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A memória pode mudar o mundo

por t2para4, em 27.01.15

E evitar que a história se repita.

 

Há 70 anos atrás, o mundo descobria, de forma nua e cua, os horrores escondidos de uma guerra longa demais, terrível demais, mortal demais. Ainda hoje, depois de tantas horas de estudo sobre o assunto, de tantos documentários visualizados e artigos lidos, me choca e me espanta e me indigna a capacidade destrutiva que o ser humano tem contra os seus semelhantes. Nunca pensei que fosse possível descer mais baixo do que o baixo e ser-se tão pouco humano, tão pouco.

 

Mas a memória que deveria proteger o futuro e evitar que outros holocaustos se repetissem parece falhar, de vez em quando, e vamos vendo massacres, genocídios e fins sem sentido... E há sempre um personagem que tenta armar-se em Hitler e tentar subjugar o mundo e renega existências históricas, ofendendo, assim, a vida humana, os sobreviventes do horror.

Por muito que tente, há coisas que jamais entenderei... E, honestamente, quando chegar a altura não sei o que explicar às minhas filhas... Será correto retirá-las de um mundo seguro - embora isolado e socialmente limitado - para o nosso mundo? É isto que se supõe ser-se "um ser social"?

 

A História não é ficção. Estudá-la é um excelente remédio contra perdas de memória.

 

 

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publicado às 18:47

10 anos e a somar - ou parabéns a nós

por t2para4, em 27.01.15

Janeiro é um mês de comemorações, mesmo quando surgem depois das Festas. Foi o mês escolhido, por nós, há dez anos para casarmos. E o 1º registo de casamento na nossa localidade em 2005.
Apesar de acharmos que 10 anos mereciam algo inesquecível, as circunstâncias atuais não nos permitem extravagâncias nem ausências (trabalho e escola), pelo que, ficámos apenas - para já - com uma comemoração familiar e caseira, muito home made by us.

 

10 anos é imenso tempo. Vivemos coisas incríveis a dois e depois a quatro. Passeámos e viajámos imenso. Planeámos imenso. Trabalhámos imenso. Comprámos e vendemos coisas. E continuámos a planear e a trabalhar. Fomos pais. Fomos pais de gémeas. Enfrentámos adversidades que não desejamos a ninguém. Sempre juntos.
Confesso que, às vezes, duvidava que conseguimos aguentar tanta coisa, apenas e somente os dois. Mas acho que o segredo é ser mesmo esse. Confiar e seguir. Conversar e ser honesto. Amar e ser amado. Sem pedir nada em troca.

 

Orgulhamo-nos de ser do contra: contrariámos estudos que diziam que x% dos casais se divorcia quando são pais de gémeos; contrariámos mais estudos que diziam que x% dos casais não passa dos 7 anos de casamento; contrariámos estudos que diziam que x% dos casais não aguenta o casamento quando os filhos são diagnosticados com qualquer coisa; contrariámos estudos que diziam que o autismo é a maior causa de divórcio entre x% de casais; contrariámos estudos que diziam que x% dos casais não aguenta a vida familiar com a vida doméstica com a vida pessoal com a vida profissional.
Nem sempre foi fácil gerir tensões e pequenos conflitos que surgiram mas esforçamo-nos para que coexistemos num ambiente saudável e harmonioso, para que as nossas filhas cresçam rodeadas de amor e compreensão mesmo quando há situações tão complicadas para resolver. Queremos, acima de tudo, que as nossas filhas percebam que a norma é darmo-nos bem e amarmo-nos.


