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O Carnaval das piolhas 2017

por t2para4, em 28.02.17

Não somos grandes celebradores do Carnaval e, até já o tinha dito aqui, há uns anos, só comecei a dar-lhe alguma importância quando as piolhas já eram toddlers e estavam na creche. E, à exceção dos seus primeiros dois anos em que, de facto, comprei roupinhas a preços de achado, daí em diante, fui sempre fazendo e conjugando coisas para lhes dar um ar festivo e carnavalesco na 6ª feira anterior à Terça-feira Gorda.

Então, recapitulando:

- em 2011, foram umas simpáticas joaninhas (as tais do fatinho que durou uns 2 ou 3 anos, até não caberem mesmo dentro dele)

- em 2012, foram Doras, as exploradoras (viva o improviso, já que foi uma altura particularmente complicada; também voltaram a ser joaninhas)

- em 2013, foram umas fadinhas rosa (nada de especial apenas um conjunto de asas, varinha de condão e antenas pindéricas  com roupa cor de rosa normalíssima, pois, foi - again - uma altura complicada)

- em 2014, foram trabalhadoras alusivas aos poneis (nem quero acreditar que foi o 1º ano delas na escola... Tema profissões antigas que, com algum engenho, lá consegui misturar com as profissões dos poneis de My Little Pony)

- em 2015 e 2016, foram de Equestria Girls (com a totalidade dos acessórios feita em casa mais alguma roupa normal a compor a coisa. Adoraram e seria mais um ano a repetir mas enough is enough)

 

Então, para este ano, 2017, após muito pensar e sem grande tempo para me dedicar a projetos DIY, as piolhas lá se decidiram pela Marinette que tem a Miraculous Ladybug por alter-ego. Para tal, foi fácil decidir o que fazer e onde arranjar o que faltava. Assim, em casa, no roupeiro das piolhas já tínhamos as leggings, as camisolas (polares que aqui faz frio), os casacos cintados (apesar de terem cores diferentes do da personagem), sapatilhas (está demasiado frio para sabrinas), as carteirinhas rosa a tira-colo.

Do que precisei:

- mascarilha, que comprei no Espaço Criança por 1,25€ e depois pintei com as cores e manchas da LadyBug

- perucas azuis (daquele tom de azul Marinette) que comprei numa loja chinesa, por 3 euros (e que, depois de fazer os puxinhos e atar com fita vermelha, cortei a jeito)

- fita vermelha já tinha, de outros trabalhos

- feltro e linha de atar chouriços, que também já tinha de outros trabalhos, para fazer uma Tikki (o amuleto vivo, por assim dizer, da Marinette e que a transforma em LadyBug)

 

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 (apesar de eu achar que elas ficaram um pouco estranhas - sinistras, vá, por causa dos olhos -, as piolhas disseram que estavam fofinhas)

 

E o resultado final, que já tinha partilhado no Facebook do blog, ficou bem melhor do que eu inicialmente imaginara. Tudo se arranja, com alguma imaginação e boa vontade. As piolhas ficaram felizes e eu também, por vâ-las felizes.

 

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publicado às 17:22

Pequenos grandes gestos

por t2para4, em 15.02.17

No dia em que se diz celebrar o amor, por excelência, há apenas a constatação do que se vem vivendo nos restantes dias do ano, sem festividade associada. Não saímos, não jantámos fora, não fomos passear. Estivemos - os 4 - a trabalhar. E o dia começou bem cedo, ainda antes das 7h, com as piolhas bem despertas pelos seus próprios relógios biológicos tão ajustados aos seus desejos quanto elas querem (sim, se decidirem acordar às 6h30, elas conseguem. Sem qualquer tipo de despertador. Aí está algo que poderão ensinar-me, um dia destes...). Começou com passinhos miúdos no chão, com vozes murmuradas de "hoje é dia de São Valentim" e "o pai está cá?" (às vezes, o pai faz o turno da noite e só chega de manhã) e ainda "o pai e a mãe têm de estar juntinhos para desejar feliz dia de São Valentim". E nós a distribuirmos milhentas bejocas matinais, tão boas, os 4 no miminho bom. 

