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Dentista - Dentist

por t2para4, em 07.05.11

Uma das piolhas já tem consulta marcada. Notei uma pequena mancha amarelada no seu canino superior direito e, ao passar com o dedo, noto uma pequena irregularidade, como se fosse lascado. Palpita-me que já se trata de uma cárie.

Agora surgem preocupações maiores:

- como correrá a consulta;

- qual a reacção mal se feche a porta;

- sentirá a falta da irmã, visto que vai comigo à consulta mas a irmã ficará na escola?;

- associará a bata da dentista a qualquer outra coisa ?;

- será necessário utilizar anestesias e brocas e afins?;

- como se comportará ela?

- como se leva uma criança autista ao dentista: sentá-la na cadeira (ou no chão ou no tecto, não interessa; sentá-la!), abrir-lhe a boca, fazer uma consulta!???

- ...

 

E podia continuar a enumerar mas isso daria uma listagem enorme. Ainda assim, apesar destes receios, já ponderei algumas coisas e tratei de fazer o seguinte:

- ela já conhece a minha dentista e o local (associa a "dentista da mãe" pois já lá esteve comigo quando fui pôr massas e branqueamento);

- levará a Hello Kitty consigo e poderemos sempre iniciar um tratamento na boneca antes de passarmos a ela;

- a dentista é especializada em odontologia infantil e é super simpática e muito meiguinha;

- ela gosta muito de escovar os dentes e não faz birras se lhe pedirmos para abrir a boca, mostrar os dentes ou fazer "aaahhh"

- já sabe quando irá ao dentista e assistirá também à minha consulta.

 

Porém, este tipo de imprevistos que mexe com as piolhas revolta-me profundamente. Nunca fui negligente, tomo imenso cuidado com tudo: cadeirinhas, alimentação, água e leite, roupas, higiene, etc. e parece que nada lhes escapa! Eu vejo cada atrocidade na rua que até dói: desde levar bebés no toldo do carrinho só porque fez uma birra e não quer ir na cadeira, ovos sem estarem presos com o cinto de segurança no carro, crianças fora cadeirinhas ou cintos, pais a darem citrinos e chocolate a bebés com 4 meses, passeios na rua a altas horas da noite ou durante o pico do calor sem protecção... Querem que continue?

 

O marido fica muito irritado quando falo assim e diz-me para encarar estas coisas como mais um desafio mas começo a ficar mesmo farta de desafios, cansada mesmo.

 

 

---------------------------

 

One of my little girls has alreday an appointment. I noticed a small yellowish stain in her upper rigth canine and, touching it, I feel a small irregularity, as if chipped. My guess: it may already be a cavity.

Now, bigger worries come up:

- how good will be that appointment;

- how she will react as soon as the door closes;

- will she miss her sister, since she will be going with me but her sister will stay at school?;

- will she associate the dentist uniform to something else?;

- will it be necessary to use anesthesia and drills and so?;

- how will she behave?

- how do you take an autistic child to the dentist: sit her on the chair (or on the floor or on the ceiling, it doens't matter, just sit her!), open her mouth, treat her!???

-...

 

And I could go on listing but it would be enormous. Yet, despite those fears, I have already thought of some things and took care of the following:

- she knows my dentist and the place already  (she calls her "my mother's dentist" because she has already been there when I had to put new whitening products);

- she will take her Hello Kitty doll with her and we can always start treating the doll before getting to her;

- my dentist is specialized in children odontology and she is super nice and sweet;

- she likes brushing her teeth and she doens't usually tantrums if we ask her to open her mouth, show her teeth or make "aaahhh"

- she knows when she is going to the dentist and she will watch my own appointment too.

