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To go or not to go: as prioridades...

por t2para4, em 20.02.18
Inscrevi-me numa ação de formação com nome pomposo "Diferenciação Pedagógica & do programa às Aprendizagens Essenciais" por me parecer interessante e animadora e com a perspetiva de poder aprender algo para usar nas minhas aulas, com as minhas turmas.
18h30.
Em Coimbra.
As minhas aulas terminam às 18h mas era exequível.
Mas... também é dia de as piolhas irem à piscina... E elas estavam tão entusiasmadas... E, depois, ocorreu-me que amanhã não terei tempo para almoçar (só umas sandes rápidas) pois estarei tão longe de casa a dar aulas para chegar mais cedo a casa depois e as piolhas vêm almoçar a casa, quando eu cá não estou. E eu precisei de agilizar tudo para estar tudo pronto para amanhã. E preparar o saco de Educação Física porque amanhã também começam as aulas de natação.
 
 
E ponderei: no ano letivo anterior fiz imensas ações de formação. As quotas já preenchidas da avaliação de desempenho docente impediram que a minha nota fosse mais alta. As metas obrigam-nos a ir em determinadas direções que não me parecem corretas. Acabei por não aplicar quase nada do que fui aprender porque a minha realidade escolar não o permitiu e porque adoeci e porque não consigo mudar o mundo.
 
E dei prioridade ao que é realmente mais importante: a família.
 
 
Não fui à ação. Não terei Muito Bom ou Excelente na avaliação de desempenho docente. Esta avaliação não conta para absolutamente n-a-d-a (nem progressão, nem contagem de tempo de serviço, nem majoraçao, nem bónus de ordenado, nada, niente, zero, rien)
 
Não fui à ação. Fui ver as minhas filhas nadar na piscina grande, sem pé, sem ajudas quase nenhumas. Fui verificar os últimos retoques de autonomia para que amanhã se saiam bem nos balenários e depois da aula de Ed. Física. E aprendi o que nenhuma ação de formação me pode dar jamais: que só o tempo que dedico e o modelo que tento ser fazem com que as minhas filhas possam aprender o melhor possível e serem o mais autónomas possível.
 
 
E esta é uma tarefa que não posso delegar noutros.
 
 
 

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publicado às 22:00

Tagarelice #57

por t2para4, em 16.02.18

As piolhas têm tido tantas mas tantas saídas tão fantásticas que é quase impossível escrever todas... Até tenho medo de me esquecer porque algumas são dignas de registo.

A linguagem continua a ser uma questão problemáticas para elas. A articulação de determinadas palavras, os sons, os signifucados, a literalidade, as metáforas, etc, etc, etc. Mas, ainda assim, surpreendem. Quando estamos a ler um livro, acabam por perguntar o significado de uma ou outra palavra e até aceitaram bem o não conhecerem ou o não saberem o significado do que possamos estar a dizer. Na maioria da svezes, dizem que não compreendem e perguntam o que quer dizer.

 

Não é segredo nenhum e até é motivo de orgulho que as piolhas quase passam por bilingues. O inglês está-lhes na mente com uma naturalidade espantosa: falam, escrevem, inventam, brincam com os sons, perguntam como se diz esta ou aquela palavra em inglês (mas coisas à séria tipo "cambalhota" ou "inventar" ou "tentativa") mas o oposto também acontece, ou seja, perguntar o que quer dizer esta ou aquela palavra em português.

Há pouco, na sequência de uma música que deram na aula de inglês e lhes ficou na cabeça, perguntava-me uma delas o que queria dizer "earlier" e dizia-me as letras mas como estava sem as visualizar, disse-as na ordem errada. Como eu não estava a ver o que era aquilo, pedi a frase e sai-se ela em inglês perfeito, com entoação e articulação perfeitas, "a few days earlier". Fiquei pasmada. Tenho alunos de 8º ano que não me sabem ler aquilo em condições. 

O reverso da medalha está mesmo nas nossas palavras... "Organizado" soa a "granizado" e "carregar" soa a algo vulgar (imaginem lá, vá)... Estamos em treinos e a terapia da fala continua a ser uma necessidade para elas. 

 

Para já, todas satisfeitas e orgulhosas das suas aquisições, decidiram voltar ao passado e passar a ver os seus programas de tv em... inglês, pois claro (quando eram pequeninas, na impossibilidade de encontrar as versões portuguesas de determinados desenhos animados, costumavam ver em inglês, nas versões originais). Lá foram elas às definições mudar o idioma. E eu estou pasmada. E orgulhosa, claro.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:34

Em degraus e não em linha

por t2para4, em 10.02.18

"Como explica Gomes-Pedro, o desenvolvimento não é feito numa linha, mas em degraus. E a cada degrau há uma desorganização, que permite que ele seja ultrapassado."

