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Estivemos em mais um evento

por t2para4, em 16.11.14

No 4D&Friends, como tinha referido anteriormente. E os motivos prendem-se com questões pessoais, profissionais, de lazer e porque sim.

Raramente vamos a eventos e, na definição da palavra, poderemos incluir concertos, festas populares, algumas festas de aniversário, casamentos/batizados, festas de aldeia, mercados centrais. E as razões são as do costume: muita gente, muita confusão, ambientes barulhentos e com muitos estímulos (cheiros, sons, imagens, luzes), imprevistos impossíveis de antever, ausência de locais onde possamos refugiar-nos na iminência de um meltdown. Por isso, todos os locais onde vamos em passeio ou festas a que levamos as piolhas são bem ponderadas para que não seja estranho nem para elas, nem para nós, nem para os outros, em caso de crise.

 

As piolhas têm ido a algumas festas de aniversário e eventos públicos que seguem alguns dos trâmites mentalmente impostos por mim ou pelo pai: espaços amplos, pessoas conhecidas, mínimo de confusão, som controlável.

O evento do passado dia 2 de novembro encheu-nos as medidas. A Quinta da Pousada de São Pedro é um local fantástico, com um salão completamente amplo e sem pilares a meio; ida direta ao bar sem termos que fazer um percurso de obstáculos; disposição dos expositores das marcas muito bem pensado e organizado de forma a não nos baralhar nem forçar a passar pelos mesmos locais duas ou três vezes; espaços privados para mamãs que amamentam/aleitam e muda-fraldas, separados dos habituais wc; um espaço exterior maravilhoso perfeitamente adaptado e adequado a carrinhos de bebé, cadeiras de rodas ou andarilhos; piscina vedada com a proibição de utilização durante eventos (adorei a medida); estímulos exteriores saudáveis de forma a minimizar o aglomerado de pessoas no interior. E o insuflável fez as primeiras delícias das piolhas.

Passei a valorizar muito muito mais pessoas que têm em consideração o acesso a espaços que tenham determinadas condições para receber todas as pessoas. E enche-se-me o coração de alegria quando verifico que um evento preparado para uma escala bem maior do que o esperado, tem tudo aquilo que me/nos permite usufruir de tudo: compras, espaço, serviços, brincadeiras, sem esquecer áreas dedicadas às crianças como individuos com vontades próprias e não apenas os acompanhantes dos pais.

As más-línguas podem acahar snobismo ou esquisitice da minha parte pois quem vai a shoppings vai a todo o lado. Errado. As nossas idas ao shopping foram treinos e seguem rotinas que não podem ser quebradas (visitas por aquela ordem àquelas lojas para ver aqueles produtos e comer aquelas comidas, única e exclusivamente) mas que servem de preparação para a confusão facial, de vozes, sons, luzes, que incomodam muito quem tem autismo. Ir ao um congresso ou evento num salão sem acesso ao exterior - um exterior seguro - não é a mesma coisa e implica uma preparação prévia exaustiva da nossa parte. Não vale a pena o esforço. E, em caso de crise/meltdown, onde poderemos refugiar-nos? Num wc do género balneário?

Continuaremos com as nossas opções que, até ao momento, não têm sido más de todo.

 

As piolhas maravilharam-se com a mousse de chocolate do bar e com a conversa fiada da Concha e do Afonso, que, sem as conhecerem de lado nenhum, se meteram logo com elas por causa dos brinquedos e dos blogs. E a pobre da minha mãe sem perceber nada da conversa mas encantada com o à-vontade deles e delas!

Eu confesso-me maravilhada com o expositor da Catavento e, ao passar por ele umas poucas de vezes, pois estava mesmo ao lado da zona infantil onde as piolhas pintavam as caras e se divertiam com balões e jogos da macaca, namorisquei uns quantos jogos. Como já vem sendo hábito no t2, a maioria dos jogos didáticos que se aplicam às piolhas nesta fase já os temos (story cubes, puzzles em histórias, livros sociais, etc.) mas, ainda assim, acabei por comprar um puzzle de 200 peças com um mapamundo onde nos continentes estão desenhados os animais característicos de cada zona do globo, com poster incluído. Fiquei fã.

No espaço exterior, as maravilhas de um insuflável dão uns bons minutos de sossego aos pais. Pude sentar-me e conversar com a minha mãe enquanto as piolhas saltavam e atacavam com pulos a vaca e as latas do leite. E até havia um ponei!!!!! A única grande desilusão é que, além de cheirar mal (a ponei, pois...), não era colorido nem tinha cabelos compridos nem a magia da amizade para espalhar. Mas fizeram-lhe muitas festinhas e visitaram o cavalo ao lado que também recebeu miminhos.

 

E, depois de mais uma voltinha no relvado e umas fotos, beijinhos dados à Sofia e mais uns quantos enviados para a família e lá fomos nós de regresso a casa.

Este tipo de saídas costuma correr bem devido à variedade de hipoteses em caso de "indisposição" das piolhas. E, à medida que elas vão crescendo e adquirindo mais capacidades e competências sociais, mais fácil se torna para nós também. Para já, só tenho a agradecer a pessoas como a Sofia que, mesmo sem se aperceberem, têm aquela sensibilidade especial para criar algo a que posso chamar inclusivo.

