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Ir para fora, cá dentro

por t2para4, em 27.08.16

Antes de sermos pais, passeávamos muito e, na maioria das vezes, saíamos de madrugada de casa apenas com o destino pensado mas sem nada definido. Se nos atrasássemos, até passaríamos a noite fora, num solar ou hotel. Engravidei e foi impossível andar de um lado para o outro; nasceram as piolhas e a logística era tal que cansava só de pensar em sair: primeiro porque eram muito pequenas, depois porque não conseguiam estar em lado nenhum, depois porque não aguentavam ir a lado nenhum sem uma gritaria descomunal, depois porque não é fácil passear com crianças de quase 5 anos que ainda usavam fraldas. Fomos desistindo de arriscar saídas para longe e nunca mais passámos noites fora.

Entretanto, com o trabalho desenvolvido pelos técnicos e professores e por nós, com a maturidade que foi surgindo nas piolhas, começámos, pouco a pouco, a experimentar percursos cada vez maiores e mais elaborados e, apesar de uma ou outra contrariedade, tem corrido bem. Não podemos esquecer-nos de antecipar uma saída – para evitar episódios de ansiedade – nem de parabenizar bons comportamentos – que pode ser algo tão simples como poderem levar e usar o tablet (mas só no carro e durante a viagem).

 

2016 tem sido um ano generoso em saídas uma vez que conseguimos conjugar vários fatores:

- vivemos no centro do país pelo que, facilmente e em poucas horas de viagem, conseguimos percorrer vários km e visitar locais onde não precisamos de pernoitar;

- aproveitamos o período da manhã bem cedo para fazer o percurso e estar no local por volta das 9h ou 9h30, o que não constitui sacrífico pois as piolhas dão o toque de alvorada bem cedo e o café é sempre um amigo presente para mim;

- utilizamos muito autoestradas (a história de poupar em portagens e usar nacionais, para mim é uma falácia, a menos que queiramos conhecer localidades por onde passem. O carro tem muito menos desgaste, gasta menos combustível e pneus em autoestrada, não há desvios entre localidades centrais, por exemplo);

- conjugamos a visita a várias localidades e pontos de interesse numa só viagem, criando, para isso, um itinerário e calculando o tempo que despendemos em casa local (anotamos os locais que queremos visitar, verificamos a proximidade entre eles e criamos um percurso, anotamos as coordenadas GPS, definimos um tempo para a visita e para a viagem, levamos uns lanches para a viagem, decidimos onde almoçaremos - com ou sem picnic- e cumprimos o que estabelecemos, explicamos/contextualizamos a história do local às piolhas);

- podemos conciliar saídas com folgas do marido ao invés de aguardar por férias.

 

Já conseguimos visitar quase toda a área central do país, aproveitando, principalmente, locais de grande interesse histórico, antecipando, assim, alguns dos conteúdos que serão lecionados na escola.

Ainda sentimos muita dificuldade com o passar noites fora do nosso ambiente familiar. Acredito que, com a devida preparação, as piolhas até delirariam com a ideia mas fica muito caro. Temos pesquisado locais onde aceitem 2 adultos e 2 crianças no mesmo quarto e os preços disparam. Alugar 2 quartos e ter as piolhas num e nós noutro está fora de questão; pôr uma a dormir com a mãe e outra com o pai não me parece muito adequado nos dias que correm; um quarto para tantos é uma suite e não há bolsa para isso… Por isso, ainda não foi desta que arriscámos ir para lá de Guimarães, nem para lá de Monte Real e muito menos ilhas…

 

No entanto, e como somos umas mulas teimosas, quando decidimos que é para sair, é para sair. Mesmo que as piolhas digam que não e que fica muito longe de casa e que vão ter saudades e que isto e que aquilo. Vão para onde formos e mais nada. Quando tiverem idade para ficarem sozinhas em casa, já terão voto de decisão; até lá, mandamos nós.

Assim, este verão conseguimos fazer algumas rotas interessantes. O acaso tem sido nosso amigo e, por vezes, proporciona-nos algo diferente como atividades de rua ou feiras medievais ou exposições. E ainda bem pois se soubéssemos de antemão, dado o evitar de possíveis crises de ansiedade e meltdowns, provavelmente iríamos noutras datas e perderíamos pequenos espetáculos. Que foi o que aconteceu quando fomos a Guimarães, aproveitando uma ida ao aeroporto para ir buscar a avó: a feira afonsina esperava-nos e foi muito engraçado ver canções na rua – apesar de as piolhas terem tido medo e se terem recusado a aproximar-se do grupo. A pé, subimos a avenida principal até aos Paços dos Duques de Bragança (e adorámos ver uma das piolhas a comparar estilos arquitetónicos com o Mosteiro da Batalha), dali para o Castelo e capela onde, supostamente, D. Afonso Henriques foi batizado. E andámos pelo espaço da feira sem dificuldades.

