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Birra autista sem diagnóstico

por t2para4, em 07.03.11

Partilho um episódio que nos aconteceu em Março de 2010. Foram os 4 dias mais longos, cansativos, sonoros e dramáticos da minha vida.

Do nada, as piolhas começaram a chorar a uma 6ª feira de manhã, choramingaram na creche mas foi-se acalmando ao longo do dia, mas não dormiram. A partir daqui entrou-se num ciclo vicioso terrível: quanto mais choravam, mais tiques e manias tinham, menos dormiam e mais gritavam. E isto durou até 2ª feira à tarde.

Chegou sábado e mantinha-se tudo: as birras, o atirar-se ao chão sem motivo aparente, o gritar e o guinchar, o não dormir, as noites em que só dormiam cerca de 5h, os terrores nocturnos de uma das piolhas.

Domingo foi o caos: entre os gritos delas e os meus ralhetes, uma vizinha decide vir "ver o que se passava" e perguntar se preciso de ajuda. Fiquei azul de raiva com o comentário dela "é que eu gosto muito de crianças...". Olha! e eu gosto muito de pinar com o marido e o prédio não fica a saber! Já ela até as paredes tremem com o som... Anyway, a mocinha lá fez o seu papel de sei-lá-o-quê e eu, passado o momento da raiva, desatei a chorar de frustração, de cansaço, de medo. Já imaginava a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens a bater-me à porta. E as piolhas não paravam de chorar!!

Na 2ª feira, dia de regresso ao trabalho. Eu e o marido parecíamos saídos do Thriller (mas sem a parte da decomposição) e agritaria começa logo de manhã... Deixo-as na creche às 7h30 e, quando telefono às 10h30, a educadora diz-me que elas não pararam um minuto, que batiam com a cabeça nas paredes, que se mordiam e que era melhor ir buscá-las porque ela já tinha esgotado as ideias de as fazer parar de chorar. Telefono ao médico de família que me manda logo ir ao Hospital Pediátrico ver o que se passa.

 

Esta é a parte mais engraçada: com as piolhas aos gritos, a atirarem-se ao chão, a bater com a cabeça em todo o lado, comigo e com a minha mãe a evitar que elas o fizessem, esperámos 5 horas (sim, CINCO MISERÁVEIS HORAS!!!!!!!!) para sermos atendidas. Entrámos no consultório da médica a puxar uma piolha pelo braço, a arrastar pelo chão, e a outra ao colo a espernear como um touro selvagem. A equipa pára e a médica apercebe-se que se calhar teria sido boa ideia tê-las visto mais cedo. Uma das piolhas deixa fazer o exame físico, a outra desata a gritar e a chorar ininterruptamente durante 15 longos minutos até finalmente adormecer. Os olhos delas andavam tão inchados e com olheiras que até doía. Quando vinha o silêncio, os gritos, guinchos e choros delas ainda ecoavam por toda a minha cabeça.

Diagnóstico: birras...

 

Meses depois, contei isto nas consultas de desenvolvimento de gémeos na maternidade e, em conversa com a pediatra, acabámos por pensar que talvez tivesse sido um doloroso pulo de crescimento pois, nessa semana, as calças deixaram de servir.

 

Em Agosto, depois de contar este episódio à médica que diagnosticou Desvio do Espectro Autista, ela só disse que tinha sido claramente uma birra autista. Nem precisava de muitos dados, bastou eu ter chegado à parte da auto-mutilação.

 

Olhando para trás, ainda me dói que, com sinais mais do que evidentes e com idas frequentes a médicos, nunca ninguém tenha suspeitado de nada. E o que me dói mais é as piolhas terem passado por este sofrimento todo sem que se pudesse fazer nada por elas na altura.

Hoje estão medicadas e têm um execlente acompanhamento e só isso já ajuda imenso. Birras assim tão fortes e com tamanha intensidade nunca mais aconteceram e até os terrores nocturnos parecem ter desaparecido.

Ainda continuo a fazer figuras de doidinha pois como têm pouca sensibilidade à dor, se se queixam é porque é grave (uma das piolhas andou com febre uns 3 dias e fez anti-inflamatório. Um dia depois voltou a febre e fui de novo ao médico: duas otites médias agudas... E ela NUNCA se queixou dos ouvidos nem levava a mão à cabeça) e lá vou eu ao médico pedir para fazerem um exame físico para ver se está tudo bem na barriga, garganta, ouvidos, etc. Na maioria das vezes, felizmente, está tudo bem. Geralmente, costumo esperar que surja febre mas e se não surgir? Acabo por explicar que as piolhas são autistas e a sensibilidade delas à dor não é como a nossa e, como é muito raro haver queixas, quando as há, prefiro saber o que se passa.

Se eu disser que não sei o que é ter um filho a fazer-me queixinhas de outros meninos ou a chorar desalmadamente porque caiu e o "doi-doi" passa com um beijo, ninguém acredita. Mas é verdade: as minhas piolhas esmurram joelhos e mãos como qualquer criança mas não se queixam, nem gemem com dor quando lavo as feridas e não pedem pensos ou beijinhos nem dizem que tem doi-doi (fazem-no agora por imitação dos outros meninos do Infantário). É bom ser resistente à dor mas será que tanta resistência é saudável? Enfim...

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publicado às 21:45

O melhor momento do dia, a sós

por t2para4, em 07.03.11

É este.

Depois de almoço, sentada no cadeirão, a olhar a rua e ver a paisagem, sem pensar em nada, só saborear... A culpa é da Tassimo e daquele café maravilhoso, o Voluptuoso Corsé...

 

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publicado às 15:07

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