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O livro "A Pérola", de John Steinbeck, parte integrante do plano de leitura obrigatória nas escolas portuguesas, no 9º ano, é inspirado numa história mexicana de um casal índio que tem um filho que fora picado por um escorpião e faz tudo para conseguir cura-lo. Depois de muitas preces "a Deyus e aos deuses", o casal encontra uma pérola extremamente valiosa, mas que só lhes vai trará desgraças e desventuras.

E arrisco a dizer que a moral terá muito a ver com a ganância humana, a desventura atroz pelo outro, o desrespeito pelo outro mas também o amor avassalador pela família.

 

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publicado às 18:32

No original, "No place like home" de Mary Higgins Clark, é um filme de suspense, um thriller não unicamente policial, em versão livro, o que é muito melhor pois não dá para parar de ler, à medida que a trama se adensa e as personagens parecem estar todas interligadas, de alguma maneira, e a nossa imaginação é muito mais rica.
Esta é a história de Liza Barton, agora Celia Noran, a criança que acidentalmente matou a mãe ao defendê-la do padrasto violento. 24 anos depois, ilibada, é uma jovem com um filho que adora, casada em segundas núpcias, cujo mundo perfeito começa a desmoronar-se no dia em que o marido lhe oferece uma casa: a mesma casa onde o fatal acidente da sua infância ocorrera. E, como qualquer thriller que se preze, Celia/Liza será suspeita dos homicídios que por ali ocorrem, em 3 que é a base da suspeita celta de que todo o mal vem em 3.
Um livro que se lê de uma rajada porque não se consegue aguentar o suspense sem saber o que vai acontecer a seguir.
Uma ótima leitura de férias.

 

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publicado às 13:12

Do cansaço...

por t2para4, em 21.07.21

Uma das minhas respostas prontas a perguntas do género “Como estás?” é “Cansada” aí 90% das vezes. E, na maioria das vezes, é um cansaço psicológico e até emocional, mais do que um cansaço físico.

E a maioria das pessoas não entende isso.

Eu sinto que estou constantemente cansada, com alguns vislumbres em que me sinto bem e enérgica, mas maioritariamente cansada. Também sei que o facto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, a profissão escolhida, as viagens/deslocações, a vida familiar e a maternidade atípica não abonam muito a meu favor. E é aí que quero chegar. Não podemos comparar cansaços. A minha mãe não entende bem por que ando sempre cansada mas percebe que o meu cansaço é diferente do da minha irmã; eu percebo que o meu cansaço é diferente do do marido; eu sei que o meu cansaço não é nada como o de outros pais atípicos. Comparar cansaços é como compararmos as nossas crianças: não dá e dá sempre mau resultado. Estamos cansados e pronto, é isso.

Mas, no fundo, o que me custa mais é o cansaço emocional. É gerir situações imprevistas e adversas a nível pessoal e familiar, das piolhas; é antecipar comportamentos, ações, aulas, estudo, saídas, aprendizagens, brincadeiras, etc; é saber lidar com a ansiedade de como vai ser mais um ano letivo, desta vez com exames nacionais; é sentir o coração pequeno por não saber como serão os nossos horários a partir de setembro; é tomar mil e quinhentas decisões (como mãe e como professora) sem me aperceber disso; mas, acima de tudo, é saber que nunca saberei o que é a maternidade típica. E isto ocupa espaço no pensamento, no coração, nos sentimentos. E não vai embora, fica sempre ali a pairar.

É preciso dar tempo para descansar de todos estes cansaços e recuperar ânimos e forças. A energia virá depois. Mas é preciso também perceber que, até aqui, somos todos diferentes e não há nada de errado nisso.

E, sim, estou muito cansada.

