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A Leonor Teixeira é jornalista (numa revista conhecida da nossa praça) e tem um blog com histórias de pessoas reais num mundo real. Temos conversado um pouco e ela fez-me a entrevista que publico aqui.
Tentei ser simples, direta e sincera e, talvez, por ter tanto para dizer a entrevista tenha ficado algo longa. No entanto, a Leonor não se importou com isso e publicou mal recebeu o texto. De uma forma mais direta com pergunta-resposta, consigo alcançar outros públicos e, espero, tirar algumas dúvidas, embora, claro, seja muito sobre a nossa realidade, o "nosso" autismo... Surpreende-me sempre, pela positiva que, num mundo de interesses rápidos e imediatos, ainda haja espaço para aprender e ler sobre autismo para podermos chegar aos neurotípicos. Obrigada.
Vão ler e digam-me o que acham. Claro que, aviso desde já, que o enfoque foi mais dado à nossa realidade dentro de muitas outras realidades dentro do mesmo espectro.

 

https://historiasdevidaparaler.wordpress.com/2019/03/11/o-autismo-nao-e-um-bicho-papao/

 

 

 

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publicado às 14:54

Contexto:
As piolhas sabem que têm autismo (esta questão está para sair em breve num post), os colegas sabem que elas têm autismo, os professores e a escola idem, muita gente sabe que elas têm autismo. Não é um rótulo, é um nome para explicar o porquê de determinadas dificuldades e questões neurológicas. As piolhas não falam de autismo com ninguém, a menos que alguém lhes fale disso e, mesmo assim, elas têm indicações para dizer que "autismo é algo que têm mas não as define".

 

Num dia destes, numa ação de sensibilização à diferença - em especial a que não se vê fisicamente -, a oradora falava de Asperger. As piolhas habituaram-se, com o passar dos anos, a perguntar o que não entendem ou não sabem o que é e perguntaram o que era Asperger. A resposta foi que era uma variante de autismo. Um colega, já que falavam da diferença real, referiu que elas tinham autismo. E a oradora tentou aproveitar a deixa para ser mais coerente com o que ia apresentar e questiona as piolhas sobre o que é, para elas, ter autismo. As piolhas não souberam responder.

 

Vamos agora tentar desconstruir (não é criticar):
As piolhas ainda não estão naquela fase de maturidade neurológica que lhes permita identificar - como nós, que estamos de fora a observar - que o seu comprometimento da compreensão da linguagem/comunicação ou interação social ou determinados comportamentos são característicos de autismo. Para elas, ter autismo é algo que sempre fez parte das suas vidas e que não conseguem separar de si mesmas. Para elas, a necessidade de ferramentas que as ajudem a suplantar as suas dificuldades sempre foi uma constante, ou seja, a terapia da fala, por exemplo, faz parte das suas vidas desde que se lembram de ser gente (desde os 3 anos que têm terapia da fala de forma quase ininterrupta). Basicamente, para elas, perguntarem-lhes como é ter autismo ou em que consiste é um pouco como me perguntarem a mim como é ser alta ou ao marido como é ter olhos verdes. É algo que faz parte de nós e que nos é "natural" porque sempre esteve connosco mas que não nos define porque somos muito muito mas tão mais do que ter 1,74m ou olhos verdes ou autismo.

 

(Ainda) não cabe às piolhas explicarem-se acerca de si mesmas. Haverá uma fase em que esse entendimento sobre si mesmas e sobre o que pode condicioná-las, os seus pontos fortes e áreas mais comprometidas fará sentido e poderão ser elas mesmas a falar sobre isso. Para já, aos 11 anos, a entrar na adolescência, a experienciar toda uma série de novas mudanças físicas, mentais, neurológicas, linguísticas, psicológicas, etc, é cedo para se perceber, para ter esse entendimento. É em situações como estas que precisamos de tempo: elas, nós e os outros.

 

 

 

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publicado às 21:37

A propósito do dia de hoje

por t2para4, em 08.03.19

#repost

por t2para4, em 08.03.17

 

Num mundo e numa era muito comercial e com deturpação das origens e verdadeiras mensagens de datas importantes a assinalar, as piolhas achavam que seria mais uma festa com trocas de presentes, apesar da sua boa vontade e carinho de querer "premiar" as mulheres das suas vidas.

