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O velho ano trouxe um final de aprendizagens e de resoluções, de erros que não quero repetir, de medos que não posso voltar a sentir. O novo ano entrou e eu estou ainda em fase de aprendizagem a um novo e (bem) mais calmo ritmo, a adaptar-me a um novo "eu", a testar as minhas limitações, a ver até onde posso ir sem dores e sem recaídas.

 

O novo ano traz também velhas rotinas que nos ajudam e das quais necessitamos. Consulta de autismo para muito breve. Estaria a mentir se dissesse que, à luz deste meu novo "eu" zenificado, não estu ansiosa nem aprensiva nem insegura. Estou, como estou sempre. Mas sei que as piolhas evoluíram tremendamente, vejo e quase que se sente essa evolução de forma palpável. Se está tudo bem? Longe disso. Temos ainda um longo longo caminho a percorrer mas já dá para perceber que algumas etapas serão bem menos árduas, que há "áreas de serviço" para descansar pelo caminho, que há surpresas boas depois de uma curva perigosa.

 

O autismo está lá, não vai desaparecer nunca, elas nunca serão neurotípicas, a vida será sempre vista por elas com um filtro diferente do nosso, precisarão de apoios durante mais tempo do que qualquer outra pessoas e não, não nos enganámos, o diagnóstico é mesmo esse, não é nenhuma perturbação noutra qualquer área. Sim, custa-me horrores vê-las completamente sozinhas nos intervalos, a passear pela escola mas, depois, penso que, serão sempre as duas, nunca estarão sozinhas. Temos a gemelaridade a nosso favor.

 

Por isso, para já, esses meus já conhecidos medos vão começando a assombrar, à medida que o tempo escorre mas vamos e vamos assim mesmo com medos e tudo.

 

 

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publicado às 20:53

Tagarelice #52

por t2para4, em 29.09.16

A propósito deste artigo que diz que a hipótese de ter gémeos fraternos está no nosso código genético, conversava com as piolhas sobre mais esta curiosidade sobre gémeos:

- O vosso bisavô materno era gémeo fraterno e o vosso avô paterno também é gémeo fraterno. Logo, de acordo com esta informação nos vossos genes - que também está nos meus genes -, vocês poderão também ser mamãs de gémeos, quando quiserem ter filhos. Que giro, não é?

- Eu não quero ser mãe. 

- E eu também não. Não queremos que sejas avó nem a avó seja bisavó.

- Mas eu quero ser avó! Daqui a muitos anos, claro. - dizia eu

- Nós não queremos ser mães. Mas tu podes ser. Eu gostava tanto de ter mais gémeos...

- Ó filhota, quando tu tiveres 20 anos, a mãe e o pai andarão perto dos 50 anos... Os bebés de agora teriam apenas 10 anos nessa altura... Não sei se teremos forças para mais como vocês...

- Eu ajudo, mãe. Vá lá.

- Ajudas? A carregar 2 ovos, 1 carrinho, 2 bolsas de roupa ou brinquedos, biberons? É muito material pelas escadas acima!

- Eu ajudo.

- Não me parece que tenhas sorte, filhota. Só se for por imprevisto da vida... 

 

 

E anda isto. Pensei que era apenas uma fase que achasse gira mas a miúda está mesmo naquela de querer ter mais irmãos... Ela bem tenta... Mas, lá está, não sei se terá muita sorte...

 

 

 

 

 

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publicado às 13:05

Sempre de igual? Às vezes, não!

por t2para4, em 28.09.16

A tentação é grande: duas bebés exatamente iguais (ou com diferenças mínimas), gémeas idênticas, mesmo peso e altura, mesma constituição. Dá vontade de vestir de igual. E sim, admito que o fiz e ainda faço. Ou, quando não estão de igual, estão com roupas iguais, mas de cores diferentes.

E, obviamente, entram aqui os comentários a que já me habituei ao longo dos anos: “mas andam sempre de igual?” (não, não andam), “não estão de cores iguais mas a roupa é igual” (sim, foi comprada no mesmo lugar e até é do mesmo tamanho, se virem com atenção), “tens de as deixar escolher a roupa delas” ou “tens de deixar de as vestir de igual” (e quem vos diz, a vocês, que sou eu que decido?)

