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Uma das muitas áreas de trabalho de terapia da fala. Já também tida em conta e trabalhada com as piolhas.

 

O que é? Como desenvolvê-la?

Ana Lúcia Hennemann

Um dos pré-requisitos essenciais para o processo da alfabetização é justamente a consciência fonológica, no entanto, você saberia dizer exatamente qual o significado dela?  Essa consciência se desenvolve sozinha ou há alguma maneira de estimulá-la?

 

consciência fonologica_neurociencias e educação

 

      Desde os primeiros meses de vida os bebês vão ativando seus mecanismos atencionais voltados aos sons da fala produzidos por aqueles que estão a sua volta, no entanto ele não tem a capacidade de fazer  reflexões sobre as palavras ouvidas, portanto tudo isso são processos não conscientes, ou seja, um bebê não apresenta capacidade para entender que bola rima com cola, que as letras iniciais destas palavras se diferem, habilidades estas que uma criança antes de entrar no ensino fundamental já deve ter construído, pois no momento em que a criança começa a tomar consciência dos diferentes “arranjos” estruturais que compõem uma palavra,  pode-se dizer que ela adquiriu a consciência fonológica (ADAMS, 2006).

      A consciência fonológica é a habilidade de reconhecer e manipular os sons que compõem a fala, ou seja, entender que a palavra falada se constitui de partes que podem ser segmentadas e manipuladas (LAMPRECHT, 2009). Ao ouvir as palavras “bola” e “cola”, o indivíduo poderá perceber (através da consciência fonológica) que as duas palavras rimam, que ambas são compostas de 2 sílabas, 4 fonemas (sons) cuja diferença entre elas reside no fonema inicial.  Portanto, essa consciência é de extrema importância para a leitura e escrita das palavras, principalmente no processo de alfabetização. Ler e escrever requer a habilidade de transcodificar os sons da fala, pois o princípio alfabético é composto de relações entre fonema (som) e grafema (letra) que a criança, ao interagir com estas, deve ir aprendendo a analisá-las, diferenciá-las, aproximá-las, até chegar a compreensão que os sons associados às letras são os mesmos utilizados na fala (ADAMS, 2006).

    Através destes entendimentos é fácil concluir que a aprendizagem da leitura e escrita não são atividades que se resumem apenas na memorização visual das palavras, mas sim, um processo que requer conhecimento das estruturas dos sons da fala (SEABRA, 2013). Por exemplo, uma criança ao interagir com a palavra: “SAPATO”, vai descobrindo que esta pode ser fragmentada em sílabas, que inicialmente podem ser identificados como “pedaços”: ‘SA’, ‘PA’, ‘TO’, ou fragmentada em letras s, a, p, a, t, o, em fonemas: /s/,/a/,/p/,/a/ /t/, /o/, que há outras palavras dentro desta palavra: SAPA, PATO, palavras estas que inicialmente são mais fáceis de serem identificadas, porém no momento em que a criança tiver a consciência de manipular os grafemas e fonemas, poderá formar outras palavras: SOPA, TAPA, PATA, TOPA, PASTO, PASTA, POSTA... Através do exemplo, pode-se perceber que a consciência fonológica é muito mais abrangente que a relação letra/som, ela engloba diferentes modalidades linguísticas, tais como consciência de sílaba, fonema, rima, aliteração.[1]

     Crianças que têm a consciência fonológica bem desenvolvida podem ter maior facilidade na aprendizagem da leitura e escrita, sendo que essa consciência pode ser treinada através de brincadeiras e jogos compatíveis com a idade e o desenvolvimento neurobiológico da criança. Sendo assim, a estimulação precoce da consciência fonológica, proporcionada por familiares e professores (principalmente da Educação Infantil) podem fazer o diferencial em futuras aquisições da leitura e escrita das crianças.

    

  Por exemplo: na aliteração, o uso de trava-línguas:

- O rato roeu a roupa do rei de Roma e a rainha de raiva roeu o resto.

