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Tagarelice #55

por t2para4, em 14.09.17

Ainda agora começou a escola, só agora começaram o 2º ciclo com o inglês como língua principal e uma das piolhas já dizia, ao subir as escadas para casa:

"Tenho de começar a ver a Candice Renoir (e parece o polícia do Alô Alô a dizer o "rr") para aprender a falar francês para o 7º ano"

 

Haja gosto pela escola :) e motivação! Acho que ainda nos vamos divertir imenso com a aprendizagem do francês (que virá a seu tempo, quando elas quiserem).

 

 

 

 

 

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publicado às 23:42

Estavam tão bem...

por t2para4, em 24.07.17

Atividade do ATL amanhã: levar as bicicletas ou as trotinetes para o local e andar na boa com isso, ou seja, uma manhã sobre rodas - literalmente.

Ora, eu já estava a tentar inventar uma desculpa para as piolhas não irem pois a trotinete está velha (feia) e curta e as bicicletas, bem, as bicicletas são um problema porque não sabem andar, muito menos sem as rodinhas. Mas, pasmemo-nos, elas fizeram questão e eu lá joguei a cartada "ok, levamos as bicicletas mas tiramos as rodinhas, pode ser? E, em vez de serem a mãe e o pai a ensinar-vos a andar, serão os vossos colegas e monitores." Negócio fechado.
 
No Verão passado não tocaram nas bicicletas e eu e o pai, fartos de as termos a incomodar no arrumo, pendurámo-las - de vez - na parede da garagem. E, tal como o desfralde e o regressarem às aulas de natação e o comerem de faca e garfo e tantas outras coisas, desisti de as massacrar e pensei "que se lixe, há de ser quando elas quiserem". É agora.
 
Não estou com expectativas. Se não aprenderem a andar de bicicleta, não vem mal ao mundo por causa disso; quero que se divirtam com os colegas e que sejam felizes.Mas sem as rodinhas. Porque, por muito que digam que não faz mal, faz sim. Não tarda têm 10 anos, estão com 1,40 cm e os miúdos podem gozar com elas por ainda precisarem das rodinhas. Prefiro que andem a rasar com os pés e mandemos umas sapatilhas para o lixo.
 
E, quando estava eu e o pai, a digerir a boa surpresa e a pensar como será vê-las a andar de bicicleta, bem ou mal, mas à vontade delas e sem medos, eis que, por causa do calor, o rádio do carro começa a manifestar problemas e cala-se. E, lá de trás, nas suas calmas e com toda a naturalidade, diz uma piolha "olha, mãe, o rádio do carro f*deu-se".
E, nós, apanhados de surpresa, com o marido quase engasgado, lá tive eu de lhe dizer que aquilo é um palavrão muito feio e não se deve dizer. Que percebi a ideia mas é melhor e mais educado usar outra palavra, como "estragou-se", por exemplo...
 
E, pronto, é assim, sem um momento de sossego e com a linguagem em pleno desenvolvimento. E, honestamente, prefiro assim. As piolhas já foram crianças não-verbais. Usou uma palavra que ouviu algures e aplicou-a em contexto. Pontos para ela. 
 
 
 

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publicado às 15:12

Constatações...

por t2para4, em 05.07.17

No caminho de casa, encontramos o irmão do G., um menino do mesmo ano que as piolhas e que está no ATL com elas desde sempre (o G. tem autismo clássico infantil e é não-verbal), a atravessar na passadeira. Digo-lhes quem é e elas perguntam se ele também tem autismo. E eu respondo que sim, mas menos grave do que o do irmão pois ele já é moço para uns 20 anos e é independente e leva uma vida relativamente autónoma. Perguntam-me elas se o autismo delas é como o do irmão do G. 

Não é. É aquilo que na gíria se chama "autismo leve" (e que leva muitas pessoas a acharem, erradamente que, por ser leve, pode-se cortar com tudo e mais alguma coisa porque já se desenrascam). 

Expliquei-lhes, então, que o autismo delas é bem mais leve do que o do irmão do G. e que olhando para ele, fico de coração cheio pois sei que também elas serão indivíduos autónomos, que terão uma vida independente e que poderão ter um futuro que há uns anos parecia impensável.

E lá lhes dizia eu que acreditava que elas teriam uma vida semelhante à minha: teriam uma profissão, carta de condução, poderiam fazer um empréstimo e comprar casa ou carro, poderiam casar e constituir família...

"- Mas eu não quero casar!"

