Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



É ao ler este tipo de testemunhos reais (independentemente de aqui ser em relação à maternidade) - em vez de um estudo qualquer, feito por sei lá quem, encomendado por sabe-se lá quem -, que consigo visualizar um futuro para as piolhas. Ainal, é possível. Quero acreditar que sim.
 
 
Como é ser mãe e ter autismo
 
A paciência diminui mais do que o comum, as conversas tornam-se cansativas rapidamente e as piadas ficam por perceber
 
 
 
Marisa Cardoso
 
Sempre tentei disfarçar as minhas dificuldades. Achava que não tinha interesse nenhum, que era "poucochinha". As outras pessoas pensavam que era arrogante e malcriada, porque fazia cara de poucos amigos mas era tudo para me defender. Pensava: "Ok, sinto-me mal, mas mais ninguém sabe." Por exemplo, quando as pessoas saem para se distraírem, isso para mim é um sofrimento. É muita informação a entrar, fico cansadíssima, não consigo desligar de tudo o que está a acontecer à minha volta. E é o ter de interagir… Não saber o que é que hei-de dizer às pessoas… Sinto sempre que o que vou dizer não tem interesse. Depois, as minhas reacções nas conversas são: se toda a gente está a rir, eu também me vou rir. Posso nem estar bem a ouvir a conversa mas se estão todos a rir é porque é suposto rir, portanto faço o que o grupo está a fazer. 

Com as minhas três filhas é fantástico porque sempre fui verdadeira com elas. Sempre pude ser eu na realidade e portanto com elas – que têm 14 anos, 11 e a mais nova 5 – estava bem. Não tinha que usar máscaras, não tinha de fingir que compreendia. Claro que o facto de me cansar muito depressa faz com que me irrite também rapidamente. De repente, desato a gritar, a disparatar com elas… E era muito difícil depois recuperar a partir dali. 
 
Aconteceu várias vezes com as mais velhas, principalmente, irritar-me, chegar a extremos… Agora já sei que quando estou a atingir o meu limite, aviso: "Meus amores, a mãe está a atingir o limite. Por favor ajudem a mãe a não atingir esse limite." Foi por causa de uma das minhas filhas que descobri, aos 40 anos, que tenho Asperger, aliás, chama-se agora Perturbação do Espectro do Autismo. 

A minha filha precisava de ajuda, estava com algumas dificuldades na escola, principalmente falta de concentração, e achei que ela poderia ter qualquer coisa que necessitasse de terapia. Eu e o meu marido João fomos a uma clínica fazer uma avaliação e comecei a estudar todos os tipos de diagnóstico. Gosto de saber exactamente o que é que as minhas filhas têm para poder apoiá-las ao máximo. Estudei a Perturbação de Hiperactividade/Défice de Atenção, o Transtorno Obsessivo -Compulsivo… A Síndrome de Asperger [inserida na Perturbação do Espectro do Autismo] era uma delas. Identifiquei-me. 

Já não estava a ver a minha filha mas a mim. Identificava-me com todas as coisas que lia, as dificuldades de interacção com as pessoas, o sentir-me a mais, ter uma dificuldade enorme em estar com muitas pessoas, sentir-me estoirada. 

Numa conversa com a terapeuta que fez a avaliação à minha filha, o João diz-lhe: "Ah, tem graça, a Rita acha que ela tem Asperger." A terapeuta pára tudo e diz: "Não, a Rita é claramente Asperger, não há dúvida nenhuma." 
Agora, referia-se a mim. Um dos traços do Asperger é ser muito literal, então achei que aquele "claramente" significava que toda a gente sabia mas nunca ninguém me tinha dito nada. Achei que tinha vivido 40 anos em mentira. E agora como é que ia gerir a minha nova vida? Neste processo de me encontrar entrei numa depressão muito forte, muito profunda, que durou cerca de um ano. 
 

Ser Asperger 
É muito difícil arranjar psicólogos e psiquiatras que compreendam o autismo de adultos. E de mulheres são raros. Sei que há porque na minha página do Facebook – Claramente Asperger –, que já tenho há um ano, falei com pessoas que me indicaram especialistas. Mas na altura, como é que uma pessoa faz? Vai-se ao Google, não é? "Preciso de um psicólogo para mulheres autistas." Não aparece nada. 

