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Uns dias de caos...

por t2para4, em 30.05.14

... mas a perspetiva de mimo e preocupação felina... A piolha doente, com 39 de febre, mas os seus amiguinhos a mimá-la...

Voltaram os meltdowns, os surtos, as crises... Recomeçaram os problemas na escola, terei reuniões sobre muitas mudanças/apoios/etc.... E eu estou no meu limite...

 

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publicado às 21:39

Já tinha referido os meus receios de novos animais de estimação e a dificuldade que tem sido descobrir a origem das recentes crises asmáticas do marido. Mas a verdade é que ainda bem que arriscámos.

Eu e as piolhas somos, definitivamente, cat people. Não é que não gostemos de cães ou de peixes (aliás, ainda temos os nossos, com 3 anos de idade - gigantescos!) mas gatos é outra onda. E uma boa onda.

Desde que os gatinhos vieram para casa que noto umas miúdas mais responsáveis em relação a eles, pois não são brinquedos, são animais que sentem felicidade e carinho e dor e medo, tal como elas.

De facto, não convém esquecer que os gatinhos vieram a seu pedido. E assim, o t2, pouco a pouco, lá se foi acomodando para receber mais um par de gémeos, a minha nova sombra quando as piolhas não estão em casa.

 

A relação entre estes dois pares de gémeos é quase mágica e única. Quando as piolhas vão para a escola, eles espreitam da porta da cozinha (onde têm a sua caminha, arranhador, comida e wc) como quem diz "até logo!" e quando elas chegam a casa, eles são os primeiros a dar-lhes as boas vindas! Não o fazem comigo nem com o marido, só com elas; vão ao quarto despedir-se como quem deseja boa noite e de manhã, tomam o pequeno almoço juntos: ração para os gémeos mais novos e leitinho achocolatado para as gémeas, na cozinha - algo que as piolhas não faziam. Ainda agora as piolhas foram dormir e o Quico e o Silvestre foram ao quarto. Mal se apaga a luz, eles saem, sozinhos.

Educar os gatinhos não tem sido complicado: todo o processo de ensinar a usar a areia (que mudámos agora para sílica) foi feito em frente a eles e incitando-os a usar o espaço, saber como agir com aquela porta vaivém. O mesmo com as tacinhas da ração e a água.

O espaço principal dos gatinhos fica na cozinha, apesar de terem acesso a todo o t2. E há regras a cumprir por todos: não há gatos em cima dos sofás, a menos que estejam ao nosso colo; não há gatos em cima das camas e muito menos dentro das camas, de modo algum; não há donativos de comida nossa por muito que pedinchem (e o Silvestre pedincha que se farta... mas passa); e, para já, não podem ter acesso à varanda por causa do motor do ar condicionado e da rede que está rasgada num cantinho.

E, tal como as crianças, são castigados quando se portam mal (querem roer um cabo, sobem estantes, sobem para o sofá ou tentam atacar as cortinas, por exemplo): uns esguichos no focinho/cabeça e resulta. O mais engraçado é que eles amuam como as crianças e vão para a caminha, como quem disse "vai para o teu quarto de castigo!". Uma delícia.

 

E o que fazem estes quatro nos fins de semana? Brincam juntos, os gatinhos sentam-se e dormem ao colo das piolhas enquanto elas fazem os TPC, elas leem para eles, uma festa pegada. E, como são bebés, ainda dormem muito e as piolhas têm tempo de sobra para brincar com poneis.

 

 

 

 

 

Já fomos ao veterinário juntas: foi fantástico ver uma piolha a levar a caixa de transporte, com todos os cuidados, apesar de ter uma constipação em cima e mal conseguir abrir os olhos... E chegadas à clínica, esperaram a sua vez, explicaram tudo à veterinária, falaram das rotinas dos gatinhos, etc. Foi indescritível. Eu apenas tive que ir corrigindo informações e traduzir algumas palavras.

