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Foi o trabalho do fim de semana: fazer um corte de um dente e legendar cada constituinte. Teria de ser um trabalho individual. Quis afastar as piolhas do típico desenho mas também não queria fazer nada de muito elaborado. As pesquisas online não deram grande ajuda pelo que fomos pelo mais simples, utilizando os materiais que havia cá em casa.

Perguntei quem queria fazer uma colagem com feltros e quem queria pintar em tecido. Cada piolha escolheu o que queria e pusemos mãos à obra.

 

Para o corte com feltros, precisámos de:

- feltros de várias cores (cru, amarelo torrado, vermelho, rosa avermelhado, branco)

- lápis e tesoura

- tintas (vermelho, azul e amarelo) e pincel fino

- cartolina branca

- cola quente

 

Desenhei as várias partes do dente de forma a conseguirmos sobrepô-las e a piolha recortou tudo. Também escreveu, imprimiu e recortou as legendas. Depois, eu juntei tudo com a pistola de cola quente e dei uma ajuda no delinear dos nervos e vasos sanguíneos.

 

 

Para o corte em tecido, precisámos de:

- tecido (pano cru)

- canetas de feltro, um lápis de cera (não tínhamos a cor certa noutros materiais), tintas acrílicas

- pinceis

- caneta de gel escura

 

Desenhei os constituintes do corte do dente e, seguindo as cores da figura no manual, a piolha pintou tudo. No final, desenhou as bolinhas como se fosse o corte de osso, ajudei no delinear dos nervos e vasos sanguíneos e ela escreveu as legendas. Feito.

 

 

Acabámos por dedicar, ainda assim, muito tempo aos trabalhos, apesar de serem simples. Mas são diferentes do habitual e elas gostaram.

 

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publicado às 13:29

Uma outra visão, um outro lado

por t2para4, em 06.11.18

Sabemos que há, em tudo os dois lados de uma moeda, um pau de dois bicos, uma faca de dois gumes, etc etc etc A nossa língua abunda em dicotomias e isso não é novidade para ninguém.
Quem me lê e/ou (re)conhece sabe que a minha relação com o autismo é dura e sabe bem que, para mim, não dá para encarar as coisas naquela área cinzenta. Não consigo. E eu ainda odeio e detesto e chamo nomes feios usando palavrões cabeludos. Talvez um dia lá chegue, mas, para já, os males (diretos e indiretos) que o autismo nos trouxeram não suplantam os bens que eu possa encontrar (e há alguns bens, eu já falei disso, e é possível vermos o outro lado do espelho).


Mas... há uma mãe que tem uma visão diferente e que pode ajudar(-nos) a chegar, um dia, quiçá?, mais longe e a (ante)ver algo que, agora, as nuvens deste nosso lado do céu não deixam. Já fui muito surpreendida, muitas vezes, ao longo destes anos e não quero cair em absolutismos, pelo que, acho que nos faz bem ver outros olhos, outras palavras, outros "autismos", por assim dizer. 
A interpretação final é sempre a mesma: orgulhamo-nos dos nossos filhos. O orgulho é para com os nossos filhos. Apesar dos nossos pontos de vista diferentes. O objetivo é o mesmo, no entanto: uma sociedade mais justa e o cumprimento dos direitos dos nossos filhos, sejam eles neurotípicos ou autistas.

 

"Gostava tanto que mudasse a visão tão negra que sentem disto... Porque é um bocado injusta e não é assim tão mau o autismo... A sociedade é que deficientiza bastante mais... Nao percebe, nem quer... 

Respeito muito a forma como cada um vive as diversas situações de vida... Esta minha forma de sentir e pensar (que não é unica), é tão legítima como outras, embora por vezes me sinta em minoria... Gostava muito e luto muito todos os momentos da minha vida, para que as pessoas da nossa sociedade em geral, consigam ver também um outro lado e aquilo que poderiam fazer para nos facilitar a vida. Pelo menos a quem sente como eu, que o pior são mesmo os outros e não o autismo, era uma grande ajuda poderem também ver um outro lado da moeda, menos assustador e estigmatizante, até porque corresponde a uma parte de verdade.

O autismo não é deus, nem diabo. Nao é fantástico, nem desgraça... É uma realidade como tantas outras da vida e deste mundo, que a qualquer um de nós e a qualquer momento surge e nos pode reduzir ou acrescentar como quiser, ao que quiser.

SIM, os autistas são tão somente pessoas deste mundo.

