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Deve ser do tempo...

por t2para4, em 15.09.15

... ou então do mês!!!

 

Como já devem ter-se apercebido pelo que vou comentando, estamos oficialmente sem notícias televisivas desde novembro de 2014, mais especificamente, desde o dia da prisão de Sócrates. E, já que as mudanças começaram a ser bastantes - e para melhor! - optámos também por reduzir o consumo de TV, pelo que, a televisão da cozinha passou a ser monitor do computador do marido. Não há TVs nos quartos. Temos uma única e fica na sala.

 

Desde então, tem sido um tirar a barriga de misérias de desenhos animados a qualquer hora, séries novas e antigas com temporadas acessíveis a qualquer instante e até gravações automáticas (e nem menciono a loucura dos canais de música).

Continuamos informados com o que se passa no mundo: lemos as notícias, os cabeçalhos, os comentários, em papel ou formato digital gratuito. Para desgraças chegam alguns momentos das nossas vidas, não temos que pagar para ter acesso a ainda mais desgraceira.

 

Ora, em certas alturas, eu bem digo que a ignorância é uma benção. Mas há pessoas que abusam dessa benção e são apenas burras - sem ofensa aos bichos que até são bem simpáticos. O que diabo passou pelos poucos neurónios do nosso vice??? Fizeram curto-circuito, queimaram das férias, ainda não se aperceberam que a silly season já terminou, estão numa de salazar (deus, pátria, família), deu-lhes simplesmente? Então, o papel da mulher (e só da mulher, note-se) - que, eu até posso estar enganada - mas acaba por contribuir tanto ou mais do que o homem para a sociedade portuguesa atual que temos -é [saber] que têm de organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos"?

Uau, quase que me sinto impelida a fazê-lo! É que, nesta visão simplória e estado novista do atual vice, eu ando aqui a matar-me com trabalho, a fazer descontos para a Segurança Social, a esfalfar-me com horários quase nunca compatíveis com os do meu marido, a conjugar vida profissional com vida familiar sem nunca descurar uma nem outra, a fazer cursos e especializações e o diabo a sete porque o (des)governo assim se lembra (ou seja, casa, trabalho, estudo e família com duas crianças com NEE) para quê?

Poderia estar tão bem em casa, mas sabe, vivendo num T2, a organização é rápida e em menos de uma semana eu até poderia começar a organizar os apartamentos dos vizinhos; a pagar as contas a dias certos - não sei se sabe, sr vice, existe uma coisa que os bancos têm que se chama débito direto. Às vezes, ajuda um bocadinho a aliviar essa pressão de pagar as contas a dias certos. E, claro, nos supermercados, acho que o Ti Belmiro ou Ti Jerónimo não devem aceitar livros de assentos, pelo que o pagamento é na hora, imediato, percebe? -, a pensar nos mais velhos - talvez, para aí nas merdas que as minhas avós fazem, apesar de terem idade para ter juízo, tipo andar sem comer um dia inteiro ou passar frio porque é mais importante poupar a reforma para algum filho desgovernado a gastar ou mentir à descarada no hospital, por exemplo, ou lembrar-se de sair de casa a meio da noite e preocupar toda a gente - e cuidar dos mais novos - vou ser muito honesta, de facto, dava-me jeito poder cuidar mais das minhas filhas mas se as obriga a ir à escola como o posso fazer? É que, sabe, os miúdos têm cerca de 7h por dia que são passadas na escola! Tem que se decidir, sr vice, ou recuamos aí uns 60 anos ou vivemos um século XXI! Este "não é carne nem é peixe" não dá com nada! 

Por acaso, o senhor já se armou em mulher hoje? Já pagou as suas contas a dias certos, pensou nos mais velhos e cuidou dos mais novos? Já organizou a sua casa, antes de a entregar a outros? Já tratou de assuntos prementes como Educação Especial atempada, justa e para quem precisa, mesmo? Já tratou de averiguar o que diabo anda o seu ministro a fazer todos os anos com os concursos de professores? Já tratou de assuntos pendentes, tipo dinheiro de submarinos que deveria era estar na Seg Social, para quem cá vive e quem cá trabalha e quem cá desconta?  É que quem é incapaz de arrumar a sua própria casa, não deve mandar bitaites na casa dos outros! E isto, aprendi com os mais velhos!

