Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Cerca de 2 meses antes, o convite, onde a fotografia sorridente da mana do amigo Z. nos dizia: "Agora vou ser batizada e convido-vos para a minha festa". Duas palavras ressoaram na minha mente: me-do.

Aceitámos, claro, com a ressalva de que, caso não se sentissem bem ou começassem a ficar muito agitadas, poderíamos sair mais cedo. Não foi preciso.

Não planeei nada nem fiz sessões de preparação nem pedi ajuda a terapeutas; apenas segui a minha intuição e tentei usar um pouco o bom senso. E eis o que fiz:

- O 1º passo foi envolvê-las logo no assunto e mostrar-lhes o convite, avisá-las de que iríamos à cerimónia e à boda e que, depois seguiríamos para o restaurante. Expliquei que, por regra, depois de uma cerimónia do género, costumamos ir almoçar (muuuuuuito tarde) a um restaurante.

- Tentei explicar sucintamente o que é um batizado mas não correu bem... Uma piolha ainda perguntou qual foi a data do batizado delas mas elas não são batizadas. Como é tudo demasiado abstrato e baseado numa fé que não conhecemos como os outros - muito menos as piolhas -, optei por deixar em aberto e dar-lhes espaço para verem tudo em condições no próprio dia. Deixei assente a importância desta festa para os pais da C. e que a nossa amizade para com eles é importante a o ponto de, mesmo sem compreendermos, podermos partilhar esse momento de felicidade.

-  Envolvi as piolhas na escolha das roupas e calçado que iriam levar (porque o vestido em que pensei levarem ainda é demasiado grande e o estado do tempo não ajudou): não foi fácil encontrar algo prático e elegante ao mesmo tempo, que fique bem numa criança mas sem a infantilizar. Os vestidos eram demasiado caros e já não gosto assim tanto de as ver com vestidos frufrus e coisas desse género pois estão muito altas e fica estranho. T-shirts também me pareciam demasiado banais... Entre Primark, H&M, C&A e Lefties, foi nesta última que encontrei uns tops brancos em camadas, esvoaçantes, lindíssimos, a um bom preço e de que elas gostaram imenso. Combinaria os tops com umas calças de tecido que passaram este ano a corsários et voilà, fatiota completa.

O calçado foi escolhido por elas: são umas sabrinas douradas, com base elevada que acompanha todo o sapato. Faz lembrar o conforto de uma sapatilha com a elegância eo sentido prático de uma sabrina.

Acessórios: uma bandelete e um laço que já por cá andavam.

- As prendas para a amiguinha foram compradas tendo em conta a opinião delas. Escolhemos coisas lindas e práticas e as piolhas andavam felizes da vida com os sacos das prendinhas na mão.

- À medida que a data se aproximava e, tendo em conta que eu iria sozinha com elas porque o marido estava a trabalhar, formos reforçando a importância de ajustarem os seus comportamentos aos locais onde estavam. Mostrei-lhes igualmente os locais onde decorreriam a cerimónia e boda.

 - Na véspera, informei-as de que levaria os tablets um livrinho de mandalas e um caderno branco com canetas numa bolsa para uso único e exclusivo no restaurante entre tempos de espera dos pratos, ou seja, enquanto se comia não havia "tecnologias" nem papeis na mesa. Dei autorização para levarem 1 brinquedo pequeno cada uma (escolheram um ponei) com a mesma ressalva: enquanto se come, não há brinquedos na mesa.

- Usei a ameaça de que, em último caso, se o comportamento delas fosse o de um bebé, seria assim que seriam tratadas e, posto isto, o carrinho de gémeos bengala estaria pronto a ser usado (sim, elas ainda cabem lá dentro e não, não têm a força nem a destreza necessária para abrir os fechos de segurança para soltarem os cintos. E sim, eu seria maluca o suficiente para as levar num carrinho).

- Haveria um bónus, uma pool party na banheira com brinquedos à escolha, durante muito tempo, se tudo corresse bem, no mesmo dia da festa, mal chegássemos a casa.