Os psicólogos ainda podem conhecer as características dos homens porque está tudo muito enviesado para os homens, os diagnósticos e as avaliações. Mas não conhecem as características das mulheres. Acham que o facto de eu ter seguido com a minha vida, ter casado, ter filhos é razão para eu não ser Asperger. Ou então: "Ok, eu sou Asperger mas qual é o problema? Tenho a minha vida." Mas não percebem é o que se passa no meu interior. Ninguém vê o que é que eu sinto, não está à vista. 

Quando me fui abaixo, fiquei sem amor-próprio. Preferia pensar nas outras pessoas, nas minhas filhas, no João. Era como se não existisse. Então, comecei a pedir mais tempo para mim e a dizer: "A mãe agora não pode brincar com vocês, preciso de fazer outra coisa, preciso de estar comigo." 

Elas não sentiram esta descoberta da mesma forma que eu senti. No máximo, o que sentiram foi eu ter desaparecido um ou dois dias. Geri as coisas de forma a que as minhas irmãs as fossem buscar e que elas não sentissem grande diferença e assim pude ter o meu espaço. 

Nunca choro à frente delas quando estou triste. Posso-me isolar mais, mas tento não chorar. Naquela altura precisava de estar sozinha. Elas foram percebendo o que eu tinha. Não me sentei com as minhas filhas e disse: "Olhem agora vamos falar sobre o Asperger." Mostrei-lhes a página onde escrevia e elas fizeram perguntas: "O que é isso que a mãe passa tanto tempo a fazer ao computador?" E eu fui-lhes falando naturalmente. As mais velhas reagiram sem stress mas a mais nova não faz a mínima ideia do que é. 

É normal que elas tenham curiosidade porque roubo um bocadinho do tempo com elas para escrever na página. Acho que a mensagem em relação ao autismo está mal passada. As pessoas não sabem realmente o que é o autismo. Existe um rótulo de que é algo incapacitante – mas não é. Por exemplo, falando no trabalho – sou editora de imagem –, as pessoas são muito focadas e podem ser dos melhores trabalhadores porque a entrega é total. Quando um autista gosta daquilo que está a fazer entrega-se de corpo e alma. 

É certo que sou muito rígida em termos de pensamento e é muito difícil ir um bocadinho mais para a direita ou para a esquerda, demora tempo. Mas também sou muito verdadeira. A minha relação com o meu marido é baseada na verdade, sempre lhe contei tudo e ele sempre me contou tudo também. Muitas vezes o João está a dizer algo simples e eu penso que ele me está a acusar de algo, mas não. Isso compreendemos nós agora porque eu estou a perceber o Asperger e ele também está. Estamos os dois a crescer juntos.

Artigo originalmente publicado na edição n.º 681, de 18 de Maio de 2017.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
---------------- Estamos também no Facebook --------------------
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:22

Desolação

por t2para4, em 19.06.17

Amanheceu um sol laranja, completamente tapado por um filtro de cinza que nos permitia olhar para ele sem ferir os olhos. Chove cinza e o vento, quando decide soprar, arrasta ainda mas cinza vinda sabe-se lá de onde... Está um cheiro impossível. Está escuro. E já trovejou mas apenas caíram meia dúzia de gotas...

Na escola, a bandeira a meia haste e nós a tentar controlar, logo no carro, os poucos filtros das piolhas e a explicar que não precisam de tapar o nariz com a mão, que não precisam de fazer comentários alguns sobre o que se passa, que não precisam de se preocupar, que está tudo bem na nossa localidade, que bebam muita muita água.

Diz-me uma das piolhas "toma cuidado, mãe..." e o coração fica pequenino... Trabalho numa área onde o fogo lavra sei lá há quantas horas, onde já se cortaram estradas... A nossa bela serra, aquele paraíso que vejo todas as semanas a caminho do trabalho, aquele paraíso por onde nos perdemos no fim de semana passado é agora um inferno, um amontoado de cinzas... Não sei o que me espera quando chegar ao trabalho mas certamente não serão aulas. Hoje deixarei os alunos desabafar, chorar, fazerem as perguntas que quiserem, descansar se assim for. Fui à farmácia há pouco e diziam que estavam a pé desde as 2h30 a atender pessoas que vinham da Castanheira de Pêra, de Góis, da Pampilhosa da Serra e sei lá mais de onde com queimaduras... E que alguns dos meus alunos andavam ao lado dos pais e outros familiares, nas aldeolas perdidas no meio da serra, a tentar lutar contra um Golias indizível... 