 

However, this kind of unexpected thing that touches my little girls really gets me on my nerves. I was never neglectful towards them, I am always aware of all sort of things: car seats, nourriture, water and milk, clothing, hygiene, etc. and it seems that nothing misses them! I see so many atrocities that really hurts me when I am walking down the street: taking babies on the stroller's cover just because he/she trantumed and doens't want to be sit, baby car seats without seatbelts, children out of their car seats or with no seatbelt on, parents giving orange/lemon juice and chocolate to 4 month-old babies, late-night walks or during the hottest hours of the day without any protection... Should I go on?

 

My husband gets upset with me when I talk like this and tells me to face these things as another challenge but I'm starting to be sick of challenges, really tired.

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publicado às 17:47

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5 comentários

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De Pedro a 09.05.2011 às 10:17

Bom dia,

O T2 para 4 está em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Parabéns e boa continuação!

Pedro
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De t2para4 a 09.05.2011 às 13:32

Obrigada! É uma grande honra.
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De na primeira pessoa do singular a 09.05.2011 às 11:49

Nem todas as regras são para ser seguidas à risca. Já passei por nervosismos bem mais sérios com as minhas duas filhas, e no final, quem sofreu sempre fui eu, porque hoje em dia os profissionais de saúde estão aptos para reduzir o sofrimento às crianças.
Depois, a reacção do corpo de cada um é diferente. Tenho uns dentes impecáveis, mas não me lembro de os lavar em miúda. As minhas lavam os dentes de manhã, à noite e na escola, embora se um uma vez ou outra falhar não há qualquer drama. As minhas filhas fazem os horários dos pais, seja de dia ou de noite, não há cá flores de estufa. mas se isso quer dizer que adormecem no carro, porque é tarde, quer dizer que os pais as levam ao colo para a cama, subindo as escadas até ao segundo andar. Ainda ontem desbravámos matas, de silvas, arbustos mediterrânicos, polens e bicharocos, num passeio de mais de uma hora. Ainda ontem andaram de galochas em riachos e linhas de água, de lanterna em punho a explorar tuneis com teias de aranha e sabe-se lá mais o quê , que felizmente a luz da lanterna não deu para dislumbrar. A roupa suja e nauseabunda foi directa para a máquina. O banho foi demorado. Da asma, nem sinal. A terra dá-lhes defesas.
A segurança é necessária, e fazemos cumprir todas as normas do transporte.
Mas os miudos precisam de tirar as medidas ao risco, para sobreviverem. As pais, compete ter uma mão por perto, para amparar na queda. Nada mais..
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De t2para4 a 09.05.2011 às 13:41

Olá, bem vinda!

Concordo com o que disse e não sigo nenhum livro à risca (nem sequer uma receita) e muito menos palpites milagrosos sobre como educar ou criar as minhas filhas. As suas palavras no final do comentário valem por si. É isso mesmo.

Eu também fui criada num ambiente como o que descreveu no passeio que fez com as suas filhas e acredite que as minhas também têm esse privilégio. Aliás, para mim, vê-las sujarem-se na terra ou levarem uma pedra à boca para saber a que sabe ou apanhar flores que besuntam mãos ou arranharem um joelho deixa-me de coração aliviado porque me traz um sabor a normalidade, a crianças felizes, a crianças na verdadeira acepção da palavra. E, lá em casa, já se dizia que para se crescer saudável é preciso comer dois baldes de terra e um de m€rd@ :)

A ida ao dentista não me assusta ou me causa ansiedade - o que pode advir daí sim. Uma birra de uma criança autista é algo que nos transcende e é mais violenta e estridente e notória do que a de outra criança. Principalmente quando não há ainda mecanismos certeiros de auto-regulação. E confesso que ainda não sei como lidar correctamente com isso. Estamos as três a aprender.
E claro, fico triste com estas maleitas que surgem porque me revoltam, porque não acho justo, porque não merecemos. Mas, o sol brilha, a minha família é tudo para mim e nós seguimos o nosso caminho, em frente.

Mais uma vez obrigada pelo seu comentário.

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De Sara a 09.05.2011 às 23:14

Parabéns pelo destaque! :)

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