 

    Rimas: declamação de versos ou livros tais como: “Você troca” de Eva Furnari  

 

   

 Sílabas: Brincadeira do pula sílabas:

 Fonemas:  

- Jogo soletrando- soletrar as palavras correspondentes as imagens...

- Ou brincar de: O que começa com o mesmo som de.....



[1] Aliteração são palavras que possuem o mesmo ONSET (ONSET – elemento que vem antes do núcleo (vogal) da sílaba).

Referência Bibliográfica:

ADAMS, Marilyn.[et al] Consciência fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.

CAPELLINI, Simone. GERMANO, Gisele. PROHFON – Protocolo de Avaliação das Habilidades Metafonológicas. São Paulo: Book Toy, 2016.

LAMPRECHT, Regina; BLANCO-DUTRA, Ana Paula (Orgs.). Consciência dos sons da língua: subsídios teóricos e práticos para alfabetizadores, fonoaudiólogos e professores de língua inglesa. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2009.

SEABRA, Alessandra. DIAS, Natalia. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva. Vol 2. São Paulo: Memnon, 2013. 

 

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Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  Consciência Fonológica – O que é? Como desenvolvê-la?  Novo Hamburgo, 05 de julho/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/07/consciencia-fonologica-o-que-e-como.html



 

 

 

 

 

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publicado às 17:44

Definitivamente, cat people

por t2para4, em 28.06.17

As piolhas tiveram hoje uma saída que envolveu uma visita a um criador de cães local que, entre outras raças, cria Golden Retrievers. O mesmo criador a quem comprámos a Íris, há tantos anos. Já na altura da visita, elas borrifaram-se para os cães e andaram perdidas e felizes da vida atrás de um gato "ginger", como uma delas gosta de dizer. Não ligámos a esse sinal, tão cegos que estávamos com a ideia de que uma cadela Golden Retriever pura iria fazer os milagres que procurávamos e nos quais queríamos tanto acreditar. Não fez e a história correu mal. Doi até hoje (mais pormenores, cuscai no blog, não vou por links diretos).

 

A verdade é que elas são definitivamente aquilo que, em inglês, se define como cat people. Em Caminha, quando regressávamos da nossa ida relâmpago a Santiago de Compostela, encontrámos uma gata preta e branca (semelhante ao nosso Silvestre) numa das ruelas que rodeiam o forte. Chegaram-se logo a ela e ela aceitou miminhos e festinhas delas mas recusou que o marido se chegasse perto...

O mesmo se passa com o gato que passeia pelo meu local de trabalho.

E com os gatos que encontramos na rua...

 

Não foi diferente aqui. Enquanto todos os coleguinhas se encantavam com os cães e cachorrinhos, as piolhas deleitavam-se com os gatos e a nova ninhada que por lá andava. "Um ginger, um parecido com o gato da T., um Quico mas não era igual ao nosso Quico e os outros eram todos brancos. E não deixaram pelos no nosso colo". Enquanto os gatos se afastavam dos outras crianças, deixavam-se cativar pelas piolhas (as mesmas crianças, ou seja, as minhas filhas que eu jamais levaria para uma loja da Vista Alegre e até tremo quando entram na Ótica de um familiar... ).

 

Não pretendo, nem por um milésimo de segundo, desvalorizar o que quer que seja que se faça com cães de serviço e a sua importância; apenas quero mostrar que o autismo, a PEA das minhas filhas, talvez esteja numa outra parte do espectro no que respeita a animais de apoio. Elas sentem-se incomodadas por cães, independentemente da sua raça - tal como a minha irmã -, elas afastam-se instintamente de cães, não importa o tamanho. Por outro lado, adoram gatos, sentem-se atraídas pelos felinos, são enigmáticas e fazem lembrar um gato em alguns dos seus comportamentos, não sei explicar bem, apenas se nota, ao olhar para elas e para a relação delas com gatos, que são mesmo cat people. E até com isso e nisso podemos ver aprendizagem. Não precisamos de seguir a norma quando há algo mais fora da norma que também funciona - ainda para mais se é fofinho e com umas orelhinhas pontiagudas e um bigodes... 