Parece que estamos noutra dimensão... Há folhas inteiras queimadas em cima dos carros, nas varandas, no chão. Eu sei que as trovoadas secas são fenómenos naturais, acontecem e pronto, não dá para evitar... Mas isto? Este tamanho? Estas mortes, estas desgraças?

Estamos tristes e desolados. 

 

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:49

Tempo de antena contado

por t2para4, em 24.05.17

Ou seja, a minha idade e a minha (pouca) paciência já não me permitem dar a importância desmedida que se vê em muitos locais - infelizmente, públicos, acessíveis a qualquer pessoa - acerca do que consiste o Autismo (ou o Espectro do Autismo) e as suas consequências. E isto vem a propósito de uns comentários vergonhosos que li há pouco e que me assustam pela sua ignorância.

 

Eu entendo a busca desesperada de respostas - já o fiz. Viver na incerteza é uma angústia; não sabemos o caminho a trilhar.

Eu entendo o querer desesperadamente uma solução - já o fiz. 

Eu entendo o pesquisar incessante de toda a informação e mais alguma - já o fiz e ainda o faço.

Eu entendo as reservas em relação a alimentos, medicamentos, terapias - também tenho as minhas.

O que eu não entendo é fazer dos nossos filhos umas cobaias.

O que eu também não entendo é o pesquisar incessante de informação mas sem a filtrar e sem a questionar.

O que eu não entendo é como é que se questionam médicos e a medicina mas não se filtra nem se questiona uma página qualquer sem fundamento que está na Internet.

O que eu não entendo e jamais entenderei é como é que se atribuem diagnósticos de autismo como quem distribui pastilhas e, de repente, esses diagnosticados saem do espectro e, milagre, o autismo foi revertido ou desapareceu.

O que eu não entendo é como ainda há pessoas que juram haver uma cura porque tal e tal e tal aconteceu com a ajuda de tal e tal e tal e agora já não há pinga de autismo naquele indivíduo.

 

Entendamos de uma vez por todas: NÃO há ainda  uma cura. Há terapias, há trabalhos, há protocolos de apoio, há literatura fidedigna para ler, há estudos, há proximidade genética, há descobertas cada vez mais próximas de como poderá (futuro hipotético) surgir, há família a complementar tudo mas ainda não há cura. 

 

Não acredito nos apregoados resultados com a suposta utilização de células do cordão umbilical ou estaminais; não acredito em dietas (acredito sim em alimentação equilibrada); não acredito em filtros/quelações/lavagens/etc e tal a qualquer parte do corpo humano; não acredito em transfusões/trocas de sangue ou qualquer outro tipo de transplante; não acredito em terapias em câmaras hiperbáticas; não acredito na não-vacinação como forma de prevenção de autismo; não acredito na maior parte das supostas causas que se apontam para o autismo; não acredito que exista agora uma cura; não acredito que se possa prevenir (o autismo previne-se exatamente da mesma forma que se previne T21 ou Síndroma de Marshall, vá, previnam lá isso antes da fecundação); não acredito em terapias animais só com cães ou cavalos (quando há provas de que tantos individuos com autismo têm terapias com outros animais ou afinidade com outros animais); não acredito no retirar absoluto de minerais ou vitaminas do nosso organismo....... - assim, de repente, só para referir o que me veio agora à mente.

 

Por isso, valorizo e valorizarei literatura/artigos/estudos credíveis e cientificamente comprovados; discussões saudáveis com pais/médicos/técnicos/professores/etc.; trabalhos não-invasivos que envolvam toda uma equipa e não apenas o trabalho individualizado sem acesso ou com restrições; o suporte das terapias; a importância da família em todo um processo.

E quem estiver para atacar, pode retirar-se.