 

 

 

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publicado às 16:15

A minha dose de vacinas (e paciência)

por t2para4, em 15.07.21

SNS envia mensagem a antecipar a segunda toma da vacina (que, por motivos de saúde decidi adiar) e reenvia informação que diz para me dirigir ao centro de saúde para me vacinar sem necessidade de agendamento.
Ora, problemas de saúde resolvidos ou em vigilância, lá vou eu.
- Vem tomar a vacina?! Qual? Está agendada?
- Recebi um SMS do SNS a informar para me dirigir aqui sem necessidade de agendamento.
- Mas isso não funciona assim! E qual é a vacina?
- É a AstraZeneca.
- O quê? É muito nova para isso...
- Sou professora e já levei a primeira dose no final de março.
- Ai só assim, realmente, porque doutra forma estava a achar estranho. Mas não leva hoje a vacina. Deixe cá o seu nome, contacto e depois ligamos. Quer levar a mesma?
- Sim, sim, por favor.
- Então, nós depois ligamos a marcar que aqui não funcionamos sem agendamentos.
E pronto. Já está tudo tratado depois desta conversa estranha - to say the least - ainda bem que sou muito nova - gostamos sempre de elogios, n'est-ce pas? - e também já tenho o certificado digital que, como toda a gente sabe, só começa a fazer efeito - tal como a própria vacina - depois de eu acabar de publicar este post.

 

 

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publicado às 16:18

"Toda a arte é completamente inútil" (Oscar Wilde) não era certamente o que Dorian Gray tinha em mente ao posar para Hallway naquele que viria a ser o retrato mais intrigante, belo, apaixonante e quase mágico da sua vida. Num acesso, desejou ardentemente que nunca ele envelhecesse e pudesse ser a tela, o seu retrato a fazê-lo... E, sem cuidado pelo que se desejara porque poderia vir a tornar-se realidade, Dorian Gray ficou a conhecer-se até à medula através do quadro que tanto o cativava quanto o desejava oculto de outros, escondido no seu sótão.
Dorian Gray evolui, cresce, deixa de ser aquele modelo tímido, quase virginal para se revelar um ser humano terrível, sádico, incumpridor das regras e da moral do final do século XIX. Ficamos na dúvida em relação à sua própria sexualidade, embora não haja nada escrito explicitamente.
Dorian Gray não se separará do seu retrato. E este revelar-lhe-à quem verdadeiramente é, mesmo no final.

Gostei da obra, lê-se avidamente e transporta-nos para um filme de alguns anos, "Liga de Cavalheiros Extraordinários", imagem de um Dorian Gray que mantive ao longo da minha leitura, mesmo já sabendo o seu desfecho. A ler, pelo menos, uma vez na vida.

 

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publicado às 20:39

Corria o ano de 1989 e eu decidi que iria começar a ler uma coleção. E foi. E hoje, mais de 30 anos depois, tenho a coleção completa e leio sempre o mais recente.

O grupo, Pedro, Chico, João, gémeas Teresa e Luísa e os cães, claro, foram trabalhar como voluntários na recuperação de um teatro numa aldeia do interior, perto da fronteira, onde conhecem Abel (cujo avô mandou construir e depois recuperar o teatro), Constantino (que lhes conta histórias antigas e intrigantes) e José Silvino (um estranho simpático, todo despachado e solícito). Descobrem coisas estranhas na remodelação e acham que podia haver crime antigo embora o criminoso de carne e osso e não de ficção ande bem perto deles.
Uma aventura que envolve planos de assalto a um banco, uma casa maldita, um rio seco, cabanas com relíquias e umas ruínas inexplicáveis.
Nunca desilude. E lê-se de uma assentada (nós, pelo menos).