 

E, de tanta coisa que fiz e falei - e ainda estou em fase de realização - com os alunos acerca dos afetos, continuo a fazer notar - a nós e aos outros - a importância das pequenas coisas que, todas juntas, fazem muito. E quando digo pequenas coisas, são mesmo pequenas coisas, que, independentemente dos dias, podemos fazer sempre que nos apeteça. Em casa, além de um postalinho pindérico todo meloso que adore no computador (deu nas vistas pois o portátil estava fechado e eu nunca o deixo fechado), tinha a casa arrumada e o marido estava a passar a ferro - um alívio de trabalho acrescido para o resto da semana em que estou cheia de aulas e consultas. A minha retribuição melosa foram umas garrafinhas de Sumersby e um arrozinho malandro com moelas. As piolhas não receberam prendinhas da escola ou assim (receberam um caderno de desenho da nossa parte) e estavam, todas airosas, a descansar na sala - gazetando, mais uma vez, a ida à piscina -, depois de dois dias de fichas de avaliação e muitas horas de estudo e trabalho. E o melhor de tudo é, à medida que vamos conversando e que vamos passando o dia, haver ainda mais pequeninas coisas que nos deixam de sorriso bom. Afetos, carinho, amizade, cumplicidade, amor, sim. Também mas não só.

 

Uma piolha decidiu escrever um bilhetinho de carinho ao avô. E até pediu ajuda à tarefeira para fazer um envelope e poder guardá-lo em segurança, sem se amassar. Quando nos contou que iria aguardar até setembro para oferecer o bilhete ao avô (altura em que regressa a Portugal), perguntei o que ela achava de lhe enviar amanhã, por correio. Fez-lhe um pouco de confusão ter que escrever uma morada em língua estrangeira - que não o inglês - mas já temos correio para despachar amanhã e, certamente, um sorriso muito feliz na cara do avô quando o receber.

 

O dia acabou um pouco mais tarde do que eu previra, depois de nos termos enroscado no sofá a ver "A Bela e o Monstro" (e eu a estranhar pois sou do tempo do lançamento em VHS, em versão brasileira; posteriormente, já com piolhas bebés, a versão originbal em inglês, pelo que, a versão portuguesa é, para mim, uma novidade. E, para que conste, não há nada de errado com a minha noção temporal, os anos 90 foram mesmo há 10 anos, ok? Sim, porque eu lembro-me que foi no ano em que abriu o CoimbraShopping e o Continente, local onde comprei a cassete. Portanto, dizia eu, há pouco mais de 10 anos.).

 

A felicidade está mesmo nas coisas simples, no bem que podemos fazer uns aos outros, no que sentimos quando estamos felizes. E, ainda que em dias negros, amaldiçoemos o termos que nos contentar com as "pequenas coisas", a verdade é que, ninguém as valoriza como nós - nós e alguém como nós.

 

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publicado às 23:39

Da consulta da especialidade

por t2para4, em 23.01.17

A noite passa-se entre voltas e reviravoltas (e a minha teimosia em não tomar nada para dormir). A manhã começa com o toque do telemóvel a avisar da hora de começar a preparar nem sei bem o quê, pois já tudo estava pronto de véspera. Engole-se algo parecido com um pequeno-almoço e ala de viagem. Tudo enerva, desde o apressadinho que ultrapassa tudo e todos sem noção do que vai a fazer ao trânsito que se sente até na circular externa, sem grande razão para isso (daí se chamar circular externa...), ao estacionamento caótico que não interessa resolver nas traseiras dos HUC a caminho do HPC.

E eis-nos naquele piso de estacionamento, naquele elevador (o do meio, sei lá porquê, mas sempre o do meio), no corredor da máquina de bilhetes a caminho da máquina do café e exibição de trabalhos, vira à direita, volta a virar à direita e chegámos. Mais uma consulta de autismo, no departamento de Neurodesenvolvimento e Autismo.

 

Se o presente ainda me incomoda, olhar para o passado parece tão irreal quanto arduamente vivido. Agora tudo é bem mais tranquilo, familiar, presente; antes era o caos, as birras, a gritaria, a agitação motora, a hiperatividade, mais uma sessão de birras e meltdowns e saímos de lá pequeninos, impotentes e sem vislumbrar nada melhor.

