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Nas nossas últimas consultas, já havíamos falado deste estudo/pesquisa/investigação e da possibilidade de recolha dos dentes molares das piolhas para estudo. Em último caso, se não houvesse hipótese de usar os molares (que começam agora a abanar para cair em breve), faríamos a recolha pelos dentes do sizo (o que acabaria por envolver uma ida ao bloco para se fazer a recolha, coisa que, de pacífico e tranquilo, nada teria - a não ser a anestesia). 

 

Na nossa mais recente consulta no dentista, vimos que as raízes dos dentes molares das piolhas estão praticamente absorvidas e muitos deles já a abanar. Os dentes definitivos estão a nascer perfeitamente saudáveis e na correta posição. Assim, depois de já termos enviado alguns dentes de leite para análise no Instituto Ricardo Jorge (ler aqui em que consiste esse estudo), vamos agora enviar estes para análise para o Centro de Neurociências e Biologia Celular
Universidade de Coimbra. Para já, na nossa arca congeladora, estão dois tubinhos de ensaio fechados com um cocktail de células vivas e com a etiqueta "kit dentário" para que, assim que caia um dos molares das piolhas, possamos guardá-lo lá dentro (mesmo que tenha ainda restinhos de sangue, gengiva, saliva - quanto mais matéria biológica, melhor), telefonar ao médico, vir um estafeta e levar o kit.

 

Ora, e para que serve isto e por que estamos a participar neste estudo?

Vamos começar pelo final da pergunta: é uma espécie de "altruísmo esgoísta", para usarmos as exatas palavras que usámos na consulta - ajudamos a que se busquem mais hipóteses da descoberta de uma causa para o autismo e recebemos, ao mesmo tempo, respostas. Neste momento, mais importante do que consciencializar para o autismo através de formação ou palestras e ter que levar com pessoas que não aceitam, mesmo quando o autismo lhes entra pelos olhos dentro (profissionais de várias áreas, pais e terceiros), virámo-nos para esta parte e que, não sendo tão pública, acaba por ser mais útil e sabemos que, pelo menos aqui, conseguimos, mesmo e de facto, contribuir com e para algo concreto e que nos pode dar respostas - a nós e aos outros.

Este estudo aborda, assim de forma simples e sucinta, as sinapses (as ligações/transmissões entre neurónios) e a sua biologia. Este grupo de estudo, que envolve o trabalho dos Drs Ana Carvalho, João Peça e Paulo Pinheiro, "está interessado nos mecanismos celulares e moleculares da função sináptica e da plasticidade sináptica, e em como disfunção sináptica e dos circuitos neuronais está na base de doenças neuropsiquiátricas e neurodegenerativas."

Os nossos dentes irão parar às mãos do Dr. João Peça, que descreve resumidamente o seu trabalho em http://www.cnbc.pt/research/department_group_show.asp?iddep=1113&idgrp=1686&IdGrupo=1107&IdSeccao=&hash=39 

 

A descoberta do uso de células estaminais dos dentes (em especial dos molares e sizos) não é recente (alguns artigos jornalísticos datam de 2012) e, nesta tese, podemos ler em que consiste, características, etc. Aqui, em concreto, não se pretende dar o uso que habitualmente se dá às células estaminais do cordão umbilical, por exemplo, regeneração de tecidos ou órgãos. A ideia é mesmo estudar alterações e regulações em possíveis recetores das/nas tais sinapses, em especial, associadas ao autismo. É claro que a genética está em todo o lado por aqui... É tudo muito complexo e tudo se interliga, desde o gene, à enzima, à molécula e aos processos bioquímicos que gerem tudo isto. E claro, o ambiental também poderá dar aqui uma mãozinha pois lembremo-nos que é a partir dos dentes que conseguimos traçar o nosso percurso de vida (tal como nas séries policiais, sim).