A estupidez humana é igualmente uma realidade e convivemos com ela mais ou menos sem dramas, às vezes até com uma passividade que me transcende, e por ai anda ela com razoavel aceitação, talvez porque também seja algo que faz parte. Teria muitos pontos predicativos do sujeito, (que tomara muito neurótico ter para elencar), sobre pessoas autistas e claro, outros tantos ao contrário. Mas desculpem-me agora uma certa tendenciosidade, tenho para mim que o mundo até seria por certo melhor, quantos mais autistas houvesse ... Não é um mundo agradável, o que temos. É infelizmente composto de muita barreira, incompreensão, intolerancia, arrogância, egoísmo e desumanidade... Mas a mim não me desvia da certeza que fatalidade ou desgraça maior não é o autismo - (forma de ser, comportamental/social e de ver as coisas, diferente do padrão e claro, sem comorbilidades de saúde associadas). Não é sequer uma desgraça! Para mim, que me assumo como suspeita, apenas por ser mãe, (e cidadã e um ser humano, com alguma noção dos direitos básicos a isso inerentes), mas com direito ao meu pensamento - "o inferno sao os outros" - e os padrões ideais e hipócritas de uma perfeição, que na verdade nem existe, é que são um busílis. Desgraça e fatalidade é a falta de respeito pelo nosso semelhante, seja ele como for, desde que e ainda por cima, quando nem sequer as pessoas em determinadas condições, prejudicam ninguém.

Para mim, o meu filho e tantos outros autistas, são fantásticos sim, como também terão direito a não o ser, porque são humanos. Caguei nas barreiras que as pessoas nos/lhes criam por eles apresentarem, em maior ou menor grau, os pontos menos fáceis que tantas vezes são referidos, como se não houvesse aspectos tão imensamente positivos... Cada UM QUE OLHE PARA SI, SÓ PARA VER SE É ASSIM UM POÇO DE VIRTUDES, SEM FALHAS, SEM LIMITAÇÕES. Que se olhem ao espelho. E só , não cago mais nas ditas barreiras impostas, porque todos os dias tentam que eu odeie o autismo e as particularidades do meu filho. Mas não conseguem desviar-me do meu pensamento porque as dificuldades maiores que me causam não vêm do meu filho que por acaso é Autista. Não amo, nem desamo o autismo - ele existe, faz parte da pessoa que colocámos, com todo o amor no mundo (eu e o pai), ele é Autista e é algo que não posso mandar fora, só porque muitas pessoas são estúpidas, ignorantes e rejeitam, desconhecem, destratam, desrespeitam a condição, pensam neles como extraterrestres - (Que figuras tristes fazem às vezes e nem se dão conta) . ..

Como li aqui há dias, deixem lá os autistas autistar à vontade, se faz favor, sobretudo porque não é coisa que prejudique ninguém. Há por aí tanta maldade pura e prejucial no mundo para marrar, que escusavam de perder tempo a incomodarem-se com quem é apenas Autista.

Aliás, teriam mais a ganhar, do que a perder se tivessem um dia por amigo ou conhecido, uma pessoa como muitos autistas de quem sou amiga 🙂 "

 

Mãe Cristina Franco

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:30

Este final de semana, o meu feed pessoal, no facebook, era só fotos sobre o dia do diploma ou coisas do género - os nomes variam de escola para escola. 
Sob risco de ganhar novos amigos, aqui vai o que eu penso: eu sou totalmente contra. Aliás, se eu fosse parte de uma direção de alguma escola, a minha escola não teria dia do diploma. Sou a favor de promover uma competitividade saudável entre os alunos, de querer que eles se ultrapassem a si mesmos, de fazê-los ver que podem ir sempre mais além - mesmo quando o mundo lhes diz que não. 


Mas sabem o que eu realmente vejo?

Vejo uma competição feroz por notas que não contam para nada, a não ser passar de ano (desculpem, mas é verdade, até ao secundário, as notas não contam para média, nem para percurso académico que influencie escolhas no secundário). Um exemplo concreto que eu vivi - ninguém me contou: já tive várias alunas que ficaram completamente deprimidas e chocadas porque tiveram... 98% (sim, noventa e oito porcento) num teste. Foi 98% e não 100%, logo, a média dos testes que é somada para o raio da atribuição dos diplomas de sei lá o quê, ia ficar estragada. Serei eu a única a não achar isto normal??? Estamos a falar do ensino básico, pelo amor de Deus!


Além disso, e agora vem aquela questão: alunas como as piolhas poderão alguma vez estar no quadro de honra ou de mérito e receber um diploma? Não acredito que a "inclusão" vá tão longe. Porque depois vêm as questões de como é feita a avaliação, em que moldes, se tem adaptação ou não, blá blá blá.


Não leiam coisas que não estão cá e nem interpretem à Bocage: em lado nenhum eu digo que quero que as piolhas passem por esta pressão (absurda, já agora) ou que sinto algum tipo de inveja. Eu não concordo com isto e jamais sujeitaria as piolhas a esta pressão de ter boas notas só para ganhar um diploma bonito. Quero que sejam felizes na escola, que aprendam com naturalidade e gostem de estudar; não quero que se sintam frustradas porque um 98% não é um 100%. 


Eu sou a favor de premiar os valores, as atitudes, os comportamentos; não concordo com o premiar de notas e fazer disso uma gala. Não estamos a falar do ensino secundário onde a noção de responsabilidade e de mérito fazem perfeito sentido e são absolutamente necessárias para se poder ingressar num ensino superior. Falar disto no ensino básico e ouvir alunos a falar que um 98% num teste lhes estragou uma média (quando, no final do período até vai ter 5 na pauta), é ridículo e de uma pressão exagerada. 


