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Podia ser uma restrospetiva mas não é

por t2para4, em 31.12.19

Não vou alongar-me em retrospetivas do ano, da década, das duas últimas duas décadas. 

Aconteceu muita coisa - demasiadas coisas! - para que eu pudesse escrever em meras poucas linhas. Só sei que, num piscar de olhos, os anos 80 já não foram há 20 anos, que ainda não temos teletransporte e que as máquinas do tempo ainda não existem (apesar das imensas séries sobre o assunto); há combóios que já "voam" sem tocar nos carris mas ainda não temos carros voadores nem passadeiras ao estilo "The Jetsons" (sou só eu que se lembra destes desenhos animados?).

Só sei que, nestes recentes 20 anos, acabei um curso superior, namorei e casei, fui mãe, fiz uma especialização, frequentei milhentas ações de formação/workshops/palestras/etc, comprei casa, comprei e vendi carros, levei um colégio particular a tribunal e ganhei a causa, viajei dentro do que foi possível em Portugal e em Espanha, visitei São Miguel e Paris, escrevi dois livros coletivos com ISBN e tudo, conheci pessoas incríveis que nunca pensei conhecer, fiz amizades via facebook e mantive as pessoas certas por perto (mesmo quando a distância física impera), fiz a apresentação inicial dos livros de duas autoras, estive em várias outras apresentações, tenho livros autografados de formas bastante originais (já que, além da dedicatória do escritor, tenho também desenhos dos filhos delas - Ser Super Mãe é uma Treta e A Mãe Imperfeita, são exemplos disso),  envolvi-me em diversos projetos onde o meu nome está referido, tomámos decisões tão importantes que alteraram o curso das nossas vidas quer a nível pessoal quer profissional, ouvi milhares de músicas que já nem me lembrava que existiam/de que surpreendentemente gostei/que foram um perda de tempo, li tanto tanto que acho que é por isso que as piolhas não lêem já que a mãe faz isso por elas, li a saga Twilight, Harry Potter, Senhor dos Anéis e Agatha Christie, vi séries fe-no-me-nais e nunca vou esquecer a série Lost ou o quanto a minha vida está marcada pelos CSI ou o Matrix, passei a ter um carinho especial por carros antigos e robustos a que carinhosamente chamamos "ferros velhos do aço" mas cheios de tecnologia no interior, ah pois é! 

Descobri que há uma perturbação neurológica chamada "autismo" e a minha - nossa! - vida deu uma volta de 180 graus a uma velocidade G quase insuportável, passei a ser (ainda mais) consciente e sensivel e sensibilizada para a diferença, criei um blog/uma página no FB e no IG, organizei ações e palestras de sensibilização, estive envolvida em manifestações e até apareci na TV e em jornais, frequentei mais formações e traduzi milhares de páginas sobre abordagens terapêuticas e projetos para pessoas com deficiência, pagámos milhares de euros em terapias e materiais e formações (sem nunca recorrer às redes sociais para isso), estive dentro de espirais de emprego-desemprego, com alguns episódios graves de doença e um aborto espontâneo pelo meio, mas sem nunca deixar de trabalhar ou que isso afetasse as nossas vidas já organizadas para o bem estar das piolhas, a vários níveis.

Descobri - descobrimos! - que somos capazes de renascer das cinzas, qual Fénix, e voltar do inferno mil vezes mais fortes. E ir buscar forças à caralholândia para enfrentar tudo e todos. E nunca desistir, mesmo quando o cansaço e o desespero imperam e nos forçam a desarmar ou a abrandar.

 

Seja como for, com ou sem retrospetiva, não me apetece muito olhar para trás e filtrar apenas as coisas boas ou falar das más como lições. Foi o que foi e pronto. Os anos 80 não foram, definitivamente, há 20 anos e os meus cabelos brancos e rugas teimam em aparecer. Mas, hey, estamos vivos, estamos bem, estamos juntos, temos saúde e somos bué amorosos e foleiros. Por isso, não é uma retrospetiva, é uma vida vivida, relatada em meia dúzia de linhas, já que faltam 10h para acabar 2019 e parece bem escrever um pouquinho sobre o assunto.