 

Pois é, na questão da escolha das roupas, a palavra final é minha mas são as piolhas quem escolhe como querem ir vestidas para a escola ou que roupas usar. A minha palavra final diz respeito à adequação da roupa à temperatura e clima desse dia ou ao facto de terem ou não uma atividade que implique outro vestuário.

Na altura de preparar as roupas para o dia seguinte, a pergunta é sempre a mesma: “amanhã, querem ir de igual ou diferentes?”. E, dependendo da agenda mental delas, escolhem como querem ir. Esta semana, por exemplo, têm ido com roupas diferentes. O mesmo estilo, mas diferentes.

Na altura de comprar roupa nova, a pergunta também tem sido a mesma: “querem comprar igual ou diferente?”. E a resposta também varia consoante a vontade delas. E, em 99% das vezes, acabam por comprar de cor diferente mas com estilo igual ou diferente em quase tudo mas muito parecido.

 

E, ainda assim, talvez porque é giro espicaçar pais com filhos gémeos, ainda ouço por que razão não estão elas com roupas diferentes! Mas estão, basta olhar! Fisicamente são peças diferentes eheheheh agora a sério: se fossem amigas próximas e se se vestissem de igual ou muito parecidas, alguém iria dizer alguma coisa? Já passaram perto de alguma escola com miúdas do 3º ciclo e secundário? Olhem bem para as roupas que vestem e expliquem-me lá por que razão elas se parecem todas imenso umas com as outras (cabelos longuíssimos esticados ou longuíssimos frisadíssimos) e se vestem quase todas de igual – o mesmo igual em que muda apenas a cor – (skinny gangas esfarrapadas nos joelhos, sapatilhas ao estilo Allstars ou Adidas, por exemplo). Serão todas elas gémeas? Não me parece.

 

Quando fui bombardeada com todas estas perguntas – incluindo da parte do marido -, respondi que me deixava guiar pelo que as piolhas escolhiam. E, mesmo assim, mal tive a oportunidade perguntei a duas gémeas idênticas adultas, como elas faziam, depois de explicar como faziam as piolhas. Elas - as gémeas adultas - são muito práticas: adoram andar de igual mas compram coisas diferentes quando ambas querem muito as mesmas coisas mas não vão comprar 4 camisolas, então, compram 1 de cada e vão trocando entre elas. (O engraçado é que as piolhas fazem o mesmo). Quanto ao look, elas gostam mesmo de ter o cabelo comprido devido ao formato da cara e tipo de cabelo. As piolhas, para já, apenas querem cabelos compridos e o escadeado é o que lhes fica melhor.

 

Quando e se quiserem tornar-se o mais distintas possível, uma da outra, fisicamente, são livres de o fazer. Até lá, para já, vão alternando entre o ir de roupas iguais ou diferentes, consoante lhes apetece. O mais giro de tudo? Trocarem as voltas aos colegas e amiguinhos quando vão vestidas de igual ehehehhehe

 

 

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publicado às 21:53

Uma mão cheia de filhas

por t2para4, em 13.06.15

Mas só duas é que são minhas; as outras três são as nossas amigas próximas como se fossem familiares emprestadas pela vida, amadas desde o início, todas juntas.

 

Conheci a G. na maternidade pouco depois de ambas começarmos as nossas consultas de gravidez múltipla: eu com gémeas (idênticas,) elas com trigémeas (duas idênticas/uma fraterna). As coincidências uniram-nos logo no primeiro internamento: além de partilharmos a suite, partilhavamos uma gravidez múltipla espontânea, sem dificuldades, com datas de concepção próximas e datas previstas de parto também próximas, somos da mesma idade, tínhamos casado no mesmo ano. Nós e as nossas barrigas sobrelotavamos o quarto. Ela ficou internada por um longo período de tempo, eu fui tendo altas e admissões que coincidiam com o regresso ao mesmo quarto.

 

E, num belo dia de Santo António, sem que nada o fizesse prever, às (apenas) 29 semanas, as nossas trigémeas tiveram que nascer. E seguiram-se quase 4 meses de internamentos, de emoções doidas, daquelas dificuldades que só os pais de bebés prematuros entendem na perfeição. 3 meses de incubadora xpto, método canguru apenas autorizado meses depois, momentos de aflição gigantescos seguidos de alívios que quase se palpavam. Apesar de não ter autorização para visitar as meninas (porque eu própria tinha de ficar deitada e não ser da família), ia sabendo delas com regularidade e recebia a visita da mãe no meu quarto quase sempre. Sempre que chegava com os olhos inchados e cara fechada, o meu coração parava e eu só rezava para que a mais pequenina (a que nasceu com pouco mais de 600 gr e ficou com algumas sequelas a nível motor) se aguentasse e se agarrasse às irmãs. E lá se ouviam as minhas preces silenciosas e eu quase me sentia um balão a esvaziar de alívio.

