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Baby steps - mais uma conquista

por t2para4, em 28.11.14

Sabemos que é uma conquista gigantesca e tão valorizada quanto mais insignificante ela for aos olhos dos outros. Apesar de tudo, hoje, estou muito orgulhosa das piolhas e dos seus pequenos grandes passos:

 

1 - comprar as refeições sozinhas, no quiosque, para toda a semana, sem se enganarem;

2 - carregar os cartões com o dinheiro que lhes dei, sem o perderem e guardarem o recibo.

 

E mai nada. You go, girls!

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publicado às 21:33

Texto adaptado do original em http://lifestyle.sapo.pt/familia/pais-e-filhos/artigos/20-sinais-de-que-e-mae-de-meninas, à realidade do t2para4

 

 

Apesar de terem momentos simplesmente arrapazados e se tornarem em marias-rapazes em casa da avó durante o tempo quente, trazerem leggings completamente rasgadas nos joelhos de cada vez que as vestem e vão para a escola, tenho duas pindéricas vaidosas em casa. E gosto! Gosto das duas versões! Uma não impede a outra!

 

 

Portanto:

1. O cesto da roupa suja é uma mina de brilhantes soltos, ganchos e puxos de cabelo e uma ou outra peça de roupa das Polly Pockets (go figure...).

2. Conhece cada palavra de cada canção alguma vez interpretada nas séries e filmes "My Little Pony", "Frozen", "Princesa Sofia".

3. Já teve de justificar a sua manicure aos alunos, quando tem unhas brilhantes ou uma de cada cor.

4. Sabe todos os nomes, enredos e príncipes, para cada uma das princesas da Disney. E, vamos ser honestas, também está secretamente muito animada para visitar a Disney. O momento em que ela vê pela primeira vez o castelo da Cinderela ou cumprimenta a Bela? É incrível! É favor incluir aqui "My Little Pony". Ainda hoje (re)vi pela enésima vez "Equestria Girls Rianbow Rocks" e fartei-me de cantar com elas.

5. Consegue perceber todas as piadas de pisar em Lego se estes forem substituídos por Polly Pockets ou Littlest Pet Shop.

6. Procura caminhos alternativos nos centros comerciais para evitar passar à porta de uma H&M (porque vendem lá roupa My Little Pony).

7. Já presenciou um colapso nervoso épico sobre… roupa. E sapatos.

8. Já viu a sua filha a pestanejar para conseguir o que quer (na maioria das vezes com o pai).

9. Ri-se todas as vezes que a sua filha calça os seus sapatos, agarra na «mala» e nas «chaves do carro» e diz «Estou pindérica?».

10. Já cedeu e deixou a sua filha ir ao supermercado vestida com um tutu e uma coroa de feltro porque simplesmente não quis ouvi-la aos gritos.

11. Já raspou autocolantes de todas as superfícies imagináveis.

12. Pode tornar-se profissional das coreografias das músicas "Equestria Girls - My Little Pony".

13. Justificou a presença de poneis em sua casa com um "mas elas aprendem tanto em inglês com os poneis" (o que é verdade. Hoje, ao (re)ver o filme, com legendas em inglês, notei que perceberam melhor que eu algumas falas e que leem aquilo na boinha).

14. Já subornou a sua filha para que ela vestisse algo incrivelmente bonito.

15. Já fantasiou sobre a sua filha se tornar um ás em algo decididamente não-feminino – carros ao estilo "Velocidade Furiosa" e "Overhauling".

16. À hora do jantar, tem que ordenar ao estilo militar que não quer poneis nem sofias nem ambers nem littlest petshop em cima da mesa..

17. Já foi a bruxa má, o príncipe, o bebé, uma princesa/sereia amiga e, sim, o gato, mais vezes do que consegue contar pelos dedos das duas mãos.

18. Já procurou online por mais do que uma vez torrents para sacar os últimos episódios do "My Little Pony" ou "Princesa Sofia".

19. Já viu as suas filhas realizar um movimento de dança sexy e quase caiu da cadeira (na realidade ia tendo um AVC).

20. Adora sair com as suas filhas para um «tempo de meninas», mesmo que não seja realmente uma mulher ultrafeminina.

 

 

Adaptado por Maria João Pratt e readaptado por moi

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publicado às 23:53

Tagarelice #39

por t2para4, em 20.11.14

Há já muito que não vinha postar as conversas das piolhas!