Com a celebração adiada para o verão (talvez... é no que dá casar duas vezes com a mesma pessoa), contei com a ajuda das piolhas para termos um ambiente festivo em casa. O menu não foi nada de especial mas optámos por um prato de que gostássemos muito.
Então:
- canja (a pedido das piolhas que adoram canja)
- arroz de cabidela
- bolo de aniversário

 

E, já que era para ser especial, toca de experimentar a pasta americana. Afinal é mais fácil de trabalhar do que pensei. Vi uns quantos vídeos no youtube sobre como amassar, alisar e moldar e arrisquei. Comprei pasta branca e colorida. Fiz um bolo de iogurte banalíssimo (com aproveitamento de umas bananas já demasiado maduras), cobri com leite condensado, recheei de leite condensado, depois de frio, e cobri com a pasta branca, enrolada no próprio rolo da massa. Alisei tudo direitinho, de modo a ficar sem grumos/emendas/falhas/dobras e cortei o excedente com um cortador de pizza. Amassei e guardei essa pasta, embrulhada em película aderente, na despensa até voltar a precisar.
Com cortadores em forma de coração, de vários tamanhos, cortei a decoração, passei os corações pequeninos por açucar refinado e apliquei, levemente humedecida com água. Levei ao frigorífico et voilà. Mais simples do que pensei.

E as piolhas encaram tudo como um aniversário com direito a "parabéns" e velas sopradas.

 

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Outros planos estão pensados para este ano, se tudo correr de feição. Nessa altura, fazemos de conta que (re)comemoramos.

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publicado às 18:15

As piolhas tiveram avaliação de terapia ocupacional na semana passada. Só durante o fim de semana é que tive a certeza e a capacidade de discernir para alémd o que foi dito/feito/avaliado. Basicamente, precisei de chorar umas lágrimas, olhar para as minhas filhas sem me lembrar das coisas ditas na "consulta" e meter mãos ao trabalho, porquem nestas coisas, como se sabe, chorar não me adianta de nada nem me faz o trabalho por mim.

 

Portanto e adiante, registei todos os passos a ter em conta na correção postural das piolhas quando se sentam para escrever/desenhar/riscar/pintar e começámos a pô-los em prática ainda nesse mesmo dia.

Convém lembrar e frisar que, ao contrário do que eu pensava, os fins não justificam - de todo! - os meios. É importante escrever mas, mais importante ainda, saber como escrever. Nunca dei importância a esse facto, na verdade, porque, posso afiançar que 80% dos meus alunos não pega corretamente num lápis ou numa caneta ou se senta de forma adequada. Eu pensei que o importante era escrever, desenhar as letras - saíssem esquisitas ou não.

 

A força e pressão exercida na forma - incorreta - com que pegavam no lápis e escreviam fazia com que as letras não ficassem melhor legíveis, direitas, fluidas e fazia doer a mão na sua ligação punho- cotovelo e punho-nós dos dedos. As piolhas nunca tiveram terapia ocupacional mas, nas últimas reuniões de equipa, aquando da discussão do PEI, falou-se disso e seguimos em frente. A verdade é que falhou tudo. As piolhas precisavam sim de terapia ocupacional desde sempre. E, ao contrário do sugerido, andaram sim (3 anos!) na pré-escola para onde foram já a saber rabiscar e a pegar num lápis (à sua maneira), onde aprenderam uma nova maneira de pegar num lápis que se repetiu na escola primária e estão novamente a aprender a pegar num lápis. Era escusado, não?

 

Bom, pensar nisso não me faz bem nenhum e não me resolve nada. Por isso, adiante.

Para que haja um trabalho unânime e constante - até porque sessões de terapia ocupacional serão só uma vez por mês no hospital e enquanto for necessário -, criei um documento de apoio com fotografias e indicações.

 

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As piolhas já  não trabalham nem desenham nem jogam computador na mesinha da sala - que parece uma mesa japonesa - e todo o material foi transferido para a secretária no quarto. Por opção familiar, não vamos alterar o mobiliário: a secretária e cadeiras vão manter-se (daqui por 2 anos já tocam com os pés no chão) mas estaremos mais atentos à postura corporal, uma vez que a informação dada ao corpo pelo assentar dos pés não é feita. A menos que o "Querido, mudei a casa" nos queira vir fazer uma visita. Estejam à vossa vontade, sim?