 

Já conhecemos outro lado do Porto: começámos na zona da Foz e do estuário, passámos por baixo da ponte da Arrábida e viemos por Vila Nova de Gaia, até perto da marina. Depois fomos pela zona das caves até à Ponte D. Luís e atravessámos até à Zona Ribeirinha, que adoro imenso. Não comemos francesinhas mas andámos de barco (porque o preço do teleférico, desculpem-me, é um abuso) e aproveitámos cada momento da viagem. As piolhas gostaram pois já tinham andado nos moliceiros na Ria de Aveiro e gostariam de andar de barco de novo. Dali, fomos até ao Senhor da Pedra, ver aquela pequena capela fantástica no meio da praia, sempre atentos à subida da maré pois a ideia era visitar a capela por dentro sem nos molharmos. Ficámos impressionados com a praia lindíssima, limpíssima e águas transparentes. Parámos em Santa Maria da Feira para visitar o Castelo e terminámos o dia na Costa Nova, por onde já tínhamos andado no ano anterior mas, desta vez, com muito menos gente e muito menos confusão.

 

Também já fizemos uma volta na zona litoral: começámos na Nazaré – onde abusei das bolachas de amendoim fantásticas que lá vendem, adoro! – no Sítio e Forte de São Miguel, seguimos para São Martinho do Porto e Foz do Arelho – onde passeámos a pé pelas marginais e praias, aproveitando uma manhã extremamente agradável sem sol -, depois para Óbidos – e a respetiva ginjinha, pois claro, e ainda nos rimos às gargalhadas com a conversa entre um casal “-Estou um pouco tremeliques das pernas, por causa da muralha – dizia a mulher. – Precisas é de outra ginjinha – responde o marido”; as piolhas descobriram que detestam andar empoleiradas em muralhas sem proteções e a tia, a certa altura, também ficou a parecer estar a precisar de outra ginjinha. Almoçámos em Peniche, que percorremos desde o Farol até ao Forte (que não visitámos por estar fechado) e terminámos o dia no Budha Garden. Sem se aperceberem, as piolhas fizeram km a pé, sem queixas. Foi de estranhar e espantar.

 

Também voltámos a Águeda e aos seus chapéus-de-chuva coloridos. E aproveitámos para conhecer a Lagoa da Pateira – que achei linda!!! As Grutas da Moeda e de Mira d’Aire, numa outra saída, foram uma boa experiência para as piolhas: um ambiente completamente diferente e uma boa desculpa contextualizada para falarem de tipos de rocha (tema recorrente cá em casa desde maio). Aproveitámos estar na área para conhecer o Castelo de Ourém e só não vimos as pegadas de dinossauro porque estava fechado.

 

Infelizmente, neste país, a cultura é cara. As entradas para os museus e monumentos não são propriamente baratas e, como não temos os 1º domingos de cada mês sempre disponíveis, tentamos aproveitar os descontos família ou rotas de monumentos ou outro tipo de oportunidade. E mesmo assim, gastamos alguns euros. Vale a pena visitar a nossa História, as nossas coisas, os nossos cantinhos, apesar de tudo.

 

Se correu sempre tudo bem? Não. Houve alturas em que foi preciso perguntar o porquê de uma choraminguice ou ameaçar com um castigo (Eu juro que te tiro o tablet!) ou deixar dormitar um pouco no carro para recuperar energias ou compensar com uma refeição num shopping MAS nada disto era possível há um ano ou dois atrás. Sentimos que estamos a compensar anos de limitação ao espaço familiar: casa-Coimbra-Figueira da Foz–serras. Apesar de, por vezes, ainda levarmos com um “fogo, vocês fartam-se de passear…”. O que não se vê nesses passeios é o trabalho que tivemos para chegar tão longe, todo o tempo que estivemos impedidos (sim, impedidos, é essa a palavra) de arriscar saídas tão longas, o proporcionar vivências às piolhas que dificilmente teriam com a escola ou outro meio, o querermos ser nós também merecedores de momentos diferentes, o termos direito a férias – seja qual for a definição que lhe deem -, o podermos sair em família para além do nosso limite geográfico. Não vejo mal nenhum nisso. 

 

 

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2 comentários

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De Dylan a 27.08.2016 às 22:02

Bom texto, revejo-me totalmente nele. Confirmo: a cultura está muito cara, e então se formos visitar alguns monumentos a Sintra, ui, ui...
Quanto aos hotéis, autêntica exploração se tivermos  a tentação de levar uma criança, quanto mais duas...
De resto, para quê ir para fora se temos este grandioso país?
Uma pergunta: as crianças não sentiram claustrofobia nas grutas?
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De t2para4 a 28.08.2016 às 09:41

Obrigada! Fomos a Sintra há 11 anos, foi na nossa lua de mel. Ainda não tivemos coragem de regressar por causa dos preços. E nem fomos a Lisboa. Fizemos contas por alto e precisaremos de cerca de 200 euros só para entradas (sem contar Zoo nem Oceanário) nos monumentos... Um verdadeiro abuso.
Não sabíamos como seria nas grutas por isso tivemos de as preparar, explicar o que são grutas, mostrar algumas fotos e... arriscar. Como deram as rochas na escola e fizemos um trabalho sobre o assunto, as grutas seriam mesmo o ex libris já que já lhes tinhamos mostrado outras formações rochosas na Serra da Lousã (xisto) e Serra da Estrela (granito). Claustrofobia, nem sombras. Vertigens, algumas... Em Guimarães uma não queria subir às muralhas porque achava que seriam como em Óbidos. Mas correu bem ;)
Espreitei o teu blog e guardei para referência para futuras saídas. Obrigada!

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