2013 às 23:05

Olá,


É normal que tenhas alturas menos boas, és uma óptima mãe e uma mulher de força, mas todos temos alturas em que nos sentimos em baixo e isso não é vergonha nenhuma.
Claro que é sempre bom contarmos com pessoas que gostamos, nem que seja só para nos ouvir, um gesto simples pode ser o que nos faz melhor.
E ainda bem que as pequenas têm andado bem, tu é que és a mãe e as conheces melhor que ninguém, para o bem ou para o mal tu é que sabes o que é melhor, para além disso todas as decisões são tomadas a pensar no melhor para as pequenas e o desejares o melhor para elas. isso só demonstra a fantástica mãe que és.


Bjinhos
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De t2para4 a 02.02.2013 às 21:48

Obrigada pelas palavras.
Como já disse antes, ajuda muito que andemos as três calmas e tranquilas porque os nossos estados de espírito pegam-se. Fico muito feliz e aliviada por elas andarem numa fase tão boa, que me traz tanta paz. É quase difícil de exprimir em palavras o quão aliviada tenho andado nestes últimos dias.
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De momentosdisparatados a 27.01.2013 às 14:20

Tens razão, não é vergonha pedir ajuda. Já o tive de fazer era isso ou a loucura.
Há alturas que lutamos e lutamos e depois não temos mais força para continuarmos. Não somos de ferro.
Bom domingo
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De t2para4 a 02.02.2013 às 21:49

É mesmo isso. Eu acho que não estava a ser eu mesma e isso não podia ser benéfico para ninguém, muito menos para as piolhas. Estou segura de que tomei a decisão certa.


beijos
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De Helena a 28.01.2013 às 15:49

Todas temos momentos em que as cores começam a escurecer...
às vezes leio-te e fico a pensar como sou fracota...enfim...


Acho que tomaste a decisão acertada.


bjs
Helena
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De t2para4 a 02.02.2013 às 21:51

Cada um tem a sua maneira de lidar com as coisas. Não acho que sejas fracota - também imenso com que te preocupar! Há é pessoas teimosas como eu que arriscam quase até à última até se renderem às evidências... 


Um beijo
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De Daniela Santos a 28.01.2013 às 16:23

That's my girl! O resto tu já sabes...
E aqui fica para tu e as pequenas cantarolarem, o Diogo adora!!!!!
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zvCBSSwgtg4

Bj grande e conta comigo.
Daniela
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De t2para4 a 02.02.2013 às 21:52

Obrigada, Daniela.  Quando tem de ser, tem de ser.


Gostei da música! Obrigada!!
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De Catarina a 28.01.2013 às 22:51

Pois... às vezes tem mesmo que ser. Também já tomei mas foi noutra fase, noutro período da minha vida, depois da morte da minha mãe...  Fez-me bem, ajudou-me a ultrapassar um momento muito dificil que se estava a tornar patológico, andava tão em baixo que o meu sistema imunológico foi também para baixo! Quem me receitou os antidepressivos foi o ginecologista por causa de infecções urinárias recorrentes!!! Lembro-me de ele me perguntar como eu estava psicologicamente e de lhe responder "faço um esforço", tudo era feito com grande esforço! Foi ele que me disse que há alturas na vida que o esforço não é suficiente e que precisamos de mais um "empurraozinho"! Quando estou muito em baixo, tento fazer essa avaliação sobre o esforço, espero ter descernimento suficiente para decidir voltar a tomar quando for necessário.
Beijinhos
Catarina
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De t2para4 a 02.02.2013 às 22:01

Teve mesmo que ser. Eu reconheço tempo a adiar esta decisão e ignorar sinais. Pode ser que, pela primeira vez em 5 ou 6 anos, eu consiga ter um início de primavera sem enxaquecas fulminantes e sem me sentir à beira do tilt total.
Ao contrário de ti, nunca tive nenhum problema de saúde recorrente, como as tuas infeções. Talvez até esteja relacionado, mas as minhas grandes maleitas eram a nível de dores nas costas e enxaquecas. E muito muito cansaço, quase até à exaustão. De momento, não me sinto tão estupidamente cansada como antes. 
Terás esse descernimento quando começares a olhar para ti e não te reconheceres. Isso estava a acontecer comigo. A minha família não podia ficar prejudicada por eu não estar bem. Assim, reconheci que precisava mesmo de ajuda a outro nível.


Um beijo grande
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De Clara a 20.02.2013 às 12:49

Olá.descobri agora o seu blog enquanto procurava coisas sobre ESSENCE...e depois dei me conta a le lo compulsivamente.li o como medica e como mãe. E este poste especifico despertou a minha necessidade de partilhar consigo o k digo aos pais e aplico nas minhas consultas...temos de escolher batalhas. Qdo nos dedicamos as crianças nao estamos a moldar um pedaço de barro para ficar um linda jarra para mostrar. Estamos a viver o dia a dia tentando potencializar as suas capacidades com vista a funcionalidade. Nao vale a pena lutas desmedidas k dão desconforto a todos so pq alguém disse k isso e k era o melhor. Vocês enquanto família decidem...como todos os pais decidem o melhor para os filhos... E decidem bem com certeza!!! A interacção com as vossas meninas deve ser prazerosa e nao penosa. Se assim for algo vai mal e tem de ser repensado...tal como fez.
Pelo k escreve vê s k tem duas meninas lindas e cheias de capacidades...os rótulos nao condizem com a descrição.o k interessa e o k elas são hoje e o sucesso k vão alcançar com certeza amanha. Proponho lhe um exercicio: Agora respire fundo. Releia tudo o k escreveu, pensou e temeu desde o inicio desta caminhada. . E agora olhe para elas a brincar no recreio, a forma como interagem, a forma como os seus olhos brilham qdo a vêem ...longe vai o tempo da perturbação de comunicação e integração social :) persistem lacunas...sim persistem, traços toscos k nos conferem humanidade e singularidade... O k realmente importa e tirar gozo das coisas e aproveitar os laivos de meninice que transbordam qdo amamos as nossas crianças. Um beijinho
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De t2para4 a 22.02.2013 às 21:36