 

Em pouco mais de 3 dias, já se notam imensas diferenças: quando o fazem corretamente, a caligrafia já sai fluida, sem pressão, a letra está mais cuidada e o esforço na mão e braço é bem menor. E, quando elas entrarem para o secundário, votaremos a isto porque certamente que a letra passará de letra a rabiscos...

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publicado às 23:45

Previsões para esta semana

por t2para4, em 19.01.15

Ora, deixa cá ver, então, as previsões para esta semana:
- avaliação de Terapia Ocupacional (1h cada piolha no HPC);

- leitura do manual "Reading & Writing" de apoio a terapia ocupacional;

- realização de exercícios oro-motores (que deveriam ser todos os dias mas as piolhas detestam fazer e eu ainda não pensei numa forma de as cativar sem que envolva a compra de brinquedos ou cenas associadas a My Little Pony ou Sofia the First);
- elaboração e conceção de testes de diagnóstico + materiais para os cursos de línguas e aulas + aulas + marcações de sessões;

- contacto de formandos e alunos + burocracia adjacente + papel e toner não me falhem
- tecidos alinhavados e desenhados, amontoados, à espera de serem pintados, cosidos e transformados em algo útil e bonito;

- housekeeping (porque desta não me safo);

- continuação do trabalho de um dos projetos que abracei em 2014 e que, na realidade, tem estado muito parado;

- reuniões e recolha de informações e necessidades para as ações relativas à consciencialização do autismo 2015.

 

Oh dear God, I' gonna need a whole loooooooot of coffee....

 

 

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publicado às 23:23

Tagarelice #41

por t2para4, em 18.01.15

Já nos rimos tanto à hora de jantar. E explicámos à piolha que, às vezes, rimos com prazer de coisas tolas ou erros que damos, não tem que ser um riso mau.

 

Perguntava-me ela que sopa iria fazer amanhã para o jantar e respondi que seria sopa de legumes. E ela sai-se com esta:

-Ah, produtos horto-cólicas, como na roda dos alimentos.

 

Também tem razão. Há alguns legumes que causam cólicas mas este não é bem o termo adequado. Lá corrigimos, embora ainda tenhamos vontade de rir com este neologismo.

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publicado às 20:18

Lentes de ver ao perto ou microscópio

por t2para4, em 18.01.15

Há uns meses atrás, não resisti e comprei um microscópio da Science4you na Fnac. O meu entusiasmo inicial e impulsivo não estava a conjugar-se com a maturidade das piolhas para tal coisa, portanto, foi ficando na caixa. Até hoje.

Hoje está um dia perfeito para chocolate quente e marshmallows, TV até queimar os neurónios, pijama de manhã à noite. Olhei para a estante e decidi que era hoje que iríamos experimentar o microscópio.

 

Então, eu - gaja de letras - lá tentei meter a máquina em posição e ver como se analisaria uma asa de mosca (oferta incluída no pacote de análise, por assim dizer). As piolhas foram ver o livrinho e maravilharam-se com as restantes ofertas da Science4you, como a fábrica de sabonetes e de perfumes (pindéricas!), queriam lá saber da asa da mosca (blharc). A custo, lá conseguimos todas ver a asa e admirar os seus contornos, que, afinal, até é bem giro.

A certa altura, o pai teve que intervir, pois, como gajo experimentado nestas cenas dos microscópios e análises (cenas do seu curso de Química), lá descobriu que nós - nabas - não estávamos a usar a luz corretamente. Depois de tudo em ordem, lá revimos a asa - uau!!!! - e decidimos ver um fio de cabelo ainda com o respetivo folículo. É fantástico. As piolhas lá descreveram o que viram, tentaram fazer um desenho e eu consegui uma foto.

 

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 Apesar de ter sido uma experiencia interessante, ainda não denoto grande entusiasmo por parte das piolhas, por isso, o microscópio voltou à caixa e aguardará por uma melhor altura, talvez, férias da Páscoa, onde teremos mais tempo e mais materiais para analisar e desenhar. Temos que esperar um pouco por alguma maturidade, mesmo com brincadeira à mistura.