 

Portanto,  vale o que vale, mas, para mim e na minha muito modesta opinião de alguém de Letras que muito pouco percebe de Biologia/Química/Bioquímica e afins, acho que todos estes estudos podem significar avanços. Não pretendo com isto prever ou augurar uma cura! Mas sim, para já, perceber o que causa o autismo; o que está no nosso corpo que causa, especificamente, o autismo; o que é o autismo, concretamente; se um diagnóstico de autismo, num futuro, poderá ser feito biologicamente e não apenas através da observação direta e de grelhas/escalas/questionários. E o que nos custa é só um dente molar de leite, mesmo, no nosso caso, desmineralizado e partido (mas há outros em melhor estado). Com a vantagem de podermos contribuir com dentes de dois sujeitos com um ADN igual (o mitocondrial não é para aqui chamado).

 

Não sei se outros hospitais do país (e fora do país) estão a participar neste estudo. Mas, em caso de interesse, é uma questão de perguntar ao médico da especialidade para saber.

 

E depois?

Depois, logo se vê. Para já, é aguardar que os dentes caiam, sejam enviados para o seu destino final e aguardar de novo pelos resultados do estudo. Demore o tempo que demorar. 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:38

Sapatilhas velhas, roupa da que não temos pena que se estrague e... as bicicletas...
 
Lembro-me, claramente, de uma terapeuta no hospital nos dizer que as piolhas tinham problemas de dissociação motora (ou seja, fazer dois movimentos diferentes com o corpo), de equilíbrio e de corrdenação. Nada de novo, portanto. Daí a dificuldade tremenda em conseguirem andar de bicicleta mas equilibrarem-se tão bem numa trotinete... Nessa altura, apercebi-me, amargamente que, talvez tenhamos negligenciado a necessidade de terapia ocupacional.
Foi há 6 anos.
Dessa data em diante, as piolhas começaram a compensar o tempo perdido com sessões semanais numa academia de motricidade e passaram a ter terapia ocupacional na escola, mas, com aquela idade, mais voltada para a área social e organizacional.
 
O tempo foi passando e as rodinhas de apoio passaram a ser uma amálgama estranha de metal meio suspensa nas bicicletas e elas sem conseguirem pedalar naquilo, sem cair. O marido - mais assertivo nestas coisas do que eu - tirou-lhes as rodinhas. Não correu bem, detestavam andar naquilo, não tinham qualquer interesse, o tempo foi passando, elas cresceram e tiveram de mudar para bicicletas maiores. A adaptação não foi má de todo mas, treinar o equilíbrio, já era demasiado trabalho quanto mais pedalar... Tentámos no nosso pátio, na rua, em trilhos lisos , até na escola quando o ATL criou um dia só para patins/trotinetes/bicicletas!! Conseguiram uma coisinha mínima e desistiram.
 
Este verão, deixei de andar a transportar bicicletas em carros e levei-as para casa da avó. A tia achou que era desta que iriam aprender. O pai insistou e chateou-se e irritou-se, as piolhas insistiram e chatearam-se e irritaram-se... Os vizinhos (gémeos também, mas de outra geração) vieram ajudar e até ajudaram a colocar no sítio as correntes que saltavam (se é para fazer, que seja como nos velhos tempos, com correntes cheias de óleo a sair e tudo!). A tia insistiu por dias. O pai insistiu.
E hoje, depois de muita insistência e chatice e reclamação e resiliência e teimosia e atitudezinhas (deusmalibre...) e subornos e ameaças e negociações e o diabo a sete, finalmente, as piolhas aprenderam a pedalar mais que um metro. Aprenderam - literalmente - a andar de bicicleta e a equilibrar-se.
Aprenderam a andar de bicicleta!!!
Conseguem até já subir pequenas e mínimas inclinações a pedalar sem se desiquilibrar. Aprenderam a andar de bicicleta, sem rodinhas, sem apoio, sem ninguém a empurrar. E, orgulhosas desta conquista, exigiam que as víssemos pedalar, transpiradas e cheias de calor, todas contentes. E chamaram o avô inúmeras vezes para que as visse.
Agora, rezo que seja mesmo como se diz popularmente, que andar de bicicleta seja coisa que nunca se esqueça.
Este foi, sem dúvida, um grande feito para nós hoje.
 
