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A inclusão, ai , a inclusão.

por t2para4, em 16.01.17

É a panaceia que se quer atribuir aos atuais sistemas, sejam eles de saúde, educativo ou até social. Promover a inclusão, falar de inclusão, proporcionar meios de inclusão é muito discutido e fica bem em qualquer documento - principalmente em relatórios ou atas de reuniões escolares. É, assim, tipo, chique, sei lá.

 

Mas, vamos começar do início, sim?

Comecemos pela definição mais básica, aquela que qualquer dicionário conteria:

 

a.jpg

b.jpg

 

 (gosto particularmente, da origem "encerramento" - leia-se a ironia

 

Portanto, é basicamente aceitar, abranger, incorporar como se de uma receita se tratasse, do género, "agora inclua os ovos e mexa. Ta-da! É só levar a massa ao forno, et voilà, l'inclusion parfaite". 

 

 

Avancemos, agora, para um conceito do que é inclusão. Também é algo que fica bem num trabalho de secundário quando os alunos precisam de falar de algo muito abstrato e complicado e saem coisas assim:

http://conceitos.com/inclusao/

 

(inclusão por oposição a exclusão, nunca teria pensado nisso... Ironia, again)

 

Agora vejamos este artigo, na minha opinião, muito bem escrito e que mostra o lado perverso da inclusão tal como nos parece imposta nos dias que correm.

https://www.publico.pt/2014/03/17/sociedade/noticia/o-que-e-a-inclusao-1628577

 

 

E, agora, as minhas considerações:

De vez em quando, vou espreitar as piolhas à escola, nas horas do intervalo. E o que vejo são duas crianças perfeitamente incluídas na rede escolar e na turma. O que também vejo são duas crianças a passear sozinhas pelo recinto escolar porque não se sentem incluídas nas brincadeiras ou nas atividades dos colegas, embora estes as aceitem como são, ainda que com dificuldade em entender o patamar de desenvolvimento em que estão - uns e outros. A realidade é que, se, na sala de aula, as piolhas até podem estar mais à frente na compreensão imediata e direta dos conteúdos - esta é outra coisa que o nosso sistema gosta de perverter, como se o escolasticamente adquirido fosse alguma vez aplicável e aplicado no contexto da vida real sem sermos professores -, naqueles momentos de amostra real do que é a vida social, elas estão bem atrás dos colegas. Ainda não estão na fase parvinha mas normal das meninas apaixonadas pelos coleguinhas ou com conversas tolinhas mas normais sobre a família, as roupas, o drama que é ser-se criança nesta idade. E, honestamente, por muito que me doa vê-las sozinhas naquela escola enorme - e que seria o mesmo numa escola pequena -, até prefiro que assim seja pois não sofrem com a pressão do ter que estarem incluídas à força num grupo onde todos os sinais sociais são difíceis de interpretar e para os quais não possuem filtros, maturidade, leitores e lhes causaria uma ansiedade incontrolável. 

Neste momento, na minha ótica, a verdadeira inclusão passa por uma coisa tão simples quanto básica e fundamental: a aceitação. A aceitação de que não podemos nem devemos ser todos iguais, de que há determinados apoios - nomeadamente terapias - que são necessários como de pão para a boca e não deveriam ser alvo de cortes cegos, de que a escola deveria ser bem mais do que apenas um poço de despejo de conteúdos e conteúdos onde não há tempo para mais nada a não ser livros e papéis e folhas e programas e metas e reuniões. Não há espaço nem aceitação pela diferença no criar, pela diferença do que é estar alheado daquele lugar mas ainda assim capaz de perceber o que se pretende aprender, pela diferença que é sermos quem somos, por estarmos mais atentos hoje do que alguma vez estivemos a direitos básicos .

Eu não quero crianças formatadas, zombificadas, incluídas sei lá em quê só porque há uma suposta norma do que é socialmente aceita fazer agora; eu quero crianças felizes e tolerantes, capazes de perceber que todos somos humanos, que todos temos direitos, capazes de respeitar e tolerar, de compreender o ser-se ou não parte integrante e incluída de um grupo, de um contexto, do que quer que seja.

De forma simplista, é esta a minha versão de inclusão. Não pretendo panaceias nem desdéns nem coitadinhices. Só pretendo que nos aceitem como somos. Simples, assim.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:47

Estivemos em mais um evento

por t2para4, em 16.11.14

No 4D&Friends, como tinha referido anteriormente. E os motivos prendem-se com questões pessoais, profissionais, de lazer e porque sim.

