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Quero e não quero

por t2para4, em 31.05.15

Quero:

- pegar no carro, com as piolhas lá dentro, sem pensar em mais nada e conduzir sem destino, até se acabar o combustivel, haja ou nao haja reserva (o depósito está cheio e tem uma capacidade de cerca de 80 litros...)

- que estas míseras semaninhas que faltam para terminar o ano letivo passem a voar de forma supersónica (velocidade da luz está ótimo)

- ter (direito) a férias, algo que não sei o que é, desde que engravidei, portanto, há mais de 8 anos.

- poder dar a conhecer às minhas filhas os locais fantásticos que o nosso país (e arredores) tem, pôr-lhes uma máquina fotográfica nas mãos e deixá-las ver a beleza do que nos rodeia

- afastar-me de pessoas, de locais apinhados de gente, de gente per se

- viajar para fora, regressar a Paris (e arredores), aos Açores (e fazer as viagens de barco entre ilhas), a Espanha, ao Luxemburgo, à Bélgica

- ir à Escócia e à Irlanda, saborear aqueles sotaques maravilhosos mesmo sem perceber uma única palavra, perder-me naquelas cores que não existem em mais lado nenhum

- embebedar-me daquela felicidade que só se atinge com um dolce farniente em família

- paz, sossego, respeito pelo nosso espaço pessoal, por nós, pela nossa vida, pelas nossas escolhas (mesmo que, aos olhos dos outros, não façam sentido. No que toca às nossas filhas, qualquer decisão foi/é extremamente ponderada e pensada)

- dormir 24h seguidas, sem nenhuma preocupação ou ansiedade

- rodear-me apenas do que nos faz bem, de quem nos quer bem

- fugir daqui, sem destino

- cheiro a protetor solar e sardas no nariz e picnic na manta azul grossa e limonadas e advertências de "põe o chapéu porque está sol" e pernas cruzadas à chinês no banco do carro, em viagem

- estar num local, num tempo e numa vida, onde questões sociais e competências sociais behaviouristas não sejam "a" prioridade e se possa valorizar também a adpatação e a cognição

 

 

 

Não quero:

- estar aqui pelos santos populares, a (re)lembrar-me constantemente do que não podemos fazer, de onde não podemos ir, do que não podemos ver

- ter que andar constantemente a encontrar alternativas para poder vivenciar o mesmo que outros:andar de carrocel durante a tarde e não à noite; ouvir e ver fogo de artifício da janela do quarto a mais de 10 km de distância do local onde ele é perfeito; comer farturas frias porque não podemos comprá-las na hora

- ter que me preocupar com finanças e impostos e compras e salários e trabalho

- passar mais um verão a fingir que estou de férias

- matar a minha cabeça a pensar no que diabo posso eu fazer, na maioria das vezes sozinha, para que as piolhas sintam que estão de férias e que está a ser fantástico

- ter que me preocupar com o que acontecerá em setembro, quer profissionalmente quer academicamente

- que me digam que estou nervosa e mais magra e que por isso é que as piolhas também andam agitadas (não é essa a causa, trust me)

- gente má e tóxica por perto, com desculpas absurdas para não ir trabalhar - aos fins de semana, apesar de estar de escala - e implicar trocas de turnos que obrigam o marido a ir trabalhar

- que a escola envenene o verão de descanso das piolhas porque ai temos que nos preparar para exames, ai o ano é comprido, ai a matéria é mais séria, ai temos tanto que fazer (mark my words: não quero saber; o objetivo que eu atribuo à escola não é esse.)

- que o autismo continue a querer roubar-me as filhas e, pior que isso, haver a possibilidade de ele conseguir fazê-lo se não trabalharmos todos no mesmo sentido (família, escola, médicos, técnicos... Era tudo tão mais fácil e seguro nos tempos áureos do jardim de infância...)

- sentir-me triste e perdida

- ficar por aqui; preciso de respirar fora daqui, sair daqui, não estar aqui.

 

 

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publicado às 09:51

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