 

Os nossos desejos sinceros são que sigam o coração, sempre. E que vejam o copo sempre cheio, nem que seja de ar. E que, mesmo com os ensinamentos e os regressos ao passado, o caminho é para a frente e de preferência com sol e um ventinho a soprar no cabelo.

 

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publicado às 13:25

"Mattias: My father [...] taught me to never take the good for granted. He’d say, “Be prepared. Just when you think you found your way, life will throw you onto a new path.”
Anna: What do you do when it does?
Mattias: Don’t give up. Take it one step at a time, and…
Anna: Just do the next right thing?
Mattias: Yeah. You got it."

Este diálogo faz parte do filme Frozen II e marcou-me. Fiquei a pensar naquilo porque esta é uma realidade que nos assenta que nem uma luva.
Desde sempre que tivemos que aprender a não tomar as coisas dadas como garantidas. E isso foi-nos ensinado de forma crua, dura.
Desde sempre que nunca pudemos traçar o nosso caminho com régua e esquadro ou inserir coordenadas num GPS. Qualquer que seja o mapa, qualquer que seja o sistema operativo do GPS, qualquer que seja a marca ou o modelo do aparelho, a verdade, a realidade é que, a vida atira-nos para um novo caminho. E nós até estamos a seguir as instruções e as placas e as coordenadas. Mas lá vamos nós. Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Mas num caminho diferente.
Gaita. Fomos enganados. Não conhecemos este caminho. temos de voltar para trás. Não dá para virar aqui. Não podemos fazer inversão de marcha. Então? Bem, vamos andando e vendo. Um passo de cada vez e logo se verá, um dia de cada vez, e cada dia uma nova etapa e uma parte de caminho percorrida.
E depois? Depois? Bem, depois continuamos ao caminho e fazemos o que achamos o mais adequado... E adaptamo-nos. E moldamo-nos. E tornamo-nos versáteis.
É isto que nos faz fortes e nos enfraquece ao mesmo tempo.
É isto que nos enrijece o coração mas nos faz amar.
É isto que nos faz viver em ansiedade mas usufruir a viagem.
É isto que nos enerve mas nos faz valorizar as pequenas coisas.
É isto que nos difere das outras pessoas. Que podem ser como nós.

"Don’t give up. Take it one step at a time, and…Just do the next right thing."

Esta "the next right thing" pode ser algo tão simples como apenas um sorriso para uma mãe cansada, um olhar simpático para uma mãe com uma criança em birra, um sms com um simples bom dia ou fica bem, um gif engraçado no messenger ou no whatsapp, um beijo, um convite para um café, uma ajuda com os TPC dos miúdos, sei lá, há tantas TANTAS pequenas grandes coisas que podemos fazer e tornar na "next right thing".

Porque a vida, às vezes, muitas vezes, muda-nos o caminho...

 

 

 

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publicado às 18:54

Resumo: o que é Asperger?

por t2para4, em 17.12.19

"É importante observar que ter ‘autismo leve’ não significa que a pessoa seja “praticamente não-autista”, pois isso não é verdade. A classificação de leve-moderado-severo é em comparação a pessoas autistas entre si, e não em relação à comparação entre autistas e não-autistas.
Essa é uma confusão muito comum nas escolas e na população em geral, pois os sintomas menos óbvios e severos acompanhados de traços de inteligência que costumam causar admiração, dá às pessoas a impressão de que a criança não tem nada, enquanto seu mundo interno silenciosamente entra em colapso pela falta de apoio e entendimento necessários."

 

in https://sindromedeasperger.blog/2018/02/05/resumo-informativo-o-que-e-a-sindrome-de-asperger/?fbclid=IwAR2030lOhe-48OTsI3QrSyI6nZ7vpsLWhO-ssQDmFuAVYAl2um5zvtzxyv8

 

O que é Síndrome de Asperger?

Por Audrey Bueno

Psicóloga-pesquisadora e tradutora especializada em neurociências e psiquiatria.

Fonte: Blog: sindromedeasperger.blog – Publicado em: 05/02/2018

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Muito resumidamente, a síndrome de Asperger é um funcionamento neurológico diferente do padrão (ou seja, “atípico”), que gera algumas dificuldades no comportamento, na socialização e na habilidade de comunicação. Ocorre em menos de 1% da população mundial.