 

E, um dia, entrei em trabalho de parto. E as 3 primeiras pessoas (além de mim e da equipa médica) a verem as minhas gémeas foram o pai, a avó materna e ela. Isto tem que ter um significado grande, obviamente. Estamos unidas pelas nossas filhas, pelo nosso percurso de barriga e, apesar da distância geográfica, mesmo que fiquemos alguns meses sem falar, parece que nunca passou tempo nenhum.

 

As nossas meninas estão enormes, umas já com 8 anos feitos hoje, outras a caminho. Umas louras, de olho azul límpido, com cerca de 1,40m de altura e com um desenvolvimento tal que, hoje, além de ninguém acreditar que são trigémeas, ninguém acredita memso que uma delas foi uma superprematura!! As outras, morenas, de olho castanho com aro verde escuro, com os seus 1,25m, surpeendem toda a gente com o seu ótimo peso ao nascer e dispensam incubadoras e internamentos; olham para as amigas querem ter o cabelo comprido igual aos das trigémeas mas em castanho!

 

E, quando se juntam e vemos ali uma mão cheia de filhas, todas lindas, fortes, saudáveis, guerreiras e já com tanto vivido, ninguém consegue entender a nossa alegria, o nosso orgulho.

 

São e serão sempre as nossas meninas, louras e morenas. E, 8 anos depois, esta é a minha maneira de desejar mais um "Feliz aniversário"!

 

 

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publicado às 19:41

Novembro - mês da prematuridade

por t2para4, em 16.11.14

E dia 17, o dia escolhido para assinalar a consciencialização e sensibilização para a prematuridade.

Toda a informação sobre o que é a prematuridade, o que é ser-se prematuro, que condições especiais um bebé prematuro requer, que tipo de prematuro pode um bebé ser, etc, uma verdadeira fonte de informação fidedigna em http://www.xxs-prematuros.com

 

As piolhas seriam consideradas prematuras pré-termo limiar, visto que nasceram às 35 semanas + 5 dias e com peso de 2,430kg. Seriam consideradas mas eu nunca as considerei prematuras por razões que explicarei à frente.

 

As piolhas sempre foram muito apressadinhas para nascer e cresciam demasiado depressa para o ritmo do meu útero. A certa altura, fiquei proibida de fazer festinhas na barriga ou de estar com a mão pousada (o que me custou imenso....) e até a sonda do ecógrafo fazia saltar o gráfico das contrações... Foi a muito custo pessoal e com muito empenho da parte da minha família e da equipa médica que me/nos acompanhou que as piolhas se aguentaram tão bem e tanto tempo, surpreendendo toda a gente com um peso excecional. O risco de super prematuridade surgiu logo às 24 semanas, altura das ordens de repouso absoluto. E o risco não era só para as bebés nem para mim, era para todos nós... O incrível é que a maternidade onde fiquei e onde fomos bem tratadas (exceto nas consultas de desenvolvimento mas isso são outros quinhentos), não estava preparada para receber mais bebés prematuros abaixo do peso considerado habitual. Quase todas as incubadoras estavam ocupadas e só havia uma de reserva no sótão + a do INEM em caso de necessidade. Esta hipótese esteve sempre pendente sobre as nossas cabeças até ao dia do parto. Lembro-me perfeitamente da angústia, do medo que senti e do quanto chorei quando a equipa médica se reuniu no quarto onde eu estava e falava como se eu não estivesse presente, ponderando uma transferência para os únicos locais do país preparados para bebés com tão baixo peso: ou Porto (no São João) ou Lisboa (na Estefânia). Mas ninguém se chegava à frente pois a viagem era um risco, quer de helicóptero quer de ambulância. Foi às 33 semanas e as ecografias mostravam bebés saudáveis (embora também pairasse sobre nós a ameaça de ter apanhado varíola, o que nunca se confirmou) mas com baixíssimo peso para o tempo de gestação. Acabámos por vencer essa batalha, à custa de imensa medicação e corpo deitado... Quando me punha de pé e precisava de andar, parecia que tinha as pernas descoordenadas e não aguentava o peso da barriga.
Entrei em trabalho de parto sem o saber. A equipa foi surpreendida e não dava para esperar mais. Lá veio a incubadora de reserva e o INEM foi alertado. Escusadamente porque as piolhas surpreenderam tudo e todos ao nascerem com quase 2,5kg!!!! Tudo impecável, capacidade respiratória perfeita, indíce de apgar normalíssimo, tudo fantástico e até mamaram na primeira meia-hora! O mecónio de uma foi feito mal nasceu, o da outra pouco depois. Portanto, órgãos a funcionar perfeitamente.