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publicado às 14:10

Querida Fagor, caso ainda não te tenhas apercebido, o objetivo máximo/único/principal de uma máquina é proporcionar menos trabalho/chatices/dinheiro gasto ao ser humano. Por isso, a máquina de lavar louça da gama AiS da classe energética AAA - que custa os olhos da cara - deveria, no mínimo, cumprir estes requisitos. E, no mínimo, servir para o que foi criada, ou seja, lavar louça. E, ao fazê-lo, já que tem portas e borrachas e vedantes, não atirar água cá para fora como se estivesse a brincar numa piscina pública.

 

Querida Fagor, a tua bela porcaria de criação, encharcou-me a cozinha, pela enésima vez. Só que, hoje, foi mais requintada na sua malvadez: inundou-me a cozinha. Literalmente. Havia água quase até à porta do corredor. Tivemos - eu e o marido - que varrer o excesso de água para a varanda (ainda bem que chovia senão o vizinho do andar de baixo iria queixar-se, e com razão, que lhe caia água à toa na varanda dele) e aspirar o excedente, deixar enxugar tudo para voltar a lavar o chão, a ver se o cheiro a gordura e o nojo que metia à vista desaparecia. E isto aconteceu pouco antes de eu ir trabalhar.

 

Querida Fagor, como deves entender, boa publicidade da minha parte NUNCA terás. Fosse eu americana e trataria de te processar, ganharia o processo e ainda uma indemnização por ter que andar a limpar água do chão da cozinha, estando eu toda bem vestidinha e maquilhada. E ainda pediria mais dinheiro por danos morais, dado que a raiva que sinto de cada vez que me encharcas o chão não pode ser saudável. Mas, sendo eu portuguesa, só te garanto isto: aquele belo monte de plástico/lata/tubos dará uma EXCELENTE GARRAFEIRA no meu arrumo e nunca nunca nunca jamais em tempo algum voltarei a comprar o que quer que seja desta marca. E nunca mais porei aquela porcaria a trabalhar.

Mark my words: assim que possa, a tua presença na minha cozinha dará lugar a uma concorrente que me conquistou o olho, o coração e a carteira pela relação qualidade/preço e ficará comum aos restantes eletrodomésticos: Indesit.

 

Tenho dito.

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publicado às 20:50

Na sequência destes meus resultados em análises e exames, decidi, por minha conta e risco, repetir o hemograma com contagem de plaquetas.

No entretanto, enquanto esperava pela repetição de análises, optei por não ficar somente à espera e apostei na melhoria da nossa alimentação. A nossa alimentação, por si só, já é variada e saudável, mas achei por bem reforçar os verdes escuros e apostar em alimentos que fortalecessem o sangue. Além disso, larguei de vez os antidepressivos (e tenho-me sentido maravilhosamente - o único senão é a cabeça que não pára de pensar em tudo e mais alguma coisa na hora de dormir, o que me força a considerar meditação ou uma boa leitura (algum estudo americano sobre autismo, por exemplo), ou exercício físico - , regressei ao yoga e recomecei as caminhadas. Tem-me feito muito bem.

 

Assim, depois de aguardar pela limpeza natural de medicamentos do meu organismo (estive engripada na semana passada e abusei um pouquinho nos antigripais), decidi-me a fazer novo hemograma hoje. Quando abri o envelope nem pude acreditar. Tenho os melhores resultados de sempre!! Há anos que não tinha valores tão bons e tão dentro das referências!! Os meus glóbulos brancos e vermelhos estão com os seus exércitos em boa contagem e as plaquetas estão um must. Já precisava de ter um pouquinho de sossego mental.

 

Portanto, a nível sanguíneo está tudo em ordem. Falta apenas descobrir que raio de massa é que anda a tentar fixar-se na minha mama direita, agir em conformidade e, tão cedo, não quero - nem preciso! - de mais sustos destes! Em março, nova ecografia mamária. E espero poder falar de forma tão descontraída e aliviada como hoje.

 

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publicado às 22:02

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