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Ora, vamos lá a prioridades

por t2para4, em 22.06.17

- O términus do ano letivo das piolhas (e da mãe, já agora - ou , pelo menos, aliviar um pouco a carga)

- A entrega de documentação necessária para a matrícula das piolhas no 2º ciclo (!!! Como e por onde raio se passou este tempo!)

- A sincronização da agenda das piolhas com as atividades de ATL e as nossas atividades, as nossas reuniões, as nossas coisas de trabalho

- A preparação do 10º aniversário das piolhas (!!!! Again, 10?! d-e-z  a-n-o-s?!)

- A realização de todas - mesmo todas - as atividades da nossa bucket list de verão

- As saídas em família, para longe, para fugir, para descansar, para conhecer

- O ignorar de quem não é nem vem por bem

- A fase final do concurso de professores, munida de google maps e códigos de escolas e agrupamentos

- Os mimos da avó

- O dar continuidade à aposta numa alimentação saudável e adequada às nossas necessidades e às estações do ano

- O apanhar muito, muito, muito, mas muito mesmo, muito sol

- O cuidar de mim porque sim, porque tenho uma família para cuidar, porque tenho filhas para criar, porque não posso morrer nem por um segundo

- A reorganização de mobílias no T2

- O recomeçar e terminar da pintura do meu carro, à la nossa moda (que é como quem diz, um do it yourself)

- O destralhar em forma de calendário (todos os dias uma área, seja ela qual for)

- O viajar muito e cada vez mais

- O viver.

 

Hoje fui ao tapete mas em micro-segundos lá me levantei de novo. Não tive tempo para pensar em desgraças nem para imaginar filmes. Não tenho tempo para estar no chão a amargurar. Se tenho de o fazer, que vá amargurando enquanto faço algo. Por isso, op e toca a andar que temos muito que fazer. 

Para juntar à lista das prioridades (que, não sei se repararam, é muito pouco social - go figure...), começa hoje mesmo um cuidar de mim que só terminará por daqui a meio ano mas que, na opinião da minha adorada neurologista (Dra Marlene Esperança Carvalho, um doce de senhora, uma profissional incrível), me trará boas novas em apenas dez dias. Por isso, vou ali tratar de umas lesões microangiopáticas circulatórias e explusar umas enxaquecas de vez. Volto já. 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:03

Ora, no dia de hoje:

por t2para4, em 22.03.17
- está um frio do camandro que não se aguenta e passei a manhã com os pés qual bloco de gelo;
- caiu granizo de 5 em 5 minutos e, para variar, quando não perco os chapéus de chuva, não faço ideia se estarão em casa ou em qualquer um dos carros;
- tenho de ir à bruxa mandar fazer umas rezas e umas benzas e queimar umas arrudas e fumar umas passas e coisas e tal do género;
- tenho de fazer um exame ocular bem detalhado pois acho que, de repente, também ando a ver mal ao perto e não devo acertar com o tamanho da letra que deve ser para aí tamanho 3 ou 4, como as fraldas;
- tenho um aluno particularmente preocupado com a minha preparação profissional que me avisa sempre que estou correta acerca das informações que transmito e que me informa que aprendeu o mesmo de outro modo, diferente do meu, claro está;
- metade de uma das minhas turmas está com acesso livre à casa de banho, sem precisar de avisar - cortesia do rotavirus;
- vão voltar as 25h letivas no 1º ciclo quando as piolhas vão sair dele (e nem vou falar no que penámos nestes 4 anos);
- ainda não fizemos os trabalhos extra de terapia da fala porque andamos estoiradas de todo e estamos as 3 em fase de preparação para as fichas (eu para as fazer e dar aos meus alunos; elas e eu para as estudar, ou seja, hello frações equivalentes e problemas com contas decimais whhhhhoooohoooo - vodka, preciso de vodka);
- esqueci-me de fazer o jantar e tivemos que improvisar com as sugestões do chef Continente;
- precisei de dormir meia hora para ver se a neura gigantesca passava, qual criança de 3 anos.
 
O calendário diz que é 4ª feira e nem sequer é dia 13.
 