Existem vários tipos de autismo, em diferentes níveis de gravidade. Quando há menos comprometimentos das capacidades funcionais da pessoa, ou seja, não há prejuízo da fala ou intelecto, por exemplo, dizemos que trata-se de autismo de “alto funcionamento”, ou “autismo leve”. Quando os prejuízos são mais extensos, como, por exemplo, dificuldade na fala ou algum déficit no intelecto, dizemos que trata-se de autismo de “baixo funcionamento”, ou “autismo moderado a severo”. A síndrome de Asperger é classificada como um tipo de “autismo de alto funcionamento”.

As causas do autismo são predominantemente genéticas. O sistema neurológico se desenvolve de maneira diferente, alterando o padrão de comportamento social, a percepção de 1 ou mais dos 5 sentidos da pessoa (audição, paladar, tato, olfato e visão) e a habilidade do cérebro de regular a necessidade de repetição das ações. Embora costume haver melhora de algumas das dificuldades da infância na vida adulta, devido ao amadurecimento natural do cérebro, o autismo é considerado uma condição para toda a vida, e certas dificuldades sempre irão existir, pois foram determinadas durante a formação do feto.

Como a infância é o período em que a síndrome é mais evidente, e também o período da vida em que as pessoas mais necessitam de esclarecimentos, principalmente por conta da vida escolar, a descrição desse resumo terá como foco as crianças com a síndrome, lembrando, porém, que o autismo não é um transtorno da infância, e sim vitalício, ou seja, as crianças de hoje serão os adultos de amanhã com a síndrome.

O diagnóstico é fornecido por neurologistas, psiquiatras ou neuropediatras, e não por psicólogos, como muitos acreditam, pois o autismo é um problema com componentes neurológicos e psiquiátricos, e não psicológico. Não é causado por traumas emocionais ou falhas na criação dos pais.

Crianças com a Síndrome de Asperger geralmente apresentam dificuldade no relacionamento social, especialmente com os colegas da mesma idade, interesses pouco comuns para uma criança (podem gostar de postes de iluminação, mapas, sinais de trânsito, placas, utensílios domésticos, etc., dando pouca importância a brinquedos), sensibilidades acentuadas em um ou mais dos 5 sentidos (incomodam-se com barulhos, cheiros, toque, sabor ou textura dos alimentos, luminosidade), além de apresentarem comportamento repetitivo e obsessivo, falando e brincando sempre das mesmas coisas por um longo período de tempo, que pode durar meses ou anos. Elas costumam ser bastante inteligentes e é frequente que apresentem quadro conjunto de superdotação intelectual (alto QI), ao que se denomina “dupla excepcionalidade”. A Síndrome de Asperger raramente ocorre sem a presença de outros transtornos associados (comorbidades), sendo os mais comuns: Ansiedade, Depressão, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno Opositivo-Desafiador, Transtorno do Déficit de Atenção (com ou sem Hiperatividade), Transtorno Bipolar e Síndrome de Tourette.

Como o autismo se manifesta em diferentes níveis de gravidade, do mais leve ao mais severo, os profissionais, hoje em dia, quase não dizem mais que a criança “tem autismo”, e sim que esteja “no espectro do autismo”. A palavra “espectro” significa “variação, diversidade”, e foi emprestada da ideia do “espectro das cores” (foto abaixo).

Este é o espectro de cores que o olho humano pode ver:

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Assim como as cores variam e se modificam conforme avançam e se distribuem pelo espectro, o autismo também vai assumindo novas formas e apresentações conforme o caso. Ainda usando o exemplo das cores, poderíamos imaginar que casos leves de autismo estivessem mais próximos da extremidade esquerda, ou seja, da área azulada, casos moderados estariam mais concentrados na área verde-amarelo-alaranjada e casos mais severos estariam mais próximos da extremidade direita do espectro, na porção avermelhada. Nenhum tipo é igual ao outro, mas são todos formas de autismo, assim como o azul, o verde, o amarelo, o laranja e o vermelho são diferentes entre si, mas são todas cores. Autismo é o termo genérico, assim como a palavra “cor”. Sem determinar de qual cor estamos falando, não saberemos a qual das infinitas possibilidades de cor estamos nos referindo, assim como no autismo: sem determinar qual tipo e nível de severidade, não saberemos a qual das infinitas possibilidades estamos nos referindo. Pessoas na parte azulada do espectro muito provavelmente não terão comprometimento da fala ou intelecto, mas pessoas na parte avermelhada provavelmente sim.

