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Consulta record no dentista

por t2para4, em 06.06.18

Um longo caminho foi precorrido desde a primeira ida ao dentista com as piolhas. Nesta fase, já não necessitamos de preparação prévia - basta um aviso de que no dia tal há consulta, às tais horas -; já não necessitamos de negociação, chantagem, recompensa - basta um informar de que, no final do dentista, vamos às compras ou a casa da avó ou para casa-; já não necessitamos de explicar tudinho ao pormenor do que se vai fazer e utilizar - basta uma informação geral do procedimento.


As piolhas já não parecem as mesmas. Temos cumprido religiosamente as idas ao dentista de 6 em 6 meses pois as cáries e  selagens a fazer estão todas tratadas; a desmineralização dos dentes de leite está progressivamente a desaparecer à medida que caem esses dentes afetados e nascem os definitivos; os dentes definitivos estão a nascer direitinhos e nos respetivos locais. Para já tudo bem - e ainda bem!

 

A nossa última consulta foi num destes sábados, à habitual hora. Demorou menos de 5 (cinco) minutos. Com as duas! A sério! Nada de cáries, nada de lesões, dentes saudáveis a nascer, dentes a abanar no timing certo, tudo a correr bem. Desta vez, as piolhas já iam para entrar e ficar sozinhas, sem a minha presença, afinal, estão umas crescidas e, começando desde cedo a tratar dos problemas dentários, ir ao dentista não causa medos nem procedimentos mais complicados.
A próxima consulta ficou então agendada para daqui a meio ano, pois claro. Até lá, cairão imensos dentes e teremos o problema de um dos molares de uma das piolhas resolvido.

A piolha sofre de bruxismo (ranger os dentes) e partiu um dos dentes que, desde essa altura, tem estado em constante vigilância. Já abana pelo que, em breve, teremos menos uma chatice.
Quanto ao que fazer futuramente, talvez selar todos os dentes mas logo se vê.
Quanto ao bruxismo da piolha, um dia destes falarei do assunto, mas, para já e dada a fase de crescimento maxilar e dentário, não pode usar qualquer tipo de aparelho. É aguardar e vigiar. E agir, se for caso disso.

 

Convém adicionar que nunca houve qualquer tipo de mensagem egativa ou de incutir de medos em relação ao dentista. Ir ao dentista é tão natural como ir ao médico de família fazer um check up. É necessário e faz parte das nossas ações para estarmos bem e saudáveis. E um ambiente descontraído e informal faz milagres. 

 

Um passo de cada vez para chegarmos (muito) longe. E pensar que esteve em cima da mesa a hipótese de sedação e ida ao bloco... Chegámos mesmo muito longe.

 

 

 

 

 

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publicado às 16:25

Clássicos (verbais) da maternidade #2

por t2para4, em 04.06.18

Ou "como me tornei na minha mãe sem me aperceber" #2

 

Dado o tempo meteorológico bipolar, incerto, instável, depressivo e sei-lá-mais-o-quê que temos tido, honestamente, não sei o que vestir às piolhas ou preparar para as aulas de Ed. Física. Na dúvida:

 

Leva o casaco que podes ter frio. Eu vou trabalhar e não posso ir levar-to à escola. (insistir, abrir os olhos, levantar o sobrolho e fechar bem os lábios. Ganhei) 

 

 

(Aparte: já não é a 1ª vez que, face ao "és chata" da parte do pai e insistências das piolhas em não levar casaco, que as mesmas, no primeiro intervalo da manhã, me telefonam "Mãe... estás a trabalhar? Podias vir trazer-me um casaco quentinho? Está frescote..." Ahhhh, mãe sabe.)

 

 

 

 

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publicado às 09:31

Clássicos (verbais) da maternidade #1

por t2para4, em 03.06.18

Ou "como me tornei na minha mãe sem me aperceber" #1

 

Inicio esta rúbrica com os dizeres e as expressões maternais que nunca pensei usar mas que herdei da minha mãe. E que, contra todas as minhas vontades e expectativas, me fazem ficar como ela.

 

Depois de estar de volta do aspirador, da esfregona, dos panos do pó, dos detergentes para a casa de banho, ainda ter ajudado uma piolha a fazer um bolo que quer levar para a terapia ocupacional, ter separado 664646468786 resmas de papel desenhado e esvaziado gavetas - se alguém me disser que isto não conta como exercício físico, eu escravizarei essa pessoa -, este é o clássico verbal da maternidade que me sai boca fora quando vejo as piolhas a ir à cozinha, na sua busca de algo para comer:

 

Não quero migalhas em lado nenhum, que acabei de aspirar. 

