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E começar o ano com recordações boas?

por t2para4, em 01.01.17

Por que não? Recordar é viver, já dizia o outro, certo? Recordar traz-nos sorrisos e faz-nos reviver memórias e momentos felizes não é?

Pois eu, quero hoje, aproximadamente há 10 anos certinhos, recordar que descobri que estava grávida. Que ia ser mãe. MÃE!!!!! O que eu chorei... (sorriso). Chorei de medo, de dúvidas, de admiração, de espanto (foi tão fácil engravidar... nós que pensámos que teríamos que fazer tratamentos por causa de um problema do marido na sua adolescência), de terror, de alegria, de drama, sei lá...

Há 10 anos vimos uma linha extra bem marcada no teste de gravidez, o mais barato da farmácia. Sem sombra para dúvidas. 

 

Hoje, temos uma casa cheia. Não trocaria nada. Sou tão mais completa do que alguma vez pude imaginar. Certo que descobri medos incomensuráveis mas não é isso que nos torna alerta? Sou mãe... Tão bom - mesmo nas fases piores, mesmo com noites sem dormir, mesmo com respostas tortas, mesmo com tudo isso. Porque passa tão rápido. 10 anos passaram a voar. Já não tenho riscos em pauzinhos de farmácia, nem bebés fofinhos com penugens em vez de cabelo, nem crianças com cheirinho doce no cocuruto, mas continuo a ter filhos e a ser mãe e a aperceber-me desse facto :D (exemplo curto e simples: conhecemos todos os desenhos animados e séries infantis/juvenis. Pior: sabemos os nomes das personagens e queremos saber como acaba o episódio da KC ou do "Manual do Jogador para quase tudo". E não somos os únicos... )

 

A espreitar:

http://findingjoy.net/sixty-you-might-be-mom-facts/#.WGlUWhug_Dc

 

 

 

 

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publicado às 18:59

Confia, vai correr bem

por t2para4, em 01.09.16

Deixei-me de resoluções, quer sejam em setembro quer em janeiro. Este ano tem vindo a surpreender-me em tantos tantos tantos aspetos, desde janeiro e nem sempre pelas melhores razões, que é quase impossível cumprir uma resolução planeada. O que não é impossível, bem pelo contrário, é mantermo-nos fieis a nós mesmos, esperar, acreditar e confiar. Porque great things happen to those who wait.

 

Estou feliz. Ao fim de 5 anos, apesar das contrapartidas, consegui alcançar uma estabilidade profissional - ainda que temporária - que já não conhecia. E, como peças de uma engrenagem onde se veem as rodas dentadas a encaixar na perfeição e a colocar o mecanismo em funcionamento, sinto que as coisas seguem essa via: as piolhas estão numa fase de maturidade e adaptação que já me permitem poder arriscar algo um pouquinho maior. Que é benéfico para todos. E elas percebem que é bom para todos e não se coibem de dizer "a mãe trabalha numa escola nova". 

 

Nunca escondi nem alterei as minhas decisões e opções desde o momento em que decidi constituir família. Não faz sentido nenhum para mim concorrer a nível nacional e estar separada das minhas filhas e do meu marido. Não coloco a carreira acima da família. Da mesma forma que respeito quem o faz, gostaria e agradeceria que também respeitassem as minhas decisões e opções - foram muito bem pensadas, muito ponderadas, implicaram grandes adaptações da nossa parte.

As únicas malas que quero fazer são para viajar - e em família! Não quero ter que pagar a minha casa - que comprei - e mais uma alugada e juntar despesas de combustivel a algo já complicado. Não quero perder os momentos de crescimento das piolhas - mesmo aqueles momentos em que me dizem "és uma chata! Ainda ontem arrumei os brinquedos que estavam no chão"-, quero continuar a acompanhá-las na realização dos TPC e de trabalhos extra - que, muitas vezes, implicam viagens de estudo aos locais em questão para recolher informação in loco -, quero estar totalmente disponível (de mente e de horário) para uma consulta de autismo ou uma reunião fora de horas com os terapeutas , quero jantar com elas o máximo de vezes que conseguir. Quero ser eu a aconchegar-lhes os lençóis quando já dormem, antes de eu ir deitar-me. Para mim, A prioridade é a família. Há quem lhe chame comodismo e "não sair da zona de conforto". Eu não tenho um nome para o que escolhi. Sim, sujeito-me às regras e ao que existe e ao que sobra. E trabalho muito, esforço-me muito.

