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De acordo com este novo estudo, o autismo será tendencialmente genético, potencialmente hereditário, residualmente causado por outros (ambiental, trauma, clínico, etc).
Envolveu, maioritariamente o estudo genético de mais de dois milhões de indivíduos (cerca de 50% de sexo masculino), de vários países, nascidos entre um determinado período de tempo, vindo a validar um outro que envolveu gémeos idênticos e fraternos. Deste universo, estimadamente 1% tinha diagnóstico de PEA.

Aqui? Aqui, creio, à luz deste artigo cujo link para a revista está abaixo, que nós somos um verdadeiro cocktail que potenciou tudo isso: gémeos idênticos, peso genético hereditário via linha materna (não tenho autismo mas o meu lado está pejado de casos diagnosticados) e exposição de agentes intrauterinos (infeção, medicamentos, traumas, etc.). 
Não vou falar de supostas culpas. Já dei para esse peditório há muito. No meio destes números e do preto e branco cru que os artigos, grelhas, tabelas e relatórios mostram, o importante é seguir em frente e trabalhar, apostar em terapias fidedignas e criar uma equipa que fale a mesma linguagem. O resto são restos e de restos ninguém vive.

 

https://jamanetwork.com/…/jamapsyc…/article-abstract/2737582

 

 

 

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publicado às 17:00

... ou em como perdi o juízo de vez...

Parte do que eu faço nas férias, na impossibilidade de melhor, é ler e ver séries ou filmes como se não houvesse amanhã - maratonas mesmo. Estou, neste momento, entre sagas literárias (Clifton Family, de Jeffrey Archer), cinematográficas (Marvel e DC) e séries (Candice, The Spanish Princess, La Casa de Papel - a nova temporada -, as top da HBO já as vi).
Ora, é neste ponto preciso que estou assim tipo meh... A ver se me faço entender sem parecer muito nerd:
- adoro a vestimenta, gadgets, car rides e tudo e tudo do Batman mas não sou lá grande fã do Super Homem;
- adoro a Wonder Woman e toda aquela ideia da deusa amazona por trás e força girl power yeah baby yeah mas não posso com o Aquaman (true story, não dá, não vai, matou a minha ideia romantizada de uma Atlântida);
- gosto imenso dos manos Loki e Thor, o Iron Man terá sempre um lugar especial no meu coração a par com a Viúva Negra mas não acho piada nenhuma ao Spider Man. Sorry boys (é aqui que os meus alunos nunca mais me respeitam)...
- gosto de todo o simbolismo oculto dos X-Men e, embora perceba a ideia do Professor X em fazer uma escola especial para jovens especiais e os ideais de inclusão dele, a verdade é que a inclusão não é bem assim e o Magneto também tem ali alguns pontos interessantes - apart from the killing and taking over the world part;
- acho o Flash um querido (aquela expressividade dele com o olhar é qualquer coisa), acho o Cyborg o máximo (boo-yah!!) mas não tenho grande simpatia pelo Capitão América (que me parece um bocadinho pãozinho sem sal e certinho demais, físico atlético à parte, ok?), gosto da pancada da Harley Quin mas detesto aquela obsessão dela pelo Joker que, no fundo, a maltrata...
- capas. Adoro capas em super heróis ahahahahah só estilo daquilo em combate - não dá jeito nenhum, não é prático nem por um minuto, aquilo embrulha-se tudo mas, pensemos na coisa ao estilo Neo - The Matrix - a fazer uma pirueta no hall do edifício dos sentinelas enquanto apanha as armas (não era uma capa mas era um casaco bem comprido). Preto. Capa de super herói na cor preta - desculpa lá isso, Super Homem.
 
Portanto, estive a ver "Justice League" e gostei muito. O que me levou a ver os filmes que levaram a isso. E, ainda bem que poupei dinheiro do cinema, pois detestei "Aquaman". Nem a Nicole Kidman nem o Momoa nem a personificação da Ariel da Disney safam aquilo. Detestei "Suicide Squad", fiquei muito desiludida, afinal, não há recompensas para as boas ações... E da série Marvel que vai desembocar no "The Avengers, the endgame" há ali uma data de filmes pelo meio que não dá, não vá, ná ná...
 