 

Ora toma.

 

 

 

 

 

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publicado às 15:25

A ignorância, ai, a ignorância...

por t2para4, em 24.05.18

Ora, antes de eu contextualizar o que me leva a escrever, vamos a umas definiçõezitas básicas, assim, coisa pouca e leve.

 

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 Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitas pessoas de uma ignorância atroz no que respeita ao autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitos locais de uma incompetência atroz no que concerne às deficiências, em especial, as neurológicas, como o autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Choca-me a inércia de algumas pessoas em relação à forma como os seus filhos, que podem ou não ter autismo, são tratados."

 

 

Ora, depois destas breves considerações, vamos a pontos-chave na compreensão destes vocábulos:

- o mal do mundo não é o autismo, lamento desiludir os iluminados que acham que é bonito e prático utilizar esta palavra para caracterizar e desculpabilizar uma série de coisas. Há que ter um certo cuidado e brio na utilização das palavras. E do que significam. Por exemplo, eu sei que sou alta e sou alta; por que é que as pessoas estúpidas e burras não têm essa noção, de que são estúpidas e burras?

 

- autismo e violência estão tão relacionados um com o outro como crianças e violência. Não perceberam? Eu explico: miúdos neutotípicos (rótulo para crianças ditas normais, ou pensavam que eram só os nossos a ter rótulos?), de vez em quando, independentemente do seu berço e educação, podem pegar-se ou mandar umas bocas, certo? Reprovável ou não, ninguém vem a correr dizer "sabe, ele é assim porque é neurotípico, desculpe-o lá". Se não acham isto normal por que raio acham normalíssimo associar autismo a atos de violência? 

 

- o autismo é uma desordem neurológica que tem de ser médica e clinicamente comprovada e diagnosticada. A vizinha do lado ou a professora não são experts nesse assunto - a menos que lhes toque. Justificar o nariz vermelho do Rudolfo, os sapatos de rúbi da Dorothy ou a fome do Scooby Doo como sinais de autismo é como eu dizer que o Bruno de Carvalho é neurotípico porque tem dois braços e duas pernas. Além disso, continuo a não ver a relação entre autismo e violência.

 

- as moscas têm asas; os morcegos têm asas; logo, os morcegos são insetos. Bela falácia, hein? Ora, então, se o autismo gera violência, todos os que são violentos são autistas. Puxa, afinal os americanos tinham razão e estamos perante uma pandemia! Na volta, ainda sofremos com outro dilúvio para limpar o mundo. 

 

- aceitar que uma tal justificação possa pegar sem que contestemos e nos indignemos é pior que inércia, é compactuar. Não ando - eu e tantos ainda mais que eu - há uma data de anos a batalhar para a aceitação da diferença, a consciencializar, a explicar como são as coisas para virem pasquins, políticos acéfalos, pais sem a noção de parentalidade ou escolas sem a noção de inclusão estragar todo um caminho árduo que tem vindo a ser desbravado! E não falo só de autismo!

 

 

 

Gente ignorante, inútil, falsa, incompetente e hipócrita ide-vos fecundar mas sem vos procriardes que mal já vai o mundo e a geração seguinte não tem culpa nenhuma. Lede sem a ironia que grassa pelo texto e interiorizai sem o sarcasmo que o caracteriza.

 

 

A nossa vida -  a vida de pessoas com autismo e os seus familiares - já é suficientemente complicada sem que precisemos de - ainda - nos preocuparmos com a estupidez e ignorância alheia. Deixem-se de casas de degredos e reality shows decrépitos e estudem, leiam, cultivem um espírito. Não há nada pior nem mais perigoso que gente acéfala ignorante. É o pasto ideal para a carneirada. E eu, lamento, não faço parte da carneirada. Nem as minhas filhas. Já no outro dia o disse: não me ponham à prova senão até o diabo aprende coisas novas. 

 

 

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publicado às 13:11

Mudasti! (mas só um bocadinho)

por t2para4, em 10.05.18

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Naquele dia atarefado e ocupado e elétrico, marquei cabeleireiro, aproveitando assim um súbito pensamento que ocorrera. Já não cortava o cabelo há cerca de 2 anos e só tinha ido esticar em maio do ano passado. E lá fui eu hoje. A ideia era cortar as pontas. Mas...