 

Eu bem digo que este mês nunca mais acaba. Setembro é, sem dúvida alguma, a 2ª feira do resto do ano. E, agora, sinto-me algo impelida a evitar também com a imprensa escrita...

 

 

 

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publicado às 16:38

Aulas de História para todos, sff

por t2para4, em 03.09.15

Não percebo, não entendo, não compreendo este mundo, o que se passa, o que está a passar-se. Será que, o período do início do século XX até aos anos 80, não fazia parte do programa de História de todos os países, só em Portugal?

Será que os comboios cheios de gente, os familiares a puxar os filhos (e outros) para dentro, a polícia vigilante, as marcações de números na própria pele, a fuga por causa de motivos religiosos, os muros erguidos, o arame farpado, os enganos das viagens de comboio, a recusa de vários países em receber milhares de refugiados (imprensa sensacionalista: migrantes são quem sai de livre vontade de um país, não quem foge à guerra), as mortes pelo caminho... não lembra nada nadinha a ninguém? Não faz recordar algo que aconteceu há pouco mais de 75 anos? Será que passou assim tanto tempo que nos tenhamos todos esquecido dos horrores que o mundo conheceu pouco depois de 1945?

Eu não acredito - não quero acreditar - que haja alguém no mundo atualmente que nunca tenha ouvido falar de judeus-II Guerra Mundial- refugiados-holocausto. Não posso crer.

 

Não quero ousar pensar que nos possa acontecer o mesmo e, se assim for, o nosso mediterrâneo será o Atlântico... Assusta-me que milhares de refugiados tenham que deixar uma vida para trás... Assusta-me que, ao lhes abrirmos a porta de coração aberto - somos tugas, não há hipótese. Somos crueis uns para os outros mas damos a própria camisa aos de fora - venha um esgroviado islamista fundamentalista terrorista infiltrado e venha acabar com o que nós ainda não acabámos... Assusta-me que, autarcas e governo, possam estar a enganar estas pessoas que fogem, prometendo-lhes casa (que muitas vezes não há para os portuguese), escolas para os filhos (que muitas vezes não têm vagas nem recursos para receber os dos portugueses), trabalho (que não há para os portugueses), subsídios (que já sabemos como funcionam para os portugueses...). E, honestamente, assusta-me este medo do amanhã, do não saber o que fazer para tornar este mundo um bocadinho melhor...

 

Prometi a mim mesma que não falaria disto nem escreveria posts, mas depois de ver o meu facebook pessoal e o do blog invadidos - literalmente - com imagens de crianaçs mortas, de crianças que andam de país em país a pé ou sabe-se lá como, com ou sem pais ou adultos cuidadores por perto, a pedir nada mais nada menos do que uma casa e paz, dou graças por tudo o que tenho. E espero que, autismos à parte, as minhas filhas saibam dar o devido valor ao que temos. Pode funcionar mal, pode revoltar-nos, pode ser necessário ir à luta para conseguir validar os nossos direitos, mas, para já, ainda há quem nos ouça e estamos em casa... Aqui não acordamos com raids, nem com a incerteza de viver mais um dia, nem com destroços à volta...

Dou graças por ter as minhas filhas seguras, saudáveis, aqui pertinho de mim... Valorizo cada segundo com elas, mesmo quando num handflapping louco uma cotovelada me ia partindo o nariz e hoje tivemos que fitacolar a gaveta da impressora...

 

E, posto isto, apesar de já não ver noticiários desde novembro e só ler as gordas da imprensa, às vezes, penso mesmo que a ignorância é uma benção...

Para já, sejamos humanos e sigamos o caminho da inclusão - que não passa apenas pela deficiência... Temos tanto a aprender uns com os outros... E, acredito que os nossos filhos, nas mesmas escolas que os filhos de quem vem em busca de paz, podem crescer em muitos  mais sentidos do que só em altura. E, nós pais, também. E que a nossa paz tuga, à tuga, se mantenha por muitos muitos muitos anos.

 

 

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publicado às 16:48

Atentar, com o triplo da atenção (passe-se a redundância), à parte que indica que não há um marcador biológico nem genético para confirmação do autismo. Poderemos e talvez cheguemos lá,  mas, para já, não me digam que uma análise ao snague diz se alguém tem ou não autismo. Isto não é diabetes ou um teste de gravidez.

