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Definitivamente, cat people

por t2para4, em 28.06.17

As piolhas tiveram hoje uma saída que envolveu uma visita a um criador de cães local que, entre outras raças, cria Golden Retrievers. O mesmo criador a quem comprámos a Íris, há tantos anos. Já na altura da visita, elas borrifaram-se para os cães e andaram perdidas e felizes da vida atrás de um gato "ginger", como uma delas gosta de dizer. Não ligámos a esse sinal, tão cegos que estávamos com a ideia de que uma cadela Golden Retriever pura iria fazer os milagres que procurávamos e nos quais queríamos tanto acreditar. Não fez e a história correu mal. Doi até hoje (mais pormenores, cuscai no blog, não vou por links diretos).

 

A verdade é que elas são definitivamente aquilo que, em inglês, se define como cat people. Em Caminha, quando regressávamos da nossa ida relâmpago a Santiago de Compostela, encontrámos uma gata preta e branca (semelhante ao nosso Silvestre) numa das ruelas que rodeiam o forte. Chegaram-se logo a ela e ela aceitou miminhos e festinhas delas mas recusou que o marido se chegasse perto...

O mesmo se passa com o gato que passeia pelo meu local de trabalho.

E com os gatos que encontramos na rua...

 

Não foi diferente aqui. Enquanto todos os coleguinhas se encantavam com os cães e cachorrinhos, as piolhas deleitavam-se com os gatos e a nova ninhada que por lá andava. "Um ginger, um parecido com o gato da T., um Quico mas não era igual ao nosso Quico e os outros eram todos brancos. E não deixaram pelos no nosso colo". Enquanto os gatos se afastavam dos outras crianças, deixavam-se cativar pelas piolhas (as mesmas crianças, ou seja, as minhas filhas que eu jamais levaria para uma loja da Vista Alegre e até tremo quando entram na Ótica de um familiar... ).

 

Não pretendo, nem por um milésimo de segundo, desvalorizar o que quer que seja que se faça com cães de serviço e a sua importância; apenas quero mostrar que o autismo, a PEA das minhas filhas, talvez esteja numa outra parte do espectro no que respeita a animais de apoio. Elas sentem-se incomodadas por cães, independentemente da sua raça - tal como a minha irmã -, elas afastam-se instintamente de cães, não importa o tamanho. Por outro lado, adoram gatos, sentem-se atraídas pelos felinos, são enigmáticas e fazem lembrar um gato em alguns dos seus comportamentos, não sei explicar bem, apenas se nota, ao olhar para elas e para a relação delas com gatos, que são mesmo cat people. E até com isso e nisso podemos ver aprendizagem. Não precisamos de seguir a norma quando há algo mais fora da norma que também funciona - ainda para mais se é fofinho e com umas orelhinhas pontiagudas e um bigodes... 

 

Sou uma cat person, sem dúvida. Mas as piolhas são mais. Passei a olhar com outros olhos - uns olhos agradecidos - para os gatos quando o nosso Silvestre, ainda um juvenil, aguentou um meltdown dos feios de uma das piolhas, sem sair de perto dela, enquanto ela o agarrava e ele nem uma unha pôs de fora... Só saiu quando ela deu sinais de se acalmar - para voltar segundos depois, como para se certificar de que estava bem antes de tirar tempo para si mesmo. Acho-os muito parecidos com as minhas crianças. Com comportamentos muito autistas... Este episódio marcou-me. E a relação delas com este animais parece diferente...

Dá que pensar, não?

 

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 (os gatos são ou não um pouco autistas? Eu acho que os nossos são uma cópia felina das piolhas ;) )

 

 

 

 

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publicado às 23:11

Em apenas uma imagem...

por t2para4, em 27.06.17

... acho que se resumem os últimos tempos: o descanso momentâneo do corpo na areia e dos olhos e da alma com a admirável paisagem; as brincadeiras das piolhas em plano de fundo; o vigiar constante: não muito próximo, para se poder treinar a autonomia e a responsabilidade, nem muito longe, para se poder chegar-lhes a qualquer instante.

As minhas meninas, a minha motivação, a minha razão de tudo - a minha vida, basicamente. 

 

 

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 (foto tirada na Foz do Minho, com Espanha à direita, o Oceano Atlântico em frente e o Forte da Ínsua à direita)

 

 

 

 

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publicado às 10:16

Ora, vamos lá a prioridades

por t2para4, em 22.06.17

- O términus do ano letivo das piolhas (e da mãe, já agora - ou , pelo menos, aliviar um pouco a carga)

- A entrega de documentação necessária para a matrícula das piolhas no 2º ciclo (!!! Como e por onde raio se passou este tempo!)

- A sincronização da agenda das piolhas com as atividades de ATL e as nossas atividades, as nossas reuniões, as nossas coisas de trabalho

- A preparação do 10º aniversário das piolhas (!!!! Again, 10?! d-e-z  a-n-o-s?!)

- A realização de todas - mesmo todas - as atividades da nossa bucket list de verão

- As saídas em família, para longe, para fugir, para descansar, para conhecer

- O ignorar de quem não é nem vem por bem

- A fase final do concurso de professores, munida de google maps e códigos de escolas e agrupamentos

- Os mimos da avó

- O dar continuidade à aposta numa alimentação saudável e adequada às nossas necessidades e às estações do ano

- O apanhar muito, muito, muito, mas muito mesmo, muito sol

- O cuidar de mim porque sim, porque tenho uma família para cuidar, porque tenho filhas para criar, porque não posso morrer nem por um segundo

- A reorganização de mobílias no T2

- O recomeçar e terminar da pintura do meu carro, à la nossa moda (que é como quem diz, um do it yourself)

- O destralhar em forma de calendário (todos os dias uma área, seja ela qual for)

- O viajar muito e cada vez mais

- O viver.