Tenho duas filhas com autismo. Ainda hoje choro com isso. Todos os dias, de manhã, ao levá-las à escola, penso se alguém as atacará, se alguém as insultará, se elas saberão defender-se, se elas algum dia serão como aqueles miúdos - quase todos meus ex-alunos - que estão tão independentes numa outra escola, se elas também farão parte de um grupo ou serão as marginalizadas lá do sítio, se constituirão família, se terao empregos estáveis, se serão adultas felizes e realizadas. Não me acusem de não saber o que isto é porque sei. Não me digam que as minhas filhas não têm nada porque quem nada não é peixe e quem nada não se afoga. Não me digam que tudo passa porque isto não passa. E ai do desgraçado do ser que me acuse de não querer saber das minhas filhas ou de colocar o futuro delas em risco só porque não danço nua no bosque em noites de luar nem mato unicórnios para lhes dar de beber o sangue. Certamente que esse ser não me conhece e não sabe do que sou capaz. Ou do que o meu marido é capaz. Ou sequer do que somos capazes juntos.

 

Por isso, para promoção de banhas de cobra ou partilha de informações erradas ou fundamentalistas, não contem comigo. Já me pronunciei sobre uma série de coisas sérias como vacinação, medicação, terapias, trabalhos, consciencialização. Não estou para me envolver em discussões que não levam a lado nenhum porque a ignorância não aceita argumentos. Não preciso de estar sempre a falar do mesmo nem de estar a dar tempo de antena a quem não merece.

 

 

2017-05-24_192756.jpg

 

 

 

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:05

A propósito dos F

por t2para4, em 14.05.17

E Portugal ganhou tudo o que havia para ganhar (apesar de fazer lembrar as premissas salazaristas...) o que nos deixa num ambiente otimista, de festa, de celebração. Gosto desse sentimento!

 

Fiquei muito satisfeita com a vitória no Festival. Há anos que não via (ainda sou do tempo do Eládio Clímaco a apresentar), nunca percebi se Portugal continuava a participar desde a Sara Tavares (shameful, I know...).


Ao contrário do que disseram algumas más línguas, eu gosto da música. Faz lembrar música dos antigamentes, da Disney. A voz é melodiosa e harmoniosa sem aqueles efeitos sobe e desce, agudo grave que estão na moda fazer em todas as canções. E a letra é muito bonita. Gostei mesmo mesmo muito.

(E, não me levem a mal, mas aqueles maneirismos dele, a forma como torcia as mãos, fez-me lembrar esterotipias idas... Talvez, por isso, tal como acontece com o Messi, eu sinta um carinho diferente por ele... Não estou a fazer diagnóstico a ninguém, atenção!). Achei o Salvador alguém de uma simplicidade fantástica e gostei muito. Parece alguém muito puro, igual a si mesmo, sem artifícios. 

Que esta vitória abra novas portas a músicos como ele, porque, neste país, de arte e só de arte, não me parece que alguém viva...

 


Futebol a mim não me diz nada. Rumo aos 37 estou eu, basicamente, pois 36 estão quase a passar ehehehehe Há outros desportos, há outras modalidades, não há o mesmo impacto, a mesma devoção. Mal tinham os jogadores tinham pegado na taça e já havia relatos de distúrbios e confrontos... Seriously? Desde quando é que isso é festejar?

Parabéns, anyway. Falta conquistar o penta para se equipararem ao FC Porto de há uns anos.

 

 


O papa Francisco é um querido. Cá em casa, até as piolhas gostam e simpatizam muito com ele. E aquilo que diz faz-me sentir bem menos culpada no que respeita à minha relação com a religião. Houve um abalo gigantesco em 2010 e parece que a fissura se mantém, com mais ou menos profundidade. Não sei muito bem como me sentir. Diria que, se fosse um facebook status, "numa relação complicada"...

Mas a visão que este papa dá é uma lufada de ar fresco. Havia uma data de dogmas (ridículos, if you ask me) que nunca entendera e que me parecem ter sido desfeitos (como o não batizar crianças de pais divorciados ou pais solteiros, por exemplo). Naquele coração cabem todas as pessoas do mundo, independentemente da sua crença - ou não-crença - pois o que verdadeiramente importa é a sua atitude, o seu valor, o seu comportamento. O papa Chico, como carinhosamente, o chamamos por cá, é mesmo um querido. E anda sempre bem-disposto e sorridente!