Não faz mal, filhota, podes viver com o teu amor, sem precisares de casar.

"-Mas eu também não quero casar. Nem quero ter um namorado. Eu tenho namorados que são amigos."

 

E é assim que deve ser. "Namorados que são amigos".

Tenho umas filhas muito à frente. 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:31

Momento ahhhhhh das piolhas #13

por t2para4, em 30.04.17

Fomos almoçar e passear com uns amigos do Norte. Tinha estacionado o carro num local central onde pudessemos todos nos encontrar facilmente. Dali seguiríamos para outro lado e estavamos a decidir, de entre as crianças, quem iria com quem. 

As piolhas, como habitualmente, andavam comigo, já havíamos decidido quem viria connosco, no nosso carro, e estava já eu pronta para dar a indicação do costume "entrar, sentar e pôr o cinto" quando uma delas pede algo que não ouvi bem (se calhar, o meu sistema optou por não ouvir) e pedi para repetir. Dizia ela, pois então:

"Mãe, posso ser eu a levar o carro?"

Ora, se estávamos todos a decidir quem tinha idade ou altura para ir no banco da frente e, se afinal, uma das amiguinhas com 10 anos (mas assim 10 anos a chutar para aspeto de 13) podia ir à frente, por que razão não podia ser ela a conduzir? 

 

(Memo to myself: nunca mais (tipo nunca mais mesmo!!!) dizer, quando as piolhas estão fartas de algum lado e querem vir para casa, "toma lá a chave do carro e vai andando". Qualquer dia a meu sarcasmo irónico pode ser tomado à letra, não vá esta oportunidade de conduzir antes do tempo escapar.)

 

 

 

 

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publicado às 19:20

Tagarelice #54

por t2para4, em 25.04.17

A acabar de chegar a casa (e ainda bem, já perceberão porquê), numa tentativa de discussão com o pai, uma das piolhas acaba a defesa do seu ponto de vista com um gesto e uma expressão (agora estão a tentar usar expressões idiomáticas e provérbios mas ainda falham os contextos e parecem definitivamente o Sheldon - Teoria do Big Bang):

"Estou em olho de ti", dizia isto com uma vozinha de menina a tentar estar séria e mexia os dois dedos dos olhos dela para os olhos do pai e repetia a frase "Estou em olho de ti".

 

Foi de rir até às lágrimas porque foi inesperado, foi contextualizado e foi muito bem apanhado, mesmo com as preposições trocadas. Depois de atinar com "Estou de olho em ti" e ter aperfeiçoado o gesto (ela faz aquuilo de uma maneira tão gira com os dedos que parece diferente), passou a ser a nossa mais recente private joke quando queremos chamar a atenção uns dos outros cá pelo t2.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 20:49

Era suposto...

por t2para4, em 18.10.16

... estar a trabalhar, por estas horas; afinal, para a semana começam as fichas de avaliação e elas ainda só estão elaboradas na minha cabeça (e ainda tenho de fazer as dos alunos com NEE, devidamente adequadas com as indicações dos seus PEI e dificuldades que noto na sala de aula).

... estar a reler o material necessário para a reunião (longuíssima) de logo.

... estar a tentar adiantar o máximo de trabalho possível, não só para a escola mas também para as minhas outras aulas.

... estar a preparar as aulas da próxima semana.

 

Mas...

Estou de volta disto: http://www.hanen.org/Programs/For-Parents/TalkAbility.aspx   

O talkability é, muito básica e sucintamente, um programa com um conjunto de estratégias que poderão ser utilizadas em crianças verbais com PEA. 

Estamos numa fase má no que diz respeito à fala e à comunicação. As piolhas são crianças com autismo mas verbais e, de um modo geral, por serem verbais, muitas vezes, há a tendência para se esquecer que têm muitas dificuldades. Falar não é apenas produzir sons ou dizer palavras e frases de forma aleatória; é muito mais complexo do que isso. Falar é comunicar. E é aqui que reside uma das principais áreas problema do autismo.

 

Temos notado um crescendo de dificuldades a nível da expressão comunicativa com sentido, com um objetivo. Falar espontaneamente de forma organizada e colocar os pensamentos em forma verbal tem sido um grande desafio para as piolhas. Assim, depois de pedir ajuda ao nosso terapeuta do coração (a pessoa que pôs as piolhas a falar sem ser só por ecolália), foi-me recomendado que visse este programa para começar, desde já, a ter algumas ideias sobre o que fazer para reforçar a terapia da fala que terão na escola mas que, numa única hora semanal e a tentar conciliar tudo com as aprendizagens académicas, é claramente insuficiente para aquilo que eu pretendo, acima de tudo: a utilização prática na vida lá fora, na vida real, nas situações do dia a dia - sem a necessidade da minha tradução.