O mais engraçado? As piolhas adoram os Teen Titans, acham imensa piada à ideia da Wonder Woman e a Escola de Super Heróis. MAS... detestam os filmes e cenas malucas de que a mãe fala, de vez em quando...
 
Posto isto, já deu para ver que estou a precisar que me levem para longe de um computador com ligação à internet e me deixem algures numa praia paradisíaca, com pontos de interesse para visitar nas manhãs nubladas, e um serviço de bar que me ponha uma margarita ou um gin nas mãos. 
 

 
 
 
 
 
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publicado às 23:05

Fui buscar as avaliações das piolhas. E tratar das matrículas.

 

In https://uptokids.pt/opiniao/cronicas/a-escola/?fbclid=IwAR1qdVzobH9z6UrybAxuS5lcX0gddltCQPWYs1mRpPEqCo5HvzUxosbsbCE 

 

“You can be the greatest , You can be the best” – Hall of Fame, The Script

As piolhas terminaram mais um ciclo de escolaridade. Com sucesso. No próximo ano letivo irão frequentar o 3º ciclo de escolaridade, numa escola secundária pública.

Mais um ciclo que se fechou, que se completou. E mais uma vez contra as expectativas e vozes de velhos do restelo que ouvíamos, fechámos um ciclo com sucesso. Sem mais nem menos do que com o recurso ao que a lei prevê para situações como as das piolhas.

Não é facilitismo!

Eu trocava já, na hora com quem quisesse, a necessidade de “ao abrigo das alíneas x y z do Decreto-Lei 54 de 6 de julho de 2018”.

Não é favoritismo!

Um aluno com necessidades específicas requer respostas igualmente específicas e adaptadas à sua realidade, às suas competências, entre outros, de forma a colmatar as suas dificuldades e ter sucesso.

Não é privilégio!

É um direito, é o usufruir dos direitos que os vários decretos, portarias e despachos normativos – e, em última grande instância, a Constituição – preveem, sem retirar direitos a ninguém, nem usar mais do que aquilo que está previsto e salvaguardado.

Não é uma competição!

Apesar das suas notas incríveis e níveis altos, quando surgia um 51%, a minha reação era a mesma “parabéns, miúda! É só um teste, não é o espelho dos teus verdadeiros conhecimentos, não mostra o trabalho/tempo/estudo que dedicaste. É positiva. Melhorará numa próxima vez.

Não é dopping!

Não há nenhuma pílula milagrosa ou medicamento para a inteligência, o trabalho, o esforço, a dedicação.

Não é influência de ninguém!

Os pais, os professores, a lua, o sol, não têm influência nas notas a atribuir. São o que são, de acordo com os critérios aprovados. Não há notas inflacionadas nem notas mendigadas nem notas forretas.

Muitos foram os que duvidaram: saberiam um dia escrever? saberiam um dia ler sem ser por associação pictórica? conseguiriam um dia resolver os mesmos exercícios abstratos que os pares também realizavam? conseguiriam um dia andar de bicicleta? teriam um dia uma aula de educação física sem saltarem à vista comprometimentos motores e de equilíbrio? teriam um dia redução de horas de terapia de fala?

Mas, muitos foram também os que acreditaram.

E que nos ajudaram em todo este caminho árduo. E que estarão sempre do nosso lado, mesmo que a acompanhar-nos à distância.

Como também costumo dizer muitas vezes, parafraseando a personagem Locke, da série “Perdidos”: “Não me digam o que não consigo fazer!

Ergo o meu copo (com uma qualquer bebida lá dentro) e digo bem alto “Cheers!” porque, contra todas essas vozes, contra muitas estatísticas, com e sem apoio, com quem sempre acreditou em nós, chegámos mais longe, fomos mais.

Brindemos às piolhas, essas miúdas incríveis!

E, para terminar, pasme-se – até porque sou professora de profissão e adoro o que faço – que eu não dê a importância exacerbada às notas que seria suposto.

Que não veja a escola como único local de aprendizagem e que encare a escola como algo muito mais que aulas e avaliações. A escola quer-se um local de várias aprendizagens, a vários níveis, com vários intervenientes (professores, assistentes operacionais, assistentes técnicos, alunos, pais). A escola quer-se um lugar onde os nossos filhos estejam e sejam felizes.

Isso, para mim, vale muito muito mais do que qualquer número marcado numa qualquer pauta.

Agora, venham as férias em pleno. Para setembro, há mais.

