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Falemos de enxaquecas

por t2para4, em 20.05.22
Começa com uma moinha incómoda e persistente na testa, perto dos olhos, a luz incomoda. Segue-se um crescendo das dores de cabeça, os olhos começam também a doer e até podemos ou não ver pontinhos brilhantes. Vem aquela sensação de náusea e de enjoo e de fome, tudo ao mesmo tempo. E uma enorme falta de paciência e de tolerância e o anseio pelo escuro e pela posição horizontal, pelo sossego e pelo silêncio. Tudo incomoda: o som dos passos no corredor, o cheiro a algo indecifrável que vem da cozinha, o antecipar da habitual pergunta “estás bem?”, o anseio irracional e supersónico de que a medicação faça efeito imediato. Tomam-se paracetamol e triptanos nas doses limite nos horários limite e deseja-se, do fundo do ser, que não seja uma crise de vários dias e que, depois de fechar os olhos por umas horinhas, tudo esteja melhor e que a tensão arterial não desça demasiado e não atrapalhe mais do que ajuda e que não se repita por mais dias e que não seja necessário fazer mais 6 meses de profilaxia.
Olá, eu sou a Mara e sofro de enxaquecas desde os 7 anos. E, habituada a um determinado perfil – demasiado violento e agressivo mas cujos sinais precoces eu já conseguia identificar – há um ano que as minhas crises mudaram e foi necessário todo um reajuste. E esta sou eu, acabada de chegar a casa, já de paracetamol tomado há horas e de triptano ingerido no momento, vestida e maquilhada, no final de um dia de aulas e deslocações de km, a cheirar a suor e a chulé, prostrada em cima da cama com colcha e tudo, a tentar fazer o mundo menos luminoso e a ansiar por menos dores.
 

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Foi muito complicado acertar na medicação. Desde a infância que todas as minhas dores de cabeça eram desvalorizadas e, graças a isso, acabei por desenvolver uma enorme tolerância à dor. Sou capaz de andar com uma dor de cabeça persistente todo o dia durante dias e continuar no mesmo ritmo de vida porque sei que não me abate nem é uma enxaqueca. Uma enxaqueca é debilitante. E, com dores extremas, cheguei a desejar que o meu cérebro rebentasse porque assim teria algum alívio. Cheguei a colocar botijas de água quente ou sacos de gelo em cima da cabeça, sem qualquer resultado. Na minha adolescência, foram tantas as tentativas de medicação em forma de experiência, com efeitos secundários horríveis (incluindo o quê? Isso mesmo, dor de cabeça) que, a certa altura desisti e deixei-me ficar com o velhinho e confiável paracetamol e idas às urgências para medicação intravenosa quando já não aguentava mais. Um dia, já depois de ter sido mãe e ter tido uma crise violentíssima às 10 semanas de gravidez, fui para as urgências encolhida de dores e um médico muito jovem disse-me “vou receitar-lhe algo que vai acabar de vez com essas crises e será o seu SOS.” Eu nem queria acreditar. E foi mesmo. Não acabou com as minhas crises mas ajudou imenso a superá-las, durante alguns longos anos, até ao dia em que deixou de funcionar porque eu não identifiquei os gatilhos de imediato e deixei assoberbar a crise. Consultei, então, uma neurologista especialista em enxaquecas, fiz logo um RM e descobrimos que tantos anos de dor extrema acabaram por me causar danos cerebrais. Fiz um tratamento agressivo, recuperei um pouco mas já não o que seria suposto se tivéssemos agido antes. Desde então, sensivelmente, de 2 em 2 anos, preciso de fazer meio ano de profilaxia para a enxaqueca e é um bálsamo milagroso.
Ainda estou dentro do timing. Este novo perfil foi, possivelmente, causado pela vacina do covid e questões hormonais. Ainda não sei identificar muito bem os gatilhos nem alguns dos sinais mas sei o que fazer em caso de crise. Habituada a crises violentíssimas e tão galopantes, estas são meninas de coro, embora me deixem mais cansada e afetem a minha visão.
As piolhas não sofrem deste mal, felizmente e abençoadas. Mas estou atenta. Enxaquecas não são frescura, nem chiliques femininos, nem maleitas benignas que passem com café e gotas de limão. São questões de saúde que devem ser levadas a sério para evitar perdas graves e irreparáveis a nível neurológico e cerebral e deve haver um acompanhamento da pessoa para que seja bem medicada, bem tratada e saiba como deve agir em caso de crise, evitando tratamentos mais fortes e agressivos. É uma situação real e impactante. E deve ser respeitada e falada.
 