Lá lhes tentei explicar, em versão rápida e curta e sucinta, que a vida não corre de feição para as mulheres, ainda que vivamos num pedacinho de céu. E contei-lhes que a discriminação contra as mulheres ocorre em formas tão subtis que parecemos nem notar: ordenados mais baixos, cargos de chefia limitados, despedimentos por gravidez, ilegalidade nas questões em entrevistas de trabalho, trabalho doméstico, etc. E ainda lhes disse que, em muitos países, as mulheres nem sequer vão à escola, podem usar determinados tipos de roupa, votar ou tirar a carta de condução. Basicamente, it's a men's world though they need women...

 

Estou com a neura. E depois de o marido me ter chamado agorinha mesmo à atenção para uma publicidade do stand virtual sobre o dia da mulher e sensores de estacionamento, a neura aumentou ainda mais. Mas, enfim, não estou para isto.

 

Quero que as minhas filhas - que serão mulheres neste mundo e sociedade - nunca jamais em tempo algum deixem de se sentir bem na sua condição ou se sintam inferiores a quem quer que seja. Que continuem a ir à luta como têm ido até agora. E que saibam que há mulheres incríveis em todas as épocas, em todas as sociedades, em todos os lados - e que, independentemente dos entraves - nunca desistem e abrem pequenas brechas que se transformam em portas, mais tarde, para que outras mulheres possam seguir os mesmos caminhos. 

Não é feminismo, não é sufragismo, não é andar de maminhas ao léu e queimar soutiens: é ser-se mulher sem discriminação, é saber-se apreciar o esforço de uma mulher, apesar de tudo. A História reza de muitas mulheres que se transformaram nos chefes de família e nos trabalhadores da família, conseguindo não só mostrar o quão fantásticas elas são nos seus papeis multitasking, como também mostrar que são capazes. De tudo.

 

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-03-08-Carolina-votou-em-1911.-Foi-a-primeira-e-a-Republica-mudou-a-lei-para-impedir-o-voto-feminino 

 

Logo, será disto de que falarei às piolhas. E aos meus alunos também, se surgir. 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:33

Não era isto de que me recordava...

por t2para4, em 24.02.19

O que faz uma pessoa que dorme mal durante a semana, trabalha imenso, gere 3 ou 4 horários diferentes, quase que se afoga em café e que nem se dá conta da noite passar até o despertador tocar? Aceita jantar com o grupo do costume e acaba numa discoteca até de madrugada, obviamente.

Acabei por se chegar a 3 brilhantes conclusões:

1- continuo a gostar imenso de comer e, já que vou pagar e vou, ao menos como algo que não costume comer em casa, habitualmente;

2 - estou a ficar velha para isto;

3- posso, seguramente, dormir descansada e tranquila pois as piolhas, definitivamente, não serão gajas para se enfiarem numa discoteca, pelos motivos que abaixo explicitarei.

 

Ora, a discoteca só abre quando os bares fecham, portanto, já era madrugada quando chegámos. Miúdas na receção e no bar estupidamente jovens e com tanto betume na cara que acho que necessitarão de muito mais que simples desmaquilhante para retirar aquilo. A bebida que pedi não era nada de especial (embora tenha gostado bastante do copo) e fiquei desiludida pois eu consigo fazer bebidas melhores com os mesmos ingredientes... Obviamente que pedi um gin, mas, juro, os gins que eu faço sabem muito melhor. Mas, num ambiente entre amigos e de boa disposição, a gente até esquece esses pormenores.

Porém, o que realmente me fez aperceber que não tenho pedalada nem estofo nem estaleca nem cultura nem paciência para isto foi... a música... Ou melhor, aquele conjunto de sons a que alguém chama de música. Os meus neurónios definhavam e morriam de desilusão. Ainda aguardei que surgissem o que eu achava que era música de discoteca, os "familiares" tsss tum bum tsss tsss tsss tum hum tsss hum tsss tss hum... Nada. Umas cenas malucas com frases "tu é você e tu tá bem" e "tu é tu" e " e tá tudo bein" e "mafiosa" e "piradinha" e "quisifouda". E tudo de rabo pra fora e pra baixo como se estivessemos a cagar no mato ou numa casa de banho pública (bem, a parte positiva é que o pessoal faz ali uns agachamentos do camandro). E, já agora, já não se dança com os braços no ar? Não? Porquê? Não? Nem se dança de forma sexy? Não? A certa altura pareceu-me que estava num baile em honra de um santo qualquer numa terriola qualquer... 