 

E, como dizia há pouco o marido, acho que, para nós, se impõe um outro F, quem sabe bem mais importante: o F de Futuro. Agora, no rescaldo de toda esta festa - que acho que nos faz bem ao espírito, não nego -, as coisas, de facto, não parecem tão negras. Conseguimos ter uma ténue esperança de que coisas boas virão, a nível pessoal, profissional, familiar. Assim seja. 

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------




Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:53

Se, na Faculdade, em vez das secas descomunais que apanhei em Psicologia Educacional a falarmos de estágios de desenvolvimento que em nada de refletem ou aplicam na escola, tivessemos falado de coisas bem mais úteis e destas matérias, eu teria sido uma gaja muito mais informada e atenta. E, provavelmente, não teria chumbado à cadeira e ter que a repetir na época especial - mas isto já são os maus fígados a falar.

 

Adiante. Contra mim falo, a mim me atinjo em parte pois também tenho que obedecer - ainda que em parte - ao sistema. Tento sempre fazer algo diferente, algo que promova a aprendizagem através de outras vias, algo que fique na lembranças dos miúdos - e graúdos - que os possa ajudar na utilização de um conteúdo na vida real. Mas, confesso que, nos moldes atuais, a avaliação tão formal é algo que me dá imenso trabalho - a preparar e a fazer e a sentir-me injusta, em muitas situações, que não me permite muita flexibilidade, que não me deixa fazer algo diferente para cada aluno. E que me dá ainda mais que fazer quando tenho de preparar as piolhas para isso... Porque com ou sem necessidades especiais, há sempre - sempre - avaliação... Formal. Da que se converte em percentagens e usa números. E nem sequer vou dar a minha opinião acerca dos quadros de mérito ou rankings, pelo bem da minha sanidade mental e dos meus nervos.

 

Não sou eu quem manda, eu não governo nem faço escola em gabinetes... Mas sei com o que lido.

 

 

Noam Chomsky on the Dangers of Standardized Testing

“The assessment itself is completely artificial. It’s not ranking teachers in accordance with their ability to help develop children who will reach their potential, explore their creative interests. Those things you’re not testing.. it’s a rank that’s mostly meaningless. And the very ranking itself is harmful. It’s turning us into individuals who devote our lives to achieving a rank. Not into doing things that are valuable and important.”

noam-chomsky-005

The following is a partial transcript for an interview with Noam Chomsky uploaded to youtube by The Progressive Magazine.

 

“You take what is happening in education. Right now, in recent years, there’s a strong tendency to require assessment of children and teachers so that you have to teach to tests. And the test determines what happens to the child and what happens to the teacher.

 

That’s guaranteed to destroy any meaningful educational process. It means the teacher cannot be creative, imaginative, pay attention to individual students’ needs. The student can’t pursue things, maybe some kid is interested in something, can’t do it because you got to memorize something for this test tomorrow. And the teacher’s future depends on it, as well as the student.

 

The people sitting in the offices, the bureaucrats designing this, they’re not evil people, but they’re working within a system of ideology and doctrines that turns what they’re doing into something extremely harmful.

 

First of all, you don’t have to assess people all the time… People don’t have to be ranked in terms of some artificial [standards]. The assessment itself is completely artificial. It’s not ranking teachers in accordance with their ability to help develop children who will reach their potential, explore their creative interests. Those things you’re not testing.

 

So you are giving some kind of a rank, but it’s a rank that’s mostly meaningless. And the very ranking itself is harmful. It’s turning us into individuals who devote our lives to achieving a rank. Not into doing things that are valuable and important.

 

It’s highly destructive at the lower grades. This is elementary education, so you are training kids this way. And it’s very harmful. I could see it with my own children.

 

When my own kids were in elementary school, at a good quality suburban school, by the time they were in third grade they were dividing up their kids into dumb and smart. You’re dumb if you’re lower tracked, smart if you’re upper tracked.

 

Think of what that does to the children. It doesn’t matter where they’re tracked, the children take it seriously… If you’re caught up in that it’s just extremely harmful. It has nothing to do with education.

 

Education is developing your own potential and creativity. Maybe you’re not going to do well in school and you’ll do great in art. That’s fine. What’s wrong with that? It’s another way of living a fulfilling wonderful life, and one that is significant for other people as well as yourself.

