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E pronto, refluxo amargo...

por t2para4, em 07.01.16

E lá calha perder a paciência, depois de um dia de trabalho, quase no final da semana. Com as piolhas, por causa de TPC e teimosias e sei lá mais o quê.

 

Assumo que não sou muito dada à paciência e o nível de tolerância para determinadas atitudes é muito baixo. Irritam-me profundamente atitudes de desafio ou um levanta-vira-costas a meio de um trabalho, mais ainda quando vejo isso em casa...

Estou a ter muita dificuldade em conseguir ensinar truques e dicas de conhecimento que permitam a uma das piolhas uma melhor noção do que é escrever um pequeno texto, mesmo orientado. Infelizmente, o autismo (ainda) domina muitas áreas e esta é uma delas... E há sempre sempre sempre um texto com um diálogo repetitivo sem nexo e em nada relacionado com o que se pede a que se junta a fuga ao conteúdo. E, quando confrontada com a correção, não acata lá muito bem e não aceita corrigir e quer manter as ideias familiares e seguras e pronto, estala a confusão de todos os lados com um "és chata", acompanhado de um levanta-se e sai porque "vou brincar".

E, eu, lá tento ir, com muita calma, a prometer mundos e fundos, bónus e coisas e ela a esquivar-se e a desafiar e dar erros propositadamente que me arrepiam e eu a encher e a começar a avançar nas ameaças dos castigos que vêm e ficam. E, passado um bocado, ela começa aos gritos e a fugir e eu começo aos gritos e pronto, acaba tudo num "queres imitar o teu colega x? É isso que queres fazer? Porque dá trabalho não queres fazer? Então, escusas de ir para a escola visto que de nada te serve pois dá trabalho...". Altamente producente e didático, não é? grumpf.... porra...

Acabamos por fazer um intervalo de 1 minuto e em segundos, parece o paraíso: ideias organizadas, correções voluntárias, sugestões aceites, um trabalho final impecável com uma caligrafia invejável. E eu fico a pensar "mas por que diabo não foi esta porcaria feita assim logo desde o inicio, quando estávamos ambas bem dispostas, tinham-se evitado estas cenas tristes de parte a parte e eu escusava de estar a sentir-me uma verdadeira troll de merda?". Fazemos as pazes imediatas, sem ressentimentos e sem mágoas (bem, a minha fica...) e ela acaba por realmente entender que nada se faz sem esforço, nada é garantido... E há coisas que dão trabalho mesmo que não vejamos os resultados que esperamos mas é assim a vida...  

 

Não acredito nem por um segundo que não haja uma mãe que não passe pelo mesmo, uma vez na vida, que seja. Eu não consigo entrar em cenas zen e de tratamento dos filhos como se fossem da nossa idade ou nós da idade deles, correntes modernistas pró-qualquer-coisa-não sei-quê. Ninguém fica traumatizado porque nos enervamos umas com as outras. Somos um povo latino, de clima mediterrânico (quase, vá...), o sangue ferve-nos com facilidade, falamos com as mãos, rimos alto e... gritamos! A vida familiar (e as relações pais-filhos) não são um mar de rosas nem um mundo de algodão doce com unicórnios e arco-íris. Mas esse momento azedo passa. E, a seguir, está tudo bem e pronto.

 

Mas, no fundo, além do sabor amargo que fica, é aquela velha sensação tão familiar que nos diz que "hoje andamos 2 passos para a frente mas amanhã vamos dar 3 para trás, só para que não te esqueças de como é".

Crap. Era só a porcaria de um texto onde era só copiar os elementos... E que correu às  mil maravilhas com a imrã.

Crap, crap.

(Vou ali suicidar-me um bocadinho e ja volto. Prometo não sujar, até porque teria que ser eu a limpar.)

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publicado às 22:16

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