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Passei o dia, literalmente, a ler e a conversar com todos os alunos de uma das escolas da minha localidade, em trabalho de conjunto com as unidades multideficiência e autismo da mesma escola. Foi fantástico, apesar de esgotante e de, após a 2ª ou 3ª leitura, já saber a história de cor :)

 

Basicamente, aquilo de que falámos foi de respeito na e pela diferença e do que nos faz ser diferentes ou iguais uns aos outros. A abordagem foi iniciada com este símbolo:

 

A partir deste símbolo, falei da "coleção" que existe com o nome de PECS e que, basicamente, auxilia na leitura com símbolos e é muito utilizado em aulas e na terapia da fala com crianças/pessoas com dificuldades de comunicação e interação, que é muito útil para antecipar atividades que façamos ao longo do dia e que ajuda a evitar a ansiedade em algumas crianças que não tenham uma boa noção temporal. Isto foi tudo dito de forma assim simples pois o meu público-alvo ia dos 6 aos 10 anos. O símbolo indicou, então, a toda a gente a atividade que se seguia.

 

Feita a introdução à história - que assentava na história de um gato poeta e era em rima -, acabámos a brincar com alguns gestos muito comuns do sistema Makaton e que alguns meninos já conheciam dada a sua convivência com colegas com necessidades educativas especiais. A grande mensagem e aquilo que tentei passar, de acordo com a minha visão das coisas, foi a de que o respeito é mútuo e pode começar de forma tão simples e básica como chamar a pessoa pelo seu nome e não pela sua condição. Antes de qualquer deficiência, característica física ou psicológica, boa ou má, aquilo que nos aproxima de uma pessoa com deficiência e nos torna iguais a ela é o nome e o direito ao nome. Sei bem que as piolhas vão ser as miúdas gémeas autistas mas antes de serem as miúdas gémeas autistas e até antes de serem as miúdas gémeas são a E. e a B. Ponto. O "gémeas" e o "autistas" e o "giras" e o "mexidas" vem depois do nome delas. É isso que consta dos seus documentos de identificação, não a sua deficiência.

O que nos aproxima de uma pessoa com deficiência é também a aprendizagem contínua - nossa  e deles. Porque lutamos pela integração numa sociedade que é complicada de entender, porque temos que lidar com a deficiência, porque temos que aprender novas coisas para lidar com isso mas porque eles também aprendem, porque eles também têm que lidar com uma sociedade na qual os tentamos incluir e integrar, porque têm que aprender coisas tão básicas como falar quando isso é dado adquirido a outros... Diferentes sim mas muito iguais também. Mostrar a diferença  mas também mostrar os pontos comuns. 

Não houve referências a autismo nem a nenhuma outra patologia ou deficiência. Houve sim a tentativa de mostrar, em vários polos, que todos aprendemos coisas adequadas para nós: braile, escrever ou pintar sem usar as mãos, encontrar estratégiuas de mobilidade numa cadeira de rodas ou andarilho. 

 

E sabem o que me deixou de coração leve e de sorriso apatetado? Aquelas 300 crianças com quem falei e conversei e para quem li hoje não veem  a cadeira de rodas ou o andarilho ou as miúdas gémeas autistas: veem os seus colegas de turma, veem o seu rosto, chamam-nos e tratam-nos pelo nome. 
Hoje sinto que o mundo pode ser um bocadinho melhor. Hoje estou feliz pelo amanhã próximo das piolhas. 

 

 

 

Já agora, esta era a história:

 

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publicado às 18:18

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