 

Sou uma cat person, sem dúvida. Mas as piolhas são mais. Passei a olhar com outros olhos - uns olhos agradecidos - para os gatos quando o nosso Silvestre, ainda um juvenil, aguentou um meltdown dos feios de uma das piolhas, sem sair de perto dela, enquanto ela o agarrava e ele nem uma unha pôs de fora... Só saiu quando ela deu sinais de se acalmar - para voltar segundos depois, como para se certificar de que estava bem antes de tirar tempo para si mesmo. Acho-os muito parecidos com as minhas crianças. Com comportamentos muito autistas... Este episódio marcou-me. E a relação delas com este animais parece diferente...

Dá que pensar, não?

 

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 (os gatos são ou não um pouco autistas? Eu acho que os nossos são uma cópia felina das piolhas ;) )

 

 

 

 

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publicado às 23:11

Deve ser do tempo...

por t2para4, em 15.09.15

... ou então do mês!!!

 

Como já devem ter-se apercebido pelo que vou comentando, estamos oficialmente sem notícias televisivas desde novembro de 2014, mais especificamente, desde o dia da prisão de Sócrates. E, já que as mudanças começaram a ser bastantes - e para melhor! - optámos também por reduzir o consumo de TV, pelo que, a televisão da cozinha passou a ser monitor do computador do marido. Não há TVs nos quartos. Temos uma única e fica na sala.

 

Desde então, tem sido um tirar a barriga de misérias de desenhos animados a qualquer hora, séries novas e antigas com temporadas acessíveis a qualquer instante e até gravações automáticas (e nem menciono a loucura dos canais de música).

Continuamos informados com o que se passa no mundo: lemos as notícias, os cabeçalhos, os comentários, em papel ou formato digital gratuito. Para desgraças chegam alguns momentos das nossas vidas, não temos que pagar para ter acesso a ainda mais desgraceira.

 

Ora, em certas alturas, eu bem digo que a ignorância é uma benção. Mas há pessoas que abusam dessa benção e são apenas burras - sem ofensa aos bichos que até são bem simpáticos. O que diabo passou pelos poucos neurónios do nosso vice??? Fizeram curto-circuito, queimaram das férias, ainda não se aperceberam que a silly season já terminou, estão numa de salazar (deus, pátria, família), deu-lhes simplesmente? Então, o papel da mulher (e só da mulher, note-se) - que, eu até posso estar enganada - mas acaba por contribuir tanto ou mais do que o homem para a sociedade portuguesa atual que temos -é [saber] que têm de organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos"?

Uau, quase que me sinto impelida a fazê-lo! É que, nesta visão simplória e estado novista do atual vice, eu ando aqui a matar-me com trabalho, a fazer descontos para a Segurança Social, a esfalfar-me com horários quase nunca compatíveis com os do meu marido, a conjugar vida profissional com vida familiar sem nunca descurar uma nem outra, a fazer cursos e especializações e o diabo a sete porque o (des)governo assim se lembra (ou seja, casa, trabalho, estudo e família com duas crianças com NEE) para quê?

Poderia estar tão bem em casa, mas sabe, vivendo num T2, a organização é rápida e em menos de uma semana eu até poderia começar a organizar os apartamentos dos vizinhos; a pagar as contas a dias certos - não sei se sabe, sr vice, existe uma coisa que os bancos têm que se chama débito direto. Às vezes, ajuda um bocadinho a aliviar essa pressão de pagar as contas a dias certos. E, claro, nos supermercados, acho que o Ti Belmiro ou Ti Jerónimo não devem aceitar livros de assentos, pelo que o pagamento é na hora, imediato, percebe? -, a pensar nos mais velhos - talvez, para aí nas merdas que as minhas avós fazem, apesar de terem idade para ter juízo, tipo andar sem comer um dia inteiro ou passar frio porque é mais importante poupar a reforma para algum filho desgovernado a gastar ou mentir à descarada no hospital, por exemplo, ou lembrar-se de sair de casa a meio da noite e preocupar toda a gente - e cuidar dos mais novos - vou ser muito honesta, de facto, dava-me jeito poder cuidar mais das minhas filhas mas se as obriga a ir à escola como o posso fazer? É que, sabe, os miúdos têm cerca de 7h por dia que são passadas na escola! Tem que se decidir, sr vice, ou recuamos aí uns 60 anos ou vivemos um século XXI! Este "não é carne nem é peixe" não dá com nada! 