 
 
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publicado às 15:48

Eu sei que as pessoas, de um modo geral, não estão para ler textos compridos e/ou sobre assuntos sérios porque para séria basta a vida e o mundo parece (ou estará mesmo?) louco. Mas, enquanto eu for capaz de aprender e ter algum sentido de justiça, continuarei a advogar pelo cumprimento dos direitos dos alunos (em especial, alunos com necessidades específicas) e a tentar ser o melhor que posso para dar uma resposta (mesmo que seja mínima ou insignificante, no meio de tantos problemas que existem). Não quero que tenhamos uma sociedade segregada entre os (neuro)típicos e os atípicos pois isso nem sociedade chega a ser; não pretendo envelhecer numa sociedade que despreza a diferença quando todos somos verdadeiramente diferentes, em tantas coisas que não necessariamente a deficiência; não quero que as gerações seguintes vejam a pessoa com deficiência como um ser menor que tem por obrigação provar qual o seu papel na sociedade; não quero envelhecer numa sociedade onde se alienam direitos consoante a disponibilidade e o “dá mais jeito/não dá jeito”.

Somos um país notoriamente envelhecido um uma pirâmide demográfica invertida. Estamos todos a caminhar para velhos e os nossos autistas, hiperativos, bipolares, diabéticos, epiléticos, deficientes, etc., também crescem e tornam-se adultos e idosos. E continuam a precisar de respostas e de ferramentas e de apoios para fazer frente a esta sociedade tão rápida e tão mesquinha ainda para poderem também ter o seu lugar, sem haver a necessidade imposta sabe-se lá por quem, de que precisam merecer esse lugar. Não é assim que as coisas funcionam. O mundo é diverso o suficiente para haver espaço para todos. E há, efetivamente, espaço para todos. Comecemos por ter vontade, noção, disponibilidade. Essa disponibilidade pode ser uma ação tão simples como aceitar a diferença. E não tecer julgamentos.

Sou diferente, sempre me senti diferente dos meus pares por tantas tantas razões. Hoje, sei em parte porquê. Foi duro. Não precisava de ter sido se, nos anos 80 e 90, já houvesse o cuidado, a sensibilidade e a atenção que já começa a haver hoje para muitas questões neurológicas. Negar a existência dessas perturbações neurológicas, com ou sem diagnóstico, é negar a diferença e é entrar na mesma linha de montagem que os demais – “another brick in the wall”. É preciso encarar a área mental, a área neurológica humana com a mesma seriedade com que se encaram todas as outras áreas e não desvalorizar. “Somos todos um bocado autistas”, “eu também era hiperativo em miúdo e agora não sou” é desvalorizar um diagnóstico extremamente sério, em que são efetuadas inúmeras avaliações ao longo de muitos anos durante horas, é questionar uma equipa de médicos, é afrontar os pais que sabem que os seus filhos não são como os pares deles. Todos temos um pouco de tudo mas para se chegar ao diagnóstico de “perturbação de” significa que há ali um comprometimento de diversas áreas fundamentais ao funcionamento humano padronizado e que isso afeta a sua funcionalidade, independência, autonomia etc, há uma conexão neurológica comprovadamente diferente que infere e impacta no indivíduo e que faz com que seja necessário recorrer a terapias e apoios para suplantar essas dificuldades graves. Não temos todos disto, seguramente.

Por isso e portanto, falarei sim de assuntos sérios (com ou sem leitores, com ou sem audiência porque não ando atrás de likes nem de fama) e advogarei sempre pela inclusão.

 

 