 

Entre março e abril, costuma ser uma fase compliacada para as piolhas. Nota-se mesmo que há ali um ajuste qualquer entre aprendizagens, o comportamento está instável, o humor é por momentos, há mais agitação e desorganização, sente-se que elas não esão bem. E, de repente, passa e elas parecem mais maduras, mais crescidas, com aprdendizagens mais cimentadas e "espaço" para novas aprendizagens. 

Não é uma fase muiro fácil e nem sempre conseguimos aperceber-nos do que se está a passar mas, com o passar dos anos, como quase sempre coincide, já estamos em alerta. 

 

A frase acima descreve na perfeição esta fase pela qual as piolhas passam. E, tal como justifica e explica uma situação de passagem para as minhas filhas, muito provavelmente acaba por explicar também outros momentos pelos quais outras crianças passam - com autismo ou sem autismo.

 

 

 

 

 

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publicado às 10:15

O marido atirou uma carta da Unicef para o banco traseiro do carro. Na frente dizia que era uma mensagem urgente e que milhares de crianças estavam em risco. Costumamos receber deste tipo de apelos desde que ajudámos há uns valentes anos. 

Hoje saímos para ir treinar bateria a casa da avó (lembrem-se de que vivemos num apartamento T2) e uma das piolhas encontra o envelope no banco. Ficou absolutamente chocada. E, quase sem voz, recitava o número que lera, que milhares de crianças estavam em risco e que queria ajudar, como poderíamos ajudar, os pais dessas crianças deveriam estar muito preocupados... e estava já de lágrima no olho...

E, nós, (in)sensiveis q.b., lá tentámos dizer-lhe que há muitas formas de ajudarmos mas que, infelizmente, o mundo é mesmo assim: cruel, injusto, desigual. E ela pedia-nos para ajudarmos aquelas crianças. E nós lá lhe respondíamos que as coisas não são assim tão simples mas que podemos começar por valorizar o que temos, respeitar o que temos e que podemos ajudar indiretamente, através de donativos ou de contribuições. Talvez tenha ficado convencida pois já por várias vezes que entregamos roupas ou outros bens a instituições ou tentamos contribuir ajudando causas. 

 

Acho que foi a primeira vez que se apercebeu - e a irmã por acréscimo - que há mais mundo para além do nosso meio e que somos tantas vezes impotentes e que, infelizmente, não podemos mudar o mundo.

Mas podemos ir tentando fazer o mundo de alguém um bocadinho melhor.

 

Hoje, naquele instante, alguém cresceu.

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publicado às 20:35

Usar o secador

por t2para4, em 31.01.18

Cada vez apostamos mais na autonomia das piolhas e no ensinar-lhes coisas que possam ser úteis mais tarde e também motivos de autonomia.

Apesar de o banho estar totalmente autónomo, quem me conhece sabe que sou muito ciente do cabelo das piolhas (ver aqui ), em especial por causa de todos os episódios desagradáveis relacionados com o mesmo, por isso, a ideia de as deixar com um secador nas mãos assustava-me um pouco, confesso. Elas têm um cabelo tão bonito que não queria que se estragasse... Mas secar ao natural no inverno está fora de questão. Logo, mais cedo ou mais tarde, esta questão do uso do secador teria que surgir.

Até que, em conversa com a prima - também mãe de gémeas - ela me sugere fazer o mesmo que faz: uma piolha seca à outra, de cabelo apanhado para não se enrolar no secador, e depois trocam. Tão magnificamente simples.

 

E, assim foi, depois de lhes lavar o cabelo (essa parte ficará para o verão), lá as ensinei a usar o secador, protegi bem o cabelo com spray térmico e dei a indicação de que tinha de ficar bem sequinho. Ensinei também um truque mais eficaz para pentearem o cabelo (que, basicamente, é fazer o mesmo que faz qualquer princesa da Disney: puxá-lo todo para um lado e pentear, depois trocar). Correu muitíssimo bem. E ambas se entreajudam sem dificuldades e acham imensa piada. Só não acham piada nenhuma ao facto de demorar... A mim aliviam-me de mais uma tarefa que me ocupava imenso tempo. A elas, a tarefa aparentemente simples mostra que são capazes de fazer cada vez mais coisas e sozinhas.

 

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Hoje, foi a vez de ensinar a secar o cabelo com a toalha, antes do uso do secador. Não correu mal mas ainda temos de treinar essa parte mais vezes. 

E, pouco a pouco, lá chegaremos. 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:50

No rescaldo do que é a felicidade...

por t2para4, em 18.01.18

... é, ler isto, depois de apresentados os trabalhos. Uma frase escrita pela piolha - semelhante à da irmã -, elabvorada sem ajudas, nem sequer para as questões sintáticas e gramaticais.

 

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E, pronto, é isto. (baba, muita baba...)

