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O pai

por t2para4, em 19.03.17

O pai é a versão masculina da mãe mas em versão menos acelerada e mais ponderada.

 

 

O pai do t2 é, também ele, um pilar. E é muito mais divertido e muito menos falador que a mãe. E não fala tão alto (mas, a bem dizer, não sofre do mal da profissão da mãe). 

 

O pai é hoje aquilo que ele mostra ser todos os dias, com a diferença de que, num qualquer calendário se decidiu assinalar o dia 19, dia de S. José, como dia do pai. E eu até nem me importo.

 

O pai não vai sofrer revezes comerciais hoje: vai ter a nossa visita no seu local de trabalho, muitas prendinhas homemade and DIY e muitas surpresas docinhas.

 

O pai do t2, mesmo que diga o contrário, mesmo que fizesse algo totalmente diferente numa viagem ao passado, nasceu para ser pai. E fá-lo o melhor que sabe, sem livro de instruções e sem conselhos de quem já foi pai.

 

O pai foi o primeiro amor das piolhas e era com ele que queriam casar, de tutu cor de rosa enfiado na cabeça como um véu e bouquet de poneis a fazer de flores.

 

O pai será sempre um dos homens da vida das piolhas - mesmo quando encontrarem o homem das suas vidas - num lugar inalcançável, num pedestal, num trono.

 

O pai será sempre o protetor incançável e insubstituível das piolhas.

 

Aos olhos e no coração do pai, as piolhas serão sempre as meninas do papá.

 

O pai é O pai e mais nada. 

 

 

 

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publicado às 11:09

O Carnaval das piolhas 2017

por t2para4, em 28.02.17

Não somos grandes celebradores do Carnaval e, até já o tinha dito aqui, há uns anos, só comecei a dar-lhe alguma importância quando as piolhas já eram toddlers e estavam na creche. E, à exceção dos seus primeiros dois anos em que, de facto, comprei roupinhas a preços de achado, daí em diante, fui sempre fazendo e conjugando coisas para lhes dar um ar festivo e carnavalesco na 6ª feira anterior à Terça-feira Gorda.

Então, recapitulando:

- em 2011, foram umas simpáticas joaninhas (as tais do fatinho que durou uns 2 ou 3 anos, até não caberem mesmo dentro dele)

- em 2012, foram Doras, as exploradoras (viva o improviso, já que foi uma altura particularmente complicada; também voltaram a ser joaninhas)

- em 2013, foram umas fadinhas rosa (nada de especial apenas um conjunto de asas, varinha de condão e antenas pindéricas  com roupa cor de rosa normalíssima, pois, foi - again - uma altura complicada)

- em 2014, foram trabalhadoras alusivas aos poneis (nem quero acreditar que foi o 1º ano delas na escola... Tema profissões antigas que, com algum engenho, lá consegui misturar com as profissões dos poneis de My Little Pony)

- em 2015 e 2016, foram de Equestria Girls (com a totalidade dos acessórios feita em casa mais alguma roupa normal a compor a coisa. Adoraram e seria mais um ano a repetir mas enough is enough)

 

Então, para este ano, 2017, após muito pensar e sem grande tempo para me dedicar a projetos DIY, as piolhas lá se decidiram pela Marinette que tem a Miraculous Ladybug por alter-ego. Para tal, foi fácil decidir o que fazer e onde arranjar o que faltava. Assim, em casa, no roupeiro das piolhas já tínhamos as leggings, as camisolas (polares que aqui faz frio), os casacos cintados (apesar de terem cores diferentes do da personagem), sapatilhas (está demasiado frio para sabrinas), as carteirinhas rosa a tira-colo.

Do que precisei:

- mascarilha, que comprei no Espaço Criança por 1,25€ e depois pintei com as cores e manchas da LadyBug

- perucas azuis (daquele tom de azul Marinette) que comprei numa loja chinesa, por 3 euros (e que, depois de fazer os puxinhos e atar com fita vermelha, cortei a jeito)

- fita vermelha já tinha, de outros trabalhos

- feltro e linha de atar chouriços, que também já tinha de outros trabalhos, para fazer uma Tikki (o amuleto vivo, por assim dizer, da Marinette e que a transforma em LadyBug)

 

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 (apesar de eu achar que elas ficaram um pouco estranhas - sinistras, vá, por causa dos olhos -, as piolhas disseram que estavam fofinhas)

 

E o resultado final, que já tinha partilhado no Facebook do blog, ficou bem melhor do que eu inicialmente imaginara. Tudo se arranja, com alguma imaginação e boa vontade. As piolhas ficaram felizes e eu também, por vâ-las felizes.