E quando vinha algo como "tira o péd o chão!!", eu até tentava mas já estive em locais com mesmo gosma aderente que aquele... não dava para imitar o Travolta com a Thurman, definitivamente.

Portanto, 16 anos depois a minha última ida a uma discoteca - e, ok, já é muito tempo mas não é assim taaaaaaaaaaanto tempo quanto isso - e que ainda se passavam músicas dançáveis - e, tudo bem, até podem ser cenas comerciais -, fiquei muito dececionada... 

 

Mas, se neste campo eu vi defeitos, quando me pus a digerir tudo aquilo pensei: bem, as piolhas jamais frequentarão locais assim e eu posso ficar descansada com o "não pouses o copo em lado nenhum", "não tires os olhos do copo"; "se tens dúvidas, vale mais comprares outra bebida", "cuidado com os cabelos perto dos cigarros", pois, além de conjugar tudo aquilo que (ainda) não aguentam como escuro, som, eco, fumo, reverberação, acresce ainda a má música.

 

 

Hoje estou grogue, doem-me um pouco as costelas e vou fazer uma sesta daqui a pouco. Já não tenho estofo para isto. Prefiro ir a um bom bar, sentar numa cadeira porreira e ter o meu copo na mão enquanto estamos ali a passar um bom momento. Coisas que surgem com a idade, suponho.

 

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publicado às 14:04

Todas as informações acerca da palestra estão disponíveis no site abaixo:

www.floortimeconf.com

 

Em que consiste o método/abordagem Floortime?

A abordagem Floortime é um modo de intervenção interativa não dirigida, que tem como objetivo envolver a criança numa relação afetiva. Os seus princípios básicos são:

- Seguir a atividade da criança;

- Entrar na sua atividade e apoiar as suas intenções, tendo sempre em conta as diferenças individuais e os estádios do desenvolvimento emocional da criança;

- Através da nossa própria expressão afetiva e das nossas ações, levar a criança a envolver-se e a interagir connosco;

- Abrir e fechar ciclos de comunicação (comunicação recíproca), utilizando estratégias como o «jogo obstrutivo»;

- Alargar a gama de experiências interativas da criança através do jogo;

- Alargar a gama de competências motoras e de processamento sensorial;

- Adaptar as intervenções às diferenças individuais de processamento auditivo e visuo-espacial, planeamento motor e modulação sensorial.

- Tentar mobilizar em simultâneo os seis níveis funcionais de desenvolvimento emocional (atenção, envolvimento, reciprocidade, comunicação, utilização de sequências de ideias e pensamento lógico emocional)

(Greenspan, 1992b; Greenspan & Wieder, 1998).

 

A quem se dirige esta palestra?

A qualquer pessoa interessada nesta abordagem terapêutica, em especial, pais, técnicos e professores.

O orador principal será o Dr. Jake Greespan Fundador e Diretor do Floortime Center, em Washington - filho do Dr. Stanley Greenspan, autor do Modelo DIR e do Greenspan Floortime Approach.

 

NOTA: Desconto de 50% (através de um código promocional) para os primeiros 10 pais que entrarem em contacto comigo pelo email t2para4@sapo.pt . Não serão consideradas mensagens privadas – apenas por email por uma questão de coerência e organização.

 

 

Evento promovido e organizado por TIS Group

 

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publicado às 10:15

Tagarelice #61

por t2para4, em 16.02.19

Estou a cotar testes, de costas para as piolhas, com grelhas em excel abertas e concentração ali naquelas percentagens. Uma delas, sorrateiramente, aproxima-se de mim e dispara:
"O que é eróticos?"
Ainda vou ter um AVC...

 

A minha resposta foi, em modo desvaloriza-que-passa, que isso não interessava nada e que tinha a ver com coisas sexuais, desejo sexual e coisas dessas que só os adultos faziam... Uma das piolhas foi ao dicionário (página seiscentos e tal, da Porto Editora, de 2009) e decidiu ler a definição em voz alta e as palavras relacionadas com sexo a sair da boca dela até me fizeram úlceras... deusmalibre...

 

 

 

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publicado às 10:30

Está aqui tudo, nem vou dizer mais nada a não ser que o espectro é variado, embora com coisas comuns. No fundo, o que queremos, é mesmo paz e sossego e que não nos macem com questiúnculas ridículas e que nos deixem ser. Se não pedem aos surdos para ouvir, por que nos pedem a nós autistas para sermos nós a adaptar-nos a tudo?