 

The whole idea [of ranking] is harmful in itself. It’s kind of a system of creating something called “economic man.” There’s a concept of economic man, which is in economics literature. Economic man is somebody who rationally calculates how to improve his own status (and status basically means wealth).

 

So you rationally calculate what kinds of choices you should make to increase your wealth, and you don’t pay attention to anything else. Maximize the number of goods you have, cause that is what you can measure. If you do that properly, you are a rational person making informed judgments. You can improve your “human capital,” what you can sell on the market.

 

What kind of human being is that? Is that the kind of human being you want to create? All of these mechanisms- testing, assessing, evaluating, measuring- they force people to develop those characteristics… These ideas and concepts have consequences…”

 

~Noam Chomsky~

 

 

in https://creativesystemsthinking.wordpress.com/2015/02/21/noam-chomsky-on-the-dangers-of-standardized-testing/

 

 

 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook ------------------- 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:26

O país em sombras de cinzento

por t2para4, em 10.08.16

É o que eu vejo no céu, de manhã à noite... E quando acordamos, além do cinzento do céu, há uma nuance azulada e um sol que parece muito distante e pouco brilhante. E há cinza por todo o lado, mesmo sem incêndios na localidade.

Desde pequena que vejo que agosto é o mês por excelência para ter umas semanas para pôr tudo a arder. E ouvir várias vezes "é a política" como se isso resolvesse tudo... E ouvir falar de incendiários e da velha máxima "era atá-lo a um pinheiro"... E ouvir os helicópteros e avionetas e sirenes... Parece que passou a fazer parte do verão. E todos os verões, a partir de julho e até setembro, como se já fosse mesmo regra legislada, a minha mãe lançava a proibição de eu e a minha irmã passarmos sequer perto de um pinhal, nem sequer para apanhar pinhas.  

Recordo uma vez que regressávamos de Coimbra, há muitos anos, talvez uns 20 anos, e fomos parados pela GNR e Bombeiros porque dali já ninguém passava... E voltar para trás estava complicado porque as outras hipóteses estavam também a arder... 

Em 2005, Coimbra ardeu tanto mas tanto que pensei que ia passar meses a limpar cinza a 30 km de distância da cidade. Caíam folhas de eucalipto de 10 cm completamente chamuscadas na minha varanda. Todos - todos!! - os acessos estiveram cortados, por umas horas... Foi um ano muito quente, muito cinzento, um horror para estes lados... As primeiras chuvas trouxeram metade das encostas para a estrada e autênticos ribeiros negros por todo o lado. 

No ano passado, alguém deve ter pensado que 10 anos era mais do que tempo suficiente para recuperar área para re-arder e toma lá disto de novo. Não sei quantos dias com tudo a arder aqui à volta, estradas fechadas e cinza a cair como se fosse neve. 

De 10 em 10 anos, toda aquela área de árvores semi chamuscadas que vão escapando de um fogo para outro, árvores minúsculas ou raquíticas, eucaliptais, mato e fetos é tido como material inflamável porreiro para um triste espetáculo. Deve fazer espécie a alguém que não sabe ter as mãos quietas e a conta bancária sossegada.

 

 

E depois há perguntas que eu não consigo responder... Perguntam-me as piolhas porque os dias estão assim tão estranhos e por que há tantos incêndios. E por que é perigoso fazermos viagens (e eu nem quero imaginar o sufoco de ficar presa numa autoestrada, com mais de 40 graus e sem escapatória... Ficámos retidos uma vez em abril por causa de um acidente e o meu coração ia saindo esterno fora e fico sem ar de cada vez que vejo um carro a arder em plena estrada) e por que não vamos à piscina por causa da cinza que cai (ainda não percebem bem a relação da cinza a cair em locais onde não há incêndios diretos nem a questão dos ventos) e o que vai acontecer depois.