 

Hoje fui ao tapete mas em micro-segundos lá me levantei de novo. Não tive tempo para pensar em desgraças nem para imaginar filmes. Não tenho tempo para estar no chão a amargurar. Se tenho de o fazer, que vá amargurando enquanto faço algo. Por isso, op e toca a andar que temos muito que fazer. 

Para juntar à lista das prioridades (que, não sei se repararam, é muito pouco social - go figure...), começa hoje mesmo um cuidar de mim que só terminará por daqui a meio ano mas que, na opinião da minha adorada neurologista (Dra Marlene Esperança Carvalho, um doce de senhora, uma profissional incrível), me trará boas novas em apenas dez dias. Por isso, vou ali tratar de umas lesões microangiopáticas circulatórias e explusar umas enxaquecas de vez. Volto já. 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:03

Desolação

por t2para4, em 19.06.17

Amanheceu um sol laranja, completamente tapado por um filtro de cinza que nos permitia olhar para ele sem ferir os olhos. Chove cinza e o vento, quando decide soprar, arrasta ainda mas cinza vinda sabe-se lá de onde... Está um cheiro impossível. Está escuro. E já trovejou mas apenas caíram meia dúzia de gotas...

Na escola, a bandeira a meia haste e nós a tentar controlar, logo no carro, os poucos filtros das piolhas e a explicar que não precisam de tapar o nariz com a mão, que não precisam de fazer comentários alguns sobre o que se passa, que não precisam de se preocupar, que está tudo bem na nossa localidade, que bebam muita muita água.

Diz-me uma das piolhas "toma cuidado, mãe..." e o coração fica pequenino... Trabalho numa área onde o fogo lavra sei lá há quantas horas, onde já se cortaram estradas... A nossa bela serra, aquele paraíso que vejo todas as semanas a caminho do trabalho, aquele paraíso por onde nos perdemos no fim de semana passado é agora um inferno, um amontoado de cinzas... Não sei o que me espera quando chegar ao trabalho mas certamente não serão aulas. Hoje deixarei os alunos desabafar, chorar, fazerem as perguntas que quiserem, descansar se assim for. Fui à farmácia há pouco e diziam que estavam a pé desde as 2h30 a atender pessoas que vinham da Castanheira de Pêra, de Góis, da Pampilhosa da Serra e sei lá mais de onde com queimaduras... E que alguns dos meus alunos andavam ao lado dos pais e outros familiares, nas aldeolas perdidas no meio da serra, a tentar lutar contra um Golias indizível... 

Parece que estamos noutra dimensão... Há folhas inteiras queimadas em cima dos carros, nas varandas, no chão. Eu sei que as trovoadas secas são fenómenos naturais, acontecem e pronto, não dá para evitar... Mas isto? Este tamanho? Estas mortes, estas desgraças?

Estamos tristes e desolados. 

 

 

 

 

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publicado às 09:49

"O mundo não chega"

por t2para4, em 10.06.17

Temos saído muito nos últimos tempos, passeado muito, viajado muito, aqui por perto. O mais longe que já fomos com as piolhas foi até Sintra (para Sul) e até Guimarães (para Norte). Não é sequer opção irmos sem elas e não faz sentido nenhum deixá-las em caas dos avós ou com a tia. Queiram ou não queiram, vão connosco (como, às vezes, lhes digo já exaurida e chateada, "vão connosco nem que seja p'ró raio que parta!"). Por isso, acho que este mote se nos adequa. "The world is not enough" é o lema do James Bond. E, honestamente, acho que poderia ser bem ser também o das piolhas. Porque não queremos que o mundo seja suficiente.

 

Às vezes, as piolhas não querem mesmo sair e fazem fitinhas e miam e chateiam e fazem choradinhos e imensas perguntas repetitivas ad infinitum (que horas são? E agora, para onde vamos? Já podemos ir?).

As nossas saídas têm de ser planeadas e partilhadas com elas, desde o início do itinerário ao que pretendemos visitar. Claro que, ao mesmo tempo, temos de as avisar de que pode haver imprevistos e aquele local estar fechado ou em obras ou mudarmos de ideias e visitarmos outras coisas no caminho. Sabemos que, muitas vezes, a incessante repetição do "para onde vamos agora?" é o autismo a fazer das suas e a causar alguma ansiedade face ao desconhecido. Não sabemos bem como agir, não temos receitas nem indicações e, se alguma vez, houve livro de instruções, não mo deram. Não desistismos e vamos juntos, os 4. 

Para já, a parte das horas resolveu-se com um relógio. Cada piolha leva o seu, numa saída e pronto. E até calha bem pois é de ponteiros e sempre vão treinando. A parte do itinerário vai-se resolvendo à medida que vamos seguindo. Tem é de haver sempre uma recompensa (que pode ser uma ida ao um Shopping ou um almoço no McDonald's).

 

O que nós queremos é que as nossas filhas tenham o maior número de vivências possível que lhes possa ensinar algo, que as ensine a enfrentar os seus receios e as suas ansiedades e acabem por verificar que, afinal, corre tudo bem, que passear é algo muito bom, que sair não tem que ser necessariamente para locais confusos cheios de pessoas; queremos que gostem de sair e que se forcem a sair, nem que seja para conhecer um local novo de cada vez; queremos que gostem do gostinho que dá conduzir, fotografar algo novo aos seus olhos, conhecer um local novo;

não queremos que fiquem fechadas em casa; não queremos que se isolem.

Queremos que o mundo não chegue. Por isso, apesar de, às vezes, haver algumas birras e algumas frustrações da nossa parte, não desistimos e vamos porque "the world is not enough".

 

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publicado às 21:24

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