Ontem andei a fazer experiências a tentar enrolar imenso cabelo para cima para tentar ver como seria curto e mostrar às piolhas para me darem a opinão delas. E elas diziam que com o cabelo curto parecia que tinha aneis (só percebi hoje que eram caracóis largos) e para eu cortar "só as pontinhas, mãe". O marido gostou e achou que ficaria bem. Eu não me tinha decidido mas não queria torná-lo tão curto com o tive há uns 4 ou 5 anos e que me fez estar longe do cabeleireiro quase 2 anos. 

Fui ao google pesquisar cortes de cabelo pela altura dos ombros. Fiquei apaixonada por uns que ficariam bem no meu cabelo rebelde. Guardei a imagem e decidi-me.

 

Fui ao cabeleireiro. Quando a cabeleireira me viu entrar, sorriu e eu, em jeitos de desculpa, lá lhe expliquei que, de facto, não dou muito lucro a este negócio mas que ia com gosto. E que tinha mudado de ideias quanto ao cortar as pontas e esticar. Ia apenas cortar. Assim - e mostro a imagem. "Bem, isso é que é coragem!"

 

Não tive hipótese de guardar o cabelo como tinha inicialmente pensado pois estava muito seco e com pontinhos brancos nas pontas. Se não é bom para mim, não é bom para ninguém. De espelho em riste, lá acertámos que cortaríamos abaixo do nível dos ombros, em escadeado mas a direito. Uma estreia para mim, nestes meus quase 38 anos de vida. Depois da primeira tesourada, vi o resultado e gostei bastante, estranhamente. 

O resultado final foi muito menos cabelo, mas muito mais leveza, mais solto. E um ar muito diferente. Incrível como um corte pode mesmo mudar o aspeto de uma pessoa. 

 

 

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Uma mudança e tanto, não? Não pintei o cabelo, embora pareça. Desisti de pintar em janeiro e não me arrependo.

Agora é continuar os habituais cuidados que já tinha (champô + máscara + condicionador + sérum).

 

A reação das piolhas foi o máximo. Quando cheguei a casa, ainda não me tinham visto pois vinham pelo corredor abaixo de luzes apagadas. Ao ver-me, uma dizia "Mãe, estás tão linda!" e a outra "Agora estás com aneis aqui" (e percebi que apontava para uma parte mais ondulada, "mas gostamos muito!"

Foi uma enorme mudança e elas reagiram muito bem. Não poderia estar mais satisfeita. E sinto-me estranhamente bem comigo mesma. Para o ano, logo vejo se mantenho ou mudo, eheheheh

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:09

É só um dia perfeitamente comum

por t2para4, em 08.05.18

Só que não. O mais preocupante é que acabo por ter alguns - demasiados - dias assim...

Como expliquei no facebook do blog, o mundo acabou por volta das 6h10, altura em que acordei as piolhas porque precisávamos de ir à estação de comboios no centro de Coimbra. Foi uma tragédia em 3 atos que terminou comigo a tocá-las para se mexerem ou ficavam em casa (estou para me rir no dia em que se atreverem a fazer-me cumprir esta ameaça em específico...).

Portanto, em jeitos de agenda:

 

6h10 - toque de alvorada, pequenos-almoços, vestir, não há tempo para ver TV hoje, mexam-se, depois voltamos a casa para tratar dos lanches (merd@, esqueci-me de tirar pão para descongelar, tiro já e logo estará bom).

6h45 - saída de casa, não quero barulho nas escadas que os vizinhos estão todos a dormir, shhhhh, vocês não ouviram o que eu disse - em sussurro ralhante

6h50 - bora lá buscar a tia, têm os cintos?

7h20 - chegada à estação dos combóios, olha tantos estudantes parecem estar bem mas podem estar a destilar mas pelo menos podres de bebedos não estão e não há ninguém a vomitar, posso ir aqui pela Beira-Rio, vou estacionar aqui e escuso de ir à rotunda das bombas lá à frente, tiro a mala da tia do carro, despedidas, liga quando chegares e tu também, vai com cuidado.