 
Alrighty then.
 
 
 
 
 
 
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publicado às 22:13

Pensei que iria ser O ano, AQUELE ano... Consegui sobreviver a um ano letivo tão complicado e, em agosto, fui colocada logo em contratação inicial, pertinho de casa, a conjugar o meu horário incompleto (mas anual) com a minha atividade freelance (da qual não abdico) e pensei, honestamente, que conseguiria fazer tudo. 

Mas, depois, olhando para trás, só em jeito de tentar perceber o que se passou e por que razão 2016 não O ano esperado, começamos a pensar que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita... E que, infelizmente, anula as pequenas felicidades.

 

A minha saúde esteve em cheque umas poucas de vezes este ano. Talvez por andar sempre a correr de um lado para o outro, de ser uma control freak e ter horários controlados ao minuto (a sério, tinha mesmo), de tentar malabarismos estranhos com trabalho e família, não notei uma série de sinais que o meu corpo foi dando.

De repente, 3 pares de calças tinham deixado de servir mas eu perdera peso, tinha tido um natal de comes e bebes à doida e não fazia sentido; o cansaço era muito mas tinha acabado de sair de férias e, bem, andava sempre cansada; a minha menstruação, pela 1ª vez, foi das coisas mais dolorosas, intensas e estranhas de sempre. Percebi depois, que tinha abortado espontanemante, estava grávida sem saber... Doeu bastante - ainda hoje doi - e, se, na altura até pensei que saberia lidar com isso, acho que nunca soube nem saberei. Como, por cá, não temos por hábito esconder conversas das nossas filhas, talvez o desejo de uma das piolhas de ter mais irmãos e de estar sempre a falar do assunto venha daí... Sentimos um misto de tristeza que ainda hoje nos custa com alívio - pois se houve um aborto numa fase tão inicial é porque algo estava naturalmente mal e a natureza encarregou-se de tratar do assunto. E talvez já não esteja previsto voltarmos a ser pais. Há um -ismo que paira nas nossas vidas...

 

Acordei bastantes vezes dormente, com a sensação de que me faltavam dedos, as minhas unhas - mesmo rentes - escamavam e desapareciam. Achei que era dos nervos (afinal estava a trabalhar tanto e tinha um contrato a terminar em poucos meses, um verão de desemprego, o susbsídio de desemprego a terminar de vez em setembro). Comcei a dormir cada vez menos e com pior qualidade, a acordar imenso durante a noite. Piorou consideralvelmente nos últimos meses. Mas não dei importância.

 

Tive crises de coluna bastante graves que quase me impediam de andar, durante todo o verão. Mas como já tinha marcado mentalmente que iria lavar todas as carpetes de casa (e uma delas é simplesmente gigante e tem estantes por todo o corredor, em cima), sozinha tratei de tudo isso e mais alguma coisa; haja força muscular e vontade e tudo se arrranja. Asneira mas adiante. A casa ficou impecável, todos os tapetes, carpetes e afins lavados e cheirosos e eu podre.

 

Pelo meio, ainda tivemos que lidar com a "doença súbita", por duas vezes, do nosso carro principal, gastar uma fortuna na oficina e até ter que comprar outro, à pressa, pois o que eu estava a usar emprestado da minha mãe, teve de ser devolvido porque a minha irmã, pelos mesmos motivos, também precisou dele. Ora, despesas imprevistas que me fizeram, literalmente, perder (mais) noites de sono. E, por parte das piolhas, apesar do seu boost de desenvolvimento, a certa altura, a melatonina teve que intervir e ajudar durante uns tempos pois andava tudo sem conseguir adormecer em condições e a horas decentes.