Por acaso, o senhor já se armou em mulher hoje? Já pagou as suas contas a dias certos, pensou nos mais velhos e cuidou dos mais novos? Já organizou a sua casa, antes de a entregar a outros? Já tratou de assuntos prementes como Educação Especial atempada, justa e para quem precisa, mesmo? Já tratou de averiguar o que diabo anda o seu ministro a fazer todos os anos com os concursos de professores? Já tratou de assuntos pendentes, tipo dinheiro de submarinos que deveria era estar na Seg Social, para quem cá vive e quem cá trabalha e quem cá desconta?  É que quem é incapaz de arrumar a sua própria casa, não deve mandar bitaites na casa dos outros! E isto, aprendi com os mais velhos!

 

Eu bem digo que este mês nunca mais acaba. Setembro é, sem dúvida alguma, a 2ª feira do resto do ano. E, agora, sinto-me algo impelida a evitar também com a imprensa escrita...

 

 

 

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publicado às 16:38

O dia em si começou bem mais cedo - na semana, aliás, vária semanas antes. Este ano, apesar de, muitas vezes, ter dito a mim mesma que não voltaria a repetir proezas deste género/por que raio não fico quieta e sossegada no meu canto/por que me meto eu nesta scoisas sozinha, já tinha feito um esforço tão grande na conceção de propostas, já tinha dado a cara em tantas ocasiões que, simplesmente, não podia desistir.

 

A exposição de desenhos do ano passado, depois de ter estado exposta em outros locais ao longo do ano, migrou para outra escola. A receção foi espantosa: ainda eu estava a colocar o 2º ou 3º desenho e já tinha imensos meninos a perguntar-me o que era aquilo e se eu iria explicar-lhes alguma coisa. 

Este ano decidi não expor apenas; quis também que os "visitantes" tivessem um espaço seu onde dessem asas à sua criatividade e mostrar as nossas diferenças. Eu sou diferente porque tenho mau feitio, sou alta, falo muito, sou organizada, estudiosa, etc. Só vos digo que, tive coisas fan-tás-ti-cas escritas!!! A minha preferida foi esta: "Não sou autista mas também vivo no meu mundo!". 

 

 

 

 

 

 

A história que escrevi para abril passado, "As Ervilhas Especiais", foi contada a todas as turmas com que me cruzei, com o devido aval do agrupamento de escolas e coordenação. A turmas com quem já tinha estado, contei a continuação, "As Ervilhas Especiais vão à escola"

Foi muito interessante ver o que entenderam, com base nos seus trabalhos. Em grupos mais pequenos, decidi distribuir umas peças de puzzle em cartolina, de várias cores, para que os alunos desenhassem o que quisessem, baseado no que tinham acabado de ver e ouvir. No final, montei tudo e colei numa cartolina maior. Ficou fantástico.

 

 

 

De manhã cedo, iluminei um cantinho da Igreja Matriz. Este ano, o 2 de abril calhou em plena Quaresma, a Igreja estava mais sombria e havia novenas (às 8h30!!! Puxa, haja fé!), por isso, limitei-me a colocar o arranjo e a vela acesa. O cartaz que fiz para explicar o porquê da vela azul acesa, estava no placard da entrada.

 

 

 

Para a palestra "Consciencializar para entender - Autismo", coloquei uma informação breve na entrada da biblioteca da escola principal e uma peça de puzzle onde as pessoas pudessem deixar uma mensagem, se quisessem.

