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Quero sair da Holanda

por t2para4, em 19.09.12

Vim parar à Holanda, contra a minha vontade e numa viagem não planeada. Tentei apreciar a beleza da Holanda, os seus encantos naturais, os seus Van Gogh e Rembrandt mas cansei-me. Tentei aprender uma nova língua mas todos os dias surgem vocábulos novos que me são difíceis de assimilar porque estou farta de estudar neste país estranho, frio, cinzento e distante. Conheci novas pessoas mas todas numa esfera muito específica: ajudar a conhecer este país. Mas eu cansei-me.

 

Quero a minha viagem a Itália de volta.

Quero os meus planos de volta, a simplicidade da minha vida planeada de volta.

Quero que o percurso seja tão simples como sair de casa; entrar no carro mecanicamente - sem ter que parar nos mesmos locais, dizer sempre as minhas coisas, dar sempre os mesmos recados -; ir a um local - escola, piscina, casa dos avós, centro comercial -, sem medo de uma crise ou de um comportamento desadequado. 

Quero conhecer o coliseu.

Quero apreciar os frescos, as pinturas, as esculturas, as estátuas.

Quero estar num país onde o sangue pulsa nas veias à velha moda latina.

Quero estar num país cuja língua eu conheça minimamente.

Quero conhecer pessoas para além da esfera clínica.

Quero aquilo que eu sonhei durante a gravidez de volta. Não um dia, não nunca. Quero isso de volta, já. Agora. Neste instante.

 

 

A minha manhã otimista e a minha tarde de trabalho reduziram-se a um farrapo de alma materna em alguns minutos da aula de piscina das piolhas. Os rodopios, os handflappings, os guinchos, a obsessão pela água que apaga tudo o resto, a indiferença ao perigo - apesar de já terem passado por experiências negativas  -, esgotam-me. A camuflagem de comportamentos é indecente. Onde começa o autismo? O que é indício de autismo? O que fz uma criança reagir assim e não assado? Acabo por perder a cabeça e arrepender-me no segundo seguinte. E passar o resto da noite a dar voltas na cama. 

As piolhas não irão às aulas seguintes. Além da confusão (juro que, em 2 anos, nunca tinha visto aquela piscina tão cheia e confusa como este ano), vou esperar que acalmem e que os seus comportamentos se regulem. Além disso, fica também como castigo por se arriscarem estupidamente a afogarem-se e a pregar-me (a mim e ao professor) sustos de morte. 

Vou fazer novo contacto com o pediatra. Receio bem que a dosagem de  medicação que fazem já não seja suficiente pois estão com mais peso do que quando começaram aquela dosagem, em 2010.  

 

Quero a minha Itália de volta.

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publicado às 20:56

Mais mudanças - a parede da sala

por t2para4, em 19.09.12

Quem me conhece minimamente sabe que não consigo ter as coisas (seja mobília, objetos de decoração ou mesmo paredes) na mesma durante muito tempo. E quanto pior eu andar da minha cabeça (entenda-se: enxaquecas quase fulminantes, ansiedade que provoca crises de falta de ar e choro por todo o lado), mais necessidade sinto de me virar para algo que me ocupe as ideias e puxe pela criatividade e esforço físico. Claro que o marido acaba por ser arrastado nestas minhas andanças e as piolhas acabam por achar imensa piada a isto.

 

Temos muitos planos para tornar este nosso T2 num cantinho ainda mais especial para nós. Não somos adeptos do minimalismo mas há determinadas formas de estar que adoptámos: menos tralha para limpar ou expor (é a nossa casa e não um museu), não entra nada novo sem que algo velho saia (por exemplo, comprámos um novo móvel de wc para substituir o antigo que apodreceu no fundo. Este é maior e mais largo, o que proporciona uma arrumação mais organizada e eficaz), utilização racional e organizada de todas as divisões e, acima de tudo, pensamento lógico: eu adoraria ter uma casa enorme mas para quê? Daqui a uns anos (esperemos que sim!!!), as piolhas farão uma vida independente e tratarão de gerir a vida delas à sua maneira e, nesse caso, para quê um casarão com 5 quartos e 2 salas? 

Outra aspeto que temos tido em conta é a ponderação das alternativas que existem: eu adoraria ter colocado pedra em algumas paredes da sala mas o meu pai (que entende do assunto) avisou-me logo de que, além de muito dispendioso, teríamos que fixá-las muito bem (o mais certo era nem podermos ser nós a fazê-lo), colocar verniz em cima e, por muito bonito que ficasse, aquelas paredes seriam sempre um acumulador de pó. Como já tinha experimentado no quarto a técnica do betume com a tinta, foi só adaptar para a sala. E ficou fantástico!

 

A lareira (que já tinha mostrado antes):

 

 

 

E a parede, numa foto já com o enquadramento da sala. Aproveitei para fazer alterações à decoração do aparador (que, apesar de tudo ainda se encontra fechado com atacadores... Mas, do mal o menos, já lhe retirei um e as portas parecem algora "normais").

 

 

Durante um fim de tarde, lá andei eu munida de espátula, betume e tinta, toalhetes e escadote. As piolhas deliravam e andavam excitadíssimas. Queriam ver o resultado final, soltavam exclamações de "uau" e "que parede muito mais bonita!". Tenho um pequeno público crítico em casa :)

 

Mas, apesar das mudanças - que dão logo outro aspeto ao espaço -, achei que ainda não era suficiente. Depois de ter alterado a disposição dos bibelots, desaparafusei algumas portas e gavetas ao móvel da TV (um belo molho de lenha, como lhe costumo chamar pois ainda não há verba para comprar um em condições) e coloquei-o mais simples. Depois foi só preencher - de forma básica - os espaços abertos com fotografias e livros/coleções de DVD. Obtive a aprovação das piolhas que também queriam experimentar a chave de parafusos.

E, para terminar, dada a combinação de cores e motivos que identificam a nossa sala, um dos quadros saiu para dar lugar a este, que pintei em dois serões:

 

 

 As piolhas continuam a reagir francamente bem às mudanças que fazemos em casa, talvez por serem uma constante desde que nasceram (por exemplo, o quarto delas só ficou pronto quando já tinham uns 5 meses) e nunca ficou na mesma por muito tempo por causa da mudança de camas e do local do banho e da arrumação das roupas e dos ovos, etc. 

Acho que partilham um pouco do nosso gosto por estas pequenas alterações controladas e organizadas num ambiente que lhes é familiar e daí a boa reação. Talvez lhes dê para serem designers :)

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publicado às 09:35

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