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Há coisas para as quais nunca estamos preparados, nunca estamos mentalizados, nunca estamos de razão plena. Este final de semana foi doloroso, foi cruel, foi injusto - ainda é. Nós tentamos seguir a lógica da lei natural e da lei da vida: os mais velhos partem primeiro. Foi a esse paradigma que nos agarrámos pela primeira vez que tivemos de abordar a morte com as piolhas.


Mas, desta vez, tudo foi não-natural, amoral, irreal quase... Tivemos de dizer às piolhas que o seu colega de escola, uma criança que conhecem desde os seus - delas e dele - 7 anos, falecera. Foi das coisas mais horríveis e difíceis que já tive de fazer. Até porque eu própria ainda estava em choque pois foi meu aluno desde os seus 7 anos, chegando até a ter aulas em casa... 

A reação delas foi inesperada: uma das piolhas cobriu-se com a manta do sofá e começou a misturar rituais na sua cabeça (seria anjo agora? teria que vestir preto? chorar seria normal?); a outra ficou zangadíssima comigo e só me gritava "guarda essas coisas más para ti própria! Por que nos estás a dizer essas coisas?". Soube, mais tarde, junto de outras mães que os filhos tiveram reações semelhantes de raiva, de descrença, de confusão. 

 

Nestas alturas, há algo em nós que morrer um bocadinho. Eu não sei explicar. Sei que, depois do choro compulsivo, da raiva pela injustiça, de repente, me senti em piloto automático como se estivesse a pairar sobre a vida que continuava, aquela mesma vida que não ousou sequer parar 5 minutos... E ficamos um bocado egoístas porque damos por nós a pensar nos nossos filhos, os nossos bens mais preciosos, e a querer protegê-los de tudo e de todos. No dia seguinte, levar as piolhas à escola e ter uma vida aparentemente normal, pareceu-me errado... Felizmente, quer as piolhas quer os seus colegas de turma tiveram o apoio da assistente operacional das piolhas e de professores que conversaram com eles e deixaram que a memória do P. fosse uma memória feliz, de uma criança que jamais esqueceriam e estaria para sempre nos seus corações.

 

A vida é demasiado cruel e muito imprevisível. Eu sei que temos de educar e preparar os nossos filhos para isto e sei que há dores que não conseguimos evitar que eles sofram. Podia ser mais fácil. Podia. Mas, infelizmente, não é. E, de repente, numa assentada só, lá tiveram elas de crescer mais um bocado e ouvir as mentiras da mãe que lhes responde que está bem quando na verdade se sente triste e dorida por dentro. E ainda terem tamanho para aconselharem a mãe de que não querem que ela chore mais. 

 

Cada vez me convenço mais de que todas estas nossas crianças são grandes. Maiores do que o mundo. 

 

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publicado às 11:58

Obviamente que vacinei as minhas filhas!

por t2para4, em 20.03.18

SIM! Eu sou aquela mãe chata e irresponsável que vacinou as filhas, aquela que ousou encher as filhas de químicos. Sim, vá crucifiquem-me. A ver se me importo.

 

As piolhas fizeram todas as vacinas do Plano de Vacinação e ainda as Prevenar, na altura, não incluídas. E não me arrependo nem por um minuto. E NÃO, minha gente, as vacinas NÃO causam autismo. As piolhas JÁ nasceram com autismo. O autismo nem deveria sequer ser para aqui chamado que, sozinho, já faz mossa que chegue. Não adianta o sr A com o seu comentário sequer falar em farmaceuticas e químicos e estudos e o diabo a sete. Muitos desses estudos são falsos ou foram desacreditados, alguns dos médicos envolvidos expulsos das respetivas Ordens e proibidos de exercer e não vou sequer falar dos químicos ou de lobbys. Vivam numa bolha se querem precaver-se de tudo ou vão para Marte mas não me amolem a paciência nem JAMAIS questionem a nossa parentalidade baseado na vacinação que fazemos. 

 

Eu não me licenciei na Universidade Google nem fiz Especialização no Instituto Superior YouTube. Há coisas que devem ser tomada por garantidas. A nossa proteção e aquisição de imunidade a doenças terríveis, para mim e quem nos rodeia, não se questiona nem equaciona.

 

Graças aos doutorados na tese da banha da cobra, temos um surto de sarampo que está atingir picos absurdos. Uma vénia de agradecimento (ler com ironia, sim?). 

E caso dúvidas tenham, leia-se o seguinte texto que até está em português. Tenho dito.

 

 

