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Too tired to feel tired...

por t2para4, em 16.12.13

Quando aceitei (re)começar as aulas, dedicar as manhãs a outras tarefas completamente diferentes e ainda dar um curso intensivo de inglês uma vez por semana, nunca pensei que passasse por uma fase assim:

 

 

Entretanto, não pude nem quis nem pretendi passar de mãe presente a mãe não tão presente e continuei como se nada tivesse mudado, a estar sempre e totalmente disponível para a família, a cuidar das crias e do marido como sempre fiz, a ser amiga dos amigos, a tentar estar de bem com a vida MAS... a ter que lidar com queixas contínuas desde setembro até agora (ai tiveste bola vermelha? Olha, deixa lá, é Natal. Já não suporto bolas. Parece mal mas tentem ouvir falar de bolas de comportamento de todas as cores TODOS OS DIAS desde que começaram as aulas e marcamos uma palestra sobre o assunto, ok?), a ter que estar continuamente a diferenciar a sei lá quantas pessoas o que é mau comportamento (sim, sei bem o que tenho em casa e as piolhas não são santas!) do que é um meltdown (jogar lápis ao chão num momento de raiva, morder as mãos ou arrancar cabelo não é mau comportamento... Ninguém acha isto estranho a não ser eu?!), a ter que saber lidar com a inversão da polaridade do sol (mas que raio, não estava tão bem como estava? Deu-lhe para as alterações, foi?!) - as pessoas acham iso muito estranho mas a onda magnética que despoletou afetou imenso crianças com determinadas incapacidades neurológicas - e lá fomos nós parar às urgências do hospital para falar com o nosso pediatra da unidade de autismo por causa de comportamentos disruptivos graves e ansiedade quase levada ao extremo.

E, enquanto isso, passei por estas fase todas, porque, olhem, quem não se sente não pode ser filho de boa gente... E, no meio de tanta infelicidade e incerteza e dor, pensamos em tudo e mais alguma coisa...

 

 

E, porque, no meio de uma vida pessoal já por si só complicada, ainda se meteu a luta pelos direitos das minhas filhas e de outras crianças quando o nosso adorado sr. Ministro da Educação (ironia, sim?!) decidiu boicotar e cortar e meter os pés pelas mãos e alterar o financiamento do nosso Centro de Recursos para a Inclusão. Pois bem, meu senhor, deu-se mal. E deu-se mal porque até podemos ser umas mães com cara de pitas mas com uma vida muito mais complicada e sofrida que a sua, caro sr. ministro; podemos viver naquilo a que na capital se chama de "parvónia" ou "serra" ou afins mas foi a "parvónia" e as serranas da parvónia que lhe exigiram respostas e que foram recebidas na Assembleia da República. Achava mesmo que íamos ficar impávidas e serenas a ver a banda passar, não?! Pobre de si que se ilude e se deixa vender por tão pouco... Um dia destes tem que vir trabalhar na "parvónia" com as minhas filhas e os meus meninos. Traga um bibe, sim? Nas unidades das nossas crianças especiais lidamos com tudo. Até com a sua incapacidade e afetação cognitiva (porque alguém que faz o que o sr faz não pode ter os neurónios todos a funcionar da forma correta).

E, assim, sendo, a certa altura pareceu-me que carregava nas costas o peso do mundo e que nem os ombros conseguia pôr direitos. I'm tired of being tired.

 

Neste momento, depois de uma reunião maravilhástica onde reina e impera a habitual ignorância a nível de como lidar com crianças com  necessidades especiais, onde não se sente o mínimo afeto pelo próximo, onde não há a mínima intuição do que fazer e de como estimular uma criança, Munch parece-me extremamente apropriado:

 

 

Claro que tudo seria extremamente simples se ficasse por aqui... Mas não, ainda me armei em boa-samaritana e o karma não foi lá muito simpático comigo... Tem uma forma estranha de se expressar, mas enfim. Devo andar a precisar de alinhar os chakras e beber uns chás marados ou assim, em vez do habitual café. Forte. Dois. Logo de manhã. Antes das 9.30.

 

Por isso, posto que a nossa luta pelo nosso CRI está como a procissão - ainda no adro e com muito ainda para fazer e seguir -, perdoem-me, mas não me sinto muito natalícia e tenho, obviamente, tudo atrasado. É que, bem, vós sabeis, há prioridades - conseguir os respetivos técnicos especializados para trabalhar com os nossos filhos e evitar a contínua regressão de muitos deles. Mas como o Natal é sempre que um homem quer, se as lembranças forem depois, já sabem. Sou eu que estou a subverter o sistema.

 

Por agora, 

 

 

porque essas lágrimas não me pagam contas, nem me limpam a casa, nem me ajudam a lidar com as crises das piolhas, nem me auxiliam em nada quando tenho que negar a ida delas a uma festa de aniversário ou de natal porque a confusão é apocalíptica. Como não resolvem, cortesia da minha amiga Daniela, esta minha pessoa está até demasiado cansada para as verter porque talvez até já as tenha vertido demais nos últimos anos... 

 

Vou ali tratar das crias, dos meus tesouros amados, as razões pelas qual luto e me canso, das minhas piolhas maravilhosas que me orgulham tanto à sua  maneira especial, ora pois claro!, não fossem elas miúdas especias! E quando houver uns dias de tédio por aqui perto, enviem-me, tá? Preciso de, pelo menos, uns dois ou três dias de aborrecimento total para recuperar e perder a expressão Munch. 

 

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publicado às 20:48

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2 comentários

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De Betty a 16.12.2013 às 22:33


Quantas vezes eu me lembro de ti....
nem me fales em queixas de mau comportamento em sala de aula, de bolas verdes, vermelhas, de estar a prejudicar a turma, de quase todos os dias ser chamada à sala de aula.... finalmente e após ida ao neurologista(risperidona) esta ultima semana conseguiu 6 verdes no calendário :)
Só mesmo quem passa sabe dar valor o turbilhão de sentimentos(incompreensão, impotência, revolta, esperança)

Beijos
Betty



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De t2para4 a 16.12.2013 às 22:37

Ai Bety!!!
Faz como eu e como recomendou o nosso amado pediatra "estamos na época de Natal"... As bolas vermelhas fazem pendant com o pinheiro verde. 
Que se faz a quem realmente se comporta mal por má-educação? Ainda procuro resposta...
Boa sorte...
beijos grandes

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