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E, eis que começa...

por t2para4, em 25.09.17

... back to school and all hell breaks loose...

 

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publicado às 20:55

Entrada para o 2º ciclo

por t2para4, em 25.09.17

Volvidas duas semanas depois deste enorme marco, já dá para ter uma ideia do como foi e fazer um pequeno balanço.

A nossa preparação foi menor do que a que tivemos com a entrada no 1º ciclo, em grande parte porque toda a documentação já estava tratada, e em pequena parte porque as piolhas estão mais crescidas e não iriam mudar de escola. Eis o que tivemos em conta:

 

- Manuais e materiais

Todo o processo de encomenda de manuais, receção dos mesmos, escolha e compra de mochilas novas, compra dos materiais necessários para as disciplinas em geral e Educação Visual em particular, foi feito com as piolhas. Escolhemos mochilas de alças que estão bem ajustadas às costas (dei um nó na fita, na base onde se regula o tamanho das alças) porque os troleis não eram nada de jeito e porque elas assim pediram. As mochilas são largas, ou seja, com o volume dos livros e lanches, ela "estica" para a frente em vez de descair e obrigara a que forcemos os fechos para a fechar. Para as aulas de Ed. Física, levam as mochilas que costumam levar para a piscina, com o equipamento e guardam no cacifo.

Em vez de dossier com folhas soltas e argolas, optei por cadernos pretos que forrei com etiquetas de bookscrapping. Já imaginava o caos de folhas soltas e argolas estragadas e nem pensar passar por isso. Portanto, cadernos simples, dos agrafados e não dos de espiral, e um por disciplina.

Para arrumar o cartão, o telemóvel (fica para outro post), toalhetes íntimos e lenços de papel, horário e chave do cacifo, comprámos, à escolha delas, umas bolsas a tiracolo, giras e baratas, na Primark. 

 

- Cartão

As piolhas já estão numa escola que usa cartão desde sempre, por isso, desde que a frequentam que sabem utilizar o cartão e eu sou super fã. Só peca por não ter uma referência de carregamento online que me permita carregar com dinheiro também à distância. Através da plataforma https://www.giae.pt/cgi-bin/WebGiae.exe/mapa?codDistrito=11 , conseguimos, com código e password, ter acesso a todos - todos mesmo - os movimentos do cartão bem como consultar outro tipo de informações como refeições, ementas, gastos no bar e em quê, horas de entrada e saída, etc.

Claro que, ao longo destes 4 anos, já tive que comprar 2 segundas vias e pagar 5 euros por cada e pagar os devidos 0, 50 cêntimos pela utilização de um cartão provisõrio. Mas é um descanso não haver dinheiros envolvidos na forma física.

Por serem meninas, temos a vida facilitada pois trazem o cartão numa carteirinha a tira-colo.

 

- Cacifo

Por cá, a reserva de cacifos funciona muito bem. Uma das funcionárias faz o levantamento de todos os alunos daquele cuclo e atribui um por cada aluno, com a possibilidade de irmãos ou amigos poderem partilhar o mesmo cacifo. Não há custos envolvidos. O cacifo atribuído às piolhas fica no mesmo bloco onde têm aulas, pelo que, é muito prático. O único senão é o tamanho incrivelmente reduzido da chave. A primeira coisa que fiz foi mandar fazer 2 cópias e manter a chave original (temos, portanto, 3 chaves) e comprar um porta-chaves que se encontre com facilidade na carteirinha que usam.

 

- Documentação

O PEI (PLano Educativo Individual) já está na escola desde a sua realização e só carece de atualização que pode acontecer em junho do ano a terminar ou em setembro do ano a iniciar.

 

- Ação Social

Funciona de acordo com os escalões do abono e compreende oferta de manuais, transportes, refeições e material escolar em poroprção com que o for atribuído. Por exemplo, o 3º escalão do abono, o mais comum, receber apoio para compra de manuais apenas. Deve entregar-se a fatura dos manuais na secretaria da sede de agrupamento.

 

E como foram estas duas semanas?