As piolhas estão muito trabalhadas. Em algumas situações, um olho treinado e habituado a estas patologias, notará logo um comportamento artificialmente adequado mas funcional (um pouco como quando o Sheldon é obrigado a falar com os chefes, por exemplo). Nós notamos mudanças extremas. A sala fica intacta, a mesa sossegada, as cadeiras no lugar e as piolhas sentadas e colaborantes! São capazes de ter uma pequena conversa apropriada e contextualizada com a situação, colaboram nas medições (peso, altura, perímetro encefálico) e já não há explosões de caos quando é necessário verificar a tensão arterial. A enfermeira, que as conhece desde 2010, estava estupefacta com o comportamento, a maturidade e a boa disposição delas. Claro que havia ali uma pequena esterotipia verbal de uma e uns movimentos motores incontroláveis de outra a querer espreitar mas nada que mostrasse uma estranheza atroz, aos olhos de um leigo.

Fomos parabenizados, elas igual, e saímos de lá orgulhosos, orgulhosos, agraciados com a benção notória de um trabalho diário, constante, onde exigimos 10 para atingir 5 ou 6, em alturas boas.

 

No consultório médico, acabámos por receber as mesmas graças verbais e que nos enchem o coração de orgulho, esperança e nos deixam vislumbrar um caminho mais iluminado e uma estrada menos acidentada do que aquilo que víamos há uns anos. Claro que, há umas curvas manhosas no caminho que não nos deixam ver a sua totalidade mas, se já passamos por tanto, seguramente, aguentaremos o restante, certo?

É sempre bom conversar com alguém que nos respeita como pais e que, em certos aspetos, nos fala de igual para igual. O nosso médico sabe que somos uns bibliografos do pior e lemos muito, estudamos muito e ponderamos muito, antes de tomar qualquer decisão. Somos respeitados por recusar o metilfenidato e não nos crucificam por assumirmos que as piolhas tomam café todos os dias (café, tipo bica, do de máquina, intensidade máquina mesmo). Estamos numa fase boa de desenvolvimento das piolhas que permitiu algum progresso a nível de medicação, maturidade e até comportamental. Não nos iludimos: não estão ao nível dos seus pares. Lá chegarão mas não estão lá, ainda. Ainda a palavra chave.

A consulta demorou pois conversamos muito e aproveitamos para tirar dúvidas e falar até de outras coisas (acabei por descobrir pelo pediatra que a minha lesão muscular pode ter sido causada por um vírus!). As piolhas, que foram desprovidas de materiais de entretém, acabariam por começar a falar sozinhas e a imaginar... Tem sido algo muito recorrente, ultimamente. Traduzindo: regulam-se sozinhas, acabando por inventar historietas e narrar em voz baixa para elas mesmas, como forma de se ocuparem e conseguirem ter um comportamento regulado e adequado. Surgiu ali e ainda bem pois, assim, sabemos do que s etrata e poderemos explicar esse comportamento na escola ou até com técnicos, quando ele surgir.

 

Ainda rimos a bom rir ao imaginar as piolhas numa junta médica (ainda para mais com a doutora que temos na nossa pacata localidade, leia-se o sarcasmo) que, sem entenderem que estavamos numa de role-play, diziam o nome e queriam falá-lo também em inglês, punham o dedo no ar para falar. Dada a inteligência que assola estes profissisonais na nossa zona de residência, eu até imagino a cena... Não iria haver relatório médico nenhum, nem que fosse validado pelo Vaticano, aceite (been there, done that. Há uns anos, tentei uma junta médica e a suposta doutora pôs as piolhas na rua porque ela não conseguia trabalhar. É que ainda há pessoas que não fizeram nenhum upgrade aos seus conhecimentos e não devem ter descoberto ainda que existem deficiências neurológias, tipo, autismo, por exemplo... E são pessoas destas que declaram os mortos como estando mortos e atestam licenças para assar leitões - já agora, foi esta mesma pessoa que perguntou pelas habilitações superiores do proprietário para lhe poder validar a licença, a tal para assar leitões, mas anyhow. Escusado será dizer que a senhora doutora nunca mais me viu os dentes e eu duvi-dê-o-dó da sua capacidade de discernimento, pelo que, para já, não conta com a minha simpática presença no seu gabinete).