 

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publicado às 17:22

Pequenos grandes gestos

por t2para4, em 15.02.17

No dia em que se diz celebrar o amor, por excelência, há apenas a constatação do que se vem vivendo nos restantes dias do ano, sem festividade associada. Não saímos, não jantámos fora, não fomos passear. Estivemos - os 4 - a trabalhar. E o dia começou bem cedo, ainda antes das 7h, com as piolhas bem despertas pelos seus próprios relógios biológicos tão ajustados aos seus desejos quanto elas querem (sim, se decidirem acordar às 6h30, elas conseguem. Sem qualquer tipo de despertador. Aí está algo que poderão ensinar-me, um dia destes...). Começou com passinhos miúdos no chão, com vozes murmuradas de "hoje é dia de São Valentim" e "o pai está cá?" (às vezes, o pai faz o turno da noite e só chega de manhã) e ainda "o pai e a mãe têm de estar juntinhos para desejar feliz dia de São Valentim". E nós a distribuirmos milhentas bejocas matinais, tão boas, os 4 no miminho bom. 

 

E, de tanta coisa que fiz e falei - e ainda estou em fase de realização - com os alunos acerca dos afetos, continuo a fazer notar - a nós e aos outros - a importância das pequenas coisas que, todas juntas, fazem muito. E quando digo pequenas coisas, são mesmo pequenas coisas, que, independentemente dos dias, podemos fazer sempre que nos apeteça. Em casa, além de um postalinho pindérico todo meloso que adore no computador (deu nas vistas pois o portátil estava fechado e eu nunca o deixo fechado), tinha a casa arrumada e o marido estava a passar a ferro - um alívio de trabalho acrescido para o resto da semana em que estou cheia de aulas e consultas. A minha retribuição melosa foram umas garrafinhas de Sumersby e um arrozinho malandro com moelas. As piolhas não receberam prendinhas da escola ou assim (receberam um caderno de desenho da nossa parte) e estavam, todas airosas, a descansar na sala - gazetando, mais uma vez, a ida à piscina -, depois de dois dias de fichas de avaliação e muitas horas de estudo e trabalho. E o melhor de tudo é, à medida que vamos conversando e que vamos passando o dia, haver ainda mais pequeninas coisas que nos deixam de sorriso bom. Afetos, carinho, amizade, cumplicidade, amor, sim. Também mas não só.

 

Uma piolha decidiu escrever um bilhetinho de carinho ao avô. E até pediu ajuda à tarefeira para fazer um envelope e poder guardá-lo em segurança, sem se amassar. Quando nos contou que iria aguardar até setembro para oferecer o bilhete ao avô (altura em que regressa a Portugal), perguntei o que ela achava de lhe enviar amanhã, por correio. Fez-lhe um pouco de confusão ter que escrever uma morada em língua estrangeira - que não o inglês - mas já temos correio para despachar amanhã e, certamente, um sorriso muito feliz na cara do avô quando o receber.

 

O dia acabou um pouco mais tarde do que eu previra, depois de nos termos enroscado no sofá a ver "A Bela e o Monstro" (e eu a estranhar pois sou do tempo do lançamento em VHS, em versão brasileira; posteriormente, já com piolhas bebés, a versão originbal em inglês, pelo que, a versão portuguesa é, para mim, uma novidade. E, para que conste, não há nada de errado com a minha noção temporal, os anos 90 foram mesmo há 10 anos, ok? Sim, porque eu lembro-me que foi no ano em que abriu o CoimbraShopping e o Continente, local onde comprei a cassete. Portanto, dizia eu, há pouco mais de 10 anos.).

 

A felicidade está mesmo nas coisas simples, no bem que podemos fazer uns aos outros, no que sentimos quando estamos felizes. E, ainda que em dias negros, amaldiçoemos o termos que nos contentar com as "pequenas coisas", a verdade é que, ninguém as valoriza como nós - nós e alguém como nós.