E eu não quero falar em lobbies nem em corrupção nem em contratações manhosas para ficar com lucros sobre área ardida nem na (ir)respondabilidade da limpeza de terrenos nem nos gastos do país com máquinas que não apagam fogos nem em forças que só atuam quando já não há muito mais para arder nem em jornalismo doente que abre noticiários com "este ano Portugal teve menos fogos" em maio nem em palmadinhas nas costas dos incendiários porque coitados são maluquinhos ou gostam de ver avionetas nem em sei lá mais quantas coisas que me passam pela cabeça... E eu nem quero sequer imaginar nem ter de explicar às piolhas o que é ter que passar por uma situação tão dantesca como a que se vive na Madeira, neste momento. Já tivemos focos de incêndios perto das casas dos nossos pais e sentimos uma impotência tão grande que não se descreve, parece que as bocas de incêndio e as mangueiras são demasiado pequenas para tanto fogo, tanto calor...

 

O mínimo que poderemos fazer para ajudar - para já -  é plantar árvores de espécies autóctones quando autorizadas para isso, ajudar os bombeiros, tentar de alguma forma auxiliar quem tudo perdeu, tentar proteger as nossas casas com áreas limpas (embora com ventos isso não sirva de muito), apostar na prevenção e esperar que a floresta recupere rápido e o próximo ano seja bem mais calmo... 

 

 

 

 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook --------------------

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:33

Onde está o botão "pausa" do mundo?

por t2para4, em 27.10.15

Ou a borracha (tambem serve...)?

Honestamente, a sério, parece que, em algumas coisas, estamos na Idade Média, senão vejamos:

- religiosidade exarcebada e extremista

- oposição à diferença

- imperatividade (essa palavra existe??) do comum

- regimes políticos "herdados" ou a deixar em "herança"

- negligência e desrepeito pelos direitos humanos

- etc.

 

Não vou dar-me ao trabalho de enumerar tudo. O estranho é que, em relação aos pontos acima, eu posso lê-los de forma alargada e generalizar ao mundo ou lê-los de forma particular e abarcar o que nos é perto (localidade, distrito, país). Deve ser aquilo a que chamam de "capicua" que se pode ler de trás para a frente e de frente para trás.

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda ouça "coitadinha" porque uma mulher teve 2 filhos, ou 2 filhos gémeos, ou decidiu ter um 3º filho ou decidiu não ter filhos.

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda haja dedos apontados a um canhoto, a quem usa óculos, a quem tem epilepsia, a quem está numa cadeira de rodas porque, que despaupério, ousou (como se atrevem?!) desafiar a norma e, vejam lá o atrevimento, destacarem-se dos comuns por causa dessa diferença!!!

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda haja pais com vergonha dos filhos deficientes (físicos, neurológicos, mentais, etc.), como se isso fosse motivo de vergonha e roubar, matar, desrespeitar sejam coisas de mérito.

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda tenhamos uma sociedade com uma mentalidadezinha de provincia interior ditatorial pior que a de um povo primitivo do neolítico. uhhhhh tem autismo, me-do; uhhhhh pintou o cabelo de vermelho; uhhhhhh calça doc martens; uhhhhh, furou as orelhas à filha; uhhhhh, o filho ainda usa chupeta; uhhhhh.... uhhhhh o caraças. Crescei e evoluí, ó povinho, amadurecei as ideias, aprendei com a diferença, aceitai o direito a ser humano, a ser, simplesmente.

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda tenhamos ideias veladas de que "o amor tudo vence", " a fé em _______ (completar com uma crença à escolha)" substituem a medicina, a educação, a aprendizagem, a família. Por que não hão de poder caminhar lado a lado? O que impede tomar um benuron com canja de galinha ao colo da mãe? Uma oração cura a gripe? Uma dieta radical cura autismo? Por raio um cancro, uma gripe, uma paralesia, um AVC são castigos divinos? Porque Ele não tem mais  nada que fazer do que andar a inventar umas cenas para ver se cria um testamento diferente? O Velho Testamento é que tinha as 7 pragas e isso já lá vai!

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda não se consiga perceber e destrinçar o que é exagero, do que é irónico, do que é sarcástico e tudo seja lido pelo literal (e depois os miúdos é que têm autismo e utiliza-se esta palavra como insulto porque alguém não consegue estabelecer essa diferença).