 

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publicado às 21:47

Uma das (muitas) coisas que me irrita(m) solenemente é a desvalorização e a comparação que não deveria ter-se entre neurotípicos e indivíduos com perturbações neurológicas. 


Comparar a birra dos vossos filhos neurotípicos com um meltdown de 40 minutos que acaba com olhos vidrados ou a revirar/vómitos/descontrolo de esfíncteres/autoagressões é como comparar um Mercedes AMG full extras com um papa-reformas.


Comparar os níveis de ansiedade dos vossos filhos neurotípicos com os níveis de ansiedade e frustração de um indivíduo com autismo, por exemplo, em que pode até haver sinais físicos, é como comparar a Juventus com os iniciados de futebol da subdivisão Z lá da aldeia.


Comparar as (não) preferências alimentares dos vossos filhos neurotípicos ao dizer que "se não gosta de ervilhas está tudo bem" com a seletividade alimentar de individuos com autismo que provavelmente comem 4 ou 5 alimentos diferentes apenas, é como comparar um centro educativo de última tecnologia com uma escola de interior onde ainda há chão em tábuas que rangem e bichos da prata nos armários.


Comparar as proezas dos vossos filhos neurotípicos com as dolorosas e incansáveis conquistas diárias de indivíduos com deordens ou perturbações neurológicas é apenas cruel, egoísta e egocêntrico da vossa parte.

 

Deu para perceber, certo? Se não têm nada para dizer, não digam. Mas não desvalorizem nem falem como se não fosse nada, como se fosse tudo tão natural como a sua sede, como se a nossa infância comportamental pudesse ser igual à infância dos nossos filhos que passam horas em terapias.

Parece mesmo que quanto mais avançamos no século XXI, mais pequeninos e desinformados estamos. Não há como comparar o que é incomparável, ponto. Por isso, morder a língua antes de sair asneira, boa?

 

 

 

 

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publicado às 14:51

Simples assim: 


"Feliz dia da criança" para as de corpo, as de mente, as de espírito, as de comportamento. 
"Feliz dia da criança" para todas as crianças, todas, sem exceção.
"Feliz dia da criança" para que nunca se esqueça que as crianças também têm direitos.

 

a.jpg

 

O nosso vídeo em Língua Gestual Portuguesa aqui.

 

Utilizámos recursos que já nos ajudaram em tempos e que nunca custa reforçar em alguma aprendizagem mais complexa: gestos que podem fazer parte da nossa LGP e PEC (Picture Exchange Communication).

 

 

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publicado às 21:51

Votei pelas minhas filhas

por t2para4, em 27.05.19

Ponderei muito, mesmo bastante antes de publicar este post. 


Há coisas que não discuto com ninguém: futebol, religião e política. Não discuto isto com ninguém porque acaba-se sempre numa espécie de conversão ao seu favorito e eu acho que o mundo é grande o suficiente para muitos futebóis, muitas religiões e muitas políticas, dentro do seu qb salutar.


Mas, não resisto a partilhar a mais recente das piolhas, que mostra um discernimento e um saber estar e um questionar e ponderar quase fora de série. Muitos dos nossos planeamentos são feitos dentro do carro, a caminho de alguma atividade/escola ou casa. Ontem, avisei que, domingo de manhã, iríamos votar e depois a casa dos avós. Informei que iriam comigo porque votar é um ato cívico muito importante, especialmente para as mulheres e elas, piolhas, devem fazer parte dessas ações. Elas já estão fartas de saber disso porque eu falo do assunto, sempre que há eleições. Uma delas pergunta-me, sem qualquer malícia ou agenda oculta, "Mãe, podes votar na Marisa Matias?" Perguntei porquê. "Ela é a única mulher candidata num mundo onde ainda há muitos homens na política. E precisamos de mais mulheres em cargos altos e a ganhar mais". 


