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Fim de semana fora - Belém - parte 2

por t2para4, em 23.05.17

Ora, continuando a nossa experiência de um fim de semana fora. O tempo para escrever não abunda e, infelizmente, ainda não descobri uma forma de passar todos os meus posts mentais para o blog. Vamos à parte 2.

 

Logo depois do evento Volvo Ocean Race, fomos a Sintra matar saudades, ainda que por uns breves momentos, e acabámos por lanchar e jantar por lá. Uma visita à séria ficou mentalmente agendada para depois. Recapitulámos o que tínhamos planeado em casa:

- passaríamos a noite no hotel (ficámos no Holiday Inn Express Lisbon – Oeiras que reservámos através do site amoma, a um preço super convidativo, com pequeno-almoço incluído. Condições incríveis, higiene e limpeza fantásticas, ambiente muito calmo e tranquilo. Falando com as piolhas sobre tudo isto, para elas, foi o máximo dormir num quarto de hotel e ter um pequeno-almoço tão variado com tabuleiros na mesa).

- aproveitaríamos para visitar os monumentos na zona de Belém de forma gratuita, visto ser o 1º domingo do mês, mas tentaríamos evitar o tempo de espera em filas ou em locais que não dissessem muito às piolhas.

- tentaríamos estacionar numa zona relativamente segura e próxima da área que pretendíamos visitar e almoçaríamos por lá.

 

No domingo, acordámos cedo com miminhos das piolhas por ser dia da mãe e, pela 1ª vez, vimos que havia pouco trânsito eheheheh nem parecia Lisboa. Chegámos a Belém pelas 8h45, estacionámos no parque ao lado do Monumento ao Combatente e preparámo-nos para visitar o máximo possível a pé.

A 1ª paragem foi em passagem pelo Monumento em si, a que apenas aludi que homenageava todos os soldados portugueses mortos em combate ou funções militares e expliquei que a maioria das placas com nomes e nomes quase sem fim se referia à guerra do Ultramar (o nosso Vietnam, por assim dizer). Não quisemos entrar em muitos pormenores pois esse conteúdo será mais tarde abordado na escola. Referi a importância do respeito pelos locais onde passávamos: tirar fotos e selfies é fantástico e sou totalmente a favor mas desrespeitar túmulos ou invadir áreas fechadas ou interditas é, além de proibido, de uma desconsideração e desrespeito atroz. Vimos gente a tirar fotos em cima do túmulo do soldado desconhecido para ficarem bem ao lado da chama ou em janelas do Palácio da Pena. Visitar sim, respeitar sempre.

 

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Próximo foi a Torre de Belém que nos maravilhou novamente. O Tejo estava em maré baixa, havia um cheirinho fantástico a maresia, não se via ninguém por ali (à exceção de algumas pessoas a correr). Vimos tudo o que conseguimos por fora, analisámos a miniatura e até percebemos a sua importância na saída das naus pela altura dos Descobrimentos.

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Dali, depois de vermos o avião alusivo à 1ª travessia aérea do Atlântico Sul por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, avançámos para o Padrão dos Descobrimentos, sempre à beira rio, a ver entrar um navio-cruzeiro e passarem os rebocadores, os veleiros, as lanchas. Lá, vimos as figuras em relevo nas laterais do monumento, o desenho do monumento em si, a espada que “segura” tudo e as piolhas correram pela roda dos ventos a identificar os pontos cardeais de que se lembravam.

 

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Atravessámos a rua, pelo túnel, em direção aos Jerónimos, mas não deu para irmos pelos jardins centrais por causa de um evento, mas fomos pelos laterais e ainda vimos patinhos bebés. No Mosteiro dos Jerónimos já havia filas intermináveis e ainda não eram 10 horas. Vimos o exterior e ponderávamos seguir, mas reparámos que a entrada para a Igreja/Panteão estava sem pessoas. Vimos os túmulos de Luís de Camões e de Vasco da Gama, que as piolhas identificaram logo, e a beleza da pedra trabalhada com elementos a lembrar o mar e a natureza. Mesmo na penumbra, é sempre deslumbrante.

