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O porquê do nosso isolamento

por t2para4, em 10.02.11

Muitas das minhas colegas e amigas achavam que era pura teimosia minha (ou anti-sociabilidade, chamem-lhe o que quiserem) eu recusar todos os convites para ir a casa delas e levar as piolhas ou passar fins de semana fora ou sair com elas, etc. Tudo o que envolvesse ficar longe das piolhas já era complicado para mim mas levá-las comigo a ambientes estranhos para elas, pior. Basicamente, já não sabemos o que é sair ou ir algures mais longe do que Coimbra desde que nasceram... Primeiro por causa de todas as coisas necessárias (e eu sou bastante prática e reduzi imenso a carga a transportar), depois pelos comportamentos... Temo-nos ficado pelo básico: local onde vivemos, cidade, shoppings, praia, parques e pouco mais.

 

Pensemos nisto em dois aspectos:

1º eu acabo mais cansada por sair e ter que vigiar as piolhas do que ficando em casa ou passeando livremente (porque assim elas vão no carrinho - sim, ainda usam carrinho... Para segurança delas e nossa!)

2º eu entro em total ansiedade quando as vejo mexer em quase tudo ou, pior, não terem a noção de que ali é perigoso, ali podem cair ou aquilo pode magoar...

 

Esta situação ainda me magoa hoje porque ainda sinto que não se compreende na totalidade e, apesar de me dizerem que não há problema, que me ajudam, que os seus filhos também são assim-ou-assado, a verdade é que também noto um afastamento da sua parte. Lamento muito mas estabeleci muito bem as minhas prioridades. E não passam por fins de semana com amigos ou afins.

 

Deixo um pequeno excerto do que foi o final de verão passado, em Setembro, um excerto do nosso quotidiano.

 

 

Fins de semana e saídas:

 

Saídas para casa de amigos não fazemos. Fizemos quando as piolhas eram mais pequenas e fáceis de controlar, agora nem pensar. Detesto a palavra, mas elas são quase hiperactivas –  um dos sinais da perturbação do espectro autista – não param um minuto, sentam-se e levantam-se, mexem em tudo, correm, sobem e descem escadas, passamos o tempo a temer pela sobrevivência dos objectos expostos. Embora meiguinhas e muito amigas, é muito difícil lidar com isto e aproveitar uma saída. Em casa da minha mãe, só agora se destaparam o vídeo, o DVD e o rádio porque já não são novidade e já não precisam de ter as portas dos armários trancadas.

Acho que isto pode ser tido como má-educação ou incapacidade dos pais de controlar os filhos, quem vê de fora;  a verdade é que as piolhas são educadas e sozinhas aprenderam a dizer “obrigado” e a dar algo na hora se se lhes pedir e não suportam ver alguém a chorar porque vão logo fazer uma festinha e dizer “pónto, já passou”. Mas não param um minuto. Se estiverem entretidas a fazer uma actividade de que gostem, o máximo de tempo, antes de um disparate, são 10 minutos. Essas actividades incluem: puzzles, TV (e só alguns programas ou publicidade), blocos de construção, correr na rua, brincar na areia, pintar (com poucos lápis disponíveis senão começam a separá-los por bicos ou cores ou a imitar um xilofone), ouvir música (mas aí não param pois querem dançar e correr) e pouco mais. Tudo o resto, não interessa.

 

Nos fins de semana, tenho-me esforçado (talvez devesse esforçar-me mais) para incutir alguns “horários” de brincadeiras e ensiná-las a brincar com bonecas ou outros brinquedos.

Resultados:

- 15 minutos de rabiscos e bolas a lápis de cera e depois começaram a empilhá-los uns nos outros até fazerem uma coluna da altura delas

- mostrei como dar biberon ao bebé e pô-lo a arrotar, por o chapéu, enfim, brincadeira de menina-mamã. Uma fez um pouco e a outra não quis saber disso para nada; 3 minutos foi o máximo que durou até os bebés voarem borda fora do carrinho e ficar cheio de animais da quinta… os bebés ficaram no chão, uma sentou-se no carrinho e a outra passeava a irmã e os animais (que têm para aí uns 5 cm de altura, se tanto)

- ler histórias: eu bem tento mas mal dá para ler uma única linha pois viram logo as páginas e quando chegam ao fim, dizem “história cabou, agora a T. (ou agora a E.)” e começam a folhear o livro de trás para a frente e dizer o que as gravuras contêm.

 

Talvez esteja a ser demasiado exigente e talvez não. Os gémeos que acompanhei desde bebés (e são meus alunos hoje) e a irmã nunca se comportaram assim. Não foi fácil mas todos somos unânimes quando dizemos que é mais complicado com as minhas. Com calma e muita muita persistência, já vejo pequenas coisas a encaminhar-se: ajudam-me melhor quando estou na cozinha e já não passam a vida debaixo dos meus pés; já pedem comida e água com frases e não com choro; já apontam para mostrar algo (era algo que nunca fizeram e ontem, pela 1º vez, vi uma delas a apontar para os copos no infantário); ouvem com mais atenção e tentam falar melhor e de forma mais perceptível; nota-se que têm alguma sensibilidade temporal para as preposições “agora, logo, depois, já, à noite”. 

 

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publicado às 23:07

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