 

 

Pediátrico de Coimbra participa em estudo europeu sobre autismo

 

Analisar de forma abrangente a atual situação do autismo na Europa. É este o objetivo do projeto europeu ASDEU (Autism Spectrum Disorders in Europe), que foi selecionado para financiamento pela Direção-Geral da Saúde e dos Consumidores da Comissão Europeia, no valor global de 2,1 milhões de euros e que terá a participação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Instituto Ricardo Jorge).

 

Este projeto pretende efetuar um estudo de prevalência do autismo em 12 países da União Europeia (Dinamarca, Finlândia, Itália, Espanha, Portugal, Polónia, Roménia, Bulgária, França, Áustria, Islândia e Irlanda), bem como a análise dos custos económicos e sociais envolvidos.

 

O estudo em Portugal será efetuado em parceria com o Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC). Os participantes nesta iniciativa vão caracterizar o estado atual de deteção precoce deste distúrbio, incluindo propostas para o desenvolvimento de programas de deteção, e formação de profissionais para estas áreas.

 

Um outro aspeto particularmente importante do projeto ASDEU está relacionado com a validação de biomarcadores e análise da situação no diagnóstico desta perturbação. Isto porque não existe, no estado da arte atual, nenhum marcador biológico específico para identificar o autismo, sendo o mesmo diagnosticado através dos comportamentos clinicamente observáveis.

Apoio a adultos e idosos

Por fim, esta iniciativa europeia pretende também analisar os cuidados e apoio necessários a adultos e idosos com autismo, bem como a comorbilidade associada a esta questão de saúde.

 

O Instituto de Investigação de Doenças Raras do Instituto de Saúde Carlos III, de Espanha, assume a coordenação do projeto. O Instituto Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Promoção a Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis, é uma das entidades envolvidas neste projeto, integrado num grupo de 19 instituições de 14 países europeus.

 

Este estudo será fundamental para um conhecimento da realidade em Portugal e noutros países Europeus em relação ao número de indivíduos com Perturbações do Espetro do Autismo, às suas condições de vida e aos custos sociais e económicos desta condição”, refere Astrid Vicente, coordenadora do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge. Ainda segundo a investigadora, “este conhecimento contribuirá para a adequação das políticas de diagnóstico, apoio e intervenção à realidade europeia”.

O ASDEU terá a duração de 36 meses. O projeto irá ainda relacionar-se com uma outra iniciativa europeia em curso nesta área, denominada de “European Autism Interventions – A Multicentre Study for Developing New Medications (EU-AIMS)”, prevendo também a realização de duas conferências europeias: a meio do projeto, em 2016, e a segunda no final do mesmo, em 2017.

 

in As Beiras de 10.02.2015

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publicado às 10:39

A memória pode mudar o mundo

por t2para4, em 27.01.15

E evitar que a história se repita.

 

Há 70 anos atrás, o mundo descobria, de forma nua e cua, os horrores escondidos de uma guerra longa demais, terrível demais, mortal demais. Ainda hoje, depois de tantas horas de estudo sobre o assunto, de tantos documentários visualizados e artigos lidos, me choca e me espanta e me indigna a capacidade destrutiva que o ser humano tem contra os seus semelhantes. Nunca pensei que fosse possível descer mais baixo do que o baixo e ser-se tão pouco humano, tão pouco.

 

Mas a memória que deveria proteger o futuro e evitar que outros holocaustos se repetissem parece falhar, de vez em quando, e vamos vendo massacres, genocídios e fins sem sentido... E há sempre um personagem que tenta armar-se em Hitler e tentar subjugar o mundo e renega existências históricas, ofendendo, assim, a vida humana, os sobreviventes do horror.

Por muito que tente, há coisas que jamais entenderei... E, honestamente, quando chegar a altura não sei o que explicar às minhas filhas... Será correto retirá-las de um mundo seguro - embora isolado e socialmente limitado - para o nosso mundo? É isto que se supõe ser-se "um ser social"?

 

A História não é ficção. Estudá-la é um excelente remédio contra perdas de memória.

 

 

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publicado às 18:47

Obtusismo

por t2para4, em 07.01.15

Mentalidades extremistas e incapacidade de discernimento saudável.