E como apanhámos parte do 3º ano letivo, com menos 4 semanas de aulas, juro que pensei que dávamos todos em doidos. Mas o que diabo se passou pela cabeça de quem decide as metas curriculares para introduzir aquele tipo de conteúdos no currículo de miúdos de 7 e 8 anos? Mas anda tudo doido?! Até para mim era complicado atingir determinadas conclusões! E os exercícios eram, na sua maioria, absurdos sem aplicação absolutamente nenhuma na vida real (exemplo do bolo que se corta em 3 vezes na horizontal, transversal e vertical. A sério? É assim que se corta um bolo de aniversário para crianças de 8 anos? Nem o Sheldon!!!!!). Acabámos o ano letivo, literalmente, exaustas. E, por causa de tudo isso e mais um pouco, desleixei-me com as questões da terapia da fala que treinamos sempe no verão. E o resultado foi um retrocesso e uma maior dificuldade na produção de linguagem como aprendizagem e utilização prática, ou seja, a certa altura, falava-se porque os humanos falam e não miam... E a culpa e o ter que encontrar uma solução extra...

Ainda tivemos que lidar com a morte (de amigos, vizinhos e até de um aluno...) - ainda hoje me custa imenso pensar na B., não aceito nem compreendo - e explicar isso tudo às piolhas... E com o corte que os avós paternos decidiram fazer às netas, desde o seu aniversário até ao momento (ontem elas só queriam dar-lhes as prendas de natal - e já com algum protesto "estamos atrasadas para a motricidade, não sabemos onde eles estão", porque eles nunca lhes abrem a porta - e foi isso mesmo que aconteceu. Começa a haver um entendimento muito maior sobre quem realmente gosta delas e está com elas:). Também foi preciso explicar-lhes que a saúde da avó materna não está no seu melhor (uma doença auto-imune e uma tromboflebite, felizmente sem sequelas).

E, tivemos, também que lidar com a percepção - ainda que não bem explicada - das piolhas a dizer-nos "eu tenho autismo mas eu sou diferente do Gui e do Diogo e do A e do G.... Ter autismo é bom ou mau? O G. nunca falou mas eu falo muito e estou na minha sala de aula. Mas eles são meninos como nós e nós brincamos todos juntos. O A. está no 1º ano e sabe escrever no computador como nós fazíamos no 1º ano"... Ainda não aprofundámos isto. Lá chegaremos.

 

Mas, as coisas pareciam bem encaminhadas: o marido passou muitas folgas connosco e até arriscou fazer piscina pela 1ª vez e gostou, passeámos muito pelo nosso país e as piolhas descobriram que adoram História, as férias que o marido não teve em 3 anos vieram, fiquei colocada, as piolhas regressaram à escola e - àparte as terapias que tardaram mais de 6 meses -, tudo correu bem e conseguimos feitos incríveis na sua responsabilidade e autonomia. 

 

E... surgiu um aviso bem sério e doloroso que foi, basicamente, o somatório de um ano louco e de mais outros tantos assim. Tive uma lesão muscular grave entre as costelas, na área do coração, de nome nevrite intercostal (e mais uns pozinhos técnicos, com suspeita de sei lá o quê e palavras como "burnout" e "exaustão emocional" lá pelo meio), e foram feitos imensos exames para despiste de problemas cardíacos, fui parar às urgências dos HUC por 3 vezes onde passei um total de quase 24h entre tratamentos e esperas, tive que tomar medicamentos muito fortes (anti-inflamatórios esteróides e opiáceos) e, como mesmo isso, não ajudou na totalidade, ainda andei mais de uma semana a fazer injeções. E passei quase 5 dias a dormir como os bebés, propositadamente, por causa da medicação. Fiquei impedida de conduzir e de trabalhar. Pensei que iria perder o (pouco) gosto pelo inglês que ainda sobrava dos meus meninos na escola e clientes na minha outra atividade. Quando me senti melhor, decidi regressar ao trabalho com muitas novas regras e muitas novas mudanças: não posso carregar pesos e passei a usar um trolei; no 1º dia de trabalho, decidi usar as Doc do marido porque são muito pesadas para abrandar o passo  e não ter dores nem me faltar o ar; uso elevador porque me custa e demoro imenso a subir escadas; passei a conduzir dentro dos limites de velocidade sem esticar mudanças ou andar sempre a fazer macacadas fast and furious com a caixa de velocidades; diminui o número de cafés e a quantidade de cafeína/teína ingerida; apostei numa alimentação mais proteica e calórica (o que inclui cerelac e papas de fruta); não carrego nada - nem sequer uma carteira - no lado esquerdo; vou ter consultas para osteopatia e fisioterapia; mantenho medicação para as dores e diazepan para me obrigar a dormir - nesta fase, pelo menos - e magnésio para o cansaço que ainda sinto; diminuí o ritmo de trabalho e fiz escolhas e opções nessa área; prolongo prazos quando é logicamente impossível de os cumprir com calma e qualidade. E mantenho sempre em mente, quando me esqueço deste novo "eu" que o coração também é um músculo e os sinais para um AVC estão lá, quase em red alert. Tive medo de morrer. Tenho duas filhas para criar que ainda precisam muito de mim. E eu serei um fantasma terrível, por isso, vale mais ter juízo agora.