 

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Próxima paragem quem adivinha? Pois claro! Ali na zona, tinha mesmo de ser no belo do pastel de Belém! E foi! Mais um deslumbre das piolhas naquela fábrica com ar de café que afinal é um autêntico mundo de salas.

 

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Fomos para o MAAT pelo jardim. Ainda fomos abordados por uma senhora idosa cigana que nos queria ler a sina e afiançou logo que estávamos carregadinhos de inveja. Sorrimos perante o óbvio, mas recusámos, apesar da simpatia (e do desconto do preço que nos fazia) da senhora. Deu para as piolhas ficarem a conhecer a residência oficial do Presidente da República e acharem o máximo ele viver mesmo lá.  Na direção oposta à caminhada que encontrámos (algo relacionado com a Dona Estefânia e que associei a maternidade e ao dia da mãe), caminhámos à beira-rio até ao MAAT, passando pelo Museu da EDP. Que vistas deslumbrantes! E o Tejo tão lindo, toda aquela luz… Lisboa é uma cidade extremamente luminosa que parece sempre tão jovem.

 

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Não avançámos mais e decidimos adiar uma visita ao Aquário Vasco da Gama para uma próxima – por causa do estacionamento. Voltámos para trás sempre à beira-rio, a aproveitar toda aquela luz e sol e maresia. Eu aproveitei para rever alguns dos monumentos e as piolhas para os conhecer – ainda que fosse só pelo exterior. Mais tarde, numa altura menos movimentada e com menos calor, faremos o mesmo percurso, mas a visitar o seu interior e até alargar para o Museu de Marinha, Museu dos Coches e afins.

 

Chegámos cansados ao carro mas com aquele cansaço bom de quem gostou do que fez e viu. E decidimos, sem mais nem menos, regressar a Sintra.

 

 

 

 

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publicado às 11:17

Se, na Faculdade, em vez das secas descomunais que apanhei em Psicologia Educacional a falarmos de estágios de desenvolvimento que em nada de refletem ou aplicam na escola, tivessemos falado de coisas bem mais úteis e destas matérias, eu teria sido uma gaja muito mais informada e atenta. E, provavelmente, não teria chumbado à cadeira e ter que a repetir na época especial - mas isto já são os maus fígados a falar.

 

Adiante. Contra mim falo, a mim me atinjo em parte pois também tenho que obedecer - ainda que em parte - ao sistema. Tento sempre fazer algo diferente, algo que promova a aprendizagem através de outras vias, algo que fique na lembranças dos miúdos - e graúdos - que os possa ajudar na utilização de um conteúdo na vida real. Mas, confesso que, nos moldes atuais, a avaliação tão formal é algo que me dá imenso trabalho - a preparar e a fazer e a sentir-me injusta, em muitas situações, que não me permite muita flexibilidade, que não me deixa fazer algo diferente para cada aluno. E que me dá ainda mais que fazer quando tenho de preparar as piolhas para isso... Porque com ou sem necessidades especiais, há sempre - sempre - avaliação... Formal. Da que se converte em percentagens e usa números. E nem sequer vou dar a minha opinião acerca dos quadros de mérito ou rankings, pelo bem da minha sanidade mental e dos meus nervos.

 

Não sou eu quem manda, eu não governo nem faço escola em gabinetes... Mas sei com o que lido.

 

 

Noam Chomsky on the Dangers of Standardized Testing

“The assessment itself is completely artificial. It’s not ranking teachers in accordance with their ability to help develop children who will reach their potential, explore their creative interests. Those things you’re not testing.. it’s a rank that’s mostly meaningless. And the very ranking itself is harmful. It’s turning us into individuals who devote our lives to achieving a rank. Not into doing things that are valuable and important.”

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The following is a partial transcript for an interview with Noam Chomsky uploaded to youtube by The Progressive Magazine.

