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Hoje é dia de egoísmo...

por t2para4, em 28.05.13

... dos pais.

Os últimos dias não têm sido propriamente um mar de rosas e o que descrevi aqui foi apenas o início de uma crise como nunca tinha visto. Não é da idade, não é do tempo - é da ansiedade, da falta de sono, do acumular de tensões associados ao autismo. Assustei-me apavoradamente ao ver a piolha assim, foi tudo completamente diferente do que já tinha visto nelas até então e nem sequer se tratou de uma birra...

Depois de contactar o pediatra da unidade de autismo e explicar o que se passara, aguardei feedback. O dr. Frederico foi fantástico e ligou-me no fim de semana para confirmar um pouco o que já sabíamos que iria acontecer: regresso à melatonina e à risperidona ao final da tarde. Estivemos imenso tempo a conversar sobre estes últimos tempos e uma das coisas que ele me perguntou foi se tínhamos sido suficientemente egoístas. Confesso que nem por isso. A verdade é que, apesar de ter feito um time out de muita coisa, continuei a viver pelas e para as piolhas. 

Assim, passei a fazer um pouco do que fazia antes e, por preguiça e comodismo, deixei de fazer com tanta frequência, com a ânsia de vir para casa: começaram a passar mais tempo em casa da avó enquanto eu vou às compras ou dou uma volta pela localidade a tratar de burocracias, aproveitamos para passar o fim de semana ao ar livre e não deitados (bem, deitadA, eu) no sofá ou a tratar de domesticidades e vamos ao cinema. A bem dizer, acho que já não vou ao cinema desde os "Piratas das Caraíbas 3"... 

 

Vou ver um filme para o relax: "Velocidade Furiosa 6" porque sim, porque gosto de carros, porque tem gajos bons, porque o marido também gosta do filme e porque já vimos os outros 5 e gostámos e porque juro que até me dava jeito um daqueles carros do filme anterior (aquele que é militarizado e que o nosso estado ia para comprar mas acabou por desistir). Seria uma gaja feliz a conduzir um bicho daqueles :) :)

 

Gostos à parte, precisamos deste momento e temos mesmo que afastar este sentimento tão típico da nossa geração e que não existia nos nossos pais: o sentir culpa por estarmos longe dos nossos filhos. Eu tenho que me mentalizar, cada vez mais e mais do que nunca, de que apesar de muito minhas, as piolhas também são dos avós, da tia, das amigas, etc. E que, estando elas bem entregues e felizes, eu não tenho que sentir culpa absolutamente nenhuma.

 

Assim sendo e como vai sendo hábito, breathe in breath out and time out for selfishness without a hint of guilt.

 

 

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publicado às 14:09

Hoje vou passar-me à séria.

por t2para4, em 23.05.13

É desta que me passo.

 

Ponto da situação?

 

- uma piolha anda tão elétrica que até doi olhar para ela

- arrancou um punhado de cabelo à educadora (estou roxa de vergonha...)

- arrancou outro punhado de cabelo à irmã

- ficou sem póneis e barbies até domingo e pu-los numa caixa

- arrancou outro punhado de cabelo à irmã

- grita e chora que se mata

- anda com frio da cinta para cima (3 peças de roupa) e nua da cinta para baixo e descalça

- guincha que nem um porco

- ri que nem uma perdida

 

Já nem lhe ligo porque senão vou andar a dar-lhe palmadas até à noite. Está restrita ao meu colo - aconteça o que acontecer - até se acalmar...

 

É do tempo? É mau feitio? É má educação? É autismo? É desafio? É da idade? 

 

Ora porra para isto.

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publicado às 18:54

Upside down

por t2para4, em 23.05.13

E, antes de voltar este tempo mais ameno e solarengo, depois da escola e do trabalho, foi assim:

 

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publicado às 10:51

Pare, escute e olhe

por t2para4, em 22.05.13

Que sou controladora, já mo disseram várias vezes.
Que não posso controlar tudo, também já mo disseram várias vezes.
Que gosto de ter algum controlo na minha vida e de quem me rodeia, também já mo disseram e assumo.

 

De vez em quando é preciso parar. É preciso ter noção dos nossos limites, de ter algum auto-controlo, de seguir pelo caminho mais difícil e longo e ignorar aquilo que nos apetece fazer no momento - sucumbir à autocomiseração, deitarmo-nos numa cama e não nos levantarmos nem para comer.
Estes momentos têm tendência a repetir-se, esporadicamente, na minha vida, não sei se para me dar um abanão ou se para ver se continuo a ter força ou vontade de lutar, não sei porquê nem para quê. Só sei que acabo por ter que pôr algumas coisas em modo pausa, refletir calmamente, precisar de alguém do meu lado com a lucidez e frieza que já não tenho, redefinir prioridades sem nunca mudar a prioridade número 1: as minhas filhas e, por acréscimo, a minha família.