 
 

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publicado às 19:41

A tropa manda desenrascar...

por t2para4, em 06.01.19

O café é decididamente o meu melhor amigo. Não só me salva das horríveis manhãs e maus humores com que acordo como também me salvou a cor do meu cabelo. Confuso? Pois, quando eu digo que #pareceumacasademalucos (com hashtag e tudo) é melhor acreditar porque parece mesmo.


Ora, durante a pausa letiva, aqui a pessoa que vos escreve desempenhou a função de ajudante de mecânico durante uma tarde solarenga (um dia, com calma, escreverei sobre essa aventura). Levou com imenso sol na mioleirinha e, no dia seguinte, ao olhar-se ao espelho, repara que as suas habituais madeixas naturais que já começavam a clarear estavam, de momento, quase... vermelhas. Como se tivesse efetivamente feito madeixas. Fiquei apavorada. E desgostosa... O cabelo estava mesmo feio e eu não queria nada ter de o pintar. Pedi ajuda e alguém me informou que poderia ser algum ingrediente nos produtos que uso na minha higiene capilar (ó que bonito  agora a sério, são champôs e condicionadores sem sal e máscaras para hidratação/nutrição/reconstrução de acordo com um cronograma para cabelos saudáveis, já que há uns anos que não uso qualquer química). E chamaram-me especificamente a atenção para camomila e macadame (ou macadâmia). De facto, a camomila era ingrediente em quase todas as máscaras... Nunca tal me tinha passado pela mente já que pela cabeça passou e me estava a pôr ruiva!!! 


Na falta de outras opiniões, recorri ao dr. Google, esse sábio mestre à distância de uma boa ligação à net, e pesquisei "como escurecer o cabelo de forma natural". E, voilà!, as receitas mais fidedignas envolviam café ou chocolate em pó. Dado que não tinha cá chocolate em pó, pumbas, atirei-me ao café e fiz uma máscara de café frio (dos solúveis, bem escuro e bem diluído), máscara capilar da fase em questão e mel. Mexi tudinho, apliquei no cabelo como se o estivesse a pintar e deixei atuar 30 mniutos. As piolhas acharam que estava a pintar o cabelo e diziam para eu não o fazer porque gostavam de mim assim. Lá expliquei que não era para pintar, só para fazer desaparecer os vermelhos. "Mas cheira a café!" e expliquei que levava café.... "Oh mãe, estás sempre a inventar..."
Logo na 1ª aplicação (que repeti passados 2 dias), fiquei logo com a minha rica cor de volta e sem vermelhos! Bam!!!! Agora, de cada vez que lavo o cabelo, cheira a café  mas, pelo menos, vermelho não está!


Para quem me lê, lamento desiludir mas, se esta máscara tira as madeixas naturais criadas pelo sol e/ou camomila, não disfarça os cabelos brancos nem um pouco. Os meus cá estão, bem à vista e orgulhosamente brancos.

 

PS - sempre que, no médico, me questionavam da reação das piolhas a mudanças em casa, eu respondia que elas reagiam bem - as mudanças só lhes causavam problemas quando fora da casa delas, por estranho que pareça. Depois, em conjunto, chegámos à conclusão que, para elas, no ambiente familiar, o estranho era não haver mudanças, pois, desde muito bebés que nós mudávamos as cores das paredes, disposição da mobília, roupas de cama e wc, cortes de cabelo, estilo de roupas, louças, etc etc etc. Isto era o "normal" delas... Daí não estranharem as minhas "invenções". Enquanto que a casa dos meus pais parece estar sempre na mesma, a nossa, ao longo destes 14 anos já mudou de aspeto interior dezenas de vezes. O quarto delas, então, foi das divisões que mais alterações sofreu desde sempre. Habituaram-se a isso e, aqui para nós, mesmo sem o sabermos, ainda bem que assim foi.

 

 

 

 

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publicado às 20:12

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