Para não ser apanhada desprevenida, enviei um convite a todos os pais/encarregados de educação de duas escolas, para estarem presentes, onde pedia confirmação. Assim, num universo de cerca de 450 pessoas, tive cerca de 50! Nada mau!!! Pensei que não viria ninguém pois, como não podia fazer a sessão em horário pós-laboral e não queria que os funcionários da escola fizessem horas extra, o horário não era lá muito conveniente para a maioria das pessoas. Ainda assim, houve um esforço das pessoas para estarem presentes, vestir azul e até levar os filhos!! Foi tão bom (re)ver os meus alunos (alguns são emprestados :) ) e estarem prontos para ouvir algo bem diferente pois, desta  vez, eu iria falar para adultos.

Foi maravilhoso ver que as pessoas estavam genuinamente interessadas e que, apesar de o autismo e toda a temática envolvente ser um assunto muito complexo, estavam dispostas a aprender e a tentar perceber um pouco mais. Deixei claro, logo no início, que não defendo nenhuma metodologia em detrimento de outra nem pretendo transmitir informações médicas ou substituir quem quer que seja.

Fui extremamente honesta e sincera. Eu sei que há imensa gente contra este movimento azul (chamemos-lhe assim) por este mundo fora, mas, na minha perspetiva, na atual conjuntura económica e social deste país, se não se fizer nada para dizer que existe uma perturbação chamada autismo e que é preciso apoios - e não estou a falar de dinheiro mas sim de técnicos, de professores, de tarefeiras que saibam o que fazem, de pessoas aptas e competentes -, ninguém saberá o que se passa. É simples.

As mensagens finais, os "obrigados" sentidos deram sentido (sim, é isso!) à minha tentativa de consciencialização e agradecer não ter desistido, apesar do trabalho e do cansaço.

 

 

 

 

(um aparte caricato: antes da sessão, o salto da bota partiu. Passei aquela cerca de 1h30, de salto sim/salto não :) ninguém notou ah ah ah. Próximo passo: reclamação. É o 2º par de botas novas que ficam sem tacão inteiro em menos de duas semanas.)  

 

 

 

 

No final, as piolhas vieram ter comigo e, após alguma conversa com algumas das pessoas presentes (e da possibilidade de projetos futuros), lá fomos para casa.

Nessa noite, depois do trabalho e já de madrugada, o marido ainda andou a tirar fotografias aos edifícios iluminados de azul. Este ano, a nossa câmara iluminou muitos! Durante alguns meses que fui travando algumas conversas e trocando emails e informação acerca das iniciativas que pretendia levar a cabo. Foi muito bom ter tido o interesse por parte deste organismo. 

Que fique absolutamente bem claro que não recebi um único cêntimo de absolutamente ninguém para levar a cabo o que levei. Tudo o que fiz foi comunicar o que eu pretendia fazer. A partir daí, podendo inserir-se em projetos já existentes, foi uma questão de articulação e interdisciplinaridade. 

 

Entretanto, a mensagem foi passando e o t2para4 foi destacado aqui, pela Sofia, e aqui, pela Andreia, a escritora de um dos livros que usamos e abusamos extra escola e que me foi oferecido pela minha irmã. O meu/nosso muito obrigada, pelas piolhas - as minhas - e todos os outros por aí que bem precisam de ser tratados com dignidade e respeito. 

 

Para terminar, deixo-vos uma amizade geométrica. Partilhado por uma "autism mom", não hesitei um usá-lo. E é tão simples chegar à conclusão certa... Tão simples...

 

 
No Facebook, em breve, as fotos de um dia azul :)

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publicado às 22:22

São coisas que levam imenso tempo, entre o recolher de assinaturas até ao debate em plenário - e, sempre se tal se justificar.