Muito obrigada pelo seu comentário e exercício proposto. De vez em quando releio tudo o que escrevi no blog - e outros textos que nunca cheguei a publicar - ou revejo os vídeos de quando elas eram bebés. Ainda me dói muito ler tudo ou rever esses vídeos porque parece-me tudo tão óbvio e como foi possível dizerem-me que não era nada quando está ali tudo, tão bem explícito, tão visível? Depois paro e obrigo-me a desviar o pensamento pois não quero ver os vídeos das minhas bebés a pensar em autismo. Quero revivê-las enquanto bebés, aquelas coisinhas boas e fofas que crescem rápido como relâmpagos e que rapidamente deixam de querer o nosso colo. Autismo à parte, tenho saudades dessa fase :)
Evoluímos muito desde então, não só elas mas nós também. E aprendi que não posso nem devo ser a supermulher. E que admitir que não se está bem e mudar estratégias é tão válido como outra coisa qualquer. E se der resultado melhor ainda! 
Educação à parte, os nossos dias parecem uma experiência gigantesca com o objetivo de darmos o melhor às piolhas e proporcionar um futuro em que se sintam integradas, realizadas mas acima de tudo felizes. 
No entanto, se aceitei a PEA? Não. Não vou aceitar. Resigno-me, trabalho e luto para contrariar comportamentos desviantes das piolhas e problemas da fala, mas não aceito. É um desafio sim - injusto, por vezes.


Mais uma vez obrigada. Votos de boa continuação!
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De Clara a 23.02.2013 às 18:47

Resignação é uma palavra que não existe no vocabulário dos pais de crianças que enfrentam qq problema de desenvolvimento. É ve-los a encetar lutas Hercúleas todos os dias. tudo é feito de pequenas batalhas ... conseguir que alguns destes principes e princesas lavem os dentes ou se vistam é tão trabalhoso como completar uma licenciatura--- ou mais. 
mas são também grandes as vitórias e é bom ir beber a essa fonte. quem ler isto e nunca tiver contactado com estas crianças não compreende. 
Costumo dizer que estas crianças/familias fazer tudo transportando uma enorme mochila às costas... que torna tudo mais custoso mas torna a "vitória" muito mas muito mm mais valiosa. 
não desanime e continue a lutar. não se resigne face a este mundo de indiferença e incompreensão... e não deixe de tomar essas pequenas batalhas como enormes vitórias só vossas. pq mais ninguem percebe o qto lutaram para as conseguir e o quanto valem para vós...assim apenas lhe peço que nunca perca a noção do que afirmou acima "proporcionar um futuro em que se sintam integradas, realizadas mas acima de tudo felizes"
A normalidade é "uma batata" e melhor do que eu sabe isso na pele... há muitas coisas que viveu com as suas princesas que muitos pais nunca sonham em viver... muitas más mas tb muitas boas...
e volto-lhe a dizer... as descrições que faz agora delas estão tão cheias de coisas boas... tanta interacção e normalidade...
não se prenda com rotulos... e qdo lhe digo isso não lhe digo para desistir ou ignorar o autismo mas para tirar o devido gozo das vitorias que conseguiram e conseguem a cada dia  e do futuro risonho que dai virá. 
a escolha de batalhas não é um desistencia mas uma forma inteligente de gerir esforço... por outro lado o gozo dos sucessos é algo obrigatório e merecido e onde se bebem forças para continuar. 
um beijinho :)

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De t2para4 a 03.03.2013 às 13:19

Aqui a resignação é o não conseguir aceitar mas recusar, acima de tudo, baixar os braços e daí talvez eu só agora estar a sentir-me mais cansada e extenuada. Em 2010 não tive tempo para fazer o tal luto de que se fala tanto - e que é importante - nem tive tempo para digerir um diagnóstico, fosse ele qual fosse. Arregacei as mangas e fui à luta, envolvi o máximo de gente próxima que pude e consegui, nunca falhei uma única sessão de terapia da fala, submeti-nos a avaliações para terapia ocupacional, telefonei a meio mundo para ter acesso a apoios, preenchi mais papelada em meses do que em anos inteiros, estudei tanto que podia tirar outra licenciatura, dediquei-me às piolhas mais do que alguma vez imaginei - e daí o ciúme legítimo delas quando me veem abraçada a outros meninos ou quando alguém lhes fala em terem mais manos. Em suma, foi uma canseira imparável desde então até agora e tive que assumir que não estava bem. Não parece aos olhos de terceiros mas todo este percurso, com evoluções e retrocessos, foi extremamente cansativo e pediu muito de mim. Não me queixo e faria tudo de novo mas não deu para continuar assim sozinha. 
Orgulho-me muito dos sucessos alcançados pelas piolhas e dos momentos de tranquilidade que vivemos agora, num todo. Consigo ver e sinto que atingi aquilo que sempre desejei para qualquer criança: tempo para tudo - aprender, trabalhar, estudar e brincar. 
Obrigada pelas suas palavras. Às vezes, as viagens ao passado fazem-nos querer ir mais em frente.

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