 

Todos os dias, ao acordar e enquanto bebem o leitinho, gostam de ir ao google pesquisar o que se celebra nesse dia. Hoje, uma das piolhas veio ter comigo e pergunta-me:

 "O que é 'consciência negra'?"

E pensei eu "Holly shit, como vou explicar os princípios da moral humana, de que somos todos iguais independentemente da cor da pele e das diferenças e que isto tem a ver com a luta contra o racismo?" Acabei por lhe responder, de forma demasiado simplística, que "consciência negra" era gostar e respeitar pessoas com um tom de pele de cor diferente, como alguns dos seus coleguinhas de turma, pelo que eles são e não porque têm uma cor diferente. E que, além disso, os coleguinhas delas eram muito giros e um deles tem um cebelo lindíssimo! E são bons meninos. E é isso que interessa.

 

Silêncio.

 

Resposta dela: "Então, hoje é o dia de sermos todos castanhos como os nossos colegas?"

Bato na cabeça à Homer Simpson mentalmente e digo "Não é sermos todos de cor de pele igual, é respeitarmo-nos por igual".

"Mas já fazemos isso!", exclama ela admirada.

 

E nada me enche mais de orgulho do que saber que as minhas filhas, apesar da complexidade dos temas com que a sociedade nos presenteia e da sua própria dificuldade em entendê-los (obrigadinha, autismo - ironia), são crianças que não vêm a diferença antes de ver a pessoa (aqui sim, sem ironia, obrigada autismo). E têm valores universais como o respeito e amor ao próximo.

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publicado às 12:57

Novembro - mês da prematuridade

por t2para4, em 16.11.14

E dia 17, o dia escolhido para assinalar a consciencialização e sensibilização para a prematuridade.

Toda a informação sobre o que é a prematuridade, o que é ser-se prematuro, que condições especiais um bebé prematuro requer, que tipo de prematuro pode um bebé ser, etc, uma verdadeira fonte de informação fidedigna em http://www.xxs-prematuros.com

 

As piolhas seriam consideradas prematuras pré-termo limiar, visto que nasceram às 35 semanas + 5 dias e com peso de 2,430kg. Seriam consideradas mas eu nunca as considerei prematuras por razões que explicarei à frente.

 

As piolhas sempre foram muito apressadinhas para nascer e cresciam demasiado depressa para o ritmo do meu útero. A certa altura, fiquei proibida de fazer festinhas na barriga ou de estar com a mão pousada (o que me custou imenso....) e até a sonda do ecógrafo fazia saltar o gráfico das contrações... Foi a muito custo pessoal e com muito empenho da parte da minha família e da equipa médica que me/nos acompanhou que as piolhas se aguentaram tão bem e tanto tempo, surpreendendo toda a gente com um peso excecional. O risco de super prematuridade surgiu logo às 24 semanas, altura das ordens de repouso absoluto. E o risco não era só para as bebés nem para mim, era para todos nós... O incrível é que a maternidade onde fiquei e onde fomos bem tratadas (exceto nas consultas de desenvolvimento mas isso são outros quinhentos), não estava preparada para receber mais bebés prematuros abaixo do peso considerado habitual. Quase todas as incubadoras estavam ocupadas e só havia uma de reserva no sótão + a do INEM em caso de necessidade. Esta hipótese esteve sempre pendente sobre as nossas cabeças até ao dia do parto. Lembro-me perfeitamente da angústia, do medo que senti e do quanto chorei quando a equipa médica se reuniu no quarto onde eu estava e falava como se eu não estivesse presente, ponderando uma transferência para os únicos locais do país preparados para bebés com tão baixo peso: ou Porto (no São João) ou Lisboa (na Estefânia). Mas ninguém se chegava à frente pois a viagem era um risco, quer de helicóptero quer de ambulância. Foi às 33 semanas e as ecografias mostravam bebés saudáveis (embora também pairasse sobre nós a ameaça de ter apanhado varíola, o que nunca se confirmou) mas com baixíssimo peso para o tempo de gestação. Acabámos por vencer essa batalha, à custa de imensa medicação e corpo deitado... Quando me punha de pé e precisava de andar, parecia que tinha as pernas descoordenadas e não aguentava o peso da barriga.
Entrei em trabalho de parto sem o saber. A equipa foi surpreendida e não dava para esperar mais. Lá veio a incubadora de reserva e o INEM foi alertado. Escusadamente porque as piolhas surpreenderam tudo e todos ao nascerem com quase 2,5kg!!!! Tudo impecável, capacidade respiratória perfeita, indíce de apgar normalíssimo, tudo fantástico e até mamaram na primeira meia-hora! O mecónio de uma foi feito mal nasceu, o da outra pouco depois. Portanto, órgãos a funcionar perfeitamente.