Fui muito bem recebida no meu regresso ao(s) trabalho(s) e não perdi clientes (fiquei muito feliz!) e todos notaram que teve que haver uma mudança. Gostei de voltar. Apesar de ainda doer, de vez em quando. Aprendi a minha lição. Atempadamente, espero...

 

Àparte a decoração em casa e o calendário do advento, não me soa a Natal nem a Ano Novo... Acho que nunca tínhamos tido um ano assim, tão complicado em tantos níveis e tão mau para a saúde. Foi um ano doloroso, em todos os sentidos. Queremos que acabe e recomece um novo ciclo. Estamos a trabalhar para isso.

 

 

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publicado às 09:24

Ai páras, páras...

por t2para4, em 22.11.16

Viste como paraste?

Teve de ser, infelizmente à força, depois de tantos avisos por parte do marido e da minha mãe e do meu corpo. Avisos que eu ouvi e compreendi mas preferi - não digo ignorar - mas aguentar mais um bocadinho - afinal já falta tão pouco para os feriados e para a pausa letiva. Aguentar só mais um pouquinho o mau feitio e nunca baixar a guarda porque se baixar a guarda, haverá intrusos e eu quero e preciso de ter as coisas controladas. Sim, sou uma control freak no que toca à minha família, ao que eu construí, ao que preciso de ter para as piolhas terem os mesmos direitos que os demais. Aguentar só mais um bocadinho os horários marados porque está quase a terminar. Aguentar só mais um bocadinho porque aqueles materiais estão quase prontos. Aguentar só mais umas horas de sono.

 

Mas é tempo de parar. E de respirar sem medo. Sem medo que doa, sem medo de suspirar (porque um mero suspiro arranca-me esgares de dor e não ares de apaixonada). 

Não quero voltar a ouvir das piolhas "mãe, eu não quero que morras" (e, ironicamente, morrer um bocadinho por dentro ao ouvir isto). Enough is enough. Quero ter aprendido a minha lição.

 

Não ganhei uma capa mas ganhei um americano que vai andar literalmente colado a mim durante 24h. Disseram-me que se chamava Holter e que vai levar o meu coração muito a sério. Não sei se o marido achará piada a tamanha proximidade. As piolhas já acharam estranho o "no boundaries" quando se fala tanto disso cá em casa. Desde que cuide bem do meu tiquiticoeur já seremos os melhores amigos. O Holter e os homónimos que descobriram marcadores específicos a analisar pelo sangue.

 

Já comecei a meter em marcha o que resolvi fazer quando estava na maca na ambulância. Pouco a pouco, a coisa vai. E vai a bem. Porque a mal não gosto. Nem sequer deu tempo de pedir anestesia. Ora assim, não pode ser. Não estava preparada.

 

 

 

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publicado às 18:53

Se não páras a bem, páras a mal

por t2para4, em 19.11.16

Há mais de um mês que não escrevo por aqui. Tenho colocado pequenos momentos e desabafos das nossas vidas na nossa página do Facebook mas, por aqui, tem estado em stand-by.

 

Neste espaço de tempo, aconteceu tanta tanta coisa... Aconteceram coisas boas e outras muito más. Apesar de haver um esforço enorme para valorizar as boas coisas, agradecer todos os dias o estarmos em segurança e em família, há pequenos males que se vão enraizando e minando tudo por dentro.

