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Desfralde

por t2para4, em 28.04.11

Avizinham-se dias complicados e... molhados.

 

O meu Verão passado foi um dos piores (senão mesmo o pior) da minha vida: entre diagnóstico de desvio do espectro autista e tentativas (goradas, falhadas, frustradas e sei lá mais o quê acabado em "-adas") de desfralde, o Verão passou-se entre ansiedade, recompensas ou castigos, muitas mas muitas cuecas sujas e molhadas, bacios espalhados pela casa e toneladas de toalhetes prontos a limpar chichi de carpetes... Foi um Verão extremamente extenuante, muito muito frustrante e as fraldas ficaram. Por mais um ano.

 

Jurei para mim mesma que nunca mais iria voltar a tentar desfraldar as piolhas: tentei quando tinham 2 anos, durante um mês; tentei quando tinham 3 anos, desde Maio até Setembro. Resultados: pilhas de nervos para nós três, esfincteres nada controlados e mantinham-se as fraldas. Valia mais ter estado quieta e ter aproveitado o Verão como deve ser. Anyway, prometi que só voltaria a tentar tirar-lhes as fraldas se elas mo pedissem ou dissessem que não queriam usar fraldas. E fiz as minhas pesquisas no mercado: o tamanho 6 dá até 25 kg e depois disso há as fralda spara incontinentes. Não iria massacrar-nos mais nem que isso implicasse usar fraldas até aos 18 anos de idade!

A equipa do PIIP já tentou abordar a questão do desfralde comigo e quer que este seja um dos objectivos a ser alterado no nosso projescto familiar já em Maio mas eu fui sincera e disse-lhes que tinha medo do que poderia vir a acontecer. Afiançaram-me que não precisava de fazer disso o meu cavalo de batalha mas não estou a ver como...

 

A surpresa chegou uma semana antes da Páscoa: uma das piolhas começou a tirar (bem, a rasgar) a fralda e a despir-se (não por esta ordem) para ir fazer chichi à sanita. E fazia mesmo! A irmã começou a imitá-la. Agora tem sido um estragar absurdo de fraldas porque elas rasgam-nas. Como não controlam ainda muito bem os esfincteres, ainda usam a fralda e, muitas vezes, quando a tiram ainda tem chichi, mesmo que pouca quantidade. Usar fralda-cueca, na minha opinião, vai baralhá-las pois sentem-se seguras por ser fralda mas não é como umas cuecas e tenho medo que passem a encarar as cuecas como uma fralda de aspecto diferente.

Decidimos, entre auxiliares, educadora e eu, deixar andar e ver até onde as piolhas estão  mesmo motivadas por elas próprias para largar as fraldas. Hoje a educadora já  me disse que está para breve.

 

Cá em casa é um caos: despem-se, arrancam a fralda sem se preocuparem se tem ou não cocó, sentam-se na sanita e ou ficam lá imenso tempo ou saiem quando ainda estão a fazer chichi só para carregar logo no autoclismo, ainda não têm a noção do que é aguentar o chichi até chegar à sanita e fazem chichi pelas pernas abaixo... E podia continuar... Claro que nunca me esqueço de elogiar e reforçar positivamente quando fazem chichi na sanita - isso é importante e elas ficam todas orgulhosas.

 

Uma coisa que sempre me intrigou foi estarem perfeitamente controladas na piscina (quer a municipal quer a de plástico que está em casa da avó): raramente lhes coloquei fraldas de banho porque não fazem chichi na água. Nunca aconteceu. Hoje, antes mesmo de tirarmos os crocs e aguardarmos a nossa entrada na piscina, uma delas tinha a perna molhada... Descuidou-se. Felizmente não foi na água. Isto faz-me sentir que estamos, outra vez, a regredir e eu pura e simplesmente não faço a mínima ideia de como evitar isto. Por muito que leia ou que pesquise ou que experimente, não sei o que fazer porque nada parece resultar. E parece que vamos, outra vez, a caminho de mais um Verão horrível por causa da porcaria das fraldas...

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publicado às 21:42

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5 comentários

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De Célia a 29.04.2011 às 18:04

Olá M.,
A sua angustia é perfeitamente normal e típica de pais (ou mães) de filhos com PEA . O meu filho têm 5 anos e ainda usa fralda, sempre. Aos 3 anos tentei iniciar o desfralde, comprei bacios e nem sequer conseguia que ele se aproximasse. Comprei redutores de sanita e o resultado foi o mesmo...Então comecei também a pesquisar, e a ideia que ficou de tudo o que li, foi que estas crianças tem o seu timing para tudo, inclusive para o largar das fraldas. Quando chega o momento certa para cada uma, elas próprias dão o sinal. O meu filho ainda não deu...Mas as suas filhas já lhe deram esse sinal, e pela experiência que tenho com o meu filho (noutras situações), se elas estão agora a querer usar a sanita, acredito que seja o momento delas. Tente não ficar muito ansiosa (eu sei que não é fácil e peço desculpa por estar a dizer isto) porque estes malandros sentem tudo e desorganizam-se facilmente.
Quanto às regressões, também sinto isso com o meu filho e é frustrante mas explicaram-me que por vezes acontecem algumas regressões, em determinadas áreas de desenvolvimento que coincidem com alguma aquisição ou evolução noutra área e que passado algum tempo normaliza.
Espero ter-lhe transmitido algum ânimo e desejo sinceramente que as suas filhas deixem as fraldas. É uma aquisição muito importante. Para elas e para si :-)

Cumprimentos
Célia
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De Lena a 29.04.2011 às 23:47

Olá!