 

Apesar de não terem ido à incubadora, acompanhei de perto a luta das nossas amigas trigémeas e relembrava os gémeos da vizinha dos meus pais que cresceram lá em casa, todos prematuros. Uma das trigémeas nasceu com 650 gramas. Eu olhava para 1kg de arroz em casa e doía-me o coração... Estávamos as duas grávidas do mesmo tempo e, enquanto eu lutava para manter as piolhas na barriga, uma das gémeas dela começou a mostrar problemas com a placenta por estar a partilhá-la... Nasceram todas de 29 semanas: duas gémeas idênticas e uma fraterna. Foram meses infernais e de uma angústia horrível que aqueles pais passaram na maternidade, entre as minhas entradas e saídas e depois saída final, ao todo, cerca de 3 meses na maternidade e mais 1 mês no hospital da localidade dela... Ela foi a 1ª a ver as minhas filhas, acompanhada pelo meu marido e mãe. Uma amiga para sempre, umas meninas quase minhas também. Lembro-me tão bem, bem demais!, do aspeto que elas tinham quando começaram a livrar-se dos fios e das terapias e ainda tão vermelhinhas, tão cabeçudas, tão carequinhas, com os olhos tão salientes... E pensava que não era justo começar a vida numa luta tão grande e tão desigual. E sem saber se elas poderiam fazer o que todos os outros bebés fazem, sem dificuldades... Ninguém dava certezas de nada...
As sequelas, felizmente, foram mínimas, apesar de ter havido "buracos" na cabeça que demoraram a desaparecer. A que tinha menos peso sofre de paralesia cerebral a nível motor e precisa de fisioterapia regular e de injeções de botox no braço e perna esquerdos. Mas monta a cavalo melhor do que muitos adultos que conheço. Sozinha!
Hoje com quase 8 anos, estas meninas são lindas, inteligentíssimas, fluentes em 2 línguas, crescidonas e ninguém NINGUÉM diria que passaram por um calvário à nascença. Quantas vezes se me parava o coração quando via a mãe delas surgir na porta do meu quarto no internamento, lavada em lágrimas? Felizmente, essa má notícia nunca veio.

 

Para mim, as piolhas nunca apresentaram nenhum sinal de prematuridade exceto o tempo de gestação com que nasceram. E, tenho para mim, que essa ausência poderia ser, desde logo, um dos muitos sinais de autismo. Nunca quis e sempre objetei a sugestão da idade corrigida porque o que elas faziam/não faziam não batia nem coincidia com nenhuma das check lists que os pediatras por lá tinham. Aliás, sempre lhes fiz tudo, baseando-me na idade de nascimento. E, continuo a fazê-lo, apesar de saber que a idade comportamental deve agora rondar os 5 anos e a idade congnitiva há de andar algures perto dos 8 anos. Demasiadas idades dentro de uma idade cronológica de 7 anos e 4 meses.

 

Não tenho palavras para descrever a força com que estes bebés se agarram à vida, a luta que travam todos os minutos, as angústias e medos e sorrisos e dores e felicidade dos pais, o sabor de cada vitória mínima - aquilo que valorizamos quando aos outros é dado como facto adquirido. O pavor das sequelas, o ter que lidar com elas - quando existem - para o resto da vida, em família, desgasta relações, os pais e até os filhos. E é neste mundo cruel e injusto que vive uma mãe trabalhadora que tem lidar com tudo isto, acabando por perder o emprego ou meter uma licença interminável sem vencimento porque, durante os primeiros anos, tudo será um teste às imunidades que são diminutas, as ausências ao trabalho serão imensas, a impossibilidade de colocar os filhos numa creche uma realidade. E poucos, muito poucos, percebem que a prematuridade não é só no nascimento mas também durante muitos anos...


Por isso, hoje, haverá uma peça roxa no meu vestuário em honra das minhas lindas guerreiras trigémeas mas também de todos aqueles que lutaram desde o 1º minuto de vida, quando essa fase deveria ser de tudo menos de luta.