Achei isto tão sem palavras, tão grande, tão elaborado que questionei se na escola alguém lhes tinha falado das eleições ou tinham apanhado alguém em propaganda. "Não, mãe, ninguém nos disse nada, nós só achamos que precisamos de mais vitórias de mulheres". Nem sequer lhes interessava o partido mas sim a figura que dava a cara. Aquela mulher. Uma mulher.
Nunca lhes falei das minhas (não)preferências políticas, eu voto no porgrama eleitoral que mais me satisfaz ou respeita, não sou seguidora de nenhum partido ou político, não pretendo alistar-me nesse mundo (embra devesse ponderar nisso ehhehehehehhe); apenas vêem os cartazes nas rotundas. E, de todos os cartazes em rotundas, das vilas e cidades por onde andámos, só havia o rosto de uma mulher. Uma única mulher a concorrer às eleições, num conjunto de quase uma vintena de partidos, com homens em destaque.


Eu estou de coração a rebentar. Estas miúdas são incríveis. E sim, só por causa disto, votei por elas. Orgulhosamente. 
E elas puseram o boletim na urna.

 

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publicado às 00:20

Evolução de mentalidades: precisa-se

por t2para4, em 07.05.19

Somos um povinho hipócrita e moralmente falível. Discriminamos - negativamente e até positivamente - e abusamos do "coitadinho". Aceitamos, toleramos e até desculpabilizamos uma deficiência qualquer, desde que se veja, que entre p'los olhos dentro porque, afinal, está ali, vê-se tão bem, valhamedeuscoitadinho. Achamos que perturbações neurológicas são resultado destes tempos tecnológicos e que entram todas no grande saco sem fundo das doenças mentais e enchemos a boca para voltar a sacar do "coitadinho" ou para acusar de má-educação o próprio, os pais, os avós e até o cão e o gato. Abusamos da inimputabilidade da nossa ignorância - mesmo quando, diariamente, há mensagens subliminares, indiretas, diretas e até espalhafatosas do que é autismo/epilepsia/incapacidade cognitiva/síndromas raros/etc. - porque, na realidade, ter de aprender, ao fim destes anos todos, uma coisa que todos os outros dizem "no meu tempo não havia nada disto" e "é só modernices", dá trabalho, obriga a pensar e, mais grave ainda, força-nos a mudar os nossos comportamentos e atitudes. Criticamos até ao tutano as atitudes e esforços de pais informados e preocupados que não olham a medidas para cuidar dos filhos e chamamos a isso "frescura" (como se uma alergia mortal o deixasse de ser porque "eu sempre comi disso e nunca morri"). Tratamos de igual para igual, sem pensar duas vezes, uma criança como se fosse um adulto e despejamos numa criança as nossas frustrações e arrogâncias de gente crescida (mas só crescida de corpo porque a mentalidade, essa, é pequenina pequenina como um grão de areia e não há graus académicos nenhuns no universo que confiram humanidade e humildade a adultos presunçosos). Somos tendencialmente juízes e carrascos do que nos escapa, do que é diferente e, indiretamente, de nós mesmos pois, sem nos apercebermos, acabamos enredados na mesma corda com que queremos enforcar os outros.

 

As minhas filhas não engolem sapos e falam, na hora, o que pensam, cedendo a algum impulso, talvez. Talvez o tenham aprendido com o pai, talvez tenham herdado o mau feitio da mãe, talvez sejam a ausência de filtros sociais e excesso de racionalidade associados ao autismo. Talvez seja isso e muito mais.
As minhas filhas são crianças em fase de transformação - a mesmíssima transformação por que todos todos nós passámos, há 20 ou há 150 anos - e ,nesse campo, são iguais a nós.
As minhas filhas merecem ser tratadas com o devido respeito, a devida moralidade, a devida ética em todo o lado, sozinhas ou acompanhadas, sem desvalorização da sua capacidade cognitiva e, nesse campo, são iguais a nós.
As minhas filhas continuam - e continuarão - a ter uma mãe e um pai que as defenderão acima e contra tudo e todos.

 

#presunçãoeáguabenta #asnumveteranum #doutoresouanalfabetos #agenialidadetambéméumaperturbaçãoneurológica #nãomefodam #euaindanãoestoudoida #quemsaiaosseus #averdadedoi #t2para4

 

 

 

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publicado às 14:30

Desde há uns anos que uso este vídeo (elaborado a partir do livro “Por quatro esquinitas de nada”, de Jerôme Ruillier, da Editorial Juventud, em algumas das minhas ações de sensibilização para o autismo, em especial, em escolas ou quando abertas à comunidade escolar.