 

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publicado às 23:39

Boas Festas!

por t2para4, em 23.12.16

Como já vai sendo habitual, ao longo destes últimos quatro anos, aqui vai o nosso postal de Natal, feito pelas piolhas com a ajuda da mãe. Apesar de um pouco em cima da hora, ficam os nossos desejos sinceros de umas excelentes festas, com um Natal verdadeiramente sincero e um Ano Novo cheio de resoluções positivas e alcançáveis.

Sejamos felizes!!!

 

 

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publicado às 09:32

A minha maioridade atingiu a maioridade

por t2para4, em 06.10.16

Há 18 anos, a início de outubro, fazia 18 anos.

Há 18 anos, entrava na Universidade, na Faculdade de Letras, onde eu sempre quis estudar. 

 

Depois das minhas dúvidas fashionistas wannabe acerca de camisas brancas e de me ter decidido a vestir e reanimar a minha velhinha de idade camisa do traje académico, eis que, no feriado, nos encaminhamos para a alta de Coimbra e vamos até à zona das faculdades. Depois de um passeio e fotos pelo Botânico, seguimos para cima e calhou bem. Calhou bem porque vimos uma pequena tuna atuar - embora os turistas não estivessem para aí virados e a única parvinha a bater palmas e a sorrir de saudade fosse eu -, as piolhas puderem sentir in loco um pouco da boa tradição coimbrã e estar num local onde os pais passaram tantos anos das suas vidas (mais o pai que a mãe...).

 

Foi estranho - é sempre estranho para mim - regressar - ainda que só nos degraus, desta feita não precisei de entrar - à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Passei ali os anos mais miseráveis mas também os mais felizes da minha vida pré-piolhas. E, se por um lado, bate aquela saudade tão tipicamente coimbrã, tão estudantil, tão nossa, por outro lado, custa olhar para trás e apercebermo-nos que, afinal, o caminho árduo só começara ali e tanto e tão mais ainda nos esperava...

 

Há 18 anos não fazia a mínima ideia de como seria a minha vida hoje. Se mo tivessem dito, no género, "vim do futuro e sou o teu eu", não teria acreditado. Minimamente. Nem conceberia jamais que seria possível sobreviver a tantas provações e ainda sair fortalecido de tudo isso. 

Há 18 anos, senti que a melhor prenda de aniversário que poderia ter recebido tinha sido o entrar na Faculdade que sempre quis, na Universidade com que sempre sonhei, sem perder nenhum ano (ainda que tenha entrado na 2ª fase)- como se isso me fosse dar algum Prémio Nobel, mas enfim... 

18 anos depois, o dia não poderia ter corrido pior (desde baterem-me no carro logo de manhã a acabar o dia com uma crise  por causa da minha amiga escoliose lombar), o que deu em eu adiar por uns dias a suposta celebração do meu aniversário. Coincidiu com o nosso passeio e com o passar de quase 2 décadas, em frente à FLUC.

18 anos depois, as piolhas sorriem com a ideia de que a mãe estudou ali para ser professora mas respondeu "não" à pergunta "querem vir para aqui estudar um dia?" (smart girls ;) ) e tiram fotos felizes.

18 anos depois sinto que cresci muito, muito depressa, que o tempo passou muito - demasiado! - depressa, que sou e me sinto uma outra pessoa. Mais feliz, mais resolvida com a vida, menos deprimida, mais completa. Ainda assim, com saudade... Aquela saudade que a Estudantina diz no Eferreá "ahhhhh, saudade" em voz arrastada...

 

Apesar de tudo, 18 anos depois, volto a estar de parabéns. Não reentrei na universidade mas aprendi muito com a universidade e é graças a ela que faço o que faço, com toda a paixaão e entrega.

 

18 anos, volto a estar de parabéns. Porque, afinal, também faço anos. Atingi a tal maioridade da maioridade.

 

 

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publicado às 22:21

Celebrar a 4

por t2para4, em 07.08.16

Já lá vão 11 anos desde o "sim, aceito", num local lindíssimo, cheio de significado para nós. E, contra todas as expectativas, chegámos aqui, tão longe no tempo. Sim, longe no tempo, porque, para nós e dado tudo aquilo que já vivemos, parece que estamos juntos não há 11 anos mas há 20.

As nossas celebrações são simbólicas e muito baseadas no sentimento, no mimo, no estar em família. Aliás, não tivessem nascido às 35 semanas e as piolhas estavam previstas chegar (cesariana programada por estarem pélvicas), no dia 7 de agosto. Por isso, há muitos motivos para celebrar. 