 

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publicado às 18:09

Uma atividade perfeita a fazer com os nossos piolhos, antes do lanche :)

 

 

 

 

Uma actividade sobre inclusão a acontecer em Coimbra, hoje,  sábado 07/12/2013, às 15h e às 17h.

 

Uma história sobre inclusão onde 2 actores, 1 tapete e muitas personagens entrarão em diálogo entre si ... e talvez com todos nós!

 

       Não se exclua deste evento ...

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publicado às 10:37

Conversa com uma profissional da educação que estava a fazer um calendário diário em velcro (adorei a ideia) (ver aqui) para a criança com quem trabalha: 

 

t2para4 - que  boa ideia!

ela - conhece?

t2para4 - sim, as minhas filhas têm um igual e funciona muito bem porque as estrutura.

ela - mas porquê? De onde conhece?

t2para4 - elas são autistas, com PEA, mais especificamente.

ela - as duas? (ar de qualquer coisa estranha, com sobranclha arqueada)

t2para4 - sim, são gémeas monozigóticas, daí o duplo diagnóstico.

ela -ah que engraçado!

 

(ah que engraçado! QUE ENGRAÇADO?! Onde está a graça???? Realmente é de rebolar a rir...)

 

ela - sabe, adoro trabalhar com crianças autistas. Principalmente as de alto funcionamento. As suas são assim? Temos aqui um autista mas de baixo funcionamento. Não faz nada e agora até está muito melhor mas é complicado... 

 

(e continuou a falar dele mas nem me dava a oportunidade de retorquir. Agora percebi o porquê de nunca me deixarem trabalhar com este menino e ele nunca estar na minha sala. Mas isso vai mudar. Isso é descriminação. Lamento muito mas isso incomoda-me mais que piolhos)

 

t2para4 - não gosto do termo alto/baixo funcionamento ou funcionalismo.

 

A conversa ficou por ali e, na altura, nem liguei muito a isto a não ser ao "ah que engraçado" que me ficou encravado. Mas o que é isto? Surreal no mínimo. Nem sei o que dizer. Não há sensibilidade no que se diz nem como se diz, fala-se abertamente da má-integração de uma criança como se fosse uma coisa natural e fazem-me surgir monstros na cabeça. 

Para já, vou averiguar discretamente o que se passa e por que razão aquela criança não está comigo. Se isso passar pela estruturação da sua rotina, entendo e aceito; se não está porque dá trabalho, não aceito e deem-me a oportunidade de também trabalhar com ela.

 

As escolhas que fazemos em nome dos nossos filhos passam por aqui. Só agradeço ter feito, até ao moemnto, as corretas e as minhas piolhas terem quem as ame incondicionalmente em casa e na escola, estarem integradas e haver quem faça por isso. Porque, meus amigos, comprar uma guerra comigo ou com o marido (principalmente com ele) não é uma coisa inteligente de se fazer. Não quando somos pais de crianças com necessidades educativas de caráter permanente nem quando eu sei como funcionam os meandros do sistema de educação. Não brinquem com as minhas filhas.

 

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Talking with an education professional who was doing a daily calendar with velcro (loved the idea) (see it here) to the child she works with:
t2para4 - what a good idea!
she - Are you familiar with it?
t2para4 - yes, my daughters have one alike and it works really well because it structures them.
she - but why) From where do you know it?
t2para4 - they are autistic, with ASD.
she - both of them? (looks of anything weird is going on and arched eyebrow)
t2para4 - yes, they are monozygotic twins, hence the double diagnosis.
she - ah, so funny!
(ah so funny! SO FUNNY?! Where is the fun? It really feels like rolling over and laugh...)
she - you know, I love to work with autistic children. Specially high fonctional. Are yours like this? We have an autistic boy here but he is low fonctinalism. He doesn't do anything and now he is much better but it is still complicated...
(and kept talking but without the chance to answer back. Now I realised why I never got the chance to work with that boy and he is never allowed into my room. But that's about to change. That is descrimination. I'm sorry but that bothers me more than lices)
t2para4 - I don't like the terms high/low fonctionalism.
We stopped talking and, at the time, I didn't pay much attention to the rest except the "ah so funny" that got stuck in my head. But what is this? At least, surreal. I don''t even know what to say. There is no sensivity on what is said nor how it is said, one talks openly about the bad integration of a child as if this is a natural thing and monsters in my head pop up.
For now, I will quietly verify what is going on and why that boy is not with me. If it has anything to do with structuring his routine, I understand it and accept it; if not because he implies a lot of work, I don't accept it and I want the opportunity to work with that child too.
The choices we make in behalf of our children go through this. I can only thank the fact, until now, I did the right choices and my little girls have people around them who love them incondicionaly at home and at school, they are integrated and there are people who work for it. Because, my friends, buying a war with me or my husband (specially my husband) is not a clever thing to do. Not when we are parents of children with permanent special needs nor when I know how the insides of our educational system work. Don't mess with my daughters.

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publicado às 19:38

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