Há coisas que nunca irei entender, por muito que me esforce.

 

in Dessins de Presse Satirique

 

 Aujourd'hui, moi aussi, je suis Charlie. Parce que, dans ce monde cahotique, il y des choses qui ne font aucun sens.

Ni aujourd'hui ni jamais.

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publicado às 21:18

Haja pachorra!

por t2para4, em 07.10.14

- para aturar todos os que se metem na minha vida e me perguntam se estou em casa, se estou a trabalhar, por que não concorro para longe, por que fico por aqui, por que não mudo de profissão;

- para não revirar os olhos até darem uma volta perfeita no globo ocular de cada vez que me dizem "ahhhhhh, mas elas não parecem ter nada, são tão lindas!" (dizer isto com voz sofrida e espantada) quando se fala em autismo, por algum motivo contextualizado;

- para aturar um bando de incompetentes - olha! estou mesmo a falar do (des)governo!!! - que coloca tudo em estado de citius e que tenta esclarificar situações que não tem esclarificação nenhuma;

- para entender por que razão só neste país é que se pode trabalhar português e matemática de manhã e o desporto faz mal e ai ai ai e tatatatata;

- para perceber por que raio me farto eu de trabalhar - na escola, em casa, em trapices e pinturices, em aulas extra fora da escola - e não parece haver retorno nenhum! Muita gente pseudo-interessada e cutchicutchi ai tão lindo mas poucos se chegam à frente e voluntariado é noutro local, não é nisto;

- para me aperceber por que sou eu tão honesta e fiel aos meus valores e princípios e, ao invés de ver recompensas nisso, só levo é cabeçadas;

- para tentar atingir o porquê de nunca podermos baixar os braços na luta pelas minhas filhas porque senão já alguém extrapolou não sei o quê e já há uma lei em incumprimento e mais do mesmo;

- porque raio é assim tão difícil cumprir prazos neste país????? Será possível, seriously?! Aulas, terapias, colocações, plataformas, resultados de concursos, pleaaaase!!!, haja um mínimo de decência!;

- para, nesta fase do campeonato e com as mentiras notícias que vamos lendo/ouvindo/vendo, ainda tenha um resquício de naturalidade ao escrever "nacionalidade: portuguesa".

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publicado às 18:11

Dia da República; Dia do Professor

por t2para4, em 05.10.14

Assim, a nu, à primeira vista, de acordo com os acontecimentos dos últimos anos e o meu saldo bancário, a minha atual situação profissional, o desrespeito para com as minhas filhas, não vejo razões para se celebrar seja o que for.

Celebrar o quê? Uma república das bananas? Uma sucessão infindável de erros em todos os sistemas que, tericamente, serviriam para nos aproximar e agilizar colocações e julgamentos? Uma profissão que adoro de paixão e vocação mas que ninguém respeita menos ainda o ministro da educação? Um desrespeito imenso por quem realmente trabalha e desconta e paga os seus impostos e se sacrifica a tantos níveis? Que motivos há para se fazer o que quer que seja neste dia?

Assim, a nu, à primeira vista, de acordo com os acontecimentos dos últimos anos e o meu saldo bancário, a minha atual situação profissional, o desrespeito para com as minhas filhas, não vejo razões para se celebrar seja o que for.

 

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publicado às 09:49

https://hypescience.com/apesar-de-ser-uma-doenca-autismo-nao-e-defeito-mas-sim-pode-ter-muitas-vantagens/

 

Interessante de se ler. Não concordo com o título "doença". Perturbação, síndroma, desordem, sim; doença não. As minhas filhas não são doentes.

 

No entanto, isto deixa-nos a pensar... Por que razão tudo o que escapa à suposta normalidade, tudo o que não é padronizado, tem de ser visto como atípico, anormal, diferente, mau? A genialidade também é algo fora do padronizado e, muitas vezes, considerada uma desordem, mas não deixa de ser admirada. E isso já é algo no bom caminho. Se a sociedade parar de ver as pessoas com deficiência intelectual (autismo incluído) como um problema e passar a encará-lo como um revés da medalha do que é neurotípico, aposto que as nossas lutas seriam extremamente mais fáceis.

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publicado às 10:44

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