 

“You take what is happening in education. Right now, in recent years, there’s a strong tendency to require assessment of children and teachers so that you have to teach to tests. And the test determines what happens to the child and what happens to the teacher.

 

That’s guaranteed to destroy any meaningful educational process. It means the teacher cannot be creative, imaginative, pay attention to individual students’ needs. The student can’t pursue things, maybe some kid is interested in something, can’t do it because you got to memorize something for this test tomorrow. And the teacher’s future depends on it, as well as the student.

 

The people sitting in the offices, the bureaucrats designing this, they’re not evil people, but they’re working within a system of ideology and doctrines that turns what they’re doing into something extremely harmful.

 

First of all, you don’t have to assess people all the time… People don’t have to be ranked in terms of some artificial [standards]. The assessment itself is completely artificial. It’s not ranking teachers in accordance with their ability to help develop children who will reach their potential, explore their creative interests. Those things you’re not testing.

 

So you are giving some kind of a rank, but it’s a rank that’s mostly meaningless. And the very ranking itself is harmful. It’s turning us into individuals who devote our lives to achieving a rank. Not into doing things that are valuable and important.

 

It’s highly destructive at the lower grades. This is elementary education, so you are training kids this way. And it’s very harmful. I could see it with my own children.

 

When my own kids were in elementary school, at a good quality suburban school, by the time they were in third grade they were dividing up their kids into dumb and smart. You’re dumb if you’re lower tracked, smart if you’re upper tracked.

 

Think of what that does to the children. It doesn’t matter where they’re tracked, the children take it seriously… If you’re caught up in that it’s just extremely harmful. It has nothing to do with education.

 

Education is developing your own potential and creativity. Maybe you’re not going to do well in school and you’ll do great in art. That’s fine. What’s wrong with that? It’s another way of living a fulfilling wonderful life, and one that is significant for other people as well as yourself.

 

The whole idea [of ranking] is harmful in itself. It’s kind of a system of creating something called “economic man.” There’s a concept of economic man, which is in economics literature. Economic man is somebody who rationally calculates how to improve his own status (and status basically means wealth).

 

So you rationally calculate what kinds of choices you should make to increase your wealth, and you don’t pay attention to anything else. Maximize the number of goods you have, cause that is what you can measure. If you do that properly, you are a rational person making informed judgments. You can improve your “human capital,” what you can sell on the market.

 

What kind of human being is that? Is that the kind of human being you want to create? All of these mechanisms- testing, assessing, evaluating, measuring- they force people to develop those characteristics… These ideas and concepts have consequences…”

 

~Noam Chomsky~

 

 

in https://creativesystemsthinking.wordpress.com/2015/02/21/noam-chomsky-on-the-dangers-of-standardized-testing/

 

 

 

 

 

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publicado às 13:26

A história da girafa (e do abutre)

por t2para4, em 19.12.16

Estamos de "férias" e fomos trabalhar em terapia da fala. Entre outras questões, a certa altura, trabalhámos a interpretação e compreensão de contextos com uma história - noutra língua que não inglês ou francês, porque as piolhas leem logo e perde-se o objetivo da nossa abordagem - sobre uma girafa. O objetivo era tratar a história cruamente: personagens, cenário, problema, ações, resolução. Não era interpretar nem encontrar outros sentidos nem era esse o objetivo, repito.

 

"Era uma vez uma girafa tão alta tão alta tão alta que nem cabia no livro... Os outros animais da selva, como o leão e os seus compinchas macaco, zebra e crocodilo, riam e gozavam com ela por ser assim, tão alta e tão grande. E a girafa sentia-se triste, deslocada e humilhada. Resolveu encontrar novos amigos que a aceitassem como ela é. E encontrou animais raros e especiais como ela: o porco-espinho, o papa-formigas, a lebre-do-cabo. Inicialmente tudo correu bem pois tinham a particularidade de serem especiais mas não sabiam lidar uns com os outros e a girafa, tão alta que era, era muito desastrada para as brincadeiras dos outros animais e acabava por se afastar e ficar apenas a ver. Até que um dia, a jogar a bola, esta foi parar ao cimo de uma árvore e a girafa percebeu logo que poderia ajudar. Encontrou algo em que era boa! Devolveu a bola aos amigos e foram todos jogar e ver o pôr-do-sol. Fim"