 

É algo do género que se pretende auxiliar e desenvolver, tentando, de uma forma ou de outra, nesta fase mais embrulhada, promover um discurso mais coerente e uma maior organização de ideias que se querem transmitir.

 

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Apenas uma hora de terapia na escola, para já, ainda que nos ajude quase milagrosamente, não chega... Não concordo com a ideia que mais é melhor mas, neste momento, e dado o enfoque na articulação com os conteúdos a veicular, não há outra hipótese. A escola é importante mas um dia acaba e nós pais também... Eu quero que elas tenham as ferramentas necessárias para uma vida ativa e independente no futuro, que consigam comunicar o que pensam e sentem, sem dificuldades de maior e, principalmente, que aprendam a lidar com a frustração se não conseguirem fazê-lo. Esta é uma das coisas que mais me preocupa agora: a frustração que pode advir da incapacidade ou dificuldade em conseguir transmitir algo...

 

Por isso, de momento, estuda-se um pouco de terapia da fala e deixa-se acumular outro tipo de serviço para outras alturas... Além de que, honestamente, não estou com muita cabeça para me dedicar com a devida atenção a burocracias e trabalhos... Ainda tenho tempo útil (e muitas horas noturnas a aproveitar - haja café e iluminação artificial). Agora, tenho um coração apertadinho e a cabeça focada noutra onda...

 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:34

Tagarelice #53

por t2para4, em 30.09.16

Perguntava-me a piolha sobre o feriado da Restauração da Independência.

- Queres a versão longa ou a versão curta?

- A curta.

- Éramos todos espanhóis até que um dia decidimos que já chegava e passámos a ser portugueses de novo. Acabou-se o domínio espanhol. Fim.

 

Depois apercebi-me que baralharam os feriados e lá lhes expliquei que no dia 5 de outubro é a comemoração da Implantação da República. Mais uma vez, a versão curta a explicar os acontecimentos:

- Antes havia um regime de monarquia com reis e tronos para herdar. Em 1910, a população cansou-se e acabou com os reis. Passou a haver Presidentes da República, eleitos por votos (como se faz com os delegados de turma).

 

 

Eu sei que vão aprender isto tudo na escola mas não quis alongar-me em detalhes, à hora de saída da escola, a entrar para o carro. Ficam apenas com uma pequena visão da situação. Depois, estudamos as coisas com a devida seriedade e detalhe. O importante é que perceberam o que ficou para a História, ainda que muito muito muito sucintamente: o retorno da independência de um país (celebrado em dezembro) e a mudança de regimes governativos (celebrado em outubro).

 

 

 

 

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publicado às 20:55

Tagarelice #52

por t2para4, em 29.09.16

A propósito deste artigo que diz que a hipótese de ter gémeos fraternos está no nosso código genético, conversava com as piolhas sobre mais esta curiosidade sobre gémeos:

- O vosso bisavô materno era gémeo fraterno e o vosso avô paterno também é gémeo fraterno. Logo, de acordo com esta informação nos vossos genes - que também está nos meus genes -, vocês poderão também ser mamãs de gémeos, quando quiserem ter filhos. Que giro, não é?

- Eu não quero ser mãe. 

- E eu também não. Não queremos que sejas avó nem a avó seja bisavó.

- Mas eu quero ser avó! Daqui a muitos anos, claro. - dizia eu

- Nós não queremos ser mães. Mas tu podes ser. Eu gostava tanto de ter mais gémeos...

- Ó filhota, quando tu tiveres 20 anos, a mãe e o pai andarão perto dos 50 anos... Os bebés de agora teriam apenas 10 anos nessa altura... Não sei se teremos forças para mais como vocês...

- Eu ajudo, mãe. Vá lá.

- Ajudas? A carregar 2 ovos, 1 carrinho, 2 bolsas de roupa ou brinquedos, biberons? É muito material pelas escadas acima!

- Eu ajudo.

- Não me parece que tenhas sorte, filhota. Só se for por imprevisto da vida... 

 

 

E anda isto. Pensei que era apenas uma fase que achasse gira mas a miúda está mesmo naquela de querer ter mais irmãos... Ela bem tenta... Mas, lá está, não sei se terá muita sorte...

 

 

 

 

 

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publicado às 13:05

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