(sejamos práticos: na vida real, não é a pauta das notas que um banco pedirá para que possamos comprar uma casa ou um carro... Estudar de forma saudável sim, exagerar até cair em frustração e depressão, nunca fez bem a ninguém...)

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:22

Síndrome da coitadinhice - repost

por t2para4, em 27.10.18

Repost de um texto de 2013

 

São gémeos? Ah coitada…

Vão as duas para a escola? Ah coitada…

Têm autismo? Ah coitada…

 

A “coitadinhice” é algo que deve ser manifestado, de forma visível, de modo a incomodar, com o intuito de vitimizar, contra a vontade do abordado.

 

A “coitadinhice” não vem sozinha. Por norma, vem acompanhada de um olhar extremamente piedoso, do género, “tens-aí-uma-coisa-estranha-que-pode-pegar-se-deus-me-livre-mas-olho-para-ti-misericordiasamente” e de uma voz quase melíflua.

 

A “coitadinhice” deve ser expressa em voz alta, por regra, junto do alvo. Se for uma mãe com uma criança – ou várias, gémeos ou mais será o ideal -, preferencialmente desenrascada e entendida, é a vítima perfeita. Deve ser abordada como se a conhecêssemos toda a vida e atingida pelo “ah, coitada” com toda a veemência, sem dar espaço para uma resposta.

 

A “coitadinhice” não pode esperar uma resposta à altura, sob pena de a pessoa ser considerada antipática perante a boa vontade do interlocutor.

 

A “coitadinhice” fica excecionalmente bem quando aplicada a pessoas com problemas ou deficiências, preferencialmente crianças. Não interessa o quão fortes serão os pais dessas crianças nem quais os seus limites de tolerância perante a absurdidade do que os rodeia. Dem ser abordados, não importa onde. Ou, caso não se ouse fazê-lo, comentar com a pessoa ao lado, cochichando mas deixando perceber de quem se fala e porquê.

 

A “coitadinhice” é transversal a todas as idades, credos, raças, sexos, estratos sociais, etc.

 

Não gosto de “coitadinhice”.  “Ah, coitada…” A sério? Por que razão alguém que passa pela alegria de ser mãe – e mãe de gémeos – é considerada “coitada”? Por que razão ter dois filhos na escola é para ser comentado de “coitada”? A maioria das pessoas nem sabe o que é autismo mas sabe dizer “coitada”. Cada vez me convenço mais de que se diz “coitada” para se ter algo que dizer, embora, nestas situações, seria muito melhor se estivessem caladas. Há algo que toda a gente deveria entender quando se abordam pessoas que estão com crianças, principalmente crianças com necessidades especiais: a nossa tolerância é para com eles e baixa drasticamente com comentários absurdos, vindos de terceiros.

 

E que tal umas sugestões, ao invés da “coitadinhice”?

- elogiar a criança pela sua beleza, gestos, comportamentos ou palavras

- não julgar uma criança pelo seu comportamento estranho ou inconveniente – principalmente quando os pais estão tão preocupados que nem parecem respirar

- evitar reações inapropriadas junto de uma criança, seja por ignorância ou crueldade

- não abordar os pais para dar sermões ou dicas de educação, sem saber minimamente o que se passa

- evitar os chavões “se fosse meu filho… “ e “ah coitada…”: se fosse seu filho, iria reagir do mesmo modo ou pior que aqueles pais; não comparemos o que desconhecemos

- evitar falar quando não há nada para dizer. O silêncio faz maravilhas.

 

 

 

 

 

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publicado às 09:44

Eu, egoísta, me confesso.

por t2para4, em 14.10.18

O dicionário define “egoísmo”, assim de forma mais simplista, como “alguém que coloca os seus interesses em primeiro lugar”. Não deixa de ser uma emoção humana e, como humana que sou, muitas vezes, deixo-me levar por algum egoísmo.

Sempre coloquei a família em primeiro lugar e, embora altamente criticada por muitos colegas, daí a minha opção de me sujeitar a horários incompletos e mesmo temporários mas ficar por perto, num raio de 1h de viagem, mais coisa menos coisa. No outro dia, eu e o marido conversávamos sobre o caminho que já percorremos e o patamar de desenvolvimento em que as piolhas estão e sabemos, sem sombra de dúvida que, se tivesse ocorrido com os pais dele, por exemplo, as piolhas “que são tão lindas, podem lá ter autismo, isso são coisas da vossa cabeça” ainda hoje não falariam, estariam abandoadas numa escola qualquer sem se saber se os direitos delas estariam a ser cumpridos ou não e seriam absolutamente incapazes de estar num local com outras pessoas, quanto mais numa sala de aula. Além disso, dada a vergonha que sentiriam pelo comportamento desajustado delas, nunca saíriam de casa.

Fui egoísta o suficiente para parar com este tipo de mentalidade pequenina sinónimo de síndroma de avestruz e ir à luta.

Fui egoísta o suficiente para me afastar, enquanto houve necessidade, de outras pessoas que se recusaram a falar a mesma língua que eu e a tentar entender as minhas filhas.