Não se compara o que elas são agora com os gatinhos com o que foi com um cão. Ainda hoje ouvi uns desdéns por causa disso: ainda há pessoas que acreditam categoricamente que um cão é que é o ideal para uma criança com autismo. Eu cá acho que deve ser o animal que essa criança escolher. E também acho, aqui para nós, que os gatos também são um bocadinho autistas ;)

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publicado às 21:28

Hah, in your face, autism!

por t2para4, em 18.05.14

Adivinhem lá quem foi assistir ao Zig Zag ao vivo, quem foi?

Adivinhem lá quem assitiu a todo o programa, apesar de ser a mãe a atirar os foguetes e a apanhar as canas e a fazer a festa toda, quem foi?

Adivinhem lá quem aguentou todo o espetáculo e gostou de ver as personagens, quem foi?

Adivinhem lá quem, dali, ainda foi assitir a uma peça de teatro interativa no Museu Machado de Castro e, apesar de tudo e de só termos estado lá 10 minutos, portou-se muito bem, quem foi?

 

Hell, yeah!!!! In your face, autism!!! You cannot always win, you just can't! You know why? Huh? Because I am a MOTHER!!! Hah!

 

Fiquei histericamente feliz, correu tão bem, mesmo mesmo. Claro que, ajudou ter escolhido um lugar sentado, com elas ao meu colo (sim, as duas, 22 kg em cada uma das minhas pernas...), na última fila, sem a noção da quantidade de gente que se aglomerava ali. E também ajudou a ânsia de ver o Zacarias, as canções e a promessa de que se conseguissem aguentar um bocadinho grande, lhes compraria mais uns livros da Barbie and the Dreamhouse para a sua coleção.

 

Hoje faço uma pequena dança da vitória (pequena porque o marido continua com asma)... O post mais detalhado seguirá em breve!

 

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publicado às 22:13

E quando não se tem tempo para pensar, não se pensa, age-se.

Hoje foi um daqueles dias em que, se eu usasse farda, optaria por uma única, à Fidel Castro, tipo multiusos, porque, fiz de tudo... Um sabado em grande.

Dormi até tarde (se considerarmos que 10h é tarde e eu estive sempre a ouvir as piolhas desde as 7h30) mas mal acordei vesti logo mil profissões/atividades:

 

- Foi dia servir de cozinheira, emprefada doméstica sem descanso e limpar a casa de alto a baixo (só faltou lavar paredes), virar colchões, sacudir cobertores e edredons, aspirar e limpar pós invisíveis e pêlos que não existem, lavar chão que tem muito pouco de sujo. Estranho? Já perceberão porquê.

- Foi dia de servir de veterinária e aplicar levuras a gatos e de limpar mais umas diarreias em locais distantes da caixa de areia, de colocar bepanthene em rabos de gato (sim, e o pobre nem usa papel higiénico... Tinha o rabo em obras, coitadito), limpar areias, lavar cama/manta/tapete. E de dar banho com champô seco aos dois, que, como aquilo é em spray, acharam que estavam a ser castigados sabe-se lá porquê. Depois sairam muitas doses de mimo e muita brincadeira com as piolhas.

- Foi dia de servir de motorista apressado e ir à farmácia de serviço e implorar para que me vendessem um broncodilatador sem receita médica, até sugeri assinar um termo de responsabilidade. Tive muita sorte e consegui. Para que raio queria eu um broncodilatador? Para parar uma crise de asma do marido. Aquela mesma asma que ele já não tinha há 10 anos, aquela asma que ele nunca teve nesta casa, aquela asma que ele nunca teve quando tivemos 2 gatos durante 2 anos, aquela asma que ele nunca teve quando viveu uma golden retriever cá em casa... Não sei se foi da humidade do Inverno (já tratámos de tudo isso em casa), se do excesso de pólens, se os gatinhos traziam algo com eles. Espero quue não seja alérgico aos gatinhos senão tereos um sério problema para explicar às piolhas...