Bem, não foram nada más. As piolhas adaptaram-se melhor e mais depressa do que eu à ideia (e do que eu com a idade delas no meu 5º ano) e estão sempre muito bem-dispostas. Sabem o que fazer em caso de furo (falta de um professor) e aproveitam as horas de Apoio ao Estudo para realmente estudar e fazer TPC. Usam e abusam do cacifo com a finalidade que lhe é devida e não têm qualquer problema nas aulas de ED. Física, embora, às vezes, quando as vou buscar as encontre com as sapatilhas do pavilhão nos pés ou as calças que não foram trocadas mas, de resto, já perceberam a questão prática da coisa. Algo que não mudou em 30 anos foi o sistema de aquecimento da água... As piolhas tomam duche se houver água quente ou limpam-se com a toalha se só houver água fria. Não lavam o cabelo na escola. Por vários motivos: ainda estamos a treinar isso, não as quero encharcadas todo o dia, não quero cabeça molhada com cabelos e roupa a pingar durante horas... Não deve trazer saúde nenhuma. 

Os primeiros testes já foram marcados e até temos uma folha-calendário no frigorífico. O contacto com a Diretora de Turma tem sido adequado e todas as minhas dúvidas acerca do apoio de Ed. Especial e da tarefeira respondidas. Ainda estamos em fase de adaptação e conhecimento das pessoas e das capacidades das piolhas pelo que ainda parece tudo um pouco etéreo. Mas o mais importante é elas estarem a gostar e estarem a adaptar-se muito bem.

 

O "problema" das horas de saída e tardes livres resolveu-se com coordenação entre nós pais e a minha irmã, já quem no 2º ciclo, naquela escola, não há serviço de ATL. Consigo ter horário para quase todos os dias as poder ir buscar e levar sem que fiquem tempo extra na escola à espera, sem fazer nada. Claro que tive aqui o meu anjinho da guarda a ajudar-me com o meu horário oficial e os meus miolos a elaborar o meu horário da minha atividade paralela, sempre com o das piolhas por base.

 

All in all, tudo está bem e espero que assim se mantenha. Estamos felizes e é o que interessa.

 

 

 

 

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publicado às 09:46

Vacinas - como nos preparámos

por t2para4, em 29.08.17

Aqui pelo T2 todos nos vacinamos, até os gatos. O que pretendo com este post não é nenhuma discussão pró ou anti vacinação, mas sim, o que nós fizemos até ao dia de hoje, dia em que as piolhas levaram a vacina anti-tétano, que preparação foi feita para que tudo corresse bem ou com o menor imprevisto possível. Assim sendo, comentários extremistas ou fundamentalistas sobre vacinas e insultos não são bem-vindos e serão apagados.

Relembro: este post não é sobre a minha opinião acerca das vacinas

 

Os nossos gatos, Quico e Silvestre, são vacinados todos os anos. E foi por aí que comecei: marquei a consulta + vacinação dos gatos com as piolhas e, no dia marcado, foram elas que os levaram ao veterinário, à vacina. Viram todo o processo, viram que o Quico não se queixou mas o Silvestre já fez um miau sofrido e aproveitei para lhes dizer, logo ali, que este verão, também elas, na consulta dos 10 anos, teriam de levar uma vacina. E que, tal comos gatos, pode doer um bocadinho mas nem se queixarem...

Em casa, aproveitei e expliquei que a vacinação é um processo que faz parte do nosso crescimento e desenvolvimento, desde o nascimento e que a grande marca qe têm nos braços esquerdos são provenientes de uma vacina que levaram com pouquíssimos dias de vida. As vacinas contêm substâncias que ajudam o nosso corpo a precaver-se, a combater ou até a imunizar-se contra determinadas doenças que sem a ajuda da vacina podem ser mortais. Posto isto e que elas entenderam, fomos juntas marcar a consulta. A consulta ficou agendada para daí a um mês e meio. Deu tempo mais do que suficiente para se mentalizarem.

Não menti nunca acerca do processo de vacinação. Disse-lhes que doía mas que, por exemplo, as urtigas com que se picaram na serra ou uma afta na ponta da língua doem mais. Disse-lhes também que, depois de levarem a vacina, iríamos fazer gelos por várias vezes para atuar como anti-inflamatório e que era normal terem uma sensação de dorido. E, disse-lhes ainda que para ajudar a minimizar a dor, tomariam um paracetamol antes de sairmos de casa - que, depois, percebi que deve ser feito depois... Vá-se lá entender... É como o deitar os recém-nascidos, mudam as posições todos os anos.