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publicado às 16:42

Em pleno século XXI, no ano da graça de nosso Senhor 2022, ainda há tempo de antena e gigabytes dedicados a pseudo-oradores que dizem barbaridades do género "antes de o PHDA ter sido inventado" ou "epidemia de PHDA" entre outras belas pérolas oratórias. Ora, desdizendo a comunidade científica e médica de anos de experiência e de estudo, temos, portanto, aqueles que se insurgem contra uma suposta educação tradicional a favor de uma educação para o século XXI, negando ou troçando da neurodiversidade. Hoje PDHA, amanhã autismo, depois de amanhã depressão e no futuro mais próximo qualquer tipo de perturbação neurológica ou mental. Não percebo porque ainda se utiliza a velha e fracassada estratégia do insultar o que achamos errado para defender o que achamos certo. Ou seja e portanto, este "orador" insurge-se contra a educação que surgiu no período iluminista, que visava o ensino dos clássicos e foi restruturada no período da Revolução Industria para um mundo industrializado e capitalista, para defender a educação onde não se diz "não", onde se valoriza um currículo mais alternativo e se critica a estrutura, a rotina. Consigo entender tudo, a sério que sim e sem ironias.
Já dou aulas há 20 anos e nunca me iludi em relação ao ensino-aprendizagem: é uma via de dois sentidos - eu ensino mas os alunos também me ensinam, eles aprendem e eu também aprendo (com eles, com formação contínua, com mais estudos); é precisa uma base afetiva para uma aprendizagem bem-sucedida e duradora - a aprendizagem quer-se prazerosa, para ambos os veículos (o condutor e o recetor), quer-se emotiva, empática. Em suma e de forma extremamente simplista, a aprendizagem quer-se empática em várias frentes. Não é a negar ou a atacar a evolução da educação que incutiremos os valores éticos na educação para o século XXI. Eu acredito muito no envolvimento de todos os intervenientes e só assim sabemos que pode funcionar. Temos de gostar, de sentir a escola, a educação. Embora, eu também tenha a noção de que é extremamente difícil.
Não me perdi nesta minha divagação: eu não posso deixar de entrar na educação para e do século XXI a negar a neurodiversidade. Eu sou neurodiversa. E sou o outro lado da educação: fui aluna, sou aluna sempre que estudo, sou professora, sou aprendiz. E não sou neurotípica. Nem eu nem grande parte da população em idade escolar que será a mesma população em idade laboral e a mesma população em idade idosa, quando? Isso mesmo, no século XXI.
A Escola recebe todos. A Escola tenta dar respostas. Mas não esqueçamos nunca de que, quem faz a Escola, são as pessoas. As pessoas certas, com o coração e o cérebro nos locais certos, fazem a diferença e são a diferença.
Assumamos que há a diferença, que há a deficiência e que nenhuma vida é inferior a qualquer outra. Assumamos que todos podemos contribuir para a evolução e assim sim, conseguir caminhar e entrar na tal educação do século XXI, na tal Escola universal e inclusiva.

 

 

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publicado às 14:56

A Rita é mãe atípica. O Lucas tem autismo e tem toda uma equipa fantástica que o acompanha. Nesta caminhada, a mãe pretende chegar mais longe e, além de desmistificar um pouco no que consiste esta sigla PEA (Perturbação do Espectro do Autismo), mostrar que o seu Lucas, tal como tantas outras crianças, no espectro ou não, pode ser feliz e valoriza e descobre tantas outras coisas a que muito poucos dão importância.
O livro está muito bem conseguido e aposta num formato multiusos, ou multiformato, para se poder chegar a todos quanto possível. Há ilustrações deliciosas, há verso, há palavras-chave, há ensinamentos, há diversidade - neurodiversidade.
Recomendo.

 

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publicado às 11:50


E, para quem não esteve na apresentação do livro Lucas e o autismo e me pediu, aqui fica o meu texto. É um pouco extenso mas juro que durou menos de 4 minutos a discursar. Há a repetição constante do que já fui escrevendo na página antes. Mas é disso que precisamos: repetir a ver se a mensagem passa.

 



"Eu começaria por dizer que, hoje, mais forte do que o autismo (e eu até acredito em autismos - plural), temos a sensibilização – a aceitação! - da neurodiversidade e a chamada de atenção para a inclusão – a verdadeira inclusão.

Somos seres diversos nas nossas diferentes maneiras de ser e de estar. Também podemos ser neurodiversos e é aqui que pensamos, agimos, compreendemos, somos, em suma, diferentes. Diferentes, mas nunca incapazes. Não há nada de errado em ser-se diferente, do que se precisa é da aceitação e da inclusão dessa diferença. Nós já temos um longo caminho desbravado – somos dos países mundiais onde não há segregação intelectual ou neurológica ou física dos nossos alunos no ensino público – mas, ao mesmo tempo, ainda nos falta tanto para fazer… O Lucas teve de mudar de escola por causa da sua diferença. Não é justo, não é inclusivo – não é legal. O que fez o Lucas de errado para que os seus direitos não fossem respeitados? Nada. E o que acontece com o Lucas, infelizmente, acontece com muitas crianças – que serão adultos, amanhã.