Raramente vamos a eventos e, na definição da palavra, poderemos incluir concertos, festas populares, algumas festas de aniversário, casamentos/batizados, festas de aldeia, mercados centrais. E as razões são as do costume: muita gente, muita confusão, ambientes barulhentos e com muitos estímulos (cheiros, sons, imagens, luzes), imprevistos impossíveis de antever, ausência de locais onde possamos refugiar-nos na iminência de um meltdown. Por isso, todos os locais onde vamos em passeio ou festas a que levamos as piolhas são bem ponderadas para que não seja estranho nem para elas, nem para nós, nem para os outros, em caso de crise.

 

As piolhas têm ido a algumas festas de aniversário e eventos públicos que seguem alguns dos trâmites mentalmente impostos por mim ou pelo pai: espaços amplos, pessoas conhecidas, mínimo de confusão, som controlável.

O evento do passado dia 2 de novembro encheu-nos as medidas. A Quinta da Pousada de São Pedro é um local fantástico, com um salão completamente amplo e sem pilares a meio; ida direta ao bar sem termos que fazer um percurso de obstáculos; disposição dos expositores das marcas muito bem pensado e organizado de forma a não nos baralhar nem forçar a passar pelos mesmos locais duas ou três vezes; espaços privados para mamãs que amamentam/aleitam e muda-fraldas, separados dos habituais wc; um espaço exterior maravilhoso perfeitamente adaptado e adequado a carrinhos de bebé, cadeiras de rodas ou andarilhos; piscina vedada com a proibição de utilização durante eventos (adorei a medida); estímulos exteriores saudáveis de forma a minimizar o aglomerado de pessoas no interior. E o insuflável fez as primeiras delícias das piolhas.

Passei a valorizar muito muito mais pessoas que têm em consideração o acesso a espaços que tenham determinadas condições para receber todas as pessoas. E enche-se-me o coração de alegria quando verifico que um evento preparado para uma escala bem maior do que o esperado, tem tudo aquilo que me/nos permite usufruir de tudo: compras, espaço, serviços, brincadeiras, sem esquecer áreas dedicadas às crianças como individuos com vontades próprias e não apenas os acompanhantes dos pais.

As más-línguas podem acahar snobismo ou esquisitice da minha parte pois quem vai a shoppings vai a todo o lado. Errado. As nossas idas ao shopping foram treinos e seguem rotinas que não podem ser quebradas (visitas por aquela ordem àquelas lojas para ver aqueles produtos e comer aquelas comidas, única e exclusivamente) mas que servem de preparação para a confusão facial, de vozes, sons, luzes, que incomodam muito quem tem autismo. Ir ao um congresso ou evento num salão sem acesso ao exterior - um exterior seguro - não é a mesma coisa e implica uma preparação prévia exaustiva da nossa parte. Não vale a pena o esforço. E, em caso de crise/meltdown, onde poderemos refugiar-nos? Num wc do género balneário?

Continuaremos com as nossas opções que, até ao momento, não têm sido más de todo.

 

As piolhas maravilharam-se com a mousse de chocolate do bar e com a conversa fiada da Concha e do Afonso, que, sem as conhecerem de lado nenhum, se meteram logo com elas por causa dos brinquedos e dos blogs. E a pobre da minha mãe sem perceber nada da conversa mas encantada com o à-vontade deles e delas!

Eu confesso-me maravilhada com o expositor da Catavento e, ao passar por ele umas poucas de vezes, pois estava mesmo ao lado da zona infantil onde as piolhas pintavam as caras e se divertiam com balões e jogos da macaca, namorisquei uns quantos jogos. Como já vem sendo hábito no t2, a maioria dos jogos didáticos que se aplicam às piolhas nesta fase já os temos (story cubes, puzzles em histórias, livros sociais, etc.) mas, ainda assim, acabei por comprar um puzzle de 200 peças com um mapamundo onde nos continentes estão desenhados os animais característicos de cada zona do globo, com poster incluído. Fiquei fã.

No espaço exterior, as maravilhas de um insuflável dão uns bons minutos de sossego aos pais. Pude sentar-me e conversar com a minha mãe enquanto as piolhas saltavam e atacavam com pulos a vaca e as latas do leite. E até havia um ponei!!!!! A única grande desilusão é que, além de cheirar mal (a ponei, pois...), não era colorido nem tinha cabelos compridos nem a magia da amizade para espalhar. Mas fizeram-lhe muitas festinhas e visitaram o cavalo ao lado que também recebeu miminhos.

 

E, depois de mais uma voltinha no relvado e umas fotos, beijinhos dados à Sofia e mais uns quantos enviados para a família e lá fomos nós de regresso a casa.

Este tipo de saídas costuma correr bem devido à variedade de hipoteses em caso de "indisposição" das piolhas. E, à medida que elas vão crescendo e adquirindo mais capacidades e competências sociais, mais fácil se torna para nós também. Para já, só tenho a agradecer a pessoas como a Sofia que, mesmo sem se aperceberem, têm aquela sensibilidade especial para criar algo a que posso chamar inclusivo.

 

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publicado às 18:09

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