 

 

Ana Oliveira

Autismo: 10 coisas que o Rodrigo quer que saibam sobre ele

Não é fácil ser mãe. Ponto. E não é fácil ser mãe de um filho com Perturbação no Espectro do Autismo. O facto de, no caso do Rodrigo, ser num nível ligeiro, faz com que muitos nem sequer se apercebam dos problemas que tem. Mas eles estão lá, eles existem e influenciam o bem-estar do meu filho.

É verdade que muitas vezes faço questão de não o apregoar, porque não quero que o tomem como diferente, porque evito “tratamentos especiais”, porque receio que o vejam como o coitadinho, enfim… mas a verdade é que há uma realidade à qual não posso fugir: o Rodrigo é diferente e em algumas situações é preciso agir diferente com ele.

Não há volta a dar quanto a isto.

As situações são muitas e os julgamentos ainda mais. Porque é mais fácil que as pessoas se ponham no nosso lugar quando a “diferença” é mais evidente do que quando a criança é aparentemente normal.

Com os julgamentos eu posso bem, por me considerar sempre inocente até prova em contrário, mas considero importante que se entendam algumas das coisas que se passam no cérebro destes meninos e que muitas vezes não são respeitadas porque são confundidas com falta de educação ou mimo a mais.

O meu filho, agora com nove anos, não precisa de andar na rua com uma placa ao peito a dizer “Eu sou autista”, mas já foram várias as vezes em que optei por não dizer que o era e que me arrependi.

Quando o inscrevi na natação decidi não dar essa informação e passadas duas aulas a professora veio perguntar-me se ele era surdo.

Numas férias deixei-o naqueles ATL’s de crianças à beira da piscina e acabou por não se divertir nada porque não teve qualquer ajuda para iniciar uma brincadeira com outras crianças.

Aguentei olhares no meio do supermercado enquanto o Rodrigo se atirava num berreiro para o chão, num valente surto de birra capaz de virar tudo ao contrário. Aos olhos dos outros, ele não passava de uma criança mimada, sem educação, que fazia tudo o que queria, sob a passividade de uma mãe que não tinha mão nele. Ouvi VÁRIAS vezes “se fosse comigo já tinha levado uma palmada”.

Ouvi e calei. Lá está. Faltava a placa ao peito do miúdo com a explicação: “Tenho hipersensibilidade ao ambiente que me rodeia. Não é fácil para mim estar no meio deste supermercado rodeado de estímulos que me desordenam o cérebro e com os quais eu não sei lidar. Mudar de rotinas também é uma prova de fogo e estar neste sítio estranho é avassalador. Uma palmada não me vai acalmar. Antes pelo contrário, até porque tendo a tornar-me ainda mais agressivo e capaz de me magoar a mim mesmo. Defendo-me como sei… perdoem-me o incómodo de estar a fazer tanto barulho enquanto fazem as vossas compras descansados.”

Face a tudo isto, decidi escrever este texto. Cá vão algumas das coisas que o Rodrigo gostaria que soubessem sobre ele:

1. Não se ofendam quando digo que o vosso frigorífico cheira mal ou quando me recuso a sentar ao pé do queijo que está na mesa. Não me digam: “Sentas-te aí sim senhor porque eu estou a mandar”. Para mim é mesmo difícil e o mundo não acaba se me sentar noutro lugar ou afastarem o queijo dali. Não estranhem eu andar de nariz tapado na zona da charcutaria, cheirar tudo antes de comer ou recusar limpar as mãos a um pano já usado. Tal como outros sentidos, tenho o olfacto muito, mas mesmo muito apurado;

2. Não me chamem de “menina” nem me excluam só porque não gosto de jogar à bola, andar de bicicleta ou fazer esses desportos mais radicais típicos de rapazes. Tenho problemas com actividades que incluam movimento e o meu equilíbrio deixa muito a desejar. Sou descoordenado e só consegui saltar com os pés juntos de um degrau para o chão aos sete anos. Eu chego lá, mas mais devagar;

3. Como sei que os meus interesses e as minhas brincadeiras são um pouco diferentes e repetitivos, preciso de alguma ajuda para começar a brincar com outras crianças. É só um empurrãozinho inicial, que depois a coisa dá-se;

4. A minha audição também é hipersensível, por isso não se zanguem quando peço a alguém que está a conversar ao meu lado para se calar. Não consigo estar em conversas paralelas porque vos oiço mesmo muito muito alto. É por isso que fico tão perturbado quando passam motas e é também por isso que tapo os ouvidos quando puxo um autoclismo;