Juntas, na véspera, fomos ao centro de saúde e pedi para falar com a enfermeira de família e explicar que, uma vez que têm autismo e não faço ideia do que nos espera - o mais certo seria um meltdown ou um grito dos de partir vidros -, o ideal será chegar e vacinar sem grandes explicações nem preâmbulos nem prolongamentos de ansiedades. E que queria apenas, hoje, vacinar contra o tetano e deixar a do cancro do colo do útero para mais tarde - exatamente por não saber qual a reação. Combinadíssimo.

 

Então, hoje, em casa, a minha piolha mais sensorial a nível visual-estomacal (que é como diz, mais sensível de sabores e de vómito fácil), conseguiu, pela 1ª vez tomar um benorun (cápsula pois não se desfaz em grânulos e não tem sabor)! Foi uma festa cá em casa!!!! 1ª conquista!

E, depois de um passeio pela localidade e de um lanchinho na pastelaria, lá estávamos nós à espera da consulta. As piolhas ainda encontraram uma monitora do ATL e ajudou a quebrar a tensão. Chamadas para a enfermagem, a consulta foi igual à do Hospital Pediátrico: pesagem (30kg) e medição (1,38m), medição da tensão arterial (uma novidade das excelentes pois já não há gritos nem fugas  nem pânicos - valores baixinhos mas a sentirem-se bem, 9/5), verificação da dentição, as habituais perguntas acerca da alimentação e desenvolvimento. E as piolhas - nervosas e ansiosas - não se calaram um segundo que fosse, a falar de tudo e de nada, a falar a falar a falar a falar e deu-se a vacina e elas a falar a falar a falar a falar a falar e coloca-se o penso (uma das piolhas ficou feliz até à pontinha do nariz pois adora colar pensos até nas nódoas negras) e elas a falar a falar a falar. Esperámos um pouco para verificar se não havia reações adversas enquanto se preenchiam os caderninhos e a informação no sistema e elas a falar a falar a falar a falar...

E foi assim. Se a alta tolerância à dor - cortesia do nosso amigo autismo - foi aquilo que fez com que isto funcionasse tão bem, agradeço pois eu recordo-me bem do quanto aquilo dói...

 

Dali para a consulta onde falaram e falaram e falaram e falaram e viram o calendário da mesa do médico como se nunca tivessem visto um calendário na vida e falaram e falaram e falarm e fizemos a avaliação clínica e falaram mais um pouco e nós todos maravilhados. 

 

Hoje estou em mim de contente, a rebentar de orgulho, só me apetece falar disto e do bem que correu e do espetáculo de comportamento delas. Tão bom que deixámos a próxima vacina já marcada para as férias do Natal. 

No entretanto, já fizemos gelo e correu maravilhosamente, nem querem a minha ajuda. Relembram quando precisam de colocar gelo e vão dando feedback. Uma queixou-se que doía um pouco e pediu gelo, a outra está na boa.

 

Acho que, depois de termos viajado ao estrangeiro (algo que eu nunca pensei que viesse a acontecer e que foi o grande marco de desenvolvimento que atingimos - fica para outro post), o dia de hoje e o alcançado hoje está no TOP 3, empatado, no mesmo lugar.

Uma pequena dança da vitória para terminar :D

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:29

A vida aqui no T2 é uma sucessão de danças e contradanças. Exemplos? Vamos lá.

 

* as piolhas acordam todos os dias às 7h, sem despertador. Simplesmente acordam. Às vezes, pregam-me um susto do caraças quando me vão dar um beijo à cama, outras vezes fazem de conta que não existo e vão logo tomar o pequeno-almoço (que fazem sozinhas) e brincar. Já eu posso acordar às 7h mas não me levanto às 7h. Não matei ninguém, tenham lá santa paciência.

 

* estamos no mês de férias oficial mas temos feito pequenas fichas de trabalho quase todos os dias. Quando acabaram as aulas deixei passar demasiado tempo até fazer alguma coisa e já nem contar pelos dias faziam em condições e pareciam as mãos de um mágico numa cena qualquer de magia arrebatadora.