 

 

Então, vamos aos resultados:

- a cerimónia foi curtinha mas as piolhas não entenderam os rituais nem o senta-levanta nem acharam piada nenhuma à benção com óleos (lá lhes disse que isso é só para quem vai ser batizado) e não perceberam o porquê de se dar tanta importância a um banho na cabeça. E disseram que não queriam ser batizadas porque podem tomar banho com champô em casa (obviamente que, quando estas noções mais abstratas forem mais fáceis de entender, lhes explicarei devidamente em que consiste o batismo e o porquê da sua ritualização). Estiveram perto da pia batismal e não perderam pitada mas não conseguem perceber o porquê de alguém querer fazer isto (expliquei muito brevemente que tem a ver com aquilo em que as pessoas acreditam e que é o que chamamos de "religião", o acreditar num deus ou em Jesus, por exemplo. Again, demasiado complexo). Estiveram com o padre no final mas não perceberam nada do que ele lhes disse, apesar da sua boa vontade (tentou meter-se com elas com uma piada entre choca de "choca aqui", choca de galinhas e choca sem travões. Elas estavam a olhar para o vazio...) mas foram muito cordiais e educadas. Conseguiram perfeitamente adequar o comportamento ao local - ao contrário de outras crianças que corriam pela igreja como se estivessem numa pista de atletismo - e até evitaram conversinhas.

- Adoraram a parte das fotografias no jardim e até tiveram direito a 5 minutos de photoshooting só para elas.

- como tínhamos comido uma sopa antes de sair de casa, no restaurante, aguentaram a espera à entrada sem grandes ansiedades, apesar de já terem os tablets na bolsa. Mas, como tinham à sua responsabilidade a entrega das prendas, estavam com o foco de atenção devido. Quando entrámos, escolhi um local na ponta da mesa, de modo a ficar no meio das duas, mais afastada dos naturais grupos de familiares e, após pestiscarmos algo (fiquei logo pasma pois comeram camarão, algo que costumam recusar), lá fomos intercalando momentos de tablet/pintura/desenho com refeições. Entre pratos principais, ainda brincaram um pouquinho com o seu amigo Z. e, quando voltaram para a mesa, fizeram uma nova amiga, a C. que veio pintar com elas e a quem uma das piolhas até ensinou a fazer a data.

Estiveram super reguladas, muito serenas e tranquilas, sem ansiedades - ao contrário de mim, que estava apavorada -, muito educadas, comeram tudo o que lhes pus no prato e nem sequer houve cenas loucas com águas e sumos (como há em casa, tipo, encher a barriga de água antes de comer) - e eu até descobri que gosto muito de vinho verde. Não quiseram sobremesas doces mas sim salada de fruta (!!!) e adoraram faer desenhos e pintar, pois logo se fartaram dos tablets.

Tive medo de esticar a corda pois acabara-se o tempo do "come" e chegara a hora das bebidas, pelo que, viemos embora. Despedimo-nos de todos e, muitas pessoas que as conhecem, deram-lhes os parabéns por terem estado tão bem. Eu própria mal acreditei. Juro que se não tivesse lá estado e visto, se fosse alguém a contar-me, eu acharia que me estavam a pregar uma white lie, uma mentira caridosa.

E o prometido é devido, mal chegámos a casa, toca a encher a banheira :)

 

 

Estou - ainda - extremamente orgulhosa do quanto alcançaram nesse dia, do quão fantásticas foram e estiveram e do imenso que mostraram. Tão orgulhosa, mesmo! Acho que todos merecemos palmadinhas nas costas, hey, go us!!!

 

 

 

 

 

(Depois disto, descompensaram logo no dia seguinte - já o esperava - mas, no dia a seguir, arrisquei mais um bocadinho - por necessidade - e ainda estiveram comigo numa reunião cerca de uns 40 minutos (amen to tablets and mandalas!!!) e andaram comigo a tratar de papeis e burocracias escolares. Um dia de cada vez e valorizemos o que corre bem!)

 

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:53

Contador

AmazingCounters.com


Direitos Reservados

Algumas das fotos publicadas neste blog são retiradas da Internet, tendo assim os seus Direitos Reservados. Se o autor de alguma delas discordar da sua publicação, por favor informe que de imediato será retirada. Obrigada. Os artigos, notícias e eventos divulgados neste blog tem carácter meramente informativo. Não existe qualquer pretensão da parte deste blog de fornecer aconselhamento ou orientação médica, diagnóstico ou indicar tratamentos ou metodologias preferenciais.



Mais sobre mim

foto do autor







Copyright

É proibida a reprodução parcial/total de textos deste blog, sem a indicação expressa da autoria e proveniência. Todas as imagens aqui visualizadas são retiradas da internet, com a excepção das identificadas www.t2para4.com/t2para4. Do mesmo modo, este blog faz por respeitar os direitos de autor, mas em caso de violação dos mesmos agradeço ser notificada.

Visitas


Translate this page


Mensagens