É importante observar que ter ‘autismo leve’ não significa que a pessoa seja “praticamente não-autista”, pois isso não é verdade. A classificação de leve-moderado-severo é em comparação a pessoas autistas entre si, e não em relação à comparação entre autistas e não-autistas. Essa é uma confusão muito comum nas escolas e na população em geral, pois os sintomas menos óbvios e severos acompanhados de traços de inteligência que costumam causar admiração, dá  às pessoas a impressão de que a criança não tem nada, enquanto seu mundo interno silenciosamente entra em colapso pela falta de apoio e entendimento necessários.

Mesmo na extremidade leve do espectro, a criança terá necessidades especiais em relação a uma criança sem o transtorno e suas dificuldades podem apenas ser menos evidentes, mas tão existentes quanto as de alguém que tenha algum outro tipo de condição de saúde que não é menos importante simplesmente porque não podemos ver somente de olhar para a pessoa, como o diabético que precisa de insulina, por exemplo. Você não diz que alguém seja diabético “só de olhar”, mas nem por isso a pessoa deixa de ter uma condição que exige cuidados especiais.

Como crianças com Asperger costumam ser muito inteligentes e terem boa fluência verbal, suas dificuldades costumam passar despercebidas num primeiro momento, ficando mais evidentes somente com a convivência diária. Cerca de apenas 5% dos casos de autismo são de síndrome de Asperger.

Nenhuma das formas de autismo apresenta sinais físicos que identifiquem a condição, como é frequente observarmos em outros tipos de síndromes, como a síndrome de Down. Todo o transtorno está ‘escondido’ no funcionamento mental do indivíduo. Quando há sinais físicos presentes, estes se devem a outros transtornos associados.

A seguir, estão as principais características da síndrome de Asperger em crianças:

  • Preferem interagir com adultos em vez de crianças.
  • Têm extrema dificuldade para brincar ou dividir seus pertences, com apego excessivo a certos objetos.
  • Comportamento, fala e brincadeiras repetitivas – brincam da mesma coisa todos os dias.
  • Foco de interesse restrito: dedicam a atenção a dois ou três assuntos preferidos e costumam não se interessar por outras coisas ou brincadeiras além disso.
  • Tendência compulsivo-obsessiva (que lembra o TOC – Transtorno Compulsivo-Obsessivo) – criam rituais (popularmente referidos como ‘manias’) que passam a reproduzir diariamente, por exemplo: comer sempre exatamente a mesma coisa, assistir sempre o mesmo desenho, ter que usar sempre a mesma pasta dental e a mesma cor de sabonete, levar sempre os mesmos itens para os mesmos lugares, fazer sempre o mesmo passeio, etc. A quebra do ritual costuma gerar pânico e causar explosões emocionais; a argumentação é ineficaz e não respondem bem a estratégias de disciplina usuais, de modo que, muitas vezes, o pânico só cessa se a criança tiver permissão para realizar seu ritual, o que, por vezes, dá aos outros a impressão de que os pais sejam excessivamente permissivos, o que não é verdade.
  • Embora não possuam dificuldades de linguagem óbvias, ou seja, distúrbios de fluência na fala ou articulação das palavras, existem os seguintes problemas de comunicação: interpretam errado muita coisa que ouvem e não expressam o que sentem adequadamente (usam palavras erradas, inapropriadas ou fora do contexto, como, por exemplo, reclamarem da cortina fechada em vez de dizerem que estão tristes), não compreendem brincadeiras ou expressões populares pela dificuldade em entender as intenções das pessoas e conversa social (por exemplo, podem ficar bravas quando alguém ri, não compreenderem e não aceitarem porque alguém diria que “a situação está tão difícil, que estão matando cachorro a grito”, já que não há, na verdade, nenhum cachorro sendo morto, muito menos a gritos).
  • Também têm dificuldade em perceber como as outras pessoas se sentem, em avaliar o impacto do que dizem ou fazem e em compreender as convenções sociais, de modo que acabem sendo diretas ao comunicarem o que pensam, soando rudes ou magoando alguém sem se darem conta disso.
  • Muitas dessas crianças (mas não todas!) não gostam que fiquem tocando nelas, segurando, beijando ou abraçando, não só pela dificuldade de compreensão da intenção do outro, como pela sensibilidade sensorial que possuem, onde um leve toque pode ser sentido como “mão pesada”: por exemplo, podem interpretar como agressão alguém que de repente venha fazer cócegas na barriga delas. Igualmente, lidam muito mal com esbarrões, empurrões e pisões no pé, inclusive pela dificuldade em entender o conceito de que algo tenha acontecido “sem querer”.
  • Têm sensibilidade sonora: deve-se sempre falar em voz baixa com elas. Abraçá-las falando ao mesmo tempo incomoda, pois a boca fica muito próxima do ouvido, fazendo-o doer. Sons altos, música alta, porta batendo, cadeira arrastando, gritaria, gargalhada, muita gente perto conversando, furadeira, martelada, tudo isso as deixa bastante incomodadas. Sons altos repentinos, como um balão estourando, são especialmente assustadores e podem causar disfunções orgânicas por muitos dias após o susto, como problemas gastrointestinais, de sono e alimentação. Têm pavor de aplausos e pessoas cantando juntas, como hinos, corais, parabéns em festas aniversários ou músicas infantis cantadas em grupo ou roda enquanto todos batem palmas.
  • Fogem das coisas que a maioria das crianças gosta: jogos, esportes, brincadeiras em grupo, festas, correria, super-heróis, recreio. Preferem materiais diversos que geralmente não são brinquedos, tais como revistas, lanternas, fitas, equipamentos em geral, silêncio e adultos por perto.
  • Se incomodam com excesso de perguntas e têm dificuldade em responder coisas pessoais, como o que fizeram no fim de semana, com o que brincam em casa, qual o desenho preferido, etc. Quando mais novas (até por volta dos 5 anos, em média) podem não responder o nome nem a idade. Tais habilidades melhoram com o tempo.
  • Têm muita dificuldade com qualquer tipo de pressão para que façam alguma coisa, apresentando tendência ao pânico, instalação de fobias, retraimento, oposição e explosividade emocional.
  • Memória para fatos excepcional: nunca se esquecem do que foi prometido – falas como “pode deixar que eu vou trazer um pra você” serão lembradas por meses depois, e devem ser cumpridas rapidamente ou jamais serem prometidas, pois a criança ficará vivenciando extrema ansiedade contando com aquilo até que a promessa seja cumprida ou perderá a confiança pela quebra da palavra.
  • Ótima memória de categorização, classificação: geralmente aos 2 anos já sabem todo o alfabeto, todas as cores, formas geométricas, nomes de um número surpreendente de animais, comidas, etc. Muitas leem precocemente, se interessam por livros de adultos desde muito pequenas e desenvolvem um vocabulário sofisticado atípico para as crianças de mesma idade.
  • Costumam gostar muito de animais e plantas, que, muitas vezes, ocupam o lugar de ‘melhor amigo’, ou se tornam obsessões que podem até mesmo levar a profissões em áreas tais como biologia, botânica, oceanografia ou medicina veterinária.

Para compreender melhor a complexidade da síndrome, acesse: sindromedeasperger.blog

 

 

 

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publicado às 09:56

Postal de Natal 2019

por t2para4, em 16.12.19

"Uma coisa amorosa do Natal é que é obrigatório, como uma tempestade, e passamos por isso juntos:"
(Garrison Keillor)

 

Como não podia deixar de ser, eis o nosso postal de Natal de oficial para 2019.
Não precisamos de dizer nada pois está lá tudo: a luz, os sentimentos, a cor, a união.
É o nosso desejo para todos.

 

 

 

 

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publicado às 22:00

"No time to die", já diz o outro

por t2para4, em 10.12.19

Faz hoje um mês, mais coisa menos coisa, que fui assolada por uma crise severa de enxaquecas. A maioria das pessoas tende a desvalorizar porque afinal, são "só" dores de cabeça e, com um paracetamol ou ibuprofeno, a coisa cura-se e nada justifica estarmos com ar de sofrimento ou a faltar ao trabalho. Não tive entraves nenhuns das minhas entidades patronais mas já ouvi estas coisas todas.