 

* tenho lido tanto mas tanto que até me surpreendo. Já tive de ir à biblioteca municipal requisitar livros ou ainda acabava a ler rotulos de champôs e ingredientes de enlatados. No entanto, pediram-me que lesse e analisasse o projeto do Regime Legal de Inclusão Escolar e estive pior que alguns dos meus alunos (e que as piolhas, às vezes): fica para logo; amanhã; ainda há tempo, ohhh eu não quero fazer o TPC... E a acabar por fazer tudo de uma assentada só antes que me passe a vontade.

 

* tenho sido assídua nas redes sociais, escrevo que me desunho a fazer palavras-cruzadas mas fazer um apanhado das minhas ideias ao género resumo parece o equivalente a uma hora de ginásio...

 

* as minhas queixas mais frequentes este mês têm sido algo variável entre o "ahhh, está taaaanto calor" mas "não me tires o lençol que não consigo dormir destapada"; o "ando com a sensação de que passo os dias nas compras, como raio é possível haver sempre algo a faltar em casa, tenho de fazer uma lista" mas "meninas, bora, vamos comprar leite"; o "hoje é para fazermos 3 páginas de fichas de Português e de Matemática" mas, ao ver os exercícios de matemática, "vá, como trabalharam tão bem, vamos apenas fazer 2 páginas de deixamos esta para logo" ou saltar aqueles problemas manhosos que pedem muitas contas; o "ai, tanta claridade, os meus olhos, os meus olhos" mas "raios, tudo tão escuro hoje, anda fogo por aí ou estou a ver mesmo mal?"

 

* não vivo sem as piolhas e estar praticamente em casa com elas desde julho tem sido fantástico e sei que me vai custar horrores em saudades quando chegar setembro mas, às vezes, levam-me a um estado de loucura tal que só lhes rosno que se quiserem ter uma amostra de pais normais cá em casa, espeto com elas no ATL o resto do mês.

 

* a quantidade de roupa que há para lavar/estender/dobrar/passar/arrumar é universalmente e inversamente e impossivelmente oposta àquela que realmente temos. É impossível termos assim tanta roupa, o meu cesto nunca está vazio!

 

* as piolhas já sabem nadar, yay!, já aprenderam até a fazer bombas, yay!, mas "não vos quero aí para tão longe que eu não chego lá (que é como quem diz, não tenho pé e não sei nadar e ainda tenho medo...)" 

 

* os gelados são o novo must have cá do T2... As piolhas pedem gelado logo ao pequeno-almoço. Só não têm é essa sorte...

 

* estou a adorar as minhas férias, este suposto dolce far niente, mas a cabeça não para de pensar nas colocações de professores do final das férias...

 

* adoro agosto, as férias, as folgas, a família, o estar em casa, o não precisar de trabalhar por um mês mas o raio do mês é tãããããããão comprido que parece que estamos em agosto há 3 meses...(ou eu não habituada a férias...)

 

* A pergunta do dia é quase sempre "o que vamos fazer amanhã?". E quase sempre acabamos por fazer algo diferente do planeado. Vamos à praia   vamos à piscina   vamos fazer um picnic   ficamos em casa    logo se vê. 

 

* o fartar de avisar para não fazer zapping na TV quando está demasiado calor para andar na rua mas, na realidade, o que está a dar em direto não presta/já vimos/bah...

 

* o desenhar tanto tanto tanto que nos alagamos em papeis mas nada é para deitar fora!

 

*E, para terminar, às vezes, tal é a rabugice e o cansaço temos o rio-para-não-chorar-ou-choro-porque-não-me-apetece-rir-e-estamos-demasiado-crescidas-para-sestas assim tudo ao mesmo tempo. 

 

 

E é como diz o outro "estou bem aonde eu não estou mas eu só quero ir aonde eu nao vou..."

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:30

Momento ahhhhhh das piolhas #15

por t2para4, em 07.08.17

É verdade que os desenhos das piolhas me habituaram mal e subiram as expectativas em relação a desenhos de outras crianças a um nível indizível mas, ainda assim, apesar da minha habituação, ainda conseguem deslumbrar-me...

 

 

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Eu acho que alguém está a tentar passar uma mensagem eheheheeh 

Todos os detalhes, todos os possíveis cenários, está incrível. Artistas cá do t2...

 

 

 

 

 

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publicado às 18:47

Sim, saímos com as nossas filhas

por t2para4, em 06.08.17

Muitas pessoas me têm indagado e questionado acerca das nossas saídas, em especial, no que toca à questão "piolhas". E a todas eu respondo o mesmo que o marido responde: não faz sentido, nesta fase, sairmos sem elas. Onde nós vamos, elas irão connosco, gostem ou não gostem.

