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- estou estupida e absurdamente cansada, ali na fronteira com o burnout
- não vou ter férias (o que vai perfazer um total de 9 anos sem férias, yaayyyy, mal posso acreditar, whoohoooooo estou a felicidade personificada - not)
- vai acabar o contrato de trabalho

- pareco a cozinheira de uma cantina escolar com panelões de sopa e tachos de comida que têm que servir para quinhentas refeições em dias de trabalho tardio ou acabo a cravar a tia para jantarmos lá por casa mais vezes do que é moralmente admissivel
- faleceu a mãe de uma pessoa que foi A amiga durante 16 anos mas, de repente, passámos 15 anos sem nos falar e sem nos vermos, e , de repente, estamos abraçadas a chorar e não sei gerir nada disto, estes sentimentos são extremamente confusos e difíceis de entender e não sei o que fazer e depois penso onde estava ela quando eu precisei e se fosse ao contrário ela não o faria mas ela precisa de alguém por perto e eu devo-lhe isso em consciência e, porra, pá, os sentimentos nunca são zonas claras e concisas, e eu acabo a pensar que o tempo que passo com os que mais amo nunca é suficiente e será que fui boa filha/mãe/esposa/amiga/colega/etc....

- o que me faz lembrar que há raízes do autismo nesta salganhada toda e que me volta à mona que pode vir a ser uma porcaria genética do meu lado porque junto a+b+c+d  e o raio da equação é forte e segura demais

- a mãe do marido continua a manifestar a sua vergonha em relação à família: vergonha que tem do filho que, benza-o deus, nunca terminou os cursos universitários que começou e se encheu de esperanças que ele fosse tirar um curso superior ao estilo Novas Oportunidades para se poder gabar, "ó pá, ele é doutor, ele é um grande estudante", ao género "Afonso, olha a sebenta" e se esquece que ele é um excelente profissional, pai e marido e nunca faltou nada em casa; vergonha da nora que se matou a estudar e tem uma licenciatura + um ramo educacional + uma fomação profissional + um curso todo xpto que o Ministério mandou tirar e que preferiria mil vezes ter feito mestrado na área da Educação Especial com incidência nas Perturbações do Espectro do Autismo mas isso é demasiado para se dizer na rua a quem perguntar por nós; vergonha das netas porque, até para lhes dar prendas, escolhe alturas em que não estão em casa, ou seja, não vê as netas mas "cumpre a sua função"

- tenho tido extremas dificuldades em dormir: adormeço bem, acordo  sobressaltada por volta das 2h e depois é um acordar/adormecer contínuo até às 7h30. Se tomo um victan para acalmar isto tudo, tenho que fazer uma sesta senão ando aos caídos.

- ter de fazer um esforço extremo para falar com as pessoas, cumprir rituais sociais e sobrecompensar isso trabalhando, onde me sinto mais eu (porque, realmente adoro o que faço) apesar do quanto me custa deslocar-me (acho que Pessoa deveria dizer "Todo o professor é um fingidor...")

- para que as piolhas conseguissem recuperar da fase de exaustão em que entraram, tivemos que ajustar o horário delas, o que me implica uma ginástica gigantesca entre o vai buscar à escola/deixa-as com uma amiga ou vizinha/vou trabalhar/vou buscá-las/volta para casa + as rotinas do costume e não abdicar do brincar (nunca). A manhã de hoje começou com um pai e uma mãe cegos de sono e de neurónios queimados de volta de áreas e perímetros para miúdas que estão no 2º (segundo!!!!) ano (eu sou uma gaja de Letras, for god's sake!!!!)

- explicar muito bem, deixar bem claro que não é má-vontade, mas que as piolhas não vão à festa da escola, muito menos atuar em palco para a comunidade escolar (visualize-se isto, por favor), depois das 20h. Mal elas leram o horário, entrou logo do disco autista das rotinas e dos horários a seguir e do não quero ir.

 

 

Avoiding-Motherhood-Burnout.jpg

 

 

 

Por isso, if you'll excuse me, tenho uma bela eristoff fresquinha no frigorífico à minha espera, um duche catártico para tomar e um sofá à minha espera, onde tenciono encolher-me em posção fetal a queimar os últimos neurónios que me restam a ver TV.

