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De que adianta?

por t2para4, em 19.02.11

De que adianta tentar ser perfeito ou agradar ou ser profissional ou ser bom em alguma coisa? Onde está o reconhecimento disso?

 

Fui uma excelente aluna, desde sempre mas...

- as ofertas de bolsas de estudo ou vinham tarde ou por décimas não eram para mim ou a minha mãe não queria que eu as aceitasse;

- era tratada como rato de biblioteca, marrona, etc e tal;

- não entrei no curso que inicialmente queria;

- era a mim que, por interesse, se juntava alguém ou me pediam apontamentos;

- estudava imenso para ter boas notas e o cola do colega que se cagava para aquilo tinha as mesmas notas que eu sem fazer a ponta dum corno;

- terminado o curso, trabalho como todos os outros, marrões ou nabos, para ter uma m€&£@ de um ordenado ao fim do mês que mal dá para as p#!@s das despesas que temos

 

Fui uma boa filha mas...

- tenho que levar com as neuras da minha irmã e a minha mãe achar isso naturalíssimo;

- tinha que avisar sei lá com quanta antecedência do que queria fazer, onde ia, com quem ia, a que horas chegava - um relatório completo e detalhado;

- querer casar na data que queria mas, por a+b+c+d, não dar;

- tenho que ouvir a minha mãe recordar com emoção que fez tudo o que quis no seu casamento e eu não poder dizer o mesmo;

- não pude escolher que roupas vestir, que calçado usar, que materiais comprar para usar na escola porque a m€&£@ do dinheiro fazia falta para comer;

- tive que usar coisas que já metade da família tinha usado antes de mim;

- ouvir coisas que me magoam e a minha mãe nem dar por isso;

- sempre levei uma vida de rectidão que pouca recompensa me traz e vejo autênticos playboys e afins femininos a terem uma vidona;

- não querer que as minhas filhas passem a m€&£@ de infância que eu tive e elas terem uma m€&£@ de um diagnóstico de autismo;

- tive que crescer, a bem ou a mal, quando não me sentia preparada para isso;

- só tive uma ranhosa duma Barbie quando as  minhas primas até as deitavam pelos olhos;

- sou criticada pelo que faço hoje porque ninguém entende os meus princípios;

- sou vista como louca porque vi que as minhas filhas tinham um problema quando toda a gente me dizia "ah, cada criança tem o seu ritmo", "isso passa", "está tudo bem, isso são coisas da tua cabeça".

 

Fui boa amiga mas...

- sou posta de parte porque me recuso a beber até cair para o lado;

- como não gosto de passar a vida na casa das pessoas (e, neste momento, tenho uma certa vergonha que venham à minha), não sou bem vista;

- como não consigo deixar as piolhas com os avós para passar a vida a jantar fora com amigos, à primeira recusa, acabam-se as abébias;

- não importa o quão bem eu faça, se telefono, se me preocupo, se me disponibilizo - se eu não posso, sou logo anormal;

- não interessa se ajudei alguém porque nem uma merda de um "obrigado" recebo

 

Sou boa profissional mas...

- ganho o mesmo que os cabrões dos meus colegas que se estão a cagar para o serviço;

- os patrões que gostam do meu trabalho não têm capacidade legal para ficarem comigo;

- sou chamada à atenção por ser honesta e sincera demais;

- não tenho qualquer reconhecimento por aquilo que faço;

- o voluntariado não é bem visto;

- apesar de trabalhar perto de casa, gasto mais combustível do que se estivesse emigrada no cu do mundo;

 

 

Basicamente, não me adiantou de nada ser boazinha, nunca cheguei a lado nenhum com isso. Por isso, doa a quem doer, acabou-se a Mrs-nice-girl. Se é de cabras que o mundo precisa, é que eu vou ser.

Resoluções a muito curto prazo:

- pensar bem mais em mim;

- começar a ser egoísta e a deixar de parte o que alguns acham eticamente aceitável (afinal, o que é a ética? Ser-se íntegro e honesto e levar na cabeça todos os dias? Onde é que isso me leva? A uma sepultura e uns dizeres bonitos? Não estarei cá para ver)

- deixar de roer as unhas e arranjá-las todos os meses;

- fazer um novo corte de cabelo;

- comprar coisas novas para as piolhas e deixar a ideia de ser prática (e poupada) nestas coisas para outros;

- mimar-me;

- namorar mais, brincar mais com as piolhas;

- passear muito! Não preciso de fazer viagens, basta sair de casa e ir à serra, por exemplo;

- fazer coisas que me agradam, independentemente do que os outros pensam;

- acabar com o primeiro passo dado por mim para contactar alguém;

- ser muito mas muito cabra mesmo com quem me trata mal;

- ser feliz, acima de tudo!!

 

E quanto a ti, deus pérfido, que há anos me persegues a tentar infernizar a minha vida,  vê se tomas rumo e vais assombrar outro palerma qualquer porque daqui já não levas mais nada!

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publicado às 13:34

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