 

 

 

 

 

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publicado às 18:55

A felicidade nas pequenas coisas

por t2para4, em 17.01.18

A pedido, as piolhas estão inscritas e a frequentar uma atividade extra oferecida pela escola, o Clube de Etwinning (informações aqui). Fazem imensas coisas no computador e em inglês - duas áreas fortes das piolhas.

 

No Natal, trouxeram para casa uns textos em inglês de correspondentes de outros países, ao género, penfriend, e elaboraram postais de Natal para promoção da escola. Por regra, tudo o que precisam de fazer, é feito nesse horário, na escola.

No entanto, esta semana, uma das piolhas disse-me que recisava de umas imagens de iogurtes e praia e uma foto minha. Não percebi bem mas anuí ajudá-la. Disseram-me que era para o etwinning. Este mês, andam de volta do tema "felicidade". Como não se explicaram muito bem, lá investiguei junto de colegas e percebi o que precisam.  Portanto, em forma de imagem ou video, devem responder às questões: What does happiness look like? What does happiness smell like? What does happiness taste like? What does happiness sound like? (Com que se parece a felicidade, a que cheira, a que sabe, a que soa). 

Já munida destas informações, a piolha lá me disse que, para ela a felicidade cheira a iogurte, sabe a chocolate branco, soa a praia e parece-se com... a mãe, por isso, precisa de uma foto minha. 

Fiquei tão feliz e tão orgulhosa. Se a minha filha acha que a felicidade é ser algo parecido comigo, então, ando a fazer alguma coisa certa. Mesmo com tantas adversidades e contratempos. 

E depois pensei um pouco nas restantes respostas: iogurte, chocolate branco e praia... Tudo tão simples, tão verdadeiro, tão singelo... Não há dúvida nenhuma de que valorizamos mesmo as pequenas coisas, os pequenos nadas, aquilo que realmente nos deixa felizes.

 

E isso é fantástico. 

 

 

 

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publicado às 14:18

Um marco, um cargo, uma responsabilidade

por t2para4, em 04.10.17

Uma das piolhas concorreu para delegada de turma; a outra não quis saber de "politiquices" e pôs-se ao fresco. durante dias, lá em casa, ouviu-se muitas vezes a expressão "eleições" e "delegado de turma".

Antecipando-me, talvez erradamente, ao que são os miúdos numa sala de aula e às suas preferências eleitorais - leia-se, o melhor amigo ou o amigo mais fixe ou aquele mais cool da turma -, fui avisando a piolha que, se não ganhasse, para não ficar triste nem desiludida, que ser delegado de turma era uma grande responsabilidade e uma carga de trabalhos, que eu já tinha tido essa experiência e tive muitas coisas para fazer, etc. Na verdade, o que eu queria mesmo era que, saídos os resultados da votação, ela não estranhasse se algo não corresse tão bem.

Não sabia que havia "campanha" para fazerem. As piolhas não disseram nada e a diretora de turma também não. Foi um choque para mim - juro que até me tirou o sono - quando a piolha disse que tinha feito um discurso... Imaginei logo uma coisa à Sheldon ou à Raj da "Teoria do Big Bang" - ou seja, algo descontextualizado, muito no seu universo de entendimento, com todos os interlocutores de boca aberta a tentar perceber dali o sentido, vá, vejam dois ou três episódios da série e perceberão o que quero dizer. Ela estava tão otimista e contente e interessada e lisonjeada com a sua forma de chegar aos colegas que não me atrevi a dizer nada, apenas um "podíamos ter preparado um powerpoint ou um cartaz, com os teus colegas". Não faço ideia do teor do discurso.

Hoje contou-me, toda feliz - e a irmã também, já que lhe tinha garantido o voto - que não ganhara a eleição de delegada de turma mas ficara com o cargo de sub-delegada. Depois de a parabenizar, lá lhe disse que teria agora mais responsabilidades e que seria uma espécie de assistente da delegada de turma. O seu discurso algum efeito provocou na turma e alguma confiança inspirou. 

 

A minha partilha deste momento só tem a ver com o nível de desenvolvimento que ela conseguiu alcançar com este feito: não teve qualquer vergonha em improvisar um discurso em frente a uma audiência - ainda que aposte que não tenha feito contacto ocular ou mantido fiel a uma linha condutora de pensamento -, lutou por algo que gostaria de conseguir ter, reagiu bem à derrota e assumiu uma nova responsabilidade. Como será depois, logo se verá e se organizará. Este é um marco  - milestone, em inglês - que nunca pensei que alcançassem e vale o que vale mas, pela primeira vez, vejo uma das piolhas a ser escolhida em relação a outros pares e a ser encarada como uma semelhante - ainda que continue a manifestar falhas nas suas competências sociais, ainda que, por vezes, se alheie e se manifeste de forma "estranha" aos olhos de terceiros, ainda que as suas competências linguísticas e a sua compreensão da linguagem sejam um problema. Ela ousou e conseguiu.

E isto é priceless.

 

 

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publicado às 14:28

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