5. Eu gosto que brinquem comigo, gosto de rir, mas evitem ironias, trocadilhos, sarcasmos ou metáforas. Não esperem de mim segundas leituras, porque não as sei fazer. Fico zangado. E escusado será dizerem: “Estava a brincar”. Brinquem de outras maneiras comigo. Não me digam que alguma coisa é “canja de galinha” quando querem dizer “isso é fácil”. Interpreto literalmente o que me dizem e a comunicação é sempre um desafio para mim. Por isso, usem palavras simples e directas;

6. Preciso saber o que vai acontecer a seguir. É por isso que quero saber tim tim por tim tim como vai ser o meu dia, um passeio, um almoço, ou um fim-de-semana. Sair das rotinas é sempre uma prova de fogo e fico mais seguro e confortável se souber o que vai acontecer. Sei que nem sempre isso é possível, mas não custa tentar, mesmo parecendo um grande chato;

7. Agarro na caneta de uma forma estranha e a minha letra não é a mais bonita. É que tenho problemas na motricidade fina, nos movimentos minuciosos, por isso não me julguem por não conseguir ser tão ágil a apertar botões de camisa ou por não conseguir ainda dar o laço nos atacadores. Eu vou conseguir… um dia;

8. Não levem a mal eu dizer logo que “não quero fazer” ou “não quero tentar”. Tenho a perfeita noção que não consigo fazer tão bem muitas coisas que os meus amigos fazem e acho que vou logo errar. Como lido com a frustração mil vezes pior do que uma criança sem autismo, evito essas novas situações e arrisco muito pouco. Procurem não apontar sempre o que não sei ainda fazer e elogiem o que já faço bem;

9. Sei que não posso estar muito tempo seguido a jogar consolas. Mas sei que sou um pró a jogar Super Mario e fico muito feliz quando os meus amigos vêem e elogiam essas capacidades. Afinal, sou bom a fazer alguma coisa! E quero tirar partido disso porque me dá auto-estima;

10. Bem, tirando estas diferenças, sou uma criança que, como qualquer outra, precisa de ser corrigida, estimulada, desafiada… e, acima de tudo, amada. Porque podemos não ser grandes fãs de beijoquices e mãozinhas dadas, mas nunca dizemos que não a um bom mimo 🙂

#autismo #autismonainfancia #paisnaluta

 

 

 

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publicado às 16:26

Tagarelice #60

por t2para4, em 15.02.19

Sábado à noite, marido a dormitar no sofá, piolhas na cama, uma comédia na TV. Faço umas pipocas no micro-ondas, rapidinho, e volto para o quentinho da sala e conforto do sofá.
- Mããããeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!! 
Até fiquei sem ar pois há anos que não me chamavam assim. Fui a correr até ao quarto.
- Que se passa?
- POR QUE É QUE CHEIRA AQUI A PIPOCAS?!
E, assim, todo o prédio ficou a saber que, pelas 22h20, eu fiz pipocas e que o cheiro foi até ao quarto delas e o meu nariz estava avariadinho de todo e não me cheirava a nada (embora me soubesse bem).
- Amanhã queremos pipocas, pode ser? É que cheira aqui mesmo a pipocas! Cheira sim!

 

 

 

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publicado às 16:21

A mamã deste blogue contactou-me para que escrevesse algo sobre nós e o autismo pois gostaria de publicar na sua rúbrica "Testeminhos de Mãe Reais".

Recuperei partes de um texto que já havia escrito há uns anos, escrevi partes novas e enviei. Acho sempre que os meus textos ficam demasiado extensos.  Mas, ainda assim, a Sónia publicou-o. 

 

http://bloguedamamadobazar.blogspot.com/2019/02/testemunhos-de-maes-reais-para-nos.html

 

 

 

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publicado às 23:00

Nas nossas últimas consultas, já havíamos falado deste estudo/pesquisa/investigação e da possibilidade de recolha dos dentes molares das piolhas para estudo. Em último caso, se não houvesse hipótese de usar os molares (que começam agora a abanar para cair em breve), faríamos a recolha pelos dentes do sizo (o que acabaria por envolver uma ida ao bloco para se fazer a recolha, coisa que, de pacífico e tranquilo, nada teria - a não ser a anestesia). 