 

Sou de Letras. Tive alguns dos melhores professores de Literatura do país. Tive de marrar textos e textos sem conta, de várias línguas e origens, alguns até de orige indo-americana ou criola. Chumbei a Psicologia Educacional 3 vezes com 9 e acabei depois a cadeira com 15. Eu tenho uma interpretação muito própria deste texto, independentemente do seu objetivo.

Dado o meu humor hoje - que até começou muito bem, a sério! - o que eu vi neste texto foi uma ingenuidade atroz que eu não vejo em lado nenhum e basicamente a minha adolescência - de forma literal: a gaja muito alta e desastrada que só era boa para ir ao ressalto em basket nas aulas de educação física, as piolhas na forma de animais especiais gozados e afastados pelos outros animais da selva, que se sentem um pouco com isso mas nem entendem bem o que isso é; o final a que nos prestamos: aparentemente eu só sou boa a tirar coisas de coisas altas, as piolhas só são boas a serem especiais - seja lá o que essa "designação" queira dizer.

 

O meu querido terapeuta do coração já não faz parte da equipa... faltam técnicos com experiência e aquele empenho que faz brilhar os olhos, aquela vontade única de querer ajudar quem (cor)responde... falta-me tempo para poder ensinar - sim, é mesmo esse o termo, "ensinar" - todas as particularidades de uma língua e de uma linguagem que a todos os outros é inata, subdesenvolvida, desvalorizada e desperdiçada... doi-me ter que trabalhar todos os dias, sempre, qualquer coisa, seja de que conteúdo ou currículo for e não poder dar-me ao luxo de parar de treinar porque há retrocessos e ainda me chaparem à cara que "estamos de férias e não fazemos nada"... enoja-me (sim, também esse o termo) a escola (de forma geral) não ter tempo (ou não querer) para usar estas abordagens novas que fazemos nas sessões de terapia e que tão bem fazem às piolhas e ao seu entendimento linguístico (seja em que forma for: escrito, oral)... está para além da minha compreensão, por questões ridículas e burocráticas, estas novas abordagens não poderem ser mais do que um determinado nº de horas por determinado nº de tempo... 

 

Sinto-me a girafa alta demais para caber no livro, a ser gozada pelo resto dos animais (leia-se "sociedade, comunidade, whatever"), a tentar arranjar um grupo "especial" que aceite as minhas particularidades e as dos meus. E chateia-me ser a girafa. Não posso ser a chita mas, de repente, honestamente, a minha vontade é mesmo ser o abutre. E, lá do alto, voar em círculos e ver a decadência e o moribundo e, depois, calmamente e com os meus, atacar. Chama-se a isso "karma". Há quem lhe chame cabra, eu prefiro chamar-lhe abutre. Sabem porquê? Por isto : https://pt.wikipedia.org/wiki/Abutre , porque eles não atacam à toa, porque não desperdiçam energia com o que não conseguem ganhar, porque eles não são os maus da selva, porque eles não voam sozinhos e porque, acima de tudo, são pacientes. Muito pacientes. E no Livro da Selva, até eles salvam o Mogli. De quem? Do tigre... Interessante, não?

 

 

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publicado às 19:31

Está muito bem escrito e interessante. Não vou opinar sobre o assunto, não hoje e não nos próximos tempos por tantos tantos tantos motivos, quer pessoais quer profissionais. Ainda estou na digestão do DL 3 e do que há/não há, entra/não entra, faz/não faz cá em casa. Imagine-se na escola - e tenho de lidar com ele todos os dias. Todos.

Por isso, fica apenas a leitura recomendada. Do artigo e do decreto.