 

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publicado às 21:55

Estivemos em mais um evento

por t2para4, em 16.11.14

No 4D&Friends, como tinha referido anteriormente. E os motivos prendem-se com questões pessoais, profissionais, de lazer e porque sim.

Raramente vamos a eventos e, na definição da palavra, poderemos incluir concertos, festas populares, algumas festas de aniversário, casamentos/batizados, festas de aldeia, mercados centrais. E as razões são as do costume: muita gente, muita confusão, ambientes barulhentos e com muitos estímulos (cheiros, sons, imagens, luzes), imprevistos impossíveis de antever, ausência de locais onde possamos refugiar-nos na iminência de um meltdown. Por isso, todos os locais onde vamos em passeio ou festas a que levamos as piolhas são bem ponderadas para que não seja estranho nem para elas, nem para nós, nem para os outros, em caso de crise.

 

As piolhas têm ido a algumas festas de aniversário e eventos públicos que seguem alguns dos trâmites mentalmente impostos por mim ou pelo pai: espaços amplos, pessoas conhecidas, mínimo de confusão, som controlável.

O evento do passado dia 2 de novembro encheu-nos as medidas. A Quinta da Pousada de São Pedro é um local fantástico, com um salão completamente amplo e sem pilares a meio; ida direta ao bar sem termos que fazer um percurso de obstáculos; disposição dos expositores das marcas muito bem pensado e organizado de forma a não nos baralhar nem forçar a passar pelos mesmos locais duas ou três vezes; espaços privados para mamãs que amamentam/aleitam e muda-fraldas, separados dos habituais wc; um espaço exterior maravilhoso perfeitamente adaptado e adequado a carrinhos de bebé, cadeiras de rodas ou andarilhos; piscina vedada com a proibição de utilização durante eventos (adorei a medida); estímulos exteriores saudáveis de forma a minimizar o aglomerado de pessoas no interior. E o insuflável fez as primeiras delícias das piolhas.

Passei a valorizar muito muito mais pessoas que têm em consideração o acesso a espaços que tenham determinadas condições para receber todas as pessoas. E enche-se-me o coração de alegria quando verifico que um evento preparado para uma escala bem maior do que o esperado, tem tudo aquilo que me/nos permite usufruir de tudo: compras, espaço, serviços, brincadeiras, sem esquecer áreas dedicadas às crianças como individuos com vontades próprias e não apenas os acompanhantes dos pais.

As más-línguas podem acahar snobismo ou esquisitice da minha parte pois quem vai a shoppings vai a todo o lado. Errado. As nossas idas ao shopping foram treinos e seguem rotinas que não podem ser quebradas (visitas por aquela ordem àquelas lojas para ver aqueles produtos e comer aquelas comidas, única e exclusivamente) mas que servem de preparação para a confusão facial, de vozes, sons, luzes, que incomodam muito quem tem autismo. Ir ao um congresso ou evento num salão sem acesso ao exterior - um exterior seguro - não é a mesma coisa e implica uma preparação prévia exaustiva da nossa parte. Não vale a pena o esforço. E, em caso de crise/meltdown, onde poderemos refugiar-nos? Num wc do género balneário?

Continuaremos com as nossas opções que, até ao momento, não têm sido más de todo.

 

As piolhas maravilharam-se com a mousse de chocolate do bar e com a conversa fiada da Concha e do Afonso, que, sem as conhecerem de lado nenhum, se meteram logo com elas por causa dos brinquedos e dos blogs. E a pobre da minha mãe sem perceber nada da conversa mas encantada com o à-vontade deles e delas!

Eu confesso-me maravilhada com o expositor da Catavento e, ao passar por ele umas poucas de vezes, pois estava mesmo ao lado da zona infantil onde as piolhas pintavam as caras e se divertiam com balões e jogos da macaca, namorisquei uns quantos jogos. Como já vem sendo hábito no t2, a maioria dos jogos didáticos que se aplicam às piolhas nesta fase já os temos (story cubes, puzzles em histórias, livros sociais, etc.) mas, ainda assim, acabei por comprar um puzzle de 200 peças com um mapamundo onde nos continentes estão desenhados os animais característicos de cada zona do globo, com poster incluído. Fiquei fã.