 

 

 

É um vídeo fantástico que, muito sucintamente, nos remete para o “enquadrarmo-nos, fazermos parte de”. E, se nos permitirem interpretar, chegar à conclusão que, em muitos casos, o que precisamos de alterar – e, às vezes, são “umas esquinitas de nada” – é o caminho, o meio para atingir um fim, o que está ali entre um lado e o outro.

 

Eu sinto-me um quadrado, vezes demais…

 

E não tenho qualquer sombra de dúvida que as piolhas – e outros tantos indivíduos como elas – são uns quadrados. Os que nos rodeiam – os amigos, a família, os professores, os técnicos, os estranhos – são uns círculos. Os círculos não precisam de mudar pois são a maioria e, tal como em situações onde a maioria prevalece, as coisas estão construídas e preparadas à medida dos círculos. O que acontece, então, quando surge um quadrado ou até um triângulo?

Estes é que têm de se adaptar. Começa, então, toda uma maratona de idas a hospitais, a escolas, a serviços de recursos para a inclusão.  Uma incessante procura da melhor abordagem, da terapia que melhor resultados pode trazer, etc., para que estas figuras diferentes possam entrar naquelas áreas circulares.

Os círculos não precisam de trilhar estes caminhos e, muitos deles, nem fazem ideia de que estas maratonas existem. Não é por mal, apenas, nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem. Uma grande parte dos círculos quer estar com os quadrados e os triângulos, mas, a pressão da mudança acaba por recair nos que são diferentes. E porquê? Porque são diferentes, porque são uma minoria, porque a sociedade tal como ela é, está feita para a maioria, porque quem quiser que se adapte. Muitas vezes, nem é por mal, apenas nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem.

 

Ora que podemos então fazer?

 

Por que não “cortar quatro esquinitas de nada” para que, por esse aro, por esse círculo, possam passar não só os círculos, mas também os quadrados, os triângulos, os hexágonos, e outros? Não teríamos todos a ganhar se todos fizéssemos um pequenino esforço que, em tantas situações, são “umas esquinitas de nada” mas que vêm aliviar as tais maratonas que os quadrados têm que viver? Não podemos todos fazer “umas esquinitas de nada” e vivermos de forma inclusiva sem qualquer tipo de frete? 

 

Ser um quadrado não é fácil.

Não cabe na maioria das áreas. Nem sempre há “esquinitas de nada” que permitam a passagem. Nem sempre há círculos compreensivos do outro lado. A questão social – e, mais além, o pensamento social – é tão mais complexo do que apenas estar com alguém ou dizer um simples “bom dia”. Quando nos sentimos como um quadrado – e somos um círculo -, estamos a experienciar uma ínfima parte daquilo que sente um quadrado ou um triângulo, todos os dias, em quase todas as situações. E custa sentir este “misplacement”, este “desenquadramento”, este “no fit in”, este “não me sinto bem aqui”.

Ontem senti-me o quadrado no mundo dos círculos na reunião de entrega de avaliações das piolhas. Estamos todos perfeitamente integrados e está tudo a correr bem. As “esquinitas de nada” foram as primeiras barreiras quebradas mas o esforço que os quadrados fazem para viver num mundo de círculos é imenso. Mesmo que, do mundo dos círculos, haja reciprocidade.

 

Isto tudo para dizer que, independentemente, da nossa forma, temos de conseguir colocar-nos no lugar do outro e tentar perceber o esforço que foi necessário para se chegar ali, se houve ou não “esquinitas de nada” ou se esse ainda é um caminho que precisamos de desbravar, por entre maratonas.

 

Escrito em maio para a Up to Kids, in https://uptokids.pt/opiniao/maternidade/es-um-quadrado-ou-um-circulo/ 

 

 

 

 