 

Na nossa mais recente consulta no dentista, vimos que as raízes dos dentes molares das piolhas estão praticamente absorvidas e muitos deles já a abanar. Os dentes definitivos estão a nascer perfeitamente saudáveis e na correta posição. Assim, depois de já termos enviado alguns dentes de leite para análise no Instituto Ricardo Jorge (ler aqui em que consiste esse estudo), vamos agora enviar estes para análise para o Centro de Neurociências e Biologia Celular
Universidade de Coimbra. Para já, na nossa arca congeladora, estão dois tubinhos de ensaio fechados com um cocktail de células vivas e com a etiqueta "kit dentário" para que, assim que caia um dos molares das piolhas, possamos guardá-lo lá dentro (mesmo que tenha ainda restinhos de sangue, gengiva, saliva - quanto mais matéria biológica, melhor), telefonar ao médico, vir um estafeta e levar o kit.

 

Ora, e para que serve isto e por que estamos a participar neste estudo?

Vamos começar pelo final da pergunta: é uma espécie de "altruísmo esgoísta", para usarmos as exatas palavras que usámos na consulta - ajudamos a que se busquem mais hipóteses da descoberta de uma causa para o autismo e recebemos, ao mesmo tempo, respostas. Neste momento, mais importante do que consciencializar para o autismo através de formação ou palestras e ter que levar com pessoas que não aceitam, mesmo quando o autismo lhes entra pelos olhos dentro (profissionais de várias áreas, pais e terceiros), virámo-nos para esta parte e que, não sendo tão pública, acaba por ser mais útil e sabemos que, pelo menos aqui, conseguimos, mesmo e de facto, contribuir com e para algo concreto e que nos pode dar respostas - a nós e aos outros.

Este estudo aborda, assim de forma simples e sucinta, as sinapses (as ligações/transmissões entre neurónios) e a sua biologia. Este grupo de estudo, que envolve o trabalho dos Drs Ana Carvalho, João Peça e Paulo Pinheiro, "está interessado nos mecanismos celulares e moleculares da função sináptica e da plasticidade sináptica, e em como disfunção sináptica e dos circuitos neuronais está na base de doenças neuropsiquiátricas e neurodegenerativas."

Os nossos dentes irão parar às mãos do Dr. João Peça, que descreve resumidamente o seu trabalho em http://www.cnbc.pt/research/department_group_show.asp?iddep=1113&idgrp=1686&IdGrupo=1107&IdSeccao=&hash=39 

 

A descoberta do uso de células estaminais dos dentes (em especial dos molares e sizos) não é recente (alguns artigos jornalísticos datam de 2012) e, nesta tese, podemos ler em que consiste, características, etc. Aqui, em concreto, não se pretende dar o uso que habitualmente se dá às células estaminais do cordão umbilical, por exemplo, regeneração de tecidos ou órgãos. A ideia é mesmo estudar alterações e regulações em possíveis recetores das/nas tais sinapses, em especial, associadas ao autismo. É claro que a genética está em todo o lado por aqui... É tudo muito complexo e tudo se interliga, desde o gene, à enzima, à molécula e aos processos bioquímicos que gerem tudo isto. E claro, o ambiental também poderá dar aqui uma mãozinha pois lembremo-nos que é a partir dos dentes que conseguimos traçar o nosso percurso de vida (tal como nas séries policiais, sim).

 

Portanto,  vale o que vale, mas, para mim e na minha muito modesta opinião de alguém de Letras que muito pouco percebe de Biologia/Química/Bioquímica e afins, acho que todos estes estudos podem significar avanços. Não pretendo com isto prever ou augurar uma cura! Mas sim, para já, perceber o que causa o autismo; o que está no nosso corpo que causa, especificamente, o autismo; o que é o autismo, concretamente; se um diagnóstico de autismo, num futuro, poderá ser feito biologicamente e não apenas através da observação direta e de grelhas/escalas/questionários. E o que nos custa é só um dente molar de leite, mesmo, no nosso caso, desmineralizado e partido (mas há outros em melhor estado). Com a vantagem de podermos contribuir com dentes de dois sujeitos com um ADN igual (o mitocondrial não é para aqui chamado).

 

Não sei se outros hospitais do país (e fora do país) estão a participar neste estudo. Mas, em caso de interesse, é uma questão de perguntar ao médico da especialidade para saber.

 

E depois?

Depois, logo se vê. Para já, é aguardar que os dentes caiam, sejam enviados para o seu destino final e aguardar de novo pelos resultados do estudo. Demore o tempo que demorar. 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:38

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