 

Apesar de não terem ido à incubadora, acompanhei de perto a luta das nossas amigas trigémeas e relembrava os gémeos da vizinha dos meus pais que cresceram lá em casa, todos prematuros. Uma das trigémeas nasceu com 650 gramas. Eu olhava para 1kg de arroz em casa e doía-me o coração... Estávamos as duas grávidas do mesmo tempo e, enquanto eu lutava para manter as piolhas na barriga, uma das gémeas dela começou a mostrar problemas com a placenta por estar a partilhá-la... Nasceram todas de 29 semanas: duas gémeas idênticas e uma fraterna. Foram meses infernais e de uma angústia horrível que aqueles pais passaram na maternidade, entre as minhas entradas e saídas e depois saída final, ao todo, cerca de 3 meses na maternidade e mais 1 mês no hospital da localidade dela... Ela foi a 1ª a ver as minhas filhas, acompanhada pelo meu marido e mãe. Uma amiga para sempre, umas meninas quase minhas também. Lembro-me tão bem, bem demais!, do aspeto que elas tinham quando começaram a livrar-se dos fios e das terapias e ainda tão vermelhinhas, tão cabeçudas, tão carequinhas, com os olhos tão salientes... E pensava que não era justo começar a vida numa luta tão grande e tão desigual. E sem saber se elas poderiam fazer o que todos os outros bebés fazem, sem dificuldades... Ninguém dava certezas de nada...
As sequelas, felizmente, foram mínimas, apesar de ter havido "buracos" na cabeça que demoraram a desaparecer. A que tinha menos peso sofre de paralesia cerebral a nível motor e precisa de fisioterapia regular e de injeções de botox no braço e perna esquerdos. Mas monta a cavalo melhor do que muitos adultos que conheço. Sozinha!
Hoje com quase 8 anos, estas meninas são lindas, inteligentíssimas, fluentes em 2 línguas, crescidonas e ninguém NINGUÉM diria que passaram por um calvário à nascença. Quantas vezes se me parava o coração quando via a mãe delas surgir na porta do meu quarto no internamento, lavada em lágrimas? Felizmente, essa má notícia nunca veio.

 

Para mim, as piolhas nunca apresentaram nenhum sinal de prematuridade exceto o tempo de gestação com que nasceram. E, tenho para mim, que essa ausência poderia ser, desde logo, um dos muitos sinais de autismo. Nunca quis e sempre objetei a sugestão da idade corrigida porque o que elas faziam/não faziam não batia nem coincidia com nenhuma das check lists que os pediatras por lá tinham. Aliás, sempre lhes fiz tudo, baseando-me na idade de nascimento. E, continuo a fazê-lo, apesar de saber que a idade comportamental deve agora rondar os 5 anos e a idade congnitiva há de andar algures perto dos 8 anos. Demasiadas idades dentro de uma idade cronológica de 7 anos e 4 meses.

 

Não tenho palavras para descrever a força com que estes bebés se agarram à vida, a luta que travam todos os minutos, as angústias e medos e sorrisos e dores e felicidade dos pais, o sabor de cada vitória mínima - aquilo que valorizamos quando aos outros é dado como facto adquirido. O pavor das sequelas, o ter que lidar com elas - quando existem - para o resto da vida, em família, desgasta relações, os pais e até os filhos. E é neste mundo cruel e injusto que vive uma mãe trabalhadora que tem lidar com tudo isto, acabando por perder o emprego ou meter uma licença interminável sem vencimento porque, durante os primeiros anos, tudo será um teste às imunidades que são diminutas, as ausências ao trabalho serão imensas, a impossibilidade de colocar os filhos numa creche uma realidade. E poucos, muito poucos, percebem que a prematuridade não é só no nascimento mas também durante muitos anos...