"Ah e tal, mas e não têm fins de semana a sós?": não. Para já, não faz sentido deixá-las algures para comemorar algo encaremos que deva ser comemorado em família. Além disso, quando elas tiverem aí uns 15 ou 16 anos não deverão querer andar com os cotas dos pais para todo o lado e, acreditamos nós, que já possam ficar com os avós sem lhes dar uma carga de trabalhos.

 

"Ah e tal, mas e por que não ficam com os avós?": sim, ficam. Ficam com os avós umas horinhas ou um dia inteiro mas nunca passam a noite por lá para que nós possamos ir a algum lado. Nunca surgiu essa oportunidade, o marido trabalha por turnos, e, para já, não faz sentido. Além disso, quando elas tiverem aí uns 15 ou 16 anos não deverão querer andar com os cotas dos pais para todo o lado.

 

"Ah e tal, como é que consegues que elas fiquem tão sossegadas e se portem bem?": a verdade é que há aqui muito muito muito trabalho, muitos anos de treino e prática. Lembro-me que a primeira médica de desenvolvimento que nos acompanhou nos dizia em agosto de 2010 que em dezembro iríamos conseguir ir a uma área de restauração com elas. E eu pensava que havia de ser dezembro mas sabia-se lá de que ano... Mas há aqui três fatores chave: persistência e resiliência e negociação. Nunca desistimos de as levar a todo mas mesmo todo o lado para que soubessem e conseguissem aprender o saber-estar em diversas situações e espaços diferentes. Inicialmente, levavamo-las nos carrinhos (quando eu saía sozinha, iam num bengala com lugares lado-a-lado - parecia o circo, tudo a olhar - porque era-me impossível usar os meus únicos e insuficientes dois braços para as segurar e trelas nem pensar - opinião do marido. Andámos nisto até quase aos 5 anos, desenvolvi uns músculos dos braços fenomenais) com uma parafernália de brinquedos para que se sentissem acompanhadas por algo familiar, as mãos delas tinham de estar sempre ocupadas. Depois começaram a ficar demasiado crescidas para andarem de brinquedos nas mãos e lá conseguimos negociar com o nosso telemóvel mas só quando se espera ou num local onde seja necessário muito silêncio. Com o passar do tempo e aquele click maravilhoso da maturidade, até isso já se tornou desnecessário.

Passámos por muitas vergonhas, muitos espetáculos deprimentes, muitos apontar de dedo, muitos cochichos, muitos olhares de esguelha e sei eu o que mais; passámos por muitos meltdowns nos momentos e locais mais inapropriados e pensámos que era daquela que nos fechávamos em casa até nos transformarmos em pó... Felizmente, o nosso mau feitio e teimosia não deixaram e levámos nós a melhor.

Agora sofremos da cura: se passarmos um dia num shopping ou numa ala comercial qualquer, mesmo que depois fiquem rabugentas, estamos a dar-lhes a provar o sabor do arco-íris. O que acaba por nos facilitar a vida para outros contextos, como uma sala de espera num hospital ou numa repartição pública. As piolhas já estiveram na véspera de natal na loja do cidadão de Coimbra com gente até ao teto à espera comigo por 3h... E no mês passado, com a avó, nos HUC, devido a um "problema no sistema" mais de 5h (só cedi o telemóvel quando uma delas começou a chorar de frustração, um choro baixinho e doloroso...). Só as sujeito as estas esperas quando não tenho hipótese de as deixar com alguém. Mas não deixam de ser fatores de aprendizagem.

 

"Ah e tal, como fazes?". Sempre que sei que vamos apanhar uma seca algures, vou preparando para o que se avizinha. No dia, reforço os nossos passos e o que faremos e preparo uma mochila com materias básicos de sobrevivência: cadernos, um estojo com lápis, borracha, canetas e afia, pequenos brinquedos do estilo Littlest PetShop ou Shopkins. O telemóvel com acesso à net e o jogo Water Heroes de que tanto gostam só é dado em ultimo recurso. 

