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Não era isto de que me recordava...

por t2para4, em 24.02.19

O que faz uma pessoa que dorme mal durante a semana, trabalha imenso, gere 3 ou 4 horários diferentes, quase que se afoga em café e que nem se dá conta da noite passar até o despertador tocar? Aceita jantar com o grupo do costume e acaba numa discoteca até de madrugada, obviamente.

Acabei por se chegar a 3 brilhantes conclusões:

1- continuo a gostar imenso de comer e, já que vou pagar e vou, ao menos como algo que não costume comer em casa, habitualmente;

2 - estou a ficar velha para isto;

3- posso, seguramente, dormir descansada e tranquila pois as piolhas, definitivamente, não serão gajas para se enfiarem numa discoteca, pelos motivos que abaixo explicitarei.

 

Ora, a discoteca só abre quando os bares fecham, portanto, já era madrugada quando chegámos. Miúdas na receção e no bar estupidamente jovens e com tanto betume na cara que acho que necessitarão de muito mais que simples desmaquilhante para retirar aquilo. A bebida que pedi não era nada de especial (embora tenha gostado bastante do copo) e fiquei desiludida pois eu consigo fazer bebidas melhores com os mesmos ingredientes... Obviamente que pedi um gin, mas, juro, os gins que eu faço sabem muito melhor. Mas, num ambiente entre amigos e de boa disposição, a gente até esquece esses pormenores.

Porém, o que realmente me fez aperceber que não tenho pedalada nem estofo nem estaleca nem cultura nem paciência para isto foi... a música... Ou melhor, aquele conjunto de sons a que alguém chama de música. Os meus neurónios definhavam e morriam de desilusão. Ainda aguardei que surgissem o que eu achava que era música de discoteca, os "familiares" tsss tum bum tsss tsss tsss tum hum tsss hum tsss tss hum... Nada. Umas cenas malucas com frases "tu é você e tu tá bem" e "tu é tu" e " e tá tudo bein" e "mafiosa" e "piradinha" e "quisifouda". E tudo de rabo pra fora e pra baixo como se estivessemos a cagar no mato ou numa casa de banho pública (bem, a parte positiva é que o pessoal faz ali uns agachamentos do camandro). E, já agora, já não se dança com os braços no ar? Não? Porquê? Não? Nem se dança de forma sexy? Não? A certa altura pareceu-me que estava num baile em honra de um santo qualquer numa terriola qualquer... 

E quando vinha algo como "tira o péd o chão!!", eu até tentava mas já estive em locais com mesmo gosma aderente que aquele... não dava para imitar o Travolta com a Thurman, definitivamente.

Portanto, 16 anos depois a minha última ida a uma discoteca - e, ok, já é muito tempo mas não é assim taaaaaaaaaaanto tempo quanto isso - e que ainda se passavam músicas dançáveis - e, tudo bem, até podem ser cenas comerciais -, fiquei muito dececionada... 

 

Mas, se neste campo eu vi defeitos, quando me pus a digerir tudo aquilo pensei: bem, as piolhas jamais frequentarão locais assim e eu posso ficar descansada com o "não pouses o copo em lado nenhum", "não tires os olhos do copo"; "se tens dúvidas, vale mais comprares outra bebida", "cuidado com os cabelos perto dos cigarros", pois, além de conjugar tudo aquilo que (ainda) não aguentam como escuro, som, eco, fumo, reverberação, acresce ainda a má música.

 

 

Hoje estou grogue, doem-me um pouco as costelas e vou fazer uma sesta daqui a pouco. Já não tenho estofo para isto. Prefiro ir a um bom bar, sentar numa cadeira porreira e ter o meu copo na mão enquanto estamos ali a passar um bom momento. Coisas que surgem com a idade, suponho.

 

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publicado às 14:04

Todas as informações acerca da palestra estão disponíveis no site abaixo:

www.floortimeconf.com

 

Em que consiste o método/abordagem Floortime?

A abordagem Floortime é um modo de intervenção interativa não dirigida, que tem como objetivo envolver a criança numa relação afetiva. Os seus princípios básicos são:

- Seguir a atividade da criança;

- Entrar na sua atividade e apoiar as suas intenções, tendo sempre em conta as diferenças individuais e os estádios do desenvolvimento emocional da criança;

- Através da nossa própria expressão afetiva e das nossas ações, levar a criança a envolver-se e a interagir connosco;

- Abrir e fechar ciclos de comunicação (comunicação recíproca), utilizando estratégias como o «jogo obstrutivo»;

- Alargar a gama de experiências interativas da criança através do jogo;

- Alargar a gama de competências motoras e de processamento sensorial;

- Adaptar as intervenções às diferenças individuais de processamento auditivo e visuo-espacial, planeamento motor e modulação sensorial.

- Tentar mobilizar em simultâneo os seis níveis funcionais de desenvolvimento emocional (atenção, envolvimento, reciprocidade, comunicação, utilização de sequências de ideias e pensamento lógico emocional)

(Greenspan, 1992b; Greenspan & Wieder, 1998).