Em outubro começámos com a recolha de assinaturas para a revisão dos critérios de financiamento do CRI que abarca alguns concelhos do Pinhal Norte Interior. Conseguimos cerca de 6 mil assinaturas, o que nos valeu, em desembro, uma audiência numa comissão parlamentar preliminar. (aqui também). A partir daqui, em toda a correspondência trocada, passámos - eu e outros elementos, pais e presidentes de associações de pais - a ser designados como Grupo Peticionário da  Petição n.º 305/XII/3ª.

Recebemos relatórios, informações formais e informais, atas, projetos de resolução de alguns partidos com assento parlamentar, trocámos emails com líderes de bancada de alguns partidos, contactámos imensas pessoas - desde o Presidente da República a membros de grupos parlamentares -, afixámos cartazes, enviámos trabalhos/textos/etc, estivemos na linha da frente na imprensa local e regional, fomos para a tv falar dos direitos dos nossos filhos, entre tantas tantas outras coisas e tantas reuniões, sempre a correr porque temos filhos para ir buscar à escola ou ao ATL, porque no dia seguinte é dia de escola e há tpc e jantar e banhos e mochilas e o diabo a sete para preparar.

 

O grande objetivo é regressar ao que o nosso CRI era. Tínhamos técnicos em número suficiente para dar uma resposta eficaz e atempada a todas as crianças com NEE de caráter permanente. Agora temos 4 técnicos (terapeutas e psicólogos) da instituição que gere o CRI e alguns ao abrigo de programas de emprego e/ou estágios profissionais. Serve, para já. Ajuda, para já. É melhor que nada, para já. Mas já perdemos tantos meses... De junho a dezembro de 2013, estas crianças não tiveram qualquer tipo de terapia... É muito tempo! E para o próximo ano, será igual? Voltaremos a passar pelo mesmo? A resposta que temos agora, a resposta que veio auxiliar aqueles 4 técnicos é precária e provisória. Não podemos agarrar-nos a vento.

 

Assim, deixo uma pergunta: 

dia 21 de março, esta 6ª feira, a partir das 10h, na Assembleia da República, nós estaremos nas galerias a assistir ao debate. Pessoal de Lisboa e arredores (ou de outros locais do país também! Todos são bemvindos!), querem juntar-se a nós? Há por aí, neste mundo blogosférico cibernáutico, alguém que queira estar connosco? 

Eu irei. Não apenas como peticionária, mas também e principalmente como mãe de duas crianças com NEE de caráter permanente. Ou, simplesmente como mãe.

 

Apareçam!

 

Obrigada, desde já! 

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publicado às 21:59

Ano Novo, problemas velhos, estado velho

por t2para4, em 06.01.14

Não há volta a dar. Entramos em 2014 com entusiasmo, alegria e, sim!, felicidade!! Mas, mal regresso ao trabalho, fico a saber que uma das minhas atividades, puf, foi ao ar: não renovação de contrato e, pior, como essa não renovação afetou imensas tarefeiras/auxiliares, terá de haver uma redistribuição do pessoal. 

Ora, quanto a mim, estou triste mas bem pois tenho um salário, apesar de tudo. Tenho as minhas aulinhas e vou começar com novos projetos muito em breve. Mas quanto à mera possibilidade de isso vir a mexer com as minhas filhas, alto e pára o baile! Senão vejamos:

- início do ano letivo e não há professor de educação especial nem tarefeira para as piolhas

- a coordenação da escola arranja duas auxiliares (uma para de manhã e outra para de tarde) para fazerem de tarefeiras e as piolhas passam a ter acompanhamento - o tal que vem previsto na referenciação e projeto educativo individual delas - mas não professor de educação especial

- um professor de educação especial alarga o seu horário, abrindo mão da componente não letiva e fica  com as piolhas

- veio a resposta do MEC e soubemos que o CRI (Centro de Recursos para a Inclusão) não terá terapuetas para abranger todas as crianças com NEE. Meses!!!! sem terapia e começa, além da minha pessoa aliada a um grupo peticionário contra esta situação, a terapia dada pela  mãe em casa. Terapia à séria, e vá lá vá lá, só se iniciou na última semana de novembro

- menos tarefeiras, redistribuição de auxiliares e estou mesmo a ver que, vai na volta, as piolhas vão sofrer com isto.