7h30 - viagem de regresso com conversa interessante sobre as festas académicas de Coimbra, os cursos não terminados do pai (que afinal até está em melhor situação laboral do que a mãe licenciada), um dia podem usar as nossas capas, querem ir a um cortejo da Queima das Fitas, explica tudo com pormenores e lá combinamos que para o ano vaos à Queima de pastas com fitas e capas

7h55 - voltamos a casa, tomamos um café forte, preparamos os lanches, não há tempo para ver TV, desliga isso, quem te mandou ligar a TV, onde está o teu casaco, onde estão as carteiras com os telemóveis e os cartões, arrumem os lanches na mochila, querem levar os resumos de ciências?

8h20 - vamos de carro para a escola porque assim já sigo para o trabalho, ó bolas, esqueci-me do portefólio no meu 2º trabalho, têm o cinto? tenho de lá ir buscar o raio do portefólio, portem-se bem, juízo, leiam as perguntas com atenção, peçam ajuda à professora se não perceberem tudo, bejinhos, até logo, sou eu que vos venho buscar.

8h30 - tenho uns trocos, vou ali para um pastel de nata e um sumo de laranja natural, bolas, que estou elétrica.

8h45 - raios, afinal o portefólio não está aqui, tenho de voltar a casa, está na outra pasta de certeza, ligo ao marido e siga viagem

9h15 - chego à escola, verifico correio, sou informada de que vamos mudar de sala por causa das provas de aferição, não posso passar para o edifício habitual, espero pelas funcionárias, tenho de cumprir esta planificação, para a semana há ficha, ó sorte que ainda não as comecei, talvez as do ano passado possam servir de base.

9h30 - começa a aula na sala de educação visual e tecnológica com um quadro diminuto e muito alto até para mim e mais de metade dos alunos deixou os livros e cadernos na outra sala para onde não podemos ir por causa das provas de aferição, inventa material com truque de magia, faz revisões e é uma das melhores aulas dos últimos meses mesmo sem condições

10h25 - como usurpámos aquela sala vem aí outra turma e saímos mais cedo, bora lanchar, que fome, quero um café bem forte se faz favor, raios, esqueci-me do cartão, vejo o que se passa no facebook, a rede está lenta, pronto vejo em casa, vou buscar folhas brancas para a turma seguinte, respondo aos sms de uma colega e combinamos um café para amanhã, uma colega mostra-me um vídeo a parodiar "Amor para a vida toda" com refrão "Mas tu vais viver aqui em casa a vida toda?" e é de dar gargalhadas.

10h30 - próximo round, todos têm material, vamos fazer revisões e construir este booklet sobre as vossas preferências, estamos na sala de música e vejo trabalhos com materiais iguais aos das piolhas e ocorre-me que elas não construíram uma orquestra mas só colaram as figuras, falta aqui uma bateria, que sala tão fixe, que turma fantástica podiam ser todas assim, façam fila, não quero barulho no corredor porque há aulas.

12h - de volta a casa no carro, vou fazer rancho para o jantar de hoje + marmita de amanhã + almoço das piolhas que amanhã almoçam em casa, boa ideia, ainda tenho de fazer sopa, tenho umas sobras de ontem vai ser esse o meu almoço, tenho de me lembrar de levar os rojões que estão na arca.

12h30 - que fome, vou ler umas páginas do "Moby Dick" enquanto almoço. 

12h45 - toca de adiantar o jantar, bolas, esqueci-me dos rojões, toca de os ir buscar, agora faltam cebolas, ai o caneco, vou deixar isto orientado e sair a pé para ir buscar as cebolas ali ao lado.

13h15 - levo cebolas, umas velas e uns morangos, olá a meia dúzia de pessoas conhecidas, estamos todos ao mesmo na hora de almoço, até logo

13h40 - pronto, tudo orientado para logo, arrumo louça, lavo banca, máquina da roupa ainda pode levar a roupa de hoje antes de lavar, tenho de ir marcar as páginas e exercícios de matemática para as piolhas fazerem, não me posso esquecer do meu lanche da tarde, preparo a minha pasta para as aulas da tarde no meu outro local de trabalho, vejo emails, dou um salto ao facebook e vejo a notícia da calculadora para a reforma e não quero ficar deprimida mas descubro que uma atividade principal + recibos verdes passam a contar na totalidade para valor de subsidio de desemprego, esperemos que não seja necessário mas são boas notícias. 