- Foi dia de servir de enfermeira, perante este cenário, e de controlar tensão arterial e ritmo cardíaco antes e depois da medicação.

- Foi dia de ser artista e inventar pulseiras de elásticos, a partir do youtube, só para ver sorrisos nas caras das piolhas.

- Foi dia de ser terapeuta ocupacional e treinar, através da construção das tais pulseiras, a motricidade fina porque todos nós em casa temos pulseiras para usar.

- Foi dia de ser secretária e telefonar a quem fazia anos, enviar emails e saber de uma amiga recentemente submetida a uma cirurgia.

- Foi dia de ser tanto e fazer tanto e trabalhar tanto que não houve tempo para pensar em mais  nada, só no que tinha em mãos.

E chega. Porque, além de psicologica e mentalmente cansada, hoje estou fisicamente estoirada. E preocupada, desejando que  raio das crises de asma não regressem/não piorem e os gatinhos não tenham relação com isso...

 

E dava-me jeito ser um polvo.

 

 

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publicado às 23:35

Macramé borrachoso das cartiers do t2

por t2para4, em 17.05.14

Parafraseando o Ricardo Araújo Pereira , nas suas "Míxórdias de Temáticas".

 

Que ingredientes usámos para fazer umas pulseiras giríssimas, bem mais giras que as das colegas:

- uma mola da roupa

- borrachinhas (um pacote de 300 elásticos, 12 molas e um agulha de crochet em plástico custou 0,70 €)

- um vídeo no youtube (usei este mas há centenas)

- piolhas no meu colo

 

E lá começámos nós. Pouco a pouco, seguindo as instruções do vídeo e experimentando nós. Simples.

 

 

 

E o entusiasmo e a facilidade de criar pulseirinhas é tão grande que todos nós fomos contemplados. O pai ficou todo impressionado com o cuidado delas em verificar, ao longo do processo, se faltavam muitos elásticos até servir. E um treino fantástico da motricidade fina e da imaginação, pois para o pai não usaram elasticos roxos nem rosa, e não colocavam dois elásticos de cores repetidas seguidos.

 

 

 E pronto, miúdas felizes que já sabem como fazer o mesmo que os colegas, embora, ontem, uma menina que nada tem a ver com elas, apenas uma conhecida do jardim onde brincam, tivesse tentado ensinar outra técnica. Menos mal.

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publicado às 14:31

A louca

por t2para4, em 16.05.14

Por favor, internem-na. Assim, tipo, longe e ponham-lhe chá de camomila na chávena e tabaco nos cigarros. Porra, é assim tão difícil?!

 

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publicado às 21:30

Happy, now?

por t2para4, em 16.05.14

Está um tempo lindo, sol e vento morno, tal como gosto. Mas estou triste a sentir-me um bocado frustrada e inútil. Dá-me a sensação de que os breves momentos de felicidade e de calma que temos são sempre interrompidos ou invejados ou sei lá o quê.


- Ontem, as piolhas tomaram a iniciativa (yay!!!) de aprender a fazer o macramé borrachoso (as pulseiras de borracha) e pediram (novo yay!!!) para serem ensinadas. Disseram-lhes que não, só para ficarem a ver. Eu sei que é normal, os miúdos fazem isto, mas custou-me a mim, mãe que as conhece, ver o esforço que foi tomar estes passos para ouvir "não". Também precisam de o ouvir de colegas, é verdade, mas ficaram tristes e eu também.