 

 

 

 

 

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publicado às 21:08

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10 comentários

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De Luarte a 06.06.2015 às 09:46

Potente!!!
Até eu fiquei quase em modo burnout com o que escreveste aqui, imaginando-me na tua condição.
O final do ano também não ajuda nesse ritmo alucinante em que anda a vossa vida.
Respira. Vai passar. Tudo passa.
Enquanto não passa, respira fundo.
Beijinho grande
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De t2para4 a 06.06.2015 às 11:52

O problema é enquanto não passa e o desânimo que vai surgindo... Mas, pronto, "tomorrow is another day", como diz a outra :)
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De Sílvia Santos a 06.06.2015 às 14:25

I´m with you sister...life´s a bitch!!
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De t2para4 a 06.06.2015 às 16:25

Mas é sempre uma bitch para as pessoas erradas!!! E isso enerva-me tanto!!!
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De Sílvia Santos a 07.06.2015 às 19:59

Eu sinto o mesmo...sou...fui...já nem sei, professora durante 11 anos e agora não trabalho desde 2011. Durante algum tempo sofri de revolta aguda devido a este sistema maravilhoso que temos...mas não serve de nada!!
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De t2para4 a 07.06.2015 às 20:25

A minha situação profissional está assim por opção nossa, já que, eu tinha todas as condições para ficar colocada num modo mais estável, embora mais longe... Mas um de nós tem que estar 100% destacado para as piolhas e sempre contactável. O marido tem uma profissão muito estável e segura. Optei eu por esse sacrifício. Não me arrependo mas arrasta-me para uma penosa incerteza todos os anos desde 2010...
Ainda acredito que isto dê uma reviravolta. Boa sorte.
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De Sílvia Santos a 07.06.2015 às 21:21

Eu fiquei assim de forma involuntária mas com o passar do tempo e devido à profissão do marido (militar) acabamos por perceber que nem foi mau de todo...mas a revolta de vez em quando espreita ;) Good luck too
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De t2para4 a 08.06.2015 às 10:35

Pois acredito... Aqui não se podia colocar a hipótese de eu não trabalhar pois, mesmo com horários reduzidos, eu preciso de contribuir financeiramente ou entramos em colapso, mas optámos pela via da redução pela minha parte.
Espero que, mesmo nesses dark moments, vejas uma luz de otimismo. Beijinhos
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De Maria João a 06.06.2015 às 23:08

Ler apenas o que descreveu, é suficientemente desgastante. Fico a sentir-me uma menina. Porque estou em casa com o meu pimpolho, dedico-me a ele o mais que posso, mas também me sinto assim. Sempre com a cabeça a mil, a tentar resolver a chave para todos os problemas. E acima de tudo para o maior - PEA. Sempre a analisar comportamentos, e a ler coisas, e a pesquisar... Porque sinto que ele precisa de mim. Porque me sinto um pouco responsável por não ter descoberto a solução para isto. E para mais meia dúzia de assuntos que a vida tem. Que, lá por estar em casa numa tentativa de terapeuta/cientista/mãe/dona-de-casa/mulher, o dinheiro não nasce das árvores... e muito mais... Porque tenho outro filho que precisa igualmente de mim. E um marido que adoro e que fica às vezes um pouco para trás... Por aqui até se dorme, mas parece que entro numa outra dimensão e que o mundo acabou. E nada me acorda. Mas a cabeça continua a trabalhar sem parar. Sonhos, pensamentos, angústias, tudo numa espécie de cocktail. Isto só para dizer que vidas diferente podem ser parecidas. E para concluir, precisamos estar estáveis para viver a nossa vida e conseguir estar presentes na vida de quem mais amamos, com alegria e garra. Ás vezes é necessário parar um pouco e pensar no que é preciso fazer em determinado dia e hora para relaxar, não pensar em nada stressante, descontrair, sorrir... Eu sei do que falo... Eu sei que é difícil... Más é algo que precisa muito constar na agenda - Free Time!!!
Bjs    
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De t2para4 a 07.06.2015 às 19:08

Deveria haver um modo de fazer "pause" e podermos recuperar energias... O meu problema é que, quando me sinto minimamente melhor, volto a abusar porque há quinhentas mil coisas para fazer... E tenho que aprender a dizer não e a delegar. Neste momento, ando envolvida em coisas demais por não saber dizer "não".
Espero que para esses lados também surjam dias melhores e cabeça arejada rapidamente...
Um beijinho de força

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