Costumo dizer que também devo ter algum problema sensorial mal resolvido pois acabo por me deixar afetar pelo estado do tempo (nem imagino como seria viver num país mergulhado na penumbra metade do ano ou ter temperaturas abaixo ou até zero o ano todo) e isto, por muito estranho e absurdo que possa parecer, pega-se e cria uma espiral muito pouco benéfica no nosso t2. Se eu ando mais agitada/elétrica/ansiosa/preocupada/angustiada, as piolhas ficam mais agitadas e ansiosas, com mais predisposição a terem meltdowns, o que, por sua vez, me vai enervar e as enerva a elas e quando damos por nós, estamos as três a tornar o t2 num manicómio, perante as ameaças repetitivas do marido de vai pedir ao chefe para o pôr a trabalhar em vez de lhe dar folgas.


Ora, assim, o ideal é mesmo parar e respirar fundo.

Não dá para fugir do trabalho mas dá para o gerir de forma mais eficaz; não dá para evitar uma birra autista mas dá para desviar o foco de atenção ou proporcionar momentos de relaxamento (uma banheira cheia de espuma, um jogo de pinturas com pincéis, puzzles, andar descalço pela casa com meias fofinhas, preparar os nossos pratos preferidos, etc.) e passar tempo de qualidade juntos, nem que sejam apenas 10 ou 15 minutos antes de pegarmos naquele projeto que tem que ser entregue ao chefe no dia seguinte. Não dá para evitar – nem é conveniente fazê-lo – a ignorância ou alguma crueldade das pessoas mas, já me dizia a minha avó, que “aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes” e, com o passar do tempo, essa imunidade acaba por se criar. Mas (ainda) há (tantas) coisas que não consigo esquecer. Talvez até já estejam perdoadas mas não esquecidas (forgiven not forgotten...)
Há momentos assim. Momentos de extrema ansiedade e pavor, que nos colocam à prova uma e outra vez, e que exigem autopreservação e recolhimento. Para nosso bem e para o bem de quem nos rodeia.

Talvez seja apenas eu a querer assumir o controlo do que me escapa ao controlo… Ou talvez seja só eu a querer ser eu mesma outra vez…

 

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publicado às 13:35

... eis alguns momentos destas últimas semanas.

 

  

Momentos de compensação por as piolhas terem sentido, injusta e involuntariamente a minha ansiedade, depois deste susto que terá mais desenvolvimentos em junho:

 

Mais idas ao dentista (esta com direito a uma birrinha e alguma má-vontade) e mais um dentinho caído para justificar a visita da Fada dos Dentes ao nosso t2

  

  

  

(Está noite, a piolha está a dormir, a fada dos dentes com asas grandes deixa uma prenda debaixo da almofada)

  

 

Treina-se o comportamento adaptativo...

 

Continuam as ações de sensibilização em relação às PEA e, desta vez, com a ajuda de Fernando Pessoa :) 

Também com algumas birras à mistura, principalmente quando o tempo fica demasiado instável e as pequenas-grandes obsessões das piolhas se tornam um problema...

 

Ninguém notou que aquele DVD estava numa posição diferente... Excepto as piolhas que tentaram de tudo para o colocar no local, o que ia mandado o móvel abaixo. Lá pediram ajuda ao pai.

 

  

 

Mais momentos de descompressão e mudanças em casa - a  nossa coffee station. E os nossos finais de almoço, aos fins de semana em que o pai está a trabalhar, com direito a banho de espuma (gel de banho, água de rosas e algumas gotas de óleos essenciais) e manicure

 

 

 

"Hoje não está um belo dia..." e o regresso das alergias e do seu maravilhoso antihistamínico, depois de noites seguidas a mudar lençóis e a limpar vomitado

 

 

Momentos de leitura (nem que seja o dicionário), de jogos e de pintura

 

 

 

 

Uma festa do pijama num dia  muito especial e inesquecível com direito a yoga (não nos iludamos, esta posição durou o tempo de tirar a foto e de me mostrar que yoga para crianças não funciona com as MINHAS crianças e que me enerva mais do que me acalma)

 

 

Muito trabalho voluntário para ações de formação relacionadas com a Intervenção Precoce, finalização de projetos em que nunca pensei estar envolvida, muito cansaço e alguma dificuldade em relaxar, mas com outro ânimo.

 

Piolhas matriculdas no 1º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico e inscritas nas refeições escolares (almoçam no refeitório da escola), entrega de documentos e papelada, preenchimento de formulários e projetos de apoio (fica para outro post). 

 

I'm back. 

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publicado às 18:25

Still off

por t2para4, em 09.05.13

Muitos momentos para gerir, muitas informações para digerir, muita papelada para apresentar, muitas mudanças. 

Neuras que vão e vêm, birras qb, estados de tempo incompreensíveis e novas neuras.

Momentos de tristeza súbita que se intercalam com momentos de orgulho e alegria.

Muito cansaço, daquele cansaço que nos faz adormecer 5 minutos depois de nos sentarmos em qualquer lado, nem que seja numa cadeira de picos...

 

Por isso,

 

 

Receitas milagrosas aceitam-se. Agradecida.

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publicado às 11:09

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