14h15 - tanta roupa para dobrar, deixa cá tratar disto enquanto vejo uma série "Timeless", ok, está fixe e é curtinha ocmo convém hoje, será que já siau um The BlackList?, tudo dobrado.

14h50 - preciso de um café, vou preparar-me para buscar as piolhas, já volto a casa para as deixar e levar as minhas tralhas.

15h05 - na escola à espera, não estou mal estacionada, ai que elas nunca mais saem e eu com o tempo contado, olá como foi o dia, correu tudo bem?, o teste era fácil? Fizeram as perguntas todas? Têm o cinto?, vamos para casa, façam os exercícios marcados, amanhã têm uma folga mas hoje precisam de rever aquilo, o pai ajuda, tablet só no horário e não quero batotas

15h28 - porra, já vou chegar atrasada, bolas esqueci-me do lanche, que se lixe, são só duas horas.

15h33 - 17h55 - vira para um lado, vira para o outro ajuda aqui e ajuda ali, escreve este texto e compõe aquele, que sai no teu teste?, liga o computador, agora empancou e não se liga à rede, é só um minuto, já está, vamos analisar este vídeo clip, então, até para a semana, see you, olha a minha vida soube agora que há reunião extraordinária e não sei se consigo ir porque tenho aulas sobrepostas, eu depois mando email com os documentos pedidos, tenho de cortar o cabelo (só as pontas!!) é melhor marcar já para esta semana senão só para o ano.

18h - Quico, Silvestre, comidinha, andem vamos, ó coisas boas, seus gôdos malucos, ronrom para ti também.

18h15 - Ainda tenho mais um assunto para tratar no centro, espero arranjar estacionamento logo lá. Ufa, fixe, está um bocado saído de traseira, não demoro nada, já está, bora para casa, bolas, a biblioteca já fechou e eu não renovei a requisição, deixo cartão com o marido e amanhã ele trata disso.

18h25 - que frio é este, primavera bipolar, olá família, estão bons? Fizeram os exercícios todos, uau! Estou muito orgulhosa, vejo emails, olha que máximo descubro uma série de exercícios rápidos no Pintrest, é o ideal para mim que ando sempre a correr mas precisava de voltar à atividade fisica, vou imprimir e começo já na 5ª feira, envio documentos, faço contas a pagamentos, atualizo grelhas, preparo mala para dia seguinte antes que me esqueça de mais coisas, toca a ir preparar as mochilas, raios amanhã há ed física tenho de ir preparar o saco, deixem lá corrigir o trabalho feito, muito bem, vão buscar a ficha formativa para estudar um pouco, onde está a mochila que precisa da alça cosida?, toca de ir buscar a caixa da costura e coser.

19h15 - porra que já me atrasei com isto, vou para a cozinha, ligo placa e começo a cozinhar, arrumo outra louça, tenho de ir buscar mais vinho branco a casa dos meus pais, conversa para aqui e para ali, começa este post.

20h - jantar na mesa, lavar as mãos e acabar de pôr a mesa, não enchas já o bandulho de água, usa a faca, junta a comida no meio do prato, senta-te em frente ao prato, diz o marido parem de gritar, parece uma casa de malucos, come devagar, pára de beber água, é para comer o grão todo, separo a refeição para o dia seguinte, arrumo louça na máquina, não cabe toda que se lixe, programo máquina para lavar no bi-horário, tenho de tirar pão para o lanche de amanhã

20h50 - continuo o post, vou ajudar as piolhas a lavar o cabelo e a secar, preparar o bendito saco de ed física e roupas para amanhã, que tempo faz, raio de coisa, talvez umas camisolas desportivas e umas gangas e sapatilhas, programo a máquina da roupa para o bi-horário, tiro o pão para os lanches de amanhã, arrumo a mesa, lavo a banca e a placa.

21h15 - trato dos cabelos das piolhas, arrumo mais umas coisitas que estão fora de sítio, preparo o que vou vestir amanhã

21h30 - vá, toca a lavar dentes e ir para a cama, ok, pode ser no fim do Scooby Doo, como já lavaste os dentes em 30 segundos?, volta a escová-los, não quero fitas, aconchego cobertores, beijinhos, ate amanhã, sweet dreams sleep well

21h50 - escolho a roupa para amanhã, vou tomar um banho, estou cheia de comichão até no corpo, malvadas alergias, ocorre-me será que tenho piolhos, deixa cá ver se anda aqui alguma coisa, ufa que alívio, só sugestão, raio de praga, até ia ver um bocado de TV, deixa ver se tenho emails antes, e ler era fixe, não sei se aguento, estou tão cansada, eu fico aqui sentada a decidir.