 

Não sou menos profissional por concorrer a uma área geográfica menor, não sou menos professora por aceitar que há a possibilidade de não conseguir colocação numa fase inicial, não sou menos docente por lecionar atividades de enriquecimento curricular, não sou menos professora por aceitar um horário reduzido (ou por me sujeitar a horários incompletos, como já fui acusada, vá-se lá saber o intuito de uma acusação destas), não sou menos mãe por ter que conjugar um horário reduzido com uma atividade extra, não sou menos eu por fazer o que faço.

 

Somos o resultado das escolhas que fazemos, não é o que dizem? Pois eu digo que sou muito feliz assim. E que há muito tempo que não sabia o que era chorar de alegria, sentir as costelas doer com a emoção, esquecer o nosso nome completo quando vemos a concretização de uma esperança. Andei sempre otimista - ansiosa a ponto de ter o cabelo a cair furiosamente, mas otimista - e confiei. Não sei bem em quê ou em quem, apenas, confiei. E correu muito bem. E, por isso, estou imensamente grata, não sei bem a quê ou a quem, mas imensamente grata. 

Porque, bem vistas as coisas, a felicidade é isto:

 

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Sou feliz porque, por opção, consigo conjugar família e trabalho; sou feliz porque faço o que gosto.

 

 

 

 

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publicado às 22:19

“104 dias que duram as férias”

por t2para4, em 30.06.16

 Ou o que fazemos durante este tempo todo que... são as férias grandes.

Como é expectável – e tendo em conta que ando o ano letivo inteiro a suspirar e a ansiar pelas férias grandes (se bem que, depois passo agosto e setembro a suspirar e a ansiar por uma colocação mas isso são outros quinhentos) -, nas nossas férias grandes fazemos tudo e não fazemos nada. Sim, temos momentos de seca e de monotonia mas ainda bem que os temos pois as piolhas têm de se aperceber que, muitas vezes, não há nada programado nem planeado e que apanhar umas secas faz parte da vida. Tal como deveriam fazer parte da vida momentos de nada, em que não há nada para fazer. Nos tempos em que tanto se apregoam “mindfulnesses”, não fazer nada só porque surja, não me parece mal.

 

Nas férias grandes, as piolhas têm desses momentos e momentos de agenda. Porque, apesar de férias, esses momentos de agenda são mesmo necessários.

No Verão, não há terapias. Pelo que, em casa, entre nós, temos que tentar colmatar – não substituir! – essa falha. O que nos impele em treino. Pode parecer muito animalesco falar deste modo mas, a verdade é que, há coisas que só se adquirem com treino (o que é o ABBA, senão treino?). Nesta fase, estamos em processamento de aquisição e consolidação de determinados conteúdos e até comportamentos. A conjugar com este processamento, temos também outras questões em mente.

E são eles:

- atravessar passadeiras sem ser pela nossa mão. Ainda temos muito trabalho a fazer aqui mas já conseguimos, em ruas de pouco movimento, que sejam elas a liderar o caminho, sem andarem pela nossa mão, nem sermos apenas nós a monitorizar a passadeira.

- andar pela rua sem ser de mão dada connosco – a menos que esteja muita gente ou muita confusão. Pouco a pouco, elas já começam a ir juntas sem precisarem de andar pela mão com um de nós. Obviamente que, por exemplo, quando subimos às muralhas de Óbidos ou fomos à feira afonsina em Guimarães, andaram connosco pela mão, quer por segurança quer porque sim (muita gente, muita confusão).

- autonomia às refeições/higiene. Outra batalha quase diária que se resume ao uso correto e adequado da faca. Ainda é uma complicação porque não seguram bem ou o garfo não está a picar corretamente ou ou ou ou... é um filme. 

O vestir/despir é feito com total autonomia e raramente há enganos mas o saber tomar banho sozinhas - ahahhahahahhahahah, tomara eu que lavem os dentes bem sozinhas - ainda não existe. Quer a questão do lavar os dentes sozinhas em condições quer o ensaboar o corpo sozinhas vai ser uma constante a treinar estes meses.

- saídas. Vão onde nós formos e ponto final. O maior problema é só sair de casa porque, uma vez dentro do carro, o humor e disposição delas muda e elas vão de boa vontade e com um sorriso. É só uma questão de preparação e de... ir.