Bom, não faz parte dos nossos planos imediatos sujeitar as piolhas a uma junta médica. 

 

 

Estas consultas não nos trazem reforço de terapias nem devolvem horas retiradas aos centros de recursos para terapias nem, por muito que eu tente acalmar o meu lado inconsciente e patético, têm uma cura escondida num qualquer ficheiro. Mas trazem-nos algumas respostas e indicações de que estamos ou não no caminho certo - ou, pelo menos, mais adequado.

Ainda assim, ficamos sempre com a aquela sensação do copo meio cheio - porque as coisas estão mais ou menos compostas - ou meio vazio - porque ainda são crianças que não têm nenhuma facilidade em conseguir comunicar com os outros, quenão leem nas entrelinhas, que não possuem grandes filtros sociais, que não se enquadram com os seus pares, que... e que ... e que... e que...

Resta-nos olhar para trás e ver o tanto que já alcançamos, e, se calhar manter a mesma receita, já que, até ao momento, alguns resultados está a dar... O caminho ainda é longo mas, hey, já percorremos trilhos bem complicados, hein?

Talvez tenhamos, apenas, que ver o copo de outra perspetiva e continuar a (re)enchê-lo de esperança, dedicação, amor, paciência e mais um pouco de trabalho...

 

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publicado às 19:27

Momento ahhhhhh das piolhas #12

por t2para4, em 17.01.17

Estar na piscina, cumprir as regras sem problemas nem birras, mergulhar sem medos nem proximidades do cais e.... Nadar de costas sem braçadeiras ou algo flutuante!!!!! 

Estou nas minhas 7 quintas! É uma evolução tremenda para quem, apesar de adorar água, no início, se recusava a molhar a cara.

E é uma evolução para mim que já não entro em colapso cardíaco por as ver sem braçadeiras numa área sem pé.

Yay para nós!!!

 

 

 

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publicado às 20:16

O velho ano trouxe um final de aprendizagens e de resoluções, de erros que não quero repetir, de medos que não posso voltar a sentir. O novo ano entrou e eu estou ainda em fase de aprendizagem a um novo e (bem) mais calmo ritmo, a adaptar-me a um novo "eu", a testar as minhas limitações, a ver até onde posso ir sem dores e sem recaídas.

 

O novo ano traz também velhas rotinas que nos ajudam e das quais necessitamos. Consulta de autismo para muito breve. Estaria a mentir se dissesse que, à luz deste meu novo "eu" zenificado, não estu ansiosa nem aprensiva nem insegura. Estou, como estou sempre. Mas sei que as piolhas evoluíram tremendamente, vejo e quase que se sente essa evolução de forma palpável. Se está tudo bem? Longe disso. Temos ainda um longo longo caminho a percorrer mas já dá para perceber que algumas etapas serão bem menos árduas, que há "áreas de serviço" para descansar pelo caminho, que há surpresas boas depois de uma curva perigosa.

 

O autismo está lá, não vai desaparecer nunca, elas nunca serão neurotípicas, a vida será sempre vista por elas com um filtro diferente do nosso, precisarão de apoios durante mais tempo do que qualquer outra pessoas e não, não nos enganámos, o diagnóstico é mesmo esse, não é nenhuma perturbação noutra qualquer área. Sim, custa-me horrores vê-las completamente sozinhas nos intervalos, a passear pela escola mas, depois, penso que, serão sempre as duas, nunca estarão sozinhas. Temos a gemelaridade a nosso favor.

 

Por isso, para já, esses meus já conhecidos medos vão começando a assombrar, à medida que o tempo escorre mas vamos e vamos assim mesmo com medos e tudo.

 

 

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publicado às 20:53

Pensei que iria ser O ano, AQUELE ano... Consegui sobreviver a um ano letivo tão complicado e, em agosto, fui colocada logo em contratação inicial, pertinho de casa, a conjugar o meu horário incompleto (mas anual) com a minha atividade freelance (da qual não abdico) e pensei, honestamente, que conseguiria fazer tudo. 