 

A quem se dirige esta palestra?

A qualquer pessoa interessada nesta abordagem terapêutica, em especial, pais, técnicos e professores.

O orador principal será o Dr. Jake Greespan Fundador e Diretor do Floortime Center, em Washington - filho do Dr. Stanley Greenspan, autor do Modelo DIR e do Greenspan Floortime Approach.

 

NOTA: Desconto de 50% (através de um código promocional) para os primeiros 10 pais que entrarem em contacto comigo pelo email t2para4@sapo.pt . Não serão consideradas mensagens privadas – apenas por email por uma questão de coerência e organização.

 

 

Evento promovido e organizado por TIS Group

 

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publicado às 10:15

Tagarelice #61

por t2para4, em 16.02.19

Estou a cotar testes, de costas para as piolhas, com grelhas em excel abertas e concentração ali naquelas percentagens. Uma delas, sorrateiramente, aproxima-se de mim e dispara:
"O que é eróticos?"
Ainda vou ter um AVC...

 

A minha resposta foi, em modo desvaloriza-que-passa, que isso não interessava nada e que tinha a ver com coisas sexuais, desejo sexual e coisas dessas que só os adultos faziam... Uma das piolhas foi ao dicionário (página seiscentos e tal, da Porto Editora, de 2009) e decidiu ler a definição em voz alta e as palavras relacionadas com sexo a sair da boca dela até me fizeram úlceras... deusmalibre...

 

 

 

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publicado às 10:30

Está aqui tudo, nem vou dizer mais nada a não ser que o espectro é variado, embora com coisas comuns. No fundo, o que queremos, é mesmo paz e sossego e que não nos macem com questiúnculas ridículas e que nos deixem ser. Se não pedem aos surdos para ouvir, por que nos pedem a nós autistas para sermos nós a adaptar-nos a tudo?

 

 

Ana Oliveira

Autismo: 10 coisas que o Rodrigo quer que saibam sobre ele

Não é fácil ser mãe. Ponto. E não é fácil ser mãe de um filho com Perturbação no Espectro do Autismo. O facto de, no caso do Rodrigo, ser num nível ligeiro, faz com que muitos nem sequer se apercebam dos problemas que tem. Mas eles estão lá, eles existem e influenciam o bem-estar do meu filho.

É verdade que muitas vezes faço questão de não o apregoar, porque não quero que o tomem como diferente, porque evito “tratamentos especiais”, porque receio que o vejam como o coitadinho, enfim… mas a verdade é que há uma realidade à qual não posso fugir: o Rodrigo é diferente e em algumas situações é preciso agir diferente com ele.

Não há volta a dar quanto a isto.

As situações são muitas e os julgamentos ainda mais. Porque é mais fácil que as pessoas se ponham no nosso lugar quando a “diferença” é mais evidente do que quando a criança é aparentemente normal.

Com os julgamentos eu posso bem, por me considerar sempre inocente até prova em contrário, mas considero importante que se entendam algumas das coisas que se passam no cérebro destes meninos e que muitas vezes não são respeitadas porque são confundidas com falta de educação ou mimo a mais.

O meu filho, agora com nove anos, não precisa de andar na rua com uma placa ao peito a dizer “Eu sou autista”, mas já foram várias as vezes em que optei por não dizer que o era e que me arrependi.

Quando o inscrevi na natação decidi não dar essa informação e passadas duas aulas a professora veio perguntar-me se ele era surdo.

Numas férias deixei-o naqueles ATL’s de crianças à beira da piscina e acabou por não se divertir nada porque não teve qualquer ajuda para iniciar uma brincadeira com outras crianças.

Aguentei olhares no meio do supermercado enquanto o Rodrigo se atirava num berreiro para o chão, num valente surto de birra capaz de virar tudo ao contrário. Aos olhos dos outros, ele não passava de uma criança mimada, sem educação, que fazia tudo o que queria, sob a passividade de uma mãe que não tinha mão nele. Ouvi VÁRIAS vezes “se fosse comigo já tinha levado uma palmada”.

Ouvi e calei. Lá está. Faltava a placa ao peito do miúdo com a explicação: “Tenho hipersensibilidade ao ambiente que me rodeia. Não é fácil para mim estar no meio deste supermercado rodeado de estímulos que me desordenam o cérebro e com os quais eu não sei lidar. Mudar de rotinas também é uma prova de fogo e estar neste sítio estranho é avassalador. Uma palmada não me vai acalmar. Antes pelo contrário, até porque tendo a tornar-me ainda mais agressivo e capaz de me magoar a mim mesmo. Defendo-me como sei… perdoem-me o incómodo de estar a fazer tanto barulho enquanto fazem as vossas compras descansados.”