 

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publicado às 20:33

"Se há tantas cabeças quantas são as maneiras de pensar, há de haver tantos tipos de amor quantos são os corações.“

A obra "Anna Karenina" de Leo Tolstói decorre em torno de um grupo de personagens da aristocracia russa, ligadas entre si por relações de parentesco. O tema é, sem dúvida o amor. O amor entre esposos, o amor da esposa pelo esposo infiel, o amor do esposo infiel pelas suas infidelidades, o amor extra-conjugal, o amor pela família, o amor entre duas pessoas. E é graças a esse amor que se vão vivendo venturas e desventuras e se aborda o divórcio que não chega, o perdão que é dado, os partos difíceis (finais do século XIX), as relações pessoais com a religião e a política.
O romance está dividido em oito partes, cada com cerca de 30 capítulos. Apesar da extensão, é uma obra que se lê notavelmente bem, de forma fluida e sem grandes floreados vocabulares ou lexicais ou sintáticos. Desenganemo-nos se pensamos que a obra é na sua íntegra dedicada a Anna Karenina. O foco na personagem é em crescendo mas a trama decorre em torno de outras famílias também, geralmente organizada por capítulos em cada parte.
Era uma leitura que almejava fazer há algum tempo. E gostei.

 

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publicado às 11:40

Não há perfeição na maternidade. E não há nada de errado nisso.

Como tal, nenhuma mãe ou pai é perfeito. E não há nada de errado nisso.

Quando nasce um filho, nasce uma mãe ou um pai. E, por muita experiência que tenhamos com bebés ou crianças, estamos a aprender tudo de novo, a viver tudo como se fosse a primeira vez – e, em alguns casos, é mesmo a primeira vez.

Não há uma receita milagrosa, um livro de instruções, uma indicação universal em como lidar com aquele(s) ser(es) minúsculo(s) que acaba(m) de entrar nas nossas vidas. E depois começam, quase no mesmo instante do parto, as pressões sociais e até familiares de perfeição, as comparações entre membros da família ou conhecidos, as opiniões e palpites.

E a culpa.

Ai a culpa, esse sentimento tão incapacitante quanto tenebroso. Tudo é culpa dos pais, em especial da mãe, claro. O parto foi de cesariana? A culpa é da mãe. Não tem leite? A culpa é da mãe. A criança tem soluços? A culpa é da mãe. A criança não dorme? A culpa é da mãe. A criança tem um problema de saúde? A culpa é da mãe. Não esqueçamos a velha causa de autismo nos anos 50 em que as culpadas eram as mães por serem frígidas no seu amor aos filhos e daí o termo “mães-frigorífico”, que, pasme-se, alguns ainda hoje usam, volvidas tantas décadas de estudos e análises.

A culpa é-nos intrínseca, é-nos ensinada desde logo cedinho, “culpa” da nossa tradição hereditária judaico-cristã. Temos sempre de nos sentir culpados de algo ou não estaremos a desempenhar corretamente o nosso papel. Em especial, se formos mães ou pais.

Se a culpa é grande em pais típicos, ela torna-se avassaladora em pais atípicos.

Porque há a hereditariedade, porque há a genética, porque aconteceu isto ou aquilo na gravidez ou no parto, porque porque porque…

Não há perfeição na maternidade.

Não tem de haver culpas.

Surgiu. E dói. Mas, agora vamos avaliar a situação e saber do que se precisa para lidar com isso, desde apoios, a tratamentos, a medicação, a avaliações, a técnicos, a médicos, a abordagens terapêuticas. A culpa não pode ter lugar nesta enumeração de trabalho a fazer porque desgasta, deprime, desmoraliza, não traz benefícios. Não é negligência.

Só acentua uma dor que já magoa demais.

Ser mãe ou pai é difícil, caramba, é mesmo muito difícil. Podia ser mais intuitivo, mais “user-friendly”, mais simples! Mas não é. Mas também não há nada de errado nisso. Quero acreditar que todos damos o nosso melhor para fazer um excelente trabalho no nosso papel de pais e educadores. A culpa só vem atrapalhar e não traz nada de novo a esta equação tão complexa.