Quando vamos de passeio, costumamos deixar que levem os tablets mas só podem usar em pequenas partes da viagem e só no carro (ou no quarto de hotel, por uns minutos, enquanto tomamos banho) e acedo a que levem, para dormir, uns My Little Pony miniatura de peluche. É algo que lhes traz conforto e familiaridade, por isso, para já, nest afase, ainda não me importo e vamos cedendo.

 

"Ah e tal, e elas portam-se bem?", sim, na maioria das vezes, sim. Mas é aí que entra a negociação: se souberem portar-se bem, se não houver birras nem fitas, se não fizerem barulho, no final, quando saírmos podemos... (exemplos: sair para comer um gelado, tomar um café fora, almoçar no Mc Donald's, dar um passeio a pé, comprar um miminho, etc, dependendo da seriedade da espera/da saída/da siuação).

Nem sempre é fácil! Muitas vezes, passo o tempo todo tesa que nem uma tábua, com mil olhos na cara e expressões de aviso que fariam um mimo morrer de inveja e chego ao final do dia cansadíssima. Mas se não for assim, como aprenderão? Se não saírmos, se não nos / as sujeitarmos, como saberão o que fazer? Por isso, vou arriscando. Vamos assricando, gostem os outros ou não. Não é por eles nem para eles que fazemos o que fazemos. As nossas filhas serão pessoas autónomas com uma vida própria e queremos prepará-las o máximo e o melhor que soubermos e conseguirmos.

 

Para já, todas as nossas saídas e planos incluem as piolhas. A curto prazo, estamos a planear conhecer o Algarve de ponta a ponta e fazer a rota da EN2. Com as piolhas, de carro, com planos bem definidos. 

Conhecer a Escócia, viajar para a Irlanda e ocnhecer tudo de lés a lés com mochilas às costas e a pé, ir jantar romanticamente a Paris, fica para depois, para aquela altura em que as piolhas pedirão para ir dormir a casa da tia da tia ou ficar com os avós, para quando andar com os cotas não for cool e terão vergonha de ver a mãe e o paí aos beijinhos eheheeheh (até porque elas não gostam nada de caminhadas nem de dias demasiado cheios de estímulos) Mas levás-las-emos connosco se elas quiserem! Mas será mais fácil negociar, nessa altura.

Até lá, vamos passeando bastante pois, já se sabe, #agentegostaédelaró

 

 

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publicado às 21:07

Sintra, vila encantada

por t2para4, em 05.08.17

Quando fomos a Lisboa ao encontro da Volvo Ocean Race, aproveitámos para ir também a Sintra. 

Sintra é, para nós, especial. Foi, na altura em que casámos, o local onde decidimos passar a lua de mel (não viajámos para fora nem para longe, ficará para um futuro próximo). E ficámos rendidos, apaixonados, maravilhados. Tanto que acabámos por lá regressar no ano seguinte e visitar o que não tínhamos conseguido. 

Quisemos passar esta paixão e este enamoramento às piolhas. E nem precisámos de fazer muito, bastou levá-las. A vila encarregou-se de espalhar a sua magia e de a deixar fazer efeito. Está tudo tão semelhante ao que era há 12 anos mas diferente, ao mesmo tempo. Continua a ter uma luz incrível, mágica, sombras e recantos que parecem saídos de um conto de fadas, uma frescura que não imaginamos noutro local, mesmo com um calor imenso. É Sintra, ponto. 

Costumo dizer que, se alguma vez mudar de casa, será para Sintra histórica ou para uma cidade semelhante a Vigo - com serra e mar, com beleza histórica e com modernidade, tudo conjugado sem chocar.

 

O primeiro stop às piolhas foi na Fonte Mourisca para que vissem a beleza de tudo aquilo e tivessem um pequeno vislumbre do quanto ainda lhes faltava ver. Lanchámos num jardim ali perto e decidimos que iríamos passear para matar saudades e jantar por lá.

 

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Estacionámos e fizemos o percurso até ao centro a pé. Fomos ver o Palácio de Sintra e tirar fotografias. Já se notava, apesar de estarmos em maio, um afluxo enorme de turistas.

As vistas são fenomenais e, apesar do cansaço, foi fácil continuar a (re)conhecer a cidade.

