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2020, uma surpresa, em vários sentidos

por t2para4, em 28.12.20

2020 tinha (tem?) tudo para ser um ano muito bom e acabou por se revelar um ano terrível.
Podemos começar pelo óbvio: estamos a viver História - tivemos uma pandemia declarada logo no primeiro trimestre do ano; passámos a ter de cumprir escrupulosamente determinadas regras; a máscara passou a ser um acessório tão banal (que, pessoalmente, já a coloco por impulso e até me esqueço que a estou a usar); tivemos um confinamento forçado (algo que nunca me passaria pela cabeça); sentimos medo puro - daquele que paralisa mesmo - e, por momentos, quisemos acreditar que iria ficar tudo bem com os nossos arco-íris; tivemos meses sem contacto físico com os avós, primos, tios e demos graças pela tecnologia do século XXI, mesmo que deficitária; descobrimos que é possível fazer algo que eu ando a dizer há anos - trabalhar à distância, em determinadas situações; regressámos à escola - a medo mas com coragem - e conseguimos levar um período inteiro (cerca de 4 meses) sem fecharmos escolas no país inteiro (algumas houve que fecharam, turmas inteiras em casa mas não foi a nível nacional); descobrimos forças e empatias que surgiram; a batalha e a busca por uma vacina conseguida rapidamente... Os media não facilitaram e ainda hoje cobrem e esmiúçam números, milhares foram infetados (incluindo amigos nossos), houve mortes a lamentar. E houve outras doenças não diagnosticadas, serviços postos em pausa, uma burocracia que se aumentou exponencialmente. E negacionistas e pessoas do contra só porque sim e sem qualquer fundamento científico. Entre tantas mas tantas outras coisas.


Foi - todos concordam - um ano completamente atípico.


No entanto, felizmente, para nós, 2020 não foi um ano horrível. Esse título, o de annus horribilis cabe a 2016. Começou mal e acabou ainda pior. Foi um ano muito exigente, demasiado doloroso, terrível, sem férias, de desemprego ali no limite final do subsídio, redução das horas de terapia, o falecimento de uma colega de faculdade, a avó que teve problemas sérios de saúde... Pensámos que chegara mas ainda houve espaço e tempo para um aborto espontâneo logo em janeiro (doeu tudo, desde o corpo à alma... e a reação das pessoas à notícia não ajudou nada) e uma nevrite intercostal tão grave em novembro que não me recordo do tempo de convalescença. Não me recordo de quase nada, é tudo uma névoa e não sei como fizemos para cuidar das piolhas nessa altura. Juro que pensei que ia morrer. E foi terrível perceber que as minhas filhas pensaram o mesmo e ouvir uma delas dizer-me sofridamente "mãe, eu não quero que tu morras". Morremos um bocadinho por dentro, isso é certo. A parte boa foi o diagnóstico, apesar de tudo, porque inicialmente, além de burnout, os sintomas apontavam para problemas cardíacos e muitos alertas para AVC. Suspendi ali a minha vida por quase 2 meses. Recuperação lenta e dolorosa. Ordenado inexistente (porque um professor contratado de baixa recebe 55% do seu ordenado com os 3 primeiros dias não pagos e eu tinha um horário de 10h/semanais), marido a trabalhar incansavelmente e a ter de gerir a casa e as piolhas, na altura ainda no 1º ciclo. Chegámos à conclusão, no final do ano que, se aquilo que vivemos não nos matou nem nos mandou para um hospício, já nada o faria. 2016 foi definitivamente o pior ano de que tenho memória. Fuck 2016, sem sombra de dúvida.


2020 foi um ano bom para nós. Foi um ano de estabilidade, de recuperação, de aceitar novos projetos profissionais, de aprendizagem e de estudo (tirei bastantes formações), de crescimento (nosso e das piolhas), de introspeção (parece cliché mas é verdade), de escolhas. Tivemos saúde. Tivemos emprego. Estamos juntos. Apesar de se supor o pior - e foi, de facto, um ano extremamente atípico -, 2020 foi um ano generoso para connosco. (Se bem que, qualquer ano melhor que 2016, já é um excelente ano).


Se antes já valorizávamos as pequenas coisas, as pequenas vitórias, as pequenas conquistas, os pequenos nadas que aprendemos a acumular ao longo dos anos, 2020 veio provar que temos muito para continuar a agradecer, a valorizar e a acumular como conquista, vitória.


É cliché, mas é verdade: haja saúde e tudo se arranja. O resto são restos e de restos ninguém vive, já dizia a prima.

 

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publicado às 22:58

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