Mas, depois, olhando para trás, só em jeito de tentar perceber o que se passou e por que razão 2016 não O ano esperado, começamos a pensar que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita... E que, infelizmente, anula as pequenas felicidades.

 

A minha saúde esteve em cheque umas poucas de vezes este ano. Talvez por andar sempre a correr de um lado para o outro, de ser uma control freak e ter horários controlados ao minuto (a sério, tinha mesmo), de tentar malabarismos estranhos com trabalho e família, não notei uma série de sinais que o meu corpo foi dando.

De repente, 3 pares de calças tinham deixado de servir mas eu perdera peso, tinha tido um natal de comes e bebes à doida e não fazia sentido; o cansaço era muito mas tinha acabado de sair de férias e, bem, andava sempre cansada; a minha menstruação, pela 1ª vez, foi das coisas mais dolorosas, intensas e estranhas de sempre. Percebi depois, que tinha abortado espontanemante, estava grávida sem saber... Doeu bastante - ainda hoje doi - e, se, na altura até pensei que saberia lidar com isso, acho que nunca soube nem saberei. Como, por cá, não temos por hábito esconder conversas das nossas filhas, talvez o desejo de uma das piolhas de ter mais irmãos e de estar sempre a falar do assunto venha daí... Sentimos um misto de tristeza que ainda hoje nos custa com alívio - pois se houve um aborto numa fase tão inicial é porque algo estava naturalmente mal e a natureza encarregou-se de tratar do assunto. E talvez já não esteja previsto voltarmos a ser pais. Há um -ismo que paira nas nossas vidas...

 

Acordei bastantes vezes dormente, com a sensação de que me faltavam dedos, as minhas unhas - mesmo rentes - escamavam e desapareciam. Achei que era dos nervos (afinal estava a trabalhar tanto e tinha um contrato a terminar em poucos meses, um verão de desemprego, o susbsídio de desemprego a terminar de vez em setembro). Comcei a dormir cada vez menos e com pior qualidade, a acordar imenso durante a noite. Piorou consideralvelmente nos últimos meses. Mas não dei importância.

 

Tive crises de coluna bastante graves que quase me impediam de andar, durante todo o verão. Mas como já tinha marcado mentalmente que iria lavar todas as carpetes de casa (e uma delas é simplesmente gigante e tem estantes por todo o corredor, em cima), sozinha tratei de tudo isso e mais alguma coisa; haja força muscular e vontade e tudo se arrranja. Asneira mas adiante. A casa ficou impecável, todos os tapetes, carpetes e afins lavados e cheirosos e eu podre.

 

Pelo meio, ainda tivemos que lidar com a "doença súbita", por duas vezes, do nosso carro principal, gastar uma fortuna na oficina e até ter que comprar outro, à pressa, pois o que eu estava a usar emprestado da minha mãe, teve de ser devolvido porque a minha irmã, pelos mesmos motivos, também precisou dele. Ora, despesas imprevistas que me fizeram, literalmente, perder (mais) noites de sono. E, por parte das piolhas, apesar do seu boost de desenvolvimento, a certa altura, a melatonina teve que intervir e ajudar durante uns tempos pois andava tudo sem conseguir adormecer em condições e a horas decentes.

E como apanhámos parte do 3º ano letivo, com menos 4 semanas de aulas, juro que pensei que dávamos todos em doidos. Mas o que diabo se passou pela cabeça de quem decide as metas curriculares para introduzir aquele tipo de conteúdos no currículo de miúdos de 7 e 8 anos? Mas anda tudo doido?! Até para mim era complicado atingir determinadas conclusões! E os exercícios eram, na sua maioria, absurdos sem aplicação absolutamente nenhuma na vida real (exemplo do bolo que se corta em 3 vezes na horizontal, transversal e vertical. A sério? É assim que se corta um bolo de aniversário para crianças de 8 anos? Nem o Sheldon!!!!!). Acabámos o ano letivo, literalmente, exaustas. E, por causa de tudo isso e mais um pouco, desleixei-me com as questões da terapia da fala que treinamos sempe no verão. E o resultado foi um retrocesso e uma maior dificuldade na produção de linguagem como aprendizagem e utilização prática, ou seja, a certa altura, falava-se porque os humanos falam e não miam... E a culpa e o ter que encontrar uma solução extra...