 

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Depois de jantar, fomos para o hotel e decidimos regressar a Sintra depois de visitar Belém. Queríamos mostrar um palácio de princesas às piolhas. Muito sucintamente lá lhes contei a história associada ao palácio e que iriam ver algo maravilhoso e único, uma mistura de épocas como o Romantismo com laivos mouriscos. Foi um antigo convento cuja localização no meio da serra apaixonou o rei-consorte D. Fernando II que se dedicou à sua (re)construção e embelezamento. Mais tarde, passou a ser o local favorito da rainha D. Amélia, principalmente após o regicídio. É possível visitar as áreas de trabalho e lazer por onde passaram vários reis, incluindo D. Carlos e D. Manuel II. A área das cozinhas remete-nos para as cozinhas vitorianas da série televisiva mas com muito mais luz.

O único senão, além das eternas obras (já havia obras há 12 anos), foi o preço. Convencidíssima de que iria beneficiar do facto de ser o 1º domingo do mês e não pagaríamos entrada, fomos informados que tal é só para munícipes; pagámos o bilhete-família que custou a módica quantia de 49 euros. Fiquei sem ar, paralisada, sem saber o que fazer... Enfim. Fiquemos por aqui. Paguei e bufei um bocadinho.

 

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Foi incrível ver as piolhas a identificar as personagens reais, a dizer os nomes dos reis e a deliciarem-se com as fotografias de época das famílias reais. Apesar de estar muita gente, conseguimos fazer uma visita tranquila e calma, com pequenos apontamentos históricos e contextualizados.

 

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Dali ainda fomos aos Jardins da Pena mas o cansaço já era muito e não fizemos o percurso todo. Ficarão para uma próxima, tal como a Quinta da Regaleira, Monserrate e respetivos jardins e o Cabo da Roca. Ainda tentámos lá chegar mas com tantas obras nas vias públicas e desvios manhosos, o GPS entrou em stress e acabámos por mudar de ideias. Regressaremos numa outra altura e veremos o que não conseguimos desta vez.

A Quinta da Regaleira seria maravilhosa de revisitar mas tivemos medo de esticar a corda... As piolhas já estavam a demonstrar sinais de cansaço e a Quinta pede muita caminhada e muita atenção a pormenores que quero contar às piolhas. Ficará para uma próxima.

Não quisémos arriscar o excesso de estímulos. Já tínhamos feito cerca de 8km a pé em Lisboa, mais as voltas a subir até ao Palácio, em Sintra. As piolhas estiveram impecáveis, apenas com uma ou outra rabugice pontual que tentamos ignorar, apelando à oportunidade incrível que estavam a ter e um ou outro suborno de "depois vamos almoçar ao McDonald's ou ao Pizza Hut". Acabou por resultar. E um dia não são dias. 

 

Há 12 anos fomos a Sintra em agosto e, apesar de ser época alta, conseguimos andar descontraidos e com calma, visitámos tudo o que queríamos sem problemas. Desta vez, fomos em maio e pareceu-me haver mais gente, talvez por ser fim de semana de bom tempo, não sei. Ainda assim, não foi tão complicado como pensei e conseguimos fazer o que queríamos, sem perdermos tempo em filas de espera - isso estava fora de questão.

Sintra vale mesmo a pena, em todos os aspetos. É uma vila maravilhosa, linda.

 

 

 

 

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publicado às 10:09

"Sweet children of mine"

por t2para4, em 27.07.17

Passam quase quase 10 anos do nascimento das piolhas. Às 12:42 e às 12:44, as nossas vidas iriam mudar de forma indizível, imparável, imediata - infinitamente. E ainda bem que assim foi.

Como fazem questão de nos relembrar, porque aqui adora-se fazer anos - e um aniversário deveria ser, para elas, motivo de feriado nacional -, passa agora 1 década… ou 10 anos … ou 120 meses… ou 3650 dias… ou 87 600 horas… ou 5256000 minutos… dependendo da unidade de medida escolhida, estaremos muito jovens ou muito velhos... Mas muito felizes.

 

Hoje não quero dizer nada, quero apenas abraçar forte, beijar muito, mimar muito, inspirar os seus perfumes, sentir aquele emaranhado de braços e pernas no meu colo - hoje e sempre. Haverá sempe um colo, sempre espaço para elas.

Quero - queremos - que sejam felizes.

And nothing else matters...

 

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You were born exactly a decade ago. It seems like a long time when a decade is your entire life. When you get to be several decades old, one decade doesn’t seem like so much time.

 

 

 

 

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publicado às 10:04

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