- andar a pé. Ai que batalha mais inglória e injusta esta... Detestam andar a pé, inventam todas as desculpas e mais alguma para evitar andar a pé, perguntam sempre se podem levar o carro, enfim, um figurão. Para juntar a este gosto peculiar pela deslocação pedestre, as piolhas têm pouca resistência e fraco tónus muscular (o que se traduziu numa passagem muito tardia após um longo tempo entre piscinas...). O que fazem semanalmente nas sessões de motricidade ajudou um muitos aspetos mas não chega. Por isso, o que temos feito é sair, sempre que possível, a pé para uma voltinha de cerca de 2 ou 3 km, e, nas nossas saídas para mais longe, caminhar mesmo, fazer percursos, visitar áreas a pé. Porque, ao mesmo tempo que praticamos este aspeto, estamos, igualmente, a praticar o andar na rua, o atravessar passadeiras, etc. Ou seja, há uma série de atividades que vão complementar-se.

- consolidar conteúdos. A escola acabou mas não pode ter pausa total até setembro senão ninguém se lembrará de escrever palavras complicadas sem erros nem fazer uma mera conta de somar. Depois de 10 dias de absoluto nada relacionado com a escola e matéria, começámos a fazer pequenos trabalhos quase diários, que demorem no máximo 15 minutos a realizar. Começámos com uma fichinha de português, depois uma cópia, depois um ditado, depois umas perguntas de estudo do meio, três tabuadas escritas das duas maneiras, ler um livrinho. Algo rápido e que seja só com o intuito de rever e consolidar. 

- auxiliar nas tarefas domésticas. Fez migalhas? Varre para a pá. Já jantámos? Levantam a mesa e limpam os pratos. Pequenas tarefas deste género não são trabalho infantil nem escravatura (pior é pôr os putos a cozinhar e a mexer em fornos e fogões e chamarem-lhes de "chefes" de um qualquer programa de TV, serem criticados como adultos porque o arroz ficou empapado e acharem que enfardar pasteis de nata atrás uns dos outros não é compatível com a obesidade mas adiante que já estou a desviar-me do foco). Arrumar o quarto - e isso implica colocar os brinquedos nas devida scaixas e gavetas nas categorias a que pertencem -, preparar a roupa para vestir depois do banho, pôr ou levantar a mesa, arrumar a louça no lavaloiças, varrer migalhas para uma pá, limpar marcas de copos ou nódoas com um toalhete, fazer pequenos recados aos pais não matam ninguém. Se conseguem utilizar tecnologia de ponta sem ninguém as ensinar, também conseguirão perfeitamente pôr uma toalha na mesa ou arrumar as sapatilhas na sapateira que não requer arte nenhuma. Até porque, cá em casa, não há criados.

- experimentar coisas novas. No ano passado, experimentámos caracóis e foi um espetáculo vê-las a tirar o bicharoco com o palito e a comer. Gostámos muito e, este ano, vamos repetir. Hoje experimentaram comer salteado de pimentos. Não correu mal de todo. Temos arriscado viagens cada vez mais longas, que implicam sairmos de casa ao amanhecer e tem corrido bem. Ainda não arriscámos dormir fora ou passar uns dias sem vir a casa - num ambiente não familiar. Lá chegará a altura.

- proporcionar as melhores férias. Mesmo que isso implique apanhar secas. As melhores férias são, para mim, aquelas em que há momentos tão simples e tão bons que darão memórias fantásticas: picnics no chão da sala em dias de chuva, idas matinais ao rio com uma praia imensa só para nós, melgar a mãe de 5 em 5 minutos para ver se o verniz térmico mudou de cor para poderem ir à agua, lanches saborosos nos intervalos de banhos, pools parties (festas na banheira eehehheh) quando temos uma saída excecionalmente fantástica a nível de comportamento, marcas do bikini apesar das litradas de protetor solar que coloco. Acho que, olhando para trás, estas seriam memórias felizes... E isso inclui as secas que são impostas nos horários tecnológicos! Só se utilizam tablets ou computador cerca de 2h por dia (ou em viagem) e nem mais um minuto. Há muito mais para fazer nas férias do que ter o nariz enfiado num écrã.