 

in http://www.comregras.com/1-2-3-sim-explico-outra-vez/ 

 

 

Um dos primeiros textos que aqui publiquei foi com intuito de dar a conhecer qual o trabalho de um professor de Educação Especial, apontando a sua área de intervenção e esclarecendo alguns equívocos.

Mesmo com a discussão em fóruns, conferências, ações de formação, tertúlias e encontros o enquadramento do Decreto-Lei 3/2008, na gíria, “o 3”, continua perpetuado pela confusão do que é exatamente? Quem é enquadrável nesta legislação? Do que se trata?  Para quem é e quem coordena o quê? Muitas destas falhas prendem-se com um diferente modus operandi em cada escola sendo comum ouvir frases como:  “Mas era assim que se fazia na outra escola”. O que é, é o que está escrito na legislação e muitos dos elementos da escola, que se auto denominam a favor da inclusão, ainda não leram o documento na sua íntegra, ou se leram falharam na sua interpretação.

Vamos lá ajudar a esclarecer alguns pontos que são ainda alguns equívocos no seio da escola, tentando cingir-me a questões chave, mas que ainda são pontos pouco claros no quotidiano escolar.

 

O que é o Decreto Lei 3/2008?

“O presente decreto-lei define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos sectores público, particular e cooperativo, visando a criação de condições para a adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com limitações significativas ao nível da atividade e da participação num ou vários domínios de vida(…)”(Ponto 1 do Artigo 1º do Decreto Lei 3/2008 de 7 de Janeiro)

O Decreto-lei 3/2008 não serve para fazer transitar alunos com dificuldades; não serve somente para permitir que os alunos possam usufruir de outros apoios gratuitamente; não serve para os segregar. Serve para ajudar a estabelecer um ponto de partida que o coloque o mais possível em igualdade de circunstâncias.

 

Quem referencia e o que é necessário neste processo de referenciação?

 “A referenciação efetua-se por iniciativa dos pais ou encarregados de educação, dos serviços de intervenção precoce, dos docentes ou de outros técnicos ou serviços que intervêm com a criança ou jovem ou que tenham conhecimento da eventual existência de necessidades educativas especiais.” (Ponto 2 do Artigo 5º do Decreto Lei 3/2008 de 7 de Janeiro)

A referenciação é feita aos órgãos de administração e gestão das escolas ou agrupamentos de escolas da área da residência(…)” (Ponto 3 do Artigo 5º do Decreto Lei 3/2008 de 7 de Janeiro)

É feita através do preenchimento de um documento – ficha de referenciação – no qual se regista o motivo da referenciação, informações sumárias sobre a criança ou jovem e se anexa toda a documentação que se considere relevante para o processo de avaliação. Só com a entrega desta ficha de referenciação e todos os elementos necessários para o processo é que será realizada a avaliação do aluno e o seu relatório técnico pedagógico que justifica as razões para a sua elegibilidade ou não ao abrigo do Decreto-Lei 3/2008.

O Departamento de Educação Especial não avalia alunos sem o processo de referenciação completo, nem recebe referenciações diretamente.

Quem elabora o Programa Educativo Individual (PEI)?

“Na educação pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico, o programa educativo individual é elaborado, conjunta e obrigatoriamente, pelo docente do grupo ou turma, pelo docente de educação especial, pelos encarregados de educação e sempre que se considere necessário, pelos serviços referidos na alínea a) do n.º 1 e no n.º 2 do artigo 6.º, sendo submetido à aprovação do conselho pedagógico e homologado pelo conselho executivo.” (Ponto 1 do Artigo 10º do Decreto Lei 3/2008 de 7 de Janeiro)

O PEI não é responsabilidade única do Professor de Educação Especial.

 

Quem é o coordenador do PEI e suas funções?

“O coordenador do programa educativo individual é o educador de infância, o professor do 1.º ciclo ou o director de turma, a quem esteja atribuído o grupo ou a turma que o aluno integra.” (Ponto 1 do Artigo 11º do Decreto Lei 3/2008 de 7 de Janeiro)

A coordenação do PEI é feita pelo responsável da turma tendo o Professor de Educação Especial como aliado.