No espaço exterior, as maravilhas de um insuflável dão uns bons minutos de sossego aos pais. Pude sentar-me e conversar com a minha mãe enquanto as piolhas saltavam e atacavam com pulos a vaca e as latas do leite. E até havia um ponei!!!!! A única grande desilusão é que, além de cheirar mal (a ponei, pois...), não era colorido nem tinha cabelos compridos nem a magia da amizade para espalhar. Mas fizeram-lhe muitas festinhas e visitaram o cavalo ao lado que também recebeu miminhos.

 

E, depois de mais uma voltinha no relvado e umas fotos, beijinhos dados à Sofia e mais uns quantos enviados para a família e lá fomos nós de regresso a casa.

Este tipo de saídas costuma correr bem devido à variedade de hipoteses em caso de "indisposição" das piolhas. E, à medida que elas vão crescendo e adquirindo mais capacidades e competências sociais, mais fácil se torna para nós também. Para já, só tenho a agradecer a pessoas como a Sofia que, mesmo sem se aperceberem, têm aquela sensibilidade especial para criar algo a que posso chamar inclusivo.

 

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publicado às 18:09

Double trouble? Ná, orgulho a dobrar!

por t2para4, em 11.11.14

Há coisas que só os gémeos idênticos fazem e que eu nunca pensei que as minhas gémeas idênticas o fossem fazer, aliás, desistira de o esperar.

Eu explico melhor. Há coisas que fazem parte do mundo encantado dos gémeos idênticos como o culpar o irmão com o propositado intuito de baralhar os pais, o baralhar propositadamente os pais respondendo pelo nome do irmão, o trocar de lugares com o irmão, o falar criptofásico.

 

As minhas piolhas, gémeas idênticas, passaram pela criptofasia - confesso que ainda há alguns termos que me escapam e que são coisas mesmo e somente delas -, pela tentativa de enganar os pais - a mim! - respondendo pelo nome trocado, pelo culpar constante uma da outra para que ficássemos mesmo baralhados. E pronto. Ficou por aí a minha ânsia de cenas gemelares.

 

Mas ontem, ontem, eu saí da escola feliz. E admirada. E feliz. E estupefacta.

As piolhas estão sempre juntas, em todas as atividades por opção nossa e delas, mas, na hora final do ATL, os muitos pares de gémeos são separados por salas e tem funcionado muito bem. Como os alunos com e sem ATL saem todos pelo mesmo bloco, a confusão é imensa e os monitores organizam-se por filas para cada responsável levar a sua fila de meninos até à respetiva sala.

A minha alegria começa aqui: aproveitando a confusão, a gémea mais caladita, engendra o plano de trocar de lugares com a irmã porque na sala da irmã estava um brinquedo qualquer de que gosta imenso. Plano aceite, troca feita. E cada uma se manteve fiel à troca, sem se descair. Elas até foram com roupas de cores diferentes para a escola, por isso, tudo a corre bem.

Na sala da piolha do plano brilhante, os monitores acharam estranho mas, mesmo ao perguntarem o nome, ela esquivava-se e nada de se descair. Só foi totalmente descoberta e as dúvidas retiradas na altura da chamada... Como são muito territorialistas com o nome, a piolha disse que havia um erro na lista e que era o nome dela que ali deveria estar e não o da irmã.

 

Eu achei isto extremamente brutal. É qualquer coisa de extraordinário. O pensar e congeminar um plano - ainda que simples -, o aproveitar a confusão para fazer a troca, o saber que estariam sempre com pessoas conhecidas e seguras, o seguir em frente com esta ideia mostra um desenvolvimento e uma capacidade incríveis. Eu estou maravilhada (ainda vou arrepnder-me disto mas quero lá saber!!!!), é gigantesco! Não tenho palavras ideais para descrever este passo incrível.

Eu e o pai achámos tremendo e rimos bastante com isto. E sentimo-nos bem. E elas fizeram algo que só os gémeos idênticos podem e conseguem fazer e que eu - confesso - tanto ansiava que fizessem.

 

You go, girls!