Fui egoísta o suficiente para, sozinha, pesquisar, estudar, pedir ajuda a outras mães em igual situação e aprender com elas.

Fui egoísta o suficiente para deixar de pensar, por uns tempos, nos outros e nos filhos dos outros para poder pensar nos meus.

Fui egoísta o suficiente para não voltar a ter filhos. Talvez com uma boa dose de cobardia associada pois não me via a conseguir lidar com mais casos de autismo em casa, a ter que passar por todas as terapias e lutas de novo. Não me via a lidar com mais bebés (sim, plural, pois a probabilidade de vir mais que um é enorme) e a ter que mudar de casa e de carro e estender prazos de empréstimos. Não me via a ter que passar pelos medos de um novo aborto, de uma nova gravidez tão complicada quanto a das piolhas. Não me via a passar noites sem dormir quando, esta noite, me custou tanto e só andei a vigiar febres.

Fui egoísta ao ponto de criar uma bucket list que é tão grande que terei que viver duas vidas para poder cumprir tudo. Egoísta, pois, tenciono fazê-la sem as piolhas (ou outros filhos) pois sei que elas não querem acompanhar-me, que o ambiente não é o mais adequado para elas, que é um plano que envolve o pai (ou só a mim). Ir a concerto num festival de verão ou ao Rock in Rio é algo demasiado cruel para as piolhas e algo que elas não querem de todo fazer (eu já perguntei) mas que desejam que eu faça e elas ficam com os avós (solução apresentada por elas). Viajar pela Escócia ou Gales ou Irlanda com caminhadas envolvidas não é o que as piolhas querem fazer – elas detestam caminhar, dar passeios longos ou ir para longe. Mas dizem para eu ir. Ainda é algo que não consigo fazer mas que tenciono fazer quando elas atingirem a maioridade.

Fui egoísta ao ponto de me desligar do mundo que não me interessa, do mundo das mães perfeitas que parem naturalmente, amamentam como os mamíferos normais, têm filhos perfeitos e não se coíbem de o divulgar ao mundo. Não me encaixo nesse mundo e, egoistamente, preferi bloquear-me desse mundo.

 

Passámos anos a ensinar as piolhas a gerir emoções, a ensinar sinais físicos dessas emoções, a mostrar em que consistem essas emoções e quais as funções dessas emoções. Neste momento, sob pena de poder ser criticada e mal-entendida, eu quero ser egoísta. Quero poder pensar apenas nas minhas filhas e não ter que andar com penduras só porque são demasiado preguiçosos para tirar o rabo do sofá e ir à luta; quero poder fazer todas aquelas coisas que as mães de filhos neurotípicos fazem, quero que as piolhas façam o que as crianças neurotípicas fazem, quero tirar férias semanas seguidas, quero viajar, quero comprar sapatilhas e um anel de pérolas, quero continuar a trabalhar onde estou porque adoro o que faço e onde estou, quero continuar a acrescentar itens na minha bucket list e escrevê-la para não me perder, quero remodelar a minha sala, quero que as piolhas se adaptem sem dificuldades quando forem para a escola secundária para o próximo ano, quero que tenham um sucesso estrondoso este ano, quero que as terapias comecem já sem problemas, não quero ter que continuar a pagar terapias fora da escola, quero que este ano letivo continue a decorrer sem problemas, quero mesmo. São muitos queros, o que, de certo modo, faz de mim egoísta pois sei que há casos piores, que há escolas que estão a fazer do novo decreto lei um caos maior do que já era antes, que há outras prioridades que não futilidades como viagens/férias/anéis, que não posso pedir uma neurotipicidade quando isso não existe por aqui…

 

Ainda assim, por uns momentos, vou permitir-me a ser egoísta e pedir a ver se pega.

 

 

 

 

 

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publicado às 17:29

É um trabalho para a escola. A professora de Inglês pediu que todos os alunos fizessem em casa uma de três opções: uma bruxa, um gato preto ou um monstro, com materiais recicláveis. 

As piolhas escolheram o que queriam fazer, pesquisámos ideias na internet e hoje pusemos mãos ao trabalho. Eu tratei de tudo o que envolveu colagens com pistola de cola quente e pouco mais. Elas trataram de quase tudo, como é suposto ser.

 

 

A bruxa

 

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Para a bruxa, precisámos de:

- uma bola (de um dos meus jogos das aulas ao pré-escolar; escolhemos verde como a bruxa de Oz)

- feltro

- cartolina

- paus e ráfia

- olhos goggles

- cola quente e agrafos

 

Fizemos um molde em cartolina (reaproveitámos uns pedaços que tinha guardado) em forma de cone (um maior para o vestido e outro menor para o chapéu), recortámos e agrafámos. Recortámos o mesmo molde em feltro preto e colámos com cola quente por cima da cartolina. 

Na bola, colámos pedacinhos de ráfia e o chapéu. Para disfarçar as "soldas" colámos por cima uma tira de cartolina brilhante.

A vassoura foi feita com um galho e ramos secos de um campo aqui ao lado do T2 e preso com ráfia.

Na bola, desenhou-se a boca e colámos os olhos.

 

 

O gato

 

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Para o gato, usámos:

- tubo de rolo de cozinha

- olhos goggles

- arames com brilhantes

- feltro

- cola quente preta e brilhantes

 

Pintámos o tubo do rolo de cozinha (que tive de enrolar noutro sítio porque não tinha cá nem um rolo vazio) com spray para ser mais rápido e cortámos um pouco em baixo para não ficar muito alto. Dobrámos em cima para trás e depois para a frente para ficar com o formato de orelhas. Cortámos um arame em dois e dobrámos para os bigodes que colámos com cola quente e um triangulo de feltro em cima. Para a cauda, usámos um arame enrolado na ponta que também colámos com cola quente. A boca foi feita com cola brilhante.

 

 

E assim rapidinho e com materiais que andavam esquecidos em gavetas cá por casa se fizeram os trabalhos que, modéstia à parte, estão giríssimos.

 

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publicado às 14:12

Um dia com muitos dias...

por t2para4, em 01.10.18

Neste dia, a 1 de outubro…

 

Há 2 anos, desmarquei todas as aulas e sessões de formação e decidi passar o dia com a família mais próxima. Bateram-me no meu carro estacionado de tal forma que um farolim saltou, os restantes partiram, a mala torceu e o para-choques partiu pelos encaixes. A seguradora reparou tudo e foi só mesmo a chatice.

 

Há 5 anos era selecionada para um bom horário, a dar aulas mesmo ao lado de casa. O critério de seleção que levou ao desempate entre mim e outra colega foi exatamente a data de nascimento (eu era mais velha, logo, tinha prioridade).

 

Há 7 anos, passámos a tarde na praia a saltitar de pocinha em pocinha, a levantar os vestidos porque estava um dia de sol lindíssimo e um mar de uma cor esmeralda irresistível. Foram as melhores horas que nos poderiam ter sido concedidas e foi maravilhoso. Um dos melhores dias que já tive.

 

Há 8 anos, saímos. Fomos até à praia, a uma zona de passadiços e passeámos. As piolhas petiscaram qualquer coisa no McDonald’s, a única forma de nos conseguirmos desenvencilhar a uma hora de refeição, fora de casa, como uma família dita “normal”. Não foi uma celebração ideal, mas foi soube pela vida.

 

Há 11 anos, passava o meu primeiro aniversário como mãe. Tinha dois seres minúsculos com apenas 3 meses de vida que dependiam totalmente de mim e era avassalador tanto como incrível e encantador. Não se fez nada de especial, mas as piolhas estrearam uma roupa nova pindérica nas horas que deixou de servir em menos de um nada.

 

Há 15 anos tinha o meu primeiro emprego, o primeiro dos únicos 3 horários completos que obtive em todos estes anos de trabalho/descontos e já me metia na lufa-lufa do que era procurar casa, escolher casa, comprar casa – o que acabou por acontecer mês e meio depois.

 

Há 20 anos, entrava na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Letras, na 2ª fase. Foi uma felicidade pegada. Não entrava no curso que inicialmente queria e pelo qual ansiara todo o meu secundário, mas sim num curso bilinguístico que acabou por ser a minha primeira escolha por seguir à toa o guia de candidatura, depois de ter ficado de fora na 1ª fase. E quis o destino que gostasse imenso e seguisse a vida educacional.

 

Há 30 anos aprendia a celebrar aniversários via telefone (o telefone da casa da vizinha) pois o FMI e o desemprego e uma subida absurda dos juros sobre os imóveis levaram o meu pai à emigração. Só voltei a saber o que era ter uma celebração cara a cara com a família toda há coisa de uns 5 anos.

 

Há 33 anos, entrava na escola primária para o que na altura se chamava de 1ª classe. E uma turma enorme com muitos meninos e meninas cantou-me logo os “parabéns a você”, na mesma sala, onde uma geração depois, 28 anos depois, as piolhas foram ter as suas primeiras aulas do que agora se chama 1º ano.

 

Há 38 anos, a minha mãe, farta de uma gravidez de barriga proeminente e pernas de bebé até ao pescoço, no exato timing previsto pelos médicos da maternidade, inicia o mês de outubro com uma das maiores e mais complicadas aventuras da sua vida.

Há 38 anos, eu nascia.

 

 

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publicado às 00:05

Esta noite, antes de adormecer, o meu adorado cérebro decidiu ir buscar uma série de memórias e afins, sei lá com que intuito. Mas, no meio daquilo tudo, apercebi-me que já passámmos por muitos tipos de pessoas de quem deveríamos ter fugido logo no dia em que no Hospital Pediátrico nos disseram que as piolhas poderiam estar no Espectro do Autismo.

Assim, aqui vai um apanhado de fugir: temos as devidas identificações e as respetivas habituais perguntas ou frases mais utilizadas.

 

1. A Opositora

"Não pode ser, foi engano."

"O teu avô também era assim e não tinha nada disso".

"Tu também eras assim e os médicos disseram que isso era normal"

"O filho da vizinha da avó do cunhado da filha do padeiro também é assim e ninguém lhe disse nada"

"Mas não parece nem se nota nada"

 

Este tipo de pessoa não questiona, não pergunta com o intuito de aprender ou compreender, apenas se limita a disparar o exato oposto do que um médico possa diagnosticar. Fujam.

 

 

2. A Espalha-coitadinhos

"ohhh, coitadinho... tão novo..."

"Ohhh, e agora? Coitados de vocês..."

"ohhh, mas não parece nada... coitadinhas..."

 

Da boca deste tipo de pessoa, todas as frases têm de ter um adjetivo complacente, uma interjeição no início ou no fim e ser pontuada por suspiros profundos e arrebatadores, doloridos mesmo. Fujam.

 

 

3. A wannabe médica

"Isso não é nada. Passa com um castigo/palmada".

"Tu é que as pões doentes".

"Isso não é doença nenhuma"

"Agora é tudo moda, é tudo autismo e hiperatividades"

"Isso passa com a idade"

 

Este tipo de pessoa passou ao lado de uma carreira de medicina que culminaria com o cargo de Professor. Infelzmente para ela, felizmente para nós. Fujam.

 

 

4. A Farmacóloga

"Este medicamento é recomendado para casos assim."

"Este suplemento alimentar vai fazer milagres e vais ver logo diferenças"

"Experimentar dar este emdicamento e elas vão acalmar"

"Dá-lhes isto e elas vão dormir" 

 

Este tipo de pessoa ansiava trabalhar numa multinacional na área da farmacologia e fazer milhões. Infelizmente para ela, ficou-se pelo ansiar. Felizmente para nós, só pode mandar bitaites. Fujam.

 

 

5. A Palpiteira

"Eu cá, fazia assim e assado"

"Se fosse comigo, eu iria abordar esta e esta aborgadem"

"No teu lugar, eu comprava isto ou aquilo ou experimentava esta ou aquela terapia"

 

Este tipo de pessoa é bom para vos auxiliar com os números do Euromilhões. De palpites percebe ela! Fujam.

 

 

6. A Cientista

"Já experimentaste a terapia da hipnose não sei quê?"

"Sabias que existe uma nova técnica para tratar de casos assim?"

"Descobriram uma nova causa do autismo. Se calhar foi de lá que veio o vosso"

 

Este tipo de pessoa não quis ir para medicina ou farmácia; ciências é que era a cena. Mas não passou do 9º ano e pronto, virou cientista de sofá pelo Google. Fujam.

 

 

7. A Hippie-zen-paz e amor ao bicho

"A tua criança é uma criança especial, é um cristal índigo que te escolheu como mãe"

"Foste escolhida para seres mãe destas crianças tão especiais aos olhos do universo"

"Ouçam a natureza. Voltem-se para a natureza"

"Sigam uma dieta livre de tudo e vivam de ar, engarrafado, porque o outro está poluído"

"O autismo é uma benção."

 

Este tipo de pessoa anda ali na borderline entre o nosso mundo e o mundo do autismo porque, honestamente, não parece que viva no mesmo planeta que nós. Sempre cheia de boas intenções e de voz pausada e melodiosa, enerva porque existe. Fujam.

 

 

8. A Religiosa

"Deus só te dá as batalhas que consegues travar"

"Tens de as batizar e isso passa"

"Volta-te para Deus, Ele vai ajudar"

"O Demónio tenta-nos, isso são coisas do Demónio..."

 

Esta pessoa leva-nos, de graça e com guia, ao século XVII ou até antes!, onde Deus está no centro do Sistema Solar e é a causa mas também cura de todos os nossos males. Filosoficamente falando, a vossa cabeça fica em água pois tudo nela é contradição. Fujam.

 

 

9. A Advogada de Acusação (também conhecida por Acusa-Cristos)

"A culpa é toda tua!"

"Se tivesses feito isto e isto, na gravidez, elas não seriam assim!"

"Isso são coisas dos teus lados da família"

"Se não as tivesses posto na creche, elas não teriam ficado assim!"

 

Este tipo de pessoa faria um figurão em tribunal, se a deixassem. É direta, desprovida de emoção, acredita piamente nas suas afirmações acusatórias e o seu tom de voz demonstra isso mesmo. Outra que passou ao lado de uma carreira estonteante. Fujam.

 

 

10. A Modernaça

"A culpa é das vacinas"

"Esta dieta, desprovida de tudo (até de comida), é milagrosa"

"Comprei um cão/rinoceronte/pterodáctilo e o meu filho curou-se"

"O meu filho vive numa redoma de vidro: não saímos nem vamos à escola."

"A escola é um antro de perdição. O país não presta. "

"Parei com isto e isto e isto e o meu filho foi curado"

 

 

Este tipo de pessoa é o mais perigoso e ignorante que existe. Numa tentativa de demonstração da sua liberdade democrática, coloca a liberdade e saúde de todos os outros em risco, acredita em estudos desacreditados, rejeita a medicina para os seus descendentes - embora ela própria recorra à medicina para si -, acusa todos os sistemas de um país de estarem desgraçados sem se informar das alternativas ou dos casos de sucesso nesses mesmos sistemas, todos os casos são menos graves que os dos seus filhos mas há sempre uma cura derivada de um ato deliberado da sua parte como não vacinar ou não medicar ou não matar os piolhos. Fujam.

 

 

 

Acho que poderia considerar mais 2 ou 3 tipos de pessoas de quem fugir - o que, inevitavelmente incluiria até membros da própria família - mas fiquemos por aqui. Algumas pessoas são até um mix de tudo isto e eu até me espanto de quanta estupidez e ignorância cabe num único ser humano. Nunca deixamos de aprender.

Por isso, nestes casos, fugir é uma coisa inteligente de se fazer. Física ou metaforicamente falando.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:51

É o meu corpo e ponto final

por t2para4, em 04.08.18

Adoro quando regressam os dias de sol e de calor e irrompem de todo o lado mil anúncios a ginásios, dietas, cremes anti-celulite, suplementos e até exercícios localizados. Só que não.

Qual é que é o ponto de pressionar as mulheres - e os homens, já começo a ver que também surgem ataques disfarçados à figura física masculina - para se ter um suposto corpo perfeito? Mas, por acaso, a perfeição é gradualmente tornarmo-nos todas iguais umas às outras, entupidas de botox, sem expressões faciais, sem características pessoais únicas? 

Não, obrigada.

A sério.

 

Demorei anos a aceitar-me. Passei todos os meus anos de escola - todos - insegura de mim mesma: ou era o cabelo (que não era liso) ou eram as unhas (que não existiam por roê-las) ou eram as pernas (que ameaçavam celulite) ou era o aspeto (alta demais, achava-me feia) ou era o queixo (comprido demais). Por favor! Se eu pudesse voltar atrás dava a mim mesma uma carga de porrada e mostrar-me-ia que posso ser firme, segura de mim mesma e confiante sem ligar às opiniões de terceiros e sem ter que me comparar com ninguém. 

É exatamente isto que digo às piolhas sempre que surge uma oportunidade. Nunca as ouvi queixar-se do que quer que seja do seu corpo (ainda é cedo para estas crises) e quando falam de borbulhas no nariz, elas próprias, com naturalidade, dizem que é a puberdade.

 

Eu não sou perfeita Mas sou perfeitamente capaz de aceitar os meus defeitos inestéticos. Uma gravidez múltipla trouxe-me estrias na cintura e falta de definição na barriga, esticou a minha pele a um estado tal que consigo ver onde engelha por causa dessa elasticidade; uma amamentação mal sucedida e uma subida do leite inesperada trouxeram estrias às minhas mamas e fê-las descaírem; essa mesma gravidez e um aborto espontâneo há uns anos agravaram a celulite nas minhas pernas e despertaram uma rosácea terrível na minha cara que só ameniza com pomada antibiótica. 

Não estou tonificada nem morenaça nem musculada. Não tenho o cabelo esticadinho, perfeito e sempre no lugar. Não uso maquilhagem todos os dias. Já não consigo usar saltos agulha.

MAS...

Estou com um corpo incrível para quem passou por 2 cirurgias à barriga e passou por 2 gravidezes, sobreviveu a uma lesão grave intermuscular e lesões cerebrais que requereram medicação tão forte que me fez cair o cabelo, dar cabo da pele e enfraquecer as unhas.

Não tenho paciência, nem dinheiro, nem vontade de encher o cabelo de químicos. Nem sequer tenho vontade de me pentear e só o faço quando lavo o cabelo. Sigo um cronograma capilar de forma séria, arrisquei um corte de cabelo novo e ganhei caracóis e ondas que defino com creme de pentear ou espuma. E penteio-me com os dedos.

De vez em quando, quando as costas e as folgas me permitem, faço algum exercício físico. Mas, há de contar como reforço subir 3 lanços de escadas com kg de sacos de compras, materiais da escola, filhos, etc. Porque, de uma coisa estou certa, tudo isto me sai do coiro.

Tenho celulite e, este ano, depois de muitos muitos muitos anos a recusar sequer ter algo do género no meu roupeiro, usei vestidos e saias no inverno (com collants e não leggings) e estou a usar e a abusar dos calções, vestidos e saias no verão (de perna ao léu, mesmo).

Tenho uma barriga magra e lisa que não é tonificadinha mas uso bikini e bikini usarei até me fartar. 

Desisti de fazer a depilação só para, supostamente, agradar ao marido (quando ele, na realidade me confessou que não liga nada a isso) e faço por mim: porque detesto pêlos, porque é mais higiénico, porque vou usar uma saia ou um bikini e porque eu controlo esse processo (faço com máquina em casa e tenho pouquíssimos motivos de sofrimento).

Desisti de disfarçar os brancos. Ainda pintei o cabelo várias vezes com coloração permanente e com a que sai com lavagens. E, um dia, um mês depois de o ter pintado, apanhei piolhos (quando supostamente não entrariam em cabelo pintado). Apanhei uma neura tal que desisti. Estou com imensos fios brancos e quase quase na minha cor natural. E sinto-me muito bem.

Deixei de usar cremes de dia, de tarde e de noite. Além daquelas bodegas me atiçarem a rosácea, esquecia-me de usar como deveria e em dias de calor absurdo como agora, eu ficava um nojo maior. atirei tudo fora e utilizo água termal, a tal pomada quando necessário, leite de limpeza da marca Cien todas as noites. E chega que não tenho paciência para mais. Nem dinheiro.

 

O que quero daqui retirar é que, desde que aprendi a aceitar-me assim como sou e a ter a noção de que o esforço a que submeti o meu corpo e a idade que começa a fazer-se pesar, sinto um alívio imenso e me sinto realmente melhor. Não sou nenhuma hippie! Adoro usar maquilhagem e não saio de casa sem lápis/rímel e baton. Adoro salto alto (passei a optar por uns mais baixinhos ou por salto cunha) mas há looks incríveis com botins, sandálias e sapatilhas. Comecei a usar roupas com as quais me sinto verdadeiramente confortável e bem. Arranjo as unhas, quase religiosamente, há coisa de dois anos com a melhor pessoa que podia imaginar, que sabe o que faz e não arrisca estragar o pouco que há e que faz autênticos milagres.

Não quero que as minhas filhas passem pelo horror que eu passei e tenham vergonha de sorrir para uma foto porque acham que são feias. Tudo coisas parvas da nossa cabeça e sem razão para existirem. Elas são lindíssimas (eu sei que sou altamente suspeita e imparcial mas é verdade) e não precisam nem têm necessidade de pensar ou de se rebaixarem ao ponto de não se aceitarem como são. Já basta o que basta.

Tudo com conta, peso e medida. Ignorar e evitar ataques, serem saudáveis e terem cuidados básicos com a saúde (e, por acréscimo, com o corpo) e serão sempre belas. Porque envelhecer não tem que se tornar no horror e na fogueira de vaidades plastificadas e sem heterogeneidade que se apregoa por aí. Pode ser natural. 

 

Para já, espero que, como adolescentes, as piolhas não sintam nem sofram a pressão de serem uma ou outra figura. Espero e tentamos que sejam elas próprias, com o gosto delas e que saibam aceitar-se. São lindas, saudáveis e felizes. 

Como dizem os meus caríssimos e queridos Dr. Watson e Sherlock Holmes, "it is what it is".

 

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publicado às 16:48

Tagarelice #58

por t2para4, em 30.07.18

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Costuma dizer-se que há 3 coisas que dizem a verdade: As crianças, os bêbedos e as leggings.

As minhas crianças, do alto da sua ausência de filtros sociais, são qualquer coisa de transcendente. E de hilariante. Sobretudo porque, além da fala, esta situação envolve... mamas - as minhas mamas.

 

Long story short, apareceu do nada e de repente, um quisto no quadrante esquerdo inferior da minha mama esquerda que inflamou forte e feio a ponto de ficar vermelho, com febre e dores horríveis. Além da repetição do exame (tinha feito uma eco mamária no dia 13 deste mês), envolveu vários pagamentos de taxas moderadoras e brufen fixo por uma semana de 8h em 8h, isto se correr bem e não necessitar de antibiótico.

Ontem, já com ideia de fazer consulta de reavaliação amanhã, estava a preparar-me para tomar duche enquanto as piolhas estavam a acabar de se vestir. Verifico se o caroço se nota e aviso as piolhas que no dia seguinte teriam de ir comigo à consulta e que era para se portarem bem. Entretanto, vão perguntando se me doi muito, que já não está vermelho, que pontinhos eram aqueles perto do mamilo, porque é que as minhas mamas eram diferentes. E eu respondo que era adulta e daí serem diferentes e que o mamilo/auréola é por norma acastanhado e é tudo normal. 

"Não mãe, diferentes assim, parece que estão a cair".

Very nice. Quem ia caindo era eu, já que as mamas, aparentemente, já tinham caído. E lá lhes respondo, depois de um loooooooooooooooongo suspiro, "fui mãe".

Ora, o processamento auditivo das piolhas, às vezes, também deixa a desejar.

"Fumaste??? E as mamas ficam assim?"

"Não, filha, eu    fuuuuuiiiiiiiiii   mããããããããeeeeee; não fumei; vocês nasceram e eu fui mãe."

"Ah, pensei que era fumar, eu nunca nunca vou fumar" (menos mal, venham as mamas descaídas... Já valeu a pena)

"Fui mãe, vocês não facilitaram com a amamentação, as minhas mamas nunca foram grandes e não há nada que um soutien não resolva. End of story"

 

E foi mesmo.

E eu fiquei semi deprimida a pensar que vou continuar a apostar em bons soutiens (daí a palavra que, no francês, quer dizer "apoio, suporte"). Bem preciso de "soutien" - qualquer que seja a tradução agora.

Também precisava de um gin ou de uma somersby ou assim mas com ibuprofeno é capaz de ser má ideia, pelo que, fico eu com as minhas feridas mamas semi descaídas e os meus soutiens.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:48

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