Por regra, como celebramos dois aniversários (em janeiro e agosto), no inverno costumamos ficar em casa, num ambiente mais acolhedor e quentinho, com refeições ultra especiais, com louças xpto que fazem as delícias das piolhas (adoram copos de pé alto ehehehehe). No verão, preferimos sair.

 

Pensámos em sair à noite, depois do jantar, dar uma volta pelas ruas, tomar um copo, apanhar ar... Mas as piolhas ainda estão em fase de conhecimento com estas andanças de noite.

Pensámos ir para os copos mas as piolhas ainda não têm idade para isso e não lhes é permitida a entrada em bares.

Pensámos passar uma noite fora mas isso implica que as piolhas fiquem com alguém e/ou um grande rombo na carteira por causa da questão do quarto para quatro pessoas.

Pensámos passear na praia mas é domingo e as localidades em redor devem ter-se mudado em peso para lá, por isso, não nos pareceu grande ideia.

Pensámos numa viagem mas hoje não era um bom dia dado o calor excessivo, os incêndios nas principais auto-estradas do país, o trabalho do marido mais tarde, o ser domingo.

Pensámos em ir a banhos toda a manhã mas um imprevisto não nos deixou seguir com a ideia.

Optámos, então, por passear os quatro no Jardim Botânico de Coimbra - para onde íamos gazetar para namoriscar, quando andávamos na faculdade -, almoçar nas áreas favoritas das piolhas e estarmos juntos, apenas os quatro, porque assim faz mais sentido - afinal, "family forever".

 

Não há nada que chegue perto da felicidade que se sente em sermos acordados pelas nossas filhas, todas felizes da vida, aos beijinhos logo de manhã às 7h30, a dar-nos os parabéns pelo nosso dia especial. Só isto, só assim, já é motivo de celebração.

 

 

 

 

 

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publicado às 19:20

Parabéns!! 9 anos (já?!)

por t2para4, em 27.07.16

Não se compadece de nós e voa, rapidamente, quase fugidio, embora não lhe demos muita rédea. Ainda ontem tinha 2 bebés no regaço, carregava carrinhos e sacos com mudas de roupa e leite, dobrava roupinhas minúsculas. Hoje, o meu colo parece pequeno para tanto tamanho de pernas e braços, já doem as costas ao dar colos, dobram-se roupas enormes... O tempo passa mas todos os dias nos mostra que é possível fazer crescer um amor, já de si imenso. Começou bem antes mas redobrou no nosso 1º encontro - afinal, é verdade, há amores à primeira vista -, naquele dia 27 já tão distante, quando fomos inundados com todo aquele sentimento de amor, de responsabilidade, de medo, de plenitude... Ser mãe não se explica, sente-se, vive-se. Ser pai é igual.

 

Há 9 anos, por esta altura, nasciam os nossos mais preciosos tesouros. Há 9 anos, tornei-me mãe. Há 9 anos, o marido tornou-se pai.

Há 9 anos, a nossa vida como casal passou a ser mais completa, muito mais feliz, muito mais plena. Há 9 anos, descobrimos um outro "eu", juntos.

Em 9 anos, descobrimos tanta coisa, aprendemos tanta coisa, vivemos tanta coisa... 

Em 9 anos, visualizámos perfeitamente o que é ter o coração a bater fora do peito, o amar tanto que até doi, o querer tão bem que não é mensurável.

Em 9 anos, descobrimos medos - ai os medos, senhores... - que não sabíamos serem possível existir. 

Em 9 anos, ter os filhos sempre no pensamento, colocá-los em primeiro lugar, tê-los como prioridade,  faz todo o sentido e não precisa de xplicação nem de exercício prévio; é natural.

Em 9 anos, todos os dias aprendemos a ser mãe e pai, todos os dias nos questionamos se estamos a fazer algo certo ou errado, todos os dias temos dúvidas e culpas. Mas, todos os dias, seguimos em frente, independentemente de tudo.

Há 9 anos, as nossas piolhas tinham 2, 430 kg e mediam cerca de 45 cm... Hoje pesam quase 26 kg e medem quase 1,30 cm... 

Há 9 anos, nada - mesmo nada - nos faria estar preparados para a jornada que nos esperava, éramos os verdadeiros pais de primeira viagem. Hoje, mal acreditamos em tudo pelo que já passámos e onde chegámos. Hoje, mal acreditamos que as nossas bebés tão pequeninas já têm 9 anos e... já não são bebés pequeninas...