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publicado às 09:35

Gostamos de carros.
Gostamos de ver carros, de ouvir motores a roncar e de perguntar por cilindradas e cavalos.
Gostamos daquele cheiro a gasolina quando alguém faz um daqueles arranques a fundo com o turbo a assobiar.
Gostamos de participar em encontros de carros - cujas marcas nos digam algo ou nos sintamos bem.
Gostamos de carros onde prevaleça a mecânica.
Gostamos de tratar bem dos nossos carros, apesar de os euros não abundarem e de terceiros nos olharem de lado ou engelharem o nariz.
Gostamos de conduzir carros gandes e pesados.
Gostamos quando as piolhas nos dizem "aquele carro tem um motor com o som do mar" ou "eu quero conduzir este carro" ou "que carro tão giro".
Gostamos de colocar as piolhas a experimentar os carros: abrir e fechar portas com e sem comando, pôr o carro a trabalhar (nós estamos ali ao lado e o carro está em ponto-morto e travado), fechar tetos de abrir ou janelas, etc.
Gostamos que as piolhas gostem do que temos cá por casa e todos os nossos carros são carinhosamente tratados por "ferros velhos do aço" porque, vejamos, o mais velho é de 1993 e o mais novo de 1998. Todos adotados :D
As piolhas gostam de fazer wheeeeeeeeeeeeeeeee quando o pai estica as mudanças para acelerar.
Gostamos de cuidar dos nossos carros e modernizá-los sem os xunar ou perder essência: um auto-rádio atual e discreto, uns faróis led, umas películas, por exemplo (tudo em livrete). Quando os conduzimos não nos sentimos nos anos 90 porque temos tudo atualizado.
Não gostamos nada de ruídos parasitas nos carros, nem plásticos foleiros, nem luzinhas a mais no interior e eu confesso que me faz confusão não ter um conta km fixo em vez de um écrã.
 
O carro favorito do marido é um Mercedes-Benz S 500 [série W140] de 1995 e eu perco-me de amores por um Audi A8 6.0 w12 de 2005 (sim, igual ao filme "Transporter 2"). As nossas grandes exigências são preto de chapa, preto de interior, preto de estofos, vidros fumados. Minha nossa, carros assim, até nos param o coração. (OK, o carro que o Redington da série "The Blacklist" tem também me apaixona mas a eletrónica que há de ter - e os problemas que depois daí advêm - já não me atrai nem pouco mais ou menos. É um Mercedes-Benz S 550 [W222] lindíssimo, preto por dentro e por fora, obviamente). Um dia ainda havemos de fazer o gosto ao dedo e conduzir maquinões desses.
 
O meu carro - o meu primeiro carro e do qual sou incapaz de me desfazer - é um Audi 80 TDi 1.9 de 1993, edição básica: tem um sistema de segurança sem airbag (Procon ten) mas semelhante; não tem ar condicionado e tem os estofos e forras claros. Os anos de garagem estrela não perdoaram e a pintura linda e brilhante foi-se esbatendo (resolvemos nós, para já, temporariamente, pintando de preto mate e registando em livrete), tem uma racha no tablier e as forras das portas caíram (tratámos da pele por baixo e não colocámos nada ainda). Mas ainda não fez 200 mil km, tem um bom motor, nunca deu uma única chatice, trabalha sem quadrante e até pega de ligação direta. Um maquinão, é o que é :D é um carro confortável, apesar de alto. Como puxa à frente, já me deu um susto ou outro (atravessei-me...) mas posso ir à neve com ele :D é um pouco alto e torna-se menos aerodinâmico mas, ainda assim, faz um bom consumo: 5 ou 6l/100 (expertise do marido).
Ora, sendo um carro do início dos anos 90 e com pouca eletrónica, obviamente que tem muita coisa old school. Apesar de ter teto de abrir (arranjado posteriormente por nós mesmos, na nossa garagem) e a trabalhar impecavelmente), fecho centralizado e vidros da frente elétricos, os vidros de trás são para serem usados com a ajuda do instrumento da foto abaixo. Um clássico, hein? E sabem o que eu acho mais incrível? É que, apesar de, desde que as piolhas nasceram, andarmos (maioritariamente eu e elas) num outro carro (sim, outro ferro velho do aço, de 1996, no qual eu me sinto extremamente segura (e que só troco pelo A8 ou pelo S550 lá de cima), já todos cheio de luzinhas no tablier e de mariquices e queixumes iluminados no conta km, botõezinhos para tudo e mais alguma coisa, bloqueios infantis em botão (em vez de ser com chave de fendas na porta mesmo), as piolhas sabem para que serve aquela manivela e como se usa. Não gostam lá muito, calro, mas sabem o que é. E, daqui por apenas 6 anos, será neste carro que darão umas voltas. Não me batam já porque, obviamente que quero que elas tenham a hipótese de conduzir carros recentes, mas também queremos que saibam como funciona e se usa um travão de mão mecânico (puxá-lo e baixá-lo, ou, no outro carro, carregar com o pé e puxar a alavanca para destrancar), como levantam o capô ou abrem a mala manualmente, como podem verificar o aspeto e quantidade de óleo na vareta, como abrir e fechar o vaso de expansão, etc. São coisitas mais ou menos básicas que podem perfeitamente experimentar num ferro velho do aço e que num carro recente já nem existem (no caso da vareta do óleo). Além disso, queremos mesmo muito que elas saibam usar... uma chave. E colocá-la na ranhura e rodar para as diferentes posições. Bem, mas esta parte elas já sabem :D mas possam ver que há espaço para tudo: podemos perfeitamente conduzir modelos mais novos e até gostar deles (o S550 é de 2014) mas não há mal nenhum em gostar ou até conduzir carros antigos, desde que gostem e se sintam seguras.
 