Ainda tivemos que lidar com a morte (de amigos, vizinhos e até de um aluno...) - ainda hoje me custa imenso pensar na B., não aceito nem compreendo - e explicar isso tudo às piolhas... E com o corte que os avós paternos decidiram fazer às netas, desde o seu aniversário até ao momento (ontem elas só queriam dar-lhes as prendas de natal - e já com algum protesto "estamos atrasadas para a motricidade, não sabemos onde eles estão", porque eles nunca lhes abrem a porta - e foi isso mesmo que aconteceu. Começa a haver um entendimento muito maior sobre quem realmente gosta delas e está com elas:). Também foi preciso explicar-lhes que a saúde da avó materna não está no seu melhor (uma doença auto-imune e uma tromboflebite, felizmente sem sequelas).

E, tivemos, também que lidar com a percepção - ainda que não bem explicada - das piolhas a dizer-nos "eu tenho autismo mas eu sou diferente do Gui e do Diogo e do A e do G.... Ter autismo é bom ou mau? O G. nunca falou mas eu falo muito e estou na minha sala de aula. Mas eles são meninos como nós e nós brincamos todos juntos. O A. está no 1º ano e sabe escrever no computador como nós fazíamos no 1º ano"... Ainda não aprofundámos isto. Lá chegaremos.

 

Mas, as coisas pareciam bem encaminhadas: o marido passou muitas folgas connosco e até arriscou fazer piscina pela 1ª vez e gostou, passeámos muito pelo nosso país e as piolhas descobriram que adoram História, as férias que o marido não teve em 3 anos vieram, fiquei colocada, as piolhas regressaram à escola e - àparte as terapias que tardaram mais de 6 meses -, tudo correu bem e conseguimos feitos incríveis na sua responsabilidade e autonomia. 

 

E... surgiu um aviso bem sério e doloroso que foi, basicamente, o somatório de um ano louco e de mais outros tantos assim. Tive uma lesão muscular grave entre as costelas, na área do coração, de nome nevrite intercostal (e mais uns pozinhos técnicos, com suspeita de sei lá o quê e palavras como "burnout" e "exaustão emocional" lá pelo meio), e foram feitos imensos exames para despiste de problemas cardíacos, fui parar às urgências dos HUC por 3 vezes onde passei um total de quase 24h entre tratamentos e esperas, tive que tomar medicamentos muito fortes (anti-inflamatórios esteróides e opiáceos) e, como mesmo isso, não ajudou na totalidade, ainda andei mais de uma semana a fazer injeções. E passei quase 5 dias a dormir como os bebés, propositadamente, por causa da medicação. Fiquei impedida de conduzir e de trabalhar. Pensei que iria perder o (pouco) gosto pelo inglês que ainda sobrava dos meus meninos na escola e clientes na minha outra atividade. Quando me senti melhor, decidi regressar ao trabalho com muitas novas regras e muitas novas mudanças: não posso carregar pesos e passei a usar um trolei; no 1º dia de trabalho, decidi usar as Doc do marido porque são muito pesadas para abrandar o passo  e não ter dores nem me faltar o ar; uso elevador porque me custa e demoro imenso a subir escadas; passei a conduzir dentro dos limites de velocidade sem esticar mudanças ou andar sempre a fazer macacadas fast and furious com a caixa de velocidades; diminui o número de cafés e a quantidade de cafeína/teína ingerida; apostei numa alimentação mais proteica e calórica (o que inclui cerelac e papas de fruta); não carrego nada - nem sequer uma carteira - no lado esquerdo; vou ter consultas para osteopatia e fisioterapia; mantenho medicação para as dores e diazepan para me obrigar a dormir - nesta fase, pelo menos - e magnésio para o cansaço que ainda sinto; diminuí o ritmo de trabalho e fiz escolhas e opções nessa área; prolongo prazos quando é logicamente impossível de os cumprir com calma e qualidade. E mantenho sempre em mente, quando me esqueço deste novo "eu" que o coração também é um músculo e os sinais para um AVC estão lá, quase em red alert. Tive medo de morrer. Tenho duas filhas para criar que ainda precisam muito de mim. E eu serei um fantasma terrível, por isso, vale mais ter juízo agora.