 

in https://uptokids.pt/nao-ha-perfeicao-na-maternidade/?fbclid=IwAR2Li-Qt-l7v8FQ3S2kYbKpws7fG_PdVVa5xbhZrY996CClmL38dIco9juA 

 

 

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publicado às 12:26

Não chega e não chegará nunca...

por t2para4, em 20.06.21

Não chega e desconfio que nunca chegará. Tenho a sensação de que perco tempo e oportunidades neurológicas fundamentais se não estudar mais um pouco, se não tirar mais este curso, se não tentar mais esta abordagem (todas as abordagens que fizemos com as piolhas são devidamente acreditadas, renomeadas e validades por universidades internacionais) porque o medo de falhar, o medo de não conseguir estar presente para mais, o medo do que poderia ter sido se não tivesse tentado existe. Não é o mesmo que fazer dos nossos filhos cobaias, nada disso. É unicamente não permitir que se instale a mínima dúvida quando temos um caminhado já trilhado e supostamente desbastado e que é só percorrer.

O trabalho diário é sempre disfarçado: o treino de autonomia vem com uma indicação de "aviar recados" ou "fazer tarefas" com as noções de responsabilidade e cumprimento por detrás. É preciso arrumar a louça da máquina, limpar e lavar o lavatório e banca da cozinha, preparar a mochila para amanhã e escolher as roupas a usar de acordo com a metereologia do telemóvel e, se for preciso ajuda, eu estou aqui a fazer esta tarefa, ok? Vá, toca a desenrascar e a ajudar-me.
Na rua é um pouco semelhante: eu vou andando para o dentista, tomem lá dinheiro e vão comprar o vosso lanche, depois vêm ter comigo, ok? Cuidado na rua, façam tudo com calma.
O que numa criança/adolescente neurotípico não precisa de treino porque já foi visto e vivido, aqui tem de ser treinado antes do teste final a solo. E isso é treino para pais e filhos. E uma carrada de nervos brutal. "Não podemos andar sempre a protegê-los". É verdade mas custa. É tudo tão mais fácil quando são mais pequenos...

Cansa-me sobremaneira este constante trabalho, treino, estudo. Porque nunca sei quando será suficiente, se será suficiente, se é o adequado, se lhes dará as ferramentas de que necessitarão para mais tarde, aquele mais tarde em que não seremos nós a tomar as decisões por si mesmas e aquele mais tarde em que não estaremos cá para tudo isso e mais um par de botas. E essa porra assusta. Faz parte mas assusta. E, nesse campo, precisamos de dar um passo atrás para que elas nos passem à frente e sejam elas mesmas a viver tudo isso, a decidir o que for preciso, a serem aquilo que propusemos como objetivos: felizes, autónomas, independentes.

Até lá, preciso de manter as minhas sinapses a trabalhar e irei continuar a estudar, a ler. Porque não sei de que possam precisar e assim posso antecipar algo, como sempre fomos fazendo ao longo destes quase 14 anos.

 

 

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publicado às 16:52

Terminologia cá do T2

por t2para4, em 18.06.21

Até que sejam as próprias a optar por um termo com o qual se identifiquem melhor ou considerem mais apropriado à sua situação, condição, posição, neste espaço (e todos a ele associados) utilizam-se, de maneira indiferenciada, os termos autista, criança ou indivíduo com autismo, no espectro do autismo ou ainda perturbação do autismo, PEA ou autismo.

O que nunca foi feito, ao longo deste percurso, foi trabalhar para tornar as piolhas naquilo que nunca serão: neurotípicas. Ninguém pretende que isso acontece - até porque nunca vai acontecer - e quem não perceber isso ou recusar perceber isso, pode ir por onde veio.
Terapias, abordagens terapêuticas, trabalho, tratamento são apenas algumas das terminologias para dizer que as minhas filhas foram, são e serão acompanhadas sempre e enquanto precisarem, sejamos nós ou elas a decidir.

Este caminho, as palavras mais indicadas a utilizar, a terminologia mais apropriada não são o mais importante neste caminho. As nossas prioridades estão como sempre estiveram: bem definidas e sem dúvidas: Elas - com letra maiúscula porque elas são de facto grandes.

 

 

 

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publicado às 17:24

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