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Um dia comum

por t2para4, em 22.03.11

 

Algumas pessoas perguntam-me como consigo dar conta de tanta coisa e fazer tanta coisa diferente. Acho que tenho mesmo necessidadede manter a cabeça bem ocupada. Acho também que uma boa gestão do tempo pode ajudar. Isso e multitasking. Pode saber-se mais sobre o que isto é aqui. Alguns estudiosos são contra mas eu considero que dá um jeitão enorme.

 

Este ano, estou com horário de trabalho reduzido por opção, devido a uma série de factores, incluindo o acompanhamento da spiolhas. Assim, imaginemos um dia de trabalho comum. Aqui vai:

 

- 7h20: toca o despertador, acordo as piolhas e dou-lhes o leite enquanto preparo o meu pequeno-almoço. Depois, visto-as, penteio-as, calço-as e é a minha vez (com o extra da maquilhagem - algo simples, lápis, rimel e baton).

- tomo o pequeno-almoço (leite e papa das piolhas) numa corrida, dou-lhes a medicação, arrumo os telemóveis e as chaves na carteira, visto casacos a toda a gente, apago TV e ar condicionado e saímos (o marido sai mais cedo).

- já no carro, levo-as ao infantário e sigo para o meu trabalho. Se tiver buracos no horário que me permitam vir a casa, venho; se não tiver pausas, levo os  materiais de que preciso para ir adiantando serviço. Acima de tudo, é importante poupar, principalmente no combustível e refeições fora. Se vier a casa, arrumo os quartos, trato de roupas, ponho máquinas a trabalhar (roupa e louça), faço um ou outro trabalho manual (por exemplo, se for para fazer découpage ou pinturas, pinto primeiro e enquanto seca, faço outra coisa qualquer) ou adianto trabalho da profissão.

- à tarde, depois do trabalho, vou buscar as piolhas ao infantário e volto para casa. Ligo o computador, carrego os mails para ler depois, brinco um pouco com as piolhas.

- por volta das 19h vou para a cozinha e começo a preparar o jantar (que faço a mais, a contar com o meu almoço do dia seguinte), arrumo louça lavada e carrego a máquina com a suja, estendo roupa (ou apanho roupa), limpo a banca e o fogão, ponho a mesa, tiro algo para descongelar para a refieção do dia seguinte.

- hora de jantar: jantamos, arrumo a mesa e a cozinha, ponho tudo a lavar, limpo

- banho das piolhas logo de seguida, com direito a creme, dentes lavados, beijos de boa noite.

- levo a roupa suja para lavar, carrego máquina da roupa (se for necessário), preparo as nossas roupas para vestirmos no dia seguinte, preparo lanches do dia seguinte (se der, tipo bolachas), tiro pão para descongelar para o dia seguinte.

- vou para o computador, leio e envio mails, vejo posts do blog e tento actualizá-lo, termino algum trabalho manual pendente, preparo materiais para o meu trabalho

- ceio (um copo de leite e algo mais: pão ou bolachas), banho, lavar dentes e cama.

 

O meu dia pode começar por volta das 7h e terminar apenas às 23h30 ou 24h. Aos fins de semana, eu e o marido tratamos da casa e das roupas, eu adianto o máximo que posso para a semana seguinte e tento seguir truques como ter as roupas que vamos usar no dia seguinte já separadas, pasta do trabalho e mochila das piolhas preparadas, coisas da piscina arrumadas e prontas, criar uma ementa semanal para não me preocupar com a comida, etc.

Muitas vezes não dá para seguir estas coisas e acabo por me deixar levar ao sabor do improviso. Quando ando muito cansada e as noites não me rendem (como tem acontecido nestas duas últimas), acabo por tirar umas horas para dormir, mesmo que isso implique almoçar às 15h30. Cá em casa temos divisão de tarefas, nada de rígido ou fixo, mas ajudamo-nos um ao outro.

Quando ando mais ansiosa ou com a neura, acabo sempre por fazer grandes limpezas ou arrumações a fundo. Por regra, tenho alturas específicas para determinadas tarefas, que posso ir fazendo durante a semana, em vez de deixar acumular tudo para um só dia.

- camas de lavado: uma vez por semana, a menos que haja algum precalço

- chão lavado: cozinha e casa de banho, uma vez por semana; restantes divisões, talvez uma vez por mês

- aspirar: todas as semanas, cozinha várias vezes durante a semana

- lavar banca, fogão, utensílios máquina do café: todos os dias

- lavar louças sanitárias: uma vez por semana (excepto se for preciso antes)

- limpar o pó: todas as semanas (costumo usar um "espanador" tipo swiffer mas de marca branca quando há menos pó; quando há mais, uso spray e pano)

- passar a ferro: uma vez por semana

- limpar frigorífico, forno, exaustor, afins: uma vez por mês

 

Os dias marcados para piscina ou terapia da fala costumam ser mais cansativos e, por isso, não rendem tão bem no final do dia, mas faz-se o mais leve e deixa-se o resto para depois. O importante é haver tempo para a família, o resto pode esperar. Afinal, a nossa casa é para viver e não apenas para limpar...

 

 

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publicado às 21:29

Grrrrrr..........

por t2para4, em 22.03.11

 

Será que isto resulta? Ando com umas vontades loucas de voodar alguém...

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publicado às 14:34

Destino?

por t2para4, em 22.03.11

Ontem, em conversa com a E., recordei um episódio que se passou comigo, em 2008. E fiquei triste e chorosa...

 

Nessa altura, estava num agrupamento de escolas à espera de uma reunião e um aluno - nem ele me conhecia a mim nem eu o conhecia a ele - veio abraçar-me forte e deu-me a mão e queria vir comigo para a sala, não me largava. De entre as 8 pessoas presentes, foi comigo que ele veio ter. Não dei muita importância a isso. Retribui o abraço (hoje, olhando para trás, acho que poderia tê-lo abraçado forte também) e dei-lhe a mão e tentei explicar-lhe que ele não poderia estar ali, para ir brincar com os coleguinhas. Não entendi o porquê de ele andar sozinho no recinto da escola quando, supostamente, deveria estar a ter aulas.

O rapaz não falou ou se o fez foi imperceptível. Tinha um olhar distante e não fazia contacto ocular directo. Parecia diferente de outros meninos. Outros colegas meus ainda riram desta situação e disseram que ele era muito esperto pois veio abraçar-se a uma rapariga toda giraça. Também ri.

O rapaz acabou por ir embora e aí alguém me disse que eu deveria ser especial porque aquele menino era autista e não tolerava o contacto físico, não gostava que lhe tocassem ou de tocar em alguém. E, do nada, veio logo abraçar-se a mim e dar-me a mão... Ainda me disseram que ele deveria ter sentido algo em relação a mim...

 

Passados 3 anos, revivida esta memória que estava esquecida lá nos confins dos meus arquivos cerebrais, penso que há coisas do caraças... E vivo diariamente com um diagnóstico de Desvio do Espectro Autista. Recordar aquele menino faz-me sentir confusa e chorosa.  As minhas piolhas não têm esses sinais de ausência de olhar ou de olhar vazio, são muito meiguinhas e adoram dar abraços e beijos e andar de mãos dadas. Talvez por isso seja tão estranho recordar aquele menino. Nem quero imaginar o esforço que se calhar fez para estabelecer esse contacto e ultrapassar essa barreira. Em 2008, nem sabia bem o que era o autismo nem que sinais ter em conta.

Se foi destino ou não, não sei. Se foi um sinal de alguma coisa, também não sei. Sei que vou guardar esta memória e, agora que está escrita, ainda mais significado ela tem.

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publicado às 11:43

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