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Empate

por t2para4, em 08.05.12

É como encaro esta fase.

Ganhámos uma grande batalha desde o dia em que ouvimos a designação "desvio/perturbação do espectro autista" até março deste ano. Perdemos terreno desde então - terreno esse que foi rapidamente abocanhado pelo inimigo.

 

A risperidona tem sido dos medicamentos mais estudados dos últimos tempos e, apesar dos seus efeitos secundários - que não se manifestaram nas piolhas, felizmente -, das bocas parvas/indiretas que algumas pessoas possam mandar acerca de este ser o caminho mais fácil, etc e tal, interessam-me os benefícios que daí advêm. E o maior benefício, aquele que mais se destaca desde o primeiro dia de medicação, é a redução imensa dos níveis de ansiedade e da auto/heteroagressão. 

Tal como referi anteriormente, a minha mãe toma medicação para evitar ter ataques epiléticos; o piolho da Vera toma aspirina todos os dias para o seu coração; a irmã de uma grande amiga minha toma medicação para compensar a ausência de tiróide; eu tomo a pílula há mais de 10 anos sem pausas (só parei na gravidez)... Tudo isso tem efeitos secundários mas os benefícios e as compensações que esses medicamentos trazem, transformam as nossas vidas para melhor. 

Tenho notado, nesta semana, que as piolhas andam menos agitadas, os episódios de "birras autistas" já desapareceram, acabaram as agressões (o arrancar de cabelo, as cabeçadas, os dedos mordidos, a cara arranhada, os empurrões uma à outra), o choro e as queixas voltaram a ser iguais aos de qualquer outra criança, o sono tem mais qualidade, a ansiedade diminuiu e a capacidade de concentração aumentou. Isto faz com que o seu trabalho tenha mais qualidade, o seu aproveitamento seja melhor, a sua aprendizagem seja mais eficaz, os resultados do que aprendem e do que lhes pedimos acaba por corresponder ao que esperamos delas e elas sabem fazer.

 

Não vou recriminar-me por ter tentado verificar se a medicação era mesmo necessária. Não vou certamente recriminar-me por verificar que ocorreu exatamente o oposto. Tal como nos disse o pediatra que as acompanha, "vale mais uma dosagem mínima constante que lhes traga estabilidade , mesmo que isso implique tomar medicação mais tempo".

 

Assim, voltámos ao risperidal/risperidona na dosagem mínima que já tomavam antes (0,25ml) + um suplemento para estimular a hormona que nos permite adormecer, a melatonina, até os ritmos de sonos delas voltarem ao normal. Ontem já não precisaram deste suplemento e verifiquei que já conseguem adormecer sozinhas, nos intervalos regulares (durante este período, as piolhas iam para a cama às habituais 21h30 e só conseguiam adormecer pelas 23h30... Claro que as manhãs eram um terror à Hitchcock... Elas nem saíam da cama mas ficavam na brincadeira ou a cantarolar imenso tempo...). Todas as rotinas estruturais e extras-escola mantêm-se. As sessões de terapia da fala têm decorrido com melhor aproveitamento.

 

Quanto ao resto, também tive que fazer alguns ajustamentos, para bem da minha sanidade mental e familiar. Estou a tomar a segunda caixa de magnésio, duas ampolas por dia; para reduzir a ansiedade e evitar que o meu estado de nervos e cansaço resulte no regresso de uma depressão, estou a tomar um suplemento de hipericão duas vezes ao dia  (out!!! Não fazia ideia que cortava o efeito da pílula e não estou para mais gravidezes... Vou pensar noutra solução); prometi (e espero cumprir!) ao marido que não traria trabalho para fazer em casa nem atendia telefonemas somente relacionados com trabalho depois das 19h; estou a atar todas as pontas soltas que se me depararam no caminho desde há algum tempo (resolver assuntos pendentes, conversar com algumas pessoas, apresentar sugestões para resolver alguns problemas); estou de volta àquilo que realmente me dá gozo fazer: ter mais tempo para as piolhas, decorar a casa, fazer alguns trabalhos manuais, preparar aulas/materiais para o meu voluntariado com tempo e dedicação (as restantes aulas podem ser preparadas dentro do horário normal de trabalho bem como todas as outras atividades extra pedidas); arrumações profundas que me deixam aliviada e livre.