22h15 - que se lixe, vou para a cama, amanhã faço o resto, bolas, entro cedo, talvez leve já as piolhas, logo vejo, vou entrar em coma.

 

 

 

 

 

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publicado às 22:16

Quase... Mas não chega.

por t2para4, em 23.04.18

As opções - e os princípios -, às vezes, não seguem a estrada que deveriam seguir.

Mais uma vez, e desta vez já quase a sentir o mar nos pés, vou morrer na praia. Por optar estar com as piolhas e acompanhá-las no seu pleno e não poder trabalhar a tempo inteiro, fui - sou! - penalizada e não posso concorrer ao concurso extraordinário de professores para vincular. Parte de mim deprimiu e esmoreceu ainda mais um bocadinho quando tive de escolher "Não" - não serei opositora ao concurso extraordinário de vinculação. Porque o último ano em que reúno os tais 365 dias necessários para vincular foram já há 7 anos. No ano seguinte fiquei desempregada e os seguintes - até este preciso momento - têm sido sempre horários incompletos. Em parte, por opção porque, de facto, até me dá jeito ter um horário que me permita decalcar o das piolhas e estar sempre disponível para elas -, mas também em parte porque não consigo horários completos. Porquê? Porque o meu leque de escolhas é muito diminuto. Por opção. Pelo bem das piolhas. 

Fora da escola, em conjugação como freelancer, consigo o tal horário completo mas só um décimo desse horário me dá tempo de serviço vital para poder concorrer ao concurso nacional de professores. Porque, apesar de tudo, adoro mesmo o que faço e não consigo visualizar-me a fazer outra qualquer coisa.

 

Neste país, neste momento, sinto que fui penalizada por ter optado pelas minhas filhas e por as pôr sempre em primeiro lugar; sinto que fui penalizada por ter optado acompanhá-las numa luta inglória, injusta e desmesurada contra o autismo que nos entrou pela porta dentro sem pedir licença; sinto que fui penalizada por nunca ter parado de trabalhar mas por apenas ter uns quantos anos de serviço que ainda não enchem as duas mãos embora desconte desde 2003. 

 

Mas, como já me habituei a ver o copo meio cheio, serei contratada com todo o gosto. Sei que, mesmo sabendo que vou perder o meu lugar na escola onde estou agora pelo 2º ano consecutivo, haverá algures na área geográfica que escolho, um horário para mim, num dos meus vários grupos de recrutamento. E pode ser incompleto e/ou temporário que eu cá me arranjo. Porque, independentemente da praia que o MEC possa arranjar, eu posso não chegar ao mar mas ainda o consigo ver e cheirar. As minhas filhas primeiro, o resto depois.

 

 

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publicado às 21:19

Desiludida e um pouco zangada

por t2para4, em 18.04.18

As piolhas pediram para ir visitar o Núcleo Arqueológico de Vila Nova de Foz Côa. A aproveitar este pedido cheio de interesse e empenho da parte delas - e ainda conjugar com os conteúdos escolares de que gostaram -, eu e o pai idealizámos um itinerário e uma data.

Só me ocorreu o preçário depois.

Fui ver.

E ia tendo uma apoplexia nervosa.

Sabeis, fazeis a mínima ideia quanto custa visitar o núcleo e o museu, preço combinado e especial? Sabeis?

12 euros.

Por pessoa.

Somos 4. Matemática simples: 4 x 12 = uma fortuna. 48 euros de bilhetes. 

 

N-e-m    p-e-n-s-a-r. 

 

Este é só um exemplo. Há mais locais de interesse onde o preço de entrada fica caro. Muito caro. Dei 49 euros de entrada no Palácio e Jardins da Pena em Sintra e parte do meu cérebro suicidou-se na hora do pagamento ao ver as notas voarem da carteira. E foi um bilhete família. E ficou caro. Só não vim embora porque já estava previsto irmos lá e fiquei cheia de vergonha de virar as costas à bilheteira. Mas não fomos a mais lado nenhum e deixámos A Quinta da Regaleira, por exemplo, para outra altura. E, para outra altura, ficará também o Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa em Braga. Ou uma série de Sés Catedrais. Para uma família fica muito puxado.

