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Circo de feras

por t2para4, em 11.11.13

Não têm sido dias fáceis. Agradeço todas as respostas ao post anterior e darei o respetivo feedback assim que me for possível. 

 

A nossa casa, a nossa vida, é muitas vezes similar a um circo. Ao contrário. Em vez de ser suposto os palhaços fazerem-nos rir e divertirmo-nos, sentirmo-nos satisfeitos com o nosso papel, a verdade é que os "palhaços" - com a aquela entoação "palhaaaço" e sentido pejorativo - somos nós.

Porque ainda damos ouvidos a quem não quer aprender.

Porque ainda insistimos em tentar, não em mudar o mundo, mas em fazer dele um lugar mais compreensível e tolerante.

Porque ainda se comparam birras autistas/crises por causa de um imprevisto com birras por causa do gelado que a mãe não comprou. Uma dura 40 minutos, a outra dura 5...

Porque ainda somos parvos ao ponto de tentar fazer aniversários em família, mostrar às piolhas que os avós ainda podem ser melhores pessoas. Mas não atendem o telefone, não respondem a sms, não nos abrem a porta. E nós 4 no carro e à porta de casa, à espera, com uma prenda numa mão e um bolo de aniversário na outra. E as piolhas, qual disco riscado, a perguntar "mas não cantamos os parabéns ao avô?".

Porque pintamos a cara de preto e voltamos para casa com as piolhas no banco de trás a chorar e a não ouvir a nossa explicação para aquele raio daquele imprevisto.

Porque, mal chegados a casa, o marido faz das tripas coração e brinca tanto tanto tanto com elas, das formas mais disparatadas possíveis, desviando com sucesso o foco de atenção e evitando uma crise. Aliás, duas... E fazemos da sobremesa uma razão para cantar os parabéns a nós mesmos, apagar as velas e cortar o bolo.

Porque, por muito que tente, não consigo explicar às piolhas que os avós são pessoas más. E não sei como fazê-lo.

Porque a minha capacidade de reação já passou muito para além do perdão. 

Porque, tal como os avós das piolhas, ainda há pessoas incapazes de interagir com a diferença, fazendo da ignorância o seu estandarte de comportamento e valores. 

Porque não me parece de todo concebível que não se faça o mínimo dos esforços para evitar sussurros, comentários, comparações erradas, etc. 

 

E o nosso dia acaba com a casa virada de pantanas, o marido a trabalhar no turno da noite, a mãe a terminar trabalhos e as piolhas entretidas com algo que seria suposto fazer parte das suas descobertas aos 3 anos e não aos 6... 

 

 

E esta brincadeira durou horas.

E hoje, mal chegadas a casa da escola, voltou a ser interessantíssima. E relaxante. Hoje foi o dia do magusto na escola. Quando cheguei para as ir buscar, senti-as perdidas e desorientadas. Imagino que o barulho de mais de 300 pessoas no recreio, a confusão, os cheiros e o sol não tenham sido fatores muito simples de gerir. Por isso, hoje tudo é permitido: poneis, brincadeiras com caixas vazias como se fossem tesouros, youtube, jogos. 

E eu, orgulhosa do esforço diário que as piolhas fazem para que esta porcaria desta sociedade as aceite tal como são, as deixo serem crianças à sua maneira. Felizes. Quantos se podem gabar disso?

 

 

 

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publicado às 19:05

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9 comentários

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De Ana Ferreiro a 11.11.2013 às 21:59

Ai menina!
Apesar do meu comentário anterior, todos os avós adoram os meus filhos e nunca fariam uma coisa daquelas. A confusão é entre os adultos e eu nunca impedi os meus pais ou os meus sogros de ver os netos. Não os deixo ir para ao pe dos avós se eles se portam mal. Agora eles são sempre benvindos em casa dos avós!!!
quem é que fez anos mesmo?!
beijocas e força!
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De t2para4 a 11.11.2013 às 23:38

O avô fez anos... 
Mas já no aniversário das piolhas eles se recusaram quer a ir ao almoço de aniversário delas como ainda desligaram os telefones. Armei uma bela emboscada no prédio deles mas isso foca para outro post ;) péssimos avós, péssimos exemplos.
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De Ana Ferreiro a 12.11.2013 às 00:30

Nem sei que te diga, a não ser que lamento imenso a situação principalmente pelas tuas meninas!! Nós aguentamos o golpe, mas os miudos não percebem o porquê!! Eu já vi primas a afastarem os filhos dos avós por rixas entre adultos e eu jurei nunca fazer isso com os meus. Mesmo magoada, não os afasto...agora vindo dos próprios avós!! o Gui é acarinhado por toda a família próxima, que não entendia a diferença dele mas que tentou aprender a lidar com as crises dele, as particularidades, ainda me criticam por ser dura com ele!!!
Força e qualquer coisa diz, ok?!
beijocas!!
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De Daniela Santos a 11.11.2013 às 22:23

respira............................ e caga nisso! quem não merece, não merece!
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De t2para4 a 11.11.2013 às 23:38

já passei dessa fase. querem ficar sozinhos, ficam sozinhos. Hão de morrer sozinhos que nem cães.
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De Rita Cardoso a 12.11.2013 às 12:07

Que tristeza esses avós... nem tenho palavras... :(
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De Isabel a 13.11.2013 às 15:33

Minha querida... ignora-os simplesmente...
Força e muitos beijinhos para vós os quatro.
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De Silvia Pereira a 15.11.2013 às 23:37

Por mais que digamos que já não faz diferença sempre que acontece é mais uma facada no peito. Desculpa ser amarga mas passo pelo mesmo,os meus sogros só têm a minha filha como neta mas nem fazem por entender a neta, como os outros é que são os melhores. Desde a última desilusão que eu e o meu marido deixamos de ligar e de fazer também de conta que eles não existem, já há 2 meses que não vêm a neta nem perguntam como ela está. E sinceramente no que depender de mim continua assim. Infelizmente também não tenho muita sorte do meu lado, os meus pais estão com a neta e até perguntam e estão com ela mas não entendem minimamente o autismo e já me cansei de tentar explicar, se eles preferem ficar na ignorância é com eles. Acredita só sabem dizer a menina vai melhorar é uma questão de tempo!!! A sério fico cansada.... Mas tudo vale pelas alegrias que a minha menina dá e lá seguimos o rumo a 3:-)


Bjinhos
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De t2para4 a 01.12.2013 às 20:47

Doi mais quando se trata de filhos ou netos únicos, não é? Não faz sentido este abandono da família quando, teoricamente, mais precisamos dela. Mas é da maneira que também ficamos a saber com o que contamos! Ainda bem que fazem estas cenas abertamente para que tenhamos - nós, pais - consciência de que dali não virá nada e com eles não vale a pena contar.
Desde que casámos - há quase 9 anos - que não passam nem o Natal nem o Ano Novo com ninguém. Ficam absurdamente sozinhos. Nasceram as netas e foi ainda pior. Melhor para nós, honestly! Menos teorias de caca, menos chatices, menos ataques de nervos da minha parte. Às minhas filhas, não lhes falta amor e carinho.

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