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Relatório Multidisciplinar

por t2para4, em 30.03.11

Este relatório foi o primeiro que recebemos e diz respeito à 1ª consulta de Autismo, da Unidade de Neurodesenvolvimento & Autismo. É o espelho escrito da consulta que tivemos (mas sem referir o esforço das piolhas e dos pais para as segurarem na sala e cooperarem nas tarefas) e, no final, sugere uma série de estratégias a seguir no Jardim de Infância mas que eu acho que podem, perfeitamente, ser aplicadas em casa também.

 

Foi feita uma avaliação, segundo a Escala de Griffiths, cujos resultados nos foram ditos na altura e nos descansaram um pouco mas agora temos tudo mais explícito e mais fácil de compreender. A Escala de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths é um instrumento aplicado desde o nascimento até aos 8 anos de idade, que pretende classificar o nível de desenvolvimento global da criança, em termos de áreas fortes e áreas a estimular. É de extrema importância, dada à diversidade de áreas que são avaliadas, que, por sua vez, permitem ao profissional de saúde desenvolver um plano de intervenção/estimulação individualizado, tendo em conta as dificuldades que a criança manifestou ao longo da aplicação da prova.

Esta escala avalia parâmetros das áreas motora, pessoal-social, audição e fala, óculo-manual, realização e raciocínio prático. No final, é feita uma média para dar o global. Esta escala é transcrita em idade mental por comparação com a idade cronológica da criança, por exemplo, as piolhas foram à consulta com a idade cronológica de 3 anos e 6 meses mas apresentam 4 anos e 8 meses na área motora.

 

Não gostei muito do procedimento da avaliação nem das condições mas a equipa do PIIP afiançou-me que não haveria problema e que não deveríamos dar muita importância a este tipo de avaliação pois o mais interessante seria a verificação da evolução das piolhas comparando vários resultados de mais avaliações que ainda hão-de surgir. Confesso que, como os resultados foram melhores do que eu esperava, não me preocupo assim tanto, embora, ainda continue a achar que, com as devidas condições e preparação, a avaliação poderia ser mais fidedigna.

Também achei estranho haver uma disparidade de valores tão grande entre ambas as piolhas pois os comportamentos, dificuldades e aprendizagens são muito similares nas duas. E não sou só eu que o digo: a equipa do PIIP considera o mesmo, embora se note uma facilidade numa hoje e amanhã isso já ser com a outra piolha.

Bem, de um modo geral, entre resultados de idade mental entre os 2 anos e 10 meses (o que eu acho um exagero pois no contexto do dia a dia não a acho tão atrasada) e os 4 anos e 8 meses (o que também acho demais), a média é de 3 anos e 9 meses. Nada mau e bem razoável. O médico disse-nos que vamos ver sempre algum desfasamento em determinadas áreas mas que, elas próprias, acabam por compensar.

A área pessoal-social mostrou valores demasiado altos para as dificuldades que têm, principalmente se tivermos em conta que elas mal falavam e quando o faziam era quase por ecolália e sempre foram muito autónomas em determinadas coisas. Acho que houve muita influência do trabalho que temos vindo a desenvolver no apoio e na terapia da fala.

 

Assim, o plano de intervenção sugerido passa pela frequência do Jardim de Infância, apoio do PIIP e terapia da fala (nem se questiona isso, obviamente), implementação de um modelo de ensino que convencione a organização de espaços e actividades ( o que implica suportes visuais, rotinas, informação precisa do tipo de tarefas a realizar), ter como prioridade as áreas com déficit (comunicação, iniciativa, interacção), linguagem clara e precisa, chamar a criança pelo nome quando se atribui uma tarefa, evitar a inactividade, evitar que a criança passe demasiado tempo no que domina bem e possa ser obsessivo/estereotipal, reforçar positivamente, dar tempo de resposta, fazer um registo do trabalho realizado com as piolhas durante todo o processo de ensino/aprendizagem e próxima consulta no final do Verão.

 

Independentemente dos valores que qualquer avaliação possa dar, altos ou baixos, bons ou maus, o diagnóstico de PEA (Perturbação do Espectro Autista) nunca será retirado. E, por muito bem que eu lide com isso de um modo geral, a realidade bate-me na cara com toda a força quando vejo isso escrito preto no branco ou quando vejo uma estereotipia nova que surge do nada ou quando estão mais agitadas ou quando há uma birra descontrolada ou quando noto a dificuldade em construir frases com mais de 4 ou 5 palavras. E isso doi muito. Mais do que se possa imaginar.

 

Já agora, PIIP significa Programa Integrado de Intervenção Precoce e podemos saber mais aqui.

 

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publicado às 21:56

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