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Sustos - Fright

por t2para4, em 28.05.11

 

Quando, no outro dia, disse que o dia tinha-se tornado mau, foi mesmo assim. Uma das minhas piolhas decidiu ignorar por completo os meus chamamentos e fugiu. Estávamos em casa dos avós e era hora de entrar no carro e ir para casa mas ela não queria vir e começou a correr pelo jardim fora em direcção à estrada. Com trânsito. Gritei-lhe desesperada e comecei a correr atrás dela mas quem a agarrou - mesmo antes de tocar no alcatrão - foi a avó. Levou duas valentes palmadas no rabo e já não a larguei mais.

Sentei-a na cadeirinha, impedi que a avó lhe desse um papel que ela queria (evitando assim o que quer que se assemelhasse um "deixa lá" nesse momento) e viemos direitas a casa. No carro, chorava ela e chorava eu... A irmã, sossegadinha no seu cantinho, só lhe dizia "não chora"...

Em casa, já depois de a ter avisado no caminho, começou o castigo: nada de TV ou computador. Atirou-se ao chão aos gritos e não lhe liguei. Expliquei à irmã que a mana estava de castigo e que não poderia estar a brincar com o computador mas que podia brincar no quarto ou ouvir música. Eu sei que ela não merecia mas creio que, de alguma forma, entendeu que algo de muito grave se passara, pois foi muito diplomática e rapidamente arranjou alternativas de brincadeiras.

Já a irmã... Chorava e gritava e esperneava e pedia colo... Mas eu ainda estava zangada com ela e, com calma, expliquei que não lhe daria colo. Chorou e gritou e deitou-se na cama. Descalcei-a, dei-lhe o seu porco de peluche e a sua Hello Kitty e disse-lhe que podia dormir se quisesse.

Pouco a pouco fomo-nos acalmando e, passados uns dez minutos, ela veio ter comigo, mais bem disposta, de pantufas na mão. Chamou-me, baixei-me ao nível de altura dela e abraçámo-nos. Ela pediu desculpa e eu coloquei as mãos na sua carita e forcei-a a olhar para mim, de frente, enquanto lhe dizia que não podia fugir a correr para a estrada. Isto durou uns 5 segundos que podem não ter dado em nada mas o pouco tempo que ela susteve o meu olhar fez-me aperceber que entendeu que nos assustou muito e que nos preocupamos com ela.

 

Foi algo que realmente mexeu comigo. Nem quero pensar no que poderia ter acontecido. Não entendo o porquê de nos ignorar por completo quando chamamos por ela(s) - não têm nenhum problema de audição nem de compreensão do nome - mas ignoram. Desde então, acho-as mais calmas mas ainda me dói lembrar-me desses minutos...

 

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The other day, when I said, it had became a bad day, it was really that way. One of my little girls decided to ignore my calls and ran away. We were at their grandparents' house and it was time to get in the car and go home but she didn't want to come so she started running in the garden towards the road. With traffic. I yelled at her, desperate, and started running after her but it was her grandma who caught her - just before touching the asphalt. She earn herself two slaps in her bottom and I held strng to her.

I sat her in her carseat, I stopped her grandma from giving her some paper she wanted (avoiding anything similar to a "never mind" at that moment) and we came straight home. In the car, she cried and I cried... Her sister, quiet in her seat, was saying "don't cry"...

At home, after warning her in the car, she was grounded: no TV nor computer. She got on the floor, screming and yelling but I didn't care. I explained her sister that her twin was grounded and could not play in the computer but she could play in her room or listen to music. I know she didn't deserve it but I think, somehow, she understood something very serious happened, because she was very diplomatic and she soon found out some playtime alternatives.

As to her sister... she cried and screamed and kicked the air ans asked for hold her... But I was still angry at her and, calmly, I explained her I wouldn't. She cried and screamed and got herself into bed. I took her shoes off, gave her her stuffed pig and Hello Kitty doll and told her she could get some sleep.

Little by little we calmed down and, after some ten minutes, she came to me, more cheerfull, with her slippers on her hands. She called me, I got to her height and we hugged. She told me she was sorry and I put my hands on her little face and forced her to look at me, while I told her she mustn't run into the road. It took some 5 seconds which could mean nothing but that brief moment she held her eyes in mine made me realise she knew we were scared for her and we care for her.

 

It was something that really messed with me. I don't even want to think about what could have happened. i don't understand why the ignore us when we call them - they don't have a hearing nor name comprehension problem- but they ignore us. Since then, I can tell they are calmer but it still hurts remembering those minutes...