 

 

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publicado às 20:38

Só porque me apetece dizer....

por t2para4, em 05.11.14

... que estou cansada de estar cansada

... que quero as minhas unhas normalíssimas de volta

... que não estou nada MESMO nada preparada para passar sei lá quantos meses de pouco sol, muita chuva, muito frio e sabe-se lá que mais

... que não gosto do Inverno, nem de andar encolhida com frio mesmo que vista 30 camadas de roupa

... que as piolhas estão numa fase tão fantástica, tão boa, que até tenho medo de verbalizar isto

... que sempre que há uma coisa maravilhosa - como a anterior - relacionada com as piolhas, há de vir sempre a tal Lei de Murphy lixar-me o esquema

... que tenho que ir fazer ecografia mamária e mamografia e tenho medo

... que estou extremamente orgulhosa do regresso desejado pelas piolhas à piscina e aulas de natação

... que sou uma Microsoft Innovative Educator e o meu projeto foi aprovado para ir a concurso (fácil de adivinhar o tema, não?)

... que queria ter mais tempo para tudo o que idealizo fazer. E dinheiro também daria jeito

... que quero ver o filme sobre Stephen Hawkins

... que, na maioria das vezes, ultimamente, não me apetece sociabilizar: prefiro ficar em casa e sair, única e exclusivamente, para dar as minhas aulas

... que adoro ser professora e que, apesar de miserável em condições horárias, este ano letivo está a correr muito melhor do que esperava

... que as piolhas têm associações de ideias que me fazem desatarr a rir mas com uma nuvem negra a espreitar porque ninguém as entende

... que há pessoas muito crueis neste mundo louco mas também há pessoas boas

... que me enchi de lata para pedir uma abóbora a uma senhora simpática e regresso a casa com abóboras, nabos, rama de nabiças, chuchus e, não fosse eu já ter, ainda traria kivis e alho-francês, a custo zero

... que há pessoas que me arranjam as coisas mais estapafúrdias que peço (óculos sem lentes, espigas de milho, penas, enfim...) sem questionarem se endoideci de vez e não se importam nada de me ajudar

... que tenho alunos que gostam mesmo de mim. E das piolhas. E isso enche-me o coração de carinho ilimitado

... que adoro enroscar-me numa mantinha quentinha, ao lado das piolhas, no sofá da sala, ouvir a respiração delas, sentir o cheiro do seu cabelo e adormecer com elas

... que não duvido que as piolhas têm as pessoas certas a trabalhar com elas

... que, às vezes, me apetece fugir para a serra e gritar de frustração ou chorar ou rir loucamente

... que irei lutar sempre por uma inclusão justa e não forçada, pela felicidade das minhas filhas, até ao fim, até sempre

... que acenderei uma vela por avós que já não estão entre nós

... que continuarei a encarar o yoga como o meu escape legítimo, a minha atividade extra-mãe, extra-esposa, extra-tudo

... que cortei o cabelo, que estava abaixo do meio das costas, acima dos ombros (apesar de eu ter pedido, especificamente, abaixo dos ombros) e o marido não achou lá muita piada nem a minha mãe nem a minha irmã mas agradou aos meus alunos - go figure

... que ando a esforçar-me imensamente para sair deste stress e ansiedade quase agudos que me fazem doer o peito

... que vou pôr as piolhas na cama e, depois de um bom banho quente, vou ver mais um episódio da série "The Blacklist"

... que adoro a minha família

... que detesto, cada vez mais, ler/ver/ouvir notícias

 

Só porque me apetece falar. Ou desabafar. Ou pôr um turbilhão de coisas por escrito. Para acalmar pensamentos. E evitar cenas. E coisas.

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publicado às 21:11

Tudo é mudança

por t2para4, em 03.11.14

Porque a nossa vida nunca é do jeito que idealizamos ou que esperamos;

Porque não dá para fazermos muitos planos nem com prazos muito alongados;

Porque, tantas vezes, temos que decidir no momento - naquele momento;

Porque tivemos e ainda temos que nos adaptar a todas as mudanças;

Porque mudámos também, de tantas maneiras, umas vezes para pior, outras para melhor;

Porque gosto de dizer "Querido, mudei a casa" e ele gosta de dizer "Querida, mudei o carro";

POrque temos que ensinar as piolhas a viver com a mudança, com o imprevisto;

Porque, tantas tantas tantas vezes, mudar tem que ser;

Porque, para já, mudar é bom.

 

E, nós vamos mudando... Mentalidades, comportamentos, gostos, visuais, atitudes. Mas nunca mudaremos o amor que sentimos pela nossa família, pela felicidade de estarmos juntos.

 

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publicado às 14:41

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