Por isso, hoje, haverá uma peça roxa no meu vestuário em honra das minhas lindas guerreiras trigémeas mas também de todos aqueles que lutaram desde o 1º minuto de vida, quando essa fase deveria ser de tudo menos de luta.

 

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publicado às 21:55

Double trouble? Ná, orgulho a dobrar!

por t2para4, em 11.11.14

Há coisas que só os gémeos idênticos fazem e que eu nunca pensei que as minhas gémeas idênticas o fossem fazer, aliás, desistira de o esperar.

Eu explico melhor. Há coisas que fazem parte do mundo encantado dos gémeos idênticos como o culpar o irmão com o propositado intuito de baralhar os pais, o baralhar propositadamente os pais respondendo pelo nome do irmão, o trocar de lugares com o irmão, o falar criptofásico.

 

As minhas piolhas, gémeas idênticas, passaram pela criptofasia - confesso que ainda há alguns termos que me escapam e que são coisas mesmo e somente delas -, pela tentativa de enganar os pais - a mim! - respondendo pelo nome trocado, pelo culpar constante uma da outra para que ficássemos mesmo baralhados. E pronto. Ficou por aí a minha ânsia de cenas gemelares.

 

Mas ontem, ontem, eu saí da escola feliz. E admirada. E feliz. E estupefacta.

As piolhas estão sempre juntas, em todas as atividades por opção nossa e delas, mas, na hora final do ATL, os muitos pares de gémeos são separados por salas e tem funcionado muito bem. Como os alunos com e sem ATL saem todos pelo mesmo bloco, a confusão é imensa e os monitores organizam-se por filas para cada responsável levar a sua fila de meninos até à respetiva sala.

A minha alegria começa aqui: aproveitando a confusão, a gémea mais caladita, engendra o plano de trocar de lugares com a irmã porque na sala da irmã estava um brinquedo qualquer de que gosta imenso. Plano aceite, troca feita. E cada uma se manteve fiel à troca, sem se descair. Elas até foram com roupas de cores diferentes para a escola, por isso, tudo a corre bem.

Na sala da piolha do plano brilhante, os monitores acharam estranho mas, mesmo ao perguntarem o nome, ela esquivava-se e nada de se descair. Só foi totalmente descoberta e as dúvidas retiradas na altura da chamada... Como são muito territorialistas com o nome, a piolha disse que havia um erro na lista e que era o nome dela que ali deveria estar e não o da irmã.

 

Eu achei isto extremamente brutal. É qualquer coisa de extraordinário. O pensar e congeminar um plano - ainda que simples -, o aproveitar a confusão para fazer a troca, o saber que estariam sempre com pessoas conhecidas e seguras, o seguir em frente com esta ideia mostra um desenvolvimento e uma capacidade incríveis. Eu estou maravilhada (ainda vou arrepnder-me disto mas quero lá saber!!!!), é gigantesco! Não tenho palavras ideais para descrever este passo incrível.

Eu e o pai achámos tremendo e rimos bastante com isto. E sentimo-nos bem. E elas fizeram algo que só os gémeos idênticos podem e conseguem fazer e que eu - confesso - tanto ansiava que fizessem.

 

You go, girls!

 

 

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publicado às 20:38

Diz que hoje é dia dos gémeos

por t2para4, em 01.08.14

Por isso, feliz dia dos gémeos!!!

 

 

Cumprimentos a todos os pares e triplos que conhecemos, desde familiares, amigos e conhecidos. E são muitos! Admirável mundo este da gemelaridade e que tanto me fascina, quer pelo interesse em si, quer pelo facto de, entre mim e o marido, termos conseguido combinar, de forma natural, os nossos genes e a nossa hereditariedade e termos tido as nossas gémeas (que teriam sido trigémeas, não fosse uma das bolsas não ter vingado, mas isso é outro assunto).

 

Um feliz dia, portanto!

E, por aí? Quantos gémeos - pais, filhos, avós, etc. - nos leem?