Estou habituada a ter dores de cabeça. Mas aquela foi diferente e acordei logo mal, com um latejar palpitante (passo a redundância) na nuca, do lado esquerdo. Tomei a medicação. Não surtiu efeito. Reforcei. Não surtiu efeito e piorou. O descanso ajudava ligeiramente. Mas eu tinha tanto tanto frio e quanto mais me aquecia, mais pioravam as dores. Aguentei quase 4 dias e fui ao médico de família. Mantivemos o triptano (que é muito bem tolerado nestas crises e o meu SOS desde há muitos anos) e mudou o analgésico. Em casa, piorei consideravelmente e, juro que, a certa altura, no meio do inferno e do desespero que eram as dores, todo o lado esquerdo da cabeça em dor excruciante, eu pensei que teria um aneurisma pronto a rebentar. Pensamos em coisas parvas e ilógicas mas é assim...
Fui para as urgências do hospital central. Apanhei frio ao entrar e ao esperar pela triagem, sentada no chão, a morrer de dores, porque não havia lugares nem espaço, nada. E aquela luz tão brilhante num dia tão cinzento, de onde raio vinha toda aquela luz??? Melhorei a ponto de conseguir abrir os olhos - a neurologista explicou-me, depois, que foi do frio que ajudou a aliviar a vaso-dilatação. Pulseira amarela, 7h de espera. Medicação intravenosa, não sem antes, ao colocar o cateter, ter esguichado sangue para todo o lado, ao estilo CSI. Diazepan debaixo da língua e aquilo amarga como o caraças. Momentos depois e eu já conseguia tolerar a luz, já não sentia palpitar na nuca, a minha narina esquerda já não parecia prestes a explodir, o meu ouvido esquerdo já não ardia por dentro. Vim embora, capaz de beijar a médica, com indicações de combinar triptano e diazepan, parar com a sobredosagem de paracetamol, não dar boleia à dor e atacar logo ao mínimo sinal (mesmo que fosse aquele cheiro estranho a água que senti no nariz na véspera) e descansar mal sentisse uma crise a regressar. E receitou o loflaqualquercoisa em SOS para a ansiedade.

Marquei consulta com a minha neurologista. Era suposto eu estar "curada" disto, certo? Até fiz um tratamento... Verificámos os sinais vitais e avaliação neurológica, a medicação (que fiz ainda por mais duas semanas), EEG antigos (e a comparação com o da piolha que é muito semelhante ao meu) e Doppler, falámos muito. Tive uma crise muito grave, mal migranoso pois não passou em 48h e aumentou a dor... E tentámos descobrir o gatilho da crise. Bem... além do trabalho - que até levo bem -, sinto-me cansada mas tenho tudo controlado. Fico exasperada em viagens longas com mau tempo no meio da serra e sem rede e tive uma pequena crise de ansiedade que me obrigou a encostar o carro e a forçar-me a respirar. "E as meninas? Como estão?" e o meu coração parou uns segundos e a tal dormência na nuca voltou... São miúdas fantásticas mas, por serem diferentes, este ano letivo, a coisa não está fácil. "Então?" Foram vítimas de ciberbullying - que conseguimos controlar com a escola - mas agora estão a ser frontalmente atacadas pelos colegas porque são boas alunas. E um deficiente não pode ter sucesso académico. A nossa mentalidade pequena acha isso anti-natura. E elas que adoravam a escola, agora perguntam se têm mesmo que ir e eu começo a ficar farta e cansada disto porque, sinceramente, apetece-me dar dois bofetões nos miúdos e nos pais destes - que nem sabem o que têm em casa. Eu só quero filhas felizes e o seu percurso obrigatório escolar o mais típico possível, sem chatices adicionais, já basta o que basta com apoios e terapias e timings e burocracias. Passamos a vida na escola a tentar resolver estas coisas... "Aí está o gatilho..."
Portanto, durante 3 meses, estou a fazer um tratamento profilático para a enxaqueca que vai ajudar a colmatar alguma sequela causada pela dor. Esta é a parte fácil.
Tenho medicação para fazer em SOS e reconheço os mínimos sinais porque pode voltar. Esta também é a parte fácil.
Descansar mais e tentar resolver as coisas. Já é mais complicado.
Podia ter descambado em burnout. Informação retida.