 

 

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publicado às 16:47

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4 comentários

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De Lena a 29.05.2011 às 23:38

Olá!
Mais uma vez do alto da minha ignorância ... todos os miúdos nos ignoram, mesmo (ou particularmente) nesses momentos mais críticos Há concerteza dezenas de razões e circunstancias : muitas vezes apercebi.me que a falta de percepção do perigo e o nosso gritar e/ou correr se torna um jogo, um desafio, ignoram-nos porque não têm a menor noção do que vem a seguir!
No dia-a -dia, ai rapariga, 50% das vezes que chamo pelo M tenho que chamar 3 vezes e à 4ª gritar, mesmo estando ali à minha frente! É que se entende não responder/ouvir ignora mesmo! O que faço? não paro de chamar, berro se necessário e depois obrigo-o a largar tudo e olhar de frente para mim enquanto lhe falo. Com a T felizmente é raro este comportamento.
Eu sei que não posso comparar padrões, nem os nossos receios/desafios, mas neste caso acho que ela se comportou como 90% dos miúdos de forma genérica!

Beijos
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De t2para4 a 30.05.2011 às 09:31

Olá!

A minha mãe também diz o mesmo e até acha que ela imitou o comportamento que eu e a minha irmã tivemos com mais ou menos a mesma idade. É, de facto, um cheiro a "normalidade" mas que dispensava! Foi mesmo assustador porque, pouco depois de ela ter sido agarrada, passa um camião... Sei que há muitas criança sque fazem o mesmo, o que me indica que não é nenhum sinal de autismo ou do que quer que seja. Faz-me é sentir frustrada por não cosneguir que sosseguem ou façam coisas simples, como entrar no carro quando chamo.

O que se torna mais complicado para mim é conseguir distinguir o ignorar dos nossos chamamentos apenas porque optam por ignorar ou porque não nos percebem ou porque é um dos sinais do espectro... Muitas vezes também tenho que berrar para marcar a minha presença mas não quero andar sempre assim... Acho que este incidente nos serviu de lição a todos: a mim - que não devo facilitar nunca -, a ela - que notou que nos pregou um imenso susto e não ganhou nada com isso - , à irmã - que não deve tentar nenhuma parecida...

Obrigada pelo comentário e partilha!
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De Lena a 30.05.2011 às 10:31

Bom dia!

Não faço ideia de como poderás gerir esta distinção! Mas julgas tu que as crianças ditas "normais" entram no carro normalmente!??! Oh mulher era bom , era!! Com a idade das tuas (aproximada) apanhei sustos idênticos, chegávamos a ter que os prender nas cadeiras à força quando entendiam não colaborar... com o crescimento vão melhorando, mas TODOS os dias de manhã (escola) é preciso elevar a voz e dizer "ENTREM NO CARRO JÁ", "OS CINTOS PRIMEIRO", etc. etc. porque tudo se faz com calma e com mil distracções!

Qualquer dia pensas que os meus também têm qualquer sintoma menos "normal"; eu já pensei isso muitas vezes, principalmente nos momentos em que o M (que é muito impulsivo) me parece não se controlar, mas depois felizmente percebo que não é nada disso, é mesmo o prazer do desafio, de tentar controlar a situação à maneira dele. E como são acompanhados por uma psicologa que ainda há pouco os classificou como estando muito bem...

Beijos, saúde e paciência.
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De t2para4 a 30.05.2011 às 15:01

Oi!

Pois, não sei como distingui-las pois ainda não descortinei nenhum truque que me ajude a fazê-lo - ao contrário das birras : aí já não me enganam :P
Sabes, às vezes dou por mim a sorrir nos supermercados ou em espaços públicos quando vejo crianças a fazer algumas coisas que as minhas também fazem e sinto que, afinal, não somos assim tão diferentes quanto isso das outras crianças e das outras famílias. E, pelo que vejo, não sou a única a ter manhãs algo complicadas! É o entrar no carro e o sentar nas cadeirinhas porque elas acham que podem ir à frente - no outro dia, uma delas queria conduzir, imagina só...

Sei que, por vezes, fazem ouvidos de mercador ao que lhes dizemos. Não sei se se passou o mesmo quando ela decidiu fugir para a estrada. Também sei que muitas vezes, estão tão absortas no seu mundo que o não nos ouvir não é por mal. Daí eu ainda não saber muito bem como distinguir isto.

A fase do ver sintomas e sinais em todo o lado já passou :) todos nós temos "manias" (usando as palavras do Dr. Frederico) que podem ser iguais em pessoas autistas mas sem nós o sermos porque só temos aquele sinal ou "mania". Para se chegar a um quadro de uma doença, seja ela qual for, só um sintoma não faz o diagnóstico - ou pior, pode dar-nos um errado. Acredito que os teus filhotes sejam crianças perfeitamente normais. Apesar de muita gente me dizer que não devemos comparar e blá blá blá, a verdade é que - seja por já ter acompanhado mais crianças, algumas gémeas; seja fruto da profissão - tenho um amplo leque de comparação... Este ano, a juntar ao meu voluntariado num JI, o leque ainda se abriu mais e é quase impossível não notar diferenças entre as várias crianças.

Obrigada pela conversa. Por muito simples que possa parecer, ajuda-me a entender determinados comportamentos e, se outras crianças também os têm e são saudáveis, fico aliviada por saber que, afinal, as minhas filhotas não estão tão desenquadradas do mundo como nós o conhecemos. Ainda que, ela escusava de me ter pregado aquele susto. Acho que o meu coração parou :P

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