 

Tenho andado enervadíssima. Desde o corte de 2 horas (duas!!!!!!!!) na terapia da fala e o não se achar muita piada à solução que eu apresentei para minimizar o facto e manter as sessões com a frequência semanal; ao ter que incomodar outras mães na mesma situação para alinhar estratégias e pedir algumas orientações (para evitar o agir a quente e seguir todos os trâmites, comme il faut); ao ter que reforçar terapias e trabalhar extra em casa; ao ter que adiar um dos desejos de atividade extra das piolhas que lhes fará tão bem, por falta de tempo e verba, para já; ao ter que lidar com alunos extremamente difíceis que, considerados alunos com nee graves a nível de aprendizagem, têm atitudes comportamentais e sociais para lá de toda a compreensão humana sem que nada, mas absolutamente nada, o justifique; a alunos que, aparentemente neurotípicos, não mostram o mínimo respeito pelos restantes e ainda acham que tudo é uma brincadeira; ao passar horas e horas a inventar materiais e estratégias para motivar quem se está a cagar para o sistema; a pais que se preocupam e pedem ajuda para os filhos e estes, simplesmente, se baldam às aulas; aos eremitas dos pais do marido que não atendem o telefone no dia de anos nem perguntam pelas netas quando o filho ainda tenta ver deles; às contribuições que vou ter que pagar para a segurança social porque alguem fez mal as contas; à pressão que sinto quando me exigem comportamentos e ações por parte das piolhas que elas ainda - AINDA! - não podem fazer porque não têm maturidade neurológica que o permita; ao simples facto de até o cair da chave no chão me enervar até à red line.

 

Passei estas últimas duas semanas a ouvir, constantemente, "ficas velha", "não podes mudar o mundo", "acalma-te". Mas eu, teimosa, ainda achei que poderia deixar lá uma sementinha de entusiasmo e de diferença e continuei a correr... Não posso. Do outro lado, não há essa recetividade.

E qual foi a minha recompensa, afinal? Num momento que achava eu descontraído, senti uma dor tão debilitante e forte no peito que me impediu de respirar e acabei nas urgências dos HUC, depois de ganhar uma viagem de ambulância (que vou ter que pagar porque o marido, assustadíssimo, levou-me diretamente ao quartel). E, tal como eu pensava, todos pensavam que eu estava a ter uma crise nervosa. E eu sentia tanto tanto frio... Andei mais de uma semana e meia cheia de frio, com os meus casacos de inverno e collants por debaixo das calças e 3 mangas, sempre a tiritar de frio. 

Ninguém me adiantava o que poderia ter mas, como eu não sou assim tão parva, depois de fazer um raio-x, um eletrocardiograma, um anti-inflamatório, análises e uma nebulização, percebi que se supunha que eu poderia estar a ter um ataque cardíaco... Ainda tive outra crise no hospital. Uma dor extremamente fininha, dentro do peito, no lado esquerdo que não deixa respirar e que dói ao mínimo movimento. E quando a crise passava, ficava um cansaço atroz, uma dor fininha constante que não deixava encher os pulmões de ar... E eu respirava o mínimo possível para não sentir dores...

Do mal o menos, ao fim de 7h nas urgências, está tudo bem com o meu coração (exceto o facto de ele ser demasiado grande e acreditar que pode mudar o mundo e se preocupar com tudo e todos - não verificável pelos exames). Tenho uma nevrite intercostal. E o que é isso? É basicamente uma lesão extremamente dolorosa nos músculos entre as costelas na zona do coração. Daí o imenso frio, as dores ao respirar, ao movimentar-me, etc. E sim, poderá ter sido causado pelo excesso de peso que carrego (computador, pasta), pelo hiperventilar e batimentos cardíacos de cada vez que me enervo, pela perda de massa muscular, pela minha constituição magra - em especial naquela zona.