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publicado às 12:31

Autismo: o que mostra um grande estudo de gêmeos
O autismo é uma doença neurológica complexa que se caracteriza pelo comprometimento na linguagem  atraso do início da fala, comunicação, interação social e estereotipia ou movimentos motores repetitivos, como agitar as mãos  e que tem sido objeto de muitas pesquisas. No início acreditava-se que tinha causas ambientais. Culpavam a mãe por não saber estimular suficientemente ou rejeitar os filhos (classificadas em inglês como refrigerator mothers). Um estudo publicado em 1988 na Inglaterra associou a aplicação de vacinas com o desenvolvimento do autismo. Recentemente foi demonstrado que a pesquisa era uma fraude, mas que teve um impacto negativo gigantesco porque muitos pais deixaram de vacinar seus filhos com medo que pudessem desenvolver autismo.
 
Hoje sabe-se que há um componente genético importante e acredita-se que há vários genes que interagindo com o ambiente podem levar ao desenvolvimento do autismo. Mas a grande questão é saber quais são esses genes e qual é a importância do ambiente no desenvolvimento do autismo? Para tentar tirar isso a limpo um grupo de pesquisadores americanos acaba de publicar um trabalho na revista Archives of General Psychiatry comparando a incidência de autismo em gêmeos idênticos e gêmeos fraternos. Para falar mais sobre isso entrevistei a Dra. Maria Rita Passos-Bueno, que desenvolve uma pesquisa importante no Centro do genoma Humano em genética de autismo.
 
Segundo a pesquisa realizada, que acaba de ser publicada, os autores concluem que embora a parte genética tenha um papel importante, o ambiente teria mais peso no desenvolvimento da doença. Você pode explicar como foi feito esse estudo?
 
A comparação da coincidência (ou concordância) do autismo nos pares de gêmeos idênticos (ou monozigóticos) em relação a coincidência do autismo nos pares de gêmeos fraternos (também chamados de dizigóticos) pode nos dar uma pista sobre a relevância dos fatores genéticos e ambientais na expressão da doença. Este estudo publicado na revista Archives of General Psychiatry fez exatamente isto. Os autores mostraram que o componente genético explica aproximadamente 40% da doença enquanto que 60% da expressão da doença depende de fatores ambientais.
 
Este trabalho difere dos anteriores pelo critério rigoroso quanto a classificação clínica do autismo e o número maior de pacientes analisados (192 pares de gêmeos) de forma que os dados podem ser mais representativos. De qualquer forma, o principal recado deste artigo, é que não só fatores genéticos, mas também fatores ambientais contribuem para a expressão do autismo.
 
Os pesquisadores que buscam a etiologia do autismo precisam ter isso sempre em mente. É importante ressaltarmos aqui que quando falamos de fatores ambientais, que ainda são pouco conhecidos, não estamos voltando a culpar a mãe. Poderia ser, por exemplo, uma deficiência de oxigenação na hora do parto ou algum outro fator durante a gestação. Os fatores ambientais são fisiológicos e não emocionais.
 
A pesquisa que você está realizando no CEGH aponta para um mesmo resultado?
 
A pesquisa na área de genética de autismo que desenvolvemos no CEGH não deve ser comparada diretamente com este estudo epidemiológico, pois estamos estudando pacientes que já têm alguma alteração cromossômica, mesma que pequena, para entender melhor o autismo principalmente na sua parte genética.
 
Você acredita que a partir desses estudos será possível encontrar um tratamento para o autismo?
 
Acreditamos, sim, que entender melhor a causa do autismo abre perspectivas de tratamento, pois permitirá identificar drogas que possam amenizar o efeito da alteração genética responsável pelo autismo naquele determinado caso. Um dos fatores importantes para o sucesso destas intervenções será certamente o tratamento precoce e, consequentemente, estes pacientes precisam ser diagnosticados o quanto antes. O diagnóstico precoce é ainda um problema importante no nosso meio, apesar de que há alguns grupos, como o liderado pelo Dr. Estevão Vadaz, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
 
Um outro aspecto importante, é que parece haver um grande número de possíveis causas para o autismo, de forma que entendendo um caso, não sabemos quanto poderemos ajudar os outros. Ao desvendar os aspectos genéticos do autismo, no entanto, poderemos contribuir não só na busca de tratamento como também na realização de diagnóstico mais precoce com maior precisão.
 Por Mayana Zatz
Em http://www.gemeosemais.com/#!__artigos/outros/vstc216=autismo-o-que-mostra-um-grande-estud

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publicado às 09:12

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