 

Não consigo entender, não consigo conceber, não consigo perceber, não consigo aceitar o preço dos bilhetes d entrada em monumentos/museus para uma família. Ficam em valores proibitivos. Não percebo, a sério que não. 

E, em muitos casos, há museus e igrejas que não fazem parte da rede da DGPC e logo, feriados ou domingos, pagas e não bufas. Ou então não pagas e não visitas. 

Eu até entendo que há custos a ter em consideração, que há investimentos de milhares (ou milhões) envolvidos, que seja necessário manter o espaço ou pagar a pessoal, fornecedores, etc. mas a este preço não é o qualquer um que pode dar-se ao luxo de fazer um roteiro de pontos de interesse em determinada local. 

 

Lamentei ter que desiludir as piolhas mas apresentei-lhes os preços e até elas tiveram que admitir que era muito caro. Ao que acrescia ainda a viagem de Coimbra até lá. Preferimos gastar os 48 euros das entradas em combustível e levá-las a visitar outros pontos de interesse onde as entradas sejam mais acessíveis ou até gratuitas. Para já, há locais que ficarão em espera.

Fico desiludida, triste e um pouco zangada. 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:42

Top 10 - "Pérolas que se ouvem"

por t2para4, em 12.04.18

E, ao longo destes anos, já foram muitas as pérolas ouvidas pelo que, em direto e em exclusivo, a partir do t2, eis que se segue o Top 10 das "Pérolas que se ouvem"! Fiquem connosco! 

(agora voltam atrás e leem isto com a voz da Cristina Ferreira, para ser mais soante e pimbástico)

 

(aplausos e público histérico)

 

E começamos a contagem com o número 10:

Número 10:

"Elas não são autistas" ou a variante "Elas não têm autismo".

Porque é sempre bom poder contar com o diagnóstico da vizinha do lado ou da senhora no autocarro ou até do homem das bombas de gasolina. A isto é que eu chamo poupança de tempo e dinheiro, em médicos e consultas!

 

 

Número 9:

"Tu és que as pões autistas!"

A delícia da culpa imposta pelos outros quando a ignorância se impõe e tolda o parco raciocínio das gentes... Um clássico!

 

 

Número 8:

"Não sei como consegues".

Vou contar um segredo. Cheguem-se mais. Um pouquinho mais. Não digam a ninguém... Mas nós temos super-poderes. É isso. 

 

 

 

Número 7:

"E elas estão na escola?"

Pffff, a sério?! Claro que não!! Elas estão em todo o lado! São omnipresentes e omnipotentes! Quem é que quer perder tempo na escola - ou no trabalho ou em terapias ou em atividades - quando se pode estar em qualquer lugar do universo? 

 

 

Número 6:

"Elas estão sempre a desenhar" ou "Elas desenham demais"

E há quem fale demais e respire demais e esteja a mais. Por aí.

 

 

 

Número 5:

"Mas elas não parecem nada ter autismo"

A que é suposto parecer-se ter autismo? Ou ser-se estúpido? Ou ser-se inteligente? Eu também pareço ser uma cabra e não sou. Espera... acho que sou. Mau exemplo.

 

 

 

E eis-nos a meio da tabela com as "Pérolas que se ouvem"! Continuem connosco até ao topo!

 

Número 4:

"Mas as DUAS têm autismo?" 

As piolhas são gémeas idênticas, vulgo, verdadeiras. E são iguais uma à outra, com poucas diferenças físicas. Mas é tiro e queda quando se fala no diagnóstico delas.

Uma palavra apenas: genética. 

 

 

Número 3:

"Elas falam muito bem Inglês, não falam?" 

(tom acusatório como se a mãe as forçasse a aprender inglês)

Ainda não percebi o porquê desta pergunta surgir constantemente quando se percebe que sim, são quase bilingues e falam inglês a toda a hora, mesmo entre elas. E não, eu tenho bem mais que fazer do que estar a massacrar as minhas filhas a serem fluentes numa língua estrangeira que aprenderam sozinhas, ainda mesmo antes de falar português. E não, não falo inglês em casa. Eu sei que sou doida mas ainda não cheguei a essa fase de loucura. Mas, hei!, eu sei falar sarcasmo! Também conta, não?

 

 

 

Número 2:

"Mas elas são tão lindas!"