Sobre estas crianças "especiais" não sei nada, portanto peço desculpa se o que vou dizer é absurdo.

Em geral, todas as crianças têm regressões em áreas em consolidação sempre que adquirem uma capacidade nova; como quem precisa de arranjar espaço para algo novo e temporariamente vai ter que colocar num caixote o que ainda não estava definitivamente arrumado; depois a seu tempo irá voltar a pegar nessas competências em aquisição/desenvolvimento e da-lhes o espçao devido para as cosolidar.

Esta coisa toda foi-me explicada pela psicologa que acompanha os meus (são acompanhados por serem prematuros, mas felizmente têm um desenvolvimento normal).

Quanto às fralda-cueca: foi o dinheiro mais mal gasto cá de casa... burrice pura!

Boa sorte, coragem e saúde ... e paciência, muita muita!

Lena.
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De t2para4 a 30.04.2011 às 18:05

Obrigada pelos vossos comentários e sugestões.

Talvez seja mesmo este o momento das piolhas em relação ao deixar a fralda mas parece-me que será, para já, apenas no infantário - o que já é um excelente objectivo adquirido e conquistado e que se traduz numa redução drástica no número de fraldas usado, logo, menos compra de pacotes de fraldas, logo menos dinheiro gasto nestes materiais (além de que, se se gastam menos fraldas, gastam-se menos toalhetes. Nem me atrevo a fazer contas ao que gastamos por mês em fraldas).

Não me assusta nem me preocupa se só desfraldarem no infantário. Em casa, ao ritmo delas, se elas quiserem, tiraremos as fraldas para que possam usar cuecas (normais, das de tecido) e ir à sanita ou ao bacio - é à escolha delas. Desde cedo que elas conhecem a teoria toda e conseguem recitá-la: "cocó e chichi na sanita ou no bacio, carregar no autoclismo". Na prática é que a coisa era bem mais complicada... Uma delas mal tirava a fralda sentia-se insegura e passava horas sentada no bacio; a outra mal se levantava do bacio - vazio e seco - fazia chichi pelas pernas abaixo e dizia que era água. Um vez, correu bem e recompensei-as com um chupa-chupa. Essa parte não correu bem: não sabiam como "comer" o chupa-chupa, lambuzaram-me vidros e móveis da casa toda e o chichi continuou a ser feito onde calhava: carpetes, chão, etc...

A culpa disto tudo é, em parte minha: eu já deveria estar habituada às pressões externas e não lhes ligar nenhuma... Já foi assim com a amamentação - outro trauma - e voltou ao mesmo com o desfralde. Toda a gente dá opiniões: "deves fazer assim ou deves fazer assado", "os meus filhos com 18 meses já não usavam fralda", "experimenta cueca-fralda iu pensos higiénico (sim, isto foi-me sugerido)", blá blá blá. Mas falar é fácil! E fazê-lo? Principalmente quando não se sabe o que se passa com estas crianças porque numas coisas são tão desenvolvidas e noutras não?

Bom, isto tudo para dizer, quer, tal como diz a Célia e apesar de parecer um cliché, de facto, tudo tem o seu timing e os nossos filhotes lá nos darão o seu sinal quando estiverem preparados.

Quanto às regressões, agradeço a explicação, Lena. É algo que me assusta porque tenho mesmo medo que "desaprendam" alguma coisa que seja mesmo importante para a sua vida, agora e no futuro. Mas se se trata apenas de "arrumação mental", é dar-lhes tempo e espaço.
Em relação às birras, eu acho que deve haver alguma conexão com o estado do tempo. As minhas ficam sempre mais agitadas ou alteradas (eléctricas, irrequietas) quando a temperatuar sobe. Se for algo, elas e nós nem notamos esta agitação, mas quando há mudanças bruscas, é visivelmente notório. E elas dão-se mal com o calor. A temperatura desceu e, nestes dias, noto que há birras mas são das "normais" ainda que a auto-regulação não exista porque a dificuldade está em parar o choro e os gritos. Acredito que acabem por saber lidar com isso, mais tarde.

Um dia de cada vez.
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De Dulce a 01.05.2011 às 17:10

Revejo-me aqui...eu comecei aos 18 meses (regra do sul) até...bom até chegar a termos da loucura,uma depressão,crises de choro,impotência ...senti-me a pior das mães.Até...saber o porquê,aí relaxei e esperei.Quando vimos os primeiros sinais avançamos...e voilá!Quase aos 4 anitos ele deixou a fralda.Por isso...levem a coisa com calma,ninguém vos paga as fraldas pois não?Por isso...usem até ser necessário!Não admitam nunca que vos Humilhem na condição de pais por causa disso.Beijinhos !
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De t2para4 a 01.05.2011 às 18:26

Dulce, é tal o qual isso mesmo, não há outras palavras.
Também pensei que ia enlouquecer e só me faltou esfregar-lhes as cuecas sujas na cara... E eu sentia-me tão frustrada porque eu já desfraldei outras crianças (gémeos, também) e tinha sido tão fácil!! E por que não resultava com as minhas? Em Setembro, foi o passo oficial da desistência. E continuo a dizer que enquanto houver fraldas que lhes sirvam, não volto a ser aquela pessoa que fui no Verão passado. Pelo bem delas e pelo meu!

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