 

Qual o papel do Professor de Educação Especial?

“Solicitar ao departamento de educação especial a determinação dos apoios especializados, das adequações do processo de ensino e de aprendizagem de que o aluno deva beneficiar e das tecnologias de apoio.” (alínea b) do ponto 1 do Artigoº 6 do Decreto Lei 3/2008 de 7 de janeiro)

É da competência da Educação Especial decidir, mediante avaliação especializada, se é um aluno enquadrável no estipulado na legislação e não sendo, indicar (expresso no relatório técnico pedagógico) que outros apoios necessários deve o aluno beneficiar; encontrar as ferramentas mais indicadas e com rigor para ajudar o aluno a atingir as metas trabalhando em conjunto com os professores e individualmente com o aluno.  É o aliado para discutir, planear e orientar a intervenção mais adequada. Tem um papel fundamental para explicitar à comunidade escolar o enquadramento legal e a filosofia subjacente nas necessidades educativas especiais.

 

É importante também reter que:

O Departamento de Educação Especial não atende meninos que não estejam enquadrados no Decreto Lei 3/2008 ; não dá explicações de matérias;  não é espaço para mandar meninos mal comportados,  nem uma sala de estudo para fazer trabalhos que não terminou ou realizar testes (este último ponto pode acontecer pontualmente). Um professor de Educação Especial trabalha competências, não conteúdos.

E por último, os alunos com Necessidades Educativas Especiais são da responsabilidade de todos enquanto atores sociais. Fazem parte da escola e não única e exclusivamente do Departamento de Educação Especial.

 

Essencial consultar:

http://www.inr.pt/bibliopac/diplomas/dl_3_2008.htm

http://www.dge.mec.pt/perguntas-sobre-o-dl-no-32008-7-janeiro

Maria Joana Almeida

Professora de Educação Especial e autora do blog pedimos gomas como resgate

 

 

 

 

 

 

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publicado às 20:37

A minha maioridade atingiu a maioridade

por t2para4, em 06.10.16

Há 18 anos, a início de outubro, fazia 18 anos.

Há 18 anos, entrava na Universidade, na Faculdade de Letras, onde eu sempre quis estudar. 

 

Depois das minhas dúvidas fashionistas wannabe acerca de camisas brancas e de me ter decidido a vestir e reanimar a minha velhinha de idade camisa do traje académico, eis que, no feriado, nos encaminhamos para a alta de Coimbra e vamos até à zona das faculdades. Depois de um passeio e fotos pelo Botânico, seguimos para cima e calhou bem. Calhou bem porque vimos uma pequena tuna atuar - embora os turistas não estivessem para aí virados e a única parvinha a bater palmas e a sorrir de saudade fosse eu -, as piolhas puderem sentir in loco um pouco da boa tradição coimbrã e estar num local onde os pais passaram tantos anos das suas vidas (mais o pai que a mãe...).

 

Foi estranho - é sempre estranho para mim - regressar - ainda que só nos degraus, desta feita não precisei de entrar - à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Passei ali os anos mais miseráveis mas também os mais felizes da minha vida pré-piolhas. E, se por um lado, bate aquela saudade tão tipicamente coimbrã, tão estudantil, tão nossa, por outro lado, custa olhar para trás e apercebermo-nos que, afinal, o caminho árduo só começara ali e tanto e tão mais ainda nos esperava...

 

Há 18 anos não fazia a mínima ideia de como seria a minha vida hoje. Se mo tivessem dito, no género, "vim do futuro e sou o teu eu", não teria acreditado. Minimamente. Nem conceberia jamais que seria possível sobreviver a tantas provações e ainda sair fortalecido de tudo isso. 

Há 18 anos, senti que a melhor prenda de aniversário que poderia ter recebido tinha sido o entrar na Faculdade que sempre quis, na Universidade com que sempre sonhei, sem perder nenhum ano (ainda que tenha entrado na 2ª fase)- como se isso me fosse dar algum Prémio Nobel, mas enfim... 