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda tenha que levar com pessoas a achar naturalíssimo serem ignorantes e quererem continuar a ser ignorantes. "Ah, gémeos que nascem em dias diferentes e são diferentes, isso lá é possível...", "ahhh, dois iguais, então o mais velho é o que foi feito primeiro...", "ah, está tão magra e não está doente, é lá isso possível...", "ah, o meu filho também é assim e faz o mesmo e tu é que tens ideias esquisitas na cabeça e no meu tempo não havia nada disso e coiso e tal..."

Custa-me a aceitar que em pleno século XXI ainda não tenha sido criada uma porcaria de um patch ou de uma borracha ou de uma aplicação ou do raio que parta que pudesse evitar a intolerância, a discriminação, a estupidez humana, a maldade. Mais do que qualquer coisa, isto, em larga escala é do que me custa mais a aceitar. Porque, infelizmente, tenho para mim, que algumas coisas não genéticas devem passar a genéticas e, pelo andar da carruagem, estou muito cética à evolução da espécie em relação a algumas questões (pardon my english se estarei a ser demasiado drama queen ou halloweenesca).  Mas, como disse o Doc ao Martin no show do dia 21 deste mês, correu tudo mal, o futuro está muito estranho, devemos ter entrado numa realidade alternativa paralela e é melhor voltar ao passado para descobrir onde está o erro e refazer tudo.

 

Posto isto, e como de acordo com os velhos do restelo cá do sítio, mimo a mais estraga as crianças (vou ali suicidar-me um bocadinho - mas prometo sujar pouco porque tenho que limpar depois - e já volto), eu vou mesmo armar-me em ovelha tresmalhada e fazer isso mesmo: mimar as minhas crianças a ver se estrago o resto que o autismo não estragou. Muahahahahahhahahahaha. Fui.

 

 

 

PS 1 - poupem-se a chamar o 112 e a CPCJ pois o último parágrafo é irónico. E sarcástico. E hiperbólico. E impossível (um suicida não limpa o que faz porque bem, estará morto, digo eu, que agora com tanto zombie até fico na dúvida)

PS 2 - PS quer dizer post scriptum. Não há alusões partidárias.

PS 3 - Como diz o meu marido: "nunca conseguirás agradar a todos por muito que te esforces", portanto, quem não gosta do que eu escrevo, como escrevo, quando escrevo, eu não obrigo ninguém a vir cá... O objetivo do blog está no separador "o blog". Não somos vítimas. Somos as escolhas que fazemos e nós escolhemos seguir em frente, independentemente do caminho e da velocidade atingida. Somos realistas, há dias fantásticos e dias merdosos. Como qualquer pessoa tem. A diferença está no modo como esses dias nos afetam e na dificuldade em ultrapassá-los que, vitimizemo-nos ou não, é mais dificil para quem lida com necessidades especiais.

 

 

It_is_time_to_pause_and_reflect_Mark_Twain.jpg

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:15

... para aqui.

 

O post está muito bem escrito e muito bem explicado. Felizmente, depois de ter passado, uma única vez, cerca de 4h mal empregues horas da minha vida a preencher espaços e espacinhos e CAEs e NIF e o diabo a sete, desisti... Já sei que, agora, terei que voltar para tirar algumas faturas da situação "pendente" mas o resto, já não é comigo.

E, papelinhos e faturinhas e sei lá mais o quê que não servem para nada, tal como recomendado no artigo, papelão mais próximo.

 

 

 

---------------- Estamos também no Facebook --------------------

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:39

Contador

AmazingCounters.com


Direitos Reservados

Algumas das fotos publicadas neste blog são retiradas da Internet, tendo assim os seus Direitos Reservados. Se o autor de alguma delas discordar da sua publicação, por favor informe que de imediato será retirada. Obrigada. Os artigos, notícias e eventos divulgados neste blog tem carácter meramente informativo. Não existe qualquer pretensão da parte deste blog de fornecer aconselhamento ou orientação médica, diagnóstico ou indicar tratamentos ou metodologias preferenciais.


Mais sobre mim

foto do autor







Copyright

É proibida a reprodução parcial/total de textos deste blog, sem a indicação expressa da autoria e proveniência. Todas as imagens aqui visualizadas são retiradas da internet, com a excepção das identificadas www.t2para4.com/t2para4. Do mesmo modo, este blog faz por respeitar os direitos de autor, mas em caso de violação dos mesmos agradeço ser notificada.

Visitas


Translate this page


Mensagens