Tem tratamento: um ansiolítico para me pôr a dormir - algo que não fazia em condições há mais de um mês-, um relaxante muscular tipo antibiótico poderosíssimo (que se fosse para o  marido não compraria devido aos seus efeitos secundários), um anti-inflamatório muscular poderosíssimo e um opiácio (este ficou na farmácia. Tenho enxaquecas frequentes e sobrevivi a uma cesariana, só com benurons e brufens. Dispenso morfinas). Estou completamente grogue e tenho dormido mais nestes dois dias do que nas útimas duas semanas, pareço um gato idoso que dorme em qualquer lugar. E ainda falta fazer uma ecografia aos tecidos moles (boa sorte em encontrá-los loooool).

 

Abriu-me os olhos. Deitada na maca do hospital fui pensando no que andava a fazer à minha vida, estava preocupadíssima de morte com as piolhas que me viram enrolar-me de dores. E fui tomando decisões. Quando estava com a máscara na cara, sem conseguir respirar por causa das dores, finalizei as minhas decisões e há coisas que vão mesmo mudar. A começar desde já.

 

Não posso mudar o mundo quando o mundo não aceita mudanças; tenho de escolher bem que guerras comprar; tenho, definitivamente, de relaxar. Hoje foi "apenas" o músculo... E para a próxima?

Neste momento, lido com o autismo, ponto final. E lido com o conseguir um trabalho, a cada setembro. Não tenho que abraçar todas as outras lutas, não tenho de me movimentar como um polvo a tentar chegar a todos quando, na realidade, é na minha casa que sinto os cortes cegos que nos impingem e as injustiças. Por uns tempos, tenho de ser egoísta e pensar em mim e na minha saúde, para poder chegar às minhas filhas e ao meu marido e aos meus pais que não estão para novos. 

 

Muitas vezes, não é uma capa que se ganha em ser-se super; é uma viagem rápida para o serviço de urgências mais próximo.

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publicado às 09:32

Hoje invertemos papéis...

por t2para4, em 17.10.16

E foi muito estranho... 

Desde sempre - principalmente, depois do dignóstico e ajuste que foi necessário fazer por causa de consultas e terapias - que acabo por ser sempre eu a ficar em casa com as piolhas quando estão doentes. 

A virose da gastro decidiu fazer-nos uma visitinha no fim de semana e hoje as piolhas ficaram em casa, a recuperar. Com o pai. E, se por um lado foi bom ter o marido em casa e ele poder estar com elas sem que eu faltasse ao trabalho, por outro lado, foi muito estranho. 

O marido já não tinha férias há coisa de 3 anos, logo, estes dias passados em casa têm-me facilitado a vida em tantos tantos tantos níveis que quando ele regressar ao serviço, vou chorar todos os dias. Tem sido um alívio imenso na correria do sair do trabalho - e desta vez, tenho uma escola que me fica a 1h de viagem, que não dá para encurtar nem em tempo nem em estrada, devido ao caminho -, no chegar a casa e já ter os TPC feitos, o ter as domesticidades todas despachadas, o não ter que me preocupar com os horários de entrada (já que o marido é bem mais despachado que eu, a sair de casa com as piolhas). Claro que, com o marido de férias, com as piolhas adoentadas, não faz sentido nenhum eu ficar em casa e perder rendimentos. Mas fui com um pequeno sentimento de culpa... Sou a mãe que precisa de lamber as crias para lhes curar as feridas... 

Mas o dia correu muito bem, elas recuperaram melhor e mais rápido do que eu previa e, apesar de ter sido um dia inteiro em casa, piolhas e marido estavam muito bem dispostos quando cheguei. 

 

Apesar de dividirmos tarefas e tentarmos aliviar o trabalho um ao outro, a verdade é que quando um de nós está em casa, o outro acaba por ter a vida mais facilitada nesse aspeto.

Mas hoje foi uma etapa alcançada, até para mim. E desenvolvimento também é isso, certo?

 

 

 

 

 

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publicado às 21:03

Estamos, de certeza, a fazer algo bem

por t2para4, em 22.04.16

... quando estou no meu best estilo walking dead porque os meus alunos me pegaram uma gastro (com tantos sintomas, só pode ser o desgraçado do rotavírus a pôr-me rota) e estou com-ple-ta-men-te sozinha em casa com as piolhas (turnos do marido, tia constipadissima, etc.) MAS...