 

Pelas piolhas e pela família que tanto amo, não posso deixar-me entregue a letargias por muito tempo. Nem eles merecem nem eu lhes posso fazer isso. 

 

Assim, rise and shine (even if you feel like dying inside...)!

 

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publicado às 09:50

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2 comentários

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De Catarina a 08.05.2012 às 14:08


Pode ser um empate mas o "jogo" ainda não acabou... Ainda bem que se está a ultrapassar essas dificuldades mesmo que tenha de ser com a medicação.
Como não tenho blog vou deixando pelos comentários a minha situação, estou muito triste pois o meu marido disse-me que já não gosta de mim, já não está apaixonado e a nossa relação como casal não faz sentido... Não sei como vai ser pois estou desempregada, isto de momento é que me está a assustar, se agora já é dificil pagar as contas como vai ser?!  Continuo a enviar curriculuns e a responder a todos os anuncios que encontro e que tenho habilitações (mesmo que sejam a mais), neste momento vejo tudo negro!
Beijinhos e boa sorte para as próximas "jogadas"!
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De t2para4 a 09.05.2012 às 10:07

Olá catarina!


Sente-te à vontade para dizer o que quer que seja e comentar à tua maneira, dizendo o que te vai na alma. Podes até dizer uma ou outra "caralhada" que não levo nada a mal. Eu acho que devo ter uma costela do norte algures pois quando se me destranca a língua, as coisas saem... :)


Lamento mesmo muito que estejas a passar por uma situação tão negra e tão má. Mas, tens que te encher de coragem e de ser, acima de tudo muito pragmática: pondera, pensa, olha para trás e para a frente e pergunta a ti mesma se vale a pena continuar a lutar sozinha numa relação, que benefícios/prejuízos isso poderá trazer para o teu piolho, o que poderás fazer de diferente se estiveres sozinha. Uma coisa de que me apercebi é que nós vamos buscar forças que não sabíamos possuir e vamos buscá-las nem sei onde, apenas por um bem muito maior: os nossos filhos. São eles quem nos impede de ir abaixo e bater no fundo. E tal como dizia um amigo, "às vezes é preciso descer um pouco para começar a subir". mas descer não é abandonar nada.


Há uns anos fui à ala de internamento do HPC visitar um pequeno guerreiro. Vim de lá um farrapo de gente, a sentir-me um ser minúsculo. Aquelas crianças que lutavam contra cancros, a receber doses de quimioterapia que as debilitavam, sem cabelo e sem sobrancelhas conseguiam ainda arranjar forças para brincar e sorrir. Como é possível?! E foi nesse instante que me apercebi de que era a maneira que estas crianças, estes filhos, tinham de transmitir força e coragem aos pais. São os filhos que dão forças aos pais para continuarem a lutar pelas suas crias e os impedem de ir abaixo. E isto é extraordinário.


Minha querida, põe tudo em pratos limpos e pensa no futuro do teu piolho. Resolve a tua vida para poderes estar em pleno com ele. Um trabalho, com ou sem habilitações, pode não parecer tão distante ou negro quanto isso. Eu costumo dizer que se um ordenado ao fim do mês me permite pagar as contas e proporcionar o que as piolhas precisam, a minha licenciatura pode ficar esquecida, a minha "carreira" e o meu "talento" podem ser adiados indefinidamente até tudo melhorar e eu posso trabalhar noutra coisa qualquer, seja numa fábrica, num café, em limpezas ou em supermercados. 
Não desistas e não te deixes ir abaixo. Coragem e força. agarra as rédeas da tua vida e segue em frente.


beijos grandes

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