Mamã, qué cóio

Vivemos num mundo onde a ciência e a tecnologia são cruciais para a nossa sobrevivência. Um mundo onde a informação - qualquer informação - está apenas à distância de um clique. Nunca, em qualquer momento da nossa história, tivemos acesso a tanta quantidade de conhecimento como agora.
Infelizmente, nem todos sabem filtrar e interpretar toda essa informação. Conduzimos automóveis, mas não sabemos como funcionam. Ligamos a televisão, mas ignoramos a ciência por detrás do seu funcionamento. Accionamos um interruptor para acender a luz e já nem nos lembramos quem teve a ideia e escreveu as equações que levaram à utilização da electricidade. E na verdade, não é possível saber isso tudo e nem somos obrigados. Mas confiamos em quem criou tudo isto, em quem construiu, distribuiu, instalou e nos vendeu esta tecnologia. Nem sequer questionamos.
Com a vacinação generalizada da população, salvaram-se milhões de pessoas, especialmente crianças. Sabiam que Portugal tem uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo? É verdade e é um motivo de orgulho. Mas sabiam que é em grande parte graças ao Plano Nacional de Vacinação?
Quantos de nós já viram crianças com sarampo? Difteria? Tosse convulsa? Poliomielite? Rubéola? Varíola? Eu nunca vi e a maioria de vós também não. Devido às vacinas. São doenças terríveis. Algumas podem parecer benignas, como o sarampo, mas, como hoje infelizmente voltámos a constatar, pode ter consequências fatais. O vírus do sarampo não quer saber da alimentação, se comes carne ou tofu, leite de vaca ou de arroz. Não quer saber se "reforças as defesas" com homeopatia ou bagas goji. Só a vacina ensina o teu corpo a defender-se do vírus.
E a polio? Já ninguém se lembra dos pulmões de ferro da década de 50. A tosse convulsa, que chega a partir costelas a bebés durante as crises de tosse.
E a rubéola? Ainda se lembram que se uma grávida contrai rubéola corre o risco de perder o bebé ou de que este nasça com graves malformações?
E as pessoas alérgicas ou que têm a sua imunidade comprometida ou que ainda não têm idade e por conseguinte não podem ser vacinadas? Quando não vacinas os teus filhos, estás a colocar também essas pessoas em risco.
Lamento muito a morte daquela adolescente. E tenho muita pena por aqueles pais. 
Por favor! Por favor! Vacinem os vossos filhos. Informem-se a sério, não vão na conversa de tretas pseudocientíficas, sem evidência de verdade, sem provas. O que está provado é que as vacinas funcionam! Salvam vidas! As vossas, as dos vossos filhos e a dos filhos dos outros! Não deixem que a ignorância e a estupidez matem num mundo tão cheio de conhecimento!

 

in https://www.facebook.com/mamaquecoio/

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:28

Por email, por favor

por t2para4, em 17.03.18

Tenho recebido algumas mensagens às quais não consigo responder mas que merecem toda a minha atenção e resposta. Peço, por favor, que enviem email para que eu possa responder adequadamente e ajudar na medida do possível.

Obrigada!

publicado às 15:39

E que não tem sido lá muito bem conjugado nos últimos tempos. Que é como quem diz, um dia destes dormirás. Mas não tão em breve como desejado...

Confesso que já não me lembrava do que era passar a noite entre levanta-deita-zombifica... As piolhas são madrugadoras (algures entre as 6h e as 7h) mas dormem a noite inteira. Exceto, como é o caso, quando há febre. E a febre, meus senhores, de benigno não tem nada. Já perdi mais horas de sono desde 6ª feira do que consigo contar. E juntemos a essas contas, as litradas de café. O estranho é que agora sinto um misto de cansaço extremo com uma energia doida.... Ia jurar que quando as piolhas eram recém-nascidas me tinha custado menos. Ou isso ou estou com Alzheimer seletivo.

 

Anyway, uma das piolhas começou com febre na 6ª feira, entre medicação dentro do timing normal das 8h em 8h e 52115541 t-shirts transpiradas numa só noite, a verdade é que passou rapidamente. Mas... ficou logo a outra piolha com febre, com direiro a telefonema da escola e tudo... E esta tem um histórico no mínimo interessante com as febres. São instáveis, inconstantes, de fácil e rápido crescendo e custam a passar, chegando muitas vezes ao recurso paracetamol-ibuprofeno-paracetamol intercalado... Com a temperatura a ser rigidamente vigiada de 1h30 ou de 2h em 2h horas, dia ou noite. Amanhã entramos naquele "ao 3º dia de febre temos de ir ao médico" e vamos ver no que dá. 

Logo na 1ª hora de febre fomos a correr para o centro de saúde porque, esta minha piolha, além de não quer tomar o pózinho do benuron em cápsulas com iogurte, acusou-me alto e bom som de a tentar envenenar (eu mereço, só pode...) e continuava com a temperatura a subir. Consegui medicar com xarope, de um dos colegas dela. O médico lá lhe prescreveu o xarope, mediante as reclamações (e para alívio) dela. Mas o pai já não foi nas cantigas dela e, após mais de meio frasco aviado (que isto agora para 30 kg dá quase uma chávena de café de xarope), lá foi insistindo com ela e hoje, comigo de coração pequenino que até dava dó, no trabalho, atendendo aos seus 38, 2º, lá a convenceu a beber um iogurte com o pózinho do benuron (o truque é a quantidade de iogurte: nunca menos de meio). Escusado será dizer que depois da grande festa que lhe fizemos, mesmo via telefone, assim que pude, fui a correr, mesmo contra a vontade da Gisele e tudo, comprar mais iogurtes líquidos. 

 

A febre voltou à hora de jantar e lá foi mais uma iogurtada. Mas, pelo menos, o benuron também foi. E dizia a irmã, para quem tomar comprimidos é tão fácil como usar um tablet, "estou tão orgulhosa de ti, mana! Dá cá um abraço, estou tão orgulhosa, boa!!!". E abraçavam-se e dançavam e a piolha febril com olhinhos a 30% da capacidade, a sorrir de lábios e nariz cheios de creme contra o cieiro, abraçada e a dar cincos à irmã. Parece uma casa de malucos e só os cabelos brancos que ganhei estes últimos dias atestam isso. 

Mas esta é a parte boa, maravilhosa, incrivel. 

O pior é que se aproxima a noite... E começa a minha rotina noturna do programar o despertador consoante a temperatura da piolha...

E, ainda só vamos a meio da semana. E nem sequer é a última semana de aulas.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:23

Momento ahhhhhh das piolhas #16

por t2para4, em 06.03.18

É "só" isto.

 

 

 

É ou não é de encher o coração? Mesmo que não dê em nada, houve a coragem de arriscar. Estou tão orgulhosa.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:24

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