- vão comigo à farmácia buscar primperan (para juntar aos brufens e imodiuns que já temos em stock) e não vão enfiar-se na casinha;

- mal chegamos a casa vão logo buscar-me um copo de água e certificar-me que tomei o comprimido para as nauseas e vómitos;

- encaminham-me para o sofa e deixam-se ficar a brincar por perto, enquanto eu estiver deitada;

- só vão para o quarto quando me vêem com força suficiente para pôr uma sopa de cenoura a fazer na Yammï e uns folhados no forno.

 

Resta dizer que as piolhas estão a passar por um mau bocado e estamos a precisar destes 3 dias de absoluta clausura e refúgio e relaxamento como de pão para a boca, com o apoio da nossa amiga melatonia (seja bem-vinda, minha cara).

 

 

Portanto e posto isto, ai de alguém que ouse sequer pensar ou começar um pensamento por muito pequeno e insignificante que seja sobre a forma como educamos as piolhas. Sofrerá karma instantaneo na forma rotavírus (rir maquiavelicamente).

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:39

Pedi uma 2ª opinião...

por t2para4, em 31.03.15

... e ainda bem que o fiz.

Não sei se se lembram, há uns meses, de ter referido um "empastamento" no mama direita que me causa um grande desconforto e que o médico que fez a ecografia mamária desvalorizou, sempre com o empirismo do "parece-me qu enão é nada".

Ora bem, chegou a altura de repetir o exame. Odiei. Coimbra é a cidade dos doutores e há zonas nobres onde eles se juntam todos mas há doutores e "doutores" e, para mim, chega. Não gostei do atendimento, nem do tratamento, nem da realização do exame e, muito menos, da (falta de) resposta(s). E, quando se trata de saúde e/ou ciência, não quero cá "parece-me". Portanto, de acordo com aquele senhor, que acha que abanar mamas e carregar com a sonda do ecógrafo até às lágrimas é ser-se profissional, o que eu tenho "parece-lhe" não ser nada de grave, é fruto de que "não estou a caminhar para nova" e não me explicou o que era/deixava de ser.

Depois de emborcar um benuron para as dores, marquei logo novo exame, noutro local. Que, por sinal, tinha o relatório pronto no mesmo dia (no local anterior, demorou uma semana).

 

Ora, foi uma diferença como da noite para o dia. Fui super bem recebida, quer as auxiliares quer a médica foram extremamente simpáticas e, acima de tudo, obtive respostas e um exame minucioso. Então, "empastamento" é o nome que se dá a áreas negras presentes na ecografia e que oodem ser tudo (benignas e malignas). O meu é, na realidade, um aglomerado de quistos que tendem a crescer em alturas de maior calor/pressão e pode ser necessário aliviar (através de esvaziamento... Deduzo que há de ser extremamente doloroso mas não vou pensar nisso agora) mas que é benigno. É normal que doa, pois são muitos muito próximos com cerca de 7cm. Na mama esquerda também tenho alguns mas menos aglomerados, logo, não doi tanto. É uma questão hormonal e de tipo de tecido mamário: quanto mais fibroso, maior tendência para o surgimento de pequenos quistos ou nódulos (benignos, na grande maioria das vezes). Pela 1ª vez, as axilas foram minuciosamente verificadas para despiste de mais nódulos.

Saí do consultório muito mais aliviada e grata por saber ao certo o que se passa comigo e o que pode vir a acontecer.

 

E eu pergunto: custa muito fazer as coisas como deve ser logo à primeira? Custa? Será que custa assim tanto engolir o raio das palavras à thesaurus medicinal e explicar às pessoas o que se passa?

 

E, posto isto, porque não tenho nem vida nem pachorra para isto, àquele local não voltarei, aquele médico não me volta a ver (e, muito menos, às minhas mamas) e eu vou onde fui bem tratada e de onde saí com respostas coerentes e não uns vagos "parece-me."

 

Portanto, memo to myself, para a próxima ouvir a minha intuição e nunca deixar de lutar por respostas concretas.

 

 

 

 

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publicado às 12:37

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