Face a tudo isto, decidi escrever este texto. Cá vão algumas das coisas que o Rodrigo gostaria que soubessem sobre ele:

1. Não se ofendam quando digo que o vosso frigorífico cheira mal ou quando me recuso a sentar ao pé do queijo que está na mesa. Não me digam: “Sentas-te aí sim senhor porque eu estou a mandar”. Para mim é mesmo difícil e o mundo não acaba se me sentar noutro lugar ou afastarem o queijo dali. Não estranhem eu andar de nariz tapado na zona da charcutaria, cheirar tudo antes de comer ou recusar limpar as mãos a um pano já usado. Tal como outros sentidos, tenho o olfacto muito, mas mesmo muito apurado;

2. Não me chamem de “menina” nem me excluam só porque não gosto de jogar à bola, andar de bicicleta ou fazer esses desportos mais radicais típicos de rapazes. Tenho problemas com actividades que incluam movimento e o meu equilíbrio deixa muito a desejar. Sou descoordenado e só consegui saltar com os pés juntos de um degrau para o chão aos sete anos. Eu chego lá, mas mais devagar;

3. Como sei que os meus interesses e as minhas brincadeiras são um pouco diferentes e repetitivos, preciso de alguma ajuda para começar a brincar com outras crianças. É só um empurrãozinho inicial, que depois a coisa dá-se;

4. A minha audição também é hipersensível, por isso não se zanguem quando peço a alguém que está a conversar ao meu lado para se calar. Não consigo estar em conversas paralelas porque vos oiço mesmo muito muito alto. É por isso que fico tão perturbado quando passam motas e é também por isso que tapo os ouvidos quando puxo um autoclismo;

5. Eu gosto que brinquem comigo, gosto de rir, mas evitem ironias, trocadilhos, sarcasmos ou metáforas. Não esperem de mim segundas leituras, porque não as sei fazer. Fico zangado. E escusado será dizerem: “Estava a brincar”. Brinquem de outras maneiras comigo. Não me digam que alguma coisa é “canja de galinha” quando querem dizer “isso é fácil”. Interpreto literalmente o que me dizem e a comunicação é sempre um desafio para mim. Por isso, usem palavras simples e directas;

6. Preciso saber o que vai acontecer a seguir. É por isso que quero saber tim tim por tim tim como vai ser o meu dia, um passeio, um almoço, ou um fim-de-semana. Sair das rotinas é sempre uma prova de fogo e fico mais seguro e confortável se souber o que vai acontecer. Sei que nem sempre isso é possível, mas não custa tentar, mesmo parecendo um grande chato;

7. Agarro na caneta de uma forma estranha e a minha letra não é a mais bonita. É que tenho problemas na motricidade fina, nos movimentos minuciosos, por isso não me julguem por não conseguir ser tão ágil a apertar botões de camisa ou por não conseguir ainda dar o laço nos atacadores. Eu vou conseguir… um dia;

8. Não levem a mal eu dizer logo que “não quero fazer” ou “não quero tentar”. Tenho a perfeita noção que não consigo fazer tão bem muitas coisas que os meus amigos fazem e acho que vou logo errar. Como lido com a frustração mil vezes pior do que uma criança sem autismo, evito essas novas situações e arrisco muito pouco. Procurem não apontar sempre o que não sei ainda fazer e elogiem o que já faço bem;

9. Sei que não posso estar muito tempo seguido a jogar consolas. Mas sei que sou um pró a jogar Super Mario e fico muito feliz quando os meus amigos vêem e elogiam essas capacidades. Afinal, sou bom a fazer alguma coisa! E quero tirar partido disso porque me dá auto-estima;

10. Bem, tirando estas diferenças, sou uma criança que, como qualquer outra, precisa de ser corrigida, estimulada, desafiada… e, acima de tudo, amada. Porque podemos não ser grandes fãs de beijoquices e mãozinhas dadas, mas nunca dizemos que não a um bom mimo 🙂

#autismo #autismonainfancia #paisnaluta

 

 

 

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publicado às 16:26

Tagarelice #60

por t2para4, em 15.02.19

Sábado à noite, marido a dormitar no sofá, piolhas na cama, uma comédia na TV. Faço umas pipocas no micro-ondas, rapidinho, e volto para o quentinho da sala e conforto do sofá.
- Mããããeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!! 
Até fiquei sem ar pois há anos que não me chamavam assim. Fui a correr até ao quarto.
- Que se passa?
- POR QUE É QUE CHEIRA AQUI A PIPOCAS?!
E, assim, todo o prédio ficou a saber que, pelas 22h20, eu fiz pipocas e que o cheiro foi até ao quarto delas e o meu nariz estava avariadinho de todo e não me cheirava a nada (embora me soubesse bem).
- Amanhã queremos pipocas, pode ser? É que cheira aqui mesmo a pipocas! Cheira sim!

 

 

 

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publicado às 16:21

A mamã deste blogue contactou-me para que escrevesse algo sobre nós e o autismo pois gostaria de publicar na sua rúbrica "Testeminhos de Mãe Reais".

Recuperei partes de um texto que já havia escrito há uns anos, escrevi partes novas e enviei. Acho sempre que os meus textos ficam demasiado extensos.  Mas, ainda assim, a Sónia publicou-o. 

 

http://bloguedamamadobazar.blogspot.com/2019/02/testemunhos-de-maes-reais-para-nos.html

 

 

 

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publicado às 23:00

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