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Really? Mais um estereótipo?

por t2para4, em 13.09.13

Estão a ver a nova novela brasileira da Sic, "Amor à Vida"? Pois, ontem também vi. E vi, pela primeira vez, que havia por lá, no meio da trama secundária, um casal com uma filha autista adolescente. Os seus comportamentos estão tão estereotipados (que não estão relacionados com estereotipia, sim?) que até a minha avó sabe que é autismo. Tão típico. Até me deu vómitos.

Acho que não há um único filme ou novela ou afins que não tenha o típico balançar, a intolerância ao toque, o sentimento de deficiência mental grave. Isto é quase tão estúpido e básico como ter uma personagem que tem uma quebra de tensão e, pumba!, está grávida. 

Ó pá, isto até parece que é a gozar com quem convive com o autismo todos os dias. E mostrar o outro lado? E ter personagens com outras características - aquelas que quase toda a gente desconhece, como o não fazer contacto ocular, as birras, a hiper/hipo estimulação sensorial, a incapacidade de frequentar diversos locais, entre muitas outras - e evitar aquilo que TODA a gente pensa que é o autismo - uma criança a baloiçar-se? Eu sei que estes também são sintomas mas não são os únicos! Se calhar, já alargávamos mais o leque, não?

 

E sim, estou azeda. O meu discurso mostra-o. Motivos? Bem, assim de repente, alguns:

- piolhas a retomar medicação diária de manhã e ao final do dia

- piolhas a lidar com mudanças tão bruscas que lhes dá para andarem elétricas e já me começa a faltar a pedalada para as acompanhar e só querem mexer em água. Não tarda ganham-me guelras em todo o lado.

- enquanto o CRI não avançar como deve ser e as coisas não estabilizarem, partindo do princípio que haverão técnicos suficientes para tanta necessidade este ano no nosso agrupamento e as piolhas estarem abrangidas, adivinhem quem faz as vezes de terapeuta? Pois é: me, myself and I. E estudo e leio e coloco aplicações no tablet para trabalharmos e tento seguir o esquema do nosso querido terapeuta J. Mas soa-me a desenrascanço tuga. Porcaria de país.

- quero trabalhar, ter um emprego (e já tentei com e sem licenciatura, dentro e fora da área de formação, com e sem foto no cv, com e sem carta de motivação, loura e morena) mas sou demasiado velha (com 33 anos que ainda só farei no próximo mês) ou demasiado nova... Decidam-se e avisem-me, tá? Já agora, um pouquinho mais de respeito também se agradecia. Se calhar em vez de uma merda de um exame de admissão para professores com 10 ou 20 anos de serviço, que tal um de vocação? Se calhar, valia mais. Para todos. Vai lá fazer o exame também ó Crato! Eu também fiz muitos exames para chegar onde cheguei. Palhaço. 

- aproximam-se a repetições de ecografias mamárias e mamografias. E voltou a dor fininha, sinal de ansiedade.

- queria dar sangue mas não posso: tensão muito baixa e antidepressivos.

- queria largar os antidepressivos até dezembro mas estou a ver isto muito negro e não será para já...

 

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publicado às 21:22

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6 comentários

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De MiaF a 13.09.2013 às 22:44

Por aqui nuvens de tempestade também.
Só para te comfortar, mamografia e possilvemente biópsia à tiroide... tudo mais o Crato e as NEE, e os professores SEM VOCAÇÃO que ainda gozam na nossa cara, e temos de engolir por medo de represálias.

Também não consigo emprego, pinto tshirts em casa alguns vão comprando, mas pouco por causa da crise.
Quero emigrar mas não posso e tenho a noção que lá fora também há graves problemas.

Vou ver se eles dormem, beijos!
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De t2para4 a 30.09.2013 às 21:24

Já fizeste os exames? Desejo, de coração, que corra tudo bem e sejam só problemas hormonais. A minha tiroide também se passou há uns anos e era apenas a hormona descontrolada que recuperou sem dificuldade, mal comecei a descansar em condições.
O Crato não sabe o que quer, não sabe o que diz, não sabe o que faz, não sabe nada. Só sabe olhar a números e cortar às cegas sem pensar nas consequências e ir ao terreno avaliar as condições. Faltam pais com filhos com necessidades especiais no governo. Essa é que é essa. Mudavam logo as regras, vai uma aposta?
Também desisti da emigração. Sou muito cobarde e não sei como seria o acompanhamento das piolhas... Assim, prefiro não arriscar e ir aceitando biscates...


Coragem. Melhores dias virão, com certeza, apesar das nuvens negras 
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De Mae a 15.09.2013 às 15:19


Olá!
Concordo contigo. É por essas e por outras que o meu filho aos olhos dos familiares da parte do pai não tem nada... nunca teve! Só compreenderiam se ele estivesse num canto a abanar-se! A última estupidez do pai foi que "tinha andado a pensar e o facto do filho ser assim mais fechado era porque nós nos davamos mal enquanto casal, porque agora está bastante melhor"!!! Ora vê: nem ele é "fechado", ele está é mais crescido e não retardado! e nem nós nos dávamos mal, simplesmente ele não compreendia, nem se interessava!
Também fomos afectados pela crise na terapia com redução de horas e no desemprego e já tenho 39! ás vezes acho que ñunca mais vou conseguir trabalhar!
Bjs
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De Helena a 16.09.2013 às 10:55

Por estes lados mais do mesmo :(
emprego por um fio porque a construção parou...
piolha um pouco off e os sininhos da maternidade a atrofiar-me as ideias
Tou a ficar maluquinha só pode...
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De t2para4 a 30.09.2013 às 21:30

Os sininhos da maternidade torturaram-me durante 5 anos, depois de as piolhas nascerem. Não me torturam mais. Consegui colocar a razão à frente das emoções e desejos naturais e tenciono fazer uma laqueação de trompas. Acabar com medos e incertezas de vez. O risco de um próximo filho nascer com autismo é substancialmente maior do que com outros casais, tirando a hipótese de virem mais gémeos. Não quero passar a minha vida nisto. Egoísmo? Não:qualidade de vida para as piolhas e para nós. Outro filho teria que passar por todo o sofrimento por que já passaram as piolhas (e nós) e eu não quero isso.
Coragem e força. Admiro quem arrisca :)
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De t2para4 a 30.09.2013 às 21:27

Ai eu fico perdida quando me dizem os chavões do costume:
- ai mas elas sao tão lindas
- elas parecem tão normais
- isso são coisas da tua cabeça
- elas não têm nada porque o filho do XYZ também é assim...
Sound familiar?
É muito triste passarmos pelo que passamos pois conseguimos conjugar trabalho com vida familiar e com as necessidades dos nossos filhos. Pena que mais ninguém veja isso...
Coragem.

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