 

E eu, o que é eu vou fazer? Para já, aguardar. Se me tocar a mudança, talvez.... levar o MEC aos locais indicados para resolvermos isto e outras coisas. É esta a escola inclusiva de que falam? Shame on you.

 

Portanto, e para recapitular, vamos às imagens:

 

 

 

 

 

 

Pergunto-me, pela enésima vez, se com tanto corte cego/ilógico/incoerente/irresponsável/discriminatório/________________ (completar à vontade), o Governo e os demais não fazem de si um exemplo a seguir e fazem o que fazem aquela minoria que deveria ser protegida os trabalhadores: levar o seu próprio transporte para o trabalho ou ir de transportes públicos, pagar o valor adequado aos seus ordenados pelas refeições e pelo café, não ter regalias - a menos que as realmente mereça -, ser avaliado, fazer provas de aferição para poder governar, usar o seu material para poder trabalhar, comprar a roupa etc etc etc com o seu salário... E poderia encher um post inteiro com sugestões mas não vale a pena. Sabem o que faz falta aos pseudo-políticos deste país? Um filho com necessidades educativas especiais. E aí, outro galo cantaria.

 

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publicado às 20:39

Too tired to feel tired...

por t2para4, em 16.12.13

Quando aceitei (re)começar as aulas, dedicar as manhãs a outras tarefas completamente diferentes e ainda dar um curso intensivo de inglês uma vez por semana, nunca pensei que passasse por uma fase assim:

 

 

Entretanto, não pude nem quis nem pretendi passar de mãe presente a mãe não tão presente e continuei como se nada tivesse mudado, a estar sempre e totalmente disponível para a família, a cuidar das crias e do marido como sempre fiz, a ser amiga dos amigos, a tentar estar de bem com a vida MAS... a ter que lidar com queixas contínuas desde setembro até agora (ai tiveste bola vermelha? Olha, deixa lá, é Natal. Já não suporto bolas. Parece mal mas tentem ouvir falar de bolas de comportamento de todas as cores TODOS OS DIAS desde que começaram as aulas e marcamos uma palestra sobre o assunto, ok?), a ter que estar continuamente a diferenciar a sei lá quantas pessoas o que é mau comportamento (sim, sei bem o que tenho em casa e as piolhas não são santas!) do que é um meltdown (jogar lápis ao chão num momento de raiva, morder as mãos ou arrancar cabelo não é mau comportamento... Ninguém acha isto estranho a não ser eu?!), a ter que saber lidar com a inversão da polaridade do sol (mas que raio, não estava tão bem como estava? Deu-lhe para as alterações, foi?!) - as pessoas acham iso muito estranho mas a onda magnética que despoletou afetou imenso crianças com determinadas incapacidades neurológicas - e lá fomos nós parar às urgências do hospital para falar com o nosso pediatra da unidade de autismo por causa de comportamentos disruptivos graves e ansiedade quase levada ao extremo.

E, enquanto isso, passei por estas fase todas, porque, olhem, quem não se sente não pode ser filho de boa gente... E, no meio de tanta infelicidade e incerteza e dor, pensamos em tudo e mais alguma coisa...

 

 

E, porque, no meio de uma vida pessoal já por si só complicada, ainda se meteu a luta pelos direitos das minhas filhas e de outras crianças quando o nosso adorado sr. Ministro da Educação (ironia, sim?!) decidiu boicotar e cortar e meter os pés pelas mãos e alterar o financiamento do nosso Centro de Recursos para a Inclusão. Pois bem, meu senhor, deu-se mal. E deu-se mal porque até podemos ser umas mães com cara de pitas mas com uma vida muito mais complicada e sofrida que a sua, caro sr. ministro; podemos viver naquilo a que na capital se chama de "parvónia" ou "serra" ou afins mas foi a "parvónia" e as serranas da parvónia que lhe exigiram respostas e que foram recebidas na Assembleia da República. Achava mesmo que íamos ficar impávidas e serenas a ver a banda passar, não?! Pobre de si que se ilude e se deixa vender por tão pouco... Um dia destes tem que vir trabalhar na "parvónia" com as minhas filhas e os meus meninos. Traga um bibe, sim? Nas unidades das nossas crianças especiais lidamos com tudo. Até com a sua incapacidade e afetação cognitiva (porque alguém que faz o que o sr faz não pode ter os neurónios todos a funcionar da forma correta).

