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Por muito que eu tente honrar devidamente a memória e o passado de mulheres que deram a vida pela ciência, pela luta por um horário de trabalho/salário mais digno, pela medicina, pela igualdade de géneros, verifico que, mais de 100 anos depois, não noto assim tantas diferenças quanto isso...

Senão vejamos:

- quem, por regra, trata 24/7 dos filhos e se encarrega de os levar/buscar à creche/infantário/escola e trata de tudo o que com isso está relacionado?

- quem, por regra, vê o seu trabalho continuado depois de ter picado o seu cartão de saída profissionalmente?

- quem, por regra, tem que mostrar a todos que merece o lugar que ocupa, que tem direito à mesma remuneração que um homem na mesma posição?

- quem é discriminada por engravidar/ter filhos/faltar ao trabalho por causa dos filhos?

- quem, por regra, não importa a data especial tem sempre - sempre! - algo para fazer relacionado com a casa ou a família?

- quem, por regra, sente o seu coração arrancado brutalmente, quando findos os miseráveis meses de licença de maternidade tem que deixar o seu bebé à mercê de estranhos?

- quem, por regra, sofre mais e acaba por se envolver em lutas para defesa de direitos de um filho com necessidades especiais?

- quem, por regra, mais sofre com ataques/assédios?

- quem, por regra, é analisado até ao tutano por causa do que diz/come/veste/usa/tem/não tem?

 

Pois é, no século XXI, como mulher tenho direito à educação, ao trabalho, ao voto, acesso a qualquer posto de trabalho, mas também tenho que conjugar tudo isso com um legado do tempo das cavernas. Por isso, enquanto houver mulheres a sofrer por serem mulheres, por serem mães, por serem seres plenos de direito, não me parece que este seja um dia de celebração. E, enquanto, como mulher eu (e outras mulheres) tiver(mos) que manter este equílibrio entre família/trabalho/casa de forma saudável e verificar que, apesar de ter um horário profissional miserável, trabalho mais que qualquer homem, não vou em celebrações.

Mais do que uma ida ao restaurante ou uma noite de gajas ou um outro qualquer tipo de saída, deveria haver uma maior consciencialização do quanto ainda falta para conseguirmos chegar ao ponto ideal, do que mulheres com M grande fazem pelas suas congéneres em qualquer lado do mundo e evitar que trambolhos como socialites ocas e burras fossem tidas como ideais nos seus comportamentos. Não é uma cena femininista - nem sou dada a isso - é só o saber valorizar-nos, algo que, infelizmente, muitas mulheres não sabem fazê-lo.

 

As fulanas teimaram em queimar soutiens mas esqueceram-se de escrever um foral de independência e de prever que, afinal, pouca coisa mudaria... E, apesar de, hoje em dia, se dividirem tarefas, a verdade é que a maior parte do bolo vai para elas.

 

 

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publicado às 18:22

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