"No time to die". Título de filme mas também o que passava em looping na minha cabeça. Eu não confio no mundo. E as piolhas estão a crescer e a saber contornar as dificuldades mas ainda precisam de nós. Por isso, descanso, mais calma, fluraziqualquercoisas nos próximos tempos + triptanos e diazepans e flotaroqualquercoisa em SOS.
E não me f*derem o juízo. Só isso já faz mais que qualquer medicamento.


Avisos à navegação:
* esta página não aparece como sugestão para menores de 18 (o que é irónico pois, "teoricamente" temos de ser maiores de 18 para criar um perfil no FB);
* trolls terão comentários eliminados (ou denunciados, dependendo da gravidade da coisas) e serão banidos;
* pessoas que coloquem em comentários dados pessoais sobre o t2, os seus elementos, escola e informações confidenciais, terão os seus comentários printed, enviados e denunciados às devidas entidades e serão banidos;
* que não gosta de vir cá que não venha.

 

 

 

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publicado às 14:30

Acordei com esta canção em modo repeat na minha cabeça. Adoro o modo irónico e o sarcasmo que o Rui Reininho consegue dar à letras das suas músicas. E, tendo em conta, que é de manhã que se começa o dia e ser bully está na moda e implicar com miúdos diferentes mas que alcançam sucesso é o novo último hit do momento, decidi fazer uma adaptação à t2para4 (e a rima foi para o carai).
Se o cantor/banda se importar, pronto, lá terei de apagar isto 

 

"Adoro a escola os testes e os trabalhos
Pais e perpétuos amores
Que sigam de perto parentalidade positiva
Miúdos estúpidos a embirrar
Adoro os bullies dos corredores
Todos os pais perfeitos
O gozo com as diferenças dos outros
Educação de pernas para o ar

Efectivamente escuto as conversas
Importantes ou ambíguas
Aparentemente sem moralizar

Adoro os grupos e os alunos que competem
Finjo nem reparar
Na atitude tão clara e tão óbvia
De quem se acha acima de todos
Adoro esses bullies na escola
Que nem tentam disfarçar
Como se fossem os maiores lá do sítio
Mal habituados a conviver

Efectivamente viva a aparência
Imponente ou inequívoca
Aparentemente sem moralizar

Efectivamente viva a aparência
Aparentemente sem moralizar
Aparentemente escuto as conversas
Efectivamente sem moralizar

Efectivamente, sem moralizar
Aparentemente, sem moralizar
Efectivamente"

 

Ora, finda a letra adaptada, eis os seguintes avisos à navegação:
* esta página não aparece como sugestão para menores de 18 (o que é irónico pois, "teoricamente" temos de ser maiores de 18 para criar um perfil no FB);
* trolls terão comentários eliminados (ou denunciados, dependendo da gravidade da coisas) e serão banidos;
* pessoas que coloquem em comentários dados pessoais sobre o t2, os seus elementos, escola e informações confidenciais, terão os seus comentários printed, enviados e denunciados às devidas entidades e serão banidos;
* que não gosta de vir cá que não venha.

 

 

 

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publicado às 11:23

O que passou pela cabeça da A mãe imperfeita para me convidar (e dar a honra) de apresentar o seu mai-novo eu não sei. E eu aceitei. Pronto, duas loucas cheias de juízo!! 😁😝
Mas estou a tratar de tudo com afinco e dedicação - e, vá, mais uns pozinhos. Podem ir à confiança. Eu não vou dar secas a ninguém, prometo!
Ponto de encontro: Alma Shopping em Coimbra, na Bertrand, dia 24 de novembro, às 17h.
Be prepared 😉

 

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publicado às 01:13

"Mães Cansadas Precisam de Ajuda e Não de Palpites"

Possibilidades ínfimas de enfiar este motto p'los olhos 'adentro' de algumas pessoas:
- impresso em t-shirts
- ímans de frigorífico
- distribuição viral e exaustiva nas redes sociais
- outdoors (desde os habituais de papel aos iluminados estilo Lefties em centros comerciais)
- cartões de visita
- pequeno merchandising do estilo réguas, porta-chaves, blocos de notas, autocolantes
- faixas luminosas
- suportes de matrículas para carros
- carimbos
- mensagens em talões de supermercado
- tatuagens
- etc etc etc

Portanto e como se vê, as possibilidades são inúmeras.
Já a minha paciência não é assim tão extensa.