E, assim, sendo, a certa altura pareceu-me que carregava nas costas o peso do mundo e que nem os ombros conseguia pôr direitos. I'm tired of being tired.

 

Neste momento, depois de uma reunião maravilhástica onde reina e impera a habitual ignorância a nível de como lidar com crianças com  necessidades especiais, onde não se sente o mínimo afeto pelo próximo, onde não há a mínima intuição do que fazer e de como estimular uma criança, Munch parece-me extremamente apropriado:

 

 

Claro que tudo seria extremamente simples se ficasse por aqui... Mas não, ainda me armei em boa-samaritana e o karma não foi lá muito simpático comigo... Tem uma forma estranha de se expressar, mas enfim. Devo andar a precisar de alinhar os chakras e beber uns chás marados ou assim, em vez do habitual café. Forte. Dois. Logo de manhã. Antes das 9.30.

 

Por isso, posto que a nossa luta pelo nosso CRI está como a procissão - ainda no adro e com muito ainda para fazer e seguir -, perdoem-me, mas não me sinto muito natalícia e tenho, obviamente, tudo atrasado. É que, bem, vós sabeis, há prioridades - conseguir os respetivos técnicos especializados para trabalhar com os nossos filhos e evitar a contínua regressão de muitos deles. Mas como o Natal é sempre que um homem quer, se as lembranças forem depois, já sabem. Sou eu que estou a subverter o sistema.

 

Por agora, 

 

 

porque essas lágrimas não me pagam contas, nem me limpam a casa, nem me ajudam a lidar com as crises das piolhas, nem me auxiliam em nada quando tenho que negar a ida delas a uma festa de aniversário ou de natal porque a confusão é apocalíptica. Como não resolvem, cortesia da minha amiga Daniela, esta minha pessoa está até demasiado cansada para as verter porque talvez até já as tenha vertido demais nos últimos anos... 

 

Vou ali tratar das crias, dos meus tesouros amados, as razões pelas qual luto e me canso, das minhas piolhas maravilhosas que me orgulham tanto à sua  maneira especial, ora pois claro!, não fossem elas miúdas especias! E quando houver uns dias de tédio por aqui perto, enviem-me, tá? Preciso de, pelo menos, uns dois ou três dias de aborrecimento total para recuperar e perder a expressão Munch. 

 

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publicado às 20:48

Comissão parlamentar preliminar

por t2para4, em 10.12.13

 

Um nome todo pomposo e que parece importante em resposta ao abaixo-assinado, que recolhemos com as assinaturas necessárias para discussão em plenário da Assembleia. 

Assim, quando este post for publicado, lá estarei eu com o restante grupo de luta, os mesmos de sempre, a dar a cara e a voz pelas nossas crianças, pelos nossos filhos, em frente aos senhores deputados dos grupos parlamentares.

 

Estaremos mais do que devidamente preparados, eu com os meus simbolismos e discurso mais do que pensado, pois é a realidade do nosso dia a dia, não necessita de apontamentos nem de preparação nem de ser escrito.

 

E começará, tão simplesmente, assim... 

 

 

 

Uns pequenos meros pormenores bem como uns pequenos meros exercícios de terapia da fala em Comunicação Aumentativa e Alternativa, outros de terapia ocupacional para abrir a nossa apresentação e a questão crucial: estaremos todos a viver em inclusão? Estaremos todos a ter direito à educação? Onde está o devido financiamento do nosso CRI?

 

Simples, não?

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publicado às 16:00

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