 

 

O Verão, as férias grandes, os tais "104 dias que fazem as férias" são os nossos tempos de catarse, os nossos tempos de compensação. São os dias azuis do céu e do fundo da piscina, os dias esverdeados dos campos dos picnics e das água do mar ou do rio, são os dias tão luminosos que até nos obrigam a fechar os olhos, são as unhas pintadas de cores alegres e pindéricas - unhas das mãos e dos pés, num total de 60 unhas coloridas -, são calções e t-shirts e vestidos de tecidos confortáveis e esvoaçantes, são sestas e preguiças no sofá ou na areia, são programas de tv vazios de conteúdo e outros repletos de História, são comidas rápidas e saudáveis e leves, são amaciadores especiais para proteger o cabelo, são mimos do tempo, são coisas boas, são o recuperar de semanas e semanas de tanto tanto trabalho, são o estar em familia mais tempo... 

Precisamos destes momentos - ainda que isso implique "treinos" e outros trabalhos - para nós, para recuperar. E até me podem dizer que é muito tempo e e assim e assado. Nós fazemos esta gestão da melhor forma que podemos e conseguimos, por opção nossa. Mas, a par com as minhas filhas, também eu quero memórias boas e tempos felizes.

 

 

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publicado às 20:37

Tagarelice #49

por t2para4, em 08.02.16

Por motivos superiores à nossa vontade, conduzimos agora um carro que tem uma cadeirinha de bebé como extra, mas que está fechada por exigências da mãe, ou seja, eu. A conversa que se segue é do mais cutchi-cutchi que existe...

 

- Ó mãe, esta cadeirinha é tão fofa. Temos que arranjar um bebé.

- Para quê?

- Para vir aqui nesta cadeirinha!

- Não me parece que tenhas sorte... E como resolverias a questão, diz-me lá.

- Ó mãe, se tinhas 3 bolsas quando estavas grávida de nós, agora só precisas de encher a outra bolsa com um bebé!

(ehehehehehehe)

 

 

A lógica matou a ilusão das piolhas. Lá expliquei que:

- uma bolsa vazia existente numa gravidez não se guarda para se encher anos depois e, muito menos a gosto;

- para haver um bebé tem que se repetir o processo de conceção que deu origem a elas, piolhas;

- um bebé não pode andar naquele tipo de cadeirinha com menos de 3 anos;

- com mais de 3 anos, desconfio que aquele tipo de cadeirinha nem sequer está homologado e previsto e aceite na lei.

 

Acho que o relógio biológico das piolhas também deve andar avariado...

 

 

 

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publicado às 18:40

O nosso valentine's day

por t2para4, em 14.02.14

Independentemente das origens, prefiro manter-me à ideia romantizada de amor eterno e de benção dos sentimentos. E, para mim, não é só o amor pelo marido, mas aquele amor que é o prolongamento através, pelos e para os filhos. É a concretização verdadeira do amor, que fica, que vive, que existe. E tudo feito em família tem outro peso, outro sabor. 

Somos muito de preparar surpresas (o que ajuda a lidar com a frustração e gestão dos imprevistos por parte das piolhas) e, de há algumas semanas a esta parte, que andámos a fazer das nossas:

 

primeiro um bolo, já que festividade sem bolo não tem piadina nenhuma. Fizemos a encomenda a alguém que faz trabalhos fantásticos e que conhecemos, as piolhas escolheram o bolo a partir de imagens na net e fez-se a vontade do recheio de chocolate a uma delas.

 

 

 

Depois, tratámos dos miminhos. Esta parte sobrou para a mãe porque elas não quiseram saber de manualidades para nada. Mas também não deu trabalho nenhum: uma base de árvore, uma vela, um molde, uma ferramente para esculpir, cola com purpurinas douradas e cola gel. Et voilà.

 

 

 

As piolhas também tiveram o seu momento de surpresa: uns tubos com coisas de princesa para uma e coisas de bailarina para outra. Deu no delírio total, com chinelos da Kitty a servir de sapatilhas de ballet, de cabelo apanhado e coroazinha, de piruetas loucas.

 

 

 

Jantar simples e rápido (vim direta do trabalho e ainda tive que despachar a janta a tempo e horas) e, mais importante, em família. Porque é isso que, no fundo importa. E cabe-nos a nós fazer dos dias e das festividades que quisermos, dias especiais ou não, dias comerciais ou não. O importante é o que é trasncendente a tudo isso. 

 

E, para terminar, fica a música "Unconditionaly" de Katy Perry, - atentem na letra - a que eu acho mais adequada para hoje, amanhã e depois.

 

 

 

 

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publicado às 21:51

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