#ohhajapaciência #raiospartam #palpiteirosdeserviço #gentesabichonasemnadasaber #euquerovivernumabolha #paremomundoquerosair #eujánascicansada #anotemeparemdemechatear #t2para4

 

 

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publicado às 00:42

As piolhas tomam café diariamente com conhecimento e aval do nosso médico. Não têm comorbidades associadas ao autismo que o impeçam. O reconhecimento clínico dos benefícios da cafeína pode ler-se em vários estudos e, aquando das minhas crises de enxaquecas, os médicos que me têm atendido nas urgências avisam-me sempre para que não quebre a rotina do tomar café.
A vantagem de termos mães atípicas como amigas é a nossa capacidade incrível de pensar fora da caixa. Está mãe atípica ofereceu-me os frasquinhos da imagem que são das palhetas do seu filho adolescente que tem diabetes. Testou e descobriu que são estanques. Dado o meu quase desespero de poder enviar café para as piolhas tomarem depois do almoço na escola, em especial, em duas de maior tensão, deu-me umas quantas. Avisou que o autocolante não sai facilmente. Assim, forrei e disfarcei. O café já vai frio para o recipiente e podem tomar quando e onde quiserem, sem necessidade de se explicarem.
No ano letivo anterior, as piolhas esqueceram-se de tomar café e, como houve ali uma quebra de rotina, quiseram compensar na escola. Ninguém lhes serviu café. E elas ficaram frustradas e sem perceber a intransigência do adulto. Um dos seus professores viu-as tão alteradas, inteirou-se da situação, ligou-me logo a pedir autorização e ofereceu-lhes o café. Ficou para sempre no meu coração. Foi o único que se importou.
Este ano não quis comprar esta guerra. Podemos encher os miúdos de refrigerantes com cafeína e açúcares e ninguém comenta mas somos condenados publicamente por lhes darmos café. E, se formos a locais onde não somos conhecidos e pedimos 4 cafés na presença delas, quem nos atende fica sempre na reserva. Se pedisse um refrigerante com 80% de açúcar e 2% de cafeína e uma data de E e outras letras já era na boa.
Não tenho paciência.

 

 

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publicado às 20:16

Ontem foi dia de descompensar. Foi complicado, muito complicado mesmo. Mas, pronto, entre muitas lágrimas e recriminações e dramas e ataques de adolescência pelo meio, tudo se resolveu e percebeu-se que, de vez em quando, há uns wake up calls para a vida - todos nós incluídos.
Adolescer não é fácil.
Andar na escola não é fácil (em especial quando parece que se promove a mediocridade em detrimento do esforço e do estudo e do empenho).
Encontrar a estratégia chave que funcione bem em casa E na escola não é fácil.
Estudar quando os outros não o fazem mas os pais assim o indicam, não é fácil.
Ser-se mãe e pai não é fácil.

As piolhas não são apaixonadas pela leitura - para meu grande desgosto. Na verdade, não gostam de ler. Mas têm de o fazer, não só para a disciplina que o pede como para si mesmas. E, para que não haja batotas, temos que ser criativos e inventar estratégias.
Em anexo, estão prints das nossas conversas sobre a leitura em curso. A piolha em casa, confortavelmente instalada no sofá, ao quente; a mãe a caminho do supermercado e a encostar o carro para responder ou a fazê-lo enquanto tratava das compras - o verdadeiro multitasking.
Se é o ideal? Não sei nem quero saber.
Se resulta? Sim, sem dúvida.
Se, no nosso caso, o telemóvel é tão bem mais que um simples telemóvel fonte de tantos problemas para tantos? Caraças, para nós, o telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Mesmo através do WhatsApp.

 

No seguimento desta estratégia mui sui generis - de obrigar a piolha a ler, para sabermos quem roubou os cães - ou se eles fugiram -, eis algumas informações: o livro em leitura é da coleção "Uma Aventura", "Uma Aventura em Conímbriga", e pertence ao programa Ler Mais - uma das condições exigidas.

O que me ocorre, enquanto vamos trocando mensagens de forma a potenciar a leitura e fazer com que o trabalho seja apresentado com o devido conhecimento e rigor, é que estarei lixada com f se isto se mantiver quando chegarmos à fase do "Felizmente há luar" ou "Os Maias"...

 

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publicado às 17:32

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