Prometi que lhes arranjava os elásticos e a maquineta. Treinaremos a motricidade fina até fartar este fim de semana, elas farão pulseiras para quem quiserem e, depois de falar com o professor do ensino especial, irão ter momentos de descontração na unidade com esses materiais - porque, à semelhança das colegas, também as querem levar para a escola. Mas, como são tão inocentes, ficariam sem elásticos e sem máquina em menos de um nada.
- As piolhas adoram os gatos, os gatos adoram as piolhas. Não se compara a nada esta relação, é qualquer coisa. Ora bem, desde domingo à noite até agora que já gastei quase 70 euros com eles. 70 euros que me encheriam a arca congeladora de carne!! Um está com diarreia, teve que ser medicado de urgência, estão ambos a tomar leveduras. E a fazer diarreias... E tiveram que fazer antibiótico localizado nos olhos.
- O meu curso, o tal que eu estava a adorar fazer, que me estava a dar imenso prazer estudar, preparar e assistir, é para desistir. Logo no meu primeiro trabalho, a minha avaliação - feita por colegas e não por professores - foi de 1 numa escala até 6. A sério? Serei assim tão burra? Tenho gente que ne corta avaliação porque não distingue um typing error de um erro lexical de um erro sintático.

 

Estou f-a-r-t-a, farta, farta, farta, farta. Preciso de paz, preciso de sossego, quero estar com as minhas meninas, a fazeê-las felizes. Não preciso destas coisas.

Vou ali chorar até cair e depois vou trabalhar, tá?

 

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publicado às 13:21

O valor do que se perde

por t2para4, em 14.05.14

As piolhas vão enfrentar a perda e perceber o valor das coisas, da maneira mais prática que existe: através da realidade.

Uma das suas obsessões é ter sempre as mãos ocupadas. Ora, como estão proíbidas - por mim e pelo pai - de levar brinquedos para a escola, eu deixo que levem livros, até porque leem quase tudo e gostam. Têm levado livros da Barbie (uns enormes que comprei no Lidl há uns tempos e uns mais recentes da Barbie and the DreamHouse).

Desde que têm os gatos que uma delas esqueceu as mãos ocupadas e já não leva nada, embora ainda peça parra levar os óculos de sol ou um boneco ou assim - sem sorte. A outra ainda precisava de levar de um livro. Queria levar dois mas lá aceitou a minha ordem de dedo em riste "só UM!". E levou-o e andou com ele para todo o lado e... perdeu-o.

À saída, obriguei-a a ver pela escola toda, a ir às salas onde esteve, a perguntar às funcionárias, a ver na biblioteca. Nada de livro. A certa altura fugiu sem avisar para onde ia, simplesmente desapareceu. Quando a encontrei, levou duas palmadas naquele rabo e nem se atreveu a fazer beicinho nem cara feia. Soube que errara.

Resultado: o livro não apareceu - e se alguém o levou, não voltará a aparecer, apesar de lá irem escritos os nomes delas -, ficou com uma coleção estragada (uma coleção antiga, para aí finais anos 90, princípios anos 2000, comprada no ebay, só da Disney em Inglês), perdeu o livro de que mais gostava e ficou de castigo: além de ter ido arrumar o quarto mal chegou a casa e colocar livros nas prateleiras para ver o que tem, tão cedo não vai andar a fazer pulseiras de borracha (aka macramé borrachoso) em casa. Que as faça na escola com os amigos, se quiser.

E, assim, de forma dolorosa - porque perdeu algo de que gostava e não se atreve sequer a verter uma lágrima ao pé de mim - vai aprender a dar valor às coisas e a perceber que as obsessões não são coisas saudáveis.

 

E eu vou tomar um victan porque já me enervei e porque ainda há pessoas que acham que eu é que sou obsessiva porque também tinha coisas na mão - a mão da piolha que não se atreveu a descolar depois de ter fugido e levado duas palmadas. No dia em que souberem o que é passar por estas merdas - porque o autismo também é isto: as obsessões, o ter as mãos sempre ocupadas nem que seja com um estojo, o não pensar em nada exceto noq ue vem à ideia naquele momento e agir, o ter predido algo e ficar um disco riscado até sabe-se lá quando -, nesse dia e somente nesse dia, falem comigo. Até lá, ponham a mão na boca e arranquem as cordas vocais. Assim os pensamentos, como direi, de merda!, não terão como sair. Verbalmente.

 

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publicado às 18:11

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