Contem-me coisas (para não me sentir sozinha): quais foram os vossos primeiros carros? Ainda os mantêm? Como reagem os piolhitos às ideias dos carros que os avós conduziram? Sabem o que é e para que serve a manivela da imagem? Preferências? Carros de sonho?
 
 
 
 

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publicado às 19:06

Há coisas giras que gosto de ler e que não me importo de recriar. Apesar de muitas coisas estarem um bocadinho dispersas por aqui ou pelo blog, a verdade é que, apesar de tudo, 21 coisas sobre mim fizeram-me pensar um bocado.
Bem, aqui vão elas, a pedido da O Espírito da Mula 
 
 
1 – Sempre fui o que se chama de “menina certinha”, “rato de biblioteca”, “croma”, “marrona” – e não me arrependo nem por um segundo;
2 - Adoro ler, sou mesmo bookaholic assumida e tenho alguma dificuldade em livrar-me de livros, mesmo que não os leia;
3 – Descobri medos irracionais e imprevisíveis e incompreensíveis desde que fui mãe;
4 – Quando engravidei, de forma espontânea, tinha 3 bolsas;
5 – Comprei casa aos 23 anos, 2 meses depois de começar a trabalhar, quase 1 ano antes de casar;
6 – Casei 2 vezes com o mesmo homem, em datas díspares;
7 – Já andei de speedboat no Tejo, com uma mão a segurar-me e outra a segurar uma piolha, enquanto dizia ao pai para agarrar a outra piolha, que delirava com aquilo;
8 – Tenho uma bucket list tão longa e surreal que preciso de viver 2 vidas para a cumprir;
9 – Detesto burocracia e papelada, não quero cargos de coordenação ou direção, não ambiciono uma posição de efetiva com a casa às costas – do que gosto mesmo mesmo é de dar aulas;
10 - Já vivi uma experiência “paranormal”, chamemos-lhe assim, em que eu me vi a mim mesma, fora do meu corpo, vista de cima;
11 – Em 2016 estive tão doente que julguei que ia morrer;
12 – Já sobrevivi a duas depressões diagnosticadas (uma delas associada a um burnout) e, estou desde 2013, sem qualquer tipo de medicação;
13 – Estive quase quase para tirar uma nova licenciatura – pós-Bolonha, com mestrado e tudo mas outros valores se impuseram na altura;
14 – Já dei aulas a todos os níveis e idades – só me falta mesmo o Ensino Superior;
15 – Adoro conduzir (em especial, carros grandes e pesados… atrapalho-me com carros pequeninos e citadinos), acalma-me, ajuda-me a pensar e a organizar ideias e decisões;
16 – A maioria dos acabamentos no T2 foram feitos por mim (pintura em paredes, quadros, decoração, almofadas do sofá, etc.);
17 – Adoro tirar fotografias mesmo sabendo que não tenho muito jeito e que, às vezes, me falha o olho para a coisa;
18 – Há coisas da minha infância que me forcei a esquecer ou que estão agora envoltas numa névoa. Não vivemos tempos fáceis naquela altura.
19 – A minha atenção saltita e, muitas vezes, só consigo lembrar-me de coisas que não servem para nada. Considero que tenho uma larga cultura geral inútil;
20 - Sou autodidata em imensas coisas;
21 – And last but not least, vivo para as minhas filhas - não me importam as teorias que contradigam isto.
 
 
 
Bónus – por motivos muito alheios à minha (enorme) vontade, nunca fui às noites da Queima.
 
 
 
 

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publicado às 15:13

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