São, não são? Ah orgulho bom desta sua mãezinha! (ainda estou para entender em que é que o autismo e os padrões de beleza se relacionam mas está tudo bem. Quem não gosta de ver um filho elogiado?)

 

 

(rufar de tambores.....) E chegámos ao número 1 do Top 10 das "Pérolas que se ouvem"!!!!!! Obrigada por estarem desse lado. E qual será a top pérola, aquela que faz revirar os olhos tão fortemente que até causa deslocamentos de retina? O que será?

 

Número 1:

"Elas têm boas notas, qual é a medicação que lhes dás?"

É de fazer explodir a cabeça!! Que andei eu a fazer estes anos todos, comigo e com elas? Afinal, há um medicamento para a inteligência e para os resultados SEM precisarmos de trabalhar? Quero!!!!!! Onde se vende? Legal ou ilegal, eu quero!! Iria facilitar-nos taaaaaaaaanto a vida, imagem só, não precisava de estudar para dar as aulas nem de estar horas a estudar com as piolhas, nem elas precisariam de estudar! Viva o facilitismo, hip hip hurray!!! Vamos para o Matrix!!!!

 

 

 

Mas esperem que ainda há um bónus!!! 

 

Bónus:

"Elas bebem café?!"

Não... Que disparate. Eu é que bebo café. Elas tomam café. Há diferenças. 

 

 

 

E, por hoje, é tudo! Obrigada por terem seguido este fantástico Top 10 das "Pérolas que se ouvem!". Até breve!

 

(aplausos e público histérico)

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:38

Está em inglês mas traduzi para português, à minha maneira rápida, para termos uma ideia sucinta. Parece que estou a (re)ver as piolhas neste resumo...

 

Um cartaz que mostra as diferenças na apresentação feminina do autismo cujo conteúdo é dividido em 4 seções desiguais.


Título: Mulheres no espectro do autismo


Secção 1: Comportamento:
- Menos propensa a agir física ou agressivamente
- Intenso foco num determinado assunto, muitas vezes envolvendo animais ou literatura clássica
- Parece ansiosa quando há mudanças na rotina
- Observa o comportamento humano, aprendendo a mascarar dificuldades
- Pratica rituais que parecem não ter função
- Pode brincar com bonecas ou brinquedos muito além da idade típica 
- Tendência para o perfeccionismo em certos aspectos da sua vida
- Alto risco de ter episódios de transtornos alimentares e automedicação
- Comportamentos de stimming, como bater as mãos, balançar ou girar, podem parecer muito mais suaves. Também podem ser internalizados / pensamentos em vez de comportamentos externos
- Pode se desculpar e apaziguar quando comete um erro social
- Muitas vezes, mais socialmente consciente e impulsionada


Secção 2: Comunicação
- Mais consciente da necessidade de interação social
- Pode ter um vocabulário excepcional
- Tende a imitar ao invés de fornecer respostas naturais
- Pode conversar de maneira previsível e “roteirizada”
- Parece lutar com aspectos não-verbais da comunicação, como linguagem corporal e tom de voz
- Pode usar inflexão impar
- Parece ter dificuldade em lidar com respostas verbais inesperadas
- Mais capaz de acompanhar as ações sociais por meio da observação

 

Secção 3: Social
- Geralmente tem apenas um ou dois amigos próximos na escola
- Pode ter dificuldade em encaixar devido a roupas e penteados
- Pode fazer um esforço maior para evitar chamar a atenção para si
- Aparece excessivamente tímida ou evita interagir com os outros ou fazer o primeiro movimento socialmente
- Pode ser bastante controladora em jogo
- Parece desconfortável durante a conversa. Pode lutar com o contacto visual
- Muitas vezes mimada por outros na escola primária, mas intimidada no ensino secundário
- Pode brincar apropriadamente com os brinquedos e participar em brincadeiras ou pode concentrar-se na organização de objetos ou brinquedos
- Muitas vezes mostra empatia e compaixão, mas pode ser confundido por sinais sociais não verbais
- Geralmente controla-se bem em saídas e explode em casa

 

Secção final: nota
Os meninos podem frequentemente apresentar muitos desses traços, assim como as meninas podem apresentar traços do tipo mais masculino. É chamado de apresentação feminina porque é mais comumente visto entre as mulheres no espectro do autismo

 

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publicado às 11:32

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