18 anos depois, o dia não poderia ter corrido pior (desde baterem-me no carro logo de manhã a acabar o dia com uma crise  por causa da minha amiga escoliose lombar), o que deu em eu adiar por uns dias a suposta celebração do meu aniversário. Coincidiu com o nosso passeio e com o passar de quase 2 décadas, em frente à FLUC.

18 anos depois, as piolhas sorriem com a ideia de que a mãe estudou ali para ser professora mas respondeu "não" à pergunta "querem vir para aqui estudar um dia?" (smart girls ;) ) e tiram fotos felizes.

18 anos depois sinto que cresci muito, muito depressa, que o tempo passou muito - demasiado! - depressa, que sou e me sinto uma outra pessoa. Mais feliz, mais resolvida com a vida, menos deprimida, mais completa. Ainda assim, com saudade... Aquela saudade que a Estudantina diz no Eferreá "ahhhhh, saudade" em voz arrastada...

 

Apesar de tudo, 18 anos depois, volto a estar de parabéns. Não reentrei na universidade mas aprendi muito com a universidade e é graças a ela que faço o que faço, com toda a paixaão e entrega.

 

18 anos, volto a estar de parabéns. Porque, afinal, também faço anos. Atingi a tal maioridade da maioridade.

 

 

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publicado às 22:21

Tagarelice #53

por t2para4, em 30.09.16

Perguntava-me a piolha sobre o feriado da Restauração da Independência.

- Queres a versão longa ou a versão curta?

- A curta.

- Éramos todos espanhóis até que um dia decidimos que já chegava e passámos a ser portugueses de novo. Acabou-se o domínio espanhol. Fim.

 

Depois apercebi-me que baralharam os feriados e lá lhes expliquei que no dia 5 de outubro é a comemoração da Implantação da República. Mais uma vez, a versão curta a explicar os acontecimentos:

- Antes havia um regime de monarquia com reis e tronos para herdar. Em 1910, a população cansou-se e acabou com os reis. Passou a haver Presidentes da República, eleitos por votos (como se faz com os delegados de turma).

 

 

Eu sei que vão aprender isto tudo na escola mas não quis alongar-me em detalhes, à hora de saída da escola, a entrar para o carro. Ficam apenas com uma pequena visão da situação. Depois, estudamos as coisas com a devida seriedade e detalhe. O importante é que perceberam o que ficou para a História, ainda que muito muito muito sucintamente: o retorno da independência de um país (celebrado em dezembro) e a mudança de regimes governativos (celebrado em outubro).

 

 

 

 

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publicado às 20:55

Ora, vamos lá, então.

por t2para4, em 04.09.16

Como se dizia há uns anos, "amanhã é dia de pica o boi".

Os últimos dias foram de preparação de materiais, compras, reposição de stocks de café e chá preto (vá, e águas, pão, iogurtes, frutas - todas aquelas coisas necessárias para lanches - das crianças e da mãe), escolha de lancheiras (incluindo para mim), seleção de manuais para minha consulta, organização de pastas, etc. E verificação de roupas e calçado e chapeus e afins. 

 

As piolhas estão num misto de emoções. Se, por um lado, estão desejosas de voltar à escola para estarem com os colegas e começar a corrigir os trabalhos e usar os novos materiais, por outro lado, desesperam por causa do tempo de férias que está a acabar e querem mais, pois claro. Tal como eu, são miúdas que se dão bem com a boa vida pois claro.