Há 9 anos, surgiu o melhor das nossas vidas e isso é a única coisa que realmente importa. 

 

Por isso, 9 anos depois, vamos lá celebrar um aniversário duplo, soprar as velas do bolo, rir e brincar, correr e apanhar sol, crescer mais um bocadinho e celebrar a vida. Basicamente, keep rocking our world!!!!!

Parabéns, piolhas!!! E que nunca percam a capacidade e a competência de sonhar, de seguir em frente, de rir para a vida. 

 

 

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publicado às 09:00

Cerca de 2 meses antes, o convite, onde a fotografia sorridente da mana do amigo Z. nos dizia: "Agora vou ser batizada e convido-vos para a minha festa". Duas palavras ressoaram na minha mente: me-do.

Aceitámos, claro, com a ressalva de que, caso não se sentissem bem ou começassem a ficar muito agitadas, poderíamos sair mais cedo. Não foi preciso.

Não planeei nada nem fiz sessões de preparação nem pedi ajuda a terapeutas; apenas segui a minha intuição e tentei usar um pouco o bom senso. E eis o que fiz:

- O 1º passo foi envolvê-las logo no assunto e mostrar-lhes o convite, avisá-las de que iríamos à cerimónia e à boda e que, depois seguiríamos para o restaurante. Expliquei que, por regra, depois de uma cerimónia do género, costumamos ir almoçar (muuuuuuito tarde) a um restaurante.

- Tentei explicar sucintamente o que é um batizado mas não correu bem... Uma piolha ainda perguntou qual foi a data do batizado delas mas elas não são batizadas. Como é tudo demasiado abstrato e baseado numa fé que não conhecemos como os outros - muito menos as piolhas -, optei por deixar em aberto e dar-lhes espaço para verem tudo em condições no próprio dia. Deixei assente a importância desta festa para os pais da C. e que a nossa amizade para com eles é importante a o ponto de, mesmo sem compreendermos, podermos partilhar esse momento de felicidade.

-  Envolvi as piolhas na escolha das roupas e calçado que iriam levar (porque o vestido em que pensei levarem ainda é demasiado grande e o estado do tempo não ajudou): não foi fácil encontrar algo prático e elegante ao mesmo tempo, que fique bem numa criança mas sem a infantilizar. Os vestidos eram demasiado caros e já não gosto assim tanto de as ver com vestidos frufrus e coisas desse género pois estão muito altas e fica estranho. T-shirts também me pareciam demasiado banais... Entre Primark, H&M, C&A e Lefties, foi nesta última que encontrei uns tops brancos em camadas, esvoaçantes, lindíssimos, a um bom preço e de que elas gostaram imenso. Combinaria os tops com umas calças de tecido que passaram este ano a corsários et voilà, fatiota completa.

O calçado foi escolhido por elas: são umas sabrinas douradas, com base elevada que acompanha todo o sapato. Faz lembrar o conforto de uma sapatilha com a elegância eo sentido prático de uma sabrina.

Acessórios: uma bandelete e um laço que já por cá andavam.

- As prendas para a amiguinha foram compradas tendo em conta a opinião delas. Escolhemos coisas lindas e práticas e as piolhas andavam felizes da vida com os sacos das prendinhas na mão.

- À medida que a data se aproximava e, tendo em conta que eu iria sozinha com elas porque o marido estava a trabalhar, formos reforçando a importância de ajustarem os seus comportamentos aos locais onde estavam. Mostrei-lhes igualmente os locais onde decorreriam a cerimónia e boda.

 - Na véspera, informei-as de que levaria os tablets um livrinho de mandalas e um caderno branco com canetas numa bolsa para uso único e exclusivo no restaurante entre tempos de espera dos pratos, ou seja, enquanto se comia não havia "tecnologias" nem papeis na mesa. Dei autorização para levarem 1 brinquedo pequeno cada uma (escolheram um ponei) com a mesma ressalva: enquanto se come, não há brinquedos na mesa.

- Usei a ameaça de que, em último caso, se o comportamento delas fosse o de um bebé, seria assim que seriam tratadas e, posto isto, o carrinho de gémeos bengala estaria pronto a ser usado (sim, elas ainda cabem lá dentro e não, não têm a força nem a destreza necessária para abrir os fechos de segurança para soltarem os cintos. E sim, eu seria maluca o suficiente para as levar num carrinho).