Fui muito bem recebida no meu regresso ao(s) trabalho(s) e não perdi clientes (fiquei muito feliz!) e todos notaram que teve que haver uma mudança. Gostei de voltar. Apesar de ainda doer, de vez em quando. Aprendi a minha lição. Atempadamente, espero...

 

Àparte a decoração em casa e o calendário do advento, não me soa a Natal nem a Ano Novo... Acho que nunca tínhamos tido um ano assim, tão complicado em tantos níveis e tão mau para a saúde. Foi um ano doloroso, em todos os sentidos. Queremos que acabe e recomece um novo ciclo. Estamos a trabalhar para isso.

 

 

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publicado às 09:24

Give it and take it (back)

por t2para4, em 26.11.16

Ou seja, basicamente, é o dar com uma mão e tirar com a outra... Também posso dizer isto em francês ou espanhol... ou em português com vulgarismos.

 

Já terminei a medicação. Não terminou a dor fininha (que nos relatórios vem sempre entre aspas) mas, pelas análises, àparte a minha já familiar leucopenia (nº de glóbulos brancos abaixo do valor recomendável), não há nada a apontar (ufa.). Falta ver o que o americano me diz, para a próxima semana. Não estou para me preocupar com isso agora. Tenho melhores cores mas tenho dores, essa é a verdade. E tenho medo de voltar ao trabalho e de me enervar ou hiperventilar ou apenas ficar ansiosa e começar uma dor atroz. E nem consigo arriscar exercício como caminhar porque ao respirar muito depressa, guess what?, dói.

 

As piolhas que estavam numa fase tão boa e andavam tão bem nas suas atividades extra, estão a começar a desorientar. É preciso estar sempre em cima do acontecimento e não dar tréguas. E isto cansa... Não queremos nem precisamos que sejam mais umas num qualquer rebanho mas há coisas básicas qu etêm que ser cumpridas, regras que têm que ser seguidas, responsabilidades que têm de ser cumpridas. E isto cansa... 

 

Dá para parar o tempo só um bocadinho até orientar tudo? Dá? Precisamos de descansar ais um bocadinho...

 

 

 

 

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publicado às 18:25

Isto de ser mãe tem muito muito (muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito) que se lhe diga. Não há manual de instruções, nem dicas nem truques infalíveis, o que a minha amiga faz com os filhos (pode) não resulta(r) com as minhas, o que a faziam os meus pais pode não ser aplicável, bem, quase que arrisco dizer que é um processo de tentativa e erro... Provavelmente com muitos erros e muitas incertezas, com muita - mas mesmo muita - intuição pelo meio.

 

Mas há tantas pequenas coisas que nos dizem que, se calhar, estamos no caminho certo. O dia ainda mal começou mas soube desde logo que um pequeno gesto faz-nos acreditar que estamos a fazer um bom trabalho. 

Ontem, uns miúdos molharam o caderno de desenhos das piolhas. Entre lágrimas, lá me explicaram o que se passara e eu acalmei-as dizendo que secaríamos o caderno molhado e poderiam comprar um novo. Hoje, mal a funcionária abriu a papelaria da escola, a piolha foi logo lá e comprou 2 cadernos e disse especificamente que um "é para a minha B." (que estava sem cartão por eu estar na secretaria a resolver uns assuntos).

Onde quer que eu vá, dão-nos, a mim e ao pai, os parabéns por termos meninas tão educadas e a progredir tanto. Enche-nos o coração e deixa-nos cheios de orgulho. Diz o marido: "Mas podia ser mais fácil, não?" Pois podia, é verdade... Sentimo-nos constantemente postos à prova pela vida. Mas cá estamos para aguentar...

 

Hoje, mesmo que funcione mal e me esteja a dar problemas, sinto o meu coração cheio. Ainda bem que somos como somos e não seguimos o "normal".

 

 

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publicado às 09:03

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