 

Portanto, lá começamos, devagarinho, a entrar em rotinas, ainda que custe um pouquinho nos primeiros dias. Depois, as coisas encarreiram-se e tudo se torna mais simples. Não ajuda muito à planificação mental de regresso ainda estarem temperaturas estivais e noites super agradáveis mas aproveitam-se estes momentos de outra forma, afinal ainda vamos manter os fins de semana livres. E, como não somos o Phineas nem o Ferb, cujos 104 dias de férias parecem mais 366 dias de férias, 'bora lá entrar no ritmo e voltar ao trabalho. Vai correr bem ;)

 

 

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publicado às 22:41

Confia, vai correr bem

por t2para4, em 01.09.16

Deixei-me de resoluções, quer sejam em setembro quer em janeiro. Este ano tem vindo a surpreender-me em tantos tantos tantos aspetos, desde janeiro e nem sempre pelas melhores razões, que é quase impossível cumprir uma resolução planeada. O que não é impossível, bem pelo contrário, é mantermo-nos fieis a nós mesmos, esperar, acreditar e confiar. Porque great things happen to those who wait.

 

Estou feliz. Ao fim de 5 anos, apesar das contrapartidas, consegui alcançar uma estabilidade profissional - ainda que temporária - que já não conhecia. E, como peças de uma engrenagem onde se veem as rodas dentadas a encaixar na perfeição e a colocar o mecanismo em funcionamento, sinto que as coisas seguem essa via: as piolhas estão numa fase de maturidade e adaptação que já me permitem poder arriscar algo um pouquinho maior. Que é benéfico para todos. E elas percebem que é bom para todos e não se coibem de dizer "a mãe trabalha numa escola nova". 

 

Nunca escondi nem alterei as minhas decisões e opções desde o momento em que decidi constituir família. Não faz sentido nenhum para mim concorrer a nível nacional e estar separada das minhas filhas e do meu marido. Não coloco a carreira acima da família. Da mesma forma que respeito quem o faz, gostaria e agradeceria que também respeitassem as minhas decisões e opções - foram muito bem pensadas, muito ponderadas, implicaram grandes adaptações da nossa parte.

As únicas malas que quero fazer são para viajar - e em família! Não quero ter que pagar a minha casa - que comprei - e mais uma alugada e juntar despesas de combustivel a algo já complicado. Não quero perder os momentos de crescimento das piolhas - mesmo aqueles momentos em que me dizem "és uma chata! Ainda ontem arrumei os brinquedos que estavam no chão"-, quero continuar a acompanhá-las na realização dos TPC e de trabalhos extra - que, muitas vezes, implicam viagens de estudo aos locais em questão para recolher informação in loco -, quero estar totalmente disponível (de mente e de horário) para uma consulta de autismo ou uma reunião fora de horas com os terapeutas , quero jantar com elas o máximo de vezes que conseguir. Quero ser eu a aconchegar-lhes os lençóis quando já dormem, antes de eu ir deitar-me. Para mim, A prioridade é a família. Há quem lhe chame comodismo e "não sair da zona de conforto". Eu não tenho um nome para o que escolhi. Sim, sujeito-me às regras e ao que existe e ao que sobra. E trabalho muito, esforço-me muito.

 

Não sou menos profissional por concorrer a uma área geográfica menor, não sou menos professora por aceitar que há a possibilidade de não conseguir colocação numa fase inicial, não sou menos docente por lecionar atividades de enriquecimento curricular, não sou menos professora por aceitar um horário reduzido (ou por me sujeitar a horários incompletos, como já fui acusada, vá-se lá saber o intuito de uma acusação destas), não sou menos mãe por ter que conjugar um horário reduzido com uma atividade extra, não sou menos eu por fazer o que faço.

 

Somos o resultado das escolhas que fazemos, não é o que dizem? Pois eu digo que sou muito feliz assim. E que há muito tempo que não sabia o que era chorar de alegria, sentir as costelas doer com a emoção, esquecer o nosso nome completo quando vemos a concretização de uma esperança. Andei sempre otimista - ansiosa a ponto de ter o cabelo a cair furiosamente, mas otimista - e confiei. Não sei bem em quê ou em quem, apenas, confiei. E correu muito bem. E, por isso, estou imensamente grata, não sei bem a quê ou a quem, mas imensamente grata. 

Porque, bem vistas as coisas, a felicidade é isto:

 

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Sou feliz porque, por opção, consigo conjugar família e trabalho; sou feliz porque faço o que gosto.

 

 

 

 

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