- Haveria um bónus, uma pool party na banheira com brinquedos à escolha, durante muito tempo, se tudo corresse bem, no mesmo dia da festa, mal chegássemos a casa.

 

 

Então, vamos aos resultados:

- a cerimónia foi curtinha mas as piolhas não entenderam os rituais nem o senta-levanta nem acharam piada nenhuma à benção com óleos (lá lhes disse que isso é só para quem vai ser batizado) e não perceberam o porquê de se dar tanta importância a um banho na cabeça. E disseram que não queriam ser batizadas porque podem tomar banho com champô em casa (obviamente que, quando estas noções mais abstratas forem mais fáceis de entender, lhes explicarei devidamente em que consiste o batismo e o porquê da sua ritualização). Estiveram perto da pia batismal e não perderam pitada mas não conseguem perceber o porquê de alguém querer fazer isto (expliquei muito brevemente que tem a ver com aquilo em que as pessoas acreditam e que é o que chamamos de "religião", o acreditar num deus ou em Jesus, por exemplo. Again, demasiado complexo). Estiveram com o padre no final mas não perceberam nada do que ele lhes disse, apesar da sua boa vontade (tentou meter-se com elas com uma piada entre choca de "choca aqui", choca de galinhas e choca sem travões. Elas estavam a olhar para o vazio...) mas foram muito cordiais e educadas. Conseguiram perfeitamente adequar o comportamento ao local - ao contrário de outras crianças que corriam pela igreja como se estivessem numa pista de atletismo - e até evitaram conversinhas.

- Adoraram a parte das fotografias no jardim e até tiveram direito a 5 minutos de photoshooting só para elas.

- como tínhamos comido uma sopa antes de sair de casa, no restaurante, aguentaram a espera à entrada sem grandes ansiedades, apesar de já terem os tablets na bolsa. Mas, como tinham à sua responsabilidade a entrega das prendas, estavam com o foco de atenção devido. Quando entrámos, escolhi um local na ponta da mesa, de modo a ficar no meio das duas, mais afastada dos naturais grupos de familiares e, após pestiscarmos algo (fiquei logo pasma pois comeram camarão, algo que costumam recusar), lá fomos intercalando momentos de tablet/pintura/desenho com refeições. Entre pratos principais, ainda brincaram um pouquinho com o seu amigo Z. e, quando voltaram para a mesa, fizeram uma nova amiga, a C. que veio pintar com elas e a quem uma das piolhas até ensinou a fazer a data.

Estiveram super reguladas, muito serenas e tranquilas, sem ansiedades - ao contrário de mim, que estava apavorada -, muito educadas, comeram tudo o que lhes pus no prato e nem sequer houve cenas loucas com águas e sumos (como há em casa, tipo, encher a barriga de água antes de comer) - e eu até descobri que gosto muito de vinho verde. Não quiseram sobremesas doces mas sim salada de fruta (!!!) e adoraram faer desenhos e pintar, pois logo se fartaram dos tablets.

Tive medo de esticar a corda pois acabara-se o tempo do "come" e chegara a hora das bebidas, pelo que, viemos embora. Despedimo-nos de todos e, muitas pessoas que as conhecem, deram-lhes os parabéns por terem estado tão bem. Eu própria mal acreditei. Juro que se não tivesse lá estado e visto, se fosse alguém a contar-me, eu acharia que me estavam a pregar uma white lie, uma mentira caridosa.

E o prometido é devido, mal chegámos a casa, toca a encher a banheira :)

 

 

Estou - ainda - extremamente orgulhosa do quanto alcançaram nesse dia, do quão fantásticas foram e estiveram e do imenso que mostraram. Tão orgulhosa, mesmo! Acho que todos merecemos palmadinhas nas costas, hey, go us!!!

 

 

 

 

 

(Depois disto, descompensaram logo no dia seguinte - já o esperava - mas, no dia a seguir, arrisquei mais um bocadinho - por necessidade - e ainda estiveram comigo numa reunião cerca de uns 40 minutos (amen to tablets and mandalas!!!) e andaram comigo a tratar de papeis e burocracias escolares. Um dia de cada vez e valorizemos o que corre bem!)

 

 

 

 

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publicado às 16:53

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