A neurodivergência é uma coisa difícil de aceitar. No entanto, seja ela diagnosticada precoce ou tardiamente explica muitas coisas e ajuda a traçar um caminho. Ser neurodivergente é ser-se diferente. Não errado, não certo, não assim e não assado – apenas diferente. E a essa diferença todos nos adaptamos – ou temos de o fazer. Às vezes, com muita dificuldade, mas uma atitude necessária. A neurodivergência pode ter muitos nomes e pode ser muita coisa, mas é, essencialmente e, acima de tudo, quando temos um cérebro diferente, que funciona de forma diferente. Não de forma errada nem certa, apenas diferente. Estão aqui incluídas tantas perturbações e condições como segundos em meia dúzia de horas, possivelmente, mas não há nada de errado nisso.

O que queremos, o que pretendemos e do que precisamos – nós pais e os nossos filhos - é de respeito. E um respeito positivo e não capacitista e tóxico. Conseguir estar na mesma sala que os restantes pares é integração; ter as ferramentas adequadas para chegar onde chegam esses mesmos pares é inclusão. E as ferramentas podem ser recursos materiais ou humanos. São os fatores fundamentais para a inclusão dos nossos filhos. O que se pode fazer, então? Possivelmente – e sem receitas mágicas ou livros de instruções – crescer com eles – eles, os autistas, os neurodiversos. E irmo-nos adaptando a essas realidades, cedendo quando devemos ceder, lutando quando devemos lutar, impondo quando devemos impor, estar quando devemos estar, ser quando devemos ser. A noção – errada, demasiado errada – de que a vida da pessoa com deficiência vale menos deve ser refutada sempre. Há vida. Há sentimentos. Há relações. Há luta. Há tudo isso e mais, coisas que nem sequer nos ocorrem. E, com o passar da idade, com o crescimento dos nossos filhos, os nossos receios, medos, anseios, desejos, questões passam a ser outras. Claro que estaremos sempre atentos ao desenvolvimento comunicativo e comportamental, à adaptabilidade individual e social, mas surgirão outras questões que povoarão as nossas mentes. A literatura científica mostra-nos que é possível viver com deficiência e viver com neurodivergência (algumas teorias diferenciam uma e outra). É preciso reconhecer que existem, que são diferenças, que não são típicos nem se pretendem ser, que precisam dos suportes adequados para viver em sociedade, de forma inclusiva. E, mais uma vez, não há nada de errado nisso. Absolutamente nada de errado. Há espaço para todos. E sabem o que é mais surpreendente e fantástico hoje, aqui neste espaço? A quantidade de neurodiversos aqui presentes. Obrigada."

 

 

 

 

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publicado às 12:34

Porque hoje é abril - o que se espera fazer num mês com repercussões durante todo um ano e impacto positivo durante uma vida. Porque hoje é 2 de abril, dia mundial da consciencialização do autismo.
Porque hoje, a piolha Ester escreveu este texto, na 1º pessoa, a falar de si como oradora na apresentação do livro Lucas e o autismo . Porque foi o primeiro de muitos discursos que certamente surgirão.


" “Am I good enough? Yes, I am”- Michelle Obama
Sim, eu concordo com ela. Nós devíamos gostar de nós mesmos e não dar importância aos outros querem que nós sejamos. Por exemplo, os outros querem que eu seja mais como eles, mas não percebo porquê se eu gosto de ser como sou- autista ou não.
Mas quando alguém quer que eu seja uma pessoa diferente do que eu sou, não significa que eu tenha de mudar quem eu sou.
Só porque pensamos duma maneira diferente, não significa que somos deficientes ou incapaz. Uns são mais rápidos, outros preferem falar, outros pensam em imagens, outros até precisam de imagens para comunicar.
Somos todos iguais em direitos, quem disse que éramos diferentes? Somos também todos diferentes, quem disse que isso era errado. Por que temos de falar disto, se tudo isto é normal?"

 

O texto da apresentação do livro da piolha Beatriz. Foi um tão texto pessoal, tão emotivo que arrancou umas lágrimas e muitos aplausos da audiência.
Estou tão orgulhosa das minhas meninas. Tão mesmo.


"O autismo, não me define, nem a mim nem à minha irmã.
Sim, eu tenho autismo, e mesmo com dificuldades consigo fazer muitas coisas. Há muitas coisas que os meus colegas fazem que não percebo ou tenho dificuldades com algumas palavras, mas há coisas em que sou muito boa, como desenhar ou fazer vídeos. Mas, às vezes, eu ouço pessoas a usarem a palavra “Autismo” como um insulto. Eu fico ofendida, às vezes eu ignoro, às vezes respondo “Isso não faz sentido!”. Quando são adultos a usar esta palavras, os pais reagem contactando diretamente essas pessoas. Quando são os meus colegas a insultar-nos, eu fico mesmo triste. Não sou mais nem menos do que qualquer outro jovem, apenas tenho um cérebro com ligações diferentes. Não estão erradas, estão é diferentes. Mas, é aquilo que me fez única e não igual a outra pessoa. Além disso, eu sinto como qualquer outra pessoa sente.
Vou repetir, o autismo não me define, eu tenho muitas capacidades e eu sei que consigo, já mostrei que consigo, não vou deixar que uma palavra tenha um poder que não deve ter.
Eu sou autista, mas sou capaz. E, antes de tudo, sou a Beatriz."

 

                                                 

publicado às 19:00

Um exemplo real em como não se deve julgar um livro pela capa - nem pelo título. A capa e o livro não deixam antever como ele é bom. É um livro excelente e de uma leitura rica, interessante, com pinceladas históricas da década de 40 do século XX, que não conseguimos pousar de ânimo leve porque apetece continuar a ler. E tem um plot twist incrível.
A história saltita entre os anos 1940s e 2011. Laurel pretende descobrir um segredo (ou segredos...) que a mãe guarda para que possa, agora que já está nos 50s e a mãe à beira da morte, finalmente perceber porque ela, a sua mãe tão boa, tão doce, tão cuidadosa, tão meiga, matou um homem com a faca dos bolos, aquela faca especial. Laurel tinha 14 anos mas nunca esqueceu o que viu embora também nunca tenha culpado a mãe...
Viajamos. Este livro faz-nos viajar dentro da Londres em escombros e da Londres moderna; dentro das casas senhoriais protegidas com fita adesiva nos vidros e sujeitas a requisição civil onde funcionavam os serviços de comunicações do Governo no passado e das ruas cheias de turistas e das universidades com bibliotecas imensas onde não faltam entusiastas no presente; da mãe de Laurel, jovem, e da mãe de Laurel, idosa. É um livro que recomendo muito. Gostei mesmo bastante.

 

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publicado às 22:20

No âmbito da Dissertação de Mestrado de uma seguidora a desenvolver o estudo "Motivações e Perceções acerca do Acolhimento Familiar em Portugal" que pretende analisar as motivações para se ser família de acolhimento e as perceções da população portuguesa sobre o acolhimento familiar e, desta forma, contribuir para a validação científica de instrumentos de apoio à formação, avaliação e seleção de famílias de acolhimento em Portugal. Este estudo é promovido pelo ProChild CoLAB, pelo Iscte-IUL, pela Universidade Católica do Porto e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
O Acolhimento Familiar é uma medida de caráter temporário que consiste em integrar, no seio de uma família ou pessoa singular, uma criança que foi separada da sua família biológica por se encontrar numa situação de perigo.


Em Portugal, das crianças acolhidas, a maioria encontra-se em Casas de Acolhimento e apenas uma minoria em Famílias de Acolhimento. Considerando que o Acolhimento Familiar é uma alternativa de cuidados globalmente mais protetora do desenvolvimento da criança comparativamente ao Acolhimento Residencial, torna-se urgente recrutar e formar mais famílias de acolhimento em todo o país. Para isso, é necessário sensibilizar a população portuguesa para esta necessidade, conhecer as suas perceções sobre o acolhimento familiar e, ao mesmo tempo, validar cientificamente instrumentos que possam auxiliar a formação, avaliação e seleção de famílias de acolhimento.


Se tiver uma idade igual ou superior a 25 anos e NÃO for família de acolhimento, pedimos a sua colaboração através do preenchimento de um questionário online, anónimo, de duração prevista de 15 a 20 minutos, e disponível através do seguinte link: https://bit.ly/3sIU0Pr


Muito obrigada! A sua participação e colaboração serão muito valorizada.

 

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publicado às 09:34

in https://uptokids.pt/aceitar-as-diferencas/?fbclid=IwAR3-0oAZ3PO_IoRCtym7kSn3DZPXJ3IcNNTRJFigHXoMW_yyauTleq51qaQ 

 

Temos de aprender a respeitar e aceitar as diferenças.

A propósito do sentimento de pertença que muitos buscam, outros não sentem, outros não querem saber.

Considero importante encontrarmos a nossa tribo, fazermos parte de uma comunidade, sermos representados para que possamos ser ouvidos mas… é possível o todo falar pela parte, de forma justa? É possível o todo representar a parte ínfima, de forma justa? Sentirmo-nos verdadeiramente representados, ouvidos, aceites, inseridos – incluídos? Haverá lugar para aquilo único que nos distingue e diferencia dos demais? Haverá espaço de antena para aquele ser individual que também tem algo a dizer?

É importante sentirmo-nos parte de algo

É importante sentirmo-nos parte de algo mas não deixo que isso me/nos defina e que não possamos ser ouvidos quando temos algo mais ou algo de diferente para dizer. Por que hão de outros falar por mim se eu tenho voz para me fazer ouvir? Por que me hão de impor determinadas regras com as quais posso não me identificar?

Encaro a “comunidade”, a “família”, a “tribo” como aquele lugar seguro para onde podemos sempre voltar e onde sabemos que somos aceites mas onde também existe – tem de existir! – espaço para a nossa individualidade. Porque essa individualidade é tão importante como termos educação, alimentação, segurança. É o que faz de nós nós mesmos, onde as experiências individuais de cada um têm o seu peso e importam.

Porque somos todos diferentes… e iguais. É confuso, não é?

Somos uns seres muito estranhos. Queremos ser iguais uns aos outros porque é esse o padrão esperado mas também queremos valorizar o que nos torna únicos. Não creio que haja nada de errado com isso. É o que faz de nós seres ricos em tantos aspetos.

Tendemos a compartimentalizar:

  • nós e os outros;
  • os neurotípicos e os atípicos;
  • os diferentes e os comuns; etc.
  • Eles.
  • Os outros.
  • Os não comuns.
  • Os que se desviam do padrão.

Ajuda-nos mentalmente se organizarmos a vida por categorias mas nem sempre há categorias.

É aquela “comunidade”, aquela “família”, aquela “tribo” que pode não estar lá, pode não existir e, choquemo-nos, pode até nem fazer falta. Não precisamos de nos rotular para mostrar que somos diversos qb. E que isso sempre fez parte da história da Humanidade e não me parece que a evolução humana vá terminar com isso.

Confuso? Sim, sem dúvida.

Importa que nos sintamos nós mesmos com ou sem apêndices, com ou sem essa continuidade humana social (quem disse que no man is an Island? E se puder ser?), com ou sem sentimento de pertença.

Importa que nos façamos ouvir e que nos respeitemos e que possamos valorizar e aceitar as nossas diferenças. Há mundo para todos.

 

 

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publicado às 13:48

"Spectrum Women - walking to the beat of autism" é um livro que deveria ser lido por todos: neurodiversos (os tais que são diferentes e cujo cérebro parece conectar-se de forma diferente) e os neurotípicos (os tais que acertam todas as caixinhas nas grelhas de desenvolvimento na faixa etária adequada).
O desconstruir de mitos associados ao sutismo, em especial ao autismo no feminino, é transversal a todos os textos. Mais importante é referir que o livro é escrito por mulheres autistas e comentado com insights de uma médica. Podemos ver, na prmeira pessoa, que é possível alcançar etapas que os neuotípicos também alcançam: escolaridade, independência, trabalho, família, etc. mas com o senão da dificuldade e do esforço acrescido. Também podemos ter acesso ao lado negro do que é ser-se e saber-se diferente sem diagnóstico, sem apoios: dependências de droga e alcool, sexo, violência.
O diagnóstico de autismo no feminino é algo difícil de se conseguir e, muitas vezes, vem tardiamente, comparativamente aos seus pares masculinos. Apesar de apresnetarem as mesmas dificuldades na tríade comunicação-interação-comportamento, as meninas tendem a ser mais observadoras e imitar o que vêem, logo, mascaram muitos dos sinais e aparentam ser e comportar-se de forma a que não aponta diretamente para autismo. Sendo ainda raro o recurso a análises genéticas específicas à microdeleção ou duplicação de determinados genes, a avaliação assenta numa série de entrevistas, preenchimento de grelhas exclusivas para despiste de autismo e avaliação visual.
A mensagem que passa, depois de tantos testemunhos e de aconselhamentos, é a de que "belonging is being accepted for you. Fitting in is being accepted for being like everyone else." (pertencer é ser aceite por quem és. Acomodar-se é ser aceite por ser como todos os outros - tradução livre). Não temos que nos misturar ou alterar quem somos ou adaptarmo-nos ao que os outros nos impõem mas sermos quem somos e como somos. Não há nada de errado nisso e há espaço para todos se todos fizermos a nossa parte: aceitar a diferença e respeitar os direitos de todos.

 

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publicado às 10:14

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