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Anseio pelas férias/pausa letiva desde que começam as aulas. Porque ando cansada, porque as piolhas andam cansadas, porque as rotinas conseguem ser um pouco mais flexíveis nas férias, porque o ritmo abranda.

As piolhas pedem para ir brincar com os amiguinhos no ATl, eu aproveito para repor aulas, tratar da papelada necessária nas reuniões de avaliação, para fazer arrumações mais profundas sem mil interrupções. Quando aperta a saudade, baldamo-nos às tarefas domésticas e ao ATL e ficamos juntas em casa ou vamos dar uma volta ou vamos às compras (correu tãao bem, desta vez! As minhas meninas estão mesmo mesmo mesmo a ficar crescidas...)

 

Parece tudo impecável e muito zen mas, a para com reuniões de avaliação, há as reuniões de avaliação das piolhas. Reuniões com terapeutas, médicos, escola. Reuniões onde tenho quinhentos papeis para ler e assinar, onde falamos da evolução que tiveram, do trabalho que foi sendo realizado até ao momento, dos objetivos alcançados.

MAS...

Reuniões onde também falamos do que não foi atingido, das imensas dificuldades que ainda existem em algumas áreas, da impossibilidade de trabalhar adequadamente todos os campos onde as piolhas manifestam dificuldades, do que ainda temos que fazer, do que se espera que alcancem, do que eventualmente poderá acontecer num futuro próximo (no ano letivo seguinte, por exemplo), etc.

 

E, por muito forte e por muito conhecimento e por muita familiaridade que tenha com os professores, terapeutas, metalinguagem, etc,. nunca mas NUNCA me vou habituar a isto. Nunca vou conseguir apanhar todos os golpes de ânimo leve ou espírito aberto, nunca vou conseguir ficar plenamente feliz só pelas conquistas alcançadas, nunca conseguirei sair de uma reunião sem a sensação absurda da injustiça que é ter que batalhar pelas pequenas coisas, nunca conseguirei separar as coisas a ponto de não sentir dor sempre que analisamos percursos, nunca deixarei de precisar de uns momentos de café e choro. Maldito autismo.

 

Por isso, enquanto a ficha não cai e eu não me organizo mental e emocionalmente, não ando com grande espírito para festas nem para convívios sociais... A bem dizer, o que me apetece mesmo  mesmo mesmo fazer é revirar a casa do avesso (lá chegaremos) ou sair sem destino, para bem longe, por uns dias (que a noção de responsabilidade é uma coisa que me assiste demais...).

Enfim... Nos entretantos, tenho  mais uns papeis para organizar e espalhar pelas equipas que nos seguem...

 

 

 

 

 

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publicado às 09:27

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6 comentários

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De Maria João a 25.03.2016 às 22:11

É difícil a felicidade plena, quando coisas simples são tão difíceis... E depois há momentos em que tudo parece bem, e outros em que tudo se precipita. Momentos onde parece que nos esquecemos que 'ele' existe e outros em que só vemos o dito cujo (autismo)... Parece um buraco negro que nos quer sugar toda a energia... Mas é importante nos concentrarmos nas conquistas, porque são estas que nos abrem caminho para lugares melhores. As suas filhas parecem já conseguir coisas incríveis (nunca percebemos muito bem do que é que os outros se queixam. Não é?) O Autismo tem isto. Uma 'normalidade' sempre ali tão próxima, mas que sentimos verdadeiramente inatingível. E custa engolir, mais do que as diferenças, pensar no que as diferenças os podem prejudicar, do ponto de vista de enquadramento na sociedade. Isso é que me deixa com um verdadeiro nó na garganta... Por cá, o nosso pequeno continua não verbal, com 3 anos. Mas esperto que nem um alho e cheio de surpresas para nos brindar! E isso são motivos para sorrir. Ele é feliz e faz-nos muito felizes :)
Beijinhos aos 4 e boa Páscoa,
MJ     
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De t2para4 a 28.03.2016 às 17:27

Nem sei o que responder porque já disse tudo, Maria João! E acertou em cheio nas palavras que descrevem o que se sente em reuniões ou avaliações escolares ou consultas. Mas, no final de contas e passados alguns dias, acabamos por fazer o que sabemos fazer melhor: enxugar as lágrimas, levantar a cabeça e seguir em frente...
As piolhas vocalizavam imenso aos 3 anos, embora não falassem espontaneamente. O seu piolhito não faz isso? Ainda é novinho, com os devidos estímulos e o seu próprio click, ainda pode vir a tornar-se num autêntico rádio. Fico a torcer!!!
Um beijo enorme!
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De Maria João a 28.03.2016 às 21:29

Vocalizar... Ele evoluiu imenso desde que começou as terapias. Está muito mais presente e dinâmico. Mas falar, que é bom... Já aponta e dá sinais de ter um Universo gigante lá dentro. As coisas que ele já reconhece em imagens, são surpreendentes. Quando não falam, parece que não sabem nada. Mas depois, quando começam a ter ferramentas para o demonstrar (comunicação não verbal), é que se descobre. Identifica as letras todas e algarismos. Diz, a pedido, sílabas em resposta a perguntas e aproximação a palavras (qué=quer/ tá=está) ou terminações de palavras que começamos a dizer (borbole...ta/ bana...na)... Digo (a brincar), que não tarda, nos surpreende com uma palavra do tipo "otorrinolaringologista". Mas cá por dentro, o meu coração de mãe aperta com as incertezas... 
Obrigada pela torcida (é recíproco)!
Bjs
MJ
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De t2para4 a 28.03.2016 às 22:20

Mas tudo isso são excelentes coisas! Não tarda está a falar, sim!!! E a sair-se com uma palavrona ou um palavrão contextualizado (aconteceu com uma das minhas que caiu e bateu com a cabeça e "chamou pela família toda". Foi a 1ª grande saída contextualizada e com significado, ninguém se chateou por dizer palavrões ehehehehh).
A comunicação é algo tão mais abrangente que a fala... Mas a fala é mesmo o que acaba por nos distanciar de todos os outros animais... Entendo muito bem a importância que tem e como nos sentimos quando ela não surge... Mas, é como diz, eles têm um universo gigante lá dentro, só precisam de ajuda e de ferramentas para o abrir um pouquinho e deixar escapar algumas coisas cá para fora. Devagar, ao seu ritmo, mas evoluindo.
Compreendo as incertezas - estarão sempre no nosso caminho... sorry... - mas também compreendo as alegrias. E esse miúdo vai sair-se com umas palavrinhas jeitosas :)
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De Inês a 27.03.2016 às 22:15

É precisamente o que sinto após a reunião com a equipa que acompanha a minha filha... apesar de me dizerem que ela é espetacular, que tem sorte porque a compreendemos, que vai superar... Temos de a pôr "funcional" para a escola...
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De t2para4 a 28.03.2016 às 17:24

E depois lá vem o tal "mas"... Como diz a mamã Maria João, nunca conseguiremos a felicidade plena e sei que há alturas em que até nem ligamos muito ao que nos dizem nessas reuniões, mas naquele momento